segunda-feira, outubro 25, 2010

Por favor, não nos façam mais favores!

O Público de sábado dava conta que o Orçamento de Estado tirava benefícios fiscais às igrejas, mantendo os da Igreja Católica. Esta notícia tinha direito a estar na capa e a uma página inteira dentro do jornal. Digo isto porque falamos do mesmo jornal que "ignorou" uma procissão com 150 mil pessoas no Porto.

Os benefícios de que o jornal fala e que foram retirados é o direito de o IVA sobre bens adquiridos para o culto, assim com o de construções ligadas a essas igrejas ser reembolsado.

A primeira coisa que me ocorre perante a indignação do Público é de a justiça é tratar de forma igual o que é igual e de forma diferente o que é diferente. O Estado não pode nem deve limitar a possibilidade de um individuo praticar a sua fé e de dar testemunho desta publicamente. Não pode nem deve limitar o direito de os crentes se organizarem e de livremente praticarem a sua fé de maneira organizada e pública. E nisto não deve haver diferença entre a Igreja Católica e os restantes.

Contudo, na relação entre o Estado e a Igreja Católica enquanto agente social é evidente que há diferença para outras religiões. Porque a Igreja Católico tem um peso social e cultural em Portugal que ultrapassa em muito o peso de todas as outras religiões juntas. Não apenas pelo número de católicos praticantes, muitíssimo superior ao de outras religiões, mas pelo seu trabalho na sociedade portuguesa que é ainda maior que o seu número de crentes. O número de portugueses que é sustentado, tratado ou educado pela Igreja supera em muito o número de católicos praticantes. Querer tratar a Igreja Católica e, por exemplo, a IURD da mesma maneira é o mesmo que tratar da mesma maneira a fundação Calouste Gulbekian e a sociedade filarmónica de Santiago-do-Escoural.

Mas o mais irritante desta medida é que ela não foi tomada para favorecer a Igreja. É impossível que tomou esta medida não soubesse que alguém ia reparar nela. Para além disso a diferença entre o IVA que as restantes igrejas pagavam e o que vão pagar agora não há de ser muito. Não se deve comparar, por exemplo, com o que se vai gastar com a cimeira da NATO.

A única utilidade nesta medida é causar a discórdia entre as diversas igrejas e permitir que mais tarde se retira também o apoio à Igreja Católica sem causar ondas. Os socialista começam a ficar especialista em fazer favores à Igreja que ninguém lhes pediu e que raramente trazem alguma utilidade.

quinta-feira, outubro 21, 2010

"Toda a boa dádiva e todo o dom perfeito vêm do alto, descendo do Pai das luzes", Tg 1, 17




Li no Público de ontem que Leonardo Boff participou num comício da candidata do PT à presidência do Brasil. Para quem não sabe, Boff é um dos principais promotores da Teologia da Libertação que defende que a missão da Igreja é a justiça social.

Quando li a notícia pensei logo em escrever sobre o Boff. Pensei em mil discursos para fazer contra a Teologia da Libertação, que tenta adaptar o cristianismo ao marxismo. Depois percebi que era um erro: não vale a pena um discurso contra uma teoria mas sim um facto.

O oposto de Boff, que passou a sua vida a construir uma teoria para defender os pobres mas que de facto nada fez por eles, é Madre Teresa de Calcutá. Esta pequena freira albanesa nunca quis saber de discursos ou teorias. Nunca escreveu grandes obras de teologia ou manteve acesso debates. Contudo as suas Irmãs Missionárias da Caridade fizeram mais pelos pobres que todos os discurso de Boff e do que toda as teorias católico-marxistas.

Porquê? Porque Madre Teresa não partiu de uma ideia, mas de um amor a Cristo. O seu amor pelo próximo não nasce de uma qualquer teoria do que os pobres precisam, mas de um enamoramento por Cristo que se transforma em paixão pelo próximo.

Por isso é que os seus acto, sustentados pela fé que nasce do encontro com Cristo, são eficazes. Porque só Cristo é que a fonte da caridade e de justiça. A obra de Madre Teresa não nasce da sua genialidade mas da sua humildade. Da humildade de quem compreende que Cristo é que é o Senhor da História. Por isso em vez de iniciar uma doutrina para mudar o mundo, Madre Teresa começou a fazer o acto mais inútil que se possa imaginar: tirar moribundos das ruas de Calcutá e dar-lhes o mínimo de comodidade para que morressem confortáveis. O resultado está à vista.

Contra todas as teorias de Boff ergue-se facto: as suas acções sem fé nada fizeram; a fé de Madre Teresa, comprovada pelas acções, salvaram milhares de pessoas.

terça-feira, outubro 19, 2010

"Os cristãos aos leões!"

