domingo, março 17, 2013

Little Lion Man

Qual é a diferença entre Little Lion Man e todos os outros discursos desesperados que prevalecem na música, sobretudo no Rock contemporâneo?
Encontramo-nos aqui perante palavras que com certeza, mesmo se de forma menos poética, já todos ouvimos: o discurso cínico de alguém mais velho (tornado mais cínico por serem as palavras dirigidas ao próprio filho), a tentar mostrar à geração seguinte que nada vale a pena.
Mas reparemos no refrão: A culpa não foi tua, foi minha, e era o teu coração que estava em jogo. A culpa foi minha, pois com estas palavras que te dirigi, neguei o desejo do teu coração (You’ll never be what is in your heart.)
As palavras que dizemos têm peso. Quantas vezes dizemos coisas sem pensar, ou mais interessados no nosso discurso sobre a realidade que naqueles que temos à nossa frente.
É esta a originalidade de Little Lion Man, não um discurso cínico sobre a vida, mas o reconhecimento do erro desse discurso, que procura abafar o desejo infinito do coração do homem, a única coisa importante que está sempre em jogo.


Little Lion Man/ Pequeno Leão
Chora por ti, meu homem,
Nunca hás-de ser o que tens no coração
Chora, meu pequeno leão
Não és tão corajoso como no principio
Avalia-te, sonda-te
Recolhe toda a coragem que te sobra
Desperdiçada em resolver todos os problemas criados pela tua cabeça

A culpa não foi tua, foi minha
E era o teu coração que estava em jogo
Eu estraguei tudo desta vez,
Não estraguei, meu querido?

Treme por ti, meu homem
Tu sabes que já viste tudo isto
Treme, meu pequeno leão
Nunca vais resolver nenhuma das tuas disputas
A tua graça é desperdiçada na tua cara
A tua bravura está só no meio das ruínas
Agora aprende com a tua mãe, ou então passarás o resto dos teus dias a morder o próprio pescoço

A culpa não foi tua, foi minha
E era o teu coração que estava em jogo
Eu estraguei tudo desta vez,
Não estraguei, meu querido?


segunda-feira, março 11, 2013

Mumford & Sons - Ghosts That We Knew.



O

O Evangelho de hoje foi o do filho pródigo. Todos os anos o Padre João faz a mesma homilia sobre esta Evangelho e todos os ano eu me comovo. Com a leitura e com a homilia.
 
Porque me lembra sempre a misericórdia com que sou olhado.”Não viste nenhuma falha, nenhuma fenda no meu coração (…) tu conheces o meu chamamento”.
 
A graça de ter alguém que me olha e vê, através do meu pecado e da minha desgraça, o meu valor é o que me faz cair na conta de que fui feito para o ser grande. Ou seja, fui feito para ser santo.

 

 

Ghosts That We Knew/ Fantasmas que conhecemos.
 
Tu viste a minha dor, lavada pela chuva,
Vidro partido, viste o sangue correr das minhas veias.
Mas não viste nenhuma falha, nenhuma fenda no meu coração.
E ajoelhaste-te à frente. A minha esperança rasgou-se.
Mas os fantasmas que conhecemos, vão desvanecer-se da vista,
E nós iremos viver uma vida longa.
 
Então dá-me esperança na escuridão e eu vou ver a luz.
Porque eles dão-me um tal susto!
Mas eu vou aguentar enquanto tu quiseres,
Promete-me apenas que nós estaremos bem.
 
Então leva-me de volta,
Vira para sul desse lugar,
E fecha-me os olhos para minha desgraça recente
Porque tu conheces o meu chamamento,
E nós iremos partilhar o meu todo,
E os nossos filhos virão e hão de me ouvir rugir.
 
Mas segura-me, enterra o meu coração no frio.
E segura-me, enterra o meu coração ao lado do teu.

sábado, março 09, 2013

Ter filhos: um dever cívico!

:
Em 2012 nasceram em Portugal noventa mil crianças. Menos sete mil do que em 2011. No ano em que eu nasci (1985) nasceram cento e trinta mil crianças. Na década em que o meu pai nasceu a média de nascimentos por ano era superior a duzentos mil. A esperança média de vida em Portugal hoje é de 80 anos. Quando eu nasci era de 72 anos. Quando o meu pai nasceu era de 60 anos.

