domingo, dezembro 26, 2010

"O Verbo fez-Se carne"

No dia 24 foram mortos 38 cristãos na Nigéria. Nas Filipinas 10 pessoas ficaram feridas num ataque à bomba a uma Igreja. Em Bagdade e em Mossul a maior parte das Igrejas estão cercadas por muros e arame farpado. Na China os cristãos fiéis ao Papa celbraram o Natal em segredo.

Estes acontecimentos tão dolorosos são ao mesmo tempo confirmação das palavras de São Paulo: "Estou convencido de que nem a morte nem a vida, nem os anjos nem os principados, nem o presente nem o futuro, nem as potestades, nem a altura, nem o abismo, nem qualquer outra criatura poderá separar-nos do amor de Deus"

Em Lisboa como em Jos, os cristão ouviram com a alegria as palvras de Isaias: "O povo que andava nas trevas viu uma grande luz; para aqueles que habitavam nas sombras da morte uma luz começou a brilhar. Multiplicastes a sua alegria, aumentastes o seu contentamento. Rejubilam na vossa presença, como os que se alegram no tempo da colheita, como exultam os que repartem despojos. Vós quebrastes, como no dia de Madiã, o jugo que pesava sobre o povo, o madeiro que ele tinha sobre os ombros e o bastão do opressor. Todo o calçado ruidoso da guerra e toda a veste manchada de sangue serão lançados ao fogo e tornar-se-ão pasto das chamas. Porque um menino nasceu para nós, um filho nos foi dado. Tem o poder sobre os ombros e será chamado «Conselheiro admirável, Deus forte, Pai eterno, Príncipe da paz». O seu poder será engrandecido numa paz sem fim, sobre o trono de David e sobre o seu reino, para o estabelecer e consolidar por meio do direito e da justiça, agora e para sempre. Assim o fará o Senhor do Universo."



Rezemos por este nossos irmãos e que a força da sua fé seja para nós testemunho vivo de que o Verbo Se fez carne e habita entre nós.

quinta-feira, dezembro 23, 2010

Lc 1, 45-46


«A minha alma glorifica o Senhor e o meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador. Porque pôs os olhos na humildade da sua serva: de hoje em diante me chamarão bem-aventurada todas as gerações. O Todo-poderoso fez em mim maravilhas, Santo é o seu nome. A sua misericórdia se estende de geração em geração sobre aqueles que O temem. Manifestou o poder do seu braço e dispersou os soberbos. Derrubou os poderosos de seus tronos e exaltou os humildes. Aos famintos encheu de bens e aos ricos despediu de mãos vazias. Acolheu a Israel, seu servo, lembrado da sua misericórdia, como tinha prometido a nossos pais, a Abraão e à sua descendência para sempre». Maria ficou junto de Isabel cerca de três meses e depois regressou a sua casa.

Lc 1, 45-46.

Brutus is an honourable man

Em 2007 garantiram-nos que as projecções daqueles que defendiam a vida sobre o que aconteceriam depois da liberalização do aborto eram exageradas. Segundo os bem pensantes depois de um boom, devido à novidade suponho eu, os número rapidamente baixariam.

Em 2007 a média de abortos por dia foi 36. Em 2008 a média foi de 50. Em 2009 foi de 53. De Janeiro a Agosto de 2010 a média foi ligeiramente superior. Ou seja, os abortos legais em Portugal, pagos por nós e sem qualquer custo para quem os decide fazer, continuam a aumentar. But Brutus is an honourable man!

quarta-feira, dezembro 15, 2010

O Eu diante da Crise.


A actual crise tem dado azo a vários ataques ao sistema capitalista. Muitos defendem que se houvesse mais regulação nunca teríamos chegado a este estado. De facto a banca criou um mundo de riqueza imaginária que vivia completamente da confiança. Quando a crise começou muita desta riqueza simplesmente evaporou-se, deixando apenas um rasto miséria.

Os defensores da falência do capitalismo tendem a defender o socialismo, ou seja, uma economia mais controlada pelo Estado, que se encarregaria de distribuir melhor a riqueza criando assim igualdade social.