Saiu hoje numa Público uma peça sobre a situação dos cristãos no Paquistão. Esta reportagem, motiva pela visita de Monsenhor Sebastian Shaw bispo auxiliar de Lahore, revela as dificuldades das comunidades católicos atravessam num país de 175 milhões de habitantes e onde 95% são muçulmanos.

Embora em teoria o Paquistão seja um país onde todos são iguais diante da lei a realidade é que todos os anos há cristãos mortos e igrejas destruídas perante a impassividade das autoridades. Segundo informa o bispo há mulheres cristã que são violadas e convencidas a casarem-se com os violadores e existem cada vez mais conversões forçadas.

A situação piorou piorou com a entrada em vigor da lei anti-blasfémia que prevê penas de prisão para aqueles que blasfemarem contra Alá ou Maomé, bastando para a acusação a queixa de um muçulmano sem necessidade de testemunhas.

Mas não pensemos que estas situações são um exclusivo do Paquistão. Podemos encontrar por todas a Ásia e parte de África perseguições mais ou menos activas aos cristão, com ou sem a ajudado do Estado. Na China continua a haver presos religiosos, assim como no Vietname. Na Índia as autoridades continuam indiferentes aos constantes abusos levados a cabo por hindus contra cristão. Na Arábia Saudita, assim como noutro países islâmicos, a conversão ao cristianismo continua a ser punida com pena de morte. No Sudão o governo continua a apoiar as milícias que perseguem os cristãos, situação que já causou mais de 300 000 mortos e milhões de refugiados.

Não estou a falar de coisas do século passados, mas de acontecimentos que estão a acontecer agora perante a total apatia da comunidade internacional. Não esqueçamos nós os nossos irmãos mártires e saibamos viver a altura da graça que nos é dada de podemos dar testemunho da nossa fé sem recear a prisão ou a morte.

sexta-feira, outubro 15, 2010

A Vergonha do PS.

Foi hoje apresentada a versão preliminar do Orçamento de Estado para 2011. Só para não esquecermos, o Orçamento de Estado é apresentado por um governo que tenciona começar a construir um TGV em 2011, que autorizou o aumento de salários dos administradores de empresas públicas para o dobro, que construiu ou renovou 100 escolas este ano, que (por ajuste directo), encomendou milhares de computadores para crianças, por um governo cuja as medidas foram ineficazes para abater a despesa pública e tem sido incapaz até agora de travar o desemprego.

Este mesmo governo propões passar o IVA de 6 para 23% dos seguintes produtos:

- Leites achocolatados, aromatizados, vitaminados e enriquecidos

- Bebidas e sobremesas lácteas

- Refrigerantes, sumos e néctares de fruto ou de produtos hortícolas, incluindo xaropes de sumos, as bebidas concentradas de sumos e os produtos concentrados de sumos

- Utensílios e outros equipamentos exclusivamente ou principalmente destinados ao combate e detecção de incêndios

E de 13 para 23% destes produtos:

- Conservas de carne e miudezas comestíveis

- Conservas de moluscos, com excepção das ostras

- Conservas de frutas ou frutos, designadamente em molhos, salmoura ou calda e suas compotas, geleias, marmeladas ou pastas

- Conservas de produtos hortícolas, designadamente em molhos, vinagre ou salmoura e suas compotas

- Óleos directamente comestíveis e suas misturas (óleos alimentares);

- Margarinas de origem animal e vegetal

- Aperitivos à base de produtos hortícolas e sementes

- Aperitivos ou snacks à base de estrudidos de milho e trigo, à base de milho moído e frito ou de fécula de batata, em embalagens individuais

- Flores de corte, folhagem para ornamentação e composições florais decorativas. Exceptuam-se as flores e folhagens secas e as secas tingidas

- Plantas ornamentais.

Ou seja o preço do pequeno almoço de uma família que os filhos bebam leite com chocolate, onde todos comam pão com manteiga ou marmelada pode chegar a custar mais 17%. Uma família que se dê ao luxo de comer atum com feijão frade, bacalhau com grão, salsichas com ovo e batata pagará por boa parte da refeição mais 10% em 2011.
Isto numa altura em que a taxa de desemprego está ligeiramente acima do 11%, o IVA já foi aumentado e a comparticipação dos remédios vai diminuir.
Daqui posso tirar uma de duas conclusões: 1 O governo quer de facto que o orçamento seja chumbado para ter razão para se demitir. Assim passa o problema para as mãos de outros, tendo uma desculpa para o descalabro que provavelmente se seguirá ao chumbo e passando a culpa para outros. 2 O governo não tem força, capacidade ou engenho para arranjar soluções (ou diminuindo a despesa ou aumentado a receita de forma menos danosa para os consumidores mais pobres) e por isso recorre a uma solução "fácil" para tentar tapar o buraco que criou.