Percebo que estes dados não tenham a mesma relevância para a discussão política actual que o desemprego ou o défice. Percebo que possa parecer ridículo vir falar de demografia enquanto o Estado Social parece desabar. Aliás, falar em filhos durante uma crise económica como a que estamos a atravessar parece quase irresponsabilidade.

Contudo confesso que o facto de cada vez haver menos crianças me parece uma ameaça maior ao Estado Social do que qualquer crise económica. É que mesmo que consigamos vencer o défice, o desemprego, repor a balança comercial, voltar aos mercados e tudo o resto a minha geração parece condenada. Não pela precariedade ou pelos salários de 1.000€ brutos (para os mais sortudos, que arranjam emprego). Mas porque neste momento existem sensivelmente tantas pessoas na minha faixa etária como na do meu pai e o Estado Social parece estar a implodir. Não quero pensar como será daqui a 30 anos quando eu tiver a idade do meu pai e houver (segundo os dados do INE) cerca de mais 130 mil pessoas da minha faixa etária do que da dos meus eventuais filhos.

Por isso uma politica de investimento na família não é uma mera questão social, é uma urgência económica. É evidente que o Estado não pode resolver este problema. Ter filhos é uma questão que só diz respeito às pessoas e na qual nem o Estado nem a Sociedade se deve meter.

Mas se o Estado não pode ter filhos pode adoptar medidas que facilitem a vida a quem os quer ter. É possível diminuir a carga fiscal das famílias numerosas através de maiores deduções no IRS, diminuindo a contribuição para a Segurança Social dos pais que tenham mais do que dois filhos, descendo o IMI das casas onde habitem famílias com muitas crianças. É possível criar legislação laboral que proteja mais as grávidas, garantido que não vão perder o seu emprego ou que não verão a sua progressão na carreira afectada por serem mães. É possível melhorar a rede de Creches e Jardins de Infância ou mesmo dar aos pais que optarem por ficar em casa com os seus filhos o mesmo valor que o Estado iria gastar se estes tivessem num estabelecimento público.

Uma política que favoreça a família não é uma opção ideológica ou moral. Não se trata de uma exaltação das antigas virtudes do Pater Familias que sustenta os filhos enquanto a mulher fica em casa a tomar conta da prole. Não é um ataque à mulher emancipada que escolhe a carreira em vez da maternidade. Não é a defesa da família dita tradicional contra os novos “modelos de família” da sociedade actual. É uma questão de pragmatismo que deve unir desde a direita mais conservadora à esquerda mais progressista.

Porque podemos encolher ou aumentar o Estado, podemos tornar maior ou diminuir a protecção laboral, podemos fazer milhares de coisas para defender o Estado Social ou simplesmente deixá-lo cair. Mas qualquer que seja a opção ideológica se não começarmos a ter mais filhos nem a Troika nem a indignação nos vale, ficamos mesmo sem reforma!

quinta-feira, março 07, 2013

Mumford & Sons - For Those Below.


 
“As circunstâncias que Deus nos concede são factor principal, e não secundário, da nossa vocação”.
 O desafio de amar alguém é ama-la por inteiro, com toda a sua circunstância. A tentação é amar apenas a imagem que temos de uma pessoa: daquilo que foi ou daquilo que poderá vir a ser.
 Se apenas ama-mos o passado ou o futuro de alguém estamos destinados à desilusão. Porque o tempo não volta para trás e o futuro com que sonhamos pode nunca chegar. É na circunstância actual que somos chamados a amar e a sermos felizes.

 

For Those Below/ Para os que estão em baixo.

 Ela está caída indefesa nas escadas,
Assombrando os teus dia, consumindo as tuas orações.
Haverá cura, mas não forces esta rapariga a levantar-se.
Enquanto ela conta os tectos com voz pálida e mão trémulas.

 Tu disseste-me que a vida era longa, mas agora isso foi-se.
Encontras-te no topo, como líder da manada,
Chamado a ser uma rocha para aqueles que estão em baixo.

