sexta-feira, dezembro 26, 2008

NATAL 2008



" Nós, os cristãos, acreditamos numa única coisa: que este Mistério (...) é um menino que uma rapariga de 15 anos deu à luz. Aquele Menino é este Mistério. Chama-se Jesus de Nazaré e está presente na nossa companhia, todos os dias, até ao fim do mundo."


Luigi Giussani

terça-feira, dezembro 23, 2008

O Papa recebe padre Julián Carrón.



Data: 15/12/2008

Bento XVI recebeu hoje de manhã, no Vaticano, o padre Julián Carrón, presidente da Fraternidade de Comunhão e Libertação. No final da audiência, o sucessor de Don Giussani conversou com Alessandro Gisotti sobre o significado deste encontro com o Santo Padre:

Carrón – Um ano depois do encontro do movimento Comunhão e Libertação com o Papa, na praça de São Pedro, pedimos para vê-lo novamente para contar-lhe o que aconteceu e partilhar com ele os frutos daquele encontro.

AG – Sabemos o quanto Joseph Ratzinger antes e Bento XVI depois está ligado a CL e a figura de don Giussani. Basta pensar na revista “Communio”... Claramente isto é importante para vocês…

Carrón – Com certeza! Foi muito significativo para a nossa história o relacionamento que don Giussani sempre manteve com o então Cardeal Ratzinger. Nós, sobretudo agora, percebemos o seu Magistério decisivo para a nossa vida de movimento, para a nossa história. Para orientar o nosso caminho, estamos sempre muito atentos àquilo que o Papa nos diz.

AG – Sabemos o quanto Comunhão e Libertação se empenha na evangelização no mundo da cultura…

Carrón – Nós estamos atentos a tudo o que o Papa diz a respeito da presença cultural da fé. Por exemplo, nós apreciámos muito, além do grande discurso de Ratisbona, a recente colocação feita em Paris, aos homens de cultura, que nós distribuímos para todo o movimento. Nós empenhamos-nos para apresentá-lo em todos os lugares para divulgar esta perfeição da cultura que nasce da pertença à experiência cristã, que é capaz de gerar uma humanidade com uma racionalidade totalmente aberta, como o Papa nos testemunha continuamente.

AG – O tema do último Meeting de Rímini era “Protagonista ou ninguém”. Este tema é particularmente significativo em um período como o Advento, no qual esperamos Alguém, aquele Alguém que muda a vida de cada homem…

Carrón – Com certeza! Para nós isto é decisivo, porque é o encontro com o único protagonista da história que torna os homens protagonistas, senão somos como pedras, levadas pela torrente das circunstâncias, das ideologias, dos nossos pensamentos, dos nossos sentimentos, e somente o encontro com Ele que – para usar uma palavra querida a don Giussani – “magnetiza” todo o ser, toda a afeição, toda a razão, que pode realmente fazer com que um homem seja um protagonista da vida, e por isso dê uma contribuição real para a renovação da sociedade, uma contribuição para uma humanidade diversa.

Fonte: Rádio Vaticana

sábado, dezembro 20, 2008

Como tudo começou - entrevista ao professor





"O principio, apesar de não ser bem o principio, mas o ponto de partida - lembro-me muito bem, ainda vejo o canto da minha casa na Northmoor Road, 22. Tinha um monte de exames lá, estava a corrigir exames escolares no Verão. Eram muitos e muito trabalhosos. E infelizmente estava muito aborrecido. e lembro-me de pegar num exame, quase que lhe dei um ponto extra, cinco pontos extra até, havia uma página neste exame em branco - maravilha! - nada para ler. Então escrevi ali - não sei bem porquê: "Num buraco no chão vivia um Hobbit."

domingo, novembro 16, 2008

Movimento Perpétuo Associativismo - Deolinda



Agora sim, damos a volta a isto!
Agora sim, há pernas para andar!
Agora sim, eu sinto o optimismo!
Vamos em frente, ninguém nos vai parar!

Agora não, que é hora do almoço...
Agora não, que é hora do jantar...
Agora não, que eu acho que não posso...
Amanhã vou trabalhar...

Agora sim, temos a força toda!
Agora sim, há fé neste querer!
Agora sim, só vejo gente boa!
Vamos em frente e havemos vencer!

Agora não, que me dói a barriga...
Agora não, dizem que vai chover...
Agora não, que joga o Benfica...
e eu tenho mais que fazer...

Agora sim, cantamos com vontade!
Agora sim, eu sinto a união!
Agora sim, já ouço a liberdade!
Vamos em frente, é esta a direcção!

Agora não, que falta um impresso...
Agora não, que o meu pai não quer...
Agora não, que há engarrafamentos...
Vão sem mim, que eu vou lá ter...

Manisfestações

A revolta dos alunos que estoirou esta semana foi coroada com nova manifestação de professores este Sábado. A mim ocorreram-me várias ideias depois desta semana tão atribulada.

Primeiro é que este modelo de avaliação é de facto ridiculo. Não concordo que qualquer avaliação é melhor que nenhuma. Uma avaliação que incluis dias de trabalho é simplesmente ridícula. Para além disso, qual é o critério pelo qual uma professor de uma matéria cientifica avalia uma professor de humanidades?

Contudo também me choca ver que numa semana onde a escola ocupou os telejornais não exista uma palavra sobre educação. De facto os professore e os sindicados não falam de educação.

Quanto aos alunos. Embora me pareça justo que se manifestam contra o facto de as faltas justificadas serem iguais as faltas injustificadas para efeitos do exame, vemos que se manifestam sem um ideia. Perante uma escola cada vez pior os alunos saem à rua apenas para resmungar com as faltas.

Para além disso, embora não entre em teorias da conspiração, a maior parte daqueles que se manifestaram claramente só o fizeram porque é mais divertido do que ir às aulas.

Por fim, é inacreditável que o Governo perante 110 mil manifestantes se limite a dizer que são "radicais" e "manipulados" pelos sindicatos. Mas como o PSD está demasiado ocupado a dizer mal da sua presidente e como cada fez que Manuela Ferreira Leite fala os jornais ignoram, o governo pode dizer o que quiser, pois têm a eleição mais ou menos garantida.

quarta-feira, novembro 12, 2008

Viva la Vida - Coldplay



I used to rule the world
Seas would rise when I gave the word
Now in the morning I sleep alone
Sweep the streets I used to own
I used to roll the dice
Feel the fear in my enemy's eyes
Listen as the crowd would sing:
"Now the old king is dead! Long live the king!"
One minute I held the key
Next the walls were closed on me
And I discovered that my castles stand
Upon pillars of salt, and pillars of sand

I hear Jerusalem bells are ringing
Roman Cavalry choirs are singing
Be my mirror my sword and shield
My missionaries in a foreign field
For some reason I can't explain
Once you go there was never, never an honest word
That was when I ruled the world

It was the wicked and wild wind
Blew down the doors to let me in.
Shattered windows and the sound of drums
People couldn't believe what I'd become
Revolutionaries Wait
For my head on a silver plate
Just a puppet on a lonely string
Oh who would ever want to be king?

I hear Jerusalem bells are ringing
Roman Cavalry choirs are singing
Be my mirror my sword and shield
My missionaries in a foreign field
For some reason I can't explain
I know Saint Peter won't call my name
Never an honest word
But that was when I ruled the world

(Ooooh Oooh Oooh)

Hear Jerusalem bells are ringing
Roman Cavalry choirs are singing
Be my mirror my sword and shield
My missionaries in a foreign field
For some reason I can't explain
I know Saint Peter will call my name
Never an honest word
But that was when I ruled the world

Demorei muito tempo a decidir se punha ou não esta música aqui no blog. Depois de alguma investigação descobri que afinal a música valia a pena ser ouvida.

Embora o album seja a "festejar" a revolução francesa esta música fala-nos sobre Luís XVI depois de perder o poder. O albúm, que se chama "Viva la Vida or Death and all his friends" é sobretudo sobre a fragilidade da vida e sobre a inivitabilidade da morte.

Vale a pena ouvir a música com atenção, pois ajuda-nos a relembrar a fragilidade da condição humana. A música fala, antes de qualquer questão política ou histórica, de um homem que se dá conta que, apesar de ter sido um rei poderoso, vai ter que prestar contas ao Senhor.

segunda-feira, novembro 10, 2008

Habemum Nuncio

A Santa Sé anunciou oficialmente que o Papa nomeou o Arcebispo Rino Passigat Núncio Apostólico em Portugal.

o monsenhor Rino Passigat sucede ao monsenhor Alfio Rapisarda, que resignou ao cargo por ter atingido 75 anos.

Do anterior Núncio ficam-me duas memórias. Primeiro a missa que ele celebrou no 7º dia após a morte de don Giussani. A sua pregação e paternidade foram um consolo para todos aqueles que tínhamos perdido um mestre e um pai.

Lembro-me também de o ver crismar um grupo, onde a maior parte eram meus amigos, na Igreja Paroquial de Nossa Senhora da Encarnação.

Rezemos por Dom Alfio, agradecendo o dom do seu magistério e também por Dom Rino, para que o Senhor o sustente nesta nova missão.

sexta-feira, novembro 07, 2008

"Verdades?"

Hoje apareceu nos jornais a notícia de que Sarah Pallin não sabia que África é um continente. Não há nenhuma prova deste facto, mas como os jornais disseram passou a ser "verdade".

Isto é apenas mais uma história que os media inventaram e que passaram ser verdade. Na América não faltam exemplos. Basta ver que todos os jornais explicam que a vitória de Obama foi esmagadora quando na verdade, percentualmente teve o resultado inferior a George W. Bush em 2004 (embora em absoluto tenha tido mais votos, pois houve mais votantes).

Outro destes casos, que passou a "verdade", é a suposta eleição de Bush em 2000 com menos votos que Al Gore. Não nenhum dado que suporte este facto, sendo que das mesas de votos na Florida cujo o resultado não foi contado, a maioria eram Republicanas.

Mas isto não é só na América, também acontece muito por cá. Basta ver-mos o primeiro computador portátil português que afinal é um Intel.

Mas mais grave do que esta mentira que passam a verdades jornalísticas, é ver isto acontecer em relação à história. Hoje a história têm pouco a ver com a verdade. É escrita de maneira ideológica.

Nas escola aprende-se que Álvaro Cunhal foi um defensor da Democracia, quando qualquer pessoa com mais de 50 anos sabe que ele era um feroz defensor da implementação do Comunismo pela força.

