quinta-feira, maio 27, 2010

Género.

Li hoje no DN on-line que o Bloco se prepara para propor uma lei que permite mudar o sexo no BI através do reconhecimento por um grupo de psicólogos que atestam que a pessoa vive como se fosse de outro sexo. Ou seja, um homem que se veste e vive como uma mulher passar, legalmente, a ser uma mulher.

Segunda esta gente o corpo não define a pessoa. A pessoa e o seu corpo são duas entidades separadas. Existe o sexo que uma pessoa tem e depois o género a que pertence. Pode ser um homem mas ser de género feminino. É esta teoria, a separação entre o corpo e a pessoa, que justifica quer a homossexualidade quer a mudança de sexo.

Ora, milhares de anos de filosofia provam que esta teoria está errada. O corpo não é algo de diferente da pessoa. A pessoa é constituída por corpo e alma, em unidade. Não são coisas separadas. O ser homem não é apenas ter órgãos genitais diferentes das mulheres, define também a nossa maneira de ser.

Um homem que se sente mulher tem o mesmo remédio que um homem que acha que é uma galinha: tratamento psiquiatrico. Não se trata aqui de uma questão de igualdade mas de bom senso. A realidade é o que é. Um homem é um homem, uma mulher uma mulher. Dizer o contrário é estar completamente cego pela ideologia. Vale a pena ver este vídeo de "The Life of Bryan".



quarta-feira, maio 26, 2010

Canzone Degli Occhi e Del Cuore - Claudio Chieffo.



Anche se un giorno, amico mio, dimenticassi le parole,
dimenticassi il posto e l’ora o s’era notte o c’era il sole,
non potrò mai dimenticare cosa dicevano i tuoi occhi.

E così volando volando anche un piccolo cuore se ne andava...
attraversando il cielo verso il Grande Cuore,
un cuore piccolo e meschino come un paese inospitale
volava dritto in alto verso il suo destino...
E non riuscirono a fermarlo neanche i bilanci della vita
quegli inventari fatti sempre senza amore.

Così parlavo in fretta io per non lasciare indietro niente,
per non lasciare indietro il male e i meccanismi della mente
e mi dicevano i tuoi occhi ch’ero già stato perdonato...

E adesso torna da chi sai, da chi divide con te tutto,
abbraccia forte i figli tuoi e non nascondere il tuo volto,
perchè dagli occhi si capisce quando la vita ricomincia...

Mesmo se um dia, meu amigo, eu esquecesse as palavras, esquecesse o lugar e a hora ou se era noite ou estava sol, nunca poderia esquecer o que diziam os teus olhos. E assim, voando, voando, também um pequeno coração ia atravessando o céu na direcção do Grande Coração. Um coração pequeno e mesquinho como uma aldeia inóspita voava a direito na direcção do seu destino… E não conseguiram detê-lo nem sequer as contas da vida, esses inventários feitos sempre sem amor. Assim falava eu apressadamente para não deixar nada para trás, para não deixar para trás o mal e os mecanismos da mente; e os teus olhos diziam-me que já tinha sido perdoado… Agora volta para quem sabes, para quem divide tudo contigo; abraça com força os teus filhos e não escondas o teu rosto, porque pelos olhos se percebe quando a vida recomeça.

Mediocricidade

O Presidente da República promulgou a lei que equipara a união entre pessoas do mesmo sexo ao casamento. Evocou como argumentos a crise e a ética profissional (não sei se por esta ordem porque, confesso, não ouvi a comunicação ao país que o PR fez).

Segundo o magistrado máximo do nosso país em tempos de crise não vale a pena arrastar esta questão, dado que o seu veto seria ultrapassado na Assembleia da República. Antes de mais, não é seguro que o PS conseguisse impor segunda vez disciplina de voto nesta matéria, logo não era seguro que a lei conseguisse a maioria absoluta necessária para ultrapassar o veto presidencial.

Mas, para além disso, é inacreditável tratar esta questão como um problema menor. A crise é grave mas há de passar, com ou sem esta lei. Mas esta lei visa alterar a estrutura da nossa sociedade de tal maneira que é mais um passo para o abismo. Cada vez mais o casamento é um capricho, que nada tem a ver com responsabilidades ou compromissos, mas com hormonas e afectos.

Falamos portanto de uma lei que é urgente travar. Os efeitos da crise poderão ser duros e durar anos ou décadas, mas esta lei afecta todo o futuro.

A questão da ética profissional é ainda mais assustadora. Segundo o professor Cavaco Silva é obrigação do Presidente promulgar leis com as quais discorda se esta tiverem tido maioria absoluta no parlamento. Se assim fosse para que serviria o presidente? Quando elegemos Cavaco Silva (sim, porque eu votei no actual presidente, coisa que não tornarei a fazer) votámos porque sabíamos quem ele era. Sabíamos todos que ele era católico, pai de família, conservador nos valores. Sabíamos e por isso votamos nele. O Presidente tem um dever para com que o elegeu conhecendo os seus valores e os seus princípios.

Ao promulgar esta lei Cavaco Silva mostrou a sua fraqueza. Em última distância, quando o desafiam ele cede. É incapaz de se opor aos bem pensantes deste mundo. O tecnocrata de Boliqueime não consegue deixar de o ser.

Isto é o mais triste do nosso Presidente: ele não promulgou a lei (como alguns dizem) por eleitoralismo. Quanto mais não seja porque esta promulgação é capaz de ditar a sua derrota. Fê-lo porque acredita mesmo que não se pode opor à assembleia. Fê-lo porque é incapaz de se impor, porque faz sempre o que esperam que ele faça. Fê-lo porque é e continuará a ser um homem medíocre.

Nação Fidelissima.

Os números da polícia durante a visita do Santo Padre dizem que estiveram entre 900 mil a 1 milhão de pessoas nas missas do Papa. Isto sem contar com as pessoas que não estiveram nas missas mas no caminho do Sua Santidade: no Porto a estrada estava cheia de pessoas desde a Serra do Pilar aos Aliados.

O sucesso da visita apostólica do Santo Padre não se mede pelos número, contudo é reconfortante saber que mais ou menos um décimo do nosso país foi ver o Papa (sem contar com aqueles que, impedidos pela distância, viram o Papa na televisão).

Os media, que se acham muito importantes, atribuem estes números a uma mudança do Papa. É mentira, porque Lisboa já estava cheia antes da suposta "mudança" acontecer. O que este milhão de pessoas prova é que, mesmo com todas as fragilidades e incoerências, os portugueses se sentem tocados pela visita do Vigário de Cristo. Qualquer que seja a opinião dos portugueses sobre S.S. Bento XVI o nosso povo ainda guarda o suficiente resquício de cristianismo para sair à rua e aclamar o Papa.

Apesar de tudo, apesar das campanhas nos media, a promessa da Senhora de Fátima permanece. O dogma da fé prevalece em Portugal.


SEMPER FIDELIS!

sábado, abril 10, 2010

Viva o Papa!




"Bem-aventurados sereis, quando vos insultarem e perseguirem e, mentindo, disserem todo o género de calúnias contra vós, por minha causa. Exultai e alegrai-vos, porque grande será a vossa recompensa no Céu; pois também assim perseguiram os profetas que vos precederam."

Mt, 5, 11-12.


SEMPER FIDELIS!

Entrevista ao Padre Gonçalo sobre a pedofilia.

Abaixo publica a entrevista que o Padre Gonçalo Portocarrero de Almada deu ao Expresso e que não foi publicada. É impressionante o nível de agressividade do jornalista.

Esta entrevista é essencial. É preciso ler e enviar e dar a ler a todos os nossos amigos.

1. Qual a sua opinião sobre o fenómeno da pedofilia na Igreja Católica?
Pe. Gonçalo Portocarrero de Almada: Como é evidente, não posso deixar de lamentar todos os crimes de abusos de menores. Não só lamento sinceramente todos os casos de pedofilia como espero que as entidades civis e eclesiais competentes tomem as medidas adequadas para a total erradicação deste fenómeno na sociedade e na Igreja.
Não ignoro, contudo, que a esmagadora maioria destes casos ocorre no seio das famílias, sobretudo das mais disfuncionais, e das instituições do Estado, como o triste caso Casa Pia demonstrou, e não nas instituições da Igreja que, embora também vulneráveis, são, por regra, exemplares no seu desinteressado e muitas vezes heróico serviço aos mais necessitados.
2. Como explica o facto deste fenómeno ter assolado a Igreja Católica?


Pe. GPA: Há um manifesto exagero na afirmação de que este fenómeno tem «assolado a Igreja». Temo que o sensacionalismo criado à volta destes casos e o modo como a Igreja Católica tem sido a eles associada por certa imprensa não seja de todo inocente.
3. Quer exemplificar?


Pe. GPA: Com certeza. Segundo Massimo Introvigne, que cita um estudo de 2004 do John Jay College of Criminal Justice, foram 958 os padres acusados de pedofilia nos Estados Unidos, num período de 42 anos, tendo resultado a condenação de 54, aproximadamente um por ano. Se se tiver em conta que nesse mesmo lapso de tempo foram condenados pelo crime de pedofilia 6.000 professores de ginástica e treinadores desportivos, é necessário concluir que o principal alvo desta campanha mediática não é a pedofilia, que é apenas um pretexto, mas a Igreja e, mais especificamente, o Papa e o sacerdócio católico.
Com efeito, é significativo que, citando Jerkins, a maior parte dos casos de abusos de menores protagonizados nos Estados Unidos por clérigos tenham sido perpetrados por pastores protestantes e não por padres católicos e, no entanto, contrariando a mais elementar justiça e objectividade, são apenas estes últimos, em termos mediáticos, os bodes expiatórios...
4. Entende então que se trata de uma perseguição contra a Igreja Católica?


