domingo, junho 30, 2013

O Senhor dos Anéis: um testemunho de fé.



O Senhor dos Anéis é sem dúvida o meu livro preferido. Desde a primeira vez que o li, há 16 anos, todos os anos o volto a ler. E de cada vez descubro uma coisa nova. Um pormenor ou uma situação de que ainda não tinha dado conta.
O que me fascina em O Senhor dos Anéis é o seu profundo cristianismo. É verdade que não há nenhuma referência a Deus no livro. De facto Tolkien fez questão de suprimir qualquer menção religiosa da obra. E contudo, ainda não encontrei nenhum romance tão cristão como este.
Tolkien considerava que os mitos eram reflexos da Verdade. Eram aquilo que o homem era capaz de compreender da realidade sem a revelação. De facto, para Tolkien, a história da Revelação era um mito como os outros, com a diferença substancial de que era Verdade.
Por isso O Senhor dos Anéis é um mito. Mas um mito escrito por um cristão. Um mito escrito por homem que ia a missa diariamente, que fazia adoração ao Santíssimo diariamente, que se confessava semanalmente. Um homem para quem a sua vida, e a sua obra, eram inseparáveis da sua fé.
E por isso ler O Senhor dos Anéis é ler um livro de aventuras, mas que parte de um juízo cristão sobre a realidade. Tolkien não procura reescrever a história da Revelação, nem tão pouco fazer uma analogia como Lewis nas Crónicas de Narnia.
Tolkien quer apenas contar uma história. Mas uma história que parte da sua humanidade. Por isso nos fala da luta entre o bem e o mal. Mas não a luta entre o bem e o mal abstracto, mas a luta que se trava dentro no coração de cada homem. Por isso nos fala do pecado, mas também da misericórdia e do arrependimento. Por isso nos fala da heroicidade, mas também de como só o Desígnio daquele que é ainda mais poderoso do que Sauron pode salvar a Terra.
Nada disto é propositado (como o próprio afirma). A obra não é católica porque Tolkien a pensou de forma católica. Não é uma obra de apologia cristã. O Senhor dos Anéis é católico porque Tolkien o é. E por isso para ele é evidente a tentação, é evidente o limite do homem e é evidente que só Deus pode salvar a humanidade ferida.
E isto para ele é tão verdade na sua vida, como no mundo que ele imaginou. Por isso vale a pena ler O Senhor dos Anéis. Não procurando significados ocultos ou comparações fantasiosas. Nem Frodo nem Gandalf são Jesus e Galadriel não é Nossa Senhora. A grandeza deste livro é ser possível reconhecer nele um homem que vive a toda a sua vida, incluindo a sua escrita, diante do Mistério de Deus.

quinta-feira, junho 06, 2013

Homem e Mulher.