Aprendemos que Estaline é um paladino da liberdade, quando de facto foi um dos maiores genocidas das história.

Aprendemos que o Império Austro-Hungaro era mau, quando na realidade era um Império democrático, com um parlamento onde estavam representados os vários países que o constituíam.

Ensina-se na Escola que a Primeira Republica trouxe a democracia, quando afinal trouxe dezasseis anos de ditadura revolucionária e uma perseguição religiosa sem precedentes.

Toda a gente sabe que Maria Antonieta disse que se o povo não tinha pão que se lhe dessem brioches. Ninguém parece preocupado com o facto de que a única fonte histórica de tal acontecimento ser folhetins revolucionários.

É sabedoria comum que a Inquisição causou o terror em Portugal. Basta consultar os arquivos da torre do Tombo para verificar que a Inquisição era um tribunal muitos mais brando que os tribunais civis.

Ninguém duvida que na Idade Média se pensava que a terra era plana. Ninguém se lembra que Carlos Magno, Imperador do Género Humano (como era tratados os imperadores romanos) é representado sempre com um globo terrestre na mão.

Qualquer romance histórico fala de como na Republica Romana a homossexualidade era comum, de como César e Augusto foram amantes. Na verdade a homossexualidade em Roma era desprezada e não há dado histórico nenhum que indique que Augusto tivesse essa tendência. Quando a César, há uma acusação política, que ele sempre desmentiu, de que teria ido para a cama com o Rei da Bitinia quando era jovem.

Por fim, e esta lista é tudo menos exaustiva, é ensinado nas escola que a homossexualidade era vista pelos Gregos como uma forma superior de amor. Mentira, mais uma vez. A pedofilia homossexual era bem vista pelos gregos. Contudo era de mau tom continuar a ir para a cama com uma rapaz quando ele começasse a ter barba.

É preciso mais do que nunca ser capaz de discernir aquilo que é notícia e aquilo que nos é apresentado como história. Pois cada vez mais a verdade é indiferente.

quarta-feira, novembro 05, 2008

Um pai.

Hoje cumprem-se trinta anos sobre a ordenação do Padre João Seabra. Há muitos coisa para se falar quando se fala do Padre João: a sua inteligência, a sua eloquência, o seu refinado sentido do humor, a sua vasta cultura (sobretudo histórica), etc.

Mas aquilo que de facto me toca é a sua paternidade. O amor com que olha para cada uma daqueles que Cristo coloca diante do seu caminho. O amor com que olha para mim e para o meu destino. O modo como nos ajuda a colocar de modo mais justo diante de Cristo.

Mas sobretudo, impressiona-me a certeza do Padre João de que o que salva realmente é a misericórdia de Cristo. Daí a sua insistência, com que nós tantas vezes brincamos, em confessar toda a gente.

Lembro-me que quando fomos às Jornadas Mundiais da Juventude o Padre João passou dez dias sempre a confessar. Foram centenas de jovens que ele confessou: portugueses, italianos, espanhóis e até um ou outro alemão.

Deixo aqui um artigo, que encontrei via Povo, do Professor César da Neves, sobre o livro que foi lançado nos 25 da Ordenação.

"Um padre

João Luís César das Neves

Diário de Notícias, 20031117

Já não se publicam sermões. Depois de os padres terem passado no século XIX à categoria de ervas daninhas, abandonou-se o hábito de publicar sermões. Assim se perde para sempre um dos fenómenos culturais mais influentes da nossa língua.

Todos os dias, em milhares de locais, se prega em Portugal sobre o sentido da vida, os juízos morais, as virtudes práticas. Este grandioso património evapora-se, enquanto os etnógrafos se esforçam, por outros lados, a recolher os menores indícios do que chamam «cultura». Mas, felizmente, ainda há excepções. Acaba de sair um volume de homilias de um sacerdote lisboeta (Directo ao Assunto, Lucerna, 2003).

O Padre João Seabra é uma figura conhecida da nossa intelectualidade. Mas o que ele é, é sempre e apenas como padre. A sua fama provém sobretudo da sua frontalidade. Num tempo em que a Igreja se sente minoritária, às vezes acossada e complexada, o Padre Seabra nunca pediu desculpa por ser quem é ou licença para se meter na vida de quem encontra. Conheço muitos padres santos, fervorosos e cativantes. Mas com a sua «desfaçatez na Fé» só sei de outro, um polaco chamado Karol Wojtyla.

Os sermões deste livro não são habituais. Primeiro são curtos. Depois são muito coloridos, com humor e actualidade. Em terceiro lugar são desarmantes. Citam no mesmo fôlego a Astrofísica e a Inquisição (p. 81), Gore Vidal e S. Ambrósio (p. 89), S. Pedro e Krushchev (p. 107), Loretta Young e o bom samaritano (p. 201-202).

Os temas são muitos, mas o assunto é sempre o mesmo. Em todo o livro se sente a sua linha condutora: uma paixão intensa numa fidelidade férrea pela pessoa de Cristo e pela vida da Igreja. Com exemplos divertidos e sínteses iluminantes, o autor vai sempre directo ao assunto. E o assunto é sempre a Fé.

O livro é, pois, uma notável mistura de catecismo, geopolítica, moral prática e história. Na clareza da argumentação, na contundência das comparações, sente-se o que tanto foi repetido nos milénios da Igreja: «Vieram para discutir, mas era--lhes impossível resistir à sabedoria e ao Espírito com que ele falava» (Act 6, 9-10).

No meio aparecem frases brilhantes, tiradas geniais que não esquecem: «Toda a moralidade cristã se reduz a isto. Usar todas as coisas tomando nota da Luz da qual são feitas» (p. 125). «Porque quem resolve, nos momentos decisivos, pensar só pela sua cabeça acaba por pensar pela cabeça da opinião comum» (p. 190). «Para se renunciar à santidade é precisa uma disciplina de ferro, porque a santidade oferece-se a nós todos os dias»(p. 210). «Misteriosamente, os que estão no Inferno não estão lá presos. Estão lá porque não querem sair de lá (...) o seu castigo é esse ódio eterno ao bem» (p. 272). «A Europa é o nariz da Ásia. Se a Ásia se assoa, a Europa desaparece. (...) A Europa é o Cristianismo ou não é nada» (p. 277). «Meus amigos, meus irmãos, vivei cada instante como se fosse o primeiro instante, como se fosse o último instante, como se fosse o único instante» (p. 211).

É assim o autor. É assim este livro.

À questão principal, ele mesmo respondeu logo na sua primeira missa: «O bom gosto do nosso mundo perguntará, escandalizado, se eu me considero, então, detentor da única verdade. E eu respondo que não. Não sou detentor da verdade. Mas sou detido por Ela, sou possuído, conduzido, impelido e guiado por Ela. Não sou senhor da verdade, mas sou servo da Verdade» (p. 13). "

Yes we can

Ganhou Obama. Hoje a esquerda europeia rejubila e fala de um novo começo, um marco histórico. Os eleitores americanos já não são as bestas de há quatro anos, mas sim pessoas extraordinárias que elegeram um novo messias para a Presidente do Estados Unidos da América.

A mim parece-me uma vitória da política profissional. Um homem que nunca fez nada, que não apresenta um ideia, que mente, ganhou as eleições unicamente através de palavras ocas e de truques políticos.

O programa de Obama resume-se a umas quantas palavras: change, hope, yes we can. Há que reconhecer que é um belíssimo orador, mas ficam-se por aí as enormes qualidades do 44º Presidente.

Não me parece que esta eleição seja uma catástrofe, parece-me só que é uma pena. Pena que a democracia americana esteja a ficar parecida com a europeia.

domingo, novembro 02, 2008

Os nossos mortos.

Ontem foi dia de Todos os Santos. Nesse dia a Igreja celebra a memória de todos aqueles de quem nós não sabemos o nome, mas que tendo já partido deste mundo vêm a Deus face-a-face.

A solenidade de Todos os Santos ajuda-nos a relembra a vocação universal à santidade, à qual todos somos chamados através do baptismo.

Já hoje é dia de Fiéis Defuntos. O dia em que a Igreja relembra todos aqueles que tendo morrido, ainda estão no purgatório, à espera de serem acolhidos no Paraíso.

Serve este dia para nos lembrarmos dos nossos mortos e rezar por eles. Segundo uma antiga devoção da Igreja hoje pode-se ir a três missas.

Estas festas cristãs opõem-se com clareza a importação pagã que é o Hallowen. Enquanto pelas ruas os comerciantes aproveitam mais uma festa para vender, nas escolas começam a ensinar que 31 de Outubro é o Dia das Bruxas. Enquanto a Igreja celebra a misericórdia de Deus, que acolhe junto de si os Seus filhos, o mundo celebra o diabo, que quer condenar as almas.

Pedimos a intercessão de todos os Santos para que se mantenha a tradição cristã.

quarta-feira, outubro 29, 2008

Mártires na Índia

Já vão em 58 o número de mortos em Orissa. Hoje o Senhor chamou o a Si o padre Benard Digal, que não resistiu aos ferimento que lhe foram inflijidos no dia 25 de Agosto.

"Deixai-me ser pasto das feras graças as quais poderei chegar à posse de Deus. Eu sou o frumento de Deus; terei de ser triturado pelos dentes das feras para me tornar pão de Cristo".

Inácio aos fiés de Roma

"O sangue dos mártires foi a semente dos Cristãos".

Tertuliano.

sábado, outubro 25, 2008

Sao Crispim



What's he that wishes so?
My cousin Westmoreland? No, my fair cousin;
If we are mark'd to die, we are enow
To do our country loss; and if to live,
The fewer men, the greater share of honour.
God's will! I pray thee, wish not one man more.
By Jove, I am not covetous for gold,
Nor care I who doth feed upon my cost;
It yearns me not if men my garments wear;
Such outward things dwell not in my desires.
But if it be a sin to covet honour,
I am the most offending soul alive.
No, faith, my coz, wish not a man from England.
God's peace! I would not lose so great an honour
As one man more methinks would share from me
For the best hope I have. O, do not wish one more!
Rather proclaim it, Westmoreland, through my host,
That he which hath no stomach to this fight,
Let him depart; his passport shall be made,
And crowns for convoy put into his purse;
We would not die in that man's company
That fears his fellowship to die with us.
This day is call'd the feast of Crispian.
He that outlives this day, and comes safe home,
Will stand a tip-toe when this day is nam'd,
And rouse him at the name of Crispian.
He that shall live this day, and see old age,
Will yearly on the vigil feast his neighbours,
And say 'To-morrow is Saint Crispian.'
Then will he strip his sleeve and show his scars,
And say 'These wounds I had on Crispian's day.'
Old men forget; yet all shall be forgot,
But he'll remember, with advantages,
What feats he did that day. Then shall our names,
Familiar in his mouth as household words-
Harry the King, Bedford and Exeter,
Warwick and Talbot, Salisbury and Gloucester-
Be in their flowing cups freshly rememb'red.
This story shall the good man teach his son;
And Crispin Crispian shall ne'er go by,
From this day to the ending of the world,
But we in it shall be remembered-
We few, we happy few, we band of brothers;
For he to-day that sheds his blood with me
Shall be my brother; be he ne'er so vile,
This day shall gentle his condition;
And gentlemen in England now-a-bed
Shall think themselves accurs'd they were not here,
And hold their manhoods cheap whiles any speaks
That fought with us upon Saint Crispin's day.