 Notas sussurradas do piano no canto da sala.
Aguenta a tua garganta, é cura que tu ouves na sua melodia?
Desejando mudança, mas amando-a mesmo enquanto ela está caída,
É o fardo de um homem que construiu a sua vida sobre o amor.

 Eu vou ser fechado e armazenado,
Num hospício [ala de lavanda]
Porque a minha a mente é igual a dela
Tão quebrada, tão aleijada, tão queimada.

 E então eu encontro-me no topo, como líder da manada,
Chamado a ser uma rocha para aquele que estão em baixo.

terça-feira, março 05, 2013

À espera do novo Papa com Bento XVI: Oração e Silêncio.



Nas últimas vezes que nos falou, o nosso amado Papa Emérito Bento XVI pediu a nossa oração. Depois da sua última aparição em Castel Gandolfo deixa-nos o testemunho do seu silêncio.

Olhando para a fé desde homem, que não cede à tentação de achar que é ele que constrói a Igreja, não posso deixar de desejar uma fé assim para mim.

Por isso durante este tempo de Sede Vacante tenho tentado não ligar aos inúmeros artigos sobre quem deve ser o novo Papa e sobretudo, tenho tentado não pensar nem dizer nada sobre esse assunto. Desejo estar diante do Conclave com a mesma confiança em Nosso Senhor que tem o Pontífice Emérito.

Não que dizer que este ou aquele cardeal é bom ou daria um bom Papa faça mal. Ou que faça bem. A minha opinião para este assunto é totalmente irrelevante. Se o Espírito Santo a quisesse tinha feito de mim Cardeal.

Mas é colocar a questão em termos pequeninos. É reduzir o Papa à medida humana, encaixa-lo na nossa agenda. É verdade que o próximo Papa será humano. É verdade que será votado por homens. Mas este é o paradoxo da Igreja: uma realidade que, embora totalmente constituída por seres finitos, é totalmente transcendente.

Por isso não quero contribuir para o burburinho, nem quero ouvi-lo. Neste tempo de espera olhemos mais uma vez para Bento XVI e vivamos segundo o seu testemunho: em oração e silêncio.

Mumford & Sons - Sigh no More

 
 
Eu sou um pecador e um cobarde, mas desejo ardentemente ser como Deus me pensou. O amor, o amor verdadeiro, não a expressão do meu egoísmo ou dos meus caprichos, é a possibilidade de eu ser realmente homem.

Porque o amor como foi feito para ser é o da cruz: "ninguém tem maior amor do aquele que dá a vida pelos seus amigos".
 
O amor não é um sentimento. Quem vive de acordo com o sentimento é de facto escravo: escravo da mensagem que não chega, do olhar que não se cruzou, da data esquecida. Escravo da sua própria medida. Mas quem vive a sua vida como doação é verdadeiramente livre e verdadeiramente homem. Disso é supremo testemunho Cristo pregado na cruz:"Eu venci o mundo"!


Sigh No More/ Não Suspires Mais.

Serve Deus, ama-me e emenda
Isto não é o fim
Vive sem mancha, nós somos amigos
E eu estou arrependido
Estou arrependido.
Não suspires mais,
Um pé no mar e outro na costa
O meu coração nunca foi puro
Tu conheces-me

E o homem é uma coisa indecisa,
Oh o homem é uma coisa indecisa.
 
O amor não te vai trair,
Desanimar-te ou escravizar-te
Vai libertar-te.
Sê mais como o homem
Que foste feito para ser.
 
Há um desígnio
Um alinhamento, para gritar
Do meu coração para ver
A beleza do amor
Como foi feito para ser.

segunda-feira, março 04, 2013

Not with Haste



 

O fundamento da nossa Esperança não está nas nossas forças, mas na graça de um encontro com alguém que nos ensine, que nos sustente, nos mantenha a chama acessa. Sobretudo alguém que olhe para nós com amor, que olhe e ame quem de facto somos, mesmo com as nossas limitações: Do not let my fickle flesh go to waste/ As it keeps my heart and soul in its place.
Só com um encontro assim podemos também aprender a amar, com urgência, mas sem pressas. Como nos ensinava Don Giussani: “Não tenham pressa porque há o tempo, não tenham medo porque há a companhia”



Not with haste/ Sem pressa

Os teus olhos prendem-me com muita força
Nunca hei-de aprender a levantar as minhas defesas
Por isso, meu amor, mantém acesa a minha vela
Ensina-me com dureza, ensina-me bem.

