Lc 1, 45-46.
quinta-feira, dezembro 23, 2010
Lc 1, 45-46
Lc 1, 45-46.
Brutus is an honourable man
Em 2007 a média de abortos por dia foi 36. Em 2008 a média foi de 50. Em 2009 foi de 53. De Janeiro a Agosto de 2010 a média foi ligeiramente superior. Ou seja, os abortos legais em Portugal, pagos por nós e sem qualquer custo para quem os decide fazer, continuam a aumentar. But Brutus is an honourable man!
quarta-feira, dezembro 15, 2010
O Eu diante da Crise.

A actual crise tem dado azo a vários ataques ao sistema capitalista. Muitos defendem que se houvesse mais regulação nunca teríamos chegado a este estado. De facto a banca criou um mundo de riqueza imaginária que vivia completamente da confiança. Quando a crise começou muita desta riqueza simplesmente evaporou-se, deixando apenas um rasto miséria.
Os defensores da falência do capitalismo tendem a defender o socialismo, ou seja, uma economia mais controlada pelo Estado, que se encarregaria de distribuir melhor a riqueza criando assim igualdade social.
Esta ideia tem, do meu ponto de vista, dois grandes problemas. O primeiro é que o Estado só tem uma fonte de receita: os contribuintes. Ora, para o Estado criar igualdade social precisa de dinheiro. Dinheiro esse que vai buscar à nossa algibeira. Mas se o Estado vai taxando cada vez mais os contribuintes chega a um ponto onde já não há nada para taxar. Se o Estado cobrar impostos demasiados altos as empresas deixam de ter lucro, vão à falência, as pessoas deixam de ter emprego, deixam de ter rendimento e por isso deixam de consumir. De uma penada acabou-se o IRC, o IRS o IVA e a Segurança Social. Este facto faz com que o sistema tenha um prazo de validade no fim do qual ou se transforma (como a China) ou vai à falência (como aconteceu no Bloco Soviético).
O segundo problema é que a vida é naturalmente desigual: existem pessoas com mais capacidades do que outras. Se o Estado tentar que todos sejam iguais, como não pode tornar mais capazes os incapazes, resta-lhe uma solução: nacionalizar a riqueza e distribui-la igualmente por todos.
O problema deste sistema, de resto já tentado sem sucesso na URSS e na China, é que nesse caso uma pessoa não tem razão para trabalhar. Se é indiferente trabalhar ou não, porque esse facto é indiferente para o que eu ganho, então é melhor não fazer nada. O resultado é que fica pouca coisa para distribuir. Cria-se a igualdade, todos são pobres.
Parece-me que o problema do socialismo é que, embora ideologicamente possa funcionar, na realidade não. Não funciona porque as pessoas não são uma massa amorfa mas seres conscientes que desejam, antes de mais, ser livres.
Já o problema do capitalismo é outro. Não um problema do sistema, mas de cada pessoa: a liberdade humana mal usada.
A crise instalou-se porque as pessoas começaram a gastar o que não tinham. E os bancos continuaram a financiar essa loucura, criando riqueza da ausência dela mesma. O drama do capitalismo não está no sistema, mas no facto de os seus actores (ou seja todos nós) sermos livres para usar mal o dinheiro.
A culpa não é de um sistema abstracto, mas de pessoas concretas: dos banqueiros e empresários que na procura desenfreada de lucros perderam fortunas; de todos nós que gastamos o que não tínhamos e agora ficámos sem nada.
Claro que o capitalismo não é perfeito. O capitalismo puro e duro, onde o Estado não intervém, conduz à exploração do homem pelo homem. O Estado tem por isso que garantir que os mais pobres não sejam explorados pelos mais ricos. Ou seja, garantir o primado do Direito.
Para além disso, um Estado civilizado tem que garantir que cada pessoa tenha acesso ao mínimo do que precisa para um existência digna: casa, educação, saúde. Por isso é que são precisos os impostos. Estes são, para aqueles que pagam mais ao Estado do que os serviços que recebem deste, o preço que pagam por viver em sociedade. De resto deve dar liberdade para que cada use as suas capacidades como achar melhor.
Claro que este sistema cria desigualdades. Mas, parafraseando Winston S. Churchill:
"The inherent vice of capitalism is the unequal sharing of blessings; the inherent virtue of socialism is the equal sharing of miseries".
Temos por isso duas opções: queixarmo-nos e barafustar contra o sistema, responsabilizando-o pelo crise e pedir ao Estado que resolva a crise ou tomarmos a sério o desafio que ela nos coloca: chamar-nos à responsabilidade no modo como usamos os nossos dons.
Berlusconi ou a Hipocrisia da Esquerda.
Este acontecimento levou a uma onda de violência por partes de manifestantes que participavam numa concentração de estudantes onde se encontravam cem mil pessoas. Os manifestantes atacaram carros de polícia, destruíram montras e atearam fogos no centro de Roma que cobriram parte da cidade com fumo.
Como conclusão a esquerda moderna portuguesa conclui que Berlusconi deve cair. Mesmo com o apoio da maioria dos deputados a esquerda considera que o Governo não tem legitimidade por causa de uma turba de desordeiros bárbaros. Falamos das mesmas pessoas que desprezaram as 90 mil assinaturas recolhidas pedindo um referendo ao casamento entre pessoas do mesmo sexo.
De facto por muito que tente disfarçar a esquerda é geneticamente anti-democrática. Só respeitam a maioria popular quando esta concorda com eles. Se não são incultos, retrógrados (como no caso dos americanos e de Bush) ou então mafiosos ou corruptos (como no caso dos italianos e Berlusconi).
O Cavagliere traz ao de cima toda a hipocrisia da esquerda: por um lado são a favor da legalização da prostituição, por outro atacam o primeiro-ministro italiano por fazer festas com prostitutas; são a favor do divórcio e da liberdade de cada um fazer o que quer com a sua vida, por outro atacam o Berlusconi pela sua infidelidade conjugal e pelos seus casos amorosos; por um lado defendem o direito de miúdas de treze anos fazerem abortos sem avisar os pais, por outro atacam Berlusconi por convidar prostitutas de 17 anos para as suas festas.
A esquerda, moderna ou antiquada, sempre foi moralista. Durante dois mil anos a Igreja ensinou a amar o pecador e a desprezar o pecado. Os ataques a Berlusconi provam que a esquerda prefere amar o pecado e desprezar o pecador.
quarta-feira, dezembro 08, 2010
Catorze anos.
Contudo ao fim destes anos todos e de todas estas experiências cada vez mais me comovo com a beleza da Liturgia da Igreja, que tem o seu centro na Eucaristia. Percebo que esta comoção se deve muito ao facto de ser acólito. Perceber que eu, através da minha frágil humanidade, contribuo para que um pedaço de pão e um golo de vinho (num cálice tantas vezes preparado por mim) se transformem no Corpo e Sangue de Cristo é vislumbrar a Misericórdia de Cristo para comigo. Porque se o padre no Altar é Cristo, o acólito é como aquela criança que trazia os pães e os peixes que Jesus Multiplicou. Cristo não precisava deles para nada, mas decidiu associar aquele miúdo à Sua Glória.
Estou grato ao Senhor por este privilégio de o servir tão próximo. Peço que o meu ministério seja para minha santificação e que sirva de testemunha da Sua Glória para todos.
segunda-feira, dezembro 06, 2010
Morreu Dom Júlio Tavares Rebimbas, Arcebispo-bispo Emério do Porto
Em todos estes relevantes cargos eclesiais, o Senhor D. Júlio foi um dedicado Pastor do Povo de Deus, concretizando o espírito e as determinações do Concílio Vaticano II, quer nas iniciativas que tomou quer no seu modo cordial e próximo de estar e proceder com todos. Foi constante amigo do seu clero e deixou em todas as Dioceses que serviu um rasto de gratidão e simpatia, inteiramente merecidas.
Residia na Casa Diocesana de Vilar, estrutura de grande importância para a actividade pastoral, que edificou e bem denota o seu empenho e clarividência.
A Diocese do Porto está profundamente grata ao Senhor D. Júlio Tavares Rebimbas, guarda no coração o seu testemunho e pede a Deus a maior recompensa dos seus muitos e generosos trabalhos.
Porto, 6 de Dezembro de 2010
+ Manuel Clemente, Bispo do Porto
domingo, dezembro 05, 2010
Higiene Mórbida
Depois do programa da troca de seringas, vão começar a ser distribuídos "kits snif", que incluem palhinhas e preservativos. Acho um gesto tão absurdo que o nosso dinheiro em vez de ser gasto a ajudar toxicodependentes a deixar o mundo da droga, seja desperdiçado a garantir que toda a gente pode snifar em condições de perfeita higiene.
Medidas deste género (seringas grátis, preservativos por todo o lado, salas de chuto) rebaixam o Homem. Diante do drama da droga, do sexo, do instinto o que a sociedade tem a dizer: faz o que quiseres, degrada-te o que quiseres, rebenta contigo, mas fá-lo em condições higiénicas.
Depois espantam-se por haver mais toxicodependentes, mais adolescentes grávidas, mais doenças venéreas.