O deus nada

Vi no Publico de hoje que uma associação de ateus ingleses angariou dinheiro para pôr um cartaz que diz "Provavelmente não existe Deus. Deixe de se preocupar com isso e viva a sua vida" em vários autocarros de Londres.

Quando li a noticia não consegui evitar o riso. De facto gastar dinheiro em publicidade inconsequente pareceu-me completamente ridículo.

Mas, enquanto pensava no assunto, comecei a ficar simplesmente triste com a noticia. Eu percebo o ateísmo enquanto posição humana, de alguém que não foi tocado pela fé ou que não encontra na vida factores suficiente que o levem a por hipótese de que o mundo foi criado por alguém maior do que o humem.

Mas um homem, um homem que seja verdadeiro consigo mesmo e que tenha esta posição, só pode ser desesperado. Só pode amaldiçoar a vida. Porque se de facto não há nada mais do que o tempo que vai do nascimento à morte, então viver é um absurdo.

Contudo, este "novos-ateístas" (como os próprios se intitulam)não são verdadeiramente ateus. Para eles não se trata de não acreditarem em Deus, mas de acreditarem que Ele não pode existir. Parece uma mera diferença semântica, mas é a diferença entre não encontrar nada e exaltar o nada.

Por isso não consigo deixar de ter pena deste ateístas. Porque que quem se limita a não acreditar, têm em si a esperança de que exista Algo. Mas eles escolheram o nada como deus.

quarta-feira, outubro 22, 2008

Mesquinhices

Anda por aí um grande escândalo por causa da beatificação do Papa Pio XII. Alguns judeus protestaram contra esta beatificação, dizendo que o Papa teve um papel ambíguo a quando do holocausto.

Segundo estes grupos, o Papa nunca condenou publicamente a perseguição aos judeus pelo regime Nazi. Como é óbvio, com os nazis à porta e pronto a invadir o Vaticano e raptar o Papa, Pio XII teve algumas precauções. Falou do assunto sempre de modo subtil e diplomático.

Por outro lado, se as suas palavras foram subtis os seus gestos foram poderosos. Mandou abrir todos os conventos de Roma para acolher judeus. Até nos corredores do Vaticano havia hebreus a dormir. A primeiro-ministro Golda Meier descreveu Pio XII como um grande amigo dos judeus.

Acho no mínimo escandaloso que um povo que nunca fez nada por ninguém, que nos últimos anos têm exterminado, em campanhas preventivas, milhares de árabes, venha acusar o Papa que salvou milhares deles porque não disse que o estava a fazer.

É, no mínimo, mesquinho.

Um grande padre.

O Conselho das Conferências Episcopais Europeias elegeu por unanimidade o Padre Duarte da Cunha para secretário-geral.

A outros maiores que eu caberá elogio deste grande padre, um pastor de uma difícil paróquia, que tem conseguido sempre conciliar os seus deveres paroquiais com as responsabilidades que detêm em diversos movimentos.

Eu fico simplesmente grato ao Senhor por ser amigo do Padre Duarte, um grande mestre. Peço ao Senhor que lhe dê forças e o sustente nesta sua nova missão.

Uma questão de coragem

O Presidente da Republica, como já abaixo mencionámos, promulgou a lei do Divórcio. É verdade que escreveu uma mensagem a condenar a lei, mas mesmo assim assinou o diploma e não era obrigado a fazê-lo.

A lei que foi promulgada é no essencial igual aquela que o Professor Cavaco vetou, tendo apenas uma alteração estética para dar oportunidade ao PR de a vetar. Por isso a pergunta é, adiantava alguma coisa o veto presidencial? Isto sabendo que ela voltaria ao Assembleia que provavelmente a aprovaria, obrigando o presidente a assinar.

De um ponto de vista prática, era indiferente. O PS têm maioria absoluta, a esquerda têm quase dois terços dos deputados, por isso a lei acabaria sempre por ir para diante. Mas a verdade é que o PS, ao alterar a lei, vez um claro desafio ao PR: nós vamos aprovar a lei, mas fingido que está tudo bem entre o PS e o Presidente. Se tens coragem veta a lei e começa tu a guerra.

E o presidente demonstrou, uma vez mais, que não tem a coragem necessária para travar um partido despótico, que governa a seu belo prazer. Palavra bonita, como as de hoje ou as da lei do Aborto, servem de pouco. Senhor Presidente, nós precisamos de gestos.

terça-feira, outubro 21, 2008

Promulgação da Lei do Divórcio

Comunicado sobre a promulgação do diploma que altera o Regime Jurídico do Divórcio
O Presidente da República promulgou como lei o Decreto nº 245/X, da Assembleia da República, o qual aprovou, por uma expressiva maioria, o novo regime jurídico do divórcio.

Não obstante, o Presidente da República considera essencial prestar os seguintes esclarecimentos aos Portugueses:

1 – Ao contrário do que alguns sectores pretenderam fazer crer junto da opinião pública, os fundamentos do veto do Decreto nº 232/X, bem como os motivos subjacentes à emissão do presente comunicado, não têm por base qualquer concepção ideológica sobre o casamento.

2 – Como resulta claramente da mensagem então enviada à Assembleia da República, entende-se, isso sim, que o novo regime jurídico do divórcio irá conduzir na prática a situações de profunda injustiça, sobretudo para aqueles que se encontram em posição de maior vulnerabilidade, ou seja, como é mais frequente, as mulheres de mais fracos recursos e os filhos menores.

3 – Esta convicção do Presidente da República decorre da análise a que procedeu da realidade da vida familiar e conjugal no nosso País, e é partilhada por diversos operadores judiciários, com realce para a Associação Sindical dos Juízes Portugueses, por juristas altamente qualificados no âmbito do Direito da Família e por entidades como a Associação Portuguesa das Mulheres Juristas.

4 – A este propósito, deve destacar-se, até por não lhe ter sido dado o relevo que merecia, o parecer emitido em 15 de Setembro último pela Associação Portuguesa das Mulheres Juristas, o qual manifesta «apreensão» pelo novo regime jurídico do divórcio, afirmando, entre o mais, que o mesmo «assenta numa realidade social ficcionada» de «uma sociedade com igualdade de facto entre homens e mulheres» e não acautela «os direitos das mulheres vítimas de violência doméstica e das que realizaram, durante a constância do casamento, o trabalho doméstico e o cuidado das crianças». Tendo sido oportunamente enviado aos diversos grupos parlamentares, este documento encontra-se disponível em www.apmj.pt.

5 – Na verdade, num tempo em que se torna necessário promover a efectiva igualdade entre homens e mulheres e em que é premente intensificar o combate à violência doméstica, o novo regime jurídico do divórcio não só poderá afectar seriamente a consecução desses objectivos como poderá ter efeitos extremamente nefastos para a situação dos menores.

6 – A profunda injustiça da lei emerge igualmente no caso de o casamento ter sido celebrado no regime da comunhão geral de bens, podendo o cônjuge que não provocou o divórcio ser, na partilha, duramente prejudicado em termos patrimoniais.

7 – Para mais, o diploma em causa, incluindo a alteração agora introduzida no artigo 1676º do Código Civil, padece de graves deficiências técnico-jurídicas e recorre a conceitos indeterminados que suscitam fundadas dúvidas interpretativas, dificultando a sua aplicação pelos tribunais e, pior ainda, aprofundando situações de tensão e conflito na sociedade portuguesa.

8 – Por fim, ao invés de diminuir a litigiosidade, tudo indicia o novo diploma a fará aumentar, transferindo-a para uma fase ulterior, subsequente à dissolução do casamento, com consequências especialmente gravosas para as diversas partes envolvidas, designadamente para as que cumpriram os deveres conjugais e para as que se encontram numa posição mais fragilizada, incluindo os filhos menores.

9 – Em face do exposto – e à semelhança do que sucedeu noutras situações, com realce para os efeitos do regime da responsabilidade extracontratual do Estado –, o Presidente da República considera ter o imperativo de assinalar aos agentes políticos e aos cidadãos os potenciais efeitos negativos do presente diploma, em particular as profundas injustiças para as mulheres a que pode dar lugar.

10 – A aplicação prática do diploma deve, por isso, ser acompanhada de perto pelo legislador, com o maior sentido de responsabilidade e a devida atenção à realidade do País.

Fado dos Saltimbancos - João Ferreira Rosa



Recordando meus senhores
Os tempos que já lá vão
Ainda há amadores
Para manter a tradição
Nada na vida os aterra
São alegre e são francos
E chama-lhe os Saltimbancos
Por andar de terra em terra

Não faltam a uma ferra
Em casa de lavradores
Nos retiros cantadores
Lá estão em dias de farra
Cantando ao som da guitarra
Recordando meus senhores

Na Arruda ou em Santarém
Na Chamusca ou no Cartaxo
O grupo não vai abaixo
Há de ficar sempre bem
Depois de jantar também
Agarram o seu pifão
Mas só com bom carrascão
Se deixam emborrachar
Em tudo fazem lembrar
Os tempos que já lá vão


Uns toureiam a cavalo
Outros a pé vão tourear
E nunca sai por pegar
Um touro posso afirmá-lo
Pois o grupo de quem falo
Marialvas, cantadores
Toureiros e pegadores
Ao pisar os redondéis
Não levam nem cinco réis
Pois ainda há amadores

E este lindo festival
Que viram nossos avós
Não morre ainda entre nós
Não morre em Portugal
Porque temos o Vidal
E mais o Chico Leão
O Zé Núncio e o João
O Prestes e o Xavier
E a companhia que houver
Para manter a tradição

segunda-feira, outubro 13, 2008

Ortodoxia


Chega hoje às livrarias de todo o país a Ortodoxia de G. K. Chesterton, reeditada e com uma nova tradução, iniciativa da Aletheia. É uma noticia maravilhosa, porque o livro estava tão esgotado que até nos alfarrabistas era difil de encontrar. Somando a isto o facto de finalmente o Zé me poder devolver a minha velhinha edição, podem começar a intuir a minha felicidade.
Agora a cereja no topo do bolo: Se a venda da Ortodoxia for um sucesso, a Aletheia vai editar TODA a obra deste gigante da literatura Inglesa!
Hei-de falar mais sobre o livro, mas não agora, porque é cedo, saí há pouco de um teste, e ainda o quero reler antes de o comentar. Mas deixo já um apelo: esgotem a Ortodoxia outra vez!

sexta-feira, outubro 10, 2008

O Papa dos judeus.