Se uma destas duas conclusões for correcta não posso deixar de me lamentar o estado a que o Partido Socialista chegou. Embora eu, com os meus escassos anos, nunca tenha sentido grande afeição pelo PS não posso deixar de reconhecer que teve no seu meio grande políticos e estadistas. Homens que de várias maneiras tentaram servir o país o melhor que sabiam e podiam. Tudo isto para ver o seu partido transformado num antro de politiqueiros e caciques, que durante 5 anos se foram entretendo a gastar dinheiro e a fazer engenharias sociais para dar um ar de modernidade ao país. O resultado? Um país em ruínas e a beira do abismo que eles não querem e não sabem governar.

quinta-feira, outubro 14, 2010

Parabéns Lady Tatcher.




Faz hoje 85 anos que nasceu Margaret Tatcher. Lady Tatcher foi a primeira mulher a ser primeiro-ministro de Inglaterra (e a única até agora) e governou durante 11 anos (1979 - 1990).

No plano interno talvez a sua maior vitória tenha sido a derrota dos sindicatos. Em 1979 os sindicatos eram senhores da economia inglesa. A sua influência tinha começado no primeiro governo trabalhista (1945 quando Clement Attlee derrotou o herói da II Grande Guerra, Sir Winston Churchill) e tinha levado a economia inglesa à ruína. O estado mantinha várias indústrias (automóveis, comunicações, energia, aviação) com graves prejuízos visto ser impossível fazer ajustes que levassem à supressão de postos de trabalho.

A vitória de Tatcher começa quando consegue derrotar a greve dos mineiros. Após 5 anos a "amealhar" carvão e a transportá-lo para junto das centrais eléctricas o governo permitiu o fecho de 20 minas que davam prejuízo. Durante um ano o sindicato dos mineiros fez greve, tentado fazer do governo refém. Foi uma luta entre o dinheiro dos sindicatos e as reservas de carvão do governo. Ganhou o governo.

No plano internacional a maior conquista da primeiro-ministro foi a queda do comunismo. Em conjunto com Ronald Reagan, Tatcher lutou sempre por um ocidente fortemente armado, capaz de enfrentar a União Soviética. Defendeu a democracia e a liberdade. Atacou o comunismo que considerava uma ideologia maligna pois tentava anular a liberdade do homem e substitui-la pelo Estado.

E aqui chegamos talvez ao ponto mais importante. Para Margaret Tatcher a questão não era meramente ideológica, não era uma luta entre capitalismo e socialismo. Partia de um ponto concreto: a coisa mais importante é o homem. O Estado nunca se pode substituir à liberdade humana. Deve garantir todas as condições para que cada pessoa tenha uma existência digna, mas não criar um sistema de tal maneira perfeito que os homens já não precisem de ser bons. Tal sistema estaria condenado a transforma o homem num animal.

Fazem-nos falta políticos assim. Pessoas como Margaret Tatcher (e Ronald Reagan): com coragem para lutar pela verdade e pela liberdade.

quinta-feira, junho 10, 2010

Dia do São Camões.

No dia 5 de Outubro de 1910 foi proclamada a República. O golpe de estado que haveria de levar à sua implementação começou na madrugada de 3 para 4 de Outubro.


Logo no dia 3, no seguimento da morte de Miguel Bombarda atribuída aos jesuítas (quando de facto fora morto por um paciente), começou a perseguição popular ao clero. No dia 4 foram mortos dois padres lazaristas. No dia 5 o patriarca resignatário foi preso por populares e levado à presença de Afonso Costa. Nesse mesmo dia o bispo de Beja teve que fugir do país para salvar a vida.

No dia 8 de Outubro o governo manda parar com as perseguições populares. Para evitar abusos são dadas ordens À polícia para prender todos os padres que andem na rua. Começa então a perseguição legislativa.

Dos vários documentos legais que dizem respeito à Igreja há um que alterou profundamente a cultura portuguesa e que hoje passa despercebido: a abolição dos feriados religiosos.

No dia 12 de Outubro de 1910 foram abolidos todos os feriados religiosos. Só o dia Natal sobreviveu, mas agora apelidado de Dia da Família Portuguesa.

Contudo, para não aborrecer o povo, o governo provisório não se limitou a abolir os feriados. Criou novos feriados e novas festas para fazer esquecer as festas religiosas. Regra geral estas novas festas incluíam grandes paradas e desfiles, tentando recriar as festas populares que festejavam os santos.