Dirty Old Town - Dubliners
I met my love by the gas works wall
Dreamed a dream by the old canal
I Kissed my girl by the factory wall
Dirty old town
Dirty old town
Clouds are drifting across the moon
Cats are prowling on their beat
Spring's a girl from the streets at night
Dirty old town
Dirty old town
I Heard a siren from the docks
Saw a train set the night on fire
I Smelled the spring on the smoky wind
Dirty old town
Dirty old town
I'm gonna make me a big sharp axe
Shining steel tempered in the fire
I'll chop you down like an old dead tree
Dirty old town
Dirty old town
I met my love by the gas works wall
Dreamed a dream by the old canal
I kissed my girl by the factory wall
Dirty old town
Dirty old town
Dirty old town
Dirty old town
Link para a entrevista do Padre João Seabra à TVI24.
Para ver a entrevista clique aqui.
O tempo é breve.
A maior parte dos católicos, nos quais eu me incluo, sofre duas grandes tentações neste tempo do Advento. A primeira, bastante comum, é irritar-se com a Popota, a Leopoldina, o Pai-Natal da Coca-Cola, as luzes roxas do Chiado e o carrossel no Rossio. Ou seja, passamos o Advento irritados porque o Natal perdeu o significado.
A segunda tentação, muitas vezes fruto desta, é a de passarmos o advento a celebrar o Natal. Organizamos quinhentos jantares de Natal, vamos a todos os concertos de Natal e cada vez que ouvimos o Jingle Bells cantarolamos o Adeste Fidelis.
Mas a verdade é que o tempo é breve. O tempo que eu perco a tentar mostrar aos outros como se vive o Natal é tempo em que eu não me preparo para receber Jesus. E pode acontecer que o Advento acabe e eu tenho ensinado a quinhentas pessoas que o Natal é o nascimento de Cristo sem que eu esteja preparado para o receber. E assim todos os meus discursos e iniciativas para salvar o Natal se transformam num discurso ético e maçador.
Espero aproveitar os próximos vinte dias a aproveitar este tempo que a Igreja me concede a preparar a vinda de Jesus. Para que quando ele nasça eu não fique a discutir profecias no palácio de Herodes mas siga a estrela como os magos e possa dizer com eles: "vim adorá-Lo".
P.S.: Dois acontecimentos que são de grande ajuda para o Advento (para além daqueles que a Igreja recomenda, oração, penitência e caridade) são os estandartes de Natal e o Presépio na Cidade. Ajuda-me a não esquecer aquele que espero.
Dos Homens e dos Deuses.

Terça-feira à noite fui finalmente ver "Dos Homens e dos deuses". O filme conta a história de 9 noves monges trapistas de um mosteiro na Argélia. O filme roda à volta da decisão deles diante da violência que grassa no país: partir ou ficar.
A mim impressionou-me duas coisas no filme. Antes de mais a humanidade das personagens. A decisão de partir ou de ficar não é automática, mas sim uma escolha baseada na experiência que fazem da vida em comunidade (comunidade em dois sentidos, não só a vida comunitária de um mosteiro, mas também a vida na aldeia que nasceu junto ao mosteiro).
De todas as personagens a que mais me impressionou foi o frade Christian, responsável pelo mosteiro. Impressionou-me por um lado a sua liberdade diante das circunstâncias. Mas por outro, a paternidade dele ao acompanhar os seus irmãos menos firmes
A segunda coisa que me impressionou foi ver a vida que nasce à volta do mosteiro. De facto a virgindade consagrada impede aqueles homens de serem biologicamente pais, mas torna-os pais de todos aqueles com que se cruzam.
O filme ainda está em exibição nas Amoreiras. É parado, é comprido e é francês. Mas sobretudo é crime não o ver.
P.S.: O povo publicou dois juízos bastante melhores do que este sobre o filme. Vão lá ver.
Here I'am - Bryan Adams
Here I am - this is me
There's no where else on earth I'd rather be
Here I am - it's just me and you
And tonight we make our dreams come true
It's a new world - it's a new start
It's alive with the beating of young hearts
It's a new day - it's a new plan
I've been waiting for you
Here I am
Here we are - we've just begun
And after all this time - our time has come
Ya here we are - still goin' strong
Right here in the place where we belong
Here I am - this is me
There's no where else on earth I'd rather be
Here I am - it's just me and you
And tonight we make our dreams come true
Here I am - next to you
And suddenly the world is all brand new
Here I am - where I'm gonna stay
Now there's nothin standin in our way
Here I am - this is me
"A única alegria na vida é começar. Viver é belo porque viver é começar sempre. A cada instante." Cesar Pavese
quinta-feira, dezembro 02, 2010
Ética institucional.
Esta declaração da Dra. Ana Jorge demonstra uma de duas coisas: ou uma grande falta de conhecimento ou demagogia barata. A posição da Igreja sobre o preservativo é sobejamente conhecida. Se é admissível que alguns mentes mais frágeis se tenham confundido pelo escareceu feito pela comunicação social sobre o livro do Papa, já não o é que a ministra da Saúde também se confunda. Mas caso de facto esteja confusa tem uma boa solução: perguntar! Pode pedir ao Senhor Patriarca que lhe explique, ou ao presidente da Conferência Episcopal Portuguesa ou muito simplesmente ao prior da sua paróquia.
Fazer esta declaração parece ser apenas demagogia barata. Demagogia essa sempre condenável num assunto sério como este, ainda mais quando feita pela responsável máxima pela saúde no nosso país.
E isto leva-me a uma segunda questão. Estas declarações são muitos graves. Porque de facto não se trata de uma simples cidadã a demonstrar a sua pouca inteligência ou a sua demagogia, mas de um membro de um governo que se arroga no direito de pedir satisfação à Igreja.
Não se trata da opinião de uma cidadã anónima, mas de declarações da representante de um órgão de soberania. Se tens opiniões pessoais sobre a Igreja, que as dê pessoalmente a quem de direito. Quanto fala à imprensa representa o Governo e o Governo não tem que pedir satisfações à Igreja sobre a sua doutrina.
sexta-feira, novembro 26, 2010
Viva Cristo Rei!

O primeiro genocídio da história moderna foi o que ocorreu durante a rebelião da Vendeia entre 1793 e 1796. A revolta da Vendeia nasceu da perseguição ao clero que recusou jurar a Constituição Civil do Clero. A revolta demorou três anos a ser abafada. Quando o exército contra-revolucionário foi finalmente derrotado pelas tropas da república a Vendeia foi totalmente arrasada. O número de mortos é difícil de calcular e varia entre os 117 mil e os 450 mil numa população de 800 mil habitantes.
O segundo genocídio da modernidade ocorreu já no século XX e foi levado a cabo pelos Turcos contra os cristãos arménios entre 1915 e 1918. Mais uma vez é difícil de calcular o número de mortos, dado que a Turquia nega que tenha existido um genocídio. Os números variam entre 600 000 e 1 500 000.
É um facto que nenhum destes genocídios se pode compara ao Holocausto. A solução final alemã foi um plano elaborado a sangue frio para eliminar todos os judeus. Contudo, sem menorizar a perseguição aos judeus, destes dois genocídios ninguém fala. Sobre estes dois genocídios ninguém faz filmes, nem museus. Por estes genocídios ninguém obriga a Turquia e a França a pedir constantemente desculpa.
Mas o saldo de cristãos mortos e perseguidos nos tempos modernos não se fica aqui. Foram milhares os católicos que morreram no México entre 1917 e 1926 por se recusarem a abandonar a fé. Também em Espanha, na década de 30, foram milhares os mártires da fé. Destes já 498 foram elevados aos altares.
A somar a estes temos todos os cristãos que se opuseram e foram mortos pelos regimes totalitários do século XX. Antes de mais na União Soviética e na Alemanha Nazi. Mas também um pouco por todos os países por onde se espalhou o comunismo.
Não podemos também esquecer todas aquelas comunidades cristãs espalhadas pela Ásia que se mantém firmes na fé apesar da perseguição popular, do governo, ou de ambos. Os cristãos do Líbano, da Índia, do Paquistão, da China, na Birmânia, do Vietname, da Arábia Saudita, do Irão, da Síria, etc. Convém também não esquecer os cristãos africanos, vítimas do extremismo islâmico que alastra em países como a Somália, o Sudão, a Nigéria ou a Costa do Marfim.
Neste caso não estamos a fala de acontecimentos de há duzentos ou cem anos, mas de perseguições que se passam hoje. Há menos de um mês mais de 40 cristãos foram mortos na Catedral de Bagdade.
Mas por estes milhões de mortos ninguém faz manifestações. Para estes milhões de mortos ninguém exige monumentos e "memórias históricas". Os cristãos permanecem hoje como ó único povo que é perseguido sem que a esquerda moderna ou o poder do mundo se preocupes com o assunto.
Contudo "nem um cabelo da vossa cabeça se perderá". O nome de todos os mártires que perderam a sua vida na defesa da fé encontra-se escrito no livro da vida. Não os esqueçamos e rezemos a eles para permanecermos firme na fé em Cristo, pelo qual eles ofereceram a sua vida.
Manuel Camagni
Manuela pertencia as Memore Domini, um associação de consagradas nascida do carisma de Comunhão e Libertação. Foi professora de física antes de começar a dedicar-se ao trabalho doméstico em vários apartamentos em Milão. Antes de ir para Roma, Manuela esteve ainda ao serviço do bispo de Tunis.