Pode ser visto aqui um brevíssimo documentário que explica a importância do Papa Pio XII na salvação de milhares de judeus italianos.

Esta é apenas mais uma da imensidão de provas da oposição do Santo Padre às políticas anti-semita de Hitler.

quinta-feira, outubro 09, 2008

Outra vez o casamento gay.

Amanhã vai ser votada no parlamento uma proposta de lei que pretende permitir o casamento entre pessoas do mesmo sexo. Embora já se saiba que graças à disciplina de voto do PS tal proposta deve ser chumbada, isso não impediu que o tema fosse discutido de forma acesa neste últimos dias.

Os argumentos a favor repetem-se: qual é o mal da homossexualidade, o artigo 13 da Constituição, porque é que cada um não pode casar com quem quer, o artgº 13 da CRP, são todos retrógados, o artgº 13 da CRP, a culpa é da herança cristã, o artgº 13 da CRP, etc.

Antes de mais, convém esclarecer uma coisa. A Constituição (como vários sociólogos, politólogos e um ou outro jurista que já não se lembra das aulas de constitucional pelos vistos não sabem), carece de interpretação, tal como todas as leis.

Ora, de facto o nº2 do artgº 13 da CRP diz que ninguém pode ser privilegiado, beneficiado, prejudicado, privado de qualquer direito ou isento de qualquer dever em razão de ascendência, sexo, raça, língua, território de origem, religião, convicções políticas ou ideológicas, instrução, situação económica, condição social ou orientação sexual. Para além disso, e deste temos ouvido falar menos, o artigo 36 diz ainda que todos têm o direito de constituir família e de contrair casamento em condições de plena igualdade.

Ora, daqui os defensores do casamento entre pessoas do mesmo sexo tiram a conclusão que não permitir que dois homens (ou duas mulheres) se casem é inconstitucional. Por esta belíssima interpretação, de que cada um pode casar com quem quer, como quer, quando quiser, teríamos que admitir o casamento entre irmãos, entre menores de 16 anos e a poligamia.

Podemos então deduzir que o legislador constitucional neste dois artigos queria apenas deixar claro que já não seria admitida nenhuma situação que, em condições semelhantes, fosse causa de desigualdade. Ou seja, o pai de uma senhora maior de idade não a pode impedir de casar com um africano. Contudo, um pai não pode casar com a sua filha.

Pois bem, o casamento é um contracto, ou seja, um acordo de vontades ao qual o Estado concede relevância jurídica. Existem vários tipos de contratos (os de compra e venda, os de mutuo, de arrendamento, prestação de serviços). Quase nenhuma deles foi criado pelo legislador. Todos eles já existiam quando o legislado os decidiu regular.

Também é este o caso do matrimónio. A lei não inventou o casamentou, limitou-se a reconhecê-lo e a a regula-lo. A união entre um homem e uma mulher que vivem juntos para constituir família é anterior a qualquer organização política ou a qualquer legislação. Todas as sociedades onde se foi construído um poder político, foram reconhecendo a importância do casamento e portanto deram-lhe conteudo legal.

Por isso o casamento é sempre entre pessoas de sexo diferente. Mesmo que a lei chame casamento a um contrato entre duas pessoas do mesmo sexo que se comprometem a partilhar cama, casa e mesa, esse contrato não é casamento.

Por isso, não é verdade que os homossexuais não possam casar-se. Podem casar-se dentro daquilo que é o casamento: a união entre duas pessoas de sexo diferente com o fim de constituir família. Os homossexuais podem casar-se tanto como eu. O ponto é que nem eles nem eu queremos tal coisa (eu não quero casar-me neste momento, entenda-se). Por isso não há aqui desigualdade nenhuma, apenas má formação jurídica.

Mas agora chegamos ao centro da questão. Já percebemos que na união entre duas pessoas de sexo oposto há bens jurídico a proteger e que portanto o Estado reconhece e protege o casamento. O ponto é se nas união entre pessoas do mesmo sexo também há bens jurídico que mereçam protecção jurídica. E aqui é a parte em que o lobby gay salta e fala do direito à felicidade e a amar quem se quer. E eu concordo com isto tudo. Mas a pergunta é: neste momento não o podem fazer? Há algum entrave legal para que dois homens adultos vivam juntos? Se for criado um regime que consagre estas uniões, este trará alguma coisa de novo ou relevante para a sociedade? E a resposta é não.

Cada um, na intimidade do seu quarto e da sua vida, têm o direito de fazer o que lhe bem apetece, desde que não vá contra nenhuma lei. Era o que mais faltava o Estado agora vir meter-se na alcova de cada um.

Falar de casamentos gays é uma patetice sem sentido. O Casamento civil não têm nada a ver com sentimentos. É apenas e somente um contrato entre um homem e uma mulher que se comprometem a viver juntos e a cuidar dos filhos que advenham de tal união até ao fim dos seus dias.

terça-feira, outubro 07, 2008

Não católico!

Oiço recorrentemente dizer que Portugal é um país católico. É uma frase que se diz sobre variados temas: o casamento entre pessoas do mesmo sexo, o aborto, os métodos anti-concepcionais, etc.

Infelizmente, só uma pessoa muito pouco atenta poderia dizer tal coisa sem ficar com uma mentira na consciência. Portugal já não é uma país católico de há vários anos a esta parte. Aliás, se tirarmos os 44 anos de Estado Novo, podemos dizer que o nosso país já não é católico de uns séculos a esta parte.

Senão vejamos, em 1750 foram expulsos os jesuítas. Em 1834 dá-se a expulsão das ordens religiosas.

Em 1910, renova-se a proibição das Ordens religiosas e dá-se a proibição do ensino religioso nas escolas públicas e particulares, abolição do juramento religioso, entre outras limitações impostas à acção da Igreja Católica. Nos termos do decreto de Afonso Costa, o Catolicismo deixava de ser religião oficial do Estado; o culto público era fiscalizado, parte dos bens da Igreja era confiscada.

Em 1911, também por decreto de Afonso Costa, é publicada a Lei do Estado das Igrejas. Esta lei proíbe a Côngrua, obriga à constituição de corporações para gerir as Igrejas que não podem ter como membro o prior da mesma, proibia as doações fora das missas, declarava que todas as novas Igrejas revertiam para o Estado ao fim de 99 anos, proibia os actos de culto fora das Igrejas, proibia o uso das vestes talares, entre muitas outra coisas.

Depois seguiram-se 15 anos de perseguições, onde todos os bispos portugueses chegaram a estar desterrados ao mesmo tempo. As perseguições só pararam com o Estado Novo.

Do 25 de Abril para cá, Portugal voltou a ser um país descristianizado. Aumentou o número de divórcios, diminuíram os casamentos, diminuíram os baptizados, há cada vez menos seminaristas, jovens na catequese, o aborto é livre, as crianças nascidas fora do casamento aumentam.

Portugal já nem culturalmente é cristão. Abundam os livros sobre superstições, as bruxas, os hóroscopos. O Papa é uma figura indiferente e o Patriarca de Lisboa o menos desconhecido dos Bispos. É raro o casamento ou o enterro em que as pessoas sabem responder à missa.

Por isso é ridículo dizer que Portugal é católico. Essa é uma desculpa para atacar e perseguir a Igreja, para diminuir cada vez mais a capacidade de intervenção social e de testemunho público. Por isso digamos a verdade: Portugal é um país não Católico!

domingo, outubro 05, 2008

Republica

Fez hoje 98 anos que a Republica foi instaurada. No dia 5 de Outubro de 1910 deu-se a conclusão do trabalho iniciado por Dom Pedro IV e seus companheiros do avental.

Podia dizer-se muitas coisas sobre este assunto, mas parece-me inútil. Eles venceram, nós perdemos. Já Nosso Senhor há 2000 anos explicou que os filhos das trevas eram mais esperto que os filhos da luz. Por isso nós lutamos, nunca desistimos, mas não pomos a nossa esperança nas vitórias terrenas, mas naquele que venceu o mundo.

segunda-feira, setembro 22, 2008

São Mateus - 21 de Setembro



"Naquele tempo,
Jesus ia a passar,
quando viu um homem chamado Mateus,
sentado no posto de cobrança dos impostos,
e disse-lhe: «Segue-Me».
Ele levantou-se e seguiu Jesus.
Um dia em que Jesus estava à mesa em casa de Mateus,
muitos publicanos e pecadores
vieram sentar-se com Ele e os seus discípulos.
Vendo isto, os fariseus diziam aos discípulos:
«Por que motivo é que o vosso Mestre
come com os publicanos e os pecadores?»
Jesus ouviu-os e respondeu:
«Não são os que têm saúde que precisam do médico,
mas sim os doentes.
Ide aprender o que significa:
‘Prefiro a misericórdia ao sacrifício’.
Porque Eu não vim chamar os justos,
mas os pecadores»."

Presa por dar casa, presa por não dar!

Na semana em que se fala de uma potencial candidatura do Dr. Pedro Santana Lopes à Câmara Municipal de Lisboa veio a público uma notícia de que uma vereadora sua terá atribuído habitações sociais a quem não tinha direito a elas.

Ontem a SIC explicava como até a mulher de Durão Barroso estava envolvida neste caso de alta corrupção. E parece que é mesmo verdade: Margarida Sousa Uva teve o desplante de usar o seu papel de mulher do primeiro-ministro para pedir a Helena Lopes da Costa se arranjava uma casa para uma senhora com três filhos doentes, que vivia numa cave que inundava facilmente.

Mas este caso não é único, muitas outras casas foram atribuídas pela Câmara a pessoas que não necessitavam. Por exemplo, foram arrendadas a dois motoristas da Câmara (que o Público prefere dizer que eram do Dr. Santana Lopes) que moravam longe de Lisboa e todos os dias saíam tarde do trabalhas casas do património disperso da Câmara.