Esta ideia tem, do meu ponto de vista, dois grandes problemas. O primeiro é que o Estado só tem uma fonte de receita: os contribuintes. Ora, para o Estado criar igualdade social precisa de dinheiro. Dinheiro esse que vai buscar à nossa algibeira. Mas se o Estado vai taxando cada vez mais os contribuintes chega a um ponto onde já não há nada para taxar. Se o Estado cobrar impostos demasiados altos as empresas deixam de ter lucro, vão à falência, as pessoas deixam de ter emprego, deixam de ter rendimento e por isso deixam de consumir. De uma penada acabou-se o IRC, o IRS o IVA e a Segurança Social. Este facto faz com que o sistema tenha um prazo de validade no fim do qual ou se transforma (como a China) ou vai à falência (como aconteceu no Bloco Soviético).

O segundo problema é que a vida é naturalmente desigual: existem pessoas com mais capacidades do que outras. Se o Estado tentar que todos sejam iguais, como não pode tornar mais capazes os incapazes, resta-lhe uma solução: nacionalizar a riqueza e distribui-la igualmente por todos.

O problema deste sistema, de resto já tentado sem sucesso na URSS e na China, é que nesse caso uma pessoa não tem razão para trabalhar. Se é indiferente trabalhar ou não, porque esse facto é indiferente para o que eu ganho, então é melhor não fazer nada. O resultado é que fica pouca coisa para distribuir. Cria-se a igualdade, todos são pobres.

Parece-me que o problema do socialismo é que, embora ideologicamente possa funcionar, na realidade não. Não funciona porque as pessoas não são uma massa amorfa mas seres conscientes que desejam, antes de mais, ser livres.

Já o problema do capitalismo é outro. Não um problema do sistema, mas de cada pessoa: a liberdade humana mal usada.

A crise instalou-se porque as pessoas começaram a gastar o que não tinham. E os bancos continuaram a financiar essa loucura, criando riqueza da ausência dela mesma. O drama do capitalismo não está no sistema, mas no facto de os seus actores (ou seja todos nós) sermos livres para usar mal o dinheiro.

A culpa não é de um sistema abstracto, mas de pessoas concretas: dos banqueiros e empresários que na procura desenfreada de lucros perderam fortunas; de todos nós que gastamos o que não tínhamos e agora ficámos sem nada.

Claro que o capitalismo não é perfeito. O capitalismo puro e duro, onde o Estado não intervém, conduz à exploração do homem pelo homem. O Estado tem por isso que garantir que os mais pobres não sejam explorados pelos mais ricos. Ou seja, garantir o primado do Direito.

Para além disso, um Estado civilizado tem que garantir que cada pessoa tenha acesso ao mínimo do que precisa para um existência digna: casa, educação, saúde. Por isso é que são precisos os impostos. Estes são, para aqueles que pagam mais ao Estado do que os serviços que recebem deste, o preço que pagam por viver em sociedade. De resto deve dar liberdade para que cada use as suas capacidades como achar melhor.

Claro que este sistema cria desigualdades. Mas, parafraseando Winston S. Churchill:
"The inherent vice of capitalism is the unequal sharing of blessings; the inherent virtue of socialism is the equal sharing of miseries".

Temos por isso duas opções: queixarmo-nos e barafustar contra o sistema, responsabilizando-o pelo crise e pedir ao Estado que resolva a crise ou tomarmos a sério o desafio que ela nos coloca: chamar-nos à responsabilidade no modo como usamos os nossos dons.

Berlusconi ou a Hipocrisia da Esquerda.

Hoje na Câmara dos Deputados em Itália foram votadas duas moções de desconfiança ao Governo de Sílvio Berlusconi. O Governo salvou-se por três votos.

Este acontecimento levou a uma onda de violência por partes de manifestantes que participavam numa concentração de estudantes onde se encontravam cem mil pessoas. Os manifestantes atacaram carros de polícia, destruíram montras e atearam fogos no centro de Roma que cobriram parte da cidade com fumo.