Pe. GPA: Certamente. Qualquer pessoa de bem, mesmo não sendo católica, vê com preocupação esta crescente onda de intolerância laicista, porque sabe que, hostilizada a Igreja Católica ou neutralizada a sua acção social, quem fica a perder é a família, porque nem o Estado nem nenhuma outra instituição é capaz de assegurar o serviço que a Igreja Católica presta às famílias portuguesas, sobretudo às mais carenciadas.
5. A Igreja portuguesa está a investigar com a necessária diligência as suspeitas sobre padres pedófilos?


Pe. GPA: Muito embora a hierarquia eclesiástica não possa, nem deva, ignorar as suspeitas de padres pedófilos, não só não é sua principal missão investigar estes casos como também não conta com estruturas adequadas para uma tal missão.
Mais do que a lógica da suspeita e da delação, tão ao gosto dos novos fariseus, a Igreja há dois mil anos que se rege pela lógica da confiança e do perdão, seguindo o exemplo do seu Mestre que, embora provocando a indignação dos hipócritas, desculpou a adúltera, como também perdoou a tripla traição de Pedro. Mais do que poder ou tribunal, a Igreja é comunhão e família e, por isso, alegra-se e sofre com todas as glórias e misérias dos seus filhos.
A Igreja, que é santa na sua origem e nos seus fins, é pecadora nos seus membros militantes que, contudo, não enjeita, se neles reconhece um autêntico propósito de conversão.
6. Quer com isso dizer que a Igreja condescende com a pedofilia do seu clero?


Pe. GPA: De modo nenhum, pois a Igreja não condescende nunca com a prevaricação de quantos, investidos na especialíssima responsabilidade do ministério sacerdotal, desonram essa sua condição.
Possivelmente, a condenação mais severa de todo o Evangelho é a que Cristo dirige precisamente aos pedófilos e a quantos são motivo de escândalo para os mais novos. Esse ensinamento evangélico, como todos os outros, não é letra morta na doutrina, nem na praxe eclesial.
7. Pode dar alguns exemplos de documentos da Igreja sobre esta questão?


Pe. GPA: Sem a pretensão de ser exaustivo, permita-me que, a este propósito, recorde alguns dos mais recentes documentos da Santa Sé sobre este particular:
- a instrução Crimen sollicitacionis, de 1922 e que, em 1962, o Beato João XXIII reafirmou e na qual se esclarece a obrigação moral de denunciar estes casos;
- o Código de Direito Canónico, que reafirma a excomunhão automática, ou seja, a imediata expulsão da Igreja, do confessor que alicia o penitente, qualquer que seja a sua idade ou género, para um acto de natureza sexual;
- o Catecismo da Igreja Católica, que renova a condenação da pedofilia;
- e o documento De delictis gravioribus, de 2001, que regulamenta o Motu Proprio Sacramentum Sanctitatis tutela, do Papa João Paulo II que, para evitar qualquer local encobrimento destes delitos, atribui a necessária competência à Congregação para a Doutrina da Fé, então presidida pelo actual Papa.
8. Não obstante esta condenação formal da pedofilia, não é verdade que tem faltado vontade política de aplicar as correspondentes sanções?


Pe. GPA: À hierarquia da Igreja não tem faltado a firmeza necessária para punir os eclesiásticos que incorreram em actos desta natureza. Foi o que aconteceu a um cardeal arcebispo de uma capital centro-europeia, que foi recluído num convento e proibido de qualquer acto público. Foi também o caso do fundador de uma prestigiada instituição religiosa, que foi também suspenso do ministério pastoral, demitido das suas funções de governo na estrutura eclesial por ele fundada, que foi sujeita a inspecção canónica, e obrigado a residir em regime de quase-detenção numa casa religiosa.
9. E se se vier a verificar algum caso no clero português?


Pe. GPA: Como se sabe, graças a Deus não há memória de nenhum sacerdote português, diocesano ou religioso, que tenha sido alguma vez condenado por um crime desta natureza. Se porventura se desse também entre nós algum caso, não tenho dúvidas de que o nosso episcopado, de acordo com as normas a que está obrigado, saberia agir com justiça e caridade.
10. Concorda com as críticas veladas de vários sectores da sociedade que acusam a Igreja de pouco fazer para garantir a total transparência destes processos? A maioria dos casos suspeitos é, regra geral, arquivado pelo Ministério Público. Segundo algumas fontes policiais, «as vítimas retraem-se mais tarde, devido ao ascendente dos alegados agressores».


Pe. GPA: Dada a minha sensibilidade cristã e formação jurídica, causa-me algum desconforto o uso e abuso de expressões tão vagas e perigosas como «críticas veladas», «casos suspeitos», «alegados agressores», porque tendem a criar uma suspeição generalizada. Há um princípio geral de inocência que não pode ser contrariado: um político, um professor, um padre ou um desempregado que seja burlão não faz da sua mesma condição todos os políticos, professores, padres ou desempregados. Se um violador que é engenheiro, como o recentemente detido, não infama todos os engenheiros, nem suscita uma caça aos engenheiros violadores, porque razão um padre pedófilo, se o houver, provoca esta tão desmedida reacção nos meios de comunicação social?!
11. Pode-se dizer que a associação entre pedofilia e sacerdócio católico não é arbitrária, na medida em que é entre os padres que tendem a verificar-se delitos desta natureza?


Pe. GPA: Não, porque uma tal pressuposição carece de fundamento, como as estatísticas mais recentes provam. Por exemplo, na Alemanha, segundo Andrea Tornielli foram notificados, desde 1995, 210.000 casos de delitos contra menores, mas apenas 94 desses casos diziam respeito a eclesiásticos, ou seja, um para cada dois mil envolvia algum sacerdote ou religioso católico. O inquérito Ryan, sobre a situação na Irlanda, é também esclarecedor porque, num universo de 1090 crimes cometidos contra menores em instituições educativas, os religiosos católicos acusados de abusos sexuais foram 23.
12. Talvez alguém entenda que, muito embora haja também pedófilos que não são padres, o crime para que mais tendem os sacerdotes católicos é o abuso de menores.


Pe. GPA: Também não é verdade porque, de acordo com Mons. Scicluna, perito da Congregação para a Doutrina da Fé, que é o organismo da Santa Sé que superintende estes casos, entre os anos 2001 e 2010, houve notícia de 300 casos de pedofilia num total de 400.000 padres. Além disso, os abusos de menores são apenas 10% de todas as acções criminais praticadas por sacerdotes católicos.
13. Mas do ponto de vista da psiquiatria, tudo leva a crer que o celibato sacerdotal é, em boa parte, responsável pelos abusos de menores realizados pelo clero católico…


Pe. GPA: Pelo contrário. Manfred Lutz, um psiquiatra especialista na matéria, afirmou que o celibato sacerdotal não só não incita à prática destes crimes como até favorece uma atitude de respeito e de ajuda aos menores. Esta conclusão científica prova-se também pelo facto de, entre os clérigos condenados por este crime, haver mais pastores protestantes, casados, do que sacerdotes católicos, celibatários, e ainda porque a grande maioria dos pedófilos são casados o que, obviamente, não pode ser usado contra o casamento.
14. Consta na opinião pública que a maioria dos casos suspeitos de padres pedófilos, não é objecto de investigação, nem de posterior procedimento criminal…


Pe. GPA: Se assim é, de facto, não é certamente por culpa da Igreja, que nada tem a ver com as investigações policiais, nem muito menos com as diligências judiciais.
Embora se tenda a crer que a Igreja e o seu clero gozam de um tratamento de excelência na sociedade portuguesa, a verdade é que não deve haver instituição pública nem classe profissional mais maltratada nos media do que a Igreja Católica e os seus sacerdotes.
15. Porque o diz?


Pe. GPA: Permita-me que lhe dê um exemplo. Há uns meses atrás, um pacato pároco português foi detido com enorme aparato por quatro ou cinco polícias trajados a rigor, como se o pobre padre de aldeia fosse um perigoso terrorista, quando na realidade era apenas um mero caçador que tinha por licenciar algumas armas. À notícia, transmitida nos noticiários televisivos, foi dado um aparato que, de não ser dramático, teria sido ridículo, até porque aquele pacífico sexagenário não representava nenhum perigo público. Não foi com certeza por acaso que se forjou toda aquela fantástica encenação, como também não foi por acaso que se convidaram as televisões…
Mas factos ocorridos há dezenas de anos numa instituição pública, como a Casa Pia, e de que foram vítimas dezenas de adolescentes, ainda não conhecem uma decisão judicial… Será isto justiça?!
16. Mas não acha que o incumprimento de uma obrigação por um padre é um escândalo?


Pe. GPA: É verdade que é exigível aos prestadores de serviços públicos uma especial responsabilidade: é razoável que o incumprimento de uma obrigação fiscal por parte um governante seja notícia, mas já o não seja se o prevaricador for um anónimo cidadão. Mas o escândalo não pode ser utilizado como arma de arremesso ideológica, sob pena de que aconteça aos padres católicos de agora o que aconteceu aos judeus alemães, durante o regime nazi.
17. Surpreendem-no estes casos de padres pedófilos?


Pe. GPA: Nenhum pecado é surpresa para nenhum padre e todos os padres sabemos que somos capazes de todos os erros e de todos os horrores. Não é por acaso que, na Semana Santa, a Igreja recorda o tristíssimo caso de Judas Iscariotes, que muito significativamente os evangelistas não silenciaram, quando poderiam tê-lo feito, a bem do prestígio da sua condição sacerdotal e do bom nome da Igreja. Graças a Deus conheço muitos padres, quer seculares como eu, quer religiosos, e confesso-lhe que não conheço nenhum que não mereça a minha admiração.
18. Tem ouvido, mesmo que rumores, de casos de pedofilia por parte de alguns padres? Ou é uma completa surpresa para si a existência deste tipo de casos, que acabam por manchar o nome da instituição secular?


