quinta-feira, novembro 18, 2010

Manifesto CL

Crise: que resposta?

O desgoverno das contas públicas; a politização da administração pública que, de forma cada vez mais capilar, vai perdendo a sua competência, isenção e sentido de serviço; a instrumentalização da educação; uma administração da justiça degradada e espelho da falta de um ideal autêntico. O nosso país atravessa um momento grave, que se exprime no difundir do desânimo e numa indignação que toma sempre os outros por objecto.
Ao mesmo tempo, o diálogo político é marcado pela superficialidade e pela falta de interesse pelas pessoas. Há um multiplicar de sinais da perda de efectiva liberdade e uma diminuição do sentido da política como serviço ao bem comum.
Facilmente reduzimos esta circunstância a algo que nos é externo e estranho, de que nos podemos lamentar e distanciar. E uma posição ética acaba por se confundir com a ilusão de que podemos pelo menos salvar um canto de realidade, uma espécie de condomínio fechado onde fosse possível construir um pequeno mundo mais justo e moral.
Mas chega-nos uma voz humilde e forte, que nos indica um caminho muito diferente: “Diante desta situação do mundo e da Igreja em que nós participamos, a nossa única estratégia – diz o Papa – é a conversão”.
A situação actual ajuda-nos a posicionar-nos diante desta questão sem iludir que o que está em causa é a nossa própria mudança, como sublinhou o Papa: o que é necessário, para cada um, é “uma viagem ao centro de si mesmo e ao cerne do cristianismo para reforçar a qualidade do testemunho até à santidade.”
Não nos detenhamos no mal-estar e na acusação de insuficiência – dos outros e nossa – que é fonte de vazio e de insatisfação. É possível uma posição de trabalho e de responsabilidade pessoal, que se torna visível aos nossos olhos através do testemunho de tantas pessoas que à nossa roda não baixam os braços, e das obras que contra ventos e marés continuam a construir na sociedade. Ponto fundamental no actual quadro de dificuldades económicas é a disponibilidade para poupar e partilhar de forma exigente e radical.
Todos estamos convidados a responder ao desafio e a viver a missão que nos deixou o Papa ao despedir-se do nosso País: Continuemos a caminhar na esperança!


COMUNHÃO E LIBERTAÇÃO


Novembro 2010

sábado, novembro 13, 2010

Pax America!


Os europeus em geral padecem de um anti-americanismo primário. Com a aproximação da cimeira da NATO isso torna-se cada vez mais evidente. E não é apenas a esquerda, dividida entre estalinistas saudosista e outra gente defensora do estatalismo, que não gosta dos EUA. Mesmo as pessoas de direita têm uma tendência snob para desprezar a América.

Com a típica altivez de fidalgo arruinado os europeus vêm os americanos como uns novos-ricos. Aliás o intelectual europeu só vê filmes europeus, só lê livros escritos por europeus e toma a generalidade dos americanos como analfabeta.

Mas sobretudo, o que realmente irrita os europeus, é a mania dos americanos de que são polícias do mundo. A soberba com que os americanos, que tem pouco de duzentos anos de história, se propõem resolver as questões internacionais, muitas das quais se prologam há séculos, deixa os europeus fora de si.

E com alguma razão. De facto os americanos não têm história. Nos seus duzentos anos nunca sofreram uma revolução, nunca foram invadidos, nunca tiveram um império. Entre Washington e Obama o sistema político americano manteve-se quase inalterado. Por isso muitas vezes falta-lhe a capacidade de compreender os conflitos internacionais. Olhando para o último século parece que cada vez que a América derrota um inimigo cria outro.

Contudo, apesar de todos os seus defeitos, a única razão pela qual os europeus podem ter opiniões sobre a América é a América. Porque enquanto os franceses, os alemães e todos os outros se entretêm a atacar a América, esta vai defendendo o Ocidente. Não só as suas fronteiras, mas também toda a Europa. E pagam a conta: quer em dinheiro, quer em sangue.

Porque a verdade é que da II Guerra Mundial até hoje a Europa perdeu todo o seu poder bélico. Hoje nenhum país europeu se encontra em condições de travar uma guerra. Qualquer estado pária está tendencialmente mais bem equipado para a guerra do que a Inglaterra ou a França.

Por isso, eu só me juntarei ao coro contra os EUA no dia em que houver quem os substitua. Até lá, posso não gostar deles, mas como sou bem-educado, agradeço a quem me faz o favor de me guardar as costas.

sexta-feira, novembro 12, 2010

Fossem Ricos! - II

Uma amiga minha, em resposta ao meu post Fossem Ricos, diz-me que percebe que o Estado fazendo cortes também os faça no ensino privado. Deu-me como exemplo o apoio as universidades privadas que acha injustificado.

Em relação a isto digo duas coisas. Primeiro, os cortes feito pelo Governo fazem-no parecer um pouco um grupo de adolescentes de férias no Algarve. Vão gastando o dinheiro todo em álcool e tabaco. Quando percebem que o dinheiro está a acabar, vão comendo menos e pior e continuam a gastar o dinheiro em saídas à noite. Quanto o dinheiro acaba, pedem mais dinheiro aos pais. Este dão do dinheiro, eles gastam um pouco menos em copos (mas mais do que deviam) e continuam a comer mal.

Assim está o nosso governo. O dinheiro acabou, cobram mais impostos, pedem mais dinheiro emprestado mas continuam a construir estradas, dar Magalhães e a sustentar empresas públicas com pouca utilidade. Ao mesmo tempo cortam na saúde, na educação e nos salários e sobem impostos.

Eu percebia estes cortes se o governo se comportasse como uma dona de casa sensata que corta primeiro nos cereais, no leite com chocolate e só depois nas explicações.

A educação, juntamente com a saúde, é a última coisa a cortar. Primeiro corta-se naquilo que, dando jeito, não é essencial. Estradas, computadores, motoristas, artes, cimeiras internacionais. Se de facto for preciso mais cortes e não houver mais onde cortar, aí sim corta-se na educação.

Em segundo lugar, cortando-se na educação o critério deve ser o da utilidade e não se é privado ou não. Percebo que de facto há universidade a mais, mas se calhar mais vale cortar nos cursos que onde não há saída do que dizer “corta-se nas privadas”. A maior parte dos alunos de psicologia são apenas futuros desempregados que nos custam muito dinheiro.

Os 70 milhões de euros que o Governo vai cortar no apoio ao ensino privado são a escolas criadas por privados em locais onde não há escolas públicas. Não são um luxo, são uma necessidade.

O problema não é que o Governo corte no apoio ao ensino privado. Se de facto for mesmo preciso que o faça. O problema é que este corte é feito numa base ideológica: não por uma necessidade mas para destruir o ensino privado e reforçar o peso do Estado na vida dos portugueses.

quarta-feira, novembro 10, 2010

Eu encontrei Cristo.

(Nós estavamos junto da bandeira cor-de-laranja do Colégio de São Tomás)


Este fim-de-semana fui a Santiago de Compostela ver o Santo Padre. Assim que soube que o Papa ia a Espanha comecei a preparar a ida com uns amigos meus. Arranjamos dois carros e partimos Sexta-Feira.

A viagem foi boa e correu tudo bem. Contudo, não pude deixar de pensar porque razão ia eu fazer esta peregrinação. A verdade é que só a vi a cabeça do Papa quando o Santo Padre passou a Porta Santa e que assisti à missa num ecrã gigante sem perceber metade da homilia. Por isso, que razão fiz 1000 km num fim-de-semana?

A resposta: para ir ao encontro do Papa. Porque mesmo sem o ver, mesmo se o ouvir, a presença do Papa é presença de Cristo. Fale bem ou mal, seja bonito ou feio, o Santo Padre é a pedra sobre a qual Cristo escolhe construir a Igreja.

Por isso, vale a pena fazer mil quilómetros num fim-de-semana. Não pelo discurso que posso ler no site da Santa Sé (o que recomendo vivamente que façam), não pelas imagens que podia ver em casa. Mas para ir ao encontro de Pedro.

E a verdade é que voltei mudado. Não tive nenhum momento de revelação interior, nem de euforia. Mas ir ao encontro do Papa satisfez-me profundamente. Foi como estar em casa: não havia nenhum outro sítio onde preferisse estar.

E de facto, neste três dias reparo que mudei. Rezei mais, fui mais à missa e até estudei o texto da Escola de Comunidade. E isso deixou-me contente. Claro que sou um mísero pecador e que por isso posso fazer um qualquer disparate mal acabe de escrever estas linhas. Mas para mim esta foi a beleza da minha peregrinação: não foi subjectiva. A mudança não partiu de um qualquer sentimento, mas de uma exigência do meu coração. Posso cair amanhã, mas nem que passem mil anos posso negar que encontrei Cristo no Sábado.

Partidocracia.

Umas das maiores deficiências do nosso sistema político são os círculos eleitorais plurinominais. Ou seja, para círculo eleitoral existem x deputados. O número de deputados é calculado através do método de Hondt consagrado na Constituição.

Claro que o problema é mais profundo do que os círculos eleitorais plurinominais. O problema é ainda agravado por os candidatos a deputados serem escolhidos pelas direcções dos partidos e pelo facto de ser possível substituir um deputado eleito por um outro que esteja presente na lista de candidatos aquele círculo.

Isso leva a que muitas vezes os partidos apresentem cabeças de lista que nem sequer colocaram a hipótese de serem deputados. Estão na lista meramente para angariar votos. Por isso quando votamos nas eleições legislativas não sabemos em quem votamos.

O nosso sistema desvirtua completamente a democracia. No fundo quem escolhe os deputados são os líderes partidários eleitos mais ou menos democraticamente. Ao povo só cabe dizer quantos dos escolhidos da direcção irão ocupar o seu lugar em São Bento.

Ora, como os deputados não dependem dos seus constituintes mas da direcção do partido acaba por ser a esta que eles respondem. Nenhum deputado na hora de votar tem que pensar no povo, mas todos tem que pensar no "partido".

Esta é uma das razões porque a nossa AR é bastante inútil. Em Inglaterra e nos Estados Unidos, onde existem círculos uninominais, os candidatos não são escolhidos pela direcção do partido, mas sim pelos membros do partido do seu círculo. Isto dá-lhes uma grande independência que garante que o poder legislativo controla de facto o poder executivo.

Se os cidadãos não têm possibilidade de punir um deputado incompetente (por muito maus que um deputado seja se for cabeça de lista no Porto em Lisboa por um dos partidos parlamentares acaba por ser eleito) então estes têm carta branca para pensar apenas no partido.

O actual sistema no fundo acaba por funcionar como uma partidocracia onde o povo tem pouco ou nada a dizer. Ficamos assim dependentes do Presidente da República. O problema é que o menos mau dos candidatos tem provado aquilo de que é capaz: nada.

terça-feira, novembro 09, 2010

"The inherent vice of capitalism is the unequal sharing of blessings; the inherent virtue of socialism is the equal sharing of miseries".

Hoje o PCP pediu na Assembleia da Republica que não se cortasse nos apoios ao ensino superior. O problema do PCP, tal como do BE, é que não querem que se corte em lado nenhum. Que não se corte no ensino, na saúde, nos salários, na função pública. Por outro lado não querem que se aumente os impostos, nem a idade da reforma, nem que se flexibilize o regime laboral.