Assim foi criado o feriado do 1º de Dezembro, para fazer esquecer a Imaculada Conceição. O dia do nascimento de Nossa Senhora, 8 de Setembro, passou a ser o dia da mãe. O de São José dia do pai. Para substituir a festa da Anunciação (25 de Março) o dia da Árvore.

É neste contexto que nasce o dia de Camões. Como se tinha abolido a festa de Santo António criou-se o dia de Camões. O 10 Junho era um festa republicana desde o ano do centenário do centenário do poeta. Passou então a ser festa nacional, com direito a desfile cívico e discurso das autoridades. O povo nunca aderiu a estas novas festividades e gozava com os desfiles dizendo que era a procissão do São Camões.

Percebo que com tempo esta questão importância. No Estado Novo o 10 de Junho ganhou relevância não como dia de Camões, mas como uma oportunidade de festividades patrióticas. Hoje já não sou este feriado já não tem uma carga anti-clerical como caiu no esquecimento dos republicanos, sendo festejado sobretudo por velhos nacionalistas.

Mesmo assim não festejo o 10 de Junho. Não chateio, não tomo posições morais, não faço causas no facebook. É feriado e eu aproveito. Contudo não adiro a festas maçonicas. Festejar por festejar espero pelo Santo António.

quarta-feira, junho 09, 2010

A um metro do chão.

A questão doutrinal

No i do fim-de-semana

Uma das coisas que mais gosto de fazer com os meus filhos é influenciá-los. Deliro. Ter a oportunidade de explicar, com tempo, o meu ponto de vista, a minha versão dos factos, a minha ideologia, as minhas crenças a pessoas inocentes, sãs, crédulas, civilizadas e inteligentes que não querem discussão mas sim informação, é fantástico. Um sossego. Eu não discuto, ensino. Experimento argumentos, ensaio raciocínios e conto histórias elucidativas das minhas verdades aos meus fiéis seguidores, que me fixam com olhos esbugalhados. Também não imponho nada; explico o óbvio. E claro que eles acreditam piamente em tudo o que lhes digo: se também acreditam quando lhes garanto que a sopa já arrefeceu, não duvidam quando digo que "ajuda humanitária turca" é com aspas. Uma das inúmeras vantagens destas prelecções domésticas e familiares, além das óbvias, que são benéficas para a sociedade em geral, é que me obrigam a dominar e a rever os temas, a melhorar a argumentação para poder explicar as minhas teses com maior clareza. Como tenho de ensinar os conceitos mais elementares, estou constantemente em reciclagem doutrinal. Por exemplo, quando um deles me pergunta o que é um socialista, tenho de lhes dar a definição de imposto, de empresas públicas, de Mário Soares, etc. (sim, é verdade, as crianças de hoje crescem sem Mário Soares nas suas vidas). Claro que a conversa só acaba quando eles ficam devidamente esclarecidos das consequências do socialismo. "Ah, mas isso é manipular as crianças." Claro que é! E só tenho até à adolescência deles para o fazer. Mas cá eu chamo a isto educar.

"O sangue dos mártires é frumento dos Cristãos."


Foi beatificado este Domingo em Carcóvia o Padre Jerzy Popieluszko. Este sacerdote polaco foi preso, torturado e morto em 1984 pelos comunistas polaco.

Capelão de um remota aldeia polaca, foi apoiante do movimento Solidariedade. Defendeu sempre a liberdade contra a opressão comunista e ensinou que o mal só se combate com o bem. A sua trágica morte serviu de testemunho para todo o povo polaco.

O Beato Jerzy Popieluszko é um dos milhares de mártires do século XX. Que o seu testemunho nos eduque a nós no amor a Cristo.

Rogai por nós Beato Jerzy Popieluszko,
para que sejamos dignos das promessas de Cristo.

Andrea Bocelli

terça-feira, junho 08, 2010

«"Terrível é a palavra 'non'": o sim de Manoel de Oliveira» por Padre João Seabra, DN, 31/05

Sentado no Centro Cultural de Belém com um milhar de representantes do mundo da cultura, da ciência e da arte, escutei, com espanto e comoção, o discurso "simples e breve", como ele próprio o anunciou, que Manoel de Oliveira dirigiu ao Papa Bento XVI na manhã do dia 12 de Maio. A intervenção é como o cinema de Oliveira: expressão de uma procura de sentido pessoalíssima, dum desejo de verdade incansável, do reconhecimento intenso e livre da presença do Mistério na vida dos homens e do cosmos. Oliveira não se entregou a especulações teóricas: deu um autêntico e despretensioso testemunho de vida, exposto na linguagem directa, enxuta e não analítica a que o realizador habituou quem lhe conhece o estilo: franco, quase desabrido e aparentemente naïf.