Não é uma farsa
Sou o que sou

Mesmo que fale línguas antigas
Ou despeje palavras sagradas
Não tenho forças para falar
Quando me fazes sentar e vês que sou fraco.

Iremos correr e gritar, hás-de dançar comigo
Os nossos sonhos vão-se realizar e iremos ser livres
Seremos quem somos
Hão-de nos curar as nossas cicatrizes
A tristeza estará longe

E  enquanto passeávamos por campos verdes
O sol era o mais belo que alguma vez vira
E eu, quebrado, estava de joelhos, 
E disseste sim quando disse por favor

Não é uma fraude
Sou o que sou
Não deixarei tempo para uma mente cínica

Iremos correr e gritar, hás-de dançar comigo
Os nossos sonhos vão-se realizar e iremos ser livres
Seremos quem somos
Hão-de nos curar as nossas cicatrizes
A tristeza estará longe

Não deixes esta mente frágil desperdiçar-se,
Pois mantém o meu coração e a minha alma no seu lugar
Hei-de amar com urgência, mas sem pressa.

domingo, março 03, 2013

Mumford and Sons: Acorda a minha alma!

 
Tudo começou quando uma amiga me disse que eu tinha que ouvir uma música chamada Awake my Soul de uma banda chamada Mumford and Sons. Eu nunca tinha ouvido falar de tal música e ainda menos daquela banda. Mas perante a insistência da minha amiga decidi ir ouvir.

Na altura fiquei totalmente estupefacto. A letra era das coisas mais comovente que eu tinha ouvido nos últimos tempos. Falava do amor de uma maneira realista e directa, mas bela: “empresta-me a tua mão e iremos conquistá-los todos, empresta-me o teu coração e apenas o vou deixar cair; empresta-me os teus olhos, posso mudar o que vês, mas a tua alma tens que a manter totalmente livre (…) acorda a minha alma, foste feita para conhecer o teu criador”.

Fiquei tão espantado com aquela música que não ouvi mais nenhuma deles, achando que seguramente me iria desiludir. Até que li na revista Passos um artigo do John Waters onde diziam que só os U2, os Coldplay e os Mumford and Sons cantavam o humano.

Decidi então começar a investigar melhor as músicas deles. E foi uma descoberta extraordinária. Não porque concordasse com tudo o que eles cantavam, mas porque falavam sobre o homem. As letras reproduziam a experiência humana: a esperança, a dor, o amor, o limite, o perdão e a graça.

Todas as música contam uma história. História de amores desesperados, de projectos falhados, de sofrimento e de pecado mas sobretudo uma história de esperança e de confiança na graça: “Parece que todas a minhas pontes foram queimadas, mas tu dizes que é exactamente assim que esta coisa da graça funciona. Não é longo caminho para casa que irá mudar o meu coração, mas o acolhimento que eu recebo com o recomeço”

No dia 23 de Março eles vão dar um concerto em Lisboa (esgotado há vários meses). Daqui até lado tenciono ir pondo aqui várias músicas deles. Vale a pena o trabalho de descobrir Mumford and Sons. Sem qualquer pretensão poética eles limitam-se a cantar sobre a sua vida. Nesse canto é muitas vezes possível reconhecer a nossa própria experiência.

terça-feira, fevereiro 12, 2013

VIVA O PAPA!