Pe. GPA: Tenho uma enorme devoção por todos os meus irmãos sacerdotes, na certeza de que até no menos bom há, pelo menos, a grandeza do dom e da missão a que foi chamado. Também não ignoro que nenhum de nós, por mais qualidades que possa ter, é indigno dessa graça, pelo que nunca me surpreenderá encontrar nos outros alguma da miséria que diariamente descubro em mim. Mas, mesmo que essa constatação possa de algum modo perturbar-me, confesso-lhe que mais do que a traição de Judas, me admira a santidade e o martírio dos outros onze apóstolos. Talvez por isso, não tenho tempo para ouvir esses rumores de que fala, ou tempo para olhar para essas manchas a que alude e que não ignoro, porque prefiro contemplar a eterna beleza da Igreja, que procuro amar com todo o meu coração.
19. Já denunciou algum caso às autoridades eclesiásticas?


Pe. GPA: Denunciar é um termo que não faz parte do meu dicionário e, como padre, a minha missão não é acusar o culpado, mas perdoar o arrependido.
20. Já teve alguma suspeita de abusos por parte de algum colega seu?


Pe. GPA: Como não é meu hábito falar das vidas alheias, permita-me que, em vez de falar dos meus colegas, lhe diga o que eu desejaria que me acontecesse se caísse numa dessas situações, até porque é isso mesmo que desejo aos meus irmãos sacerdotes.
Se tivesse um dia a desgraça de incorrer nalgum comportamento menos próprio da minha condição sacerdotal, agradeceria que os meus irmãos na fé, padres ou não, tivessem a coragem de me fazerem a correcção fraterna, tal como Nosso Senhor determinou. Se o meu desvario persistisse, não obstante essa caridosa advertência, aceitaria de muito bom grado que o meu bispo utilizasse todos os meios ao seu dispor, sem excluir os civis e penais, para a minha emenda, na certeza de que essa expiação, embora dolorosa, contribuiria decerto para o bem das almas e para a minha salvação.


Via Povo.

"Em verdade te digo, não cantará o galo sem que me tenhas negado três vezes"



O mundo voltou a acordar para os escândalos da pedofilia dentro da Igreja. Com a habitual (e na maior parte das vezes propositada) falta de clareza dos media tem-se falado muito em abusos de menores em instituições da Igreja. Nestas duas palavras, "abusos" e "Igreja", cabe tudo: desde o puxão de orelhas que um professor de um colégio católico deu a um aluno até a abusos sexuais por parte de padres. Esta falta de clareza tem como objectivo descredibilizar a Igreja e o Santo Padre.

Neste assunto há que ser claros e sérios. De facto muitos dos factos que vem a lume não passam de violência física praticada em instituições católicas há 30 ou 20 anos atrás. Violência muitas vezes habitual na altura mas que choca os puritanos de serviço actuais.

Contudo existem também muitos casos de abusos sexuais. Não só de funcionários de instituições da Igreja mas também de sacerdotes. E esses, mesmo que fossem apenas um, são graves. São graves em si mesmo. Mas são ainda mais graves e mais chocantes porque praticados por um pastor da Igreja de Cristo.

Mas nós não nos devemos deter diante do pecado. A Igreja é constituída por homens, por isso constituída por pecadores. A ferida contraída por Adão vive no nosso coração por isso acabamos por pecar. Mas não nos devemos escandalizar. O próprio Deus não se escandalizou com o nosso pecado. Antes enviou o Seu próprio filho à terra para que morresse por cada um de nós.

Logo ao princípio Cristo sabia que haveria de ser traído. Foi traído por Judas. E depois por Pedro e pelos apóstolos. Dos doze que o seguiam só João não fugiu. A traição desses onze na paixão não O impediu de subir à Cruz. A nossa traição quotidiana não o impediu de morrer por nós.

Por isso não nos escandalizemos. Rezemos antes para que os nossos pastores sejam santos e fiéis à Igreja de Cristo. Rezemos para que Cristo Ressuscitado erga do pecado os pastores que caíram em tentação. Rezemos para que aqueles que foram marcados pelos pecados dos sacerdotes aceitam a misericórdia do Deus feito Homem, morto e ressuscitado para salvação do mundo.

A justiça dos homens deverá actuar. Rezemos para que todos os homens aceitam a de Cristo.

The Blind Side





Domingo de Páscoa fui ao cinema ver o filme "Blind Side". A história do filme é um pouco básica: uma "soccer mum" adopta um miúdo preto enorme que joga futebol americano mas que não consegue aprender nada. A história em si prometia ser mais um dramalhão americano.

Acabei por gostar muito do filme. A maior qualidade para mim é a "secura" do filme. Quase não há momentos dramáticos. O realizador limita-se quase a contar uma história. A família acolhe o miúdo, dá-lhe roupa, a irmã ajuda-o a estudar, o irmão ajuda-o no futebol americano. A mãe e o pai vão tentando educa-los.

Não há ali nenhuma revolução social, nenhum projecto para salvar o mundo, nenhuma teoria sociológica. Apenas uma mulher confrontada com os problemas de um miúdo que acaba por adoptar.

A coisa parece simples, mas não é. O lema dos nossos dias é se alguém te pede um peixe ensina-o a pescar. O filme não funciona assim. Ele tem fome, ela dá-lhe comida; ele não tem cama, ela dá-lhe casa; ele não tem roupa, ela compra-lhe; ele não tem família, ela acaba por lhe dar a dela. Sem teorias ou complicações. Partindo sempre da necessidade daquele miúdo diante dela.

Este filme, que se estreou em Portugal por alturas da Páscoa dá testemunho da caridade cristã tão pouco em voga: amar o próximo como ele precisa de ser amado, não como nós achamos que ele deve ser.

sábado, janeiro 30, 2010

Breve regresso.

Devido a vários problemas informáticos tenho andado arredado destas lides. Aproveitando um momento em computador emprestado não posso deixar de comentar dois assuntos.

Primeiro, o casamento entre pessoas do mesmo sexo. Antes de mais, a coisa que mais choca é a recusa sem qualquer explicação da iniciativa popular de referendo. Mais de 90.000 assinaturas. Assinaturas suficientes para formar 12 partidos, 12 candidaturas à presidência da republica, cerca de 2,5% do eleitorado real do país. Tudo isto em menos de um mês.

Muito ao jeito da 1ª Republica haveremos de progredir com ou sem povo.

A segunda questão dentro do mesmo assunto é como existe uma separação cada vez maior entre a ideologia e a realidade. O casamento, enquanto instituto legal criado para proteger a família que dele emerge, é pela sua natureza entre homem e mulher. Querer que seja entre dois homens ou duas mulheres é contra-natural. É uma questão meramente ideológico que viola as próprias leis da natureza.

Com a lei aprovada a 8 de Janeiro o Estada passou a regular afectos e amores. Como se o casamento fosse uma mera questão pessoal, sem consequências sociais. Simplesmente absurdo.

Segunda assunto, a promoção descarada da 1ª Republica. Por tudo e por nada se tem falada da ética/moral republicana. Eu pergunto-me sempre de que ética falamos? A da perseguição à igreja? A da formiga branca a prender e matar pessoas pela rua? A ética do camião fantasma? Da ética de Afonso Costa que para garantir a sua vida politica sujou a mão com o sangue de 7.000 homens mortos na Flandres numa guerra que não lhes dizia respeito?

A ética republicana não existe. Este ano celebramos os 100 anos de um regime ditatorial, sanguinário e corrupto.

segunda-feira, novembro 09, 2009

Nos vinte anos da queda do Muro - II.




Faz hoje vinte anos que caiu o Muro de Berlim. Para a minha geração isto quer dizer muito pouco. Mas para a geração acima a queda do Muro é o símbolo da ruína do "Império do Mal".

Para a minha geração, que aprendemos a cartilha história do Marxismo, a União Soviética e o Comunismo são apenas mais um império e mais uma ideologia. Com algumas coisas más, mas também com coisas boas. Os livros de história do ministério preferem falar da resistência contra o nazismo de Estaline em vez das centenas de milhões de mortos que os vários regimes comunistas produziram.

A queda da U.R.S.S. têm vários protagonistas. Mas existem quatro que sobressaem, quanto mais não seja porque à luz dos critérios humanos nunca teriam sido protagonistas de nada.

Primeiro, um electricista dos estaleiros de Gdanks. Lech Walesa fundou o primeiro sindicato não estatal do bloco soviético. Resistindo as ameaças, as perseguições e a violência, seguido filialmente os conselho do grande papa João Paulo II, conseguiu derrubar com o Solidariedade a regime comunista.

Depois uma mulher. A primeira a ser primeiro-ministro de Inglaterra. Pró-América e anti-comunista, numa altura em que a Europa se encontrava dominada por uma dormência pacifista por uma elite cultural marxista. Margaret Tatcher acabou por ocupar o 10 de Downing Street por 12 anos, mais do qualquer outro inquilino.

Depois um velho republicano que chegou a presidente dos Estados Unidos quando, depois do escândalo de Nixom, todos davam o Partido Republicano como acabado. Acabando com tibieza da administração Carter, Ronald Reagan não teve medo de chamar à U.R.S.S. o "Império do Mal" e de combater por todos os meios o comunismo. Num mundo que o odiava (o Partido Comunista Português abandonou a sala quando Reagan falou no nosso parlamento) nunca recuou diante do perigo comunista.