Morreu ontem repetinamente depois de ter sido atropelada na Nomentana. Fica aqui o comunicado do Padre Julian Carrón sobre a sua morte.
Mensagem do Padre Julián Carrón pela morte de Manuela Camagni, Memores Domini da família pontificia.
Tendo tomado conhecimento da notícia da morte repentina de Manuela Camagni, Memores Domini que prestava o seu serviço no apartamento papal, o Padre Julián Carrón presidente da Fraternidade de Comunhão e Libertação, enviou esta mensagem a todo o movimento:
«Caros amigos, a morte repentina da nossa amiga Manuela Camagni é a modalidade misteriosa com a qual o Senhor nos obriga a pensar n’Ele, renovando a certeza que “nem um só cabelo da vossa cabeça se perderá”, como nos disse a Liturgia de hoje. Estreitemo-nos ainda mais intensamente no abraço do Santo Padre, como filhos que querem condividir em tudo a sua humanidade ferida.
“Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a vida pelos amigos”. O dar a vida por parte da Manuela, manifestou-se de modo evidente e surpreendente tanto através da sua disponibilidade à missão, na experiência da Tunísia, como no serviço ao Santo Padre. O seu sacrifício renove em todos nós a verdade do nosso “sim”, para que a vitória de Cristo se imponha sempre mais nos nossos corações.
Don Giussani obtenha de Nossa Senhora o dom da felicidade eterna para a nossa amiga e o da consolação para o Papa»
Sala de Imprensa do Cl Milão, 24 de Novembro de 2010.
terça-feira, novembro 23, 2010
A Luz do Mundo

Um dos assuntos abordados no livro foi as declarações do Santo Padre a caminho de África. Na altura Bento XVI disse que o problema da SIDA em África não se resolve apenas com dinheiro e preservativos mas: A solução pode vir apenas da conjugação de dois factores: o primeiro, uma humanização da sexualidade, isto é, uma renovação espiritual e humana que inclua um novo modo de comportar-se um com o outro; o segundo, uma verdadeira amizade também e sobretudo pelas pessoas que sofrem, a disponibilidade à custa até de sacrifícios, de renúncias pessoais, para estar ao lado dos doentes.
Claro que os média, perante estas palavras, só ouviram preservativo e pronto. Contudo o Santo Padre vai muito mais fundo: fala da humanização da sexualidade, ou seja de olhar para o outro, não como um objecto de prazer, mas sim como um ser humano, criado à imagem e semelhança de Deus.
E o problema do preservativo, um problema mais fundo do que dos outros contraceptivos, é de que permite criar uma ilusão de uma sexualidade sem quaisquer consequências. Não só é suposto impedir a gravidez, como também as doenças venéreas. Assim, aparentemente, fazer sexo tem as mesmas consequências que dar uns beijinhos.
Ora, neste contexto, de uma sexualidade desregrada e desumanizada, o Santo Padre afirmou que o preservativo pode, em casos específicos, ser uma primeiro passo para a humanização do sexo. Ou seja, a utilização do preservativo pode ser uma tomada de consciência de que o outro não é um mero objecto para dar prazer ou obter dinheiro, mas um ser humano. Pode ser também um passo para reconhecer que o nosso corpo não é apenas um pedaço de carne, mas morado do espírito e que por isso não devemos viver ao sabor do instinto.
Ou seja as declarações do Papa não são uma revolução ou uma contradição do que o Santo Padre disse anteriormente. São simplesmente um aprofundamento.
Nestes assuntos convém sempre ler o que o Papa disse realmente e ajuizar com clareza as suas palavras em vez de nos ficarmos pelo soundbytes dos jornais.
sexta-feira, novembro 19, 2010
Harry Potter e os Talismãs da Morte.
Aos longos dos setes livros somos confrontados com várias personagens, todas elas profundamente humanas. Personagem que tem amigos e inimigos, que amam e odeiam. Personagens que são heróicas e personagens mesquinhas. De tal maneira que é possível conhece-las. Ao fim de ler os livros já sabemos que Harry é reactivo e tem um complexo de herói; que Ron é bruto, desajeitado e inseguro; Sirius é temerário e orgulhoso; Hagrid é leal; Snape retorcido; etc.
E com a humanidade de cada uma das personagens que se joga a luta entre o bem e o mal. Cada um tem a possibilidade de escolher. Não há simplesmente bons e maus, mas pessoas que colocadas diante de circunstâncias excepcionais tem que arriscar a sua liberdade.
De todos os livros o meu preferido é o sétimo: Harry Potter e os talismãs da morte. Todo este livro gira à volta da ideia da morte. De um lado temos Voldemort, que recorreu aos feitiços mais negros para fugir à morte. Do outro Harry, vivo pelo sacrifício da vida da sua mães. E no confronto deste dois não ganha o mais poderoso, mas aquele que está disposto a entregar a sua vida para salvar os amigos. Não é um “poder” especial que derrota o mal. Mas o sacrifício de um inocente para a salvação dos outros.
É por este livro ser tão bom, tão bonito que o filme me enerva. Não que o filme seja muito mau, é simplesmente mediano. Toda a história se resume a cenas de acção ou a cenas sentimentais. Nunca há um momento onde aquilo que acontece seja levado mais fundo.
O livro é uma obra belíssima, sobre o que é verdadeiramente o amor e sobre o sacrifício. O filme é um chachada sentimental para entreter adolescentes.
quinta-feira, novembro 18, 2010
Manifesto CL
Ao mesmo tempo, o diálogo político é marcado pela superficialidade e pela falta de interesse pelas pessoas. Há um multiplicar de sinais da perda de efectiva liberdade e uma diminuição do sentido da política como serviço ao bem comum.
Facilmente reduzimos esta circunstância a algo que nos é externo e estranho, de que nos podemos lamentar e distanciar. E uma posição ética acaba por se confundir com a ilusão de que podemos pelo menos salvar um canto de realidade, uma espécie de condomínio fechado onde fosse possível construir um pequeno mundo mais justo e moral.
Mas chega-nos uma voz humilde e forte, que nos indica um caminho muito diferente: “Diante desta situação do mundo e da Igreja em que nós participamos, a nossa única estratégia – diz o Papa – é a conversão”.
A situação actual ajuda-nos a posicionar-nos diante desta questão sem iludir que o que está em causa é a nossa própria mudança, como sublinhou o Papa: o que é necessário, para cada um, é “uma viagem ao centro de si mesmo e ao cerne do cristianismo para reforçar a qualidade do testemunho até à santidade.”
Não nos detenhamos no mal-estar e na acusação de insuficiência – dos outros e nossa – que é fonte de vazio e de insatisfação. É possível uma posição de trabalho e de responsabilidade pessoal, que se torna visível aos nossos olhos através do testemunho de tantas pessoas que à nossa roda não baixam os braços, e das obras que contra ventos e marés continuam a construir na sociedade. Ponto fundamental no actual quadro de dificuldades económicas é a disponibilidade para poupar e partilhar de forma exigente e radical.
Todos estamos convidados a responder ao desafio e a viver a missão que nos deixou o Papa ao despedir-se do nosso País: Continuemos a caminhar na esperança!
Novembro 2010
sábado, novembro 13, 2010
Pax America!

Com a típica altivez de fidalgo arruinado os europeus vêm os americanos como uns novos-ricos. Aliás o intelectual europeu só vê filmes europeus, só lê livros escritos por europeus e toma a generalidade dos americanos como analfabeta.
Mas sobretudo, o que realmente irrita os europeus, é a mania dos americanos de que são polícias do mundo. A soberba com que os americanos, que tem pouco de duzentos anos de história, se propõem resolver as questões internacionais, muitas das quais se prologam há séculos, deixa os europeus fora de si.
E com alguma razão. De facto os americanos não têm história. Nos seus duzentos anos nunca sofreram uma revolução, nunca foram invadidos, nunca tiveram um império. Entre Washington e Obama o sistema político americano manteve-se quase inalterado. Por isso muitas vezes falta-lhe a capacidade de compreender os conflitos internacionais. Olhando para o último século parece que cada vez que a América derrota um inimigo cria outro.
Contudo, apesar de todos os seus defeitos, a única razão pela qual os europeus podem ter opiniões sobre a América é a América. Porque enquanto os franceses, os alemães e todos os outros se entretêm a atacar a América, esta vai defendendo o Ocidente. Não só as suas fronteiras, mas também toda a Europa. E pagam a conta: quer em dinheiro, quer em sangue.
Porque a verdade é que da II Guerra Mundial até hoje a Europa perdeu todo o seu poder bélico. Hoje nenhum país europeu se encontra em condições de travar uma guerra. Qualquer estado pária está tendencialmente mais bem equipado para a guerra do que a Inglaterra ou a França.
Por isso, eu só me juntarei ao coro contra os EUA no dia em que houver quem os substitua. Até lá, posso não gostar deles, mas como sou bem-educado, agradeço a quem me faz o favor de me guardar as costas.
sexta-feira, novembro 12, 2010
Fossem Ricos! - II
Em relação a isto digo duas coisas. Primeiro, os cortes feito pelo Governo fazem-no parecer um pouco um grupo de adolescentes de férias no Algarve. Vão gastando o dinheiro todo em álcool e tabaco. Quando percebem que o dinheiro está a acabar, vão comendo menos e pior e continuam a gastar o dinheiro em saídas à noite. Quanto o dinheiro acaba, pedem mais dinheiro aos pais. Este dão do dinheiro, eles gastam um pouco menos em copos (mas mais do que deviam) e continuam a comer mal.