Para a esquerda a solução é sempre a mesma: taxar mais os ricos e a banca. O problema é que os ricos já são mais taxados. E acho muito bem que o sejam. Os impostos são o preço que se paga por viver em sociedade. Contudo, se aumentam os impostos sobre que tem mais rendimento é provável que estes deixem de querer ter mais dinheiro ou que saiam do país. Assim não se produz riqueza, nem se cria trabalho. As pessoas até podem ter mais serviços do Estado, mas não tem como se sustentar.

Não cabe ao Estado procurar a igualdade entre ricos e pobres. O Estado deve garantir a igualdade perante a lei e a dignidade da vida humana. Porque a história já demonstrou que o igualitarismo não só não acaba com a pobreza como destrói a riqueza.

Ter dinheiro não é um crime, nem um pecado. Nada que entre no homem o polui, mas sim o que sai do homem diz Nosso Senhor. O dinheiro em si mesmo é neutro. Por isso não é justo penalizar quem, através de trabalho e mesmo da sorte, conseguiu enriquecer.

A solução para a crise não passa por mais Estado. Mais Estado significa mais impostos (pois o país não tem uma mina de dinheiro), mais impostos significa menos riqueza. A solução não passa por taxar ainda mais os ricos. A solução passa por menos Estado e mais liberdade.

Cristofobia!

Um casal inglês foi impedido de ser família de acolhimento por se recusar a falar da homossexualidade como um modo de vida aceitável. Para além disso o painel da comissão de adopção também não gostou da ideia do casal levar um criança à Igreja ao Domingo.

É desta ditadura que o Papa fala. De uma ditadura que, relativizando tudo, anula quem tem uma certeza. Se não reconhecermos que existe o bem e o mal, se a moralidade é adaptável, então quem exprime uma certeza está de fora.

Assim tolera-se tudo, excepto a Verdade. Assim concede-se liberdade para tudo excepto para proclamar a Verdade.

Os Católicos na Sociedade

"Rispetto ad una questione sociale sempre più interconnessa nei suoi svariati ambiti, appare di particolare urgenza l'impegno nella formazione del laicato cattolico alla dottrina sociale della Chiesa. Infatti è proprio dei fedeli laici il dovere immediato di lavorare per un ordine sociale giusto. Essi, quali cittadini liberi e responsabili, debbono impegnarsi per promuovere una retta configurazione della vita sociale, nel rispetto della legittima autonomia delle realtà terrene. La dottrina sociale della Chiesa rappresenta così il riferimento essenziale per la progettualità e la azione sociale dei fedeli laici, nonché per una loro spiritualità vissuta, che si nutra e s'inquadri nella comunione ecclesiale: comunione di amore e di verità, comunione nella missione.

I christifideles laici, però, proprio perché traggono energie ed ispirazione dalla comunione con Gesù Cristo, vivendo integrati con le altre componenti ecclesiali, debbono trovare al loro fianco sacerdoti e Vescovi capaci di offrire un’instancabile opera di purificazione delle coscienze, insieme con un indispensabile sostegno e aiuto spirituale alla coerente testimonianza laicale nel sociale. Perciò, è di fondamentale importanza una comprensione profonda della dottrina sociale della Chiesa, in armonia con tutto il suo patrimonio teologico e fortemente radicata nell’affermazione della dignità trascendente dell’uomo, nella difesa della vita umana sin dal suo concepimento fino alla morte naturale e della libertà religiosa. Così compresa, la dottrina sociale deve essere inserita anche nella preparazione pastorale e culturale di coloro che, nella comunità ecclesiale, sono chiamati al sacerdozio. E' necessario preparare fedeli laici capaci di dedicarsi al bene comune, specie negli ambiti più complessi come il mondo della politica, ma è urgente anche avere Pastori che, con il loro ministero e carisma, sappiano contribuire all’animazione e all’irradiazione, nella società e nelle istituzioni, di una vita buona secondo il Vangelo, nel rispetto della libertà responsabile dei fedeli e del loro proprio ruolo di Pastori, che in questi ambiti hanno una responsabilità mediata. La già citata Mater et magistra proponeva, circa 50 anni fa, una vera e propria mobilitazione, secondo carità e verità, da parte di tutte le associazioni, i movimenti, le organizzazioni cattoliche e d'ispirazione cristiana, affinché tutti i fedeli, con impegno, libertà e responsabilità, studiassero, diffondessero e attuassero la dottrina sociale della Chiesa"


Da carta do Santo Padre Bento XVI ao Presidente do Conselho Pontíficio Justiça e Paz.

sexta-feira, novembro 05, 2010

Fossem ricos!

A crise tem-se vindo a demonstrar um hipótese brilhante não para aligeirar, mas para reforçar o poder do Estado. Com a desculpa de que é preciso poupar o governo, em vez de reduzir as parcerias pública-privadas ou desmantelar uns quantos institutos públicos, vai cortando no apoio que dá as instituições privadas que prosseguem fins públicos.

Primeiro revogou a devolução do IVA das IPSS. Agora vai cortar, ainda mais, o apoio às escola privadas (ver noticia do Público). A pouco e pouco o poder do Estado sobre os portugueses vai-se tornando cada vez maior. E a crise tem-se demonstrado a desculpa perfeita para o crime perfeito: nesta altura protestar contra cortes na despesa é quase sacrilégio.

E assim o ensino e a caridade vão passando para as mãos do Estado. O Estado (esse ser abstracto e omnipresente) chama a si o poder de educar e sustentar os portugueses que menos possibilidades de defesa têm.

E se um pai não quiser ter o filho educado pelo Estado? E se um velho não quiser ser sustentado pelo Estado? Olha, que fosse rico!

terça-feira, novembro 02, 2010

Um Contra o Outro, Deolinda.



Anda, desliga o cabo,
que liga a vida, a esse jogo,
joga comigo, um jogo novo,
com duas vidas, um contra o outro.

Já não basta,
esta luta contra o tempo,
este tempo que perdemos,
a tentar vencer alguém.

Ao fim ao cabo,
o que é dado como um ganho,
vai-se a ver desperdiçamos,
sem nada dar a ninguém.

Anda, faz uma pausa,
encosta o carro,
sai da corrida,
larga essa guerra,
que a tua meta,
está deste lado,
da tua vida.

Muda de nível,
sai do estado invisível,
põe o modo compatível,
com a minha condição,
que a tua vida,
é real e repetida,
dá-te mais que o impossível,
se me deres a tua mão.

Sai de casa e vem comigo para a rua,
vem, q'essa vida que tens,
por mais vidas que tu ganhes,
é a tua que,
mais perde se não vens.

Sai de casa e vem comigo para a rua,
vem, q'essa vida que tens,
por mais vidas que tu ganhes,
é a tua que,
mais perde se não vens.

Anda, mostra o que vales,
tu nesse jogo,
vales tão pouco,
troca de vício,
por outro novo,
que o desafio,
é corpo a corpo.

Escolhe a arma,
a estratégia que não falhe,
o lado forte da batalha,
põe no máximo o poder.

Dou-te a vantagem, tu com tudo, eu sem nada,
que mesmo assim, desarmada, vou-te ensinar a perder.

Sai de casa e vem comigo para a rua,
vem, q'essa vida que tens,
por mais vidas que tu ganhes,
é a tua que,
mais perde se não vens.

Bem Aventurados.

Este Domingo foi atacada a Igreja de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro em Bagdad. Embora não haja número conclusivos, é certo que morreram mais de cinquenta pessoas neste ataque.

Embora só agora os nossos media, ainda que timidamente, tenham aberto os olhos para este problema, a violência contra os cristãos no Iraque é uma constante. Este talvez tenha sido o ataque mais grave mas não foi de todo o primeiro. Em 1987 viviam no Iraque 1,4 milhões de cristãos no Iraque. Agora são no máximo 600 mil, muitos dos quais desalojados. De 1,6 milhões de refugiados iraquianos, cerca de 40% são cristãos. Desde o principio da ocupação americana já foram mortos dois mil cristãos.

Ou seja, em 23 anos passaram a existir menos 800 mil cristãos no Iraque. Desses sabemos que 640 mil são refugiados. Mas quando falamos da perseguição à Igreja no Iraque podíamos falar do Paquistão, da Índia, do Vietname, na China, do Sudão, de partes da Nigéria, da Costa do Marfim, etc.

Hoje, no ano de 2010, a Igreja ainda é ameaçada em boa parte do mundo. Existem em todos o mundo milhares de pessoas que são perseguidas apenas pela sua fé. Homens e mulheres que vêm as suas vidas em perigo, que são postos na cadeia, cujos os templos são destruídos por professarem a sua Fé em Nosso Senhor Jesus Cristo. E o ocidente, nascido do cristianismo, continua a ignorar este povo mártir.

A esquerda caviar lança movimentos cívicos para defender todas as maiorias perseguidas excepto esta. Os estados ocidentais defendem os direitos de todos, excepto os dos cristãos. Resta a consolação dada pelo o Evangelho de ontem: "Bem-aventurados sereis, quando, por minha causa, vos insultarem, vos perseguirem e, mentindo, disserem todo o mal contra vós. Alegrai-vos e exultai, porque é grande nos Céus a vossa recompensa"

segunda-feira, novembro 01, 2010

"A glória de Deus é o homem que vive".

Hoje celebrámos a Solenidade de Todos os Santos. Ou seja, este é o dia em que a Igreja recorda todos aqueles que, tendo partido já deste mundo, já vêm a Deus face a face.

Alguns destes conhecemo-los. São-nos apontados pela Igreja como testemunho de santidade e como intercessores junto do Pai. Contudo existe uma multidão incontável de desconhecidos que já se encontram na Glória de Deus. Hoje é o dia em que a Igreja se confia a todos eles.

E depois deste dia a Igreja celebra o dia de Fiéis Defuntos. O dia em que rezamos por aqueles que ainda se encontram no purgatório á espera de entrar na Glória Celeste.

Neste dias tem-se escrito muito sobre a substituição destas festas por essa importação anglófona que é o Halloween, a noite das Bruxas. E a indignação é mais do que justa. De facto é ridículo um mundo onde os príncipes encantados são cobarde e os ogres heróis. Um tempo onde se esquece a fé em nome de um suposto racionalismo, para depois se celebrar superstições. Pelos visto é saloio venerar os santos, mas é normal idolatrar vampiros.

Contudo parece-me que perdemos demasiado tempo a falar do Halloween. Está certo que dizemos mal dele, mas mesmo assim damos-lhe muita atenção. De tal a maneira que nos esquecemos daquilo que realmente interessa: que apesar de todas a estupidez humana fazemos parte de uma história de dois mil anos. Dois mil anos de homens e mulheres que são para nós testemunhas da Glória de Deus aqui na terra. E são esses que hoje celebramos.


Tea Party.



O movimento "Tea Party" é um movimento político norte-americano nascido em 2009 que da oposição a Barack Obama, mas que tem como pano fundo a oposição ao crescimento do Estado.

