quinta-feira, junho 10, 2010

Dia do São Camões.

No dia 5 de Outubro de 1910 foi proclamada a República. O golpe de estado que haveria de levar à sua implementação começou na madrugada de 3 para 4 de Outubro.


Logo no dia 3, no seguimento da morte de Miguel Bombarda atribuída aos jesuítas (quando de facto fora morto por um paciente), começou a perseguição popular ao clero. No dia 4 foram mortos dois padres lazaristas. No dia 5 o patriarca resignatário foi preso por populares e levado à presença de Afonso Costa. Nesse mesmo dia o bispo de Beja teve que fugir do país para salvar a vida.

No dia 8 de Outubro o governo manda parar com as perseguições populares. Para evitar abusos são dadas ordens À polícia para prender todos os padres que andem na rua. Começa então a perseguição legislativa.

Dos vários documentos legais que dizem respeito à Igreja há um que alterou profundamente a cultura portuguesa e que hoje passa despercebido: a abolição dos feriados religiosos.

No dia 12 de Outubro de 1910 foram abolidos todos os feriados religiosos. Só o dia Natal sobreviveu, mas agora apelidado de Dia da Família Portuguesa.

Contudo, para não aborrecer o povo, o governo provisório não se limitou a abolir os feriados. Criou novos feriados e novas festas para fazer esquecer as festas religiosas. Regra geral estas novas festas incluíam grandes paradas e desfiles, tentando recriar as festas populares que festejavam os santos.

Assim foi criado o feriado do 1º de Dezembro, para fazer esquecer a Imaculada Conceição. O dia do nascimento de Nossa Senhora, 8 de Setembro, passou a ser o dia da mãe. O de São José dia do pai. Para substituir a festa da Anunciação (25 de Março) o dia da Árvore.

É neste contexto que nasce o dia de Camões. Como se tinha abolido a festa de Santo António criou-se o dia de Camões. O 10 Junho era um festa republicana desde o ano do centenário do centenário do poeta. Passou então a ser festa nacional, com direito a desfile cívico e discurso das autoridades. O povo nunca aderiu a estas novas festividades e gozava com os desfiles dizendo que era a procissão do São Camões.

Percebo que com tempo esta questão importância. No Estado Novo o 10 de Junho ganhou relevância não como dia de Camões, mas como uma oportunidade de festividades patrióticas. Hoje já não sou este feriado já não tem uma carga anti-clerical como caiu no esquecimento dos republicanos, sendo festejado sobretudo por velhos nacionalistas.

Mesmo assim não festejo o 10 de Junho. Não chateio, não tomo posições morais, não faço causas no facebook. É feriado e eu aproveito. Contudo não adiro a festas maçonicas. Festejar por festejar espero pelo Santo António.

quarta-feira, junho 09, 2010

A um metro do chão.

A questão doutrinal

No i do fim-de-semana

Uma das coisas que mais gosto de fazer com os meus filhos é influenciá-los. Deliro. Ter a oportunidade de explicar, com tempo, o meu ponto de vista, a minha versão dos factos, a minha ideologia, as minhas crenças a pessoas inocentes, sãs, crédulas, civilizadas e inteligentes que não querem discussão mas sim informação, é fantástico. Um sossego. Eu não discuto, ensino. Experimento argumentos, ensaio raciocínios e conto histórias elucidativas das minhas verdades aos meus fiéis seguidores, que me fixam com olhos esbugalhados. Também não imponho nada; explico o óbvio. E claro que eles acreditam piamente em tudo o que lhes digo: se também acreditam quando lhes garanto que a sopa já arrefeceu, não duvidam quando digo que "ajuda humanitária turca" é com aspas. Uma das inúmeras vantagens destas prelecções domésticas e familiares, além das óbvias, que são benéficas para a sociedade em geral, é que me obrigam a dominar e a rever os temas, a melhorar a argumentação para poder explicar as minhas teses com maior clareza. Como tenho de ensinar os conceitos mais elementares, estou constantemente em reciclagem doutrinal. Por exemplo, quando um deles me pergunta o que é um socialista, tenho de lhes dar a definição de imposto, de empresas públicas, de Mário Soares, etc. (sim, é verdade, as crianças de hoje crescem sem Mário Soares nas suas vidas). Claro que a conversa só acaba quando eles ficam devidamente esclarecidos das consequências do socialismo. "Ah, mas isso é manipular as crianças." Claro que é! E só tenho até à adolescência deles para o fazer. Mas cá eu chamo a isto educar.