Como conclusão a esquerda moderna portuguesa conclui que Berlusconi deve cair. Mesmo com o apoio da maioria dos deputados a esquerda considera que o Governo não tem legitimidade por causa de uma turba de desordeiros bárbaros. Falamos das mesmas pessoas que desprezaram as 90 mil assinaturas recolhidas pedindo um referendo ao casamento entre pessoas do mesmo sexo.

De facto por muito que tente disfarçar a esquerda é geneticamente anti-democrática. Só respeitam a maioria popular quando esta concorda com eles. Se não são incultos, retrógrados (como no caso dos americanos e de Bush) ou então mafiosos ou corruptos (como no caso dos italianos e Berlusconi).

O Cavagliere traz ao de cima toda a hipocrisia da esquerda: por um lado são a favor da legalização da prostituição, por outro atacam o primeiro-ministro italiano por fazer festas com prostitutas; são a favor do divórcio e da liberdade de cada um fazer o que quer com a sua vida, por outro atacam o Berlusconi pela sua infidelidade conjugal e pelos seus casos amorosos; por um lado defendem o direito de miúdas de treze anos fazerem abortos sem avisar os pais, por outro atacam Berlusconi por convidar prostitutas de 17 anos para as suas festas.

A esquerda, moderna ou antiquada, sempre foi moralista. Durante dois mil anos a Igreja ensinou a amar o pecador e a desprezar o pecado. Os ataques a Berlusconi provam que a esquerda prefere amar o pecado e desprezar o pecador.

quarta-feira, dezembro 08, 2010

Catorze anos.

Fez hoje 14 anos que fui investido acólito na Igreja de Santos-o-Velho. Durante estes anos acolitei em muitos sítios, desde a Sé de Lisboa a pequena Capela de São Brissos. Acolitei em missa solenes com 20 acólitos e em missas onde para além de mim e do padre havia só mais duas ou três pessoas. No altar assisti por catorze vezes ao Nascimento, à Paixão, à Morte e Ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Contudo ao fim destes anos todos e de todas estas experiências cada vez mais me comovo com a beleza da Liturgia da Igreja, que tem o seu centro na Eucaristia. Percebo que esta comoção se deve muito ao facto de ser acólito. Perceber que eu, através da minha frágil humanidade, contribuo para que um pedaço de pão e um golo de vinho (num cálice tantas vezes preparado por mim) se transformem no Corpo e Sangue de Cristo é vislumbrar a Misericórdia de Cristo para comigo. Porque se o padre no Altar é Cristo, o acólito é como aquela criança que trazia os pães e os peixes que Jesus Multiplicou. Cristo não precisava deles para nada, mas decidiu associar aquele miúdo à Sua Glória.

Estou grato ao Senhor por este privilégio de o servir tão próximo. Peço que o meu ministério seja para minha santificação e que sirva de testemunha da Sua Glória para todos.

segunda-feira, dezembro 06, 2010

Morreu Dom Júlio Tavares Rebimbas, Arcebispo-bispo Emério do Porto

Faleceu o Senhor D. Júlio Tavares Rebimbas, Arcebispo-Bispo emérito do Porto. Oriundo do Presbitério de Aveiro, foi sucessivamente Bispo do Algarve, Auxiliar do Patriarca de Lisboa (com o título de Arcebispo de Mitilene), 1º Bispo de Viana do Castelo e finalmente Bispo do Porto (1982-1997).

Em todos estes relevantes cargos eclesiais, o Senhor D. Júlio foi um dedicado Pastor do Povo de Deus, concretizando o espírito e as determinações do Concílio Vaticano II, quer nas iniciativas que tomou quer no seu modo cordial e próximo de estar e proceder com todos. Foi constante amigo do seu clero e deixou em todas as Dioceses que serviu um rasto de gratidão e simpatia, inteiramente merecidas.

Residia na Casa Diocesana de Vilar, estrutura de grande importância para a actividade pastoral, que edificou e bem denota o seu empenho e clarividência.

A Diocese do Porto está profundamente grata ao Senhor D. Júlio Tavares Rebimbas, guarda no coração o seu testemunho e pede a Deus a maior recompensa dos seus muitos e generosos trabalhos.