O Estado Unidos da América, ao contrário da Europa continental, tem uma forte tradição de defesa das liberdades individuais contra o Estado Federal. Enquanto na Europa em geral o poder local "provêm" do Estado, nos EUA o Estado Federal só tem o poder que os estado lhe concederam. Assim se explica, por exemplo, a forte oposição de muitos americanos a um sistema de saúde universal. Para muitos dos americanos isto é conceder ao Estado mais poder e logo, tirar a possibilidade de cada um decidir da sua vida.

Aliás o nome Tea Party vem da Revolução do Chá de Boston, quando os colonos americanos assaltaram e destruiram os carregamento de chá, protestando contra os impostos cobrados pela coroa Inglesa.

Claro que este movimento está recheado da boa retórica americana. Muito patriotismo, muito sentimentalismo saloio, malta vestida à cowboy. Isto para os media snobs europeus é o equivalente a admitir que os apoiantes deste movimento são todos extremistas cristãos que odeiam meio mundo.

Mas a verdade é que o Tea Party arrisca-se a eleger vários congressistas e, acima de tudo, poderá vir a ter uma palavra decisiva na escolha do candidato republicano a presidência. Claro que os nosso jornais gostam sempre de dizer que estes extremistas não tem hipótese porque afastam os moderados. Mas já o diziam sobre o Bush e aposto que também o dizeram sobre o Reagan.

sábado, outubro 30, 2010

Calista a Escultora Grega, Jonh Henry Newman, Aletheia.




A Aletheia publicou agora o livro Calista a Escultora Grega do Beato João Henrique Newman. Este livro é o romance histórico passado na província africana do Império Romano, no ano 250 dC.

O livro tem como pano de fundo a perseguição aos cristão lançado pelo imperador Décio. Após alguns anos de relativa paz a Igreja encontrava-se na altura amolecida. Muitos dos cristãos de então eram-no por convicção familiar. Faltavam bispos e padres e os cristãos começam a comportar-se como os pagãos.

O livro conta a história de uma pequena cidade, próxima de Cartago, onde quase não existem cristãos. Contudo a perseguição lançado por Décio e a paixão de Calista por um cristão levará ao renascimento da igreja africana. Tudo fruto do encontro com um homem: São Cipriano, bispo de Cartago.

A coisa que mais me comoveu neste livro foi a maneira clara como o Beato Newman explica que a fé nasce do reconhecimento de um presença. Um presença que corresponde de tal maneira que negar essa presença é pior do que a morte.

Embora escrito há 155 anos este livro podia ter sido escrito hoje, para nós. Num tempo que reduz a fé a um sentimento vale a pena ler esta grande mestre que o Santo Padre elevou aos altares.

Nazareth Morning, Bay Ridge Band.



She breaks the darkness with a hope no one has seen
Beneath her heart there grows a grace that has not been
Nazareth Morning
Has come to be
The dawn that eyes have longed to see

Carpenter's lady with a baby at her breast
A humble court where kings and shepherds are her guests
Nazareth Morning
Bethlehem Star
A light for people near and far
Dawn grows to Day, Day comes to stay
The dark of sin won't dim the way
The darkness lied and tried to hide the day in death
Yet in her cries there lies a hope in every breath
Nazareth Morning
Calvary Night,
Can never stop the truth and light

Another morning brings an unexpected light
Another Mary sees an unexpected sight
Nazareth Morning
Rolls stones away
No night can end this endless day

Nazareth Morning
Will always be
The dawn that longs to set us free

Nazareth Morning
Will always be
The dawn that longs to set us free

Nazareth Morning
Will always be
The dawn that longs to set us free

"Et Verbum caro factum est et habitavit in nobis" (Io, 1, 14)

quinta-feira, outubro 28, 2010

Discurso de apresentação das credenciais de Sua Excelência o Embaixador de Portugal junto da Santa Sé

Beatíssimo Padre,

Constitui para mim a maior honra pessoal e profissional apresentar hoje a Vossa Santidade as cartas credenciais pelas quais Sua Excelência o Presidente da República Portuguesa achou por bem acreditar-me como Embaixador Extraordinário e Plenipotenciário junto da Santa Sé.

Tenho igualmente a honra de entregar a Vossa Santidade as cartas que dão por terminadas as funções do meu distinto antecessor, o Embaixador João da Rocha Páris, que durante vários anos aqui representou Portugal com toda a dedicação.

Desejo, ao apresentar-me, cumprir em primeiro lugar o grato dever de transmitir a Vossa Santidade as respeitosas saudações do Chefe de Estado Português, assim como a expressão da sua profunda admiração e os seus muito sinceros votos de bem-estar.

É-me igualmente muito grato poder ser, nesta oportunidade, o intérprete da arreigada devoção filial do Povo Português à Igreja e a Vossa Santidade, sentimentos estes que Vossa Santidade pôde confirmar por ocasião da memorável visita com que honrou, há meses, o meu País.

Mantêm-se bem presentes na memória de todos os múltiplos gestos de carinhoso e paternal afecto para com Portugal e para com os Portugueses que Vossa Santidade, tanto na mencionada visita como ao longo de todo o seu Pontificado, tem dispensado. Recordo a propósito, com emoção, a canonização de Frei Nuno de Santa Maria.

Como Vossa Santidade tão sabiamente recordou ao chegar a Lisboa no dia 11 de Maio passado, «logo nos alvores da nacionalidade o Povo Português voltou-se para o Sucessor de Pedro esperando na sua arbitragem para ver reconhecida a sua própria existência como Nação». Mais tarde, um Predecessor de Vossa Santidade honrou Portugal, na pessoa do seu Rei, com o título de Fidelíssimo. Assim tem continuado, felizmente, a ser ao longo de quase nove séculos. Vossa Santidade, na homilia que pronunciou a 13 de Maio último no Santuário de Fátima – que tantos designam como o Altar do Mundo – dignou-se referir o meu País como «Nação gloriosa». Estou certo de que os Portugueses continuarão a ser dignos de tão generosa confiança.

Julgo igualmente de sublinhar o facto de que, onde houve ou ainda há uma presença histórica ou cultural portuguesa resultante da extraordinária expansão da lusitanidade, iniciada no período das grandes descobertas marítimas, também aí hoje se encontra viva e activa a presença da Igreja de Roma. A língua portuguesa e a cristandade têm efectivamente mantido fortes laços nas cinco partes do mundo.

Portugal, do mesmo modo que a Santa Sé, orienta a sua actuação nas relações internacionais pelos princípios da independência nacional, do respeito pelos direitos humanos, da igualdade entre os Estados, da solução pacífica dos conflitos e da cooperação internacional como elemento fundamental para o progresso e desenvolvimento da humanidade. Estes princípios encontram-se inscritos na Constituição Portuguesa. Acresce que a valiosa experiência cultural da nossa longa história tem sido determinante para a capacidade universalista que temos para procurar dialogar com todos os povos, estabelecer pontes e contribuir para gerar consensos. Lembro, a propósito, que o Povo Português se orgulha, legitimamente, de ter sido o primeiro na Europa a abolir a pena de morte.

Vossa Santidade tem apelado, com insistência, para que não seja menorizado na vida pública o papel da religião e para que os dirigentes mundiais busquem os meios de encorajar a todos os níveis o diálogo entre a fé e a razão. É-me grato frisar que Portugal não apenas participa mas dirige superiormente as iniciativas no quadro da Aliança das Civilizações, fórum que busca activamente o indispensável e urgente diálogo intercultural.

Recordou também Vossa Santidade ao visitar Portugal, a propósito das comemorações de um século da proclamação da República no meu País, que a viragem republicana abriu, na distinção entre Estado e Igreja, um espaço novo de liberdade para a Igreja que as duas Concordatas, de 1940 e de 2004, formalizaram.

É minha convicção, Beatíssimo Padre, que a Concordata actualmente em vigor constitui um instrumento plenamente apto a assegurar um relacionamento bilateral conforme não só com as nobres tradições e profundos laços históricos que evoquei mas também com os relevantes interesses comuns contemporâneos em frutuosas condições de estabilidade e de respeito mútuo. Irei trabalhar sempre nesta perspectiva com total empenho enquanto ocupar as tão honrosas funções que hoje inicio.

Termino, solicitando a Vossa Santidade que paternalmente se digne abençoar Portugal, os Portugueses e os seus Governantes e, se tal ouso pedir, a Embaixada, a minha Família e eu próprio.

Manuel Fernandes Pereira

Analgésico.

As negociações entre o PSD e o PS relativas ao Orçamento de Estado falharam. Pelos visto acertaram tudo, excepto o corte de mais 400 milhões de euros na despesa.

De novo se levanta um coro de vozes a pedir responsabilidade. É urgente que se aprove o orçamento, mesmo que seja mau. Primeiro porque se o orçamento não for aprovado Portugal não vais conseguir crédito lá fora. Em segundo, porque se o OE chumbar o governo demite-se e assim passa a batata quente a outro.

Em relação à primeira objecção, de que mais vale um mau orçamento do que nenhum, parece-me tonto. Se a ausência de orçamento pode levar a uma crise de confiança dos mercados internacionais em relação a Portugal, um mau orçamento pode ter o mesmo resultado daqui a um ano. Com a diferença que daqui a um ano o Estado estará mais endividado e os portugueses mais pobres. A técnica do chutar para a frente e aguentar mais um bocadinho tem sido usado pelo governo socialista desde há cinco anos com o resultado que agora vemos.

Quanto ao segundo orçamento, eles que fizeram porcaria agora aguentem-se, é criminoso. Para além de criminoso é passar um atestado de incompetência ao PSD. É criminoso porque parte do cálculo político em vez do serviço do país. Tanto faz que o país se afunde, desde que o PS se afunde com ele. Por outro lado, é também uma maneira de dizer que o PSD não consegue lidar com esta crise (da qual de facto tem bastante menos culpa que o PS) por isso mais vale deixar queimar Sócrates mais um bocado e esperar até Maio por eleições.

Parece-me que a solução mais dolorosa (chumbar o orçamento) é, neste caso, a mais eficiente. Aprovar este orçamento como está é como tomar analgésico quando se tem uma dor de dentes sem ir ao dentista. Quando acabar o analgésico a dor fica ainda pior.

segunda-feira, outubro 25, 2010

Discurso de Margaret Tatcher no Congresso do Partido Conservador de 1983.



One of the great debates of our time is about how much of your money should be spent by the State and how much you should keep to spend on your family. Let us never forget this fundamental truth: the State has no source of money other than money which people earn themselves. If the State wishes to spend more it can do so only by borrowing your savings or by taxing you more. It is no good thinking that someone else will pay—that "someone else" is you. There is no such thing as public money; there is only taxpayers' money.[fo 3]

Prosperity will not come by inventing more and more lavish public expenditure programmes. You do not grow richer by ordering another cheque-book from the Bank. No nation ever grew more prosperous by taxing its citizens beyond their capacity to pay. We have a duty to make sure that every penny piece we raise in taxation is spent wisely and well. For it is our party which is dedicated to good housekeeping—indeed, I would not mind betting that if Mr. Gladstone were alive today he would apply to join the Conservative Party.

Protecting the taxpayer's purse, protecting the public services—these are our two great tasks, and their demands have to be reconciled. How very pleasant it would be, how very popular it would be, to say "spend more on this, expand more on that." We all have our favourite causes—I know I do. But someone has to add up the figures. Every business has to do it, every housewife has to do it, every Government should do it, and this one will.

