sábado, maio 18, 2013

Mãe há só uma!


Ontem foi aprovado na Assembleia da República, no meio da indiferença dos Deputados e do silêncio dos media, a co-adopção de crianças por pessoas do mesmo sexo que vivam legalmente “casadas” ou em união de facto.

Sobre este facto ocorrem-me quatro coisas:

1.       É impressionante o secretismo com que esta lei foi aprovada. Para todos os efeitos ontem o parlamento decidiu alterar, por “decreto”, a noção de família. Os senhores deputados decidiram que legalmente uma criança pode ter dois pais e duas mães. E sobre este assunto não houve debate público, não houve discussão, nada. Ontem à noite milhares de portugueses ligaram a televisão para ver o telejornal e descobriram que, ao contrário do que pensavam, agora as crianças deixaram de ter direito a uma mãe e um pai para passarem a ser um simples objecto a que os adultos têm direito.

 

2.       A displicência dos deputados é tenebrosa. Como é que é possível que 3 deputados do CDS se tenham abstido? Como é que possível ter havido votos favoráveis do PSD? Mas quem é que votou nestes senhores? Os eleitores votaram nos partidos, não nos deputados. Os deputados não possuem legitimidade para contrariar a ideologia dos seus partidos. Ao não impor disciplina de voto o PSD e o CDS violaram a confiança que os portugueses neles depositaram.

 

Se os senhores deputados querem independência então primeiro criem círculos uninominais, acabem com o sistema de Hondt e depois podem fazer o que quiserem. Porque aí sim, forem eleitos, não pelo partido, mas pelos seus constituintes. No actual sistema, onde são os partidos que escolhem os deputados estes não possuem legitimidade para, numa matéria como esta, votaram como lhes apetece. E se no caso do PSD ainda é discutível a disciplina de voto nesta matéria ainda, no CDS é simplesmente um imperativo moral.

      

3.       Na prática esta lei não altera nada de substancial. A única diferença é que nos casos em que duas pessoas do mesmo sexo criavam crianças como se fossem seus filhos, sendo que só um dos adultos é que era pai legalmente, agora os dois vão poder ser “pais”.  Esta lei é um Cavalo de Tróia. Porque se duas pessoas do mesmo sexo se podem casar, se podem adoptar (em algumas circunstâncias) uma criança, então a proibição da adopção plena deixa de ser sustentável.

 

Por isso num ou dois anos será aprovada a adopção plena. O argumento será simples, a discussão será simples. Aliás o objectivo da Deputada Isabel Moreira é claro. Todos nós sabemos que ela é defensora ardente dos “direitos dos gays”.

 

O espectáculo montado ontem foi muito bem feito. O BE e o PEV ameaçaram com a adopção plena e a deputada socialista aparece com a solução sensata da co-adopção. Assim chumba-se a primeira (que causaria muito escândalo) e aprova-se a segunda pela porta do cavalo, apresentado como um meio-termo razoável.

 

 

4.       Ter filhos não é um direito, é um facto. Um facto que gera deveres. O instituto da adopção não foi criado para assegurar um direito da pessoas que não podem ter filhos. As instituições que acolhem crianças não são canis, onde se vai buscar um animal de estimação para ocupar o vazio de uma casa

 

A adopção existe para proporcionar às crianças, que pelas circunstâncias da vida não tem uma família, a possibilidade de terem uma. É um direito das crianças ter uma família, não um direito dos adultos terem um filho. E uma família não é só “afecto”, essa distorção moderna do amor.

 

Uma criança precisa de um pai e de uma mãe. Este facto, assegurado por milhares de anos de experiência, não pode ser negado por teorias ou estudos mal amanhados. Homem e mulher são diferentes e uma criança precisa do exemplo de ambos. Defender a adopção por pessoas do mesmo sexo parte de uma posição ideológica negada pela realidade: que o homem e a mulher são iguais.

 

Por isso permitir que dois homens ou duas mulheres adoptem uma criança, porque tem esse “direito”, é violar os direitos dessa criança. É dizer-lhe: “Tu não tens direito a um pai, a uma mãe, mas a duas mães e a dois pais”. Esta lei cria crianças de primeira e de segunda: as que tem direito a uma família e as que são um objecto para saciar o desejo de igualdade do lobby gay.

 

A lei que ontem foi aprovada no parlamento é uma vergonha e uma ameaça. Vergonha porque demonstra como os nossos deputados se servem a si mesmos e aos seus lobbys e não o povo. Uma ameaça porque é mais um passo na destruição da família.

 

A crise acabará, mais tarde ou mais cedo, com mais ou menos sofrimentos. A questão é saber que país teremos quando a crise tiver passado.