Porto, 6 de Dezembro de 2010

+ Manuel Clemente, Bispo do Porto

A Não Perder

domingo, dezembro 05, 2010

Higiene Mórbida

Quando vi esta notícia pela primeira vez, no 31 da Armada, pensei que era a gozar. Depois fui ler a notícia no DN e percebi que era pior do que podia imaginar.

Depois do programa da troca de seringas, vão começar a ser distribuídos "kits snif", que incluem palhinhas e preservativos. Acho um gesto tão absurdo que o nosso dinheiro em vez de ser gasto a ajudar toxicodependentes a deixar o mundo da droga, seja desperdiçado a garantir que toda a gente pode snifar em condições de perfeita higiene.

Medidas deste género (seringas grátis, preservativos por todo o lado, salas de chuto) rebaixam o Homem. Diante do drama da droga, do sexo, do instinto o que a sociedade tem a dizer: faz o que quiseres, degrada-te o que quiseres, rebenta contigo, mas fá-lo em condições higiénicas.

Depois espantam-se por haver mais toxicodependentes, mais adolescentes grávidas, mais doenças venéreas.

Dirty Old Town - Dubliners



I met my love by the gas works wall
Dreamed a dream by the old canal
I Kissed my girl by the factory wall
Dirty old town
Dirty old town

Clouds are drifting across the moon
Cats are prowling on their beat
Spring's a girl from the streets at night
Dirty old town
Dirty old town

I Heard a siren from the docks
Saw a train set the night on fire
I Smelled the spring on the smoky wind
Dirty old town
Dirty old town

I'm gonna make me a big sharp axe
Shining steel tempered in the fire
I'll chop you down like an old dead tree
Dirty old town
Dirty old town

I met my love by the gas works wall
Dreamed a dream by the old canal
I kissed my girl by the factory wall
Dirty old town
Dirty old town
Dirty old town
Dirty old town

Link para a entrevista do Padre João Seabra à TVI24.

Após horas de pesquisa consegui finalmente encontrar um link para a entrevista que Constança Cunha e Sá fez ao Padre João Seabra na última Terça-Feira. É um entrevista preciosa onde o Padre João comenta e esclarece alguns dos pontos do livro do Santo Padre, A Luz do Mundo, à volta dos quais a comunicação social fez mais barulho.

Para ver a entrevista clique aqui.

O tempo é breve.

Já estamos no IIº Domingo do Tempo do Advento. Neste momento só temos mais 20 dias para preparamo-nos para o Natal. É nestas alturas que a frase "o tempo é breve" ganha outro sentido. De facto não podemos desperdiçar tempo, não só porque Deus nos pode chamar quando bem entender, mas também porque não aproveitando o tempo quando damos por nós toda a vida passou diante dos nossos olhos e nós não reparamos.

A maior parte dos católicos, nos quais eu me incluo, sofre duas grandes tentações neste tempo do Advento. A primeira, bastante comum, é irritar-se com a Popota, a Leopoldina, o Pai-Natal da Coca-Cola, as luzes roxas do Chiado e o carrossel no Rossio. Ou seja, passamos o Advento irritados porque o Natal perdeu o significado.

A segunda tentação, muitas vezes fruto desta, é a de passarmos o advento a celebrar o Natal. Organizamos quinhentos jantares de Natal, vamos a todos os concertos de Natal e cada vez que ouvimos o Jingle Bells cantarolamos o Adeste Fidelis.

Mas a verdade é que o tempo é breve. O tempo que eu perco a tentar mostrar aos outros como se vive o Natal é tempo em que eu não me preparo para receber Jesus. E pode acontecer que o Advento acabe e eu tenho ensinado a quinhentas pessoas que o Natal é o nascimento de Cristo sem que eu esteja preparado para o receber. E assim todos os meus discursos e iniciativas para salvar o Natal se transformam num discurso ético e maçador.

Espero aproveitar os próximos vinte dias a aproveitar este tempo que a Igreja me concede a preparar a vinda de Jesus. Para que quando ele nasça eu não fique a discutir profecias no palácio de Herodes mas siga a estrela como os magos e possa dizer com eles: "vim adorá-Lo".