Depois de agradecer o "muito honroso convite", enunciou o título da sua curta exposição, "Religião e Arte", e disparou, colocando "éticas" e "artes" lado a lado, enquanto fruto das religiões, que "procuram encontrar explicação para a existência humana e a sua inserção concreta no cosmos". A essa procura, universal no tempo e no espaço, irrompe na História uma resposta inimaginável: "Universo e Homem, criação de um ser transcendente, colocam-nos problemas inquietantes, para cuja solução o Verbo que se fez carne em Cristo nos trouxe insuperáveis Graças divinas." Este foi o mote claro e corajoso da sua reflexão: a colocação da hipótese cristã como possibilidade real para a vida e para a criação artística.

Ratzinger afirmou, já há anos, que "a única, a verdadeira apologia do cristianismo pode-se reduzir a dois argumentos: 'os santos' que a Igreja produziu e 'a arte' que germinou no seu seio" (V. Messori, Diálogos sobre a Fé, Lisboa, Verbo, 1985, p. 107). Como que em intuitiva resposta, Oliveira saudou o Papa sublinhando a fecundidade da fé cristã na criação estética. Afirmou a intimidade original das artes e das religiões, umas e outras "voltadas para o homem e o universo, a condição humana e a essência divina"; na experiência religiosa como na expressão artística se manifesta "a memória da criação e a saudade do paraíso". Neste contexto chamou à Bíblia o "tesouro inesgotável da nossa cultura europeia": uma referência que ecoa como antagónica às recentes afirmações de José Saramago. Em seguida relembrou dois dos seus filmes, O Acto da Primavera (1963) e Cristóvão Colombo, o Enigma (2007), em que representou figuras de anjos: no primeiro caso, como personagem específica desse popular Auto da Paixão, sinal da presença do divino entre os homens; no segundo, como "prévia configuração do Destino" de Portugal, radicando no cristianismo, numa frase sintética e desafiadora, a identidade da História pátria e a sua história pessoal: "[Sou] pertencente à família cristã, de cujos valores comungo, e que são as raízes da nação portuguesa e de toda a Europa, quer queiramos quer não […]."

Mas o momento mais confessional e provocador da sua intervenção foi aquele em que Manoel de Oliveira se referiu ao drama humano da dúvida e da falta de fé. Retomando as palavras do Padre António Vieira ("terrível palavra é o non"), que deram o título ao seu filme de 1990 (Non ou a Vã Glória de Mandar), Oliveira disse: "Acossados pelas especulações da razão, sempre se nos levantam terríveis dúvidas e descrenças, a que se procura opor a fé do Evangelho, que remove montanhas." Perante a tremenda hipótese da negação, concluiu, com a convicção de quem fala de um caminho trilhado na primeira pessoa: "O non retira toda a esperança, que é a última coisa que a natureza deixou ao homem", esse homem que "caminha na esperança, apesar de todos os negativismos". A dinâmica humana é afirmativa, é um sim: esta é a certeza que Oliveira afirma. A escolha teórica e teorizada que a nega não corresponde ao dinamismo que leva o ser humano a esperar e a desejar: desejar viver, desejar amar e ser amado, desejar criar, desejar ser feliz. Essa dinâmica de afirmativa certeza encontra um testemunho irrecusável naquele homem de 101 anos, de olhar vivo, quase infantil, com uma capacidade criativa invulgar e uma liberdade de pensamento e acção que fazem dele uma criatura sui generis e incómoda no universo em que se movimenta.

Por isso, a maior injustiça que se lhe poderia fazer seria a de retirar às suas palavras simples - tanto as ditas como as escondidas nas entrelinhas - o peso e a consistência de uma vida assim lutada e vivida, com esse visível gosto e essa radical liberdade que sempre recusou ideologias e sempre se deixou fascinar pelo humano e pelo seu desejo de infinito.

Turquia: Terra de Martírio!

No dia 3 deste mês foi assassinado o Monsenhor Luigi Padovese, Vigário Geral da Anatólia e Presidente da Conferência Episcopal da Turquia. As primeiras informações é que tinha sido morto pelo seu motorista que sofreria de problemas mentais. Segundo as autoridades turcas não haveria nenhum motivo religioso ou politico por detrás desta morte.

Contudo o Corriere della Sera publicou hoje uma noticia, tendo como fonte a Asia News, que afinal não se tratou apenas de um acesso de loucura. Não só o assassino cortou a cabeça ao bispo (segundo o ritual islâmico) como depois subia ao tecto da casa onde gritou "matei o grande Santanás! Allah Akbar!".

Ainda segundo o Corriere não nenhum registo médico que indique que Murta Altun (o assassino) sofra de problemas mentais. O único indicio que existe que aponta para esta teste é que o próprio Murat se queixava de estar deprimido hás uns meses. Este facto faz aumentar a suspeita de se tratar de um assassínio planeado há algum tempo.