6 comentários:

Memorias de um Átomo disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Flavius Claudius Iulianus disse...

Que anormalidade...
Por essa linha de ideias... "estudos mal amanhados" como diz ainda teríamos escravos, não teria havido a evolução que houve nos direitos das mulheres e mesmo na protecção das crianças.
Curioso defende portanto que se mantenha a hipocrisia ou seja, que uma criança que seja criada no seio de uma família com duas pessoas do mesmo sexo seja obrigada a perder esse vínculo se por azar, um deles morrer... interessante ponto de vista. Por esta ordem de ideias, filhos orfãos de pai ou mãe devem ser institucionalizadas, já que vão deixar de ter "direito a um pai, a uma mãe" como refere.
Defende portanto que sem qualquer outra evidência que não a sua crença, que é preferível destruir o vínculo que a criança criou e colocá-la numa instituição onde não criará qualquer tipo de vínculos afectivos e ficará à merce de adultos estranhos, que se aproveitam muitas vezes (aqui sim com evidências reais!!!)da sua fragilidade!
Mundo estranho este... não vale falar de milhares de anos de experiência, dado que apenas conhece o seu pequeno mundo, são vários os exemplos na natureza, acrescentando ainda que se sair da sua realidade pequenina, vai perceber que a noção de família é mais abrangente que quela que a sua visão limitada lhe permite ver. Um simples exemplo a família que temos hoje é a mesma que tínhamos há 30 anos atrás?
Não lhe digo evolua, digo-lhe saia do seu mundo pequenino e veja que a pluralidade é o que torna a nossa existência algo de Divino!

ZMD disse...

Flavius Claudiu Iulianus,

gosto do seu tom condescendente com a minha falta de cultura, mas não percebo o que diz.

Primeiro, uma criança quando morre um dos pais, ou mesmo os dois, não é institucionalizada só porque sim. Só o será se ninguém da familia o acolher ou se a familia não tiver condições. Aliás, boa parte das crianças que estão em instituições tem pais vivos.

Depois, a adopção é, pela lei, destroi o vinculo da criança com a sua familia biológica. Aliás esta lei cria a possibilidade de, se um membro de um casal morrer e o conjuge sobrevivo tiver uma relação com pessoa do mesmo sexo nas condições que a lei prevê para a co-adopção, então a criança fica sem qq relação legal com a familia do progenitor que tiver morrido.

Mais ainda, fala em milhar de exemplos na natureza mas não refere nenhum. Mas escusa de o fazer: os animais defecam em público e não acho natural que um humano o faça.

A familia, aqui falo de um ponto estritamente juridico, é hoje a mesma que era há 30 anos: ascendentes, descendentes, parentes e afins. Depois disso, culturalmente tem havido mundanças naquilo que as pessoas pensam ser a familia. Não me parece que essas mudanças tenham trazido algum proveito.

Por fim o que torna a minha existência Divina é que Deus se fez homem e habita entre nós. A pluralidade pode-me tornar mais sábio, mais culto, mais informado.

P.S.: Se quiser responder-me agradeço que não o faça através de clichés (como no seu comentário) mas através de argumentos ou exemplos. Se não o fizer a sua resposta será apagada porque este blog não serve para publicidade panfletária.

Flavius Claudius Iulianus disse...