É isto que o nosso governo não percebe ou não quer perceber. Sempre que gasta dinheiro impede as pessoas de criar riqueza. O dinheiro que o Estado gasta é nosso. Por isso deve ter cuidado e critério quando o gasta. Tem que assegurar que gasta apenas no essencial e com a máxima eficiência. Não é cobrando mais dinheiro que o Estado vai resolver os problemas do país, mas gastando menos.

Quem cria riqueza são as pessoas. As pessoas que trabalham, que investem, que criam. São as empresas que criam realmente trabalho. Não por altruísmo, mas porque precisam de mão de obra. São as pessoas que criam riqueza, não por bondade, mas porque precisam de gastar o seu dinheiro para viver.

Por isso o Estado que se limite a assegurar que todos são iguais perante a lei e que todos tem a possibilidade de uma vida digna. Porque tudo o que gasta é nosso, porque tudo o que gasta não gastamos nós.

Por favor, não nos façam mais favores!

O Público de sábado dava conta que o Orçamento de Estado tirava benefícios fiscais às igrejas, mantendo os da Igreja Católica. Esta notícia tinha direito a estar na capa e a uma página inteira dentro do jornal. Digo isto porque falamos do mesmo jornal que "ignorou" uma procissão com 150 mil pessoas no Porto.

Os benefícios de que o jornal fala e que foram retirados é o direito de o IVA sobre bens adquiridos para o culto, assim com o de construções ligadas a essas igrejas ser reembolsado.

A primeira coisa que me ocorre perante a indignação do Público é de a justiça é tratar de forma igual o que é igual e de forma diferente o que é diferente. O Estado não pode nem deve limitar a possibilidade de um individuo praticar a sua fé e de dar testemunho desta publicamente. Não pode nem deve limitar o direito de os crentes se organizarem e de livremente praticarem a sua fé de maneira organizada e pública. E nisto não deve haver diferença entre a Igreja Católica e os restantes.

Contudo, na relação entre o Estado e a Igreja Católica enquanto agente social é evidente que há diferença para outras religiões. Porque a Igreja Católico tem um peso social e cultural em Portugal que ultrapassa em muito o peso de todas as outras religiões juntas. Não apenas pelo número de católicos praticantes, muitíssimo superior ao de outras religiões, mas pelo seu trabalho na sociedade portuguesa que é ainda maior que o seu número de crentes. O número de portugueses que é sustentado, tratado ou educado pela Igreja supera em muito o número de católicos praticantes. Querer tratar a Igreja Católica e, por exemplo, a IURD da mesma maneira é o mesmo que tratar da mesma maneira a fundação Calouste Gulbekian e a sociedade filarmónica de Santiago-do-Escoural.

Mas o mais irritante desta medida é que ela não foi tomada para favorecer a Igreja. É impossível que tomou esta medida não soubesse que alguém ia reparar nela. Para além disso a diferença entre o IVA que as restantes igrejas pagavam e o que vão pagar agora não há de ser muito. Não se deve comparar, por exemplo, com o que se vai gastar com a cimeira da NATO.

A única utilidade nesta medida é causar a discórdia entre as diversas igrejas e permitir que mais tarde se retira também o apoio à Igreja Católica sem causar ondas. Os socialista começam a ficar especialista em fazer favores à Igreja que ninguém lhes pediu e que raramente trazem alguma utilidade.

quinta-feira, outubro 21, 2010

"Toda a boa dádiva e todo o dom perfeito vêm do alto, descendo do Pai das luzes", Tg 1, 17




Li no Público de ontem que Leonardo Boff participou num comício da candidata do PT à presidência do Brasil. Para quem não sabe, Boff é um dos principais promotores da Teologia da Libertação que defende que a missão da Igreja é a justiça social.

Quando li a notícia pensei logo em escrever sobre o Boff. Pensei em mil discursos para fazer contra a Teologia da Libertação, que tenta adaptar o cristianismo ao marxismo. Depois percebi que era um erro: não vale a pena um discurso contra uma teoria mas sim um facto.

O oposto de Boff, que passou a sua vida a construir uma teoria para defender os pobres mas que de facto nada fez por eles, é Madre Teresa de Calcutá. Esta pequena freira albanesa nunca quis saber de discursos ou teorias. Nunca escreveu grandes obras de teologia ou manteve acesso debates. Contudo as suas Irmãs Missionárias da Caridade fizeram mais pelos pobres que todos os discurso de Boff e do que toda as teorias católico-marxistas.

Porquê? Porque Madre Teresa não partiu de uma ideia, mas de um amor a Cristo. O seu amor pelo próximo não nasce de uma qualquer teoria do que os pobres precisam, mas de um enamoramento por Cristo que se transforma em paixão pelo próximo.

Por isso é que os seus acto, sustentados pela fé que nasce do encontro com Cristo, são eficazes. Porque só Cristo é que a fonte da caridade e de justiça. A obra de Madre Teresa não nasce da sua genialidade mas da sua humildade. Da humildade de quem compreende que Cristo é que é o Senhor da História. Por isso em vez de iniciar uma doutrina para mudar o mundo, Madre Teresa começou a fazer o acto mais inútil que se possa imaginar: tirar moribundos das ruas de Calcutá e dar-lhes o mínimo de comodidade para que morressem confortáveis. O resultado está à vista.

Contra todas as teorias de Boff ergue-se facto: as suas acções sem fé nada fizeram; a fé de Madre Teresa, comprovada pelas acções, salvaram milhares de pessoas.

terça-feira, outubro 19, 2010

"Os cristãos aos leões!"

Saiu hoje numa Público uma peça sobre a situação dos cristãos no Paquistão. Esta reportagem, motiva pela visita de Monsenhor Sebastian Shaw bispo auxiliar de Lahore, revela as dificuldades das comunidades católicos atravessam num país de 175 milhões de habitantes e onde 95% são muçulmanos.

Embora em teoria o Paquistão seja um país onde todos são iguais diante da lei a realidade é que todos os anos há cristãos mortos e igrejas destruídas perante a impassividade das autoridades. Segundo informa o bispo há mulheres cristã que são violadas e convencidas a casarem-se com os violadores e existem cada vez mais conversões forçadas.

A situação piorou piorou com a entrada em vigor da lei anti-blasfémia que prevê penas de prisão para aqueles que blasfemarem contra Alá ou Maomé, bastando para a acusação a queixa de um muçulmano sem necessidade de testemunhas.

Mas não pensemos que estas situações são um exclusivo do Paquistão. Podemos encontrar por todas a Ásia e parte de África perseguições mais ou menos activas aos cristão, com ou sem a ajudado do Estado. Na China continua a haver presos religiosos, assim como no Vietname. Na Índia as autoridades continuam indiferentes aos constantes abusos levados a cabo por hindus contra cristão. Na Arábia Saudita, assim como noutro países islâmicos, a conversão ao cristianismo continua a ser punida com pena de morte. No Sudão o governo continua a apoiar as milícias que perseguem os cristãos, situação que já causou mais de 300 000 mortos e milhões de refugiados.

Não estou a falar de coisas do século passados, mas de acontecimentos que estão a acontecer agora perante a total apatia da comunidade internacional. Não esqueçamos nós os nossos irmãos mártires e saibamos viver a altura da graça que nos é dada de podemos dar testemunho da nossa fé sem recear a prisão ou a morte.

sexta-feira, outubro 15, 2010

A Vergonha do PS.

Foi hoje apresentada a versão preliminar do Orçamento de Estado para 2011. Só para não esquecermos, o Orçamento de Estado é apresentado por um governo que tenciona começar a construir um TGV em 2011, que autorizou o aumento de salários dos administradores de empresas públicas para o dobro, que construiu ou renovou 100 escolas este ano, que (por ajuste directo), encomendou milhares de computadores para crianças, por um governo cuja as medidas foram ineficazes para abater a despesa pública e tem sido incapaz até agora de travar o desemprego.

Este mesmo governo propões passar o IVA de 6 para 23% dos seguintes produtos:

- Leites achocolatados, aromatizados, vitaminados e enriquecidos

- Bebidas e sobremesas lácteas

- Refrigerantes, sumos e néctares de fruto ou de produtos hortícolas, incluindo xaropes de sumos, as bebidas concentradas de sumos e os produtos concentrados de sumos

- Utensílios e outros equipamentos exclusivamente ou principalmente destinados ao combate e detecção de incêndios

E de 13 para 23% destes produtos:

- Conservas de carne e miudezas comestíveis

- Conservas de moluscos, com excepção das ostras

- Conservas de frutas ou frutos, designadamente em molhos, salmoura ou calda e suas compotas, geleias, marmeladas ou pastas

- Conservas de produtos hortícolas, designadamente em molhos, vinagre ou salmoura e suas compotas

- Óleos directamente comestíveis e suas misturas (óleos alimentares);

- Margarinas de origem animal e vegetal

- Aperitivos à base de produtos hortícolas e sementes

- Aperitivos ou snacks à base de estrudidos de milho e trigo, à base de milho moído e frito ou de fécula de batata, em embalagens individuais

- Flores de corte, folhagem para ornamentação e composições florais decorativas. Exceptuam-se as flores e folhagens secas e as secas tingidas

- Plantas ornamentais.

Ou seja o preço do pequeno almoço de uma família que os filhos bebam leite com chocolate, onde todos comam pão com manteiga ou marmelada pode chegar a custar mais 17%. Uma família que se dê ao luxo de comer atum com feijão frade, bacalhau com grão, salsichas com ovo e batata pagará por boa parte da refeição mais 10% em 2011.
Isto numa altura em que a taxa de desemprego está ligeiramente acima do 11%, o IVA já foi aumentado e a comparticipação dos remédios vai diminuir.
Daqui posso tirar uma de duas conclusões: 1 O governo quer de facto que o orçamento seja chumbado para ter razão para se demitir. Assim passa o problema para as mãos de outros, tendo uma desculpa para o descalabro que provavelmente se seguirá ao chumbo e passando a culpa para outros. 2 O governo não tem força, capacidade ou engenho para arranjar soluções (ou diminuindo a despesa ou aumentado a receita de forma menos danosa para os consumidores mais pobres) e por isso recorre a uma solução "fácil" para tentar tapar o buraco que criou.

Se uma destas duas conclusões for correcta não posso deixar de me lamentar o estado a que o Partido Socialista chegou. Embora eu, com os meus escassos anos, nunca tenha sentido grande afeição pelo PS não posso deixar de reconhecer que teve no seu meio grande políticos e estadistas. Homens que de várias maneiras tentaram servir o país o melhor que sabiam e podiam. Tudo isto para ver o seu partido transformado num antro de politiqueiros e caciques, que durante 5 anos se foram entretendo a gastar dinheiro e a fazer engenharias sociais para dar um ar de modernidade ao país. O resultado? Um país em ruínas e a beira do abismo que eles não querem e não sabem governar.

quinta-feira, outubro 14, 2010

Parabéns Lady Tatcher.




Faz hoje 85 anos que nasceu Margaret Tatcher. Lady Tatcher foi a primeira mulher a ser primeiro-ministro de Inglaterra (e a única até agora) e governou durante 11 anos (1979 - 1990).