Perante este acontecimento o Estado Turco limita-se a assobiar para o lado. O mesmo estado cujo o primeiro-ministro tem dirigido ataques furioso a Israel pela morte de nove cidadão turcos que atacaram soldados israelitas, demonstra total indiferença pela morte da cabeça da Igreja turca às mãos de um terrorista islâmico.

Ao mesmo tempo que a esquerda europeia tem vindo a cantar odes de louvor à pobre Turquia, um estado democrático, laico, membro da NATO, vitima de Israel, ninguém presta atenção a este martirio, fruto de terrorismo organizado que visa atacar a Igreja Católica.

Irónicamente dom Padovese celebrou há quatro anos o enterro de don Andrea Santoro, bispo na Turquia que tambem foi morto. Este país tão civilizado é cada vez mais para os católicos terra de martírio!

sábado, junho 05, 2010

"(...)fatti non foste a vivere a viver come bruti(...)"*

Pelos anúncios na rua e pelos jornais fiquei a saber que está para começar um certame na FIL chamado "Salão Erótico". O DN on-line chega mesmo a ter uma notícia sobre a "convidada de honra" de tal evento (uma pobre mulher cuja exploração é disfarçada por um falso glamour dos jornais que tentam assim legitimar o vício dando-lhe um ar socialmente aceitável).

A mim impressiona-me como o nosso mundo reduziu o sexo a uma banalidade. O sexo já não é entrega de um casal que se ama, mas algo tão natural como ir à retrete. Claro que vivem todos convencidos que como se gasta mais tempo a falar e a ver sexo que este é cada vez mais importante para as pessoas. Mentira, neste momento para a maior parte das pessoas a sexualidade é como tomar banho: uma mera necessidade física.

Ora este redução da sexualidade a uma necessidade física, com a consequente redução do homem à bestialidade, é legitimada pela televisão e pelas revistas. Para que ninguém se sinta mal por viver como um coelho ou como uma cadela no cio os media transformam a javardice em progresso.

Ora esquecem-se que as actuais prostitutas e actrizes porno não teriam nada a ensinar aos romanos e aos potentados orientais da antiguidade. As revistas pornográficas já existiam na república Romana e no Oriente existiam templos dedicados à prostituição.

Foi o cristianismo que elevou a sexualidade. Antes de mais porque foi a Igreja que elevou todo o ser humano a pessoa. O estatuto de cada Homem já não dependia da Lei mas do facto de ter sido criado à imagem e semelhança de Deus. A mulher deixou de ser um mero objecto para ser uma igual. A segunda questão é que o cristianismo afirmou com total clareza a unidade do corpo e da alma. O corpo é morada do Espírito Santo.

Por isso nós recusamos esta banalização do sexo, que reduz a mulher a um pedaço de carne e a nós mesmo a animais. Achamos que o sexo é um coisa boa e por isso esperamos pela pessoa e pela altura certo para o praticar. Só entregamos o nosso corpo a quem entregamos também o nosso espírito.

Por isso não alinhamos nestas bestialidades. Não por desprezarmos o sexo mas porque conhecemos a sua importância.
*Divina Comédia, Inferno - Canto XXVI

terça-feira, junho 01, 2010

Corpo de Deus.

Esta Quinta-feira é a Solenidade do Corpo e Sangue de Jesus, mais conhecido pelo Corpo de Deus. Este dia serve para nos dar-mos conta da espantosa graça que Deus nos concede: que uma rodela de pão e um golo de vinho se transformem no Seu preciossimo corpo e sangue.

Muitas vezes para nós a Eucaristia é uma coisa banal. Estamos tão habituados à missa enquanto ritual que nem reparamos no milagre extraordinário que ocorre diante dos nossos olho: o próprio Deus que se faz carne. A hóstia consagrada é o corpo de Nosso Senhor, tão real e presente como no céu.

Na Quinta-feira mais uma vez irá realizar-se a procissão do Corpo de Deus. O Senhor Patriarca irá percorrer as ruas da Baixa transportado o Corpo de Cristo. É um convite a que cada um de nós ganhe consciência do trabalho a que Deus se dá para nos salvar.

domingo, maio 30, 2010

Criminal On The Cross - The Acappella Company



Well, it was many years ago in the time of the Bible that they took Him up to Calvary.
They could have let Him go, but instead they chose Barabbus just to set another criminal free.
When they crucified the ever loving, caring Master with compassion flowing from His eyes
Well, He said to a thief who was begging Him for mercy that 'today you'll live in Paradise.'
And I'm saved like the criminal on the cross.
Praise God, I'm saved, no more to suffer loss.
Well, He said I'd live in Paradise and he's taken care of the cost.
Hallelujah! I'm saved like the criminal on the cross.