E por fim, talvez aquele que mais fez pelo fim do comunismo soviético, o Servo de Deus João Paulo II. Um papa conservador, numa Igreja cada vez mais progressista e permeável ao marxismo. Um papa do leste, vindo de um país ocupado pelos russos. Com o seu carisma, a sua capacidade política, mas sobretudo com o testemunho da sua santidade foi essencial para o fim da U.R.S.S..

Esta quatro personagens, heróis improváveis da história moderna, apagados dos livros de história, são a prova de que, apesar de todos os planos do homem Cristo é Senhor da História. Pois se a nós nos parece que era evidente a queda do regime soviético, há 30 anos não o era.

Nos vinte anos da queda do Muro.



Discurso de Ronal Reagan na Porta de Bradenburgo, 12 de Junho de 1987.




When I met Pope John Paul II a year ago in Alaska, I thanked him for his life and his apostolate. And I dared to suggest to him the example of men like himself and in the prayers of simple people everywhere, simple people like the children of Fatima, there resides more power than in all the great armies and statesmen of the world.

Discurso de Ronal Reagan na Assembleia da Républica no dia 5 de Maio 1985. Discurso completo aqui.

quinta-feira, novembro 05, 2009

A Igreja Católica: Construtora da Civilização







Par os mais preguiçosos há um documentario feito pelo autor do livro que falei no post anterior chamado "The Catholic Church, Builder of Civilization". São ao todo 13 episódios. Encontrei no YouTube os três primeiro com legendas em brasileiro (embora existam mais episódios disponíveis ainda não tive tempo para pesquisar convenientemente).




Estou a acabar de ler o livro "O Que a Civilização Ocidental deve à Igreja Católica" editado pela Alêtheia (18€). Neste livro Thomas E. Woods Jr. aponta vários facto como prova de que a civilização ocidental é filha da Igreja Católica.

O livro não é muito extenso e o autor raramente se embrenha em teorias. Vai apontado factos, recorrendo ao máximo a citações da época ou de historiadores, para demonstrar a importância da Igreja na construção da civilização europeia.

Dividido em capítulos específicos (que vão desde os mosteiros à economia) Thomas E. Woods Jr. demonstra como foi a fé num só Deus, Criador de todas as coisas, que permitiu explorar a razão. Foram os monges católicos os primeiros a perceber que o universo estava organizado segundo regras imutáveis pois nada a ser Deus existia por si mesmo.

Isto permitiu compreender que o mundo podia ser explicado pela razão. Foi deste uso da razão que nasceram coisas a geologia, a astronomia, os primeiros passos da economia ou o direito internacional.

Destruindo o preconceito de que a Igreja é inimiga da Ciência o livro conta a história de dezenas de padres que foram também cientistas que permitiram o nascimento de diversos ramos da ciência como a geologia (Padre Nicolau Steno) ou dar os primeiros passos em ramos da medicina como a oftalmologia (Pedro Hispano mais tarde Papa João XXI).

Vale muito a pena ler este livro. Porque mesmo tendo a certeza que a fé nunca foi contra a ciência ou contra a razão é sempre bom saber os factos.

A Viela - letra de Guilherme Pereira da Rosa. Música, Fado Cravo, Alfredo Marceneiro



Fui de viela em viela
Numa delas dei com ela
E quedei-me enfeitiçado
Sob a luz dum candeeiro
Estava ali o Fado inteiro
Pois toda ela era fado

Arvorei um ar gingão
Um certo ar fadistão
Que qualquer homem assume
Pois confesso que aguardei,
Quando por ela passei,
O convite do costume

Em vez disso, no entanto,
No seu rosto só vi pranto
Só vi desgosto e descrença
Fui-me embora amargurado
Era fado, mas o fado
Não é sempre o que se pensa

Ainda recordo agora
A visão que ao ir-me embora
Guardei da mulher perdida
A pena que me desgarra
Só me lembra uma guitarra
A chorar penas da vida.



A beleza do fado é que não deixa de fora nada da humanidade. Tudo parece suscitar um espanto, uma pergunta, uma curiosidade. Desde de um namorico no Mercado da Ribeira até a uma prostituta numa rua.

quarta-feira, novembro 04, 2009

Crucifixos nas escolas.

O Estado é e deve ser laico. Ou seja, o Estado não deve impor nem promover nenhuma religião.

O Estado deve assegurar ensino gratuito para as crianças. Isto poder fazer-se através de uma rede de escolas publicas, subsidiando escolas privadas para que recebem crianças gratuitamente ou criando escolas públicas cujo a administração esteja confiada à comunidade escolar.

Os pais devem ter liberdade para escolher como querem educar os filhos. A liberdade de educação só pode existir se os pais poderem de algum modo ou escolher livremente (sem terem que pensar no dinheiro) a escola onde colocam os filhos ou então poderem participar activamente na administração da escola dos filhos.

Serve isto para dizer que, mesmo respeitando o Estado Laico, se os pais querem ou não se importam que os filhos tenham uma cruz na sala de aula então o Estado não tem nada que mandar retira-la. Não cabe ao Estado decidir se os meninos são educados na fé, mas sim aos pais.

Se, entre uma maioria de pais que quer ou é indiferente à cruz na sala, houver algum que se sinta incomodado então o Estado deve assegurar que esse pai pode enviar o filho para outra escola onde não existam crucifixos nas paredes.

Digo isto porque ontem o Tribunal dos Direitos do Homem deu razão a um pai que protestou contra uma cruz que estava na sala de aula do filho. O que TDH não percebe é que o Estado tem que ser laico, as pessoas não.

quarta-feira, outubro 28, 2009

Lendo os outros.

O Público, sobre o novo livro de Saramago, publicou um longo artigo de um judeu agnóstico mas especialista em religiões comparadas. Sobre o artigo vale a pena ler este post do Cachimbo de Magritte:

"Tive um grande professor na Universidade. Chama-se João César das Neves. Não é só um grande professor de economia. É um grande professor. Ponto. Mesmo antes de ser meu professor, já eu o importunava, anos a fio, quase semanalmente com perguntas, umas mais comezinhas, do género de lhe pedir para comentar pela seiscentésima vez os 2,4% de inflação ou de aumento do consumo privado, outras menos. Era jornalista, e a profissão obrigava. E ele respondia sempre, com paciência. Aprendi imenso com ele. Além da inteligência e do saber, a ironia e a generosidade são os seus grandes dons.

Um dia, para explicar a não tão comezinha questão da relação entre o ponto de vista e o objecto visado, disse assim: «Até é possível analisar o fenómeno do beijo, ou um poema, do ponto de vista económico. O problema é que, desse ponto de vista, nada de essencial se aprende sobre o assunto.»

Assim com o ponto de vista estético sobre a Bíblia. Vem isto ainda a propósito da «brutalidade» de Richar Zimler. Aqui em baixo. "

O Anjo da Guarda do Papa



Morreu Camillo Cibin, conhecido como o Anjo da Guarda do Papa. Durante sessenta anos trabalhou na segurança do Vaticano. Durante mais de vinte anos acompanhou o Papa João Paulo II em todas as suas viagens. Foi ele que saltou para a multidão e apanhou Ali Agca depois de ele disparar sobre o Papa. Foi ele que deteve o padre Krohn em Fátima, quanto este avançou com uma faca para atacar Sua Santidade.

Nunca tinha ouvido falar de Camillo Cibin até hoje. Comoveu-me ler a sua história. A história de alguém que dedicou toda a sua vida defender o Papa. Que Deus o acolha junto dos Santos Pastores que ele guardou e defendeu.

sexta-feira, outubro 23, 2009

"O Estado e a Igreja em Portugal no início do séc. XX - A Lei da Separação de 1911", Padre João Seabra.

Estou neste momento a ler o livro “O Estado e a Igreja em Portugal no início do séc. XX - A Lei da Separação de 1911”, versão simplificada da tese de doutoramento que o Padre João Seabra apresentou na Faculdade de Direito da Universidade Pontifícia Urbaniana. O livro é editado pela Princípia e pode ser encontrado em qualquer livraria (custa 21,90€).

Nas páginas deste livro é bastante fácil reconhecer o estilo do Padre João Seabra. Por um lado todo o rigor cientifico e académico que uma tese requere, sem nunca se afastar ou manipular os factos a seu favor. Mas ao mesmo tempo, aplica todo o seu espírito critico, a sua capacidade de ironia, de sarcasmo e a sua velocidade de pensamento para desfazer o mito da confessionalidade da monarquia liberal e da laicidade republicana. Impressionante ver como o Padre João vai completando um puzzle com os factos dispersos. Não é que o autor tenha de repente descoberto um facto novo, que nenhum outro historiador conhecesse. Simplesmente encaixou-os. A capacidade de tornar algo de complicado numa exposição simples é apanágio dos grande mestres.

O primeiro capitulo é sobre a situação da Igreja durante a monarquia liberal. Este período tem sido alvo de muita propaganda, desde dos alvores do movimento republicano, para fazer crer que a Igreja teria sido beneficiada pelo Estado e que tinha sido a república a acabar com esta situação.

Contudo, desde 1833 até à república, a Igreja foi perseguida e submetida ao poder do Estado. Os bispos foram sendo imposto ao Papa pelo Rei, apoiado pelas cortes (estas nomeações eram sobretudo políticas), os párocos passaram a ser nomeados por concurso público e os padres passaram a ser funcionários públicos, estando por isso sobre a alçada do Estado. A somar a isto tudo está a expulsão da ordens religiosas, com o respectivo roubo de todos os seus bens.