"O sangue dos mártires é frumento dos Cristãos."


Foi beatificado este Domingo em Carcóvia o Padre Jerzy Popieluszko. Este sacerdote polaco foi preso, torturado e morto em 1984 pelos comunistas polaco.

Capelão de um remota aldeia polaca, foi apoiante do movimento Solidariedade. Defendeu sempre a liberdade contra a opressão comunista e ensinou que o mal só se combate com o bem. A sua trágica morte serviu de testemunho para todo o povo polaco.

O Beato Jerzy Popieluszko é um dos milhares de mártires do século XX. Que o seu testemunho nos eduque a nós no amor a Cristo.

Rogai por nós Beato Jerzy Popieluszko,
para que sejamos dignos das promessas de Cristo.

Andrea Bocelli

terça-feira, junho 08, 2010

«"Terrível é a palavra 'non'": o sim de Manoel de Oliveira» por Padre João Seabra, DN, 31/05

Sentado no Centro Cultural de Belém com um milhar de representantes do mundo da cultura, da ciência e da arte, escutei, com espanto e comoção, o discurso "simples e breve", como ele próprio o anunciou, que Manoel de Oliveira dirigiu ao Papa Bento XVI na manhã do dia 12 de Maio. A intervenção é como o cinema de Oliveira: expressão de uma procura de sentido pessoalíssima, dum desejo de verdade incansável, do reconhecimento intenso e livre da presença do Mistério na vida dos homens e do cosmos. Oliveira não se entregou a especulações teóricas: deu um autêntico e despretensioso testemunho de vida, exposto na linguagem directa, enxuta e não analítica a que o realizador habituou quem lhe conhece o estilo: franco, quase desabrido e aparentemente naïf.

Depois de agradecer o "muito honroso convite", enunciou o título da sua curta exposição, "Religião e Arte", e disparou, colocando "éticas" e "artes" lado a lado, enquanto fruto das religiões, que "procuram encontrar explicação para a existência humana e a sua inserção concreta no cosmos". A essa procura, universal no tempo e no espaço, irrompe na História uma resposta inimaginável: "Universo e Homem, criação de um ser transcendente, colocam-nos problemas inquietantes, para cuja solução o Verbo que se fez carne em Cristo nos trouxe insuperáveis Graças divinas." Este foi o mote claro e corajoso da sua reflexão: a colocação da hipótese cristã como possibilidade real para a vida e para a criação artística.

Ratzinger afirmou, já há anos, que "a única, a verdadeira apologia do cristianismo pode-se reduzir a dois argumentos: 'os santos' que a Igreja produziu e 'a arte' que germinou no seu seio" (V. Messori, Diálogos sobre a Fé, Lisboa, Verbo, 1985, p. 107). Como que em intuitiva resposta, Oliveira saudou o Papa sublinhando a fecundidade da fé cristã na criação estética. Afirmou a intimidade original das artes e das religiões, umas e outras "voltadas para o homem e o universo, a condição humana e a essência divina"; na experiência religiosa como na expressão artística se manifesta "a memória da criação e a saudade do paraíso". Neste contexto chamou à Bíblia o "tesouro inesgotável da nossa cultura europeia": uma referência que ecoa como antagónica às recentes afirmações de José Saramago. Em seguida relembrou dois dos seus filmes, O Acto da Primavera (1963) e Cristóvão Colombo, o Enigma (2007), em que representou figuras de anjos: no primeiro caso, como personagem específica desse popular Auto da Paixão, sinal da presença do divino entre os homens; no segundo, como "prévia configuração do Destino" de Portugal, radicando no cristianismo, numa frase sintética e desafiadora, a identidade da História pátria e a sua história pessoal: "[Sou] pertencente à família cristã, de cujos valores comungo, e que são as raízes da nação portuguesa e de toda a Europa, quer queiramos quer não […]."