Well, on the Judgment day when all the people gather 'round
Him and they want to hear what He will declare.
There will never ever be more intense anticipation that has ever happened anywhere.
When they call my name to defend my reputation there is only one thing I can say:
'I'm a wretch, I'm a worm, I'm a no good sinner.' But He said, 'I'll save you anyway.'

Well I', saved, I'm saved, through Jesus I am saved.
Well I', saved, I'm saved, His mercy showed the way.
Well I', saved, I'm saved, no more for me to say.
Well I', saved, I'm saved, in Paradise today.

sábado, maio 29, 2010

A importância de se ser Cavaco.

Os opinion makers da blogoesfera conservadora duvidam todos de que a promulgação da lei que permite a dois homens casar-se pela parte do presidente da república venha a custar-lhe a sua eleição. Muitos afirmam que a falta de alternativas à direita fará com que os católicos votem em Cavaco.

Parece-me que este senhores avaliam mal o impacto que a promulgação da tal lei teve junto dos católicos. Para os católicos empenhados na política Cavaco foi durante quatro anos a última esperança: a pessoa que tinha o poder para travar a engenharia social do PS e associados. Contudo ele nunca esteve à altura. Promulgou a P.M.A., promulgou o aborto sem envia a lei ao Tribunal Constitucional e agora promulgou esta lei.

Para quem, como a maior parte dos católicos empenhados na politica, vive fora da política partidária o actual presidente mais do que mau é indiferente. Durante o seu mandato foi sempre incapaz de se opor à esquerda naquilo que realmente interessa: a defesa da vida e da família. Por é indiferente se o presidente é Cavaco ou Alegre. Na prática o resultado é o mesmo.

O drama de Cavaco é que já não lhe basta ser Cavaco. Poder ir as vezes que quiser à missa, ajoelhar-se vinte vezes diante do Santo Padre, participar em todas as canonizações e beatificações daqui até a eleição que já não nos convence. Nós não somos protestantes, para nós só a fé não chega.

sexta-feira, maio 28, 2010

Declarações do Senhor Patriarca

Vale a pena ouvir as declarações do Senhor Patriarca sobre a promulgação da lei que equipara a união de pares de pessoas do mesmo sexo ao casamento. AQUI.

SEMPER FIDELIS!

quinta-feira, maio 27, 2010

Género.

Li hoje no DN on-line que o Bloco se prepara para propor uma lei que permite mudar o sexo no BI através do reconhecimento por um grupo de psicólogos que atestam que a pessoa vive como se fosse de outro sexo. Ou seja, um homem que se veste e vive como uma mulher passar, legalmente, a ser uma mulher.

Segunda esta gente o corpo não define a pessoa. A pessoa e o seu corpo são duas entidades separadas. Existe o sexo que uma pessoa tem e depois o género a que pertence. Pode ser um homem mas ser de género feminino. É esta teoria, a separação entre o corpo e a pessoa, que justifica quer a homossexualidade quer a mudança de sexo.

Ora, milhares de anos de filosofia provam que esta teoria está errada. O corpo não é algo de diferente da pessoa. A pessoa é constituída por corpo e alma, em unidade. Não são coisas separadas. O ser homem não é apenas ter órgãos genitais diferentes das mulheres, define também a nossa maneira de ser.

Um homem que se sente mulher tem o mesmo remédio que um homem que acha que é uma galinha: tratamento psiquiatrico. Não se trata aqui de uma questão de igualdade mas de bom senso. A realidade é o que é. Um homem é um homem, uma mulher uma mulher. Dizer o contrário é estar completamente cego pela ideologia. Vale a pena ver este vídeo de "The Life of Bryan".



quarta-feira, maio 26, 2010

Canzone Degli Occhi e Del Cuore - Claudio Chieffo.



Anche se un giorno, amico mio, dimenticassi le parole,
dimenticassi il posto e l’ora o s’era notte o c’era il sole,
non potrò mai dimenticare cosa dicevano i tuoi occhi.

E così volando volando anche un piccolo cuore se ne andava...
attraversando il cielo verso il Grande Cuore,
un cuore piccolo e meschino come un paese inospitale
volava dritto in alto verso il suo destino...
E non riuscirono a fermarlo neanche i bilanci della vita
quegli inventari fatti sempre senza amore.

Così parlavo in fretta io per non lasciare indietro niente,
per non lasciare indietro il male e i meccanismi della mente
e mi dicevano i tuoi occhi ch’ero già stato perdonato...