P.S.: Dois acontecimentos que são de grande ajuda para o Advento (para além daqueles que a Igreja recomenda, oração, penitência e caridade) são os estandartes de Natal e o Presépio na Cidade. Ajuda-me a não esquecer aquele que espero.

Dos Homens e dos Deuses.


Terça-feira à noite fui finalmente ver "Dos Homens e dos deuses". O filme conta a história de 9 noves monges trapistas de um mosteiro na Argélia. O filme roda à volta da decisão deles diante da violência que grassa no país: partir ou ficar.

A mim impressionou-me duas coisas no filme. Antes de mais a humanidade das personagens. A decisão de partir ou de ficar não é automática, mas sim uma escolha baseada na experiência que fazem da vida em comunidade (comunidade em dois sentidos, não só a vida comunitária de um mosteiro, mas também a vida na aldeia que nasceu junto ao mosteiro).

De todas as personagens a que mais me impressionou foi o frade Christian, responsável pelo mosteiro. Impressionou-me por um lado a sua liberdade diante das circunstâncias. Mas por outro, a paternidade dele ao acompanhar os seus irmãos menos firmes

A segunda coisa que me impressionou foi ver a vida que nasce à volta do mosteiro. De facto a virgindade consagrada impede aqueles homens de serem biologicamente pais, mas torna-os pais de todos aqueles com que se cruzam.

O filme ainda está em exibição nas Amoreiras. É parado, é comprido e é francês. Mas sobretudo é crime não o ver.

P.S.: O povo publicou dois juízos bastante melhores do que este sobre o filme. Vão lá ver.

Here I'am - Bryan Adams



Here I am - this is me
There's no where else on earth I'd rather be
Here I am - it's just me and you
And tonight we make our dreams come true

It's a new world - it's a new start
It's alive with the beating of young hearts
It's a new day - it's a new plan
I've been waiting for you
Here I am

Here we are - we've just begun
And after all this time - our time has come
Ya here we are - still goin' strong
Right here in the place where we belong

Here I am - this is me
There's no where else on earth I'd rather be
Here I am - it's just me and you
And tonight we make our dreams come true


Here I am - next to you
And suddenly the world is all brand new
Here I am - where I'm gonna stay
Now there's nothin standin in our way


Here I am - this is me

"A única alegria na vida é começar. Viver é belo porque viver é começar sempre. A cada instante." Cesar Pavese

quinta-feira, dezembro 02, 2010

Ética institucional.

A Ministra da Saúde disse hoje que "era importante que a Igreja esclarecesse qual a sua posição" sobre o preservativo. Esta declaração foi feita na apresentação de um livro sobre a SIDA, no âmbito do Dia Mundial contra a SIDA.

Esta declaração da Dra. Ana Jorge demonstra uma de duas coisas: ou uma grande falta de conhecimento ou demagogia barata. A posição da Igreja sobre o preservativo é sobejamente conhecida. Se é admissível que alguns mentes mais frágeis se tenham confundido pelo escareceu feito pela comunicação social sobre o livro do Papa, já não o é que a ministra da Saúde também se confunda. Mas caso de facto esteja confusa tem uma boa solução: perguntar! Pode pedir ao Senhor Patriarca que lhe explique, ou ao presidente da Conferência Episcopal Portuguesa ou muito simplesmente ao prior da sua paróquia.

Fazer esta declaração parece ser apenas demagogia barata. Demagogia essa sempre condenável num assunto sério como este, ainda mais quando feita pela responsável máxima pela saúde no nosso país.

E isto leva-me a uma segunda questão. Estas declarações são muitos graves. Porque de facto não se trata de uma simples cidadã a demonstrar a sua pouca inteligência ou a sua demagogia, mas de um membro de um governo que se arroga no direito de pedir satisfação à Igreja.

Não se trata da opinião de uma cidadã anónima, mas de declarações da representante de um órgão de soberania. Se tens opiniões pessoais sobre a Igreja, que as dê pessoalmente a quem de direito. Quanto fala à imprensa representa o Governo e o Governo não tem que pedir satisfações à Igreja sobre a sua doutrina.

sexta-feira, novembro 26, 2010

Viva Cristo Rei!