No plano interno talvez a sua maior vitória tenha sido a derrota dos sindicatos. Em 1979 os sindicatos eram senhores da economia inglesa. A sua influência tinha começado no primeiro governo trabalhista (1945 quando Clement Attlee derrotou o herói da II Grande Guerra, Sir Winston Churchill) e tinha levado a economia inglesa à ruína. O estado mantinha várias indústrias (automóveis, comunicações, energia, aviação) com graves prejuízos visto ser impossível fazer ajustes que levassem à supressão de postos de trabalho.

A vitória de Tatcher começa quando consegue derrotar a greve dos mineiros. Após 5 anos a "amealhar" carvão e a transportá-lo para junto das centrais eléctricas o governo permitiu o fecho de 20 minas que davam prejuízo. Durante um ano o sindicato dos mineiros fez greve, tentado fazer do governo refém. Foi uma luta entre o dinheiro dos sindicatos e as reservas de carvão do governo. Ganhou o governo.

No plano internacional a maior conquista da primeiro-ministro foi a queda do comunismo. Em conjunto com Ronald Reagan, Tatcher lutou sempre por um ocidente fortemente armado, capaz de enfrentar a União Soviética. Defendeu a democracia e a liberdade. Atacou o comunismo que considerava uma ideologia maligna pois tentava anular a liberdade do homem e substitui-la pelo Estado.

E aqui chegamos talvez ao ponto mais importante. Para Margaret Tatcher a questão não era meramente ideológica, não era uma luta entre capitalismo e socialismo. Partia de um ponto concreto: a coisa mais importante é o homem. O Estado nunca se pode substituir à liberdade humana. Deve garantir todas as condições para que cada pessoa tenha uma existência digna, mas não criar um sistema de tal maneira perfeito que os homens já não precisem de ser bons. Tal sistema estaria condenado a transforma o homem num animal.

Fazem-nos falta políticos assim. Pessoas como Margaret Tatcher (e Ronald Reagan): com coragem para lutar pela verdade e pela liberdade.

quinta-feira, junho 10, 2010

Dia do São Camões.

No dia 5 de Outubro de 1910 foi proclamada a República. O golpe de estado que haveria de levar à sua implementação começou na madrugada de 3 para 4 de Outubro.


Logo no dia 3, no seguimento da morte de Miguel Bombarda atribuída aos jesuítas (quando de facto fora morto por um paciente), começou a perseguição popular ao clero. No dia 4 foram mortos dois padres lazaristas. No dia 5 o patriarca resignatário foi preso por populares e levado à presença de Afonso Costa. Nesse mesmo dia o bispo de Beja teve que fugir do país para salvar a vida.

No dia 8 de Outubro o governo manda parar com as perseguições populares. Para evitar abusos são dadas ordens À polícia para prender todos os padres que andem na rua. Começa então a perseguição legislativa.

Dos vários documentos legais que dizem respeito à Igreja há um que alterou profundamente a cultura portuguesa e que hoje passa despercebido: a abolição dos feriados religiosos.

No dia 12 de Outubro de 1910 foram abolidos todos os feriados religiosos. Só o dia Natal sobreviveu, mas agora apelidado de Dia da Família Portuguesa.

Contudo, para não aborrecer o povo, o governo provisório não se limitou a abolir os feriados. Criou novos feriados e novas festas para fazer esquecer as festas religiosas. Regra geral estas novas festas incluíam grandes paradas e desfiles, tentando recriar as festas populares que festejavam os santos.

Assim foi criado o feriado do 1º de Dezembro, para fazer esquecer a Imaculada Conceição. O dia do nascimento de Nossa Senhora, 8 de Setembro, passou a ser o dia da mãe. O de São José dia do pai. Para substituir a festa da Anunciação (25 de Março) o dia da Árvore.

É neste contexto que nasce o dia de Camões. Como se tinha abolido a festa de Santo António criou-se o dia de Camões. O 10 Junho era um festa republicana desde o ano do centenário do centenário do poeta. Passou então a ser festa nacional, com direito a desfile cívico e discurso das autoridades. O povo nunca aderiu a estas novas festividades e gozava com os desfiles dizendo que era a procissão do São Camões.

Percebo que com tempo esta questão importância. No Estado Novo o 10 de Junho ganhou relevância não como dia de Camões, mas como uma oportunidade de festividades patrióticas. Hoje já não sou este feriado já não tem uma carga anti-clerical como caiu no esquecimento dos republicanos, sendo festejado sobretudo por velhos nacionalistas.

Mesmo assim não festejo o 10 de Junho. Não chateio, não tomo posições morais, não faço causas no facebook. É feriado e eu aproveito. Contudo não adiro a festas maçonicas. Festejar por festejar espero pelo Santo António.

quarta-feira, junho 09, 2010

A um metro do chão.

A questão doutrinal

No i do fim-de-semana

Uma das coisas que mais gosto de fazer com os meus filhos é influenciá-los. Deliro. Ter a oportunidade de explicar, com tempo, o meu ponto de vista, a minha versão dos factos, a minha ideologia, as minhas crenças a pessoas inocentes, sãs, crédulas, civilizadas e inteligentes que não querem discussão mas sim informação, é fantástico. Um sossego. Eu não discuto, ensino. Experimento argumentos, ensaio raciocínios e conto histórias elucidativas das minhas verdades aos meus fiéis seguidores, que me fixam com olhos esbugalhados. Também não imponho nada; explico o óbvio. E claro que eles acreditam piamente em tudo o que lhes digo: se também acreditam quando lhes garanto que a sopa já arrefeceu, não duvidam quando digo que "ajuda humanitária turca" é com aspas. Uma das inúmeras vantagens destas prelecções domésticas e familiares, além das óbvias, que são benéficas para a sociedade em geral, é que me obrigam a dominar e a rever os temas, a melhorar a argumentação para poder explicar as minhas teses com maior clareza. Como tenho de ensinar os conceitos mais elementares, estou constantemente em reciclagem doutrinal. Por exemplo, quando um deles me pergunta o que é um socialista, tenho de lhes dar a definição de imposto, de empresas públicas, de Mário Soares, etc. (sim, é verdade, as crianças de hoje crescem sem Mário Soares nas suas vidas). Claro que a conversa só acaba quando eles ficam devidamente esclarecidos das consequências do socialismo. "Ah, mas isso é manipular as crianças." Claro que é! E só tenho até à adolescência deles para o fazer. Mas cá eu chamo a isto educar.

"O sangue dos mártires é frumento dos Cristãos."


Foi beatificado este Domingo em Carcóvia o Padre Jerzy Popieluszko. Este sacerdote polaco foi preso, torturado e morto em 1984 pelos comunistas polaco.

Capelão de um remota aldeia polaca, foi apoiante do movimento Solidariedade. Defendeu sempre a liberdade contra a opressão comunista e ensinou que o mal só se combate com o bem. A sua trágica morte serviu de testemunho para todo o povo polaco.

O Beato Jerzy Popieluszko é um dos milhares de mártires do século XX. Que o seu testemunho nos eduque a nós no amor a Cristo.

Rogai por nós Beato Jerzy Popieluszko,
para que sejamos dignos das promessas de Cristo.

Andrea Bocelli

terça-feira, junho 08, 2010

«"Terrível é a palavra 'non'": o sim de Manoel de Oliveira» por Padre João Seabra, DN, 31/05

Sentado no Centro Cultural de Belém com um milhar de representantes do mundo da cultura, da ciência e da arte, escutei, com espanto e comoção, o discurso "simples e breve", como ele próprio o anunciou, que Manoel de Oliveira dirigiu ao Papa Bento XVI na manhã do dia 12 de Maio. A intervenção é como o cinema de Oliveira: expressão de uma procura de sentido pessoalíssima, dum desejo de verdade incansável, do reconhecimento intenso e livre da presença do Mistério na vida dos homens e do cosmos. Oliveira não se entregou a especulações teóricas: deu um autêntico e despretensioso testemunho de vida, exposto na linguagem directa, enxuta e não analítica a que o realizador habituou quem lhe conhece o estilo: franco, quase desabrido e aparentemente naïf.

Depois de agradecer o "muito honroso convite", enunciou o título da sua curta exposição, "Religião e Arte", e disparou, colocando "éticas" e "artes" lado a lado, enquanto fruto das religiões, que "procuram encontrar explicação para a existência humana e a sua inserção concreta no cosmos". A essa procura, universal no tempo e no espaço, irrompe na História uma resposta inimaginável: "Universo e Homem, criação de um ser transcendente, colocam-nos problemas inquietantes, para cuja solução o Verbo que se fez carne em Cristo nos trouxe insuperáveis Graças divinas." Este foi o mote claro e corajoso da sua reflexão: a colocação da hipótese cristã como possibilidade real para a vida e para a criação artística.

Ratzinger afirmou, já há anos, que "a única, a verdadeira apologia do cristianismo pode-se reduzir a dois argumentos: 'os santos' que a Igreja produziu e 'a arte' que germinou no seu seio" (V. Messori, Diálogos sobre a Fé, Lisboa, Verbo, 1985, p. 107). Como que em intuitiva resposta, Oliveira saudou o Papa sublinhando a fecundidade da fé cristã na criação estética. Afirmou a intimidade original das artes e das religiões, umas e outras "voltadas para o homem e o universo, a condição humana e a essência divina"; na experiência religiosa como na expressão artística se manifesta "a memória da criação e a saudade do paraíso". Neste contexto chamou à Bíblia o "tesouro inesgotável da nossa cultura europeia": uma referência que ecoa como antagónica às recentes afirmações de José Saramago. Em seguida relembrou dois dos seus filmes, O Acto da Primavera (1963) e Cristóvão Colombo, o Enigma (2007), em que representou figuras de anjos: no primeiro caso, como personagem específica desse popular Auto da Paixão, sinal da presença do divino entre os homens; no segundo, como "prévia configuração do Destino" de Portugal, radicando no cristianismo, numa frase sintética e desafiadora, a identidade da História pátria e a sua história pessoal: "[Sou] pertencente à família cristã, de cujos valores comungo, e que são as raízes da nação portuguesa e de toda a Europa, quer queiramos quer não […]."

Mas o momento mais confessional e provocador da sua intervenção foi aquele em que Manoel de Oliveira se referiu ao drama humano da dúvida e da falta de fé. Retomando as palavras do Padre António Vieira ("terrível palavra é o non"), que deram o título ao seu filme de 1990 (Non ou a Vã Glória de Mandar), Oliveira disse: "Acossados pelas especulações da razão, sempre se nos levantam terríveis dúvidas e descrenças, a que se procura opor a fé do Evangelho, que remove montanhas." Perante a tremenda hipótese da negação, concluiu, com a convicção de quem fala de um caminho trilhado na primeira pessoa: "O non retira toda a esperança, que é a última coisa que a natureza deixou ao homem", esse homem que "caminha na esperança, apesar de todos os negativismos". A dinâmica humana é afirmativa, é um sim: esta é a certeza que Oliveira afirma. A escolha teórica e teorizada que a nega não corresponde ao dinamismo que leva o ser humano a esperar e a desejar: desejar viver, desejar amar e ser amado, desejar criar, desejar ser feliz. Essa dinâmica de afirmativa certeza encontra um testemunho irrecusável naquele homem de 101 anos, de olhar vivo, quase infantil, com uma capacidade criativa invulgar e uma liberdade de pensamento e acção que fazem dele uma criatura sui generis e incómoda no universo em que se movimenta.