Portanto, todo este caso se resume a isto: uma vereadora, usando o poder discricionário que a lei lhe atribui para arrendar o património disperso da Câmara a quem ela acha que mais necessita, teve a ousadia de exercer os seus poderes e dar casas a quem delas precisava.

São de factos tempos perigosos para quem desafia o PS.

quinta-feira, setembro 18, 2008

Lei do divórcio: segunda volta.

O parlamento voltou hoje a aprovar a lei do divórcio, apenas com ligeiras alterações. Vê-lo assim para não ter que entrar em conflito directo com o Presidente e passar a bola para Cavaco Silva.

Se a lei não tivesse sido alterada e o PS a tivesse aprovado com maioria absoluta estava a afrontar o PR. Ao alterar dá três opções ao PR: promulga-la, envia-la para o Tribunal Constitucional ou veta-la.

Se o Presidente agora vetar a lei, o PS já não pode ser acusado de fazer guerra ao presidente. Fica é livre de acusa-lo de ser uma força de bloqueio.

Esta jogada foi bastante mais inteligente do que forçar o presidente a promulgar, através da aprovação do documento anterior com maioria absoluta dos deputados em efectividade de funções. Assim o PS sairá sempre de cara limpa.

Esperemos que Cavaco Silva se mantenha firme, se lembre do seu papel e vete esta lei.

terça-feira, setembro 16, 2008

Senta-te aí.

Começou ontem o ano escolar. Os telejornais passaram todos grandes peças com as maravilhas que o governo vai proporcionar aos alunos: computadores "Magalhães", Internet em todas as salas de aula, 25 mil alunos do ensino especial com aulas de arte, duplicou o número de pessoas com apoio social, o passe a metade do preço.

Antes de mais, cabe algumas desmistificações:

- O computador Magalhães (ao contrário do que o governo anuncia) não é uma invenção portuguesa, mas um "Classmate PC" da Intel produzido em Portugal.

- O governo têm retirado apoios sucessivamente ao ensino privado. O mais dramático nem é o ensino corrente, mas o ensino especial onde o Estado deixou de subsidiar as instituições particulares sem proporcionar condições para que os alunos com necessidades especiais recebem um educação conforme às suas necessidades.

- O passe a metade do preço necessita de um papel das escolas que, segundo me contaram, estas ainda não podem passar, pois não têm autorização do ministério.

Mas o meu comentário a estas notícias vai muito para além das mentiras dos políticos publicitadas pelos media. A essas temo-nos habituado nos últimos 3 anos.

O drama é que o problema da educação é profundíssimo e não se resolve com computadores ou com a Internet. Os alunos terem material informático à disposição é bom, mas neste caso é como dar uma pulseira de ouro a um homem nu.

Porque na Escola, antes de mais, falta a própria Escola. Hoje o papel da Escola já não é educar, mas formatar técnicos. A Escola desistiu de fazer-nos pensar, desistiu de nos ensinar a usar a razão, limita-se a desfiar factos.

Um aluno para ter 20 em filosofia não precisa de ter uma opinião, mas simplesmente de decorar tudo o que o manual diz. Pode-se ser o melhor aluno a português sem nunca comparar um poema com a nossa vida, basta saber aquilo que o livro diz que é para dizer sobre aquele poeta.

Faltam professores que sejam mestres. Professores que introduzam os alunos à realidade na totalidade dos seus factores. Os professores hoje existem para desfiar programas aprovados por uma entidade suprema, fechada num gabinete no alto do Ministério da Educação.

A ministra quer que se avaliem os professores, mas com que critério? Medindo o número de chumbos? Avaliando a média dos alunos? É porque não há outro critério nesta escola que se diz laica e sem ideologia, mas que às escondidas vai endoutrinando os alunos no politicamente correcto.

É preciso libertar a Escola do Estado. A Escola têm que ter ideais para que os alunos possam aprender. Ensinar a usar a razão não é apresentar várias hipóteses e depois mandar o aluno escolher uma. Ensinar não é obrigar o aluno a decorar aspectos técnicos, sem arriscar num juízo.

Ensinar é apresentar ao aluno um caminho a seguir, encaminha-lo nessa estrada, dar-lhe os instrumentos para a percorrer e depois deixá-lo fazer.



Está na hora de ouvires o teu pai
Puxa para ti essa cadeira
Cada qual é que escolhe aonde vai
Hora-a-hora e durante a vida inteira

Podes ter uma luta que é só tua
Ou então ir e vir com as marés
Se perderes a direcção da lua
Olha a sombra que tens colada aos pés

Estou cansado. aceita o testemunho
Não tenho o teu caminho pra escrever
Tens que ser tu, com o teu próprio punho
Era isso o que te queria dizer

Sou uma metade do que era
Com mais outro tanto de cidade
Vou-me embora que o coração não espera
À procura da mais velha metade




segunda-feira, setembro 15, 2008

Nossa Senhora Dores



"(...) Tão carregadas de dores.
E tinha visto tantas dores desde o tal homenzinho.
Que se ria ao mamar.
Porque há muito tempo que ela deixou de ser mãe das Sete Dores.
As sete dores eram para começar.
E há muito tempo que ela é e que nós a fizemos
A mãe das setenta e setenta vezes setenta dores.

(...)

E assim ela que não é, não, somente
Toda fé e toda caridade.
Mas também que é toda esperança.
E isso é sete vezes mais dificil.
Como é também sete vezes mais gracioso.
Assim ela recebeu em carga e em tutela.
E em comenda para a eternidade.
A jovem virtude Esperança."


Charles Péguy, O Pórtico do Mistério da Segunda Virtude

Exaltação da Santa Cruz

domingo, setembro 14, 2008

Vida de cão.

Cada vez que aparece em qualquer jornal uma noticia sobre uma corrida de toiros é garantido que de seguida haverá uma chorrilho de vozes indignadas. Então se for num jornal on-line, com direito a comentários, é uma festa. Todos dizem que deviam era trocar o toiro com quem o lida e que os aficionados deviam ser presos ou até mesmo torturados e mortos no fim, para aprenderem a não tocar nos pobres animais.

Ser-se contra os toiros faz parte do civismo moderno. Esse mesmo civismo que baniu o fumo dos cafés e que se escandaliza diante dos sacrifícios em Fátima.

Hoje em dia uma pessoa para ser civilizada tem que, por um lado, ser a favor do aborto (são só células), a favor da eutanásia (por uma morte digna), a favor da liberalização das drogas leves (um charro ajuda a fugir dos problemas), a favor do sexo sem restrições (experimenta a tua sexualidade), a favor do casamento das pessoas do mesmo sexo (as pessoas têm o direito a ser felizes).

Por outro lado têm que ser contra a caça, contra os toiros de morte , contra as corridas de toiros em geral, contra os casacos de pele, contra o abate de espécies em vias de extinção que ameaçam a subsistência das populações (como por exemplo os javalis que arrasam campos cultivados), etc.
O homem hoje é suposto ser apenas um par dos animais. A minha geração, que já não acredita em Deus a não ser o criado a sua imagem e semelhança, já não vê o homem como senhor da criação, mas como uma espécie que se desenvolveu mais em certos aspectos. Por isso indigna-se com a morte de um toiro do mesmo modo efusivos como se manifesta pela possibilidade de matar uma criança na barriga da mãe.

Ou seja, no nosso mundo, o homem foi reduzido a um mero animal enquanto o animal foi elevado ao estatuto de humano. Por este andar, daqui a uns anos compensará ter uma vida e cão...

sábado, setembro 13, 2008

Wall-e




Fui ver o novo filme da Pixar, "Wall-e", há já uns bons quinze dias. Na altura não escrevi nada aqui sobre ele por achar que não era um filme "digno" de uma crítica neste blog. Contudo, com o passar do tempo, dei por mim a disser a toda a gente para o ir ver e pensei "ou é de facto bom e portanto ajuízas, ou não é assim tão bom e não chateias mais as pessoas para o irem ver".

Como acho que o filme é realmente bom (não é propriamente o filme da minha vida, nem sequer um filme essencial, mas vale bem os cinco euros) decidi escrever sobre ele.

A primeira coisa que me ocorre é que num tempo em que os filmes, especialmente os de crianças, são cada vez mais feitos para entreter, sempre com muitos efeitos, diálogos e cenas de acção, alguém que arrisca fazer um filme de desenho animados em que pelo menos meia hora não têm diálogo é porque tem realmente alguma coisa para dizer.

O filme conta a historia do último robot da terra, que se limita a limpar as toneladas de lixo que cobrem o nosso planeta. A Terra está completamente desabitada e restam apenas restos de mega lojas, mega bombas de gasolina e mega bancos. Ou seja, o consumo desenfreado levou a que os humanos tivesse que fugir para o espaço.

Dito assim, parece que o filme vai ser todo sobre a ecologia e a maldade dos homens. Mas não, mais do que uma crítica à poluição, o filme é uma crítica à fuga da realidade. Os humanos que aparecem, vivem rodeados de computadores, telefones, anúncios, sem nunca olhar para os outros, sem nunca terem contacto com os outros. Vivem a consumir desenfreadamene, sem pensa ou olhar para nada. Têm todos os luxos possíveis sem saír da sua cadeira (literalmente). Homens que não olham para nada, por isso não se espantam com nada. Homens que vivem para serem entretidos. Acaba por ser um pouco um "Admirável Mundo Novo" versão para crianças.

No meio deste mundo surreal, montado numa nave do espaço, aparece o pequeno robot, que conseguiu sair da terra, atrás do seu amor, Eva. Wall-e (e aqui está a magia do filme, conseguir que um robot que não fala seja completamente expressivo) é o oposto daqueles humanos. Ele deixa-se espantar por tudo. Ele deixa-se encantar pelo "Hello Dolly" ou diverte-se a brincar com um isqueiro. É literalmente uma criança de olhos escancarados.

Mas quando aparece na terra Eva, ele apaixona-se e deixa tudo para ir atrás do seu amor. Esta sua capacidade de deixar todos os seus tesouros, a sua casa, o mundo que conhece e lançar-se sem medo para encontrar aquilo que mais deseja, há de revolucionar a história.

Não sendo um filme extraordinário, Wall-e é um filme bonito, num tempo onde os filmes já não são suposto serem bonitos. Só por isso, vale a pena ver.

terça-feira, setembro 09, 2008

Bem-aventurados

Desde dia 23 de Agosto, dia em que foi assassinado um líder hindu, que os cristãos de Orissa têm sido alvo de grande violência.