Assim está o nosso governo. O dinheiro acabou, cobram mais impostos, pedem mais dinheiro emprestado mas continuam a construir estradas, dar Magalhães e a sustentar empresas públicas com pouca utilidade. Ao mesmo tempo cortam na saúde, na educação e nos salários e sobem impostos.
Eu percebia estes cortes se o governo se comportasse como uma dona de casa sensata que corta primeiro nos cereais, no leite com chocolate e só depois nas explicações.
A educação, juntamente com a saúde, é a última coisa a cortar. Primeiro corta-se naquilo que, dando jeito, não é essencial. Estradas, computadores, motoristas, artes, cimeiras internacionais. Se de facto for preciso mais cortes e não houver mais onde cortar, aí sim corta-se na educação.
Em segundo lugar, cortando-se na educação o critério deve ser o da utilidade e não se é privado ou não. Percebo que de facto há universidade a mais, mas se calhar mais vale cortar nos cursos que onde não há saída do que dizer “corta-se nas privadas”. A maior parte dos alunos de psicologia são apenas futuros desempregados que nos custam muito dinheiro.
Os 70 milhões de euros que o Governo vai cortar no apoio ao ensino privado são a escolas criadas por privados em locais onde não há escolas públicas. Não são um luxo, são uma necessidade.
O problema não é que o Governo corte no apoio ao ensino privado. Se de facto for mesmo preciso que o faça. O problema é que este corte é feito numa base ideológica: não por uma necessidade mas para destruir o ensino privado e reforçar o peso do Estado na vida dos portugueses.
quarta-feira, novembro 10, 2010
Eu encontrei Cristo.
(Nós estavamos junto da bandeira cor-de-laranja do Colégio de São Tomás)Este fim-de-semana fui a Santiago de Compostela ver o Santo Padre. Assim que soube que o Papa ia a Espanha comecei a preparar a ida com uns amigos meus. Arranjamos dois carros e partimos Sexta-Feira.
A viagem foi boa e correu tudo bem. Contudo, não pude deixar de pensar porque razão ia eu fazer esta peregrinação. A verdade é que só a vi a cabeça do Papa quando o Santo Padre passou a Porta Santa e que assisti à missa num ecrã gigante sem perceber metade da homilia. Por isso, que razão fiz 1000 km num fim-de-semana?
A resposta: para ir ao encontro do Papa. Porque mesmo sem o ver, mesmo se o ouvir, a presença do Papa é presença de Cristo. Fale bem ou mal, seja bonito ou feio, o Santo Padre é a pedra sobre a qual Cristo escolhe construir a Igreja.
Por isso, vale a pena fazer mil quilómetros num fim-de-semana. Não pelo discurso que posso ler no site da Santa Sé (o que recomendo vivamente que façam), não pelas imagens que podia ver em casa. Mas para ir ao encontro de Pedro.
E a verdade é que voltei mudado. Não tive nenhum momento de revelação interior, nem de euforia. Mas ir ao encontro do Papa satisfez-me profundamente. Foi como estar em casa: não havia nenhum outro sítio onde preferisse estar.
E de facto, neste três dias reparo que mudei. Rezei mais, fui mais à missa e até estudei o texto da Escola de Comunidade. E isso deixou-me contente. Claro que sou um mísero pecador e que por isso posso fazer um qualquer disparate mal acabe de escrever estas linhas. Mas para mim esta foi a beleza da minha peregrinação: não foi subjectiva. A mudança não partiu de um qualquer sentimento, mas de uma exigência do meu coração. Posso cair amanhã, mas nem que passem mil anos posso negar que encontrei Cristo no Sábado.
Partidocracia.
Claro que o problema é mais profundo do que os círculos eleitorais plurinominais. O problema é ainda agravado por os candidatos a deputados serem escolhidos pelas direcções dos partidos e pelo facto de ser possível substituir um deputado eleito por um outro que esteja presente na lista de candidatos aquele círculo.
Isso leva a que muitas vezes os partidos apresentem cabeças de lista que nem sequer colocaram a hipótese de serem deputados. Estão na lista meramente para angariar votos. Por isso quando votamos nas eleições legislativas não sabemos em quem votamos.
O nosso sistema desvirtua completamente a democracia. No fundo quem escolhe os deputados são os líderes partidários eleitos mais ou menos democraticamente. Ao povo só cabe dizer quantos dos escolhidos da direcção irão ocupar o seu lugar em São Bento.
Ora, como os deputados não dependem dos seus constituintes mas da direcção do partido acaba por ser a esta que eles respondem. Nenhum deputado na hora de votar tem que pensar no povo, mas todos tem que pensar no "partido".
Esta é uma das razões porque a nossa AR é bastante inútil. Em Inglaterra e nos Estados Unidos, onde existem círculos uninominais, os candidatos não são escolhidos pela direcção do partido, mas sim pelos membros do partido do seu círculo. Isto dá-lhes uma grande independência que garante que o poder legislativo controla de facto o poder executivo.
Se os cidadãos não têm possibilidade de punir um deputado incompetente (por muito maus que um deputado seja se for cabeça de lista no Porto em Lisboa por um dos partidos parlamentares acaba por ser eleito) então estes têm carta branca para pensar apenas no partido.
O actual sistema no fundo acaba por funcionar como uma partidocracia onde o povo tem pouco ou nada a dizer. Ficamos assim dependentes do Presidente da República. O problema é que o menos mau dos candidatos tem provado aquilo de que é capaz: nada.
terça-feira, novembro 09, 2010
"The inherent vice of capitalism is the unequal sharing of blessings; the inherent virtue of socialism is the equal sharing of miseries".
Para a esquerda a solução é sempre a mesma: taxar mais os ricos e a banca. O problema é que os ricos já são mais taxados. E acho muito bem que o sejam. Os impostos são o preço que se paga por viver em sociedade. Contudo, se aumentam os impostos sobre que tem mais rendimento é provável que estes deixem de querer ter mais dinheiro ou que saiam do país. Assim não se produz riqueza, nem se cria trabalho. As pessoas até podem ter mais serviços do Estado, mas não tem como se sustentar.
Não cabe ao Estado procurar a igualdade entre ricos e pobres. O Estado deve garantir a igualdade perante a lei e a dignidade da vida humana. Porque a história já demonstrou que o igualitarismo não só não acaba com a pobreza como destrói a riqueza.
Ter dinheiro não é um crime, nem um pecado. Nada que entre no homem o polui, mas sim o que sai do homem diz Nosso Senhor. O dinheiro em si mesmo é neutro. Por isso não é justo penalizar quem, através de trabalho e mesmo da sorte, conseguiu enriquecer.
A solução para a crise não passa por mais Estado. Mais Estado significa mais impostos (pois o país não tem uma mina de dinheiro), mais impostos significa menos riqueza. A solução não passa por taxar ainda mais os ricos. A solução passa por menos Estado e mais liberdade.
Cristofobia!
É desta ditadura que o Papa fala. De uma ditadura que, relativizando tudo, anula quem tem uma certeza. Se não reconhecermos que existe o bem e o mal, se a moralidade é adaptável, então quem exprime uma certeza está de fora.
Assim tolera-se tudo, excepto a Verdade. Assim concede-se liberdade para tudo excepto para proclamar a Verdade.
sexta-feira, novembro 05, 2010
Fossem ricos!
Primeiro revogou a devolução do IVA das IPSS. Agora vai cortar, ainda mais, o apoio às escola privadas (ver noticia do Público). A pouco e pouco o poder do Estado sobre os portugueses vai-se tornando cada vez maior. E a crise tem-se demonstrado a desculpa perfeita para o crime perfeito: nesta altura protestar contra cortes na despesa é quase sacrilégio.
E assim o ensino e a caridade vão passando para as mãos do Estado. O Estado (esse ser abstracto e omnipresente) chama a si o poder de educar e sustentar os portugueses que menos possibilidades de defesa têm.
E se um pai não quiser ter o filho educado pelo Estado? E se um velho não quiser ser sustentado pelo Estado? Olha, que fosse rico!
terça-feira, novembro 02, 2010
Um Contra o Outro, Deolinda.
Anda, desliga o cabo,
que liga a vida, a esse jogo,
joga comigo, um jogo novo,
com duas vidas, um contra o outro.
Já não basta,
esta luta contra o tempo,
este tempo que perdemos,
a tentar vencer alguém.
Ao fim ao cabo,
o que é dado como um ganho,
vai-se a ver desperdiçamos,
sem nada dar a ninguém.
Anda, faz uma pausa,
encosta o carro,
sai da corrida,
larga essa guerra,
que a tua meta,
está deste lado,
da tua vida.
Muda de nível,
sai do estado invisível,
põe o modo compatível,
com a minha condição,
que a tua vida,
é real e repetida,
dá-te mais que o impossível,
se me deres a tua mão.
Sai de casa e vem comigo para a rua,
vem, q'essa vida que tens,
por mais vidas que tu ganhes,
é a tua que,
mais perde se não vens.