ZMD
Começando por deixar claro que não tenho qualquer ligação a partido político, nem qualquer relação com esta questão em particular. No entanto sou cidadão e sendo a blogosfera um espaço aberto é natural que por vezes encontremos coisas com as quais não concordamos por esse motivo não pude deixar de comentar, tal como o ZMD terá o direito de eliminar quaisquer comentários que faça.
Por mais que argumente a favor ou contra não haverá nada que fará mudar de ideias (nem tenho essa intensão…) quanto a este assunto, até que, seja tocado directamente por ele (se tiver um filho homossexual talvez veja a realidade de outra maneira).
Não creio que me tenha referido alguma vez à sua falta de cultura… mas as palavras têm esta capacidade de adquirir múltiplos significados de acordo com quem lê.
Voltando à discussão quando diz “boa parte das crianças que estão em instituições tem pais vivos”, está a referir-se a filhos de homossexuais (pois… são maioritariamente famílias heterossexuais, ok vai-me dizer que são a maioria… sim, ou seja há famílias heterossexuais disfuncionais!)? Será a instituição que conhece a unica que traz “proveito” para as crianças (então porquê retira-las aos pais)? Pela sua ordem de ideias deveria existir um mecanismo qualquer que proíba por exemplo as famílias monoparentais… é a leitura que faço. Quando diz que “a adopção é, pela lei, destrói o vínculo da criança com a sua família biológica” qual é o problema disso/ não é isso que se pretende? Acha então que uma criança terá mais amor (e referências) numa família que a maltrata (só porque tem um vínculo biológico) que numa família que a ama verdadeiramente?
Acha que as crianças institucionalizadas estão neste momento a ver defendido o seu direito a ter uma família onde possam ser amadas? Diz que o afecto é “uma distorção moderna de amor”, que tipo de amor acha que recebe uma criança que está institucionalizada, ou que foi maltratada pelos seus pais?
Refere: “esta lei cria a possibilidade de, se um membro de um casal morrer e o cônjuge sobrevivo tiver uma relação com pessoa do mesmo sexo nas condições que a lei prevê para a co-adopção, então a criança fica sem qq relação legal com a familia do progenitor que tiver morrido” em que difere do que se passa com os casais heterossexuais?
Como diz e bem: “Não me parece que essas mudanças tenham trazido algum proveito”, pois … creio que está a utilizar aquilo a que se referiu como “Cliché”.
Por muito que não gostemos, a família tradicional não é a única forma de organização social nos nossos dias, podemos pôr uma venda nos olhos, ou admitir outras possibilidades, mas a realidade vai continuar a existir!
Escreveu que: “Deus se fez homem e habita entre nós” o mesmo livro onde leu isso diz que o homem foi feito à imagem e semelhança de Deus… tire as conclusões que quiser daqui.
Por fim, não sou publicitário (se calhar tenho que pensar nisso), como disse tento admitir outras possibilidades além das que conheço. Confesso que concordo consigo quando refere que este tipo de assuntos devia ter uma discussão mais ampla. Neste aspecto em particular, creio que esta lei não vem mudar nada, apenas proteger as crianças que já vivem com a sua família "diferente". No entanto, creio que seria útil uma discussão alargada bem informada com dados baseados em evidência, sobre a adopção, ou melhor sobre os direitos das crinaças e o que a sociedade tem feito por eles...
Curioso, “os animais defecam em público” e mesmo assim … por vezes são capazes de demonstrar mais amor que os próprios homens.

ZMD disse...

FCI,

1. É evidente que existem familia disfuncionais. Existem pais que tratam mal os filhos e obviamente o Estado deve intervir para salvaguarda o interesse das crianças.

A questão é que as crianças necessitam de mãe e pai. É evidente, tabém, que pelas circunstâncias da vida há muitas crianças que crescem sem um dos pais. Mas essas situações não são as ideais, são o que é possível. Existem milhares de mulheres (que como sabe são a maioria das familia monoparentais) que heróicamente criam sózinhas os seus filhos e merecem toda a minha admiração.

Diferente é criar esta situação de maneira artificial. Dizer que é bom e normal uma criança nao ter pai ou não ter mãe.

A questão não é de amor. Existem milhares de instituições onde as crianças são muito amadas. Porém o melhor para elas é ter uma familia.

2. De facto também no caso de uma criança orfã de pai ou mãe cujo o progenitor sobrevivo case e o novo conjuge adopte o seu filho, se corta a ligação entre a criança e a família bióligica do progenitor que morreu.

Por isso os juize raramente permitem este tipo de adopção. Agora a co-adopção em geral ganha nova força com esta lei.

3. O facto de existerem novas formas de organização social não quer dizer que sejam boas. Se por alguma razão a maior parte dos maridos começar a bater nas mulheres, ou vice-versa, o Estado não deve por isso tornar esta possibilidade legal.

4. Os animais não demonstram amor. Para amar é preciso consciência que os animais não tem. Tem é instinto, sendo por isso muitas vezs fiéis para os seus donos, mesmo em situações dramáticas.

Flavius Claudius Iulianus disse...

ZMD

Não vi no seu comentário qualquer argumento que retire legitimidade a esta possibilidade... até penso que de alguma forma acaba por me dar alguma razão, quando diz que "o melhor para elas é ter uma familia".

Creio que este é um assunto interessante de ser debatido, com foco no interesse das crianças e com base em evidência não em ideias pré concebidas, ou doutrina...

Por fim... escreve: "Para amar é preciso consciência que os animais não tem" o facto de não se conhecer uma explicação para algo não quer dizer que ela não exista, apenas que não a conhecemos... ou porque não sabemos (ninguém sabe tudo...) ou porque o estado de evolução do conhecimento ainda não nos permitiu compreende-la... Só umas ideias: "Consequently, the weight of evidence indicates that humans are not unique in possessing the neurological substrates that generate consciousness. Non-human
animals, including all mammals and birds, and many other creatures, including octopuses, also possess these neurological substrates"
http://fcmconference.org/img/CambridgeDeclarationOnConsciousness.pdf

Na terra de cego quem tem olho não é rei, é zarolho!