Ao telefone no outro dia uma amiga dizia-me que a questão da adopção e do casamento por pessoas do mesmo sexo era uma questão de direito e não de moral. Acrescentava que os homossexuais eram iguais aos heterossexuais diante da lei e que por isso era favorável ao casamento e à adopção por pessoas do mesmo sexo.
Eu, tenho que dizer, concordo com quase tudo o que ela dizia. Acho sem dúvida que estas questões são questão de direito e não de moral. Acho também que todos devemos ser iguais diante da lei. O problema é que não acho que a consequência seja estas recentes alterações às leis da família.
Comecemos pelo que me parece ser a primeira questão. A última alteração ao artigo 13º da Constituição (ninguém pode ser descriminado) introduziu no nosso ordenamento jurídico a expressão “Orientação Sexual”.
O problema é que a orientação sexual é um facto totalmente vago. Porque uma pessoa não se define pela sua sexualidade. De facto nós muitas vezes, para facilitar o debate, falamos em heterossexuais e em homossexuais. Mas estes termos são vazios. O que é um homossexual? É alguém que sente atracção por pessoas do mesmo sexo? E se for celibatário? E se uma pessoa que se sente atraída por pessoas do sexo oposto for celibatário, qual é a sua orientação sexual?
Uma pessoa não é homossexual ou heterossexual. Uma pessoa pratica actos homossexuais ou heterossexuais e tem relações homossexuais ou heterossexuais. Sentir-se atraído por A ou por B não é uma escolha, mas as praticas sexuais são.
Claro que ninguém deve ser descriminado pelo que faz com outro adulto, desde que respeite a sua liberdade. Todos os cidadãos são livres para usarem o seu corpo e o Estado deve garantir que essa liberdade é respeitada.
Isto é importante porque ajuda-nos a perceber que o que está em causa, quer no casamento entre pessoas do mesmo sexo, quer na adopção, não é uma descriminação. Um homem negro que queira casar com uma mulher branca é a mesma coisa que um homem branco que quer casar com uma mulher branca. A única diferença é a cor da pele! Um homem que quer casar com outro homem é algo de substancialmente diferente de um homem que casa com uma mulher.
Descriminação é tratar dois homens de maneira diferente por serem de cor ou religião diferente. Descriminação é tratar uma mulher de forma diferente só por ser mulher. Não é descriminação dar o mesmo tratamento a todos os homens.
Muito pelo contrário, o que é discriminatório é tratar dois homens de maneira diferente só porque um tem relações com outro homem e o outro não. Dois irmãos homens não podem ser os dois pais de uma criança, mas dois homens casados podem. Duas irmãs que vivam junta não podem apresentar uma declaração de IRS conjunta, mas duas mulheres unidas de facto podem!
Esta introdução ajuda a perceber a questão do casamento. O casamento não foi criado pelo Estado. Desde sempre que existe. O homem sempre se juntou à mulher para ter família.
O Estado, reconhecendo a utilidade social deste facto, decidiu protegê-lo e regulá-lo. Garantiu que havia uma idade mínima para o consentimento matrimonial, que os cônjuges possuíam um conjunto de direitos que não os deixava à mercê um do outro, quais os deveres que advêm do casamento.
O Estado não pode alterar a realidade. Não pode, só porque os deputados o decidem, que o casamento afinal não é a união entre pessoas de sexo oposto com o fim de constituir família, mas sim a união de duas pessoas por um contrato a que o legislador chama casamento. É o mesmo que dizer que atacar sem razão uma pessoa na rua é Legitima Defesa.
Isto não impede que duas pessoas tenham uma relação. O Estado não tem nada a ver com isso. O Estado não regula afectos. O conservador civil não pergunta a ninguém se eles se amam ou deixam de amar. O Estado só está interessado em saber se os noivos se comprometem a cumprir os deveres legais que constituem o casamento.
A lei que previa que o casamento era só entre homem e mulher não proibia ninguém de se casar. Dentro daquilo que é o casamento. Uma pessoa com tendências homossexuais sempre se pode casar, com os mesmos direitos com uma pessoa que não tenha essas tendências. Dentro daquilo que é o casamento.
Mas a questão da adopção é ainda mais grave. Porque de facto existe um direito a casar-se e a constituir família. Mas não existe nenhum direito a ser pai ou mãe. A paternidade é um facto. Um facto que gera deveres. Mesmo os direitos que se geram com a paternidade (de educar os filhos, de gerir o seu património) são direitos-deveres. São direitos que a) têm que ser exercidos; b) têm que ser exercidos tendo em vista o bem da criança.
O instituto da adopção não foi criado para satisfazer a necessidade das pessoas que querem ter filhos e não conseguem ou que querem ter ainda mais filhos dos que aqueles que já têm. As crianças não são um objecto para que os adultos tenham direito a elas. Devo confessar que sempre que oiço alguém a dizer que tem o direito de ser pais me apetece dizer que é melhor comprar um gato para lhe fazer companhia, porque claramente está a confundir uma criança com um animal de estimação.
A adopção existe para aquelas crianças que não têm família ou que por qualquer razão foram definitivamente retiradas à família. Existe para recriar aquela que deveria ser a situação natural (que é viver numa casa, com um pai e uma mãe) e que por alguma razão (morte, abandono, violência) não existe.
Ora na adopção o que conta é um superior interesse da criança, não os eventuais direitos dos adultos. Por isso aqui a questão não é de direitos, mas simplesmente de perceber o que é melhor para a criança.
Ora uma criança precisa de um pai e de uma mãe. Porque Homem e Mulher são diferentes e complementares. E perceber isto é uma coisa importante para uma criança. Mesmo nas situações em que um dos pais não está presente, a criança sabe que há alguma coisa que falta.
A adopção por pessoas do mesmo sexo não se limita a negar a criança o pai ou a mãe. Afirma que ter pai e mãe é indiferente. Que ser homem ou mulher é a mesma coisa. E isso é uma violência sobre a criança, viola a sua natureza. Porque aquilo que é próprio do seu sexo é reprimida por esta ideologia que dita uma rapaz ou uma rapariga tem que ser andróginos.
Porque o amor é importante mas não é a única coisa que uma criança precisa. Se assim não fosse não haveria qualquer problema com as crianças que crescem em instituições onde são muitíssimo amadas por quem lá trabalha. Lembro-me por exemplo da Casa do Gaiato ou das Irmãs da Caridade: dificilmente se encontrará maior amor do que aquele que é dados as crianças nessas casas.
Porém a criança precisa de uma família, de pai e de mãe. Ou pelo menos de saber que há pai e que há mãe. Permitir a adopção por pessoas do mesmo sexo é impor por decreto uma igualdade que a natureza nega.
O casamento entre homem e mulher, a família com pai e mãe não são uma questão moral ou religiosa. São realidades naturais que o Estado reconhece e tem o dever de proteger. Defender que dois homens se podem casar ou que duas mulheres podem ser ambas mãe lembra-me sempre uma cena da Vida de Brian onde um grupo de rebeldes judeus culpa os Romanos pelo facto dos homens não poderem ser mães.

quinta-feira, maio 30, 2013

Pai e Mãe, uma Questão Evidente.