Sai de casa e vem comigo para a rua,
vem, q'essa vida que tens,
por mais vidas que tu ganhes,
é a tua que,
mais perde se não vens.
Anda, mostra o que vales,
tu nesse jogo,
vales tão pouco,
troca de vício,
por outro novo,
que o desafio,
é corpo a corpo.
Escolhe a arma,
a estratégia que não falhe,
o lado forte da batalha,
põe no máximo o poder.
Dou-te a vantagem, tu com tudo, eu sem nada,
que mesmo assim, desarmada, vou-te ensinar a perder.
Sai de casa e vem comigo para a rua,
vem, q'essa vida que tens,
por mais vidas que tu ganhes,
é a tua que,
mais perde se não vens.
Bem Aventurados.
Embora só agora os nossos media, ainda que timidamente, tenham aberto os olhos para este problema, a violência contra os cristãos no Iraque é uma constante. Este talvez tenha sido o ataque mais grave mas não foi de todo o primeiro. Em 1987 viviam no Iraque 1,4 milhões de cristãos no Iraque. Agora são no máximo 600 mil, muitos dos quais desalojados. De 1,6 milhões de refugiados iraquianos, cerca de 40% são cristãos. Desde o principio da ocupação americana já foram mortos dois mil cristãos.
Ou seja, em 23 anos passaram a existir menos 800 mil cristãos no Iraque. Desses sabemos que 640 mil são refugiados. Mas quando falamos da perseguição à Igreja no Iraque podíamos falar do Paquistão, da Índia, do Vietname, na China, do Sudão, de partes da Nigéria, da Costa do Marfim, etc.
Hoje, no ano de 2010, a Igreja ainda é ameaçada em boa parte do mundo. Existem em todos o mundo milhares de pessoas que são perseguidas apenas pela sua fé. Homens e mulheres que vêm as suas vidas em perigo, que são postos na cadeia, cujos os templos são destruídos por professarem a sua Fé em Nosso Senhor Jesus Cristo. E o ocidente, nascido do cristianismo, continua a ignorar este povo mártir.
A esquerda caviar lança movimentos cívicos para defender todas as maiorias perseguidas excepto esta. Os estados ocidentais defendem os direitos de todos, excepto os dos cristãos. Resta a consolação dada pelo o Evangelho de ontem: "Bem-aventurados sereis, quando, por minha causa, vos insultarem, vos perseguirem e, mentindo, disserem todo o mal contra vós. Alegrai-vos e exultai, porque é grande nos Céus a vossa recompensa"
segunda-feira, novembro 01, 2010
"A glória de Deus é o homem que vive".
Alguns destes conhecemo-los. São-nos apontados pela Igreja como testemunho de santidade e como intercessores junto do Pai. Contudo existe uma multidão incontável de desconhecidos que já se encontram na Glória de Deus. Hoje é o dia em que a Igreja se confia a todos eles.
E depois deste dia a Igreja celebra o dia de Fiéis Defuntos. O dia em que rezamos por aqueles que ainda se encontram no purgatório á espera de entrar na Glória Celeste.
Neste dias tem-se escrito muito sobre a substituição destas festas por essa importação anglófona que é o Halloween, a noite das Bruxas. E a indignação é mais do que justa. De facto é ridículo um mundo onde os príncipes encantados são cobarde e os ogres heróis. Um tempo onde se esquece a fé em nome de um suposto racionalismo, para depois se celebrar superstições. Pelos visto é saloio venerar os santos, mas é normal idolatrar vampiros.
Contudo parece-me que perdemos demasiado tempo a falar do Halloween. Está certo que dizemos mal dele, mas mesmo assim damos-lhe muita atenção. De tal a maneira que nos esquecemos daquilo que realmente interessa: que apesar de todas a estupidez humana fazemos parte de uma história de dois mil anos. Dois mil anos de homens e mulheres que são para nós testemunhas da Glória de Deus aqui na terra. E são esses que hoje celebramos.
Tea Party.

O Estado Unidos da América, ao contrário da Europa continental, tem uma forte tradição de defesa das liberdades individuais contra o Estado Federal. Enquanto na Europa em geral o poder local "provêm" do Estado, nos EUA o Estado Federal só tem o poder que os estado lhe concederam. Assim se explica, por exemplo, a forte oposição de muitos americanos a um sistema de saúde universal. Para muitos dos americanos isto é conceder ao Estado mais poder e logo, tirar a possibilidade de cada um decidir da sua vida.
Aliás o nome Tea Party vem da Revolução do Chá de Boston, quando os colonos americanos assaltaram e destruiram os carregamento de chá, protestando contra os impostos cobrados pela coroa Inglesa.
Claro que este movimento está recheado da boa retórica americana. Muito patriotismo, muito sentimentalismo saloio, malta vestida à cowboy. Isto para os media snobs europeus é o equivalente a admitir que os apoiantes deste movimento são todos extremistas cristãos que odeiam meio mundo.
Mas a verdade é que o Tea Party arrisca-se a eleger vários congressistas e, acima de tudo, poderá vir a ter uma palavra decisiva na escolha do candidato republicano a presidência. Claro que os nosso jornais gostam sempre de dizer que estes extremistas não tem hipótese porque afastam os moderados. Mas já o diziam sobre o Bush e aposto que também o dizeram sobre o Reagan.
sábado, outubro 30, 2010
Calista a Escultora Grega, Jonh Henry Newman, Aletheia.

O livro tem como pano de fundo a perseguição aos cristão lançado pelo imperador Décio. Após alguns anos de relativa paz a Igreja encontrava-se na altura amolecida. Muitos dos cristãos de então eram-no por convicção familiar. Faltavam bispos e padres e os cristãos começam a comportar-se como os pagãos.
O livro conta a história de uma pequena cidade, próxima de Cartago, onde quase não existem cristãos. Contudo a perseguição lançado por Décio e a paixão de Calista por um cristão levará ao renascimento da igreja africana. Tudo fruto do encontro com um homem: São Cipriano, bispo de Cartago.
A coisa que mais me comoveu neste livro foi a maneira clara como o Beato Newman explica que a fé nasce do reconhecimento de um presença. Um presença que corresponde de tal maneira que negar essa presença é pior do que a morte.
Embora escrito há 155 anos este livro podia ter sido escrito hoje, para nós. Num tempo que reduz a fé a um sentimento vale a pena ler esta grande mestre que o Santo Padre elevou aos altares.
Nazareth Morning, Bay Ridge Band.
She breaks the darkness with a hope no one has seen
Beneath her heart there grows a grace that has not been
Nazareth Morning
Has come to be
The dawn that eyes have longed to see
Carpenter's lady with a baby at her breast
A humble court where kings and shepherds are her guests
Nazareth Morning
Bethlehem Star
A light for people near and far
Dawn grows to Day, Day comes to stay
The dark of sin won't dim the way
The darkness lied and tried to hide the day in death
Yet in her cries there lies a hope in every breath
Nazareth Morning
Calvary Night,
Can never stop the truth and light
Another morning brings an unexpected light
Another Mary sees an unexpected sight
Nazareth Morning
Rolls stones away
No night can end this endless day
Nazareth Morning
Will always be
The dawn that longs to set us free
Nazareth Morning
Will always be
The dawn that longs to set us free
Nazareth Morning
Will always be
The dawn that longs to set us free
"Et Verbum caro factum est et habitavit in nobis" (Io, 1, 14)
quinta-feira, outubro 28, 2010
Discurso de apresentação das credenciais de Sua Excelência o Embaixador de Portugal junto da Santa Sé
Constitui para mim a maior honra pessoal e profissional apresentar hoje a Vossa Santidade as cartas credenciais pelas quais Sua Excelência o Presidente da República Portuguesa achou por bem acreditar-me como Embaixador Extraordinário e Plenipotenciário junto da Santa Sé.
Tenho igualmente a honra de entregar a Vossa Santidade as cartas que dão por terminadas as funções do meu distinto antecessor, o Embaixador João da Rocha Páris, que durante vários anos aqui representou Portugal com toda a dedicação.
Desejo, ao apresentar-me, cumprir em primeiro lugar o grato dever de transmitir a Vossa Santidade as respeitosas saudações do Chefe de Estado Português, assim como a expressão da sua profunda admiração e os seus muito sinceros votos de bem-estar.
É-me igualmente muito grato poder ser, nesta oportunidade, o intérprete da arreigada devoção filial do Povo Português à Igreja e a Vossa Santidade, sentimentos estes que Vossa Santidade pôde confirmar por ocasião da memorável visita com que honrou, há meses, o meu País.
Mantêm-se bem presentes na memória de todos os múltiplos gestos de carinhoso e paternal afecto para com Portugal e para com os Portugueses que Vossa Santidade, tanto na mencionada visita como ao longo de todo o seu Pontificado, tem dispensado. Recordo a propósito, com emoção, a canonização de Frei Nuno de Santa Maria.