Mas o momento mais confessional e provocador da sua intervenção foi aquele em que Manoel de Oliveira se referiu ao drama humano da dúvida e da falta de fé. Retomando as palavras do Padre António Vieira ("terrível palavra é o non"), que deram o título ao seu filme de 1990 (Non ou a Vã Glória de Mandar), Oliveira disse: "Acossados pelas especulações da razão, sempre se nos levantam terríveis dúvidas e descrenças, a que se procura opor a fé do Evangelho, que remove montanhas." Perante a tremenda hipótese da negação, concluiu, com a convicção de quem fala de um caminho trilhado na primeira pessoa: "O non retira toda a esperança, que é a última coisa que a natureza deixou ao homem", esse homem que "caminha na esperança, apesar de todos os negativismos". A dinâmica humana é afirmativa, é um sim: esta é a certeza que Oliveira afirma. A escolha teórica e teorizada que a nega não corresponde ao dinamismo que leva o ser humano a esperar e a desejar: desejar viver, desejar amar e ser amado, desejar criar, desejar ser feliz. Essa dinâmica de afirmativa certeza encontra um testemunho irrecusável naquele homem de 101 anos, de olhar vivo, quase infantil, com uma capacidade criativa invulgar e uma liberdade de pensamento e acção que fazem dele uma criatura sui generis e incómoda no universo em que se movimenta.

Por isso, a maior injustiça que se lhe poderia fazer seria a de retirar às suas palavras simples - tanto as ditas como as escondidas nas entrelinhas - o peso e a consistência de uma vida assim lutada e vivida, com esse visível gosto e essa radical liberdade que sempre recusou ideologias e sempre se deixou fascinar pelo humano e pelo seu desejo de infinito.

Turquia: Terra de Martírio!

No dia 3 deste mês foi assassinado o Monsenhor Luigi Padovese, Vigário Geral da Anatólia e Presidente da Conferência Episcopal da Turquia. As primeiras informações é que tinha sido morto pelo seu motorista que sofreria de problemas mentais. Segundo as autoridades turcas não haveria nenhum motivo religioso ou politico por detrás desta morte.

Contudo o Corriere della Sera publicou hoje uma noticia, tendo como fonte a Asia News, que afinal não se tratou apenas de um acesso de loucura. Não só o assassino cortou a cabeça ao bispo (segundo o ritual islâmico) como depois subia ao tecto da casa onde gritou "matei o grande Santanás! Allah Akbar!".

Ainda segundo o Corriere não nenhum registo médico que indique que Murta Altun (o assassino) sofra de problemas mentais. O único indicio que existe que aponta para esta teste é que o próprio Murat se queixava de estar deprimido hás uns meses. Este facto faz aumentar a suspeita de se tratar de um assassínio planeado há algum tempo.

Perante este acontecimento o Estado Turco limita-se a assobiar para o lado. O mesmo estado cujo o primeiro-ministro tem dirigido ataques furioso a Israel pela morte de nove cidadão turcos que atacaram soldados israelitas, demonstra total indiferença pela morte da cabeça da Igreja turca às mãos de um terrorista islâmico.

Ao mesmo tempo que a esquerda europeia tem vindo a cantar odes de louvor à pobre Turquia, um estado democrático, laico, membro da NATO, vitima de Israel, ninguém presta atenção a este martirio, fruto de terrorismo organizado que visa atacar a Igreja Católica.