Existem factos que são evidentes, ditados pelo senso comum. Por exemplo, que o melhor para uma criança é ter um pai e uma mãe.
Isto não é fruto de uma teoria, mas da experiência. Basta olhar para ver que uma criança necessita de pai e de mãe, não apenas para ter dois adultos que o amem, mas porque homem e mulher são diferentes e complementam-se. Se falta algum deles, isso não é bom.
Por isso é que a ausência de um dos pais é sempre considerada um problema. Mas, mesmo nas situações em que um dos pais está ausente é normal haver uma figura que de alguma maneira preenche a ausência deste: um avô, um tio ou o companheiro da mãe (digo isto, porque na maior parte das famílias monoparentais falta o pai)
Quando não há ninguém que faça esse papel, é sempre um menos para a criança. Claro que isto não impede nenhuma criança de ser feliz, mas é menos bom do que haver um homem e uma mulher que eduquem a criança.
Ora, os defensores da adopção por pessoas do mesmo sexo tem exigido estudos que comprovem estas afirmações.  A frase preferida do lobby LGBT é “não há estudos que provem…”. Para começar isso é mentira, há estudos que demonstram estas afirmações.
Mas sobretudo, não é preciso nenhum estudo para demonstrar uma evidência. Eu não preciso de nenhum estudo para provar que a minha mãe não me envenena a comida, todas as evidências apontam para esse facto.
Por isso, se alguém quiser acusar a minha mãe de envenenar a minha comida, eu não tenho que apresentar nenhum estudo a dizer que isso é mentira. Podia fazê-lo, mas seria absolutamente ridículo. Aliás, se eu chegasse ao pé de alguém e dissesse “a minha mãe não me envenena a comida, porque eu mandei analisar num laboratório dez refeições aleatórias que ela preparou e em nenhuma havia um indício de veneno” essa pessoa diria que eu era louco.
Dizer que não há nenhuma prova de que o melhor para uma criança é ter pai e mãe é tão ridículo como isto. Por isso, quem acha que é indiferente ter pai e mãe, ou ter dois pais, ou ter duas mães é que tem que provar esse facto. E tem que o provar de maneira incontestável. Porque está a negar uma evidência que foi verificada ao longo de milhares de anos.
Para o nosso tempo o bom senso não tem valor. Por isso tentam esconder através da “aura” dessa nova religião que são os “estudos científicos” aquilo que todos nós sabemos: que uma criança nasce sempre da união entre homem e mulher (mesmo que o homem seja um dador anónimo de esperma) e que sem essa complementaridade, imposta pela natureza, não há crianças
Por isso, eu não apresento nenhum estudo que defenda o óbvio (mesmo sabendo que eles existem). Quem quer negar a realidade é que tem que apresentar provas. Se não qualquer dia estou eu a mandar analisar a comida da minha mãe num laboratório…

quarta-feira, maio 29, 2013

O Nosso Tempo: O Tempo da Barbárie!