Ora, embora o catolicismo fosse religião de Estado, os liberais moveram durante 80 anos uma guerra à Igreja. Já no último governo monárquico, Teixeira de Sousa tentou expulsar mais uma vez os jesuítas. O regalismo cartista tinha reduzido a Igreja Portuguesa a uma repartição estatal: padres que eram caciques eleitorais, bispos nomeados por amizades políticos e todo um clero cada vez mais mal preparado e em desunião com o Santo Padre.

Os capítulos seguintes tratam de enquadrar historicamente a Lei da Separação no contexto do 5 de Outubro e de explicar como esta lei foi utilizada para perseguir e oprimir a Igreja.

O que Padre João demonstra na sua tese é que, embora a lei de 20 de Abril de 1911 seja formalmente (para ser mais exacto, nominalmente, pois mesmo na forma a lei é discriminatoria) uma lei de separação do Estado da Igreja, materialmente limitou-se a submeter em quase todos os aspectos a Igreja ao Estado.

Na perseguição à Igreja durante a República existe uma primeira fase, mais desorganizada e menos sistemática, caracterizada por uma acção de rua (logo a 5 de Outubro dois padres foram mortos e nesse mesmo mês o bispo de Beja teve que fugir do país para não o ser) e por medidas legislativas avulsas.

A 8 de Outubro de 1910, Afonso Costa expulsa de Portugal todos os jesuítas portugueses e estrangeiros, expulsa também os religiosos estrangeiros de outras ordens e dissolve as todas as ordens religiosas. Obviamente, confisca os poucos bens que as ordens tinham conseguido readquirir após a expulsão por Dom Pedro IV.

Até à Lei da Separação Afonso Costa vai tomando várias medidas, das mais gerais (como a o Código do Registo Civil que legisla a necessidade do registo civil para a celebração dos sacramentos) até às mais concretas (a destituição do Bispo de Beja, para qual inventará leis).

Mas a obra-prima é a Lei da Separação. Aí, de modo sistemático, Afonso Costa vai submeter todos os aspectos da vida da Igreja, desde a caridade ao culto, ao Estado.

Para não me alongar ainda mais falarei só dos dois pontos principais: as cultuais e as pensões eclesiásticas. Pontos esses que originarão de facto a separa da Igreja do Estado.

Não há um momento na república em que formalmente os bens da Igreja passem para o Estado. Para a Lei da Separação esses bens são do Estado, como se sempre tivessem sido. Todas as Igrejas, catedrais, colégios, seminários, hospitais, paços episcopais, residências paroquiais, alfaias litúrgicas. Nem os quintais dos pobres priores de aldeia escapam.

Contudo, o Estado cede para utilização os templos e as alfaias na igrejas onde se constituam cultuais. Ou seja, congregações, nas quais os ministros de culto não podem fazer parte dos órgãos, que administram o culto. Serão por isso as cultuais que ficarão responsáveis pelo culto, independentemente dos priores e dos bispos.

Por outro lado, depois de acabar com todas as formas de sustento do clero a lei dispõem que podem receber uma pensão do Estado os bispos e os párocos dos templos que onde se constituam cultuais. Para além disso os padres que celebrem o culto nas suas paróquias podem usar, a titulo gratuito, a residência paroquial, na medida das suas necessidades.

Ou seja, por um lado submete a si a administração das Igrejas. Por outro só permite aos padres que se submeterem a autoridade do Estado e não a do Papa e dos bispos, obter meios de sustento. Ainda para mais, uma pensão paga pelo Estado à cultual para depois a cultual pagar ao padre. Ou seja, o total vexame e submissão dos padres, tratados como funcionários de uma qualquer repartição estatal.

Os bispos recusam estas condições e instam os padres a recusa-las também. Ou seja, abdicam todos os bens, submetem-se a todos os vexames para defender a Libertas Ecclesiae. Recusam-se a trocar a comunhão com o Papa pela salvação dos bens. O resultado disto será que a Igreja perderá todo o seu património.

Contudo, e aqui chegamos ao ponto central da tese do Padre João, ao recusar qualquer controle do Estado sobre a Igreja, ao recusar qualquer dependência do Estado, os bispos e os padres na prática separam totalmente a Igreja do Estado.

Este livro é de facto muito importante. Primeiro para combater o mito que se instalou de que a Igreja teria sido benefeciada pela monarquia e que portanto mesmo os excessos da república que se reconhecem têm um pouco de justiça, como se fosse uma luta contra um opressor. Este é um mito no qual acreditam muitos católicos.

Depois é importante porque quem não recorda os erros do passado está condenado a repeti-los. É preciso perceber que muitos dos ataques que hoje vemos à Igreja, supostamente novo e frutos da liberdade actual, têm de facto 100, 170 e às vezes 260 anos.

Por fim, nos tempos que avizinham é sempre importante olhar para o testemunho daqueles que vieram antes de nós, que por amor a Cristo, ao Papa e a Libertas Ecclesiae, passaram por vexames, perseguições, prisões e viveram na pobreza.

É de facto uma graça que o Padre João tenha publicado a sua tese. Fazem falta padre que não tenham medo de afirmar a glória da história da Igreja em Portugal: uma história com falhas e pecados, mas sobretudo uma história de missão, santidade e coragem da qual nós, pela Graça de Deus e pela paternidade de sacerdotes como este autor, somos herdeiros.

P.S.: Já agora, fale a pena ouvir as declarações do Padre João na R.R., aqui.

O Filho Pródigo




Foi ontem anunciado que o Santo Padre vai publicar uma Constituição Apostólica que irá facilitar a entra na Igreja aos anglicano que o queiram.

Nas últimas décadas a Igreja Anglicana têm-se divido cada vez mais. Não tendo grandes diferença doutrinais com a Santa Madre Igreja, até à pouco tempo a grande diferença entre a Igreja de Inglaterra e a Igreja Católica era a comunhão com o Papa.

Contudo a admissão de mulheres ao sacerdócio e ao episcopado, assim como posteriormente a admissão de clérigos homossexuais começou a provocar cisões entres os que se mantinham fiéis a doutrina cristã e aqueles que se deixaram levar pelas novas tendências.

O resultado foi que cada vez mais padres e bispos anglicanos se converteram. Para facilitar a conversão, o Santo Padre na sua paternidade, decidiu publicar esta Constituição Apostólica que permitirá a muitos anglicanos regressar a casa.

SEMPER FIDELIS!

Arcebispo Português nomeado secretário do Colégio dos Cadeais.

O Santo Padre Bento XVI nomeou D. Manuel Monteiro de Castro secretário do Colégio dos Cardeais.

O Senhor Arcebispo, que tem exercido a sua missão pastoral ao serviço da diplomacia da Santa Sé, foi durante nove anos Núncio Apostólico em Madrid. Há um mês foi chamado por Sua Santidade a Roma para servir como secretário da Congregação dos Bispos que decidiu agora nomea-lo secretário do Colégio dos Cardeais.

Rezemos por D. Manuel Monteiro de Castro para que o Senhor o ajude nesta nova missão.

SEMPER FIDELIS!

Que Deus lhe conceda a Salvação.

Saramago bem tentou, mas não conseguiu. O nosso Nobel queria uma polémica sobre o seu livro e bem se esforçou, dizendo disparate atrás de disparate a ver se irritava alguém. Os media, sempre pronto a satisfazer os nosso intelectuais, bem que se esforçou, pressionando padres e bispos a comentar os dislates de José Saramago. A resposta foi sempre a mesma: num tom afectuoso, de caridade para com um velho ateu, os padres e bispos limitaram-se a explicar que Saramago não conhecia bem a Bíblia.

Contudo, não contente com resultado, o escritor explicou hoje que o seu livro causou muitos anti-corpos e reacções adversas na Igreja por parte de pessoas que não o leram. Confesso que a única pessoa que eu ouvi comentar com ar mais irritado, comparado o Nobel aos Gato Fedorento, foi o padre Carreira das Neves que estava a ler o livro. José Saramago começa a parecer-se com aquelas crianças pequenas que chateiam os mais velhos para desatar a chorar quando eles pedem para parar.

No fim desta falsa polémica, criada para vender livro, fiquei com pena. Pena de um homem velho, com a morte à espreita, que orgulhosamente prefere a sua razão à salvação. Que o Senhor o ilumine e lhe conceda a Graça do arrependimento antes de passar ao outro mundo.

quinta-feira, outubro 15, 2009

Roubados, perseguido e oprimidos. No fim paguem a conta.

Li hoje no Público que um qualquer instituto do Estado, alertado por um grupo de cidadãos cheios de consciência cívica, mandou parar as obras para substituir um grade lateral da Sé que estava em riscos de ruir.

Sendo a Sé propriedade do Estado, para além de Património da Cultura, não se pode lá fazer obras sem autorização estatal. Ou seja, não tendo ficado satisfeitos por roubar a Sé o Estado português prefere ainda deixa-la cair do que tomar ou deixar alguém conta dela. Isto aliás é um acontecimento recorrente em todas as Igrejas que são propriedade do Estado. Veja-se a fachada dos Jerónimos ou o tecto de Santo António de Campolide.

Perante isto, ainda existem grupos de cidadãos que zelam pelo direito do Estado ao património espoliado à Igreja. Fomos roubados, perseguidos, oprimidos e no fim ainda vamos ter que pagar a conta dos restauros. Mas Deus nos livre de impedir um tecto de cair sem autorização do estado!

segunda-feira, outubro 12, 2009

"Caminha o Homem quando sabe bem para onde ir"

"Porém, aquilo que mais me toca e tocará, que mais me afecta e afectará, é o empenho dos excelentes e a miséria dos medíocres"

Lembrei-me desta frase, posta na boca de César no livro "O Primeiro Homem de Roma: as Mulheres de César" por causa da eleições de ontem em Lisboa.