Foram precisos 16 dias, 20 mortos, 50000 deslocados, 4000 casas destruídas, religiosas violadas e agredidas para o Público de hoje dedicar meia página a este assunto (menos do que o espaço dedicado a Britney Spears). Nem o facto do Papa ter falado do assunto a 27 de Agosto mereceu reparo deste jornal.

Mas podia não ser uma coisa dramática, se fosse só o Público. O problema é que este jornal foi o único meio de comunicação social português não católico a referir assunto.

Este facto merece dois reparos, que se calhar valiam dois post's.

O primeiro é que de facto a comunicação social em geral branqueia a perseguição de que os cristãos têm sido vítimas em todo o mundo. Durante todos os Jogos Olímpicos não houve uma única referência (quando tanto se falou do Tibete) aos bispos, padres, seminaristas e leigos católicos presos ou mortos pelo Estado chinês. Nenhum jornal ou telejornal falou ainda das perseguições aos cristãos no Iraque, no Vietname e no mundo islâmico em geral.

Os mesmo jornais que todos os dias trazem novas histórias de blasfémias, com sapos em cruzes e terços em imagens pornográficas, os mesmos jornais que têm como colunistas sacerdotes que só sabem escrever contra o Papa e o ensinamentos da Igreja, esses mesmo jornais são incapazes de denunciar 20 mortes e 50 000 mil deslocados em 15 dias.

Segunda questão. Hoje, ao contrário do que os jornais possam transmitir, os cristãos ainda são perseguidos. Na China, na Birmânia, na Arábia Saudita, na Nigéria, no Vietname, no Iraque há cristãos preso e mortos por causa da sua fé. Na terra Santa, entalados entre muçulmanos e judeus, sem nenhum lobby que os proteja, os cristãs vivem uma situação cada vez mais desesperada.

Contudo, a estas perseguições a Igreja responde com fé. Mesmo apesar do perigo, nesses sítios onde os cristão vivem ameaçados, a Igreja não desaparece. Mais uma vez, como de há dois mil anos para cá, a cruz é caminho para a vida.

Rezemos por isso por todos os cristãos que são perseguidos por esse mundo fora. Para que Deus lhes conceda a paz, mas sobretudo, para que Deus lhes conceda a força da fé.

sexta-feira, setembro 05, 2008

Mudança?

Está na moda ter opiniões sobre as eleições dos E.U.A..

Existem, regra geral, duas opiniões: os obamamaniacos, que adoram e veneram o primeiro negro a ter hipóteses de ser presidente da América. A classe bem pensante europeia está rendido a este novo Kennedy.

Por outro lado, há aqueles que acham Barack Obama oco, um orador extraordinário, mas que não têm nada a propor e por isso estão por Maccain.

Agora apareceu uma novidade neste assunto: Sarah Palin, governadora do Alasca, conservadora, pró-vida.

Logo os nosso media e opinion makers se entretiveram a desfazer a candidata republicana â vice-presidência. Desde de seu conservadorismo, até à sua inexperiência, todos os media portugueses garantem dogmaticamente que Maccain escolheu mal.

Esquecem-se este media que foram os cristãos conservadores pró-vida, assim como os americanos patrióticos que acreditam no direito do cidadão de andar armado, que deram por duas vezes a vitória a George W. Bush.

Esquecem-se ainda que todas as críticas sobre a inexperiência da candidata a vice-presidente se viram contra Obama: Sarah Palin foi mayor e é há dois anos governadora do Alasca. Obama nunca ocupou um cargo executivo.

Para além disso, depois do discurso que ela fez na convenção republicana, tornou-se evidente que têm carisma e oratória.

Para acabar. Obama prometeu mudança e escolheu para seu vice um eminência parda de Washington. Maccnain não prometeu nada disso, mas foi buscar uma mulher, jovem, que limpou a corrupção dentro do seu partido no Alasca, para sua número dois.

Vejo-me por isso a discordar dos media portugueses: Maccain não deu um tiro no pé. Maccain deu apenas mais um passo seguro para a vitória.

segunda-feira, setembro 01, 2008

Não abstrair por completo da realidade - JCN in DN, 01/09/08

O Presidente da República devolveu à Assembleia sem promulgação o Decreto n.º 232/X, que aprova o Regime Jurídico do Divórcio. Os argumentos invocados são semelhantes aos que múltiplos juristas, sociólogos e especialistas em temas familiares têm vindo a apresentar nos últimos meses. Mas o Presidente acrescentou uma consideração interessante: "Importa, todavia, não abstrair por completo da consideração da realidade da vida matrimonial no Portugal contemporâneo" (Mensagem do Presidente à Assembleia da República n.º 3).


O problema desta lei é de facto que, embebida em princípios ideológicos e generalizações retóricas, abstrai "por completo" da consideração da realidade contemporânea. A Assembleia proclama ideais, invoca mandamentos, ralha com a sociedade. Só esquece a situação concreta. Como acontece por cá em tantos temas, raramente tão decisivos, temos leis elegantes mas irrealistas.

A finalidade das leis é proteger os fracos. Mas, ao eliminar a possibilidade do divórcio culposo, a Assembleia deixa as vítimas à mercê dos violadores. O Presidente dá-se ao trabalho de explicar em detalhe aos deputados: "Por exemplo, numa situação de violência doméstica, em que o marido agride a mulher ao longo dos anos - uma realidade que não é rara em Portugal -, é possível aquele obter o divórcio independentemente da vontade da vítima de maus tratos. Mais ainda, (...) o marido, apesar de ter praticado reiteradamente actos de violência conjugal, pode exigir do outro o pagamento de montantes financeiros" (n.º 6). "Noutro plano, são retiradas à parte mais frágil ou alvo da violação dos deveres conjugais algumas possibilidades que actualmente detém para salvaguardar o seu "poder negocial", designadamente a alegação da culpa do outro cônjuge ou a recusa no divórcio por mútuo consentimento" (n.º 7). Dificilmente se pode ser mais claro.

A finalidade das leis é defender a liberdade. Porém, o novo regime impõe-se à livre escolha dos esposos: "A circunstância de, mesmo contra a vontade manifestada por ambos os nubentes no momento do casamento, se impor agora na partilha um regime diverso daquele que foi escolhido (a saber, o da comunhão geral de bens), consubstancia, por assim dizer, uma 'revogação retroactiva' de uma opção livre" (n.º 12). As críticas são bastante mais e bastante graves, incluindo a "visão 'contabilística' do matrimónio" subjacente à lei (n.º 10) ou o "aumento dos focos de conflito que o legislador proporcionou" (n.º 11). A mensagem merece ser lida em pormenor.

Perante argumentos tão evidentes, o aspecto mais interessante da discussão é tentar compreender como se pode criar um tal monstro legislativo. Como caem os eminentes deputados da Nação em tais dislates? As reacções ao veto presidencial dão uma pista para o mistério, quando o classificaram de "conservador" e "retrógrado".

Os maiores desastres do século XX foram gerados por pessoas e grupos autonomeados progressistas e donos do futuro. Quando alguém, iluminado pelas forças da modernidade, despreza a realidade que o rodeia como obsoleta e tacanha, impõe sem contemplações as suas opiniões. Então surge o horror. Não é preciso ir longe para encontrar exemplos devastadores deste erro.

Há cem anos, a 3 de Novembro de 1910, Afonso Costa, recém-nomeado ministro da Justiça da jovem República Portuguesa, apresentou a primeira Lei do Divórcio, completada por outras a 25 de Dezembro (que não era Natal, mas "Festa da Família Portuguesa" por decreto da presidência do Governo Provisório de 12 de Outubro). Na altura governava uma pequena elite urbana que se sentia dona do futuro e impunha as suas teorias à massa ignara. O resultado dessa governação foi a maior catástrofe social e económica do Portugal moderno.

Hoje, um grupo de deputados, muitos herdeiros da mesma doutrina, aprova nova Lei do Divórcio, numa Assembleia dominada por um moralismo erótico e laxista, tão sufocante como o oposto. "Importa, todavia, não abstrair por completo da consideração da realidade da vida matrimonial no Portugal contemporâneo.

sábado, agosto 30, 2008

Innanzitutto Uomini

Mary Did You Know? - Mark Lowry



Mary, did you know
That your baby boy will one day walk on water?
Did you know
That your baby boy will save our sons and daughters?
Did you know
That your baby boy has come to make you new?
This child that youve delivered
Will soon deliver you

Mary, did you know
That your baby boy will give sight to a blind man?
Did you know
That your baby boy will calm a storm with his hand?
Did you know
That your baby boy has walked where angels trod?
And when you kiss your little boy
Youve kissed the face of god

Mary, did you know?
The blind will see
The deaf will hear
And the dead will live again
The lame will leap
The dumb will speak
The praises of the lamb

Mary, did you know
That your baby boy is lord of all creation?
Did you know
That your baby boy will one day rules the nations?
Did you know
That your baby boy is heavens perfect lamb?
This sleeping child youre holding
Is the great I am

segunda-feira, agosto 25, 2008

Ou protagonista ou ninguém

Afonso de Albuquerque

Quando esta escrevo a Vossa Alteza
Estou com um soluço que é sinal de morte.
Morro à vista de Goa, a fortaleza
Que deixo à índia a defender-lhe a sorte.

Morro de mal com todos que servi,
Porque eu servi o rei e o povo todo.
Morro quase sem mancha, que não vi
Alma sem mancha à tona deste lodo.

De Oeste a Leste a índia fica vossa;
De Oeste a Leste o vento da traição
Sopra com força para que não possa
O rei de Portugal tê-la na mão.

Em Deus e em mim o império tem raízes
Que nem um furacão pode arrancar...
Em Deus e em mim, que temos cicatrizes
Da mesma lança que nos fez lutar.

Em mais alguém, Senhor, em mais ninguém
O meu sonho cresceu e avassalou
A semente daninha que de além
A tua mão, Senhor, lhe semeou.

Por isso a índia há de acabar em fumo
Nesses doiros paços de Lisboa;
Por isso a pátria há de perder o rumo
Das muralhas de Goa.

Por isso o Nilo há de correr no Egito
E Meca há de guardar o muçulmano
Corpo dum moiro que gerou meu grito
De cristão lusitano.

Por isso melhor é que chegue a hora
E outra vida comece neste fim...
Do que fiz não cuido agora:
A índia inteira falará por mim.