Em qualquer discussão que se tenha sobre os chamados temas fracturantes ou sobre religião aparece sempre um argumento que supostamente acaba com a discussão: “já não estamos na Idade Média, estamos no século XXI”. Segundo os defensores desta tese o nosso tempo é um tempo verdadeiramente civilizado e qualquer argumento do “passado” é inaceitável.
Antes de mais gostaria de lembrar que a Idade Média foi um período de mil anos onde aconteceram muita coisa. Só quem nada sabe de história é que ainda pode utilizar o velho argumento da Idade das Trevas. Relembro que a esta suposta fase “negra” da história é o tempo que começa em Santo Agostinho e acaba com Santo Inácio, Santa Teresa de Ávila e São Pedro de Alcântara. Não nos podemos esquecer que a Idade Média é também o tempo de Dante, Giotto e Petrarca. É o tempo da Catedral de Notre Dame, da Catedral de Colónia e da Catedral de Chartres. É na Idade Média que nasce a Universidade: Bolonha, Oxford, Paris. Muitos outros milhares de exemplos podiam ser dados a favor da Idade Média (o tempo do Pobre de Assis e de São Tomás) mas não me parece necessário.
Se por um lado já é disparatado falar da Idade Média como um tempo bárbaro, também não me parece lógico referir o nosso tempo como o tempo da verdadeira civilização.
O século XX, que tantos gostam de elogiar, foi o tempo das maiores barbaridades da história.
Comecemos pela Iª Guerra Mundial. Sem nenhum motivo aparente que não desentendimentos fronteiriços e uma grande dose de testerona os povos da Europa lançaram-se uns contra os outros numa guerra que vitimou pelo menos 16 milhões de soldados.
Em 1917, ainda durante a guerra, os Bolcheviques tomaram o poder na Rússia. A guerra civil que se lhe seguiu matou milhões. Mas não foi só a guerra, a fome e a miséria que o sistema comunista impôs vitimou quase tanto como a guerra.
No seguimento do tratado de Versalhes milhares de pessoas foram desalojadas para satisfazer as potências vencedoras. A Alemanha foi saqueada a uma escala nunca vista até então, mesmo pelos países democráticos como a França.
Em Itália e na Alemanha foram criados regimente totalitários que ainda antes da Segunda Grande Guerra foram responsável por prisões e mortes por motivos meramente políticos.
Os anos 30 foram marcados pela República Espanhola, que perseguiu activamente a Igreja Católica queimando Igrejas e Conventos e matando milhares de Católicos. Nada de novo aliás, se pensarmos nas perseguições que a Igreja era alvo na altura no México. Mas a República Espanhola teve um fim violenta com a Guerra Civil, que acabou com mais uns milhões de mortos e com novo regime ditatorial, que se entreteve a perseguir os vencidos.
Mas o fim da Guerra Civil não trouxe a paz à Europa (ao mundo não seguramente, pois a guerra civil da China entre comunistas e nacionalista continuava a vitimar milhões de pessoas). De facto foi o prelúdio do maior conflito que o mundo já viu.
 A IIª Guerra Mundial foi responsável por milhões de mortos em todo o mundo. E, ao contrário da anterior guerra mundial, as principias vítimas não usavam uniforme. Os tão gabados avanços tecnológicos permitiram arrasar cidades inteiras. Esta guerra foi provavelmente a primeira guerra desde a antiguidade em que o número de civis mortos foi muitíssimo maior do que o de soldados.
E não é possível esquecer a perseguição de que os Judeus foram alvo durante o regime Nazi e que se intensificou com a guerra. De facto Hitler utilizou os métodos mais modernos e as mais recentes tecnologias para exterminar todos os que considerava inimigos da raça ariana.
Mas, ao contrário dos mitos, a violência não acabou com fim da Guerra. Nos últimos 50 anos do século XX as guerras foram tantas que é impossível lembrar todas. Para além das mais famosas, como a Guerra da Coreia ou a do Vietname, tivemos milhares de “pequenas” guerras civis. Um pouco por todo a Ásia e África velhos conflitos étnicos foram vestidos com a roupagem do marxismo para parecem modernas.
Ainda no século XX não nos fiquemos por acontecimento com 40 ou 50 anos. Lembremo-nos que depois da queda do Muro, assistimos aos massacres na Jugoslávia, ao genocídio no Ruanda ou à Guerra do Kosovo (para não falar na primeira guerra do Iraque).
O Século XXI abriu com o 11 de Setembro e os atentados terroristas que se lhe seguiram. A resposta do Ocidente foi clara: Guerra no Afeganistão e no Iraque.
Contudo isto são conflitos menores se pensarmos no genocídio do Darfur, da constante violência na Somália ou no número de assassinatos do narcotráfico no México.
Nos nossos dias os cristãos são perseguidos em boa parte da África, na Arábia Saudita, na Índia, na China, só para dar alguns exemplos. O tráfico de pessoas atinge número nunca vistos.
Mas não é só no mundo que o Ocidente considera pouco civilizado e indigno deste século que reina a barbárie. Nunca é de mais lembrar que quase todos os países que se acham civilizado permitem o aborto livre, a experimentação em embriões e começam a permitir a eutanásia. Na Holanda já existe um partido a favor da Pedofilia!
Por todo o Ocidente o número de nascimentos diminui, os velhos vivem sozinho e milhões de pessoas vivem na rua e na pobreza.
Por tudo isto gostava que me explicassem porque razão é que o nosso tempo reclama uma superioridade moral em relação aos séculos anteriores? A próxima vez que alguém argumentar que certas questões não se colocam no século XXI não poderei deixar de responder que longe de isso ser uma resposta, é exactamente o problema.

sexta-feira, maio 24, 2013

O Papa que veio do fim do mundo.

A falta de tempo e sobretudo, devo confessar, a falta de inspiração tem-me impedido de escrever sobre a eleição do Papa Francisco.
Este dois meses tem sido um espectáculo da Graça. De facto Nosso Senhor tem nos habituado mal. Depois do Beato João Paulo II todos pensámos que era impossível suceder-lhe um Papa tão bom como ele. Mas o Bom Deus enviou-nos Bento XVI: o paladino da Igreja, o defensor da fé! Um mestre, um santo, um pai! O pontificado do nosso querido Papa Emérito foi de facto extraordinário. Só o que fez e disse entre o anúncio da sua renúncia e o começo da Sede Vacante já teria justificado a sua eleição para a Cadeira de Pedro.
E para suceder a estes dois santos o Espirito Santo foi à argentina buscar Giorgio Mario Bergoglio. Um total desconhecido! E que bom tem sido descobrir o Papa Francisco.
Não o Papa Francisco dos media, mas o Papa Francisco que se revela nos seus gestos e nas suas homilias, cheios de amor a Cristo e a Sua Mãe.
De todas as coisas extraordinárias que já aconteceram neste pontificado, desde a Sua primeira homilia (“quem não professa Cristo Crucificado, professa o demónio”) até ao passear-se no meio do povo durante uma hora, houve duas que me tocaram especialmente.
A primeira foi na visita do Papa reinante ao Papa emérito, quando Francisco ofereceu a Bento um ícone com Nossa Senhora da Humildade, dizendo “lembrei-me logo do Seu Pontificado”. Comoveu-me porque durante semanas os media tinham sempre falado da humildade do Papa Francisco como se os seus antecessores, e especialmente Bento XVI, não o fossem. E o Papa Francisco quis demonstrar claramente que para ele a verdadeira humildade era a do Seu antecessor.
A segunda coisa que me impressiona é a sua maneira de falar. Sempre sorridente, sempre simples, mas nunca morno. Fala com clareza da sã doutrina: seguir Cristo, amar Sua Mãe, ser fiel à Igreja, não ceder ao demónio. De maneira inteligente tem usado a Sua lua-de-mel com os media para dizer coisas que eram impossíveis aos seus antecessores. E com simplicidade vai reafirmando muitas das coisas pelas quais Bento XVI, desde que era Perfeito da Congregação para a Doutrina da Fé, tinha sido atacado: Só Cristo salva o homem, só há salvação na Igreja, a necessidade de mais evangelização e menos activismo social.
Eu amo o Papa porque é Pedro. A pedra sobre a qual Cristo constrói a Igreja. Mas também amo Francisco pelo Seu claro amor a Cristo e à Igreja, nossa Mãe e nossa Mestra.
VIVA O PAPA!
Semper fidelis!