Como Vossa Santidade tão sabiamente recordou ao chegar a Lisboa no dia 11 de Maio passado, «logo nos alvores da nacionalidade o Povo Português voltou-se para o Sucessor de Pedro esperando na sua arbitragem para ver reconhecida a sua própria existência como Nação». Mais tarde, um Predecessor de Vossa Santidade honrou Portugal, na pessoa do seu Rei, com o título de Fidelíssimo. Assim tem continuado, felizmente, a ser ao longo de quase nove séculos. Vossa Santidade, na homilia que pronunciou a 13 de Maio último no Santuário de Fátima – que tantos designam como o Altar do Mundo – dignou-se referir o meu País como «Nação gloriosa». Estou certo de que os Portugueses continuarão a ser dignos de tão generosa confiança.
Julgo igualmente de sublinhar o facto de que, onde houve ou ainda há uma presença histórica ou cultural portuguesa resultante da extraordinária expansão da lusitanidade, iniciada no período das grandes descobertas marítimas, também aí hoje se encontra viva e activa a presença da Igreja de Roma. A língua portuguesa e a cristandade têm efectivamente mantido fortes laços nas cinco partes do mundo.
Portugal, do mesmo modo que a Santa Sé, orienta a sua actuação nas relações internacionais pelos princípios da independência nacional, do respeito pelos direitos humanos, da igualdade entre os Estados, da solução pacífica dos conflitos e da cooperação internacional como elemento fundamental para o progresso e desenvolvimento da humanidade. Estes princípios encontram-se inscritos na Constituição Portuguesa. Acresce que a valiosa experiência cultural da nossa longa história tem sido determinante para a capacidade universalista que temos para procurar dialogar com todos os povos, estabelecer pontes e contribuir para gerar consensos. Lembro, a propósito, que o Povo Português se orgulha, legitimamente, de ter sido o primeiro na Europa a abolir a pena de morte.
Vossa Santidade tem apelado, com insistência, para que não seja menorizado na vida pública o papel da religião e para que os dirigentes mundiais busquem os meios de encorajar a todos os níveis o diálogo entre a fé e a razão. É-me grato frisar que Portugal não apenas participa mas dirige superiormente as iniciativas no quadro da Aliança das Civilizações, fórum que busca activamente o indispensável e urgente diálogo intercultural.
Recordou também Vossa Santidade ao visitar Portugal, a propósito das comemorações de um século da proclamação da República no meu País, que a viragem republicana abriu, na distinção entre Estado e Igreja, um espaço novo de liberdade para a Igreja que as duas Concordatas, de 1940 e de 2004, formalizaram.
É minha convicção, Beatíssimo Padre, que a Concordata actualmente em vigor constitui um instrumento plenamente apto a assegurar um relacionamento bilateral conforme não só com as nobres tradições e profundos laços históricos que evoquei mas também com os relevantes interesses comuns contemporâneos em frutuosas condições de estabilidade e de respeito mútuo. Irei trabalhar sempre nesta perspectiva com total empenho enquanto ocupar as tão honrosas funções que hoje inicio.
Termino, solicitando a Vossa Santidade que paternalmente se digne abençoar Portugal, os Portugueses e os seus Governantes e, se tal ouso pedir, a Embaixada, a minha Família e eu próprio.
Manuel Fernandes Pereira
Analgésico.
De novo se levanta um coro de vozes a pedir responsabilidade. É urgente que se aprove o orçamento, mesmo que seja mau. Primeiro porque se o orçamento não for aprovado Portugal não vais conseguir crédito lá fora. Em segundo, porque se o OE chumbar o governo demite-se e assim passa a batata quente a outro.
Em relação à primeira objecção, de que mais vale um mau orçamento do que nenhum, parece-me tonto. Se a ausência de orçamento pode levar a uma crise de confiança dos mercados internacionais em relação a Portugal, um mau orçamento pode ter o mesmo resultado daqui a um ano. Com a diferença que daqui a um ano o Estado estará mais endividado e os portugueses mais pobres. A técnica do chutar para a frente e aguentar mais um bocadinho tem sido usado pelo governo socialista desde há cinco anos com o resultado que agora vemos.
Quanto ao segundo orçamento, eles que fizeram porcaria agora aguentem-se, é criminoso. Para além de criminoso é passar um atestado de incompetência ao PSD. É criminoso porque parte do cálculo político em vez do serviço do país. Tanto faz que o país se afunde, desde que o PS se afunde com ele. Por outro lado, é também uma maneira de dizer que o PSD não consegue lidar com esta crise (da qual de facto tem bastante menos culpa que o PS) por isso mais vale deixar queimar Sócrates mais um bocado e esperar até Maio por eleições.
Parece-me que a solução mais dolorosa (chumbar o orçamento) é, neste caso, a mais eficiente. Aprovar este orçamento como está é como tomar analgésico quando se tem uma dor de dentes sem ir ao dentista. Quando acabar o analgésico a dor fica ainda pior.
segunda-feira, outubro 25, 2010
Discurso de Margaret Tatcher no Congresso do Partido Conservador de 1983.
One of the great debates of our time is about how much of your money should be spent by the State and how much you should keep to spend on your family. Let us never forget this fundamental truth: the State has no source of money other than money which people earn themselves. If the State wishes to spend more it can do so only by borrowing your savings or by taxing you more. It is no good thinking that someone else will pay—that "someone else" is you. There is no such thing as public money; there is only taxpayers' money.[fo 3]
Prosperity will not come by inventing more and more lavish public expenditure programmes. You do not grow richer by ordering another cheque-book from the Bank. No nation ever grew more prosperous by taxing its citizens beyond their capacity to pay. We have a duty to make sure that every penny piece we raise in taxation is spent wisely and well. For it is our party which is dedicated to good housekeeping—indeed, I would not mind betting that if Mr. Gladstone were alive today he would apply to join the Conservative Party.
Protecting the taxpayer's purse, protecting the public services—these are our two great tasks, and their demands have to be reconciled. How very pleasant it would be, how very popular it would be, to say "spend more on this, expand more on that." We all have our favourite causes—I know I do. But someone has to add up the figures. Every business has to do it, every housewife has to do it, every Government should do it, and this one will.
É isto que o nosso governo não percebe ou não quer perceber. Sempre que gasta dinheiro impede as pessoas de criar riqueza. O dinheiro que o Estado gasta é nosso. Por isso deve ter cuidado e critério quando o gasta. Tem que assegurar que gasta apenas no essencial e com a máxima eficiência. Não é cobrando mais dinheiro que o Estado vai resolver os problemas do país, mas gastando menos.
Quem cria riqueza são as pessoas. As pessoas que trabalham, que investem, que criam. São as empresas que criam realmente trabalho. Não por altruísmo, mas porque precisam de mão de obra. São as pessoas que criam riqueza, não por bondade, mas porque precisam de gastar o seu dinheiro para viver.
Por isso o Estado que se limite a assegurar que todos são iguais perante a lei e que todos tem a possibilidade de uma vida digna. Porque tudo o que gasta é nosso, porque tudo o que gasta não gastamos nós.
Por favor, não nos façam mais favores!
Os benefícios de que o jornal fala e que foram retirados é o direito de o IVA sobre bens adquiridos para o culto, assim com o de construções ligadas a essas igrejas ser reembolsado.
A primeira coisa que me ocorre perante a indignação do Público é de a justiça é tratar de forma igual o que é igual e de forma diferente o que é diferente. O Estado não pode nem deve limitar a possibilidade de um individuo praticar a sua fé e de dar testemunho desta publicamente. Não pode nem deve limitar o direito de os crentes se organizarem e de livremente praticarem a sua fé de maneira organizada e pública. E nisto não deve haver diferença entre a Igreja Católica e os restantes.
Contudo, na relação entre o Estado e a Igreja Católica enquanto agente social é evidente que há diferença para outras religiões. Porque a Igreja Católico tem um peso social e cultural em Portugal que ultrapassa em muito o peso de todas as outras religiões juntas. Não apenas pelo número de católicos praticantes, muitíssimo superior ao de outras religiões, mas pelo seu trabalho na sociedade portuguesa que é ainda maior que o seu número de crentes. O número de portugueses que é sustentado, tratado ou educado pela Igreja supera em muito o número de católicos praticantes. Querer tratar a Igreja Católica e, por exemplo, a IURD da mesma maneira é o mesmo que tratar da mesma maneira a fundação Calouste Gulbekian e a sociedade filarmónica de Santiago-do-Escoural.
Mas o mais irritante desta medida é que ela não foi tomada para favorecer a Igreja. É impossível que tomou esta medida não soubesse que alguém ia reparar nela. Para além disso a diferença entre o IVA que as restantes igrejas pagavam e o que vão pagar agora não há de ser muito. Não se deve comparar, por exemplo, com o que se vai gastar com a cimeira da NATO.
A única utilidade nesta medida é causar a discórdia entre as diversas igrejas e permitir que mais tarde se retira também o apoio à Igreja Católica sem causar ondas. Os socialista começam a ficar especialista em fazer favores à Igreja que ninguém lhes pediu e que raramente trazem alguma utilidade.
quinta-feira, outubro 21, 2010
"Toda a boa dádiva e todo o dom perfeito vêm do alto, descendo do Pai das luzes", Tg 1, 17

Quando li a notícia pensei logo em escrever sobre o Boff. Pensei em mil discursos para fazer contra a Teologia da Libertação, que tenta adaptar o cristianismo ao marxismo. Depois percebi que era um erro: não vale a pena um discurso contra uma teoria mas sim um facto.