O genocidio é definido pelas Nações Unidas como: "any of the following acts committed with intent to destroy, in whole or in part, a national, ethnical, racial or religious group, as such: killing members of the group; causing serious bodily or mental harm to members of the group; deliberately inflicting on the group conditions of life, calculated to bring about its physical destruction in whole or in part; imposing measures intended to prevent births within the group; [and] forcibly transferring children of the group to another group."

O primeiro genocídio da história moderna foi o que ocorreu durante a rebelião da Vendeia entre 1793 e 1796. A revolta da Vendeia nasceu da perseguição ao clero que recusou jurar a Constituição Civil do Clero. A revolta demorou três anos a ser abafada. Quando o exército contra-revolucionário foi finalmente derrotado pelas tropas da república a Vendeia foi totalmente arrasada. O número de mortos é difícil de calcular e varia entre os 117 mil e os 450 mil numa população de 800 mil habitantes.

O segundo genocídio da modernidade ocorreu já no século XX e foi levado a cabo pelos Turcos contra os cristãos arménios entre 1915 e 1918. Mais uma vez é difícil de calcular o número de mortos, dado que a Turquia nega que tenha existido um genocídio. Os números variam entre 600 000 e 1 500 000.

É um facto que nenhum destes genocídios se pode compara ao Holocausto. A solução final alemã foi um plano elaborado a sangue frio para eliminar todos os judeus. Contudo, sem menorizar a perseguição aos judeus, destes dois genocídios ninguém fala. Sobre estes dois genocídios ninguém faz filmes, nem museus. Por estes genocídios ninguém obriga a Turquia e a França a pedir constantemente desculpa.

Mas o saldo de cristãos mortos e perseguidos nos tempos modernos não se fica aqui. Foram milhares os católicos que morreram no México entre 1917 e 1926 por se recusarem a abandonar a fé. Também em Espanha, na década de 30, foram milhares os mártires da fé. Destes já 498 foram elevados aos altares.

A somar a estes temos todos os cristãos que se opuseram e foram mortos pelos regimes totalitários do século XX. Antes de mais na União Soviética e na Alemanha Nazi. Mas também um pouco por todos os países por onde se espalhou o comunismo.

Não podemos também esquecer todas aquelas comunidades cristãs espalhadas pela Ásia que se mantém firmes na fé apesar da perseguição popular, do governo, ou de ambos. Os cristãos do Líbano, da Índia, do Paquistão, da China, na Birmânia, do Vietname, da Arábia Saudita, do Irão, da Síria, etc. Convém também não esquecer os cristãos africanos, vítimas do extremismo islâmico que alastra em países como a Somália, o Sudão, a Nigéria ou a Costa do Marfim.

Neste caso não estamos a fala de acontecimentos de há duzentos ou cem anos, mas de perseguições que se passam hoje. Há menos de um mês mais de 40 cristãos foram mortos na Catedral de Bagdade.

Mas por estes milhões de mortos ninguém faz manifestações. Para estes milhões de mortos ninguém exige monumentos e "memórias históricas". Os cristãos permanecem hoje como ó único povo que é perseguido sem que a esquerda moderna ou o poder do mundo se preocupes com o assunto.

Contudo "nem um cabelo da vossa cabeça se perderá". O nome de todos os mártires que perderam a sua vida na defesa da fé encontra-se escrito no livro da vida. Não os esqueçamos e rezemos a eles para permanecermos firme na fé em Cristo, pelo qual eles ofereceram a sua vida.

Manuel Camagni

Morreu ontem Manuela Camagni. Esta senhora, de quem pouca gente terá ouvido falar, fazia parte daquilo a que o Santo Padre chamava a "familia pontificia", ou seja o grupo de pessoas que toma conta do apartamento do Papa.

Manuela pertencia as Memore Domini, um associação de consagradas nascida do carisma de Comunhão e Libertação. Foi professora de física antes de começar a dedicar-se ao trabalho doméstico em vários apartamentos em Milão. Antes de ir para Roma, Manuela esteve ainda ao serviço do bispo de Tunis.