sábado, maio 18, 2013

Mãe há só uma!


Ontem foi aprovado na Assembleia da República, no meio da indiferença dos Deputados e do silêncio dos media, a co-adopção de crianças por pessoas do mesmo sexo que vivam legalmente “casadas” ou em união de facto.

Sobre este facto ocorrem-me quatro coisas:

1.       É impressionante o secretismo com que esta lei foi aprovada. Para todos os efeitos ontem o parlamento decidiu alterar, por “decreto”, a noção de família. Os senhores deputados decidiram que legalmente uma criança pode ter dois pais e duas mães. E sobre este assunto não houve debate público, não houve discussão, nada. Ontem à noite milhares de portugueses ligaram a televisão para ver o telejornal e descobriram que, ao contrário do que pensavam, agora as crianças deixaram de ter direito a uma mãe e um pai para passarem a ser um simples objecto a que os adultos têm direito.

 

2.       A displicência dos deputados é tenebrosa. Como é que é possível que 3 deputados do CDS se tenham abstido? Como é que possível ter havido votos favoráveis do PSD? Mas quem é que votou nestes senhores? Os eleitores votaram nos partidos, não nos deputados. Os deputados não possuem legitimidade para contrariar a ideologia dos seus partidos. Ao não impor disciplina de voto o PSD e o CDS violaram a confiança que os portugueses neles depositaram.

 

Se os senhores deputados querem independência então primeiro criem círculos uninominais, acabem com o sistema de Hondt e depois podem fazer o que quiserem. Porque aí sim, forem eleitos, não pelo partido, mas pelos seus constituintes. No actual sistema, onde são os partidos que escolhem os deputados estes não possuem legitimidade para, numa matéria como esta, votaram como lhes apetece. E se no caso do PSD ainda é discutível a disciplina de voto nesta matéria ainda, no CDS é simplesmente um imperativo moral.

      

3.       Na prática esta lei não altera nada de substancial. A única diferença é que nos casos em que duas pessoas do mesmo sexo criavam crianças como se fossem seus filhos, sendo que só um dos adultos é que era pai legalmente, agora os dois vão poder ser “pais”.  Esta lei é um Cavalo de Tróia. Porque se duas pessoas do mesmo sexo se podem casar, se podem adoptar (em algumas circunstâncias) uma criança, então a proibição da adopção plena deixa de ser sustentável.

 

Por isso num ou dois anos será aprovada a adopção plena. O argumento será simples, a discussão será simples. Aliás o objectivo da Deputada Isabel Moreira é claro. Todos nós sabemos que ela é defensora ardente dos “direitos dos gays”.

 

O espectáculo montado ontem foi muito bem feito. O BE e o PEV ameaçaram com a adopção plena e a deputada socialista aparece com a solução sensata da co-adopção. Assim chumba-se a primeira (que causaria muito escândalo) e aprova-se a segunda pela porta do cavalo, apresentado como um meio-termo razoável.

 

 

4.       Ter filhos não é um direito, é um facto. Um facto que gera deveres. O instituto da adopção não foi criado para assegurar um direito da pessoas que não podem ter filhos. As instituições que acolhem crianças não são canis, onde se vai buscar um animal de estimação para ocupar o vazio de uma casa

 

A adopção existe para proporcionar às crianças, que pelas circunstâncias da vida não tem uma família, a possibilidade de terem uma. É um direito das crianças ter uma família, não um direito dos adultos terem um filho. E uma família não é só “afecto”, essa distorção moderna do amor.

 

Uma criança precisa de um pai e de uma mãe. Este facto, assegurado por milhares de anos de experiência, não pode ser negado por teorias ou estudos mal amanhados. Homem e mulher são diferentes e uma criança precisa do exemplo de ambos. Defender a adopção por pessoas do mesmo sexo parte de uma posição ideológica negada pela realidade: que o homem e a mulher são iguais.