Por isso, a maior injustiça que se lhe poderia fazer seria a de retirar às suas palavras simples - tanto as ditas como as escondidas nas entrelinhas - o peso e a consistência de uma vida assim lutada e vivida, com esse visível gosto e essa radical liberdade que sempre recusou ideologias e sempre se deixou fascinar pelo humano e pelo seu desejo de infinito.

Turquia: Terra de Martírio!

No dia 3 deste mês foi assassinado o Monsenhor Luigi Padovese, Vigário Geral da Anatólia e Presidente da Conferência Episcopal da Turquia. As primeiras informações é que tinha sido morto pelo seu motorista que sofreria de problemas mentais. Segundo as autoridades turcas não haveria nenhum motivo religioso ou politico por detrás desta morte.

Contudo o Corriere della Sera publicou hoje uma noticia, tendo como fonte a Asia News, que afinal não se tratou apenas de um acesso de loucura. Não só o assassino cortou a cabeça ao bispo (segundo o ritual islâmico) como depois subia ao tecto da casa onde gritou "matei o grande Santanás! Allah Akbar!".

Ainda segundo o Corriere não nenhum registo médico que indique que Murta Altun (o assassino) sofra de problemas mentais. O único indicio que existe que aponta para esta teste é que o próprio Murat se queixava de estar deprimido hás uns meses. Este facto faz aumentar a suspeita de se tratar de um assassínio planeado há algum tempo.

Perante este acontecimento o Estado Turco limita-se a assobiar para o lado. O mesmo estado cujo o primeiro-ministro tem dirigido ataques furioso a Israel pela morte de nove cidadão turcos que atacaram soldados israelitas, demonstra total indiferença pela morte da cabeça da Igreja turca às mãos de um terrorista islâmico.

Ao mesmo tempo que a esquerda europeia tem vindo a cantar odes de louvor à pobre Turquia, um estado democrático, laico, membro da NATO, vitima de Israel, ninguém presta atenção a este martirio, fruto de terrorismo organizado que visa atacar a Igreja Católica.

Irónicamente dom Padovese celebrou há quatro anos o enterro de don Andrea Santoro, bispo na Turquia que tambem foi morto. Este país tão civilizado é cada vez mais para os católicos terra de martírio!

sábado, junho 05, 2010

"(...)fatti non foste a vivere a viver come bruti(...)"*

Pelos anúncios na rua e pelos jornais fiquei a saber que está para começar um certame na FIL chamado "Salão Erótico". O DN on-line chega mesmo a ter uma notícia sobre a "convidada de honra" de tal evento (uma pobre mulher cuja exploração é disfarçada por um falso glamour dos jornais que tentam assim legitimar o vício dando-lhe um ar socialmente aceitável).

A mim impressiona-me como o nosso mundo reduziu o sexo a uma banalidade. O sexo já não é entrega de um casal que se ama, mas algo tão natural como ir à retrete. Claro que vivem todos convencidos que como se gasta mais tempo a falar e a ver sexo que este é cada vez mais importante para as pessoas. Mentira, neste momento para a maior parte das pessoas a sexualidade é como tomar banho: uma mera necessidade física.

Ora este redução da sexualidade a uma necessidade física, com a consequente redução do homem à bestialidade, é legitimada pela televisão e pelas revistas. Para que ninguém se sinta mal por viver como um coelho ou como uma cadela no cio os media transformam a javardice em progresso.

Ora esquecem-se que as actuais prostitutas e actrizes porno não teriam nada a ensinar aos romanos e aos potentados orientais da antiguidade. As revistas pornográficas já existiam na república Romana e no Oriente existiam templos dedicados à prostituição.

Foi o cristianismo que elevou a sexualidade. Antes de mais porque foi a Igreja que elevou todo o ser humano a pessoa. O estatuto de cada Homem já não dependia da Lei mas do facto de ter sido criado à imagem e semelhança de Deus. A mulher deixou de ser um mero objecto para ser uma igual. A segunda questão é que o cristianismo afirmou com total clareza a unidade do corpo e da alma. O corpo é morada do Espírito Santo.

Por isso nós recusamos esta banalização do sexo, que reduz a mulher a um pedaço de carne e a nós mesmo a animais. Achamos que o sexo é um coisa boa e por isso esperamos pela pessoa e pela altura certo para o praticar. Só entregamos o nosso corpo a quem entregamos também o nosso espírito.

Por isso não alinhamos nestas bestialidades. Não por desprezarmos o sexo mas porque conhecemos a sua importância.
*Divina Comédia, Inferno - Canto XXVI

terça-feira, junho 01, 2010

Corpo de Deus.

Esta Quinta-feira é a Solenidade do Corpo e Sangue de Jesus, mais conhecido pelo Corpo de Deus. Este dia serve para nos dar-mos conta da espantosa graça que Deus nos concede: que uma rodela de pão e um golo de vinho se transformem no Seu preciossimo corpo e sangue.

Muitas vezes para nós a Eucaristia é uma coisa banal. Estamos tão habituados à missa enquanto ritual que nem reparamos no milagre extraordinário que ocorre diante dos nossos olho: o próprio Deus que se faz carne. A hóstia consagrada é o corpo de Nosso Senhor, tão real e presente como no céu.

Na Quinta-feira mais uma vez irá realizar-se a procissão do Corpo de Deus. O Senhor Patriarca irá percorrer as ruas da Baixa transportado o Corpo de Cristo. É um convite a que cada um de nós ganhe consciência do trabalho a que Deus se dá para nos salvar.

domingo, maio 30, 2010

Criminal On The Cross - The Acappella Company



Well, it was many years ago in the time of the Bible that they took Him up to Calvary.
They could have let Him go, but instead they chose Barabbus just to set another criminal free.
When they crucified the ever loving, caring Master with compassion flowing from His eyes
Well, He said to a thief who was begging Him for mercy that 'today you'll live in Paradise.'
And I'm saved like the criminal on the cross.
Praise God, I'm saved, no more to suffer loss.
Well, He said I'd live in Paradise and he's taken care of the cost.
Hallelujah! I'm saved like the criminal on the cross.

Well, on the Judgment day when all the people gather 'round
Him and they want to hear what He will declare.
There will never ever be more intense anticipation that has ever happened anywhere.
When they call my name to defend my reputation there is only one thing I can say:
'I'm a wretch, I'm a worm, I'm a no good sinner.' But He said, 'I'll save you anyway.'

Well I', saved, I'm saved, through Jesus I am saved.
Well I', saved, I'm saved, His mercy showed the way.
Well I', saved, I'm saved, no more for me to say.
Well I', saved, I'm saved, in Paradise today.

sábado, maio 29, 2010

A importância de se ser Cavaco.

Os opinion makers da blogoesfera conservadora duvidam todos de que a promulgação da lei que permite a dois homens casar-se pela parte do presidente da república venha a custar-lhe a sua eleição. Muitos afirmam que a falta de alternativas à direita fará com que os católicos votem em Cavaco.

Parece-me que este senhores avaliam mal o impacto que a promulgação da tal lei teve junto dos católicos. Para os católicos empenhados na política Cavaco foi durante quatro anos a última esperança: a pessoa que tinha o poder para travar a engenharia social do PS e associados. Contudo ele nunca esteve à altura. Promulgou a P.M.A., promulgou o aborto sem envia a lei ao Tribunal Constitucional e agora promulgou esta lei.

Para quem, como a maior parte dos católicos empenhados na politica, vive fora da política partidária o actual presidente mais do que mau é indiferente. Durante o seu mandato foi sempre incapaz de se opor à esquerda naquilo que realmente interessa: a defesa da vida e da família. Por é indiferente se o presidente é Cavaco ou Alegre. Na prática o resultado é o mesmo.

O drama de Cavaco é que já não lhe basta ser Cavaco. Poder ir as vezes que quiser à missa, ajoelhar-se vinte vezes diante do Santo Padre, participar em todas as canonizações e beatificações daqui até a eleição que já não nos convence. Nós não somos protestantes, para nós só a fé não chega.

sexta-feira, maio 28, 2010

Declarações do Senhor Patriarca

Vale a pena ouvir as declarações do Senhor Patriarca sobre a promulgação da lei que equipara a união de pares de pessoas do mesmo sexo ao casamento. AQUI.

SEMPER FIDELIS!

quinta-feira, maio 27, 2010

Género.

Li hoje no DN on-line que o Bloco se prepara para propor uma lei que permite mudar o sexo no BI através do reconhecimento por um grupo de psicólogos que atestam que a pessoa vive como se fosse de outro sexo. Ou seja, um homem que se veste e vive como uma mulher passar, legalmente, a ser uma mulher.

Segunda esta gente o corpo não define a pessoa. A pessoa e o seu corpo são duas entidades separadas. Existe o sexo que uma pessoa tem e depois o género a que pertence. Pode ser um homem mas ser de género feminino. É esta teoria, a separação entre o corpo e a pessoa, que justifica quer a homossexualidade quer a mudança de sexo.

Ora, milhares de anos de filosofia provam que esta teoria está errada. O corpo não é algo de diferente da pessoa. A pessoa é constituída por corpo e alma, em unidade. Não são coisas separadas. O ser homem não é apenas ter órgãos genitais diferentes das mulheres, define também a nossa maneira de ser.

Um homem que se sente mulher tem o mesmo remédio que um homem que acha que é uma galinha: tratamento psiquiatrico. Não se trata aqui de uma questão de igualdade mas de bom senso. A realidade é o que é. Um homem é um homem, uma mulher uma mulher. Dizer o contrário é estar completamente cego pela ideologia. Vale a pena ver este vídeo de "The Life of Bryan".



quarta-feira, maio 26, 2010

Canzone Degli Occhi e Del Cuore - Claudio Chieffo.



Anche se un giorno, amico mio, dimenticassi le parole,
dimenticassi il posto e l’ora o s’era notte o c’era il sole,
non potrò mai dimenticare cosa dicevano i tuoi occhi.

E così volando volando anche un piccolo cuore se ne andava...
attraversando il cielo verso il Grande Cuore,
un cuore piccolo e meschino come un paese inospitale
volava dritto in alto verso il suo destino...
E non riuscirono a fermarlo neanche i bilanci della vita
quegli inventari fatti sempre senza amore.

Così parlavo in fretta io per non lasciare indietro niente,
per non lasciare indietro il male e i meccanismi della mente
e mi dicevano i tuoi occhi ch’ero già stato perdonato...

E adesso torna da chi sai, da chi divide con te tutto,
abbraccia forte i figli tuoi e non nascondere il tuo volto,
perchè dagli occhi si capisce quando la vita ricomincia...

Mesmo se um dia, meu amigo, eu esquecesse as palavras, esquecesse o lugar e a hora ou se era noite ou estava sol, nunca poderia esquecer o que diziam os teus olhos. E assim, voando, voando, também um pequeno coração ia atravessando o céu na direcção do Grande Coração. Um coração pequeno e mesquinho como uma aldeia inóspita voava a direito na direcção do seu destino… E não conseguiram detê-lo nem sequer as contas da vida, esses inventários feitos sempre sem amor. Assim falava eu apressadamente para não deixar nada para trás, para não deixar para trás o mal e os mecanismos da mente; e os teus olhos diziam-me que já tinha sido perdoado… Agora volta para quem sabes, para quem divide tudo contigo; abraça com força os teus filhos e não escondas o teu rosto, porque pelos olhos se percebe quando a vida recomeça.