Miguel Torga


O Infante

Deus quer, o homem sonha, a obra nasce
Deus quis que a terra fosse toda uma,
Que o mar unisse, já não separasse.
Sagrou-te, e foste desvendando a espuma,

E a orla branca foi de ilha em continente,
Clareou, correndo, até ao fim do mundo,
E viu-se a terra inteira, de repente,
Surgir, redonda, do azul profundo.

Quem te sagrou criou-te português.
Do mar e nós em ti nos deu sinal.
Cumpriu-se o mar, e o Império se desfez.
Senhor, falta cumprir-se Portugal!

Fernando Pessoa

quarta-feira, agosto 20, 2008

Veto político.

O Presidente da Republica devolveu à AR a alteração à Lei do Divórcio sem a promulgar. Agora das três uma: 1 a AR aprova o documento com maioria absoluta dos deputados em efectividade de funções e o PR é têm que o promulgar; 2 a AR modifica o diploma, alterando os ponto pelo PR e o devolve ao PR que o pode promulgar ou não; 3 a AR deixa cair a lei.

Parece que o presidente Cavaco Silva acordou agora e percebeu qual o seu papel na organização do poder público. É dever do PR velar pelo Estado de Direito. Um regime que permite maiorias absolutas só funciona se o PR desenrolar as suas funções, se não transforma-se numa ditadura, como temos visto desde 2004.

Esperemos agora que o PS, procurando manter uma boa relação institucional com o PR, respeite o veto do Chefe de Estado e que esta lei, que visa atacar e destruir a família (porque, como explica o Professor Antunes Varela, não há família sem casamento) seja enterrada.

sexta-feira, agosto 15, 2008

Jogos Olímpicos

Como já aqui disse antes, os Jogos Olímpicos na China irritam-me. É espantoso ver os líderes do chamado mundo livre bajular a nova super-potência económica.

Mais do que isso, irrita-me esta falsa questão do Tibete, como se o grande problema na China fosse o Tibete. Embora o dalai-lama seja a coqueluche religiosa do mundo Ocidental, a verdade é que com a invasão chinesa os tibetanos só trocaram de déspota. Porque o dalai-lama era mais do que um simples líder religioso, era senhor absoluto do Tibete.

Para mim o problema da China é que é, ao contrário do que os jornais deixam transparecer, uma ditadura repressiva. Enquanto se mostram muito abertos ao capitalismo para os estrangeiro os lideres chineses continuam a escravizar e reprimir grande parte do povo.

Na China não há liberdade. Milhões de pessoas trabalham como escravos a troco de escassos dólares, que lhes são retirado para pagar os alojamentos guardados por homens armados.

Todos os anos desaparecem na China bispos, padres e leigos.

Até a Internet, o mais democrático veículo de informação é controlada na China.

E contudo, todo o mundo aplaude e sorri perante a magnitude dos JO.

A única diferença entre a China e a Coreia do Norte é o dinheiro. De resto são igualmente encarnados...

quinta-feira, agosto 14, 2008

Aljubarrota

Hoje é dia da batalha de Aljubarrota. Nunca é de mais lembrar esta batalha. Graças à coragem e ao génio de poucos (sobretudo do Santo Condestável) conseguimos a independência.

Rezemos ao Beato Nuno de Santa Maria para que, graças a cobardia e estupidez de poucos, não a percamos.

Rogai por nós Bem Aventurado Nuno de Santa Maria
Para que sejamos dignos das promessas de Cristo!

A Flor do Maracujá - Catulo da Paixão Cearense

Encontrando-me com um sertanejo
Perto de um pé de maracujá
Eu lhe perguntei:
Diga-me caro sertanejo
Porque razão nasce roxa
A flor do maracujá?

Ah, pois então eu lhi conto
A estória que ouvi contá
A razão pro que nasci roxa
A flor do maracujá

Maracujá já foi branco
Eu posso inté lhe ajurá
Mais branco qui caridadi
Mais brando do que o luá

Quando a flor brotava nele
Lá pros cunfim do sertão
Maracujá parecia
Um ninho de argodão

Mais um dia, há muito tempo
Num meis que inté num mi alembro
Si foi maio, si foi junho
Si foi janero ou dezembro

Nosso sinhô Jesus Cristo
Foi condenado a morrer
Numa cruis crucificado
Longe daqui como o quê

Pregaro cristo a martelo
E ao vê tamanha crueza
A natureza inteirinha
Pois-se a chorá di tristeza

Chorava us campu
As foia, as ribera
Sabiá também chorava
Nos gaio a laranjera

E havia junto da cruis
Um pé de maracujá
Carregadinho de flor
Aos pé de nosso sinhô

I o sangue de Jesus Cristo
Sangui pisado de dô
Nus pé du maracujá
Tingia todas as flor

Eis aqui seu moço
A estoria que eu vi contá
A razão proque nasce roxa
A flor do maracujá.

quarta-feira, agosto 13, 2008

The Story - Brandi Carlile



All of these lines across my face
Tell you the story of who I am
So many stories of where I've been
And how I got to where I am
But these stories don't mean anything
When you've got no one to tell them to
It's true...I was made for you

I climbed across the mountain tops
Swam all across the ocean blue
I crossed all the lines and I broke all the rules
But baby I broke them all for you
Because even when I was flat broke
You made me feel like a million bucks
Yeah you do and I was made for you

You see the smile that's on my mouth
Is hiding the words that don't come out
And all of my friends who think that I'm blessed
They don't know my head is a mess
No, they don't know who I really am
And they don't know what I've been through like you do
And I was made for you...

All of these lines across my face
Tell you the story of who I am
So many stories of where I've been
And how I got to where I am
But these stories don't mean anything
When you've got no one to tell them to
It's true...I was made for you


É perfeitamente possível reduzir esta música a um mero sentimentalismo. Mas a mim parece-me mais funda do que isso. De facto toda a nossa circunstância seria apenas um conjunto de acontecimentos, toda a nossa vida seria um mero encadeamento de histórias, se não houvesse alguém que lhe desse um significado. Sem encontrar Cristo, então a nossa vida seria nada.

Só Ele desvela e exlica toda a nossa vida. Mas Ele não se encontra no éter, não é uma "força", é um homem concreto, que chega até nós através de pessoas concretas, em momentos concretos.

Tropa de Elite





Fui ontem à noite ver o filme "Tropa de Elite". É um retrato brutal da realidade das favelas do Rio. Por um lado temos bairros que são quase cidades, dominadas pelos traficantes de droga. Por outro lado, um sistema corrupto, onde polícias vendem armas aos traficantes e vendem protecção.

No meio de tudo isto, existe o Batalhão de Operações Especiais da Polícia Militar, o BOPE. Uma força de elite, constituida por incorruptíveis, mas que mata e tortura indescriminadamente para conseguir abater os traficantes.

O que mais me impressionou no filme é sua crueza. O realizador não tentar dar uma lição de moral ou fazer uma análise sociológica (emora me pareça que se perca uma pouco na crítica aos esudantes universitários que criticam a polícia e ajudam nas favelas, ao mesmo tempo que fuma e snifam droga, ajundando assim a sustentar o tráfico), mas limita-se a fazer um retrato da situação.

Uma situação para a qual aparentemente não há solução. Por um lado o sistema está podre e portanto não é possível combater o crime pelos meios normais. Por outro, os meuiso eficazes contra os trafincantes tranformam o polícias em assasínos e torturadores.

A violência gera violência.

Aquilo que falta no filme, porque é aquilo que falta na realidade, é misericórdia. Percebemos, na critica as ONG's que o realizador faz, que uma tentativa de resolução do problema através de erradicação da pobreza não chega. Não são os pobres que sustetam os traficantes, são os ricos que compram a droga.

O que é preciso é alguém que redima todo o mal que ali se passa. Como diz Chieffo:

Lo dicevo tutto il giorno:
questo mondo non è giusto!
E pensavo anche di notte:
questa vita non dà gusto!
E dicevo: è colpa vostra,
o borghesi maledetti,
tutta colpa dei padroni
e noi altri, poveretti!
E noi altri a lavorare
sempre lì nell’officina,
senza tempo per pensare,
dalla sera alla mattina.

Forza compagni,
rovesciamo tutto
e costruiamo
un mondo meno brutto!

Per un mondo meno brutto
quanti giorni e quanti mesi,
per cacciare alla malora
le carogne dei borghesi!
Ma i compagni furon forti
e si presero il potere;
i miei amici furon morti
e li vidi io cadere.

Ora tu dimmi
come può sperare un uomo
che ha in mano tutto
ma non ha il perdono?

Come può sperare un uomo
quando il sangue è già versato,
quando l’odio in tutto il mondo
nuovamente ha trionfato?
C’è bisogno di qualcuno
che ci liberi dal male,
perché il mondo tutto intero
è rimasto tale e quale.

Dizia todo o dia: este mundo não é justo! E até pensava de noite: esta vida não dá gosto! E dizia: é culpa vossa, ó burgueses malditos, toda a culpa é dos patrões e nós, coitados! E nós a trabalharmos sempre ali na fábrica sem tempo para pensar, desde a noite até de manhã. Força companheiros, derrubemos tudo e construamos um mundo menos feio! Para um mundo menos feio quantos dias e quantos meses, para mandar passear os cobardes dos burgueses! Mas os companheiros foram fortes e tomaram o poder; os meus amigos foram mortos e eu vi-os cair. Diz-me tu então como pode esperar um homem que tem tudo na mão mas não tem o perdão? Como pode esperar um homem quando o sangue foi já derramado, quando o ódio em todo o mundo novamente triunfou? É preciso alguém que nos livre do mal porque o mundo inteiro ficou tal e qual.

Estórias da história!

Cheguei há dois dias das minhas férias no norte. Depois das férias do CLu no Gerês, fui até a Covas, uma terra perdida no Minho, perto de Vila Nova de Cerveira, passar uns dias com os meus avós paternos.

Foram bons dias: comer bem, ler, dormir e sobretudo ouvir estórias. Nos cinco dias que passei com os meus avós nunca nos demoramos menos de três horas à mesa (ao jantar regra geral eram quatro).

Fiquei a saber como os meus avós se conheceram, estórias de namoros antigos, manias da família. Mas mais importante foi a história que aprendi ou que relembrei.

Durante estes dias fiquei a saber como o meu bisavô, Zé Maria Duque, foi preso três vezes na 1ª Republica, sem nenhuma razão que não fosse ser católico e monárquico. Ouvi descrever a esconça cela onde estava preso, com mais vinte pessoa, onde a noção de saneamento era um buraco no chão, para onde tinham que atirar as montanhas de percevejos que invadiam a cela.