 
A minha primeira reacção à decisão do Santo Padre de resignar foi de choque. Fiquei completamente atordoado, sem conseguir compreender o alcance daquilo que estava a acontecer. De algum modo, no meu egoísmo e no meu mimo, senti-me abandonado.
Sabia que existia a possibilidade, em abstracto, do Papa resignar. O Código de Direito Canónico, no Cân. 332 §2 prevê essa hipótese. O próprio Papa Bento XVI no livro Luz do Mundo tinha dito que poderia resignar um dia. Mesmo assim, não estava à espera que o Santo Padre o fizesse agora.
Aparentemente esta seria a altura menos expectável. Parecia que o Sumo Pontífice ia finalmente ter alguma paz. Este ano adivinhava-se como um ano de sucesso. Era o ano da Encíclica sobre a Fé, o ano da Jornadas no Rio de Janeiro, o ano dos festejos do 50º aniversário do Concílio. Parecia que este ia ser o ano da aclamação total do Papa.
Para além disso, por muito que tentemos, é impossível não nos lembrarmos dos últimos anos do pontificado de João Paulo II. De como o antecessor de Bento XVI se ofereceu a Deus diante de todos nós.
Mas olhando para este acontecimento com os olhos da fé percebo que (como eu aliás já desconfiava) o problema está todo em mim. Porque o meu primeiro juízo parte de sentimentos e de cálculos e não da fé.
Antes de tudo, antes de qualquer explicação ou argumento, existe em mim esta simples e racional certeza: o Santo Padre Bento XVI ama mais a Igreja que eu, é mais santo do que e mais inteligente do que eu. Demonstrou durante todo o seu pontificado a coragem de nunca fugir diante da adversidade e a humildade de Servo dos Servos de Deus. Por isso se decidiu resignar, mesmo que eu não compreenda, fá-lo por amor a Cristo e à Sua Igreja e não por uma resignação ou um comodismo e por isso este acontecimento é um bem. Isto sei eu, mesmo que não conheça mais nenhum facto.
Para além disso, a verdade é que a circunstância de Bento XVI é diferente da de João Paulo II. Um foi eleito com pouco mais de cinquenta anos o outro com setenta e oito. Um era um desportista pujante o outro um homem frágil. João Paulo II recusou resignar diante da humilhação e da doença, porque percebia a importância do seu testemunho no sofrimento. Bento XVI resigna porque sabe que o trabalho que é pedido ao Papa é superior às suas forças. Respostas diferentes a circunstâncias diferentes, mas um mesmo critério: o amor total a Cristo e à Igreja.
Aliás o Pontificado destes dois Papas tão diferentes está intimamente ligado: Bento XVI completou o trabalho de João Paulo II. O Papa polaco atraiu as multidões e o seu sucessor confirmou-as na fé.
Não digo que compreenda totalmente a decisão do Papa, nem sequer que goste desta decisão. Bento XVI é um grande Papa e o seu pontificado é uma graça extraordinária para toda a Igreja e para mim muito concretamente. Foi durante este pontificado que passei de adolescente a adulto. A pessoa do Santo Padre, as suas palavras e os seus actos marcaram o amadurecimento da minha fé.
Mas esta é a grande a alegria de seguir. Não preciso de perceber tudo, não preciso de gostar de tudo. Porque aquilo que experimentei dá-me a certeza absoluta que a decisão do Papa é boa.
Nos próximos dias vai ser muita a confusão. Por um lado as intrigas e os disparates sobre as razões que levaram a esta decisão. Por outro o carrossel dos candidatos a Papa que irão florescer como ervas daninhas. No próximo mês iremos ouvir desfiar um rol de perfis que o próximo Papa terá que ter e descrições de cardeais que encaixam nesses perfis. Uma tarefa vã. Basta relembrar que em 2005 os media todos diziam que Papa ia ser africano, de um país pobre, progressista e jovem. Em vez disso foi eleito um cardeal velho, europeu, conservador do país mais rico da Europa.
Por isso o que é preciso antes de mais é serenidade. A agenda do Espírito Santo não é marcada pelos media nem pelo facebook. É Ele quem governa a Igreja, por isso podemos estar totalmente descansados.
Depois é preciso rezar. Rezar a agradecer o extraordinário pontificado de Bento XVI. Rezar pela Igreja para que cresça no amor ao Papa. Rezar pelos cardeais para que se deixem guiar pelo Espírito no conclave.
Acabo este post como acabei este dia: cheio de gratidão a Deus pelo pontificado de Bento XVI. Desde o primeiro minuto do seu pontificado foi possível ver a promessa de Jesus a Pedro: “Tu és Pedro, sobre esta pedra erguerei a minha Igreja e as portas do Inferno não prevalecerão contra ela”. Cheio de gratidão a Bento XVI pela sua enormíssima paternidade.
VIVA O PAPA!
SEMPER FIDELIS!

domingo, janeiro 13, 2013

Zico deve morrer.