Irónicamente dom Padovese celebrou há quatro anos o enterro de don Andrea Santoro, bispo na Turquia que tambem foi morto. Este país tão civilizado é cada vez mais para os católicos terra de martírio!

sábado, junho 05, 2010

"(...)fatti non foste a vivere a viver come bruti(...)"*

Pelos anúncios na rua e pelos jornais fiquei a saber que está para começar um certame na FIL chamado "Salão Erótico". O DN on-line chega mesmo a ter uma notícia sobre a "convidada de honra" de tal evento (uma pobre mulher cuja exploração é disfarçada por um falso glamour dos jornais que tentam assim legitimar o vício dando-lhe um ar socialmente aceitável).

A mim impressiona-me como o nosso mundo reduziu o sexo a uma banalidade. O sexo já não é entrega de um casal que se ama, mas algo tão natural como ir à retrete. Claro que vivem todos convencidos que como se gasta mais tempo a falar e a ver sexo que este é cada vez mais importante para as pessoas. Mentira, neste momento para a maior parte das pessoas a sexualidade é como tomar banho: uma mera necessidade física.

Ora este redução da sexualidade a uma necessidade física, com a consequente redução do homem à bestialidade, é legitimada pela televisão e pelas revistas. Para que ninguém se sinta mal por viver como um coelho ou como uma cadela no cio os media transformam a javardice em progresso.

Ora esquecem-se que as actuais prostitutas e actrizes porno não teriam nada a ensinar aos romanos e aos potentados orientais da antiguidade. As revistas pornográficas já existiam na república Romana e no Oriente existiam templos dedicados à prostituição.

Foi o cristianismo que elevou a sexualidade. Antes de mais porque foi a Igreja que elevou todo o ser humano a pessoa. O estatuto de cada Homem já não dependia da Lei mas do facto de ter sido criado à imagem e semelhança de Deus. A mulher deixou de ser um mero objecto para ser uma igual. A segunda questão é que o cristianismo afirmou com total clareza a unidade do corpo e da alma. O corpo é morada do Espírito Santo.

Por isso nós recusamos esta banalização do sexo, que reduz a mulher a um pedaço de carne e a nós mesmo a animais. Achamos que o sexo é um coisa boa e por isso esperamos pela pessoa e pela altura certo para o praticar. Só entregamos o nosso corpo a quem entregamos também o nosso espírito.

Por isso não alinhamos nestas bestialidades. Não por desprezarmos o sexo mas porque conhecemos a sua importância.
*Divina Comédia, Inferno - Canto XXVI

terça-feira, junho 01, 2010

Corpo de Deus.

Esta Quinta-feira é a Solenidade do Corpo e Sangue de Jesus, mais conhecido pelo Corpo de Deus. Este dia serve para nos dar-mos conta da espantosa graça que Deus nos concede: que uma rodela de pão e um golo de vinho se transformem no Seu preciossimo corpo e sangue.

Muitas vezes para nós a Eucaristia é uma coisa banal. Estamos tão habituados à missa enquanto ritual que nem reparamos no milagre extraordinário que ocorre diante dos nossos olho: o próprio Deus que se faz carne. A hóstia consagrada é o corpo de Nosso Senhor, tão real e presente como no céu.

Na Quinta-feira mais uma vez irá realizar-se a procissão do Corpo de Deus. O Senhor Patriarca irá percorrer as ruas da Baixa transportado o Corpo de Cristo. É um convite a que cada um de nós ganhe consciência do trabalho a que Deus se dá para nos salvar.

domingo, maio 30, 2010

Criminal On The Cross - The Acappella Company



Well, it was many years ago in the time of the Bible that they took Him up to Calvary.
They could have let Him go, but instead they chose Barabbus just to set another criminal free.
When they crucified the ever loving, caring Master with compassion flowing from His eyes
Well, He said to a thief who was begging Him for mercy that 'today you'll live in Paradise.'
And I'm saved like the criminal on the cross.
Praise God, I'm saved, no more to suffer loss.
Well, He said I'd live in Paradise and he's taken care of the cost.
Hallelujah! I'm saved like the criminal on the cross.