Antes de mais, antes de qualquer conclusão ou explicação, é preciso dizer que perdemos porque tivemos menos votos. Eu sei que este pensamento assim parece apenas uma observação básica e tonta. Mas é preciso não nos esquecermos que acima de qualquer teoria ou ideia ergue-se a realidade. Nas eleições autárquicas ganha quem tem mais um voto. Indiferentemente de quem é melhor Homem, de quem trabalhou mais, de quem é mais competente ou mais honesto, no fim ganha quem o povo escolhe.

Dito isto, existe um facto muito relevante que ditou a derrota de Pedro Santana Lopes ontem à noite. A deslocação maciça de votos do Bloco e do P.C. (a diferença entre os votos para a Assembleia Municipal e os votos para a Câmara deste dois partidos foi de 11.000) para a "açorda" de António Costa foi fatal para a coligação "Lisboa com Sentido". Se a estes votos somarmos todos os monárquicos patetas que se recusaram a votar numa coligação onde estivesse o PPM, os moralistas que fazem gala em não votar PSL em nome de valores morais elevados e alguma dispersão do voto católico pelo MEP (quase dois mil votos), a derrota de ontem parece fácil de explicar.

Contudo, não é verdade que a derrota de ontem seja só por causa destes factos. Tendo estado um mês empenhado na campanha, juntamente com alguns dos meus amigos, percebi que havia muita gente dentro do CDS e do PSD que variavam entre uma indiferença em relação ao resultado e uma clara má-fé para com PSL.

Contra toda uma máquina partidária, fundos infindos e uma comunicação social amigável Santana só dispunha de algumas pessoas do PSD e de um punhado de pessoas de Comunhão e Libertação. Muitas vezes nas campanhas de rua os universtiários do CL foram mais do que os jovens dos partidos.

Durante o último mês vi o empenho pessoal que poucas dezenas de pessoas puseram ao serviço de um projecto e de um homem em que acreditavam. Pessoas que se desdobravam em mil para fazer tudo: telefonemas, panfletagem, organização, arruadas. Com cinco ou seis pessoas assegurou-se uma exposição permanentemente aberta durante dez dias em Belém. Com a disponibilidade de alguns universitários, que entre aulas deram o seu tempo para esta campanha, assegurou-se um autocarro que vez campanha todo o dia durante 21 dias.

Mas perante este entusiasmo de quem luta pelo que acredita esbarramos no pequeno calculo politico-partidário, na mesquinhez de quem está mais interessado no partido do que na cidade, na sofreguidão de quem já se imagina a ser assessor de uma nova direcção do PSD, para a qual dava muito jeito uma derrota em Lisboa.

Perante isto, ou uma pessoa têm claro a razão por que faz as coisas ou desespera face à derrota e à pequenez. De que valeram estes dias de trabalho intenso se no fim fomos derrotados? Serviram para aquilo de que toda a nossa vida deve ser sinal: da presença de Cristo!

Nós, os de Comunhão e Libertação que participaram na campanha, demos testemunho de uma outra forma de fazer política fruto de uma outra forma de viver: certos daquilo que encontramos, desejosos de o anunciar, movidos por uma paixão pelo humano nascida do encontro com Cristo.

Por isso mesmo na tristeza da derrota, na dor da injustiça de ver eleito alguém que nada fez e nada fará por Lisboa, permanecemos certos de que tudo é e será para a nossa felicidade.

O Nobel da Ilusão

Antes de mais é preciso dizer que o Nobel vale o que vale. A opinião de cinco pessoas nomeadas pelo parlamento norueguês não é equivalente a uma eleição universal.

Contudo a vitória de Obama é sintomática do nosso tempo, onde a fantasia vale mais do que a realidade.

Todas as promessas emblemáticas que o presidente americano fez durante a campanha não foram cumpridas. Não fechou Guantanamo, a retirada do Iraque será decidida em 2012 e já enviou mais 20.000 homens para o Afeganistão, estando neste momento a pensar enviar mais 40.000.

Mesmo os dois exemplos de actos de paz referidos pela comissão do Nobel são apenas realpolitik. A aproximação à Rússia foi feita sacrificando a Geórgia em prol do apoio russo em relação ao Irão. Em relação à China, o Nobel da Paz ignorou os atropelos aos direitos do homem (na visita que o Dalai Lama fez agora aos E.U.A. Barack não o recebeu) de modo a garantir boas relações com aquela que é a maior potência económica do mundo.

Mas estes factos não são acusações contra o presidente dos E.U.A.. Não há muito que ele pudesse fazer em relação a estes assuntos, alguns herdados da anterior administração. O problema é que as circunstâncias, ao contrário do que a Obamamania pensa, não podem ser mudados por palavra bonitas e pensamentos positivos.

E este é um dos grande problemas de Obama. Conseguiu criar uma fantasia à sua volta, que lhe confere uma aura de salvador da humanidade. Mas realidade irá encarregar-se de desmentir esta fantasia. Como dizia o Honest Abe: "É possível enganar algumas pessoa todo o tempo, é possível enganar todas as pessoas por algum tempo, mas não é possível enganar todas as pessoas todo o tempos".

terça-feira, outubro 06, 2009

A Republica

Eu sou monárquico. Penso que a monarquia é o melhor regime para o país. É preciso não confundir o regime com a forma de governo. Acredito num regime monárquico e num governo democrático (preferencialmente à Inglesa, com círculos uninominais, onde os deputados não respondem ao partido mas aos seus eleitores.

Sou monárquico porque o Rei é um verdadeiro símbolo do país, que se encontra acima das pequenas questões partidárias. Alguém ensinado desde criança para ser Chefe de Estado. Veja-se a importância que o rei teve na Bélgica, quando esta teve mais de um ano sem governo. Ou em Espanha, na resistência ao terrorismo e na defesa da democracia. Ou, recuando mais no tempo, o papel do Rei de Inglaterra durante a Segunda Guerra Mundial.

Mas independentemente da questão do regime, ontem celebrou-se um dia negro para Portugal. O 5 de Outubro foi uma revolução da Carbonária e da Maçonaria, sem apoio popular. Foi o culminar do processo iniciado com a morte do Rei e do Príncipe dois anos antes.

Com o 5/10 instalou-se uma ditadura popular, onde os formigas branca e a polícia garantiam o poder do Partido Democrático. Jornais foram fechados, sindicatos perseguido, mas sobretudo, a Igreja foi continuamente e metodicamente alvo de uma tentativa de destruição.

Por isso é uma vergonha nacional que se festeje o 5 de Outubro. Porque nesse dia não foi a republica como regime que foi instaurada, mas sim um regime totalitária e anti-clerical, que permitiu o caos, a destruição e a morte durante 16 anos.

quinta-feira, setembro 24, 2009

Terra de Santa Maria.



Anuncio-vos uma grande alegria! Sua Santidade o Papa Bento XVI vêm a Fátima em Maio de 2010.

SEMPER FIDELIS!

domingo, setembro 20, 2009

"A pianista que comoveu Estaline"

Maria Yudina, a maior pianista russa do século passado, não podia gravar discos por causa da sua oposição ao regime comunista. Profundamente cristã dizia que primeiro procurava tocar para encontrar Deus mas que com o tempo procurava Deus para encontrar a música.

Uma vez, enquanto a telefonia transmitia ao vivo um concerto onde tocava o concerto nº 23 de Mozart para piano, Estaline ouvi-a e disse que queria o disco. Incapazes de dizerem ao ditador que não existiam discos de Maria Yudina, os seus subordinados arrancaram-na de sua casa e gravaram o disco durante a noite. Diz-se que Estaline começou a chorar mal ouviu as primeiras notas. Quando morreu, em 1953 estava a ouvir esse disco.

Para além do concerto deixo a carta que Maria Yudina escreveu a Estaline a agradecer o donativo que este lhe fez depois de ouvir o disco.

"Dear Josef Vissairyonovich,

I wish to thank you for your most generous gift and express to you how much it touched my heart. I will continue to pray for you and your soul every day and every night for the rest of my life. Please remember that
God's love for you is as infinite as His mercy, and if you but confess and repent He will forgive your many sins against our homeland and our countrymen.

Once again, I wish to thank you for your gift. I have donated it in its entirity to the church which I regularly attend.

Most sincerly,
Maria V. Yudina"








É comovente e ao mesmo tempo arrepiante perceber que mesmo no peito de um homem que parece um demónio está um coração como o nosso, capaz de se comover diante da beleza.

quarta-feira, setembro 16, 2009

Trans-espécie.

Em tempos um dos escribas deste blog teve a gloriosa ideia de fundar um partido, de seu nome "Esquerda Moderna". Este partido estaria, no espectro político, situado à esquerda do PNR. Defendia então o BGC que era necessário a despenalização da fuga ao fisco (pois são milhares os pais de família pobres que fogem ao fisco em vãos de escada, enquanto os ricos o fazem em segurança na Suíça) e um Chinês em cada casa para aumentar a produção nacional.

Contudo o tempo foi destruindo este entusiasmo de juventude do meu amigo e ele acabou por desistir do seu projecto político (que hoje, com a distância que só o tempo permite ter, me parece que poderia ter tido um papel fundamental na nossa política).

Contudo, hoje, li num blog que há um grupo que luta para que a transgenia (ou seja tentar mudar de sexo através da mudança de genitais) deixasse de ser considerada uma doença mental. Mas só isto não basta. Eu também penso que a genitália e as hormonas não definem uma pessoa, como aliás o seu próprio corpo. É preciso lutar para que a trans-espécie deixe de ser considerada uma doença mental.

Porque é que alguém que nasceu pássaro num corpo de homem há-de ser considerado louco? Como pode o Estado discriminar assim milhares de cidadãos que se sentem estranhos no seu próprio corpo?