O oposto de Boff, que passou a sua vida a construir uma teoria para defender os pobres mas que de facto nada fez por eles, é Madre Teresa de Calcutá. Esta pequena freira albanesa nunca quis saber de discursos ou teorias. Nunca escreveu grandes obras de teologia ou manteve acesso debates. Contudo as suas Irmãs Missionárias da Caridade fizeram mais pelos pobres que todos os discurso de Boff e do que toda as teorias católico-marxistas.
Porquê? Porque Madre Teresa não partiu de uma ideia, mas de um amor a Cristo. O seu amor pelo próximo não nasce de uma qualquer teoria do que os pobres precisam, mas de um enamoramento por Cristo que se transforma em paixão pelo próximo.
Por isso é que os seus acto, sustentados pela fé que nasce do encontro com Cristo, são eficazes. Porque só Cristo é que a fonte da caridade e de justiça. A obra de Madre Teresa não nasce da sua genialidade mas da sua humildade. Da humildade de quem compreende que Cristo é que é o Senhor da História. Por isso em vez de iniciar uma doutrina para mudar o mundo, Madre Teresa começou a fazer o acto mais inútil que se possa imaginar: tirar moribundos das ruas de Calcutá e dar-lhes o mínimo de comodidade para que morressem confortáveis. O resultado está à vista.
Contra todas as teorias de Boff ergue-se facto: as suas acções sem fé nada fizeram; a fé de Madre Teresa, comprovada pelas acções, salvaram milhares de pessoas.
terça-feira, outubro 19, 2010
"Os cristãos aos leões!"
Embora em teoria o Paquistão seja um país onde todos são iguais diante da lei a realidade é que todos os anos há cristãos mortos e igrejas destruídas perante a impassividade das autoridades. Segundo informa o bispo há mulheres cristã que são violadas e convencidas a casarem-se com os violadores e existem cada vez mais conversões forçadas.
A situação piorou piorou com a entrada em vigor da lei anti-blasfémia que prevê penas de prisão para aqueles que blasfemarem contra Alá ou Maomé, bastando para a acusação a queixa de um muçulmano sem necessidade de testemunhas.
Mas não pensemos que estas situações são um exclusivo do Paquistão. Podemos encontrar por todas a Ásia e parte de África perseguições mais ou menos activas aos cristão, com ou sem a ajudado do Estado. Na China continua a haver presos religiosos, assim como no Vietname. Na Índia as autoridades continuam indiferentes aos constantes abusos levados a cabo por hindus contra cristão. Na Arábia Saudita, assim como noutro países islâmicos, a conversão ao cristianismo continua a ser punida com pena de morte. No Sudão o governo continua a apoiar as milícias que perseguem os cristãos, situação que já causou mais de 300 000 mortos e milhões de refugiados.
Não estou a falar de coisas do século passados, mas de acontecimentos que estão a acontecer agora perante a total apatia da comunidade internacional. Não esqueçamos nós os nossos irmãos mártires e saibamos viver a altura da graça que nos é dada de podemos dar testemunho da nossa fé sem recear a prisão ou a morte.
sexta-feira, outubro 15, 2010
A Vergonha do PS.
Este mesmo governo propões passar o IVA de 6 para 23% dos seguintes produtos:
- Leites achocolatados, aromatizados, vitaminados e enriquecidos
- Bebidas e sobremesas lácteas
- Refrigerantes, sumos e néctares de fruto ou de produtos hortícolas, incluindo xaropes de sumos, as bebidas concentradas de sumos e os produtos concentrados de sumos
- Utensílios e outros equipamentos exclusivamente ou principalmente destinados ao combate e detecção de incêndios
E de 13 para 23% destes produtos:
- Conservas de carne e miudezas comestíveis
- Conservas de moluscos, com excepção das ostras
- Conservas de frutas ou frutos, designadamente em molhos, salmoura ou calda e suas compotas, geleias, marmeladas ou pastas
- Conservas de produtos hortícolas, designadamente em molhos, vinagre ou salmoura e suas compotas
- Óleos directamente comestíveis e suas misturas (óleos alimentares);
- Margarinas de origem animal e vegetal
- Aperitivos à base de produtos hortícolas e sementes
- Aperitivos ou snacks à base de estrudidos de milho e trigo, à base de milho moído e frito ou de fécula de batata, em embalagens individuais
- Flores de corte, folhagem para ornamentação e composições florais decorativas. Exceptuam-se as flores e folhagens secas e as secas tingidas
- Plantas ornamentais.
Ou seja o preço do pequeno almoço de uma família que os filhos bebam leite com chocolate, onde todos comam pão com manteiga ou marmelada pode chegar a custar mais 17%. Uma família que se dê ao luxo de comer atum com feijão frade, bacalhau com grão, salsichas com ovo e batata pagará por boa parte da refeição mais 10% em 2011.
Se uma destas duas conclusões for correcta não posso deixar de me lamentar o estado a que o Partido Socialista chegou. Embora eu, com os meus escassos anos, nunca tenha sentido grande afeição pelo PS não posso deixar de reconhecer que teve no seu meio grande políticos e estadistas. Homens que de várias maneiras tentaram servir o país o melhor que sabiam e podiam. Tudo isto para ver o seu partido transformado num antro de politiqueiros e caciques, que durante 5 anos se foram entretendo a gastar dinheiro e a fazer engenharias sociais para dar um ar de modernidade ao país. O resultado? Um país em ruínas e a beira do abismo que eles não querem e não sabem governar.
quinta-feira, outubro 14, 2010
Parabéns Lady Tatcher.

No plano interno talvez a sua maior vitória tenha sido a derrota dos sindicatos. Em 1979 os sindicatos eram senhores da economia inglesa. A sua influência tinha começado no primeiro governo trabalhista (1945 quando Clement Attlee derrotou o herói da II Grande Guerra, Sir Winston Churchill) e tinha levado a economia inglesa à ruína. O estado mantinha várias indústrias (automóveis, comunicações, energia, aviação) com graves prejuízos visto ser impossível fazer ajustes que levassem à supressão de postos de trabalho.
A vitória de Tatcher começa quando consegue derrotar a greve dos mineiros. Após 5 anos a "amealhar" carvão e a transportá-lo para junto das centrais eléctricas o governo permitiu o fecho de 20 minas que davam prejuízo. Durante um ano o sindicato dos mineiros fez greve, tentado fazer do governo refém. Foi uma luta entre o dinheiro dos sindicatos e as reservas de carvão do governo. Ganhou o governo.
No plano internacional a maior conquista da primeiro-ministro foi a queda do comunismo. Em conjunto com Ronald Reagan, Tatcher lutou sempre por um ocidente fortemente armado, capaz de enfrentar a União Soviética. Defendeu a democracia e a liberdade. Atacou o comunismo que considerava uma ideologia maligna pois tentava anular a liberdade do homem e substitui-la pelo Estado.
E aqui chegamos talvez ao ponto mais importante. Para Margaret Tatcher a questão não era meramente ideológica, não era uma luta entre capitalismo e socialismo. Partia de um ponto concreto: a coisa mais importante é o homem. O Estado nunca se pode substituir à liberdade humana. Deve garantir todas as condições para que cada pessoa tenha uma existência digna, mas não criar um sistema de tal maneira perfeito que os homens já não precisem de ser bons. Tal sistema estaria condenado a transforma o homem num animal.
Fazem-nos falta políticos assim. Pessoas como Margaret Tatcher (e Ronald Reagan): com coragem para lutar pela verdade e pela liberdade.
quinta-feira, junho 10, 2010
Dia do São Camões.
Logo no dia 3, no seguimento da morte de Miguel Bombarda atribuída aos jesuítas (quando de facto fora morto por um paciente), começou a perseguição popular ao clero. No dia 4 foram mortos dois padres lazaristas. No dia 5 o patriarca resignatário foi preso por populares e levado à presença de Afonso Costa. Nesse mesmo dia o bispo de Beja teve que fugir do país para salvar a vida.
No dia 8 de Outubro o governo manda parar com as perseguições populares. Para evitar abusos são dadas ordens À polícia para prender todos os padres que andem na rua. Começa então a perseguição legislativa.
Dos vários documentos legais que dizem respeito à Igreja há um que alterou profundamente a cultura portuguesa e que hoje passa despercebido: a abolição dos feriados religiosos.
No dia 12 de Outubro de 1910 foram abolidos todos os feriados religiosos. Só o dia Natal sobreviveu, mas agora apelidado de Dia da Família Portuguesa.
Contudo, para não aborrecer o povo, o governo provisório não se limitou a abolir os feriados. Criou novos feriados e novas festas para fazer esquecer as festas religiosas. Regra geral estas novas festas incluíam grandes paradas e desfiles, tentando recriar as festas populares que festejavam os santos.
Assim foi criado o feriado do 1º de Dezembro, para fazer esquecer a Imaculada Conceição. O dia do nascimento de Nossa Senhora, 8 de Setembro, passou a ser o dia da mãe. O de São José dia do pai. Para substituir a festa da Anunciação (25 de Março) o dia da Árvore.
É neste contexto que nasce o dia de Camões. Como se tinha abolido a festa de Santo António criou-se o dia de Camões. O 10 Junho era um festa republicana desde o ano do centenário do centenário do poeta. Passou então a ser festa nacional, com direito a desfile cívico e discurso das autoridades. O povo nunca aderiu a estas novas festividades e gozava com os desfiles dizendo que era a procissão do São Camões.