Well, on the Judgment day when all the people gather 'round
Him and they want to hear what He will declare.
There will never ever be more intense anticipation that has ever happened anywhere.
When they call my name to defend my reputation there is only one thing I can say:
'I'm a wretch, I'm a worm, I'm a no good sinner.' But He said, 'I'll save you anyway.'

Well I', saved, I'm saved, through Jesus I am saved.
Well I', saved, I'm saved, His mercy showed the way.
Well I', saved, I'm saved, no more for me to say.
Well I', saved, I'm saved, in Paradise today.

sábado, maio 29, 2010

A importância de se ser Cavaco.

Os opinion makers da blogoesfera conservadora duvidam todos de que a promulgação da lei que permite a dois homens casar-se pela parte do presidente da república venha a custar-lhe a sua eleição. Muitos afirmam que a falta de alternativas à direita fará com que os católicos votem em Cavaco.

Parece-me que este senhores avaliam mal o impacto que a promulgação da tal lei teve junto dos católicos. Para os católicos empenhados na política Cavaco foi durante quatro anos a última esperança: a pessoa que tinha o poder para travar a engenharia social do PS e associados. Contudo ele nunca esteve à altura. Promulgou a P.M.A., promulgou o aborto sem envia a lei ao Tribunal Constitucional e agora promulgou esta lei.

Para quem, como a maior parte dos católicos empenhados na politica, vive fora da política partidária o actual presidente mais do que mau é indiferente. Durante o seu mandato foi sempre incapaz de se opor à esquerda naquilo que realmente interessa: a defesa da vida e da família. Por é indiferente se o presidente é Cavaco ou Alegre. Na prática o resultado é o mesmo.

O drama de Cavaco é que já não lhe basta ser Cavaco. Poder ir as vezes que quiser à missa, ajoelhar-se vinte vezes diante do Santo Padre, participar em todas as canonizações e beatificações daqui até a eleição que já não nos convence. Nós não somos protestantes, para nós só a fé não chega.

sexta-feira, maio 28, 2010

Declarações do Senhor Patriarca

Vale a pena ouvir as declarações do Senhor Patriarca sobre a promulgação da lei que equipara a união de pares de pessoas do mesmo sexo ao casamento. AQUI.

SEMPER FIDELIS!

quinta-feira, maio 27, 2010

Género.

Li hoje no DN on-line que o Bloco se prepara para propor uma lei que permite mudar o sexo no BI através do reconhecimento por um grupo de psicólogos que atestam que a pessoa vive como se fosse de outro sexo. Ou seja, um homem que se veste e vive como uma mulher passar, legalmente, a ser uma mulher.

Segunda esta gente o corpo não define a pessoa. A pessoa e o seu corpo são duas entidades separadas. Existe o sexo que uma pessoa tem e depois o género a que pertence. Pode ser um homem mas ser de género feminino. É esta teoria, a separação entre o corpo e a pessoa, que justifica quer a homossexualidade quer a mudança de sexo.

Ora, milhares de anos de filosofia provam que esta teoria está errada. O corpo não é algo de diferente da pessoa. A pessoa é constituída por corpo e alma, em unidade. Não são coisas separadas. O ser homem não é apenas ter órgãos genitais diferentes das mulheres, define também a nossa maneira de ser.

Um homem que se sente mulher tem o mesmo remédio que um homem que acha que é uma galinha: tratamento psiquiatrico. Não se trata aqui de uma questão de igualdade mas de bom senso. A realidade é o que é. Um homem é um homem, uma mulher uma mulher. Dizer o contrário é estar completamente cego pela ideologia. Vale a pena ver este vídeo de "The Life of Bryan".



quarta-feira, maio 26, 2010

Canzone Degli Occhi e Del Cuore - Claudio Chieffo.



Anche se un giorno, amico mio, dimenticassi le parole,
dimenticassi il posto e l’ora o s’era notte o c’era il sole,
non potrò mai dimenticare cosa dicevano i tuoi occhi.

E così volando volando anche un piccolo cuore se ne andava...
attraversando il cielo verso il Grande Cuore,
un cuore piccolo e meschino come un paese inospitale
volava dritto in alto verso il suo destino...
E non riuscirono a fermarlo neanche i bilanci della vita
quegli inventari fatti sempre senza amore.