E este caso é ainda mais grave do que o dos transsexuais. Pois estes quanto muito têm de ir ao psiquiatra, enquanto os trans-especiais são muitas vezes fechados em hospitais psiquiátricos.

Ainda no outro dia uma amiga me contava que na terra da sua família paterna há um homem que é um carro. Anda na estrada como os carros, buzina como os carros, sente-se carro. Contudo já foi muitas vezes enclausurado em autênticas prisões simplesmente por ser um carro no corpo de um homem.
O Estado deve não só não considerar este homem como um doente, mas conceder-lhe todas as possibilidades para que possa ser um carro não só de espírito, mas também de corpo. Deve ter direito a uma operação de mudança de espécie grátis no SNS, a mudar de documentos (do BI para um livrete) e a uma matrícula.

Amigos, preciso que apoiem a Esquerda Moderna nesta sua nova luta contra a discriminação da trans-espécie, que permanece como uma nódoa sobre a nossa sociedade!

Portugal e a Europa

Nos nosso dias é importante que a Europa esteja unida. Não só do ponto de vista económico, mas também do ponto de vista de politica externa.

Contudo, não me parece que esta unidade passe por um estado federal ou pela obrigatoriedade de uma politica externa comum. Seria ridículo não aproveitar as particularidades de cada um dos países da UE do ponto de vista das relações com outros países. Basta pensar na relação de Portugal com os PALOPS.

Ora esta unidade deve ser assegurada pelos órgãos próprios da União Europeia. A UE não existe para uma ideia abstracta de Europa, mas para fortalecer os Estados-membros. Para alcançar estes objectivos esses Estados cederam alguma da sua soberania, mas não toda.

Para zelar pelo bem particular de cada país existem os órgãos de soberania próprios de cada nação. Não cabe ao governo português zelar pela unidade da Europa contra os interesses de Portugal. Muito pelo contrário, cabe ao governo português tentar assegurar uma melhoria de vida ao nosso país dentro da UE.

Por isso, acusar Manuela Ferreira Leite de ser anti-europeísta ou anti-integração por dizer que não tenciona defender os interesses de Espanha é ridículo. A União Europeia não existe para que Portugal sacrifique os seus direitos e a sua soberania em favor de Espanha. Mas para que Portugal possa fazer face a um mundo onde cada vez mais potências isoladas detêm tanto poder como a Europa toda junta.

sexta-feira, setembro 11, 2009

"Então dai a César o que é de César e a Deus o que é de Deus."

Esta frase de Nosso Senhor é uma das frase preferidas dos pensadores modernos. Usam-na sempre que a Igreja diz qualquer coisa sobre política. Fazendo uma interpretação muito livre e muito própria usam esta frase para tentar justificar a opinião de que a Igreja se deve limitar à sacristia.

Ora é preciso distinguir duas coisas. Primeiro, a Igreja não é política e não deve fazer política. Sempre que a Igreja foi metida em políticas acabou sempre com a sua liberdade ameaçada e submetida ao Estado. Relembro só que pelo menos dois chanceleres de Inglaterra são santos mártires (São Tomás Moro e São Tomás Becket) exactamente por darem a César o que é de César e a Deus o que é de Deus (ou como diria São Tomás Moro "morro fiel súbdito do Rei, mas primeiro Deus").

Contudo, a Igreja está no mundo: "Eu não peço que os tires do mundo mas que os salve do maligno. Eles não pertencem ao mundo tal como eu não pertenço ao mundo. Consagra-os na verdade. A Tua palavra é a Verdade. Como Vós me enviastes ao mundo, também Eu os envio ao mundo". A Igreja está no mundo para testemunhar Cristo, a todo o mundo, em todo o mundo. Não há áreas da vida onde Jesus possa ser excluído ou onde a Igreja não o deva anunciar presente. E isto, em relação à política reveste dois aspectos:

1) A hierarquia da Igreja, que tem o dever de guiar o povo cristão não pode deixar de ajuizar e aconselhar o seu rebanho nas questões sociais. Dar testemunho da Verdade é também desmascarar a mentira e corrigir o erro. É também indicar o caminho melhor para uma sociedade justa.

2) O povo cristão tem o dever de se empenhar na sociedade. O amor a Cristo impele-nos a dar testemunho dele em todas as circunstâncias. Esse testemunho traduz-se num amor ao homem, à justiça e ao bem comum. Por isso um católico não se pode não empenhar na política, na condição em que chamado a vivê-la. Quer seja fazer campanha, ser candidato, ou simplesmente votando.

Não devemos cair na tentação de dizer "eu sou católico, mas isso não interessa para a política". Ser católico interessa para a vida inteira, porque ser católico é entregar toda a vida a Cristo, em cada uma da circunstâncias em que Ele nos coloca.

Família

Ontem foi discutido no parlamento o veto do presidente da republica à nova lei das uniões de facto. Toda a esquerda considerou que Cavaco Silva tem uma visão conservadora do casamento e da família. Para a esquerda qualquer coisa que more debaixo do mesmo tecto e tenha um pouco de afeição é uma família e deve como tal ser reconhecida pela lei.

Contudo a família não é um mero punhado de pessoas que gostam uns dos outros. A família, embora se deva amar, não está sujeita a sentimentos e a sensações, mas ergue-se acima disso. "É ela a sociedade natural em que o homem e a mulher são chamados ao dom de si no amor e no dom da vida. A autoridade, a estabilidade e a vida de relações no seio da família constituem os fundamentos da liberdade, da segurança, da fraternidade no seio da sociedade. A família é a comunidade em que, desde a infância, se podem aprender os valores morais, começar a honrar a Deus e a fazer bom uso da liberdade. A vida da família é iniciação à vida em sociedade." (cfr. Catecismo da Igreja Católica).

Ou seja, antes de mais, a família só pode nascer da comunhão de vida de duas pessoas. De uma mulher e de um homem que prometem partilhar toda a sua vida um com o outro até ao fim. A família não pode nascer de uma relação fortuita, de uma relação onde os intervenientes estão junto porque e enquanto lhes apetece.

Depois, a família não pode nascer de uma relação estéril, que não tem em si a potencialidade de gerar. E não vale a pena argumentar que há casais que não podem ter filhos ou que se casam já idosos. Embora não possam fisicamente ter filhos, podem adoptar, recriando assim o laço da paternidade.

Dois homens, mesmo que tomem conta de uma criança, não podem recriar a maternidade e a paternidade. Podem amar a criança, educar a criança, mas não podem ser pai e mãe. É impossível da união de pessoas do mesmo sexo gerar-se uma família, pois uma família precisa de uma pai e de uma mãe.

Por fim, a família partilha uma história, uma herança, a pertença a uma comunidade. Essa pertença só é superada pela pertença a Cristo. Ora, esta pertença não pode estar dependente de um sentimento. Os meus irmãos não deixam de o ser mesmo que eu já não os ame. Aquilo que partilhamos é mais forte e mais importante que qualquer sentimento. Por isso o Estado não pode mudar aquilo que é a família, porque não foi o Estado que a criou. Por isso, mesmo que toda a esquerda diga o contrário, mesmo que o presidente da republica defenda um novo "modelo de família" esta continuara a ser um homem e uma mulher, unidos em matrimónio, com os seus filhos.

domingo, setembro 06, 2009

Porque vou votar PSD.

Conforme se vai aproximando o dia 27 de Setembro vou me apercebendo da urgência de votar no PSD. Não acho que Manuela Ferreira Leite seja a panaceia para todos os males do país. Acho que é melhor do que a maioria dos barões do partido. É uma mulher séria, honesta, com um currículo fora da política e que encara a política como um serviço e não como sustento ou trampolim. Enfim, o contrário de José Sócrates.

Também é verdade que MFL tem cultivado esta imagem. Parte da sua campanha passa por se mostrar como o oposto de Sócrates. Enquanto o primeiro-ministro aposta tudo no espectáculo, nos media, na imagem, MFL dá uma imagem de quem lá está para trabalhar. Enquanto o primeiro ministro tem atrás de si uma aura de suspeição (caso da U. Independente, caso Freeport, caso das casas na Covilhã) a líder do PSD passa uma imagem de honestidade e seriedade. Mesmo nas questões dos "valores" Sócrates apresenta-se como um progressista, sedente de agradar as minorias, enquanto MFL mostra-se "conservadora". Não digo que MFL não seja estas coisas todas, mas não tenho dúvidas que as tem usado para marcar bem a diferença entre si e JS.

Mas é injusto reduzir o voto no PSD apenas ao voto útil. A verdade é que este programa do PSD (embora os programas costumem valer apenas o papel em que estão escritos) é bastante razoável. Curto, sem grandes promessas, aposta no apoio às PME, consagra a família como célula base da sociedade e tem um primeiro ensaio de liberdade de educação (escolha da escola, adaptação dos currículos pelas escolas).

Para além disso, embora se rodeie mal, Manuela Ferreira Leite é de facto a melhor de entre os candidatos. Portas, embora tenha um bom programa, é um homem demasiado tortuoso. Acha que vale tudo para chegar ao poder, na lógica de que é melhor um governo com o CDS do que um governo entregue ao PSD ou ao PS. Já MFL têm tido a coragem de defender ideias que não são populares e tem um passado político como pessoa séria e sem medo de defender aquilo que acha melhor.