 

Por isso permitir que dois homens ou duas mulheres adoptem uma criança, porque tem esse “direito”, é violar os direitos dessa criança. É dizer-lhe: “Tu não tens direito a um pai, a uma mãe, mas a duas mães e a dois pais”. Esta lei cria crianças de primeira e de segunda: as que tem direito a uma família e as que são um objecto para saciar o desejo de igualdade do lobby gay.

 

A lei que ontem foi aprovada no parlamento é uma vergonha e uma ameaça. Vergonha porque demonstra como os nossos deputados se servem a si mesmos e aos seus lobbys e não o povo. Uma ameaça porque é mais um passo na destruição da família.

 

A crise acabará, mais tarde ou mais cedo, com mais ou menos sofrimentos. A questão é saber que país teremos quando a crise tiver passado.

segunda-feira, abril 22, 2013

Teotónio, um Santo da Amizade


Fui, na semana passada, em trabalho a Coimbra. Como o que me levou às margens do Mondego demorou menos tempo do que o previsto aproveitei, até à hora marcada para o regresso de comboio a Lisboa, para conhecer um pouco melhor aquela bonita cidade.

Entrei no Mosteiro de Santa Cruz que apenas conhecia, e mal, dos livros de História. Depois de dar a volta à Igreja entrei na sacristia onde fui convidado a ver o relicário de São Teotónio, a sala do Capitulo e o Claustro. Na bela sala do Capitulo, onde se encontram os restos mortais de São Teotónio, li uma breve biografia do primeiro Santo português.

Tenho alguns livros, por sinal muito bons, sobre os Santos de Portugal que começam, na parte referente à fundação, pela vida de Teotónio mas - talvez pelo nome ser antigo ou por nos separarem 900 anos  - sempre avancei umas boas páginas para ler primeiro as vidas de António, Isabel ou Nuno que conheço melhor e já os considero como amigos. Desta vez li a biografia de São Teotónio e fiquei com vontade de voltar a reler os livros que estão lá em casa desde as páginas iniciais.

O texto descreve brevemente as principais virtudes do Santo e conta alguns episódios da sua vida. Relata a sua relação com D. Afonso Henriques, mais ou menos, nos seguintes termos: Teotónio aconselhava Afonso a ser um Rei Bom, Justo e Piedoso. Teotónio  rezou e abençoou os cristãos, chefiados por Afonso, antes da conquista de Santarém. Afonso contribuiu com o dinheiro necessário para a construção do Mosteiro de Santa Cruz do qual Teotónio foi eleito o primeiro Prior. Ao saber da morte do seu amigo, o Rei dirigiu-se a Coimbra onde terá dito que a alma de Teotónio tinha chegado ao céu antes que o seu corpo tivesse sido sepultado. Concluindo, o primeiro Santo português foi um grande amigo do primeiro Rei de Portugal, aconselhou-o e rezou por ele antes das batalhas - que não foram poucas - que este teve de travar.

Outro amigo de São Teotónio, Bernardo de Claraval, não se esqueceu dele na velhice e enviou-lhe, de presente, um bordão para o ajudar a caminhar, no qual o português se apoiou até morrer.

Assim, fui conquistado pelo primeiro Santo português que é também um Santo da Amizade. Agradeci ao Senhor por todos os "teotónios" que colocou na minha vida, que me aconselham e rezam por mim antes das batalhas que tenho de travar, e pedi a São Teotónio - apesar do seu nome antigo e dos 900 anos que nos separam - que me ajude a ser verdadeiramente amigo dos ["afonsos"] que me foram dados.

São Teotónio, rogai por nós.

domingo, março 17, 2013

Little Lion Man

Qual é a diferença entre Little Lion Man e todos os outros discursos desesperados que prevalecem na música, sobretudo no Rock contemporâneo?
Encontramo-nos aqui perante palavras que com certeza, mesmo se de forma menos poética, já todos ouvimos: o discurso cínico de alguém mais velho (tornado mais cínico por serem as palavras dirigidas ao próprio filho), a tentar mostrar à geração seguinte que nada vale a pena.
Mas reparemos no refrão: A culpa não foi tua, foi minha, e era o teu coração que estava em jogo. A culpa foi minha, pois com estas palavras que te dirigi, neguei o desejo do teu coração (You’ll never be what is in your heart.)
As palavras que dizemos têm peso. Quantas vezes dizemos coisas sem pensar, ou mais interessados no nosso discurso sobre a realidade que naqueles que temos à nossa frente.
É esta a originalidade de Little Lion Man, não um discurso cínico sobre a vida, mas o reconhecimento do erro desse discurso, que procura abafar o desejo infinito do coração do homem, a única coisa importante que está sempre em jogo.


Little Lion Man/ Pequeno Leão
Chora por ti, meu homem,
Nunca hás-de ser o que tens no coração
Chora, meu pequeno leão
Não és tão corajoso como no principio
Avalia-te, sonda-te
Recolhe toda a coragem que te sobra
Desperdiçada em resolver todos os problemas criados pela tua cabeça

A culpa não foi tua, foi minha
E era o teu coração que estava em jogo
Eu estraguei tudo desta vez,
Não estraguei, meu querido?