Morreu ontem repetinamente depois de ter sido atropelada na Nomentana. Fica aqui o comunicado do Padre Julian Carrón sobre a sua morte.

Mensagem do Padre Julián Carrón pela morte de Manuela Camagni, Memores Domini da família pontificia.

Tendo tomado conhecimento da notícia da morte repentina de Manuela Camagni, Memores Domini que prestava o seu serviço no apartamento papal, o Padre Julián Carrón presidente da Fraternidade de Comunhão e Libertação, enviou esta mensagem a todo o movimento:

«Caros amigos, a morte repentina da nossa amiga Manuela Camagni é a modalidade misteriosa com a qual o Senhor nos obriga a pensar n’Ele, renovando a certeza que “nem um só cabelo da vossa cabeça se perderá”, como nos disse a Liturgia de hoje. Estreitemo-nos ainda mais intensamente no abraço do Santo Padre, como filhos que querem condividir em tudo a sua humanidade ferida.

“Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a vida pelos amigos”. O dar a vida por parte da Manuela, manifestou-se de modo evidente e surpreendente tanto através da sua disponibilidade à missão, na experiência da Tunísia, como no serviço ao Santo Padre. O seu sacrifício renove em todos nós a verdade do nosso “sim”, para que a vitória de Cristo se imponha sempre mais nos nossos corações.

Don Giussani obtenha de Nossa Senhora o dom da felicidade eterna para a nossa amiga e o da consolação para o Papa»

Sala de Imprensa do Cl Milão, 24 de Novembro de 2010.

terça-feira, novembro 23, 2010

A Luz do Mundo


Será lançado em Portugal dia 30 um livro chamado “Luz do Mundo”. Esta obra é fruto de entrevista que o Santo Padre concedeu a Peter Seewald. Nestas entrevistas o Papa fala do seu pontificado, dos problemas que a Igreja atravessa e das várias questões actuais.

Um dos assuntos abordados no livro foi as declarações do Santo Padre a caminho de África. Na altura Bento XVI disse que o problema da SIDA em África não se resolve apenas com dinheiro e preservativos mas: A solução pode vir apenas da conjugação de dois factores: o primeiro, uma humanização da sexualidade, isto é, uma renovação espiritual e humana que inclua um novo modo de comportar-se um com o outro; o segundo, uma verdadeira amizade também e sobretudo pelas pessoas que sofrem, a disponibilidade à custa até de sacrifícios, de renúncias pessoais, para estar ao lado dos doentes.

Claro que os média, perante estas palavras, só ouviram preservativo e pronto. Contudo o Santo Padre vai muito mais fundo: fala da humanização da sexualidade, ou seja de olhar para o outro, não como um objecto de prazer, mas sim como um ser humano, criado à imagem e semelhança de Deus.

E o problema do preservativo, um problema mais fundo do que dos outros contraceptivos, é de que permite criar uma ilusão de uma sexualidade sem quaisquer consequências. Não só é suposto impedir a gravidez, como também as doenças venéreas. Assim, aparentemente, fazer sexo tem as mesmas consequências que dar uns beijinhos.

Ora, neste contexto, de uma sexualidade desregrada e desumanizada, o Santo Padre afirmou que o preservativo pode, em casos específicos, ser uma primeiro passo para a humanização do sexo. Ou seja, a utilização do preservativo pode ser uma tomada de consciência de que o outro não é um mero objecto para dar prazer ou obter dinheiro, mas um ser humano. Pode ser também um passo para reconhecer que o nosso corpo não é apenas um pedaço de carne, mas morado do espírito e que por isso não devemos viver ao sabor do instinto.

Ou seja as declarações do Papa não são uma revolução ou uma contradição do que o Santo Padre disse anteriormente. São simplesmente um aprofundamento.

Nestes assuntos convém sempre ler o que o Papa disse realmente e ajuizar com clareza as suas palavras em vez de nos ficarmos pelo soundbytes dos jornais.

sexta-feira, novembro 19, 2010

Harry Potter e os Talismãs da Morte.