Percebo que com tempo esta questão importância. No Estado Novo o 10 de Junho ganhou relevância não como dia de Camões, mas como uma oportunidade de festividades patrióticas. Hoje já não sou este feriado já não tem uma carga anti-clerical como caiu no esquecimento dos republicanos, sendo festejado sobretudo por velhos nacionalistas.
Mesmo assim não festejo o 10 de Junho. Não chateio, não tomo posições morais, não faço causas no facebook. É feriado e eu aproveito. Contudo não adiro a festas maçonicas. Festejar por festejar espero pelo Santo António.
quarta-feira, junho 09, 2010
"O sangue dos mártires é frumento dos Cristãos."

Capelão de um remota aldeia polaca, foi apoiante do movimento Solidariedade. Defendeu sempre a liberdade contra a opressão comunista e ensinou que o mal só se combate com o bem. A sua trágica morte serviu de testemunho para todo o povo polaco.
O Beato Jerzy Popieluszko é um dos milhares de mártires do século XX. Que o seu testemunho nos eduque a nós no amor a Cristo.
Rogai por nós Beato Jerzy Popieluszko,
para que sejamos dignos das promessas de Cristo.
terça-feira, junho 08, 2010
«"Terrível é a palavra 'non'": o sim de Manoel de Oliveira» por Padre João Seabra, DN, 31/05
Depois de agradecer o "muito honroso convite", enunciou o título da sua curta exposição, "Religião e Arte", e disparou, colocando "éticas" e "artes" lado a lado, enquanto fruto das religiões, que "procuram encontrar explicação para a existência humana e a sua inserção concreta no cosmos". A essa procura, universal no tempo e no espaço, irrompe na História uma resposta inimaginável: "Universo e Homem, criação de um ser transcendente, colocam-nos problemas inquietantes, para cuja solução o Verbo que se fez carne em Cristo nos trouxe insuperáveis Graças divinas." Este foi o mote claro e corajoso da sua reflexão: a colocação da hipótese cristã como possibilidade real para a vida e para a criação artística.
Ratzinger afirmou, já há anos, que "a única, a verdadeira apologia do cristianismo pode-se reduzir a dois argumentos: 'os santos' que a Igreja produziu e 'a arte' que germinou no seu seio" (V. Messori, Diálogos sobre a Fé, Lisboa, Verbo, 1985, p. 107). Como que em intuitiva resposta, Oliveira saudou o Papa sublinhando a fecundidade da fé cristã na criação estética. Afirmou a intimidade original das artes e das religiões, umas e outras "voltadas para o homem e o universo, a condição humana e a essência divina"; na experiência religiosa como na expressão artística se manifesta "a memória da criação e a saudade do paraíso". Neste contexto chamou à Bíblia o "tesouro inesgotável da nossa cultura europeia": uma referência que ecoa como antagónica às recentes afirmações de José Saramago. Em seguida relembrou dois dos seus filmes, O Acto da Primavera (1963) e Cristóvão Colombo, o Enigma (2007), em que representou figuras de anjos: no primeiro caso, como personagem específica desse popular Auto da Paixão, sinal da presença do divino entre os homens; no segundo, como "prévia configuração do Destino" de Portugal, radicando no cristianismo, numa frase sintética e desafiadora, a identidade da História pátria e a sua história pessoal: "[Sou] pertencente à família cristã, de cujos valores comungo, e que são as raízes da nação portuguesa e de toda a Europa, quer queiramos quer não […]."
Mas o momento mais confessional e provocador da sua intervenção foi aquele em que Manoel de Oliveira se referiu ao drama humano da dúvida e da falta de fé. Retomando as palavras do Padre António Vieira ("terrível palavra é o non"), que deram o título ao seu filme de 1990 (Non ou a Vã Glória de Mandar), Oliveira disse: "Acossados pelas especulações da razão, sempre se nos levantam terríveis dúvidas e descrenças, a que se procura opor a fé do Evangelho, que remove montanhas." Perante a tremenda hipótese da negação, concluiu, com a convicção de quem fala de um caminho trilhado na primeira pessoa: "O non retira toda a esperança, que é a última coisa que a natureza deixou ao homem", esse homem que "caminha na esperança, apesar de todos os negativismos". A dinâmica humana é afirmativa, é um sim: esta é a certeza que Oliveira afirma. A escolha teórica e teorizada que a nega não corresponde ao dinamismo que leva o ser humano a esperar e a desejar: desejar viver, desejar amar e ser amado, desejar criar, desejar ser feliz. Essa dinâmica de afirmativa certeza encontra um testemunho irrecusável naquele homem de 101 anos, de olhar vivo, quase infantil, com uma capacidade criativa invulgar e uma liberdade de pensamento e acção que fazem dele uma criatura sui generis e incómoda no universo em que se movimenta.
Por isso, a maior injustiça que se lhe poderia fazer seria a de retirar às suas palavras simples - tanto as ditas como as escondidas nas entrelinhas - o peso e a consistência de uma vida assim lutada e vivida, com esse visível gosto e essa radical liberdade que sempre recusou ideologias e sempre se deixou fascinar pelo humano e pelo seu desejo de infinito.
Turquia: Terra de Martírio!
Contudo o Corriere della Sera publicou hoje uma noticia, tendo como fonte a Asia News, que afinal não se tratou apenas de um acesso de loucura. Não só o assassino cortou a cabeça ao bispo (segundo o ritual islâmico) como depois subia ao tecto da casa onde gritou "matei o grande Santanás! Allah Akbar!".
Ainda segundo o Corriere não nenhum registo médico que indique que Murta Altun (o assassino) sofra de problemas mentais. O único indicio que existe que aponta para esta teste é que o próprio Murat se queixava de estar deprimido hás uns meses. Este facto faz aumentar a suspeita de se tratar de um assassínio planeado há algum tempo.
Perante este acontecimento o Estado Turco limita-se a assobiar para o lado. O mesmo estado cujo o primeiro-ministro tem dirigido ataques furioso a Israel pela morte de nove cidadão turcos que atacaram soldados israelitas, demonstra total indiferença pela morte da cabeça da Igreja turca às mãos de um terrorista islâmico.
Ao mesmo tempo que a esquerda europeia tem vindo a cantar odes de louvor à pobre Turquia, um estado democrático, laico, membro da NATO, vitima de Israel, ninguém presta atenção a este martirio, fruto de terrorismo organizado que visa atacar a Igreja Católica.
Irónicamente dom Padovese celebrou há quatro anos o enterro de don Andrea Santoro, bispo na Turquia que tambem foi morto. Este país tão civilizado é cada vez mais para os católicos terra de martírio!
sábado, junho 05, 2010
"(...)fatti non foste a vivere a viver come bruti(...)"*
A mim impressiona-me como o nosso mundo reduziu o sexo a uma banalidade. O sexo já não é entrega de um casal que se ama, mas algo tão natural como ir à retrete. Claro que vivem todos convencidos que como se gasta mais tempo a falar e a ver sexo que este é cada vez mais importante para as pessoas. Mentira, neste momento para a maior parte das pessoas a sexualidade é como tomar banho: uma mera necessidade física.
Ora este redução da sexualidade a uma necessidade física, com a consequente redução do homem à bestialidade, é legitimada pela televisão e pelas revistas. Para que ninguém se sinta mal por viver como um coelho ou como uma cadela no cio os media transformam a javardice em progresso.
Ora esquecem-se que as actuais prostitutas e actrizes porno não teriam nada a ensinar aos romanos e aos potentados orientais da antiguidade. As revistas pornográficas já existiam na república Romana e no Oriente existiam templos dedicados à prostituição.
Foi o cristianismo que elevou a sexualidade. Antes de mais porque foi a Igreja que elevou todo o ser humano a pessoa. O estatuto de cada Homem já não dependia da Lei mas do facto de ter sido criado à imagem e semelhança de Deus. A mulher deixou de ser um mero objecto para ser uma igual. A segunda questão é que o cristianismo afirmou com total clareza a unidade do corpo e da alma. O corpo é morada do Espírito Santo.
Por isso nós recusamos esta banalização do sexo, que reduz a mulher a um pedaço de carne e a nós mesmo a animais. Achamos que o sexo é um coisa boa e por isso esperamos pela pessoa e pela altura certo para o praticar. Só entregamos o nosso corpo a quem entregamos também o nosso espírito.
Por isso não alinhamos nestas bestialidades. Não por desprezarmos o sexo mas porque conhecemos a sua importância.
terça-feira, junho 01, 2010
Corpo de Deus.
Muitas vezes para nós a Eucaristia é uma coisa banal. Estamos tão habituados à missa enquanto ritual que nem reparamos no milagre extraordinário que ocorre diante dos nossos olho: o próprio Deus que se faz carne. A hóstia consagrada é o corpo de Nosso Senhor, tão real e presente como no céu.
Na Quinta-feira mais uma vez irá realizar-se a procissão do Corpo de Deus. O Senhor Patriarca irá percorrer as ruas da Baixa transportado o Corpo de Cristo. É um convite a que cada um de nós ganhe consciência do trabalho a que Deus se dá para nos salvar.