Anda por aí uma petição para salvar um cão, de seu nome Zico, que matou uma criança de 18 meses. Segundos os peticionário o animal não pode ser culpado de nada e merece uma segunda oportunidade.
Antes de mais é preciso esclarecer que é evidente que o cão não é culpado de coisa nenhuma. Para se ser culpado é necessário ter consciência, coisa que os animais não têm. A decisão de abater o cão não é um castigo por ele se ter portado mal, mas uma mera questão de segurança. Não se pode deixar vivo um animal agressivo correndo o risco de ele voltar a atacar humanos. A questão é tão simples quanto isto.
Esta petição, tal como as várias reacções dos defensores dos animais a este caso, vieram mais uma vez demonstrar quão perigosas estas instituições se estão a tornar. Segundo os defensores dos animais não há nenhuma diferença entre homens e animais a não ser o facto de o homem ter uma razão mais desenvolvida que os restante animais. Por isso matar um animal é mais ou menos o mesmo do que matar um homem. Estes animalistas tem aliás uma expressão de que muito gostam: o espéciecismo, ou seja a discriminação com base na espécie, igual ao racismo ou à xenofobia. Lembro-me que num debate sobre corridas de toiros um jovem defensor dos animais chegou a comparar as Praças de Toiros a campos de concentração.
Claro que esta personalização dos animais nem sempre se traduz em níveis de alucinação tão grandes. Muitas vezes fica-se apenas por anúncios de adopção de cães onde os cachorros são tratados por bebés ou então campanhas de indignação contra os animais do circo.
Contudo a tendência de esbater a linha que separa os homens dos animais é cada vez maior. Cada vez é mais comum tratar os bichos como se de pessoas se tratassem. Na base desta ideologia está a recusa de Deus. Não a recusa de um vago ente superior, que tem uma vaga existência. Mas do Deus que criou o céu a terra e tudo o que nela existe e que no centro da criação colocou o homem.
A partir do momentos em que os homens se recusam a reconhecer-se como criaturas de Deus, a partir do momento em que a sociedade recusa a ordem da criação, então o valor do homem já não está no simples facto de ser homem, criado à imagem e semelhança de Deus, mas no valor que a sociedade lhe atribui. Se nós somos de facto apenas um acaso da evolução, então é pouca a diferença entre um homem e um macaco.
A centralidade do homem na criação de Deus não é uma carta branca para tratar os animais da maneira que nós queremos. Também eles fazem parte da criação e por isso deve ser respeitados e bem tratados. Mas como aquilo que são: animais, criados para servir o homem.
Por isso é que um cão que ataca uma criança deve ser abatido. Mesmo que tenha sido muito maltratado, mesmo que vivesse em más condições, mesmo que a criança tivesse metido a cabeça dentro da boca do cão enquanto lhe puxava o rabo, mesmo assim tem que ser abatido. Não por uma questão de culpa, mas porque a sua vida vale menos do que o mero risco de atacar um ser humano.

quarta-feira, janeiro 09, 2013

Legalização da Prostituição: Um Ataque aos Direitos das Mulheres.

