terça-feira, setembro 16, 2008

Senta-te aí.

Começou ontem o ano escolar. Os telejornais passaram todos grandes peças com as maravilhas que o governo vai proporcionar aos alunos: computadores "Magalhães", Internet em todas as salas de aula, 25 mil alunos do ensino especial com aulas de arte, duplicou o número de pessoas com apoio social, o passe a metade do preço.

Antes de mais, cabe algumas desmistificações:

- O computador Magalhães (ao contrário do que o governo anuncia) não é uma invenção portuguesa, mas um "Classmate PC" da Intel produzido em Portugal.

- O governo têm retirado apoios sucessivamente ao ensino privado. O mais dramático nem é o ensino corrente, mas o ensino especial onde o Estado deixou de subsidiar as instituições particulares sem proporcionar condições para que os alunos com necessidades especiais recebem um educação conforme às suas necessidades.

- O passe a metade do preço necessita de um papel das escolas que, segundo me contaram, estas ainda não podem passar, pois não têm autorização do ministério.

Mas o meu comentário a estas notícias vai muito para além das mentiras dos políticos publicitadas pelos media. A essas temo-nos habituado nos últimos 3 anos.

O drama é que o problema da educação é profundíssimo e não se resolve com computadores ou com a Internet. Os alunos terem material informático à disposição é bom, mas neste caso é como dar uma pulseira de ouro a um homem nu.

Porque na Escola, antes de mais, falta a própria Escola. Hoje o papel da Escola já não é educar, mas formatar técnicos. A Escola desistiu de fazer-nos pensar, desistiu de nos ensinar a usar a razão, limita-se a desfiar factos.

Um aluno para ter 20 em filosofia não precisa de ter uma opinião, mas simplesmente de decorar tudo o que o manual diz. Pode-se ser o melhor aluno a português sem nunca comparar um poema com a nossa vida, basta saber aquilo que o livro diz que é para dizer sobre aquele poeta.

Faltam professores que sejam mestres. Professores que introduzam os alunos à realidade na totalidade dos seus factores. Os professores hoje existem para desfiar programas aprovados por uma entidade suprema, fechada num gabinete no alto do Ministério da Educação.

A ministra quer que se avaliem os professores, mas com que critério? Medindo o número de chumbos? Avaliando a média dos alunos? É porque não há outro critério nesta escola que se diz laica e sem ideologia, mas que às escondidas vai endoutrinando os alunos no politicamente correcto.

É preciso libertar a Escola do Estado. A Escola têm que ter ideais para que os alunos possam aprender. Ensinar a usar a razão não é apresentar várias hipóteses e depois mandar o aluno escolher uma. Ensinar não é obrigar o aluno a decorar aspectos técnicos, sem arriscar num juízo.

Ensinar é apresentar ao aluno um caminho a seguir, encaminha-lo nessa estrada, dar-lhe os instrumentos para a percorrer e depois deixá-lo fazer.



Está na hora de ouvires o teu pai
Puxa para ti essa cadeira
Cada qual é que escolhe aonde vai
Hora-a-hora e durante a vida inteira

Podes ter uma luta que é só tua
Ou então ir e vir com as marés
Se perderes a direcção da lua
Olha a sombra que tens colada aos pés

Estou cansado. aceita o testemunho
Não tenho o teu caminho pra escrever
Tens que ser tu, com o teu próprio punho
Era isso o que te queria dizer

Sou uma metade do que era
Com mais outro tanto de cidade
Vou-me embora que o coração não espera
À procura da mais velha metade




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