Treme por ti, meu homem
Tu sabes que já viste tudo isto
Treme, meu pequeno leão
Nunca vais resolver nenhuma das tuas disputas
A tua graça é desperdiçada na tua cara
A tua bravura está só no meio das ruínas
Agora aprende com a tua mãe, ou então passarás o resto dos teus dias a morder o próprio pescoço

A culpa não foi tua, foi minha
E era o teu coração que estava em jogo
Eu estraguei tudo desta vez,
Não estraguei, meu querido?


segunda-feira, março 11, 2013

Mumford & Sons - Ghosts That We Knew.



O

O Evangelho de hoje foi o do filho pródigo. Todos os anos o Padre João faz a mesma homilia sobre esta Evangelho e todos os ano eu me comovo. Com a leitura e com a homilia.
 
Porque me lembra sempre a misericórdia com que sou olhado.”Não viste nenhuma falha, nenhuma fenda no meu coração (…) tu conheces o meu chamamento”.
 
A graça de ter alguém que me olha e vê, através do meu pecado e da minha desgraça, o meu valor é o que me faz cair na conta de que fui feito para o ser grande. Ou seja, fui feito para ser santo.

 

 

Ghosts That We Knew/ Fantasmas que conhecemos.
 
Tu viste a minha dor, lavada pela chuva,
Vidro partido, viste o sangue correr das minhas veias.
Mas não viste nenhuma falha, nenhuma fenda no meu coração.
E ajoelhaste-te à frente. A minha esperança rasgou-se.
Mas os fantasmas que conhecemos, vão desvanecer-se da vista,
E nós iremos viver uma vida longa.
 
Então dá-me esperança na escuridão e eu vou ver a luz.
Porque eles dão-me um tal susto!
Mas eu vou aguentar enquanto tu quiseres,
Promete-me apenas que nós estaremos bem.
 
Então leva-me de volta,
Vira para sul desse lugar,
E fecha-me os olhos para minha desgraça recente
Porque tu conheces o meu chamamento,
E nós iremos partilhar o meu todo,
E os nossos filhos virão e hão de me ouvir rugir.
 
Mas segura-me, enterra o meu coração no frio.
E segura-me, enterra o meu coração ao lado do teu.

sábado, março 09, 2013

Ter filhos: um dever cívico!

:
Em 2012 nasceram em Portugal noventa mil crianças. Menos sete mil do que em 2011. No ano em que eu nasci (1985) nasceram cento e trinta mil crianças. Na década em que o meu pai nasceu a média de nascimentos por ano era superior a duzentos mil. A esperança média de vida em Portugal hoje é de 80 anos. Quando eu nasci era de 72 anos. Quando o meu pai nasceu era de 60 anos.

Percebo que estes dados não tenham a mesma relevância para a discussão política actual que o desemprego ou o défice. Percebo que possa parecer ridículo vir falar de demografia enquanto o Estado Social parece desabar. Aliás, falar em filhos durante uma crise económica como a que estamos a atravessar parece quase irresponsabilidade.

Contudo confesso que o facto de cada vez haver menos crianças me parece uma ameaça maior ao Estado Social do que qualquer crise económica. É que mesmo que consigamos vencer o défice, o desemprego, repor a balança comercial, voltar aos mercados e tudo o resto a minha geração parece condenada. Não pela precariedade ou pelos salários de 1.000€ brutos (para os mais sortudos, que arranjam emprego). Mas porque neste momento existem sensivelmente tantas pessoas na minha faixa etária como na do meu pai e o Estado Social parece estar a implodir. Não quero pensar como será daqui a 30 anos quando eu tiver a idade do meu pai e houver (segundo os dados do INE) cerca de mais 130 mil pessoas da minha faixa etária do que da dos meus eventuais filhos.

Por isso uma politica de investimento na família não é uma mera questão social, é uma urgência económica. É evidente que o Estado não pode resolver este problema. Ter filhos é uma questão que só diz respeito às pessoas e na qual nem o Estado nem a Sociedade se deve meter.

Mas se o Estado não pode ter filhos pode adoptar medidas que facilitem a vida a quem os quer ter. É possível diminuir a carga fiscal das famílias numerosas através de maiores deduções no IRS, diminuindo a contribuição para a Segurança Social dos pais que tenham mais do que dois filhos, descendo o IMI das casas onde habitem famílias com muitas crianças. É possível criar legislação laboral que proteja mais as grávidas, garantido que não vão perder o seu emprego ou que não verão a sua progressão na carreira afectada por serem mães. É possível melhorar a rede de Creches e Jardins de Infância ou mesmo dar aos pais que optarem por ficar em casa com os seus filhos o mesmo valor que o Estado iria gastar se estes tivessem num estabelecimento público.

Uma política que favoreça a família não é uma opção ideológica ou moral. Não se trata de uma exaltação das antigas virtudes do Pater Familias que sustenta os filhos enquanto a mulher fica em casa a tomar conta da prole. Não é um ataque à mulher emancipada que escolhe a carreira em vez da maternidade. Não é a defesa da família dita tradicional contra os novos “modelos de família” da sociedade actual. É uma questão de pragmatismo que deve unir desde a direita mais conservadora à esquerda mais progressista.