Mediocricidade

O Presidente da República promulgou a lei que equipara a união entre pessoas do mesmo sexo ao casamento. Evocou como argumentos a crise e a ética profissional (não sei se por esta ordem porque, confesso, não ouvi a comunicação ao país que o PR fez).

Segundo o magistrado máximo do nosso país em tempos de crise não vale a pena arrastar esta questão, dado que o seu veto seria ultrapassado na Assembleia da República. Antes de mais, não é seguro que o PS conseguisse impor segunda vez disciplina de voto nesta matéria, logo não era seguro que a lei conseguisse a maioria absoluta necessária para ultrapassar o veto presidencial.

Mas, para além disso, é inacreditável tratar esta questão como um problema menor. A crise é grave mas há de passar, com ou sem esta lei. Mas esta lei visa alterar a estrutura da nossa sociedade de tal maneira que é mais um passo para o abismo. Cada vez mais o casamento é um capricho, que nada tem a ver com responsabilidades ou compromissos, mas com hormonas e afectos.

Falamos portanto de uma lei que é urgente travar. Os efeitos da crise poderão ser duros e durar anos ou décadas, mas esta lei afecta todo o futuro.

A questão da ética profissional é ainda mais assustadora. Segundo o professor Cavaco Silva é obrigação do Presidente promulgar leis com as quais discorda se esta tiverem tido maioria absoluta no parlamento. Se assim fosse para que serviria o presidente? Quando elegemos Cavaco Silva (sim, porque eu votei no actual presidente, coisa que não tornarei a fazer) votámos porque sabíamos quem ele era. Sabíamos todos que ele era católico, pai de família, conservador nos valores. Sabíamos e por isso votamos nele. O Presidente tem um dever para com que o elegeu conhecendo os seus valores e os seus princípios.

Ao promulgar esta lei Cavaco Silva mostrou a sua fraqueza. Em última distância, quando o desafiam ele cede. É incapaz de se opor aos bem pensantes deste mundo. O tecnocrata de Boliqueime não consegue deixar de o ser.

Isto é o mais triste do nosso Presidente: ele não promulgou a lei (como alguns dizem) por eleitoralismo. Quanto mais não seja porque esta promulgação é capaz de ditar a sua derrota. -lo porque acredita mesmo que não se pode opor à assembleia. -lo porque é incapaz de se impor, porque faz sempre o que esperam que ele faça. -lo porque é e continuará a ser um homem medíocre.

Nação Fidelissima.

Os números da polícia durante a visita do Santo Padre dizem que estiveram entre 900 mil a 1 milhão de pessoas nas missas do Papa. Isto sem contar com as pessoas que não estiveram nas missas mas no caminho do Sua Santidade: no Porto a estrada estava cheia de pessoas desde a Serra do Pilar aos Aliados.

O sucesso da visita apostólica do Santo Padre não se mede pelos número, contudo é reconfortante saber que mais ou menos um décimo do nosso país foi ver o Papa (sem contar com aqueles que, impedidos pela distância, viram o Papa na televisão).

Os media, que se acham muito importantes, atribuem estes números a uma mudança do Papa. É mentira, porque Lisboa já estava cheia antes da suposta "mudança" acontecer. O que este milhão de pessoas prova é que, mesmo com todas as fragilidades e incoerências, os portugueses se sentem tocados pela visita do Vigário de Cristo. Qualquer que seja a opinião dos portugueses sobre S.S. Bento XVI o nosso povo ainda guarda o suficiente resquício de cristianismo para sair à rua e aclamar o Papa.

Apesar de tudo, apesar das campanhas nos media, a promessa da Senhora de Fátima permanece. O dogma da fé prevalece em Portugal.


SEMPER FIDELIS!

sábado, abril 10, 2010

Viva o Papa!




"Bem-aventurados sereis, quando vos insultarem e perseguirem e, mentindo, disserem todo o género de calúnias contra vós, por minha causa. Exultai e alegrai-vos, porque grande será a vossa recompensa no Céu; pois também assim perseguiram os profetas que vos precederam."

Mt, 5, 11-12.


SEMPER FIDELIS!

Entrevista ao Padre Gonçalo sobre a pedofilia.

Abaixo publica a entrevista que o Padre Gonçalo Portocarrero de Almada deu ao Expresso e que não foi publicada. É impressionante o nível de agressividade do jornalista.

Esta entrevista é essencial. É preciso ler e enviar e dar a ler a todos os nossos amigos.

1. Qual a sua opinião sobre o fenómeno da pedofilia na Igreja Católica?
Pe. Gonçalo Portocarrero de Almada: Como é evidente, não posso deixar de lamentar todos os crimes de abusos de menores. Não só lamento sinceramente todos os casos de pedofilia como espero que as entidades civis e eclesiais competentes tomem as medidas adequadas para a total erradicação deste fenómeno na sociedade e na Igreja.
Não ignoro, contudo, que a esmagadora maioria destes casos ocorre no seio das famílias, sobretudo das mais disfuncionais, e das instituições do Estado, como o triste caso Casa Pia demonstrou, e não nas instituições da Igreja que, embora também vulneráveis, são, por regra, exemplares no seu desinteressado e muitas vezes heróico serviço aos mais necessitados.
2. Como explica o facto deste fenómeno ter assolado a Igreja Católica?


Pe. GPA: Há um manifesto exagero na afirmação de que este fenómeno tem «assolado a Igreja». Temo que o sensacionalismo criado à volta destes casos e o modo como a Igreja Católica tem sido a eles associada por certa imprensa não seja de todo inocente.
3. Quer exemplificar?


Pe. GPA: Com certeza. Segundo Massimo Introvigne, que cita um estudo de 2004 do John Jay College of Criminal Justice, foram 958 os padres acusados de pedofilia nos Estados Unidos, num período de 42 anos, tendo resultado a condenação de 54, aproximadamente um por ano. Se se tiver em conta que nesse mesmo lapso de tempo foram condenados pelo crime de pedofilia 6.000 professores de ginástica e treinadores desportivos, é necessário concluir que o principal alvo desta campanha mediática não é a pedofilia, que é apenas um pretexto, mas a Igreja e, mais especificamente, o Papa e o sacerdócio católico.
Com efeito, é significativo que, citando Jerkins, a maior parte dos casos de abusos de menores protagonizados nos Estados Unidos por clérigos tenham sido perpetrados por pastores protestantes e não por padres católicos e, no entanto, contrariando a mais elementar justiça e objectividade, são apenas estes últimos, em termos mediáticos, os bodes expiatórios...
4. Entende então que se trata de uma perseguição contra a Igreja Católica?


Pe. GPA: Certamente. Qualquer pessoa de bem, mesmo não sendo católica, vê com preocupação esta crescente onda de intolerância laicista, porque sabe que, hostilizada a Igreja Católica ou neutralizada a sua acção social, quem fica a perder é a família, porque nem o Estado nem nenhuma outra instituição é capaz de assegurar o serviço que a Igreja Católica presta às famílias portuguesas, sobretudo às mais carenciadas.
5. A Igreja portuguesa está a investigar com a necessária diligência as suspeitas sobre padres pedófilos?


Pe. GPA: Muito embora a hierarquia eclesiástica não possa, nem deva, ignorar as suspeitas de padres pedófilos, não só não é sua principal missão investigar estes casos como também não conta com estruturas adequadas para uma tal missão.
Mais do que a lógica da suspeita e da delação, tão ao gosto dos novos fariseus, a Igreja há dois mil anos que se rege pela lógica da confiança e do perdão, seguindo o exemplo do seu Mestre que, embora provocando a indignação dos hipócritas, desculpou a adúltera, como também perdoou a tripla traição de Pedro. Mais do que poder ou tribunal, a Igreja é comunhão e família e, por isso, alegra-se e sofre com todas as glórias e misérias dos seus filhos.
A Igreja, que é santa na sua origem e nos seus fins, é pecadora nos seus membros militantes que, contudo, não enjeita, se neles reconhece um autêntico propósito de conversão.
6. Quer com isso dizer que a Igreja condescende com a pedofilia do seu clero?


Pe. GPA: De modo nenhum, pois a Igreja não condescende nunca com a prevaricação de quantos, investidos na especialíssima responsabilidade do ministério sacerdotal, desonram essa sua condição.
Possivelmente, a condenação mais severa de todo o Evangelho é a que Cristo dirige precisamente aos pedófilos e a quantos são motivo de escândalo para os mais novos. Esse ensinamento evangélico, como todos os outros, não é letra morta na doutrina, nem na praxe eclesial.
7. Pode dar alguns exemplos de documentos da Igreja sobre esta questão?


Pe. GPA: Sem a pretensão de ser exaustivo, permita-me que, a este propósito, recorde alguns dos mais recentes documentos da Santa Sé sobre este particular:
- a instrução Crimen sollicitacionis, de 1922 e que, em 1962, o Beato João XXIII reafirmou e na qual se esclarece a obrigação moral de denunciar estes casos;
- o Código de Direito Canónico, que reafirma a excomunhão automática, ou seja, a imediata expulsão da Igreja, do confessor que alicia o penitente, qualquer que seja a sua idade ou género, para um acto de natureza sexual;
- o Catecismo da Igreja Católica, que renova a condenação da pedofilia;
- e o documento De delictis gravioribus, de 2001, que regulamenta o Motu Proprio Sacramentum Sanctitatis tutela, do Papa João Paulo II que, para evitar qualquer local encobrimento destes delitos, atribui a necessária competência à Congregação para a Doutrina da Fé, então presidida pelo actual Papa.
8. Não obstante esta condenação formal da pedofilia, não é verdade que tem faltado vontade política de aplicar as correspondentes sanções?


Pe. GPA: À hierarquia da Igreja não tem faltado a firmeza necessária para punir os eclesiásticos que incorreram em actos desta natureza. Foi o que aconteceu a um cardeal arcebispo de uma capital centro-europeia, que foi recluído num convento e proibido de qualquer acto público. Foi também o caso do fundador de uma prestigiada instituição religiosa, que foi também suspenso do ministério pastoral, demitido das suas funções de governo na estrutura eclesial por ele fundada, que foi sujeita a inspecção canónica, e obrigado a residir em regime de quase-detenção numa casa religiosa.
9. E se se vier a verificar algum caso no clero português?


Pe. GPA: Como se sabe, graças a Deus não há memória de nenhum sacerdote português, diocesano ou religioso, que tenha sido alguma vez condenado por um crime desta natureza. Se porventura se desse também entre nós algum caso, não tenho dúvidas de que o nosso episcopado, de acordo com as normas a que está obrigado, saberia agir com justiça e caridade.
10. Concorda com as críticas veladas de vários sectores da sociedade que acusam a Igreja de pouco fazer para garantir a total transparência destes processos? A maioria dos casos suspeitos é, regra geral, arquivado pelo Ministério Público. Segundo algumas fontes policiais, «as vítimas retraem-se mais tarde, devido ao ascendente dos alegados agressores».


