
Um dos assuntos abordados no livro foi as declarações do Santo Padre a caminho de África. Na altura Bento XVI disse que o problema da SIDA em África não se resolve apenas com dinheiro e preservativos mas: A solução pode vir apenas da conjugação de dois factores: o primeiro, uma humanização da sexualidade, isto é, uma renovação espiritual e humana que inclua um novo modo de comportar-se um com o outro; o segundo, uma verdadeira amizade também e sobretudo pelas pessoas que sofrem, a disponibilidade à custa até de sacrifícios, de renúncias pessoais, para estar ao lado dos doentes.
Claro que os média, perante estas palavras, só ouviram preservativo e pronto. Contudo o Santo Padre vai muito mais fundo: fala da humanização da sexualidade, ou seja de olhar para o outro, não como um objecto de prazer, mas sim como um ser humano, criado à imagem e semelhança de Deus.
E o problema do preservativo, um problema mais fundo do que dos outros contraceptivos, é de que permite criar uma ilusão de uma sexualidade sem quaisquer consequências. Não só é suposto impedir a gravidez, como também as doenças venéreas. Assim, aparentemente, fazer sexo tem as mesmas consequências que dar uns beijinhos.
Ora, neste contexto, de uma sexualidade desregrada e desumanizada, o Santo Padre afirmou que o preservativo pode, em casos específicos, ser uma primeiro passo para a humanização do sexo. Ou seja, a utilização do preservativo pode ser uma tomada de consciência de que o outro não é um mero objecto para dar prazer ou obter dinheiro, mas um ser humano. Pode ser também um passo para reconhecer que o nosso corpo não é apenas um pedaço de carne, mas morado do espírito e que por isso não devemos viver ao sabor do instinto.
Ou seja as declarações do Papa não são uma revolução ou uma contradição do que o Santo Padre disse anteriormente. São simplesmente um aprofundamento.
Nestes assuntos convém sempre ler o que o Papa disse realmente e ajuizar com clareza as suas palavras em vez de nos ficarmos pelo soundbytes dos jornais.