E adesso torna da chi sai, da chi divide con te tutto,
abbraccia forte i figli tuoi e non nascondere il tuo volto,
perchè dagli occhi si capisce quando la vita ricomincia...

Mesmo se um dia, meu amigo, eu esquecesse as palavras, esquecesse o lugar e a hora ou se era noite ou estava sol, nunca poderia esquecer o que diziam os teus olhos. E assim, voando, voando, também um pequeno coração ia atravessando o céu na direcção do Grande Coração. Um coração pequeno e mesquinho como uma aldeia inóspita voava a direito na direcção do seu destino… E não conseguiram detê-lo nem sequer as contas da vida, esses inventários feitos sempre sem amor. Assim falava eu apressadamente para não deixar nada para trás, para não deixar para trás o mal e os mecanismos da mente; e os teus olhos diziam-me que já tinha sido perdoado… Agora volta para quem sabes, para quem divide tudo contigo; abraça com força os teus filhos e não escondas o teu rosto, porque pelos olhos se percebe quando a vida recomeça.

Mediocricidade

O Presidente da República promulgou a lei que equipara a união entre pessoas do mesmo sexo ao casamento. Evocou como argumentos a crise e a ética profissional (não sei se por esta ordem porque, confesso, não ouvi a comunicação ao país que o PR fez).

Segundo o magistrado máximo do nosso país em tempos de crise não vale a pena arrastar esta questão, dado que o seu veto seria ultrapassado na Assembleia da República. Antes de mais, não é seguro que o PS conseguisse impor segunda vez disciplina de voto nesta matéria, logo não era seguro que a lei conseguisse a maioria absoluta necessária para ultrapassar o veto presidencial.

Mas, para além disso, é inacreditável tratar esta questão como um problema menor. A crise é grave mas há de passar, com ou sem esta lei. Mas esta lei visa alterar a estrutura da nossa sociedade de tal maneira que é mais um passo para o abismo. Cada vez mais o casamento é um capricho, que nada tem a ver com responsabilidades ou compromissos, mas com hormonas e afectos.

Falamos portanto de uma lei que é urgente travar. Os efeitos da crise poderão ser duros e durar anos ou décadas, mas esta lei afecta todo o futuro.

A questão da ética profissional é ainda mais assustadora. Segundo o professor Cavaco Silva é obrigação do Presidente promulgar leis com as quais discorda se esta tiverem tido maioria absoluta no parlamento. Se assim fosse para que serviria o presidente? Quando elegemos Cavaco Silva (sim, porque eu votei no actual presidente, coisa que não tornarei a fazer) votámos porque sabíamos quem ele era. Sabíamos todos que ele era católico, pai de família, conservador nos valores. Sabíamos e por isso votamos nele. O Presidente tem um dever para com que o elegeu conhecendo os seus valores e os seus princípios.

Ao promulgar esta lei Cavaco Silva mostrou a sua fraqueza. Em última distância, quando o desafiam ele cede. É incapaz de se opor aos bem pensantes deste mundo. O tecnocrata de Boliqueime não consegue deixar de o ser.

Isto é o mais triste do nosso Presidente: ele não promulgou a lei (como alguns dizem) por eleitoralismo. Quanto mais não seja porque esta promulgação é capaz de ditar a sua derrota. Fê-lo porque acredita mesmo que não se pode opor à assembleia. Fê-lo porque é incapaz de se impor, porque faz sempre o que esperam que ele faça. Fê-lo porque é e continuará a ser um homem medíocre.

Nação Fidelissima.

Os números da polícia durante a visita do Santo Padre dizem que estiveram entre 900 mil a 1 milhão de pessoas nas missas do Papa. Isto sem contar com as pessoas que não estiveram nas missas mas no caminho do Sua Santidade: no Porto a estrada estava cheia de pessoas desde a Serra do Pilar aos Aliados.

O sucesso da visita apostólica do Santo Padre não se mede pelos número, contudo é reconfortante saber que mais ou menos um décimo do nosso país foi ver o Papa (sem contar com aqueles que, impedidos pela distância, viram o Papa na televisão).

Os media, que se acham muito importantes, atribuem estes números a uma mudança do Papa. É mentira, porque Lisboa já estava cheia antes da suposta "mudança" acontecer. O que este milhão de pessoas prova é que, mesmo com todas as fragilidades e incoerências, os portugueses se sentem tocados pela visita do Vigário de Cristo. Qualquer que seja a opinião dos portugueses sobre S.S. Bento XVI o nosso povo ainda guarda o suficiente resquício de cristianismo para sair à rua e aclamar o Papa.

Apesar de tudo, apesar das campanhas nos media, a promessa da Senhora de Fátima permanece. O dogma da fé prevalece em Portugal.


SEMPER FIDELIS!