Pe. GPA: Dada a minha sensibilidade cristã e formação jurídica, causa-me algum desconforto o uso e abuso de expressões tão vagas e perigosas como «críticas veladas», «casos suspeitos», «alegados agressores», porque tendem a criar uma suspeição generalizada. Há um princípio geral de inocência que não pode ser contrariado: um político, um professor, um padre ou um desempregado que seja burlão não faz da sua mesma condição todos os políticos, professores, padres ou desempregados. Se um violador que é engenheiro, como o recentemente detido, não infama todos os engenheiros, nem suscita uma caça aos engenheiros violadores, porque razão um padre pedófilo, se o houver, provoca esta tão desmedida reacção nos meios de comunicação social?!
11. Pode-se dizer que a associação entre pedofilia e sacerdócio católico não é arbitrária, na medida em que é entre os padres que tendem a verificar-se delitos desta natureza?


Pe. GPA: Não, porque uma tal pressuposição carece de fundamento, como as estatísticas mais recentes provam. Por exemplo, na Alemanha, segundo Andrea Tornielli foram notificados, desde 1995, 210.000 casos de delitos contra menores, mas apenas 94 desses casos diziam respeito a eclesiásticos, ou seja, um para cada dois mil envolvia algum sacerdote ou religioso católico. O inquérito Ryan, sobre a situação na Irlanda, é também esclarecedor porque, num universo de 1090 crimes cometidos contra menores em instituições educativas, os religiosos católicos acusados de abusos sexuais foram 23.
12. Talvez alguém entenda que, muito embora haja também pedófilos que não são padres, o crime para que mais tendem os sacerdotes católicos é o abuso de menores.


Pe. GPA: Também não é verdade porque, de acordo com Mons. Scicluna, perito da Congregação para a Doutrina da Fé, que é o organismo da Santa Sé que superintende estes casos, entre os anos 2001 e 2010, houve notícia de 300 casos de pedofilia num total de 400.000 padres. Além disso, os abusos de menores são apenas 10% de todas as acções criminais praticadas por sacerdotes católicos.
13. Mas do ponto de vista da psiquiatria, tudo leva a crer que o celibato sacerdotal é, em boa parte, responsável pelos abusos de menores realizados pelo clero católico…


Pe. GPA: Pelo contrário. Manfred Lutz, um psiquiatra especialista na matéria, afirmou que o celibato sacerdotal não só não incita à prática destes crimes como até favorece uma atitude de respeito e de ajuda aos menores. Esta conclusão científica prova-se também pelo facto de, entre os clérigos condenados por este crime, haver mais pastores protestantes, casados, do que sacerdotes católicos, celibatários, e ainda porque a grande maioria dos pedófilos são casados o que, obviamente, não pode ser usado contra o casamento.
14. Consta na opinião pública que a maioria dos casos suspeitos de padres pedófilos, não é objecto de investigação, nem de posterior procedimento criminal…


Pe. GPA: Se assim é, de facto, não é certamente por culpa da Igreja, que nada tem a ver com as investigações policiais, nem muito menos com as diligências judiciais.
Embora se tenda a crer que a Igreja e o seu clero gozam de um tratamento de excelência na sociedade portuguesa, a verdade é que não deve haver instituição pública nem classe profissional mais maltratada nos media do que a Igreja Católica e os seus sacerdotes.
15. Porque o diz?


Pe. GPA: Permita-me que lhe dê um exemplo. Há uns meses atrás, um pacato pároco português foi detido com enorme aparato por quatro ou cinco polícias trajados a rigor, como se o pobre padre de aldeia fosse um perigoso terrorista, quando na realidade era apenas um mero caçador que tinha por licenciar algumas armas. À notícia, transmitida nos noticiários televisivos, foi dado um aparato que, de não ser dramático, teria sido ridículo, até porque aquele pacífico sexagenário não representava nenhum perigo público. Não foi com certeza por acaso que se forjou toda aquela fantástica encenação, como também não foi por acaso que se convidaram as televisões…
Mas factos ocorridos há dezenas de anos numa instituição pública, como a Casa Pia, e de que foram vítimas dezenas de adolescentes, ainda não conhecem uma decisão judicial… Será isto justiça?!
16. Mas não acha que o incumprimento de uma obrigação por um padre é um escândalo?


Pe. GPA: É verdade que é exigível aos prestadores de serviços públicos uma especial responsabilidade: é razoável que o incumprimento de uma obrigação fiscal por parte um governante seja notícia, mas já o não seja se o prevaricador for um anónimo cidadão. Mas o escândalo não pode ser utilizado como arma de arremesso ideológica, sob pena de que aconteça aos padres católicos de agora o que aconteceu aos judeus alemães, durante o regime nazi.
17. Surpreendem-no estes casos de padres pedófilos?


Pe. GPA: Nenhum pecado é surpresa para nenhum padre e todos os padres sabemos que somos capazes de todos os erros e de todos os horrores. Não é por acaso que, na Semana Santa, a Igreja recorda o tristíssimo caso de Judas Iscariotes, que muito significativamente os evangelistas não silenciaram, quando poderiam tê-lo feito, a bem do prestígio da sua condição sacerdotal e do bom nome da Igreja. Graças a Deus conheço muitos padres, quer seculares como eu, quer religiosos, e confesso-lhe que não conheço nenhum que não mereça a minha admiração.
18. Tem ouvido, mesmo que rumores, de casos de pedofilia por parte de alguns padres? Ou é uma completa surpresa para si a existência deste tipo de casos, que acabam por manchar o nome da instituição secular?


Pe. GPA: Tenho uma enorme devoção por todos os meus irmãos sacerdotes, na certeza de que até no menos bom há, pelo menos, a grandeza do dom e da missão a que foi chamado. Também não ignoro que nenhum de nós, por mais qualidades que possa ter, é indigno dessa graça, pelo que nunca me surpreenderá encontrar nos outros alguma da miséria que diariamente descubro em mim. Mas, mesmo que essa constatação possa de algum modo perturbar-me, confesso-lhe que mais do que a traição de Judas, me admira a santidade e o martírio dos outros onze apóstolos. Talvez por isso, não tenho tempo para ouvir esses rumores de que fala, ou tempo para olhar para essas manchas a que alude e que não ignoro, porque prefiro contemplar a eterna beleza da Igreja, que procuro amar com todo o meu coração.
19. Já denunciou algum caso às autoridades eclesiásticas?


Pe. GPA: Denunciar é um termo que não faz parte do meu dicionário e, como padre, a minha missão não é acusar o culpado, mas perdoar o arrependido.
20. Já teve alguma suspeita de abusos por parte de algum colega seu?


Pe. GPA: Como não é meu hábito falar das vidas alheias, permita-me que, em vez de falar dos meus colegas, lhe diga o que eu desejaria que me acontecesse se caísse numa dessas situações, até porque é isso mesmo que desejo aos meus irmãos sacerdotes.
Se tivesse um dia a desgraça de incorrer nalgum comportamento menos próprio da minha condição sacerdotal, agradeceria que os meus irmãos na fé, padres ou não, tivessem a coragem de me fazerem a correcção fraterna, tal como Nosso Senhor determinou. Se o meu desvario persistisse, não obstante essa caridosa advertência, aceitaria de muito bom grado que o meu bispo utilizasse todos os meios ao seu dispor, sem excluir os civis e penais, para a minha emenda, na certeza de que essa expiação, embora dolorosa, contribuiria decerto para o bem das almas e para a minha salvação.


Via Povo.

"Em verdade te digo, não cantará o galo sem que me tenhas negado três vezes"



O mundo voltou a acordar para os escândalos da pedofilia dentro da Igreja. Com a habitual (e na maior parte das vezes propositada) falta de clareza dos media tem-se falado muito em abusos de menores em instituições da Igreja. Nestas duas palavras, "abusos" e "Igreja", cabe tudo: desde o puxão de orelhas que um professor de um colégio católico deu a um aluno até a abusos sexuais por parte de padres. Esta falta de clareza tem como objectivo descredibilizar a Igreja e o Santo Padre.

Neste assunto há que ser claros e sérios. De facto muitos dos factos que vem a lume não passam de violência física praticada em instituições católicas há 30 ou 20 anos atrás. Violência muitas vezes habitual na altura mas que choca os puritanos de serviço actuais.

Contudo existem também muitos casos de abusos sexuais. Não só de funcionários de instituições da Igreja mas também de sacerdotes. E esses, mesmo que fossem apenas um, são graves. São graves em si mesmo. Mas são ainda mais graves e mais chocantes porque praticados por um pastor da Igreja de Cristo.

Mas nós não nos devemos deter diante do pecado. A Igreja é constituída por homens, por isso constituída por pecadores. A ferida contraída por Adão vive no nosso coração por isso acabamos por pecar. Mas não nos devemos escandalizar. O próprio Deus não se escandalizou com o nosso pecado. Antes enviou o Seu próprio filho à terra para que morresse por cada um de nós.

Logo ao princípio Cristo sabia que haveria de ser traído. Foi traído por Judas. E depois por Pedro e pelos apóstolos. Dos doze que o seguiam só João não fugiu. A traição desses onze na paixão não O impediu de subir à Cruz. A nossa traição quotidiana não o impediu de morrer por nós.

Por isso não nos escandalizemos. Rezemos antes para que os nossos pastores sejam santos e fiéis à Igreja de Cristo. Rezemos para que Cristo Ressuscitado erga do pecado os pastores que caíram em tentação. Rezemos para que aqueles que foram marcados pelos pecados dos sacerdotes aceitam a misericórdia do Deus feito Homem, morto e ressuscitado para salvação do mundo.

A justiça dos homens deverá actuar. Rezemos para que todos os homens aceitam a de Cristo.

The Blind Side





Domingo de Páscoa fui ao cinema ver o filme "Blind Side". A história do filme é um pouco básica: uma "soccer mum" adopta um miúdo preto enorme que joga futebol americano mas que não consegue aprender nada. A história em si prometia ser mais um dramalhão americano.

Acabei por gostar muito do filme. A maior qualidade para mim é a "secura" do filme. Quase não há momentos dramáticos. O realizador limita-se quase a contar uma história. A família acolhe o miúdo, dá-lhe roupa, a irmã ajuda-o a estudar, o irmão ajuda-o no futebol americano. A mãe e o pai vão tentando educa-los.

Não há ali nenhuma revolução social, nenhum projecto para salvar o mundo, nenhuma teoria sociológica. Apenas uma mulher confrontada com os problemas de um miúdo que acaba por adoptar.

A coisa parece simples, mas não é. O lema dos nossos dias é se alguém te pede um peixe ensina-o a pescar. O filme não funciona assim. Ele tem fome, ela dá-lhe comida; ele não tem cama, ela dá-lhe casa; ele não tem roupa, ela compra-lhe; ele não tem família, ela acaba por lhe dar a dela. Sem teorias ou complicações. Partindo sempre da necessidade daquele miúdo diante dela.

Este filme, que se estreou em Portugal por alturas da Páscoa dá testemunho da caridade cristã tão pouco em voga: amar o próximo como ele precisa de ser amado, não como nós achamos que ele deve ser.