Nos últimos tempos sempre que aparece uma notícia sobre prostituição é sempre ouvida a opinião dos grupos que defendem a legalização desta actividade. Os argumentos são quase sempre os mesmos: a liberdade da mulher fazer o que entende com o seu corpo, a dignificação das prostitutas, a segurança das mesmas.
Eu confesso que sempre que oiço alguém defender a prostituição fico logo irritado. Porque, por muita volta que se dê a prostituição é sempre sexo forçado. Para ser livre é preciso que a vontade de praticar sexo fosse formada de maneira esclarecida e sem qualquer condicionante. Ora na prostituição há sempre uma relação de poder. “Se tu me deres o teu corpo eu dou-te dinheiro”. Mesmo as chamadas acompanhantes de luxo, que estão muitas vezes longe de ser vítimas indefesas, são coagidas a fazerem sexo com os seus clientes. Se assim não fosse, não cobravam dinheiro para o fazer.
Impressiona-me que os mesmos grupos que lutam contra o assédio sexual no trabalho sejam a favor da legalização da prostituição. Pelos vistos um patrão não pode exigir sexo a uma empregada para lhe dar trabalho, mas se lhe pagar directamente já não é um problema!
O que cada um faz com o seu corpo, dentro dos limites do Direito, não diz respeito ao Estado. Agora dizer que vender o corpo por dinheiro é um trabalho igual a todos os outros é uma mentira e um ataque aos direitos das mulheres. Queres estudar? Queres alimentar os teus filhos? Queres ter coisas boas? É fácil, vende a tua intimidade e podes ter tudo isso!
Legalizar a prostituição é um ataque aos direitos das mulheres. A prostituição nada tem de digno. Em maior ou menos grau é sempre a exploração da mulher por um homem que tem dinheiro para lhe pagar. Que isso aconteça com a bênção do Estado é indigno de uma sociedade onde o Homem e a Mulher são iguais em direitos.
A maneira de dignificar as prostitutas é criar condições para que elas não tenham que se vender para viver. Se, mesmo tendo condições para não o fazerem, preferirem continuar a ter sexo a troco de dinheiro, é uma decisão de cada pessoa. Mas não é uma decisão digna e nenhum diploma legal a dignificará.
Não é por acaso que a condenação social da prostituição foi crescendo juntamente com os direitos das mulheres. Reconhecer que a Mulher tem os mesmos direitos que o Homem passa por reconhecer que o seu corpo não pode ser vendido e comprado como um objecto. O resto é maquilhagem progressista para esconder um discurso tão velho e bafiento como a própria prostituição.

terça-feira, novembro 13, 2012

Obrigado a Isabel Jonet

“(…) aquilo que mais me toca e tocará, aquilo que mais me afecta e afectará, é o empenho dos excelentes e a miséria dos medíocres(…).”
Esta frase é tirada do quarto livro da série Primeiro Homem de Roma e é posta pela autora no discurso de encerramento do consulado de Júlio César. Durante o seu ano como cônsul César teve por colega Bibulo, que, para impedir as reformas de César, se retirou para casa a observar os astros. Por isso esse ano ficou conhecido, não pelo nome dos dois cônsules como habitualmente, mas pelo ano do consulado de Júlio e César.
Lembrei-me deste episódio por causa da polémica à volta das declarações da Dra. Isabel Jonet num debate na SIC Noticias. Nos últimos dias temos assistido aos ataques mais baixo e mais vis possíveis à Presidente do Banco Alimentar Contra a Fome.
Não tenciono fazer aqui a defesa da Dra. Isabel Jonet. O seu trabalho fala por si e não precisa para nada das minhas palavras. Contra as ofensas de alguns cobardes erguem-se as 350 mil pessoas que todos os meses recebem comida do Banco Alimentar.
Escrevo estas linhas porque me tem impressionado muito a venenosidade dos ataques dirigidos a Isabel Jonet. Ataques coordenados por pessoas para quem a pobreza e a fome são apenas palavras que ajudam no discurso político.
O Estado Social é uma coisa bonita. E vociferar contra a pobreza também. Mas enquanto alguns se dedicam a discursar ou tweetar sobre o assunto, a Dr. Isabel Jonet ajuda a por comida na mesa daqueles que têm pouco.
Existe uma grande diferença entre a grandeza de Isabel Jonet e a pequenez de quem a ataca. É que para chegar a essa grandeza é preciso trabalhar muito, sacrificar o seu tempo, arriscar dar a cara.
Para a pequenez basta um “gosto” no facebook ou postar num blog. E assim se acalma uma consciência farisaica, com a ilusão de que se fez alguma coisa de útil.
Como eu dizia este post não serve para defender a Dra. Isabel Jonet, a sua obra faz isso melhor que eu. Serve simplesmente para lhe agradecer.
Obrigado Dra. Isabel Jonet por ajudar quem mais precisa. Obrigado por me educar na caridade. Obrigado pelo tempo oferecido ao país e aos mais pobres. Obrigado por não responder a quem a ataca como eu faria, dizendo simplesmente “não gostam, então façam vocês”. Obrigado pela simplicidade com que faz a sua missão. Muito obrigado por estes vinte anos de voluntariado. Que Deus a mantenha por muitos e bons anos à frente do Banco Alimentar. Eu agradeço e penso que o país real, aquele que existe para além das redes sociais e dos media, também!