Mas confesso que a grande urgência em votar no PSD vêm da urgência de derrubar este governo. Ao longo de quatro anos e meio José Sócrates tem promovido uma guerra sem quartel à família. Primeiro a lei da PMA que permite a utilização de embriões para experiências. Depois a lei do aborto a pedido, que já vitimou milhares de bebés em Portugal. A lei do divórcio, que alterou a natureza do próprio casamento, esvaziando os deveres que lhe são próprios até o transformar no reconhecimento jurídico de um sentimentalismo que têm a duração de uma sensação. As uniões de facto equiparadas ao casamento, que Cavaco Silva vetou, que era uma forma não só de esvaziar ainda mais o casamento, mas de criar a ideia de uma igualdade entre a união entre homem e mulher e a união de duas pessoas do mesmo sexo. Por fim, a promessa de tornar legal o casamento entre pessoas do mesmo sexo.

Na educação assistimos a tentativa de estatalizar mais a educação com uma avaliação dos professores baseada não em critérios de qualidade, mas nas notas dos alunos. Cortes nos apoios ao ensino privado. Um facilitismo cada vez maior nos exames a nível nacional. A nova lei de educação sexual, que é simplesmente vergonhosa, tirando aos pais a possibilidade de educarem os seus filhos nos valores que consideram melhores.

Mas, mais grave do que tudo isto, o ambiente de, para usar as palavras de Manuela Ferreira Leite, asfixia democrática em que vivemos. Estamos perante um governo fez pressão junto de directores de jornais para não criticas o governo. Que paga anúncios em forma de noticia no JN. Que acha normal a polícia ir aos sindicatos verificar quem participou em manifestações contra o governo. Que insulta e ameaça meios de comunicação social. Que têm a maior parte dos media a fazer-lhe publicidade. Um primeiro-ministro que impunemente aprovou grande obras que alteravam reservas ambientais quando estava num governo de gestão, que se licenciou a um Domingo. Um partido que, depois de colocar boys na Caixa Geral de Depósitos, conseguiu dominar o maior banco privado português. Enfim, o que torna mais urgente a derrota do PS dia 27 é a impunidade com que eles controlam o país, não para o bem deste, mas para seu proveito.

sexta-feira, setembro 04, 2009

Asfixia.

Ontem e hoje, a noticia que domina é a suspensão do jornal apresentado por Manuela Moura Guedes nas sextas-feiras à noite. Todos os opinadores que não do PS apontam o dedo a Sócrates. Os socialistas defendem-se e dizem que isto foi feito para os atacar.

Eu acho que assuntos deste tipo são demasiado importantes para se escrever um opinião que não seja fundamentada em provas. Acusar o primeiro-ministro de afastar uma jornalista incomoda é algo de muito grave.

Contudo, é sintomático do estado do país que, quando um canal de televisão cancela um programa que diz mal do governo, todos pensem imediatamente que o partido que governa está por detrás desse facto.

Esta normalidade com que nós enfrentamos um facto que pode ser gravíssimo, prova que em Portugal há um clima de medo e desconfiança em relação ao poder. Até pode ser que não tenha sido o PS, mas ninguém duvida que podia ter sido. Aliás, a defesa dos socialista não é "nós nunca faríamos isso" mas sim "seria um disparate ter feito isso agora".

As reacções a este acontecimento vêm mais uma vez demonstrar a tal "asfixia" de que a Dra. Manuela Ferreira Leite têm falado tanto.

Lírismos.

Hoje o DN tinha como destaque na capa um título que dizia qualquer coisa como "Padres italianos contra o Papa". A noticia falava de 41 párocos de Itália que tinham assinado um artigo a defender a eutanásia.

Eu percebo que o jornalismo deva ter uma certa liberdade lírica, para dar algum interesse às noticias. Mas num país onde existem 383 bispos, 25.000 paróquias e um número infindo de padres, pegar num disparate de 41 padres e falar dele como se fosse um crítica geral do clero ao Santo Padre parece-me um pouco para lá do aceitável.

quinta-feira, setembro 03, 2009

Katyn



Vi nas férias de Comunhão e Libertação o filme Katyn, sobre o massacre de 15 mil oficiais polacos em 1940 na floresta com o mesmo nome. Lembrei-me dele porque ontem o Público trazia uma reportagem sobre o assunto, fruto do pedido de desculpa de Putin pelas mortes destes polacos.

O filme é, antes de mais, um filme histórico. Ou seja, as histórias que conta não são factos romanceados ou condensados para caber no filme, mas são consequência dos acontecimentos históricos narrados.

E é importante recordar a história. Não por um ajuste de contas, que este filme não faz, mas porque quem não recorda os erros do passado está condenado a repeti-los. Como dizia num post anterior, a historia oficial tenta reduzir as atrocidades da Segunda Guerra Mundial a uma loucura momentania de alguns alemães. Mas a verdade é que os horrores não foram só do lado NAZI. São fruto da crueldade humana, que não se deixa tocar pela Graça de Deus.

Por outro lado este filme é muito interessante porque é muito humano. Durante o mesmo vamos vendo várias histórias de pessoas que têm algum parente que foi morto em Katyn. E todos eles reagem de maneira diferente a esse facto, mas muito humana.

Neste filme não há um héroi, não há uma personagem perfeita. Mas simplesmente a liberdade do homem que se joga diante da crueldade das circunstâncias.

Não sendo um filme fácil de encontrar, vale a pena tentar arranjar uma cópia e vê-lo. Porque nos coloca a nós diante de algumas das circunstâncias que ditaram a história do nosso tempo. Ao mesmo tempo, testemunha-nos a vida de alguns que souberem viver esses momentos tormentosos sem se deixarem esmagar por eles.

terça-feira, setembro 01, 2009

II GG

Faz hoje 70 anos que começou a a Segunda Guerra Mundial. A invasão da Polónia foi o culminar de 20 anos de vinganças mesquinha, cobardia e hipocrisia de vários países. Como dizia o Marechal Foch após o tratado de Versalhes: "Isto não é a paz, é um armisticio por vinte anos".

Desde a imposição da Républica aos alemães até ao tratado de Munique, que abandonou a Checoslováquia à sua sorte, a França e a Inglaterra fizeram todos os erros imaginaveis, que tornaram possível a ascensão de Hitler e a recuperação do poderio alemão.


E assim, a 1 de Setembro de 1939 as tropas do III Reich invadiram a Polónia. Dezasseis dias mais tarde os Soviéticos, ao abrigo do pacto Molotov-Ribbentrop, entraram pela fronteira a leste.

Depois o resto é conhecido: a ocupação da Dinamarca e da Noruega, a guerra relâmpago que só parou em Paris. A tentativa Italiana de invadir os Balcãs, que obrigou Hitler a abrir mais uma frente. A guerra no norte de África. O fim do pacto de não agressão entre soviéticos e alemães, que levou as tropas de Hitler até à Russia.

Tudo isto acompanhado por histórias de terror como o mundo ainda não tinha conhecido. A perseguição aos judeus, as experiência cientificas em deficientes, a destruição de cidades inteiras através de bombardeamentos.

E aqui vale a pena parar um pouco. A história moderna tentar sempre que esta violência pareça uma loucura momentania, de meia dúzia de pessoas que enganaram o povo alemão. Daí que, quando se fala da II GG, regra geral se fale sempre do exército alemão dizendo os nazis. Mas a verdade é que não foram os nazis que fizeram a guerra, foram os alemães. E tambem não é verdade que as atrocidades tenham sido exclusivas destes.

Os soviéticos por todos os sítios que passaram deixaram tambem um rasto de crueldade. Na Polónia prenderam e mataram 22 mil oficiais do exército e professores universitários. Na Ucrania os judeus foram perseguidos e mortos. Após o fim da Guerra, aprisionaram milhares de alemães e italianos que nunca mais foram vistos.

Mas mesmo os aliados não estão isentos de culpa. Foram muitas as cidades, como Dresden ou Colónia, vítimas dos bombordeamentos tapete. Ou seja, a destruição total de uma cidade, de uma ponta à outra. Estamos a falar de alvos cívis, cuja a única relevância para a guerra é o desencorajar o adversário através da crueldade.

Por isso não vale a pena pensarmos que a crueldade daqueles anos foi fruto de uma loucura momentania de um povo. Não vale a pena convencermo-nos que nunca mais será possível tal bárbarie. Porque depois disso já os comunistas mataram milhões de pessoas. Depois disso já assistimos a novos regimes totalitários tão sanguinários como o Nazi, embora numa escala mais pequena.

A malvadez que se revelou na II GG foi fruto de uma sociedade sem Deus, onde o homem se esqueceu de que existe o bem e o mal. De um tempo onde os homens deixaram de ser irmão em Jesus Cristo e passaram a ser descendentes comuns dos macacos. Animais como os outros, selvagens como os outros.



Io suonavo il violino ad Auschwitz mentre morivano gli altri ebrei,
io suonavo il violino ad Auschwitz mentre uccidevano i fratelli miei,
mentre uccidevano i fratelli miei, mentre uccidevano i fratelli miei...
ci dicevano di suonare, suonare forte e non fermarci mai,
per coprire l’urlo della morte, suonare forte e non fermarci mai,
suonare forte e non fermarci mai, suonare forte e non fermarci mai...
Non è possibile essere come loro,
non è possibile essere come loro...

Nel mondo nuovo che ora abbiamo creato
c’è la miseria, c’è l’odio ed il peccato,
c’è l’odio ed il peccato, c’è l’odio ed il peccato...
Ora siamo tornati ad Auschwitz dove c’è stato fatto tanto male,
ma non è morto il male nel mondo e noi tutti lo possiamo fare
e noi tutti lo possiamo fare e noi tutti lo possiamo fare...

Non è difficile essere come loro
non è difficile essere come loro...

Ora suono il violino al mondo mentre muoiono i nuovi ebrei,
ora suono il violino al mondo mentre uccidono i fratelli miei,
mentre uccidono i fratelli miei, mentre uccidono i fratelli miei...