Quarta-feira à meia-noite fui ver o novo filme do Harry Potter. Antes de tudo devo dizer que sou um fã dos livros de J.K. Rowling. Aquilo que mais me atrai nestes livros é a humanidade das personagens.

Aos longos dos setes livros somos confrontados com várias personagens, todas elas profundamente humanas. Personagem que tem amigos e inimigos, que amam e odeiam. Personagens que são heróicas e personagens mesquinhas. De tal maneira que é possível conhece-las. Ao fim de ler os livros já sabemos que Harry é reactivo e tem um complexo de herói; que Ron é bruto, desajeitado e inseguro; Sirius é temerário e orgulhoso; Hagrid é leal; Snape retorcido; etc.

E com a humanidade de cada uma das personagens que se joga a luta entre o bem e o mal. Cada um tem a possibilidade de escolher. Não há simplesmente bons e maus, mas pessoas que colocadas diante de circunstâncias excepcionais tem que arriscar a sua liberdade.

De todos os livros o meu preferido é o sétimo: Harry Potter e os talismãs da morte. Todo este livro gira à volta da ideia da morte. De um lado temos Voldemort, que recorreu aos feitiços mais negros para fugir à morte. Do outro Harry, vivo pelo sacrifício da vida da sua mães. E no confronto deste dois não ganha o mais poderoso, mas aquele que está disposto a entregar a sua vida para salvar os amigos. Não é um “poder” especial que derrota o mal. Mas o sacrifício de um inocente para a salvação dos outros.

É por este livro ser tão bom, tão bonito que o filme me enerva. Não que o filme seja muito mau, é simplesmente mediano. Toda a história se resume a cenas de acção ou a cenas sentimentais. Nunca há um momento onde aquilo que acontece seja levado mais fundo.

O livro é uma obra belíssima, sobre o que é verdadeiramente o amor e sobre o sacrifício. O filme é um chachada sentimental para entreter adolescentes.

quinta-feira, novembro 18, 2010

Manifesto CL

Crise: que resposta?

O desgoverno das contas públicas; a politização da administração pública que, de forma cada vez mais capilar, vai perdendo a sua competência, isenção e sentido de serviço; a instrumentalização da educação; uma administração da justiça degradada e espelho da falta de um ideal autêntico. O nosso país atravessa um momento grave, que se exprime no difundir do desânimo e numa indignação que toma sempre os outros por objecto.
Ao mesmo tempo, o diálogo político é marcado pela superficialidade e pela falta de interesse pelas pessoas. Há um multiplicar de sinais da perda de efectiva liberdade e uma diminuição do sentido da política como serviço ao bem comum.
Facilmente reduzimos esta circunstância a algo que nos é externo e estranho, de que nos podemos lamentar e distanciar. E uma posição ética acaba por se confundir com a ilusão de que podemos pelo menos salvar um canto de realidade, uma espécie de condomínio fechado onde fosse possível construir um pequeno mundo mais justo e moral.
Mas chega-nos uma voz humilde e forte, que nos indica um caminho muito diferente: “Diante desta situação do mundo e da Igreja em que nós participamos, a nossa única estratégia – diz o Papa – é a conversão”.
A situação actual ajuda-nos a posicionar-nos diante desta questão sem iludir que o que está em causa é a nossa própria mudança, como sublinhou o Papa: o que é necessário, para cada um, é “uma viagem ao centro de si mesmo e ao cerne do cristianismo para reforçar a qualidade do testemunho até à santidade.”
Não nos detenhamos no mal-estar e na acusação de insuficiência – dos outros e nossa – que é fonte de vazio e de insatisfação. É possível uma posição de trabalho e de responsabilidade pessoal, que se torna visível aos nossos olhos através do testemunho de tantas pessoas que à nossa roda não baixam os braços, e das obras que contra ventos e marés continuam a construir na sociedade. Ponto fundamental no actual quadro de dificuldades económicas é a disponibilidade para poupar e partilhar de forma exigente e radical.
Todos estamos convidados a responder ao desafio e a viver a missão que nos deixou o Papa ao despedir-se do nosso País: Continuemos a caminhar na esperança!


COMUNHÃO E LIBERTAÇÃO


Novembro 2010