Descobri como num dia ele foi metido numa camioneta com mais uns quantos presos, que foram sumariamente executados, escapando-se ele e mais uma ou dois, que conseguiram fugir. Ouvi contar como ele foi brutalmente espancado pela polícia, com espadas e cacetes, até não conseguir desentrelaçar as mão que tinha juntado para proteger a cabeça.

Também neste dias fiquei a saber como três militares armados de G-3 bateram a casa dos meus avós as 5h30 para levar para interrogatório dois miúdos de 15 e 16 anos, cujo o único delito foi arrancar cartazes do PC após o 25 de Abril.

Impressionou-me ouvir como dois homens sebosos revistaram uma casa à procura de um miúdo de 18 anos que tinha o azar de pertencer a um partido de direita.

Fiquei orgulhos ao ouvir narrar como o povo cristão defendeu o Patriarca.

Ao pensar nisto percebi a razão pela qual este regime tenta acabar com a família. Porque enquanto houver família será impossível branquear a história. Enquanto estas estórias, que no fundo são pedaços da história, forem contadas de geração em geração, será impossível massificar todo o povo.

Por isso escrevo estas linhas, para que todos os que as lerem não se esqueçam de que essas duas grandes datas deste regime (o 5 de Outubro e o 25 Abril) são símbolo de repressão e perseguição política!

quarta-feira, julho 16, 2008

D. António dos Reis Rodrigues

Discurso de D. António dos Reis Rodrigues na apresentação dos seus livros sobre Doutrina Social da Igreja
Universidade Católica
080714

Começo por manifestar a minha profunda gratidão ao Senhor Reitor desta Universidade Católica pela extrema gentileza com que acaba de se referir àquilo que, na sua opinião, eu sou e por outro lado valho pelas coisas que escrevi, algumas das quais são agora reeditadas pela primeira vez, graças às edições Principia e muito particularmente ao Senhor Dr. Henrique Mota. A Vossa Excelência, Senhor Reitor, manifesto a minha gratidão, que não é só de agora, mas tem sido confirmada com as inumeráveis gentilezas que lhe devo, como esta de hoje, que muito me comove. E ao Dr. Henrique Mota agradeço também a sua iniciativa, que nasceu de uma velha amizade que não tem preço. Ao Senhor Reitor e ao Dr. Henrique Mota a minha gratidão.
E permitam que acrescente mais duas palavras.

Um dia, quando Jesus iniciou a sua pregação, encontravam-se a ouvi-lo dois discípulos que O haviam seguido. E o Senhor voltou-Se e, notando que eles O não largavam, perguntou-lhes: “Que pretendeis?” E eles responderam: “Mestre, onde é que moras?” Jesus respondeu-lhes. “Vinde e vereis”. Os discípulos seguiram-nO e viram aonde onde Aquele com quem falavam residia. Ficaram com ele nessa tarde e, desde então, para o futuro.

André era um dos que O seguiram. Encontrou primeiro o seu irmão Simão e disse-lhe: “Encontrámos o Messias”. Levou-o até Jesus, o qual, fixando nele o seu olhar, declarou: “Tu és Simão, o filho de João. Hás-de chamar-te Cefas”, que significa Pedro. Este Simão, este Cefas, veio a ser o primeiro Papa.

Estavam assim encontrados os dois primeiros discípulos. Outros, pouco a pouco, vieram, até constituírem os doze Apóstolos, chamando-se uns aos outros, com este simples convite, que era para qualquer um deles uma aventura: “Vinde e vereis”. E com estas palavras nasceu a Igreja.

Foi este chamamento que, à distância de tantos anos, eu também, surpreendentemente, ouvi: “Vem e verás!” Larguei o que tinha e, sem nada, apresentei-me no Seminário e, depois, servi onde o meu Prelado, os senhores Cardeal Cerejeira e depois o Cardeal António Ribeiro, que lembro todos os dias, tinham necessidade da minha presença. Anos depois, com estranheza minha, fui Bispo, onde continuei a servir a Igreja. E hoje, com noventa anos, continuo a servir a Igreja, como penso que sempre a servi, com as graças que Jesus me tem dado ao longo de uma vida inteira, deixando de lado os meus pecados e a triste consequência da miséria que nasce deles.

Foge-me o tempo e muito apreciaria, agora que já não sirvo para o ministério, publicar mais algumas páginas, a somar às que já foram tornadas públicas. O que não fiz na minha vida activa seria compensado com o trabalho que eu ainda poderia ter. Mas todos os dias me vem faltando a saúde e penso, a cada momento, que me aproximo da morte. “A terra produz por si, primeiro o caule, depois a espiga e, finalmente, o trigo perfeito na espiga. E, quando o fruto amadurece, logo ele lhe mete a foice, porque chegou o tempo da ceifa” (Mc. 4, 28-29).

Que posso mais dizer? O meu espírito abre-se de novo ao futuro, mas o futuro a Deus pertence. Talvez Deus tenha para mim algumas páginas ainda por escrever, apesar do peso dos anos que vou tendo.

Muito obrigado!
(via Povo)

Il seme

02 Il Seme.wma


Il Signore ha messo un seme
nella terra del mio giardino.
Il Signore ha messo un seme
nel profondo del mio mattino.

Io appena me ne sono accorto
sono sceso dal mio balcone
e volevo guardarci dentro,
e volevo vedere il seme.

Ma il Signore ha messo il seme
nella terra del mio giardino.
Il Signore ha messo il seme
all’inizio del mio cammino.

Io vorrei che fiorisse il seme,
io vorrei che nascesse il fiore,
ma il tempo del germoglio
lo conosce il mio Signore.

Il Signore ha messo un seme
nella terra del mio giardino.
Il Signore ha messo un seme
nel profondo del mio mattino.

O Senhor colocou uma semente na terra do meu jardim. O Senhor colocou uma semente no fundo da minha manhã. Eu, logo que me dei conta, desci da minha varanda e queria vê-la por dentro, e queria ver a semente. Mas o Senhor colocou a semente na terra do meu jardim. O Senhor colocou a semente no início do meu caminho. Eu queria que a semente desse flor, eu queria que a flor nascesse, mas o tempo da germinação conhece-o o meu Senhor. O Senhor colocou uma semente na terra do meu jardim. O Senhor colocou uma semente no fundo da minha manhã.

segunda-feira, julho 14, 2008

Do it, but do it well

Hoje foi publicada uma notícia no DN que nos conta que vão passar a distribuir preservativos e pílulas, sem qualquer consulta (desde que a pessoa tenha ido ao médico no ano anterior) e inclusivamente, entregar estes meio anti-concepcionais por terceiros.

Sobre isto há duas coisas urgente para se dizer:

Primeiro, num tempo em que se fala cada vez mais das gravidezes na adolescência e das família monoparentais, os nossos doutos governantes continuam a gastar rios de dinheiro em campanhas e planos para que todos tenham acesso à pílula e ao preservativo (assim como ao aborto).

Ao mesmo tempo esses mesmo governantes, assim como os opinion-makers cá do burgo, felicitam-se pelo fim do que eles chamam "tabu" à volta do sexo. O fim desse tabu consiste em incentivar todas as crianças com idade para o fazer a ter relações sexuais.

Estando no outro dia na faculdade à conversa com uns amigos percebi que dizer a alguém que era "virgem" era um insulto. Assim como nos contam que nos tempos dos nossos pais o sexo era segredo, parece que hoje a virgindade também o é.

Todas as campanhas de prevenção da gravidez e das DST's partem do principio que os jovens (e os adolescentes) são sexualmente activos. É isso que é normal nos nossos das. Assim não se surpreendam que aumentem as gravidezes na adolescência, as famílias monoparentais, os abortos e as DST's.

O segundo ponto é da distribuição de métodos anti-concepcionais sem consulta médica ou por terceiros. Isto é, antes de mais, dizer que os pais não tem uma palavra a dizer sobre a vida intima do seu filho. Nenhum pai tem que saber o que seu filho faz ou não.

É preciso que o pai saia quantas vezes o filho falta às aulas, se o filho vai numa viagem de estudo ou não, mas não lhe diz respeito se o filho anda por aí a fazer filhos ou não.

Segundo ponto, é o perigo que é distribuir pílulas a mulheres (pelos visto, inclusivamente menores) sem explicar as contra-indicações. Se saber se a mulher é ao não saúdavel. Sem sabe se há alguma problema em ela tomar a pílula. É simplesmente irresponsável.

Enquanto a resposta aos problemas sexuais for incentivar ao sexo despejando por cima preservativos e pílulas, ele não vai melhorar, só vai piorar.

quinta-feira, julho 10, 2008

Nelson


O Almirante Lorde Nelson.
Abbott - National Portrait Gallery

Nelson

João César das Neves
Destak 10.07.2008


Portugal está em crise. Porquê? Como saímos disto? Uma frase clássica ajuda a encontrar a resposta. No dia 21 de Outubro de 1805 o vice-almirante Horatio Nelson, poucos minutos antes da histórica batalha naval de Trafalgar, enviou um sinal a toda a frota britânica: «A Inglaterra espera que cada homem cumpra o seu dever.»A razão por que estamos nestas dificuldades é que nem todos cumprem o seu dever. A crise nasce daquelas situações em que o Governo não governa, os trabalhadores não trabalham, os patrões não investem, os professores não ensinam, os médicos não curam, os polícias não protegem, os cidadãos não votam, os contribuintes não pagam. Os povos, como as pessoas, têm épocas de dedicação e entrega e outras de egoísmo e mesquinhez. Nos períodos de guerra e dificuldades, a sociedade inteira vive extremos de sacrifício para defender a integridade nacional. Mas em momentos de decadência, a comunidade cai na modorra e na esclerose corporativa, onde o bem comum se perde em reivindicações de grupos. Após 1974, Portugal viveu duas décadas de intenso compromisso comunitário. Primeiro para construir a democracia, depois para vencer o desafio europeu, a generalidade dos cidadãos suportou sacrifícios e fez esforços para melhorar o estado geral. Depois, como seria de esperar, sobreveio a atitude interesseira, invejosa, fragmentária e abandon ou-se o saudável clima de esforço comum. Hoje, em vez de se ouvir que beneficiando o todo cada um ganha, afirma-se que favorecer-se a si próprio dá vantagens à comunidade. Esta inversão faz toda a diferença.