Porque podemos encolher ou aumentar o Estado, podemos tornar maior ou diminuir a protecção laboral, podemos fazer milhares de coisas para defender o Estado Social ou simplesmente deixá-lo cair. Mas qualquer que seja a opção ideológica se não começarmos a ter mais filhos nem a Troika nem a indignação nos vale, ficamos mesmo sem reforma!

quinta-feira, março 07, 2013

Mumford & Sons - For Those Below.


 
“As circunstâncias que Deus nos concede são factor principal, e não secundário, da nossa vocação”.
 O desafio de amar alguém é ama-la por inteiro, com toda a sua circunstância. A tentação é amar apenas a imagem que temos de uma pessoa: daquilo que foi ou daquilo que poderá vir a ser.
 Se apenas ama-mos o passado ou o futuro de alguém estamos destinados à desilusão. Porque o tempo não volta para trás e o futuro com que sonhamos pode nunca chegar. É na circunstância actual que somos chamados a amar e a sermos felizes.

 

For Those Below/ Para os que estão em baixo.

 Ela está caída indefesa nas escadas,
Assombrando os teus dia, consumindo as tuas orações.
Haverá cura, mas não forces esta rapariga a levantar-se.
Enquanto ela conta os tectos com voz pálida e mão trémulas.

 Tu disseste-me que a vida era longa, mas agora isso foi-se.
Encontras-te no topo, como líder da manada,
Chamado a ser uma rocha para aqueles que estão em baixo.

 Notas sussurradas do piano no canto da sala.
Aguenta a tua garganta, é cura que tu ouves na sua melodia?
Desejando mudança, mas amando-a mesmo enquanto ela está caída,
É o fardo de um homem que construiu a sua vida sobre o amor.

 Eu vou ser fechado e armazenado,
Num hospício [ala de lavanda]
Porque a minha a mente é igual a dela
Tão quebrada, tão aleijada, tão queimada.

 E então eu encontro-me no topo, como líder da manada,
Chamado a ser uma rocha para aquele que estão em baixo.

terça-feira, março 05, 2013

À espera do novo Papa com Bento XVI: Oração e Silêncio.



Nas últimas vezes que nos falou, o nosso amado Papa Emérito Bento XVI pediu a nossa oração. Depois da sua última aparição em Castel Gandolfo deixa-nos o testemunho do seu silêncio.

Olhando para a fé desde homem, que não cede à tentação de achar que é ele que constrói a Igreja, não posso deixar de desejar uma fé assim para mim.

Por isso durante este tempo de Sede Vacante tenho tentado não ligar aos inúmeros artigos sobre quem deve ser o novo Papa e sobretudo, tenho tentado não pensar nem dizer nada sobre esse assunto. Desejo estar diante do Conclave com a mesma confiança em Nosso Senhor que tem o Pontífice Emérito.

Não que dizer que este ou aquele cardeal é bom ou daria um bom Papa faça mal. Ou que faça bem. A minha opinião para este assunto é totalmente irrelevante. Se o Espírito Santo a quisesse tinha feito de mim Cardeal.

Mas é colocar a questão em termos pequeninos. É reduzir o Papa à medida humana, encaixa-lo na nossa agenda. É verdade que o próximo Papa será humano. É verdade que será votado por homens. Mas este é o paradoxo da Igreja: uma realidade que, embora totalmente constituída por seres finitos, é totalmente transcendente.

Por isso não quero contribuir para o burburinho, nem quero ouvi-lo. Neste tempo de espera olhemos mais uma vez para Bento XVI e vivamos segundo o seu testemunho: em oração e silêncio.

Mumford & Sons - Sigh no More

 
 
Eu sou um pecador e um cobarde, mas desejo ardentemente ser como Deus me pensou. O amor, o amor verdadeiro, não a expressão do meu egoísmo ou dos meus caprichos, é a possibilidade de eu ser realmente homem.

Porque o amor como foi feito para ser é o da cruz: "ninguém tem maior amor do aquele que dá a vida pelos seus amigos".
 
O amor não é um sentimento. Quem vive de acordo com o sentimento é de facto escravo: escravo da mensagem que não chega, do olhar que não se cruzou, da data esquecida. Escravo da sua própria medida. Mas quem vive a sua vida como doação é verdadeiramente livre e verdadeiramente homem. Disso é supremo testemunho Cristo pregado na cruz:"Eu venci o mundo"!


Sigh No More/ Não Suspires Mais.

Serve Deus, ama-me e emenda
Isto não é o fim
Vive sem mancha, nós somos amigos
E eu estou arrependido
Estou arrependido.
Não suspires mais,
Um pé no mar e outro na costa
O meu coração nunca foi puro
Tu conheces-me

E o homem é uma coisa indecisa,
Oh o homem é uma coisa indecisa.
 
O amor não te vai trair,
Desanimar-te ou escravizar-te
Vai libertar-te.
Sê mais como o homem
Que foste feito para ser.
 
Há um desígnio
Um alinhamento, para gritar
Do meu coração para ver
A beleza do amor
Como foi feito para ser.