Così parlavo in fretta io per non lasciare indietro niente,
per non lasciare indietro il male e i meccanismi della mente
e mi dicevano i tuoi occhi ch’ero già stato perdonato...

E adesso torna da chi sai, da chi divide con te tutto,
abbraccia forte i figli tuoi e non nascondere il tuo volto,
perchè dagli occhi si capisce quando la vita ricomincia...

Mesmo se um dia, meu amigo, eu esquecesse as palavras, esquecesse o lugar e a hora ou se era noite ou estava sol, nunca poderia esquecer o que diziam os teus olhos. E assim, voando, voando, também um pequeno coração ia atravessando o céu na direcção do Grande Coração. Um coração pequeno e mesquinho como uma aldeia inóspita voava a direito na direcção do seu destino… E não conseguiram detê-lo nem sequer as contas da vida, esses inventários feitos sempre sem amor. Assim falava eu apressadamente para não deixar nada para trás, para não deixar para trás o mal e os mecanismos da mente; e os teus olhos diziam-me que já tinha sido perdoado… Agora volta para quem sabes, para quem divide tudo contigo; abraça com força os teus filhos e não escondas o teu rosto, porque pelos olhos se percebe quando a vida recomeça.

Mediocricidade

O Presidente da República promulgou a lei que equipara a união entre pessoas do mesmo sexo ao casamento. Evocou como argumentos a crise e a ética profissional (não sei se por esta ordem porque, confesso, não ouvi a comunicação ao país que o PR fez).

Segundo o magistrado máximo do nosso país em tempos de crise não vale a pena arrastar esta questão, dado que o seu veto seria ultrapassado na Assembleia da República. Antes de mais, não é seguro que o PS conseguisse impor segunda vez disciplina de voto nesta matéria, logo não era seguro que a lei conseguisse a maioria absoluta necessária para ultrapassar o veto presidencial.

Mas, para além disso, é inacreditável tratar esta questão como um problema menor. A crise é grave mas há de passar, com ou sem esta lei. Mas esta lei visa alterar a estrutura da nossa sociedade de tal maneira que é mais um passo para o abismo. Cada vez mais o casamento é um capricho, que nada tem a ver com responsabilidades ou compromissos, mas com hormonas e afectos.

Falamos portanto de uma lei que é urgente travar. Os efeitos da crise poderão ser duros e durar anos ou décadas, mas esta lei afecta todo o futuro.

A questão da ética profissional é ainda mais assustadora. Segundo o professor Cavaco Silva é obrigação do Presidente promulgar leis com as quais discorda se esta tiverem tido maioria absoluta no parlamento. Se assim fosse para que serviria o presidente? Quando elegemos Cavaco Silva (sim, porque eu votei no actual presidente, coisa que não tornarei a fazer) votámos porque sabíamos quem ele era. Sabíamos todos que ele era católico, pai de família, conservador nos valores. Sabíamos e por isso votamos nele. O Presidente tem um dever para com que o elegeu conhecendo os seus valores e os seus princípios.

Ao promulgar esta lei Cavaco Silva mostrou a sua fraqueza. Em última distância, quando o desafiam ele cede. É incapaz de se opor aos bem pensantes deste mundo. O tecnocrata de Boliqueime não consegue deixar de o ser.

Isto é o mais triste do nosso Presidente: ele não promulgou a lei (como alguns dizem) por eleitoralismo. Quanto mais não seja porque esta promulgação é capaz de ditar a sua derrota. -lo porque acredita mesmo que não se pode opor à assembleia. -lo porque é incapaz de se impor, porque faz sempre o que esperam que ele faça. -lo porque é e continuará a ser um homem medíocre.

Nação Fidelissima.

Os números da polícia durante a visita do Santo Padre dizem que estiveram entre 900 mil a 1 milhão de pessoas nas missas do Papa. Isto sem contar com as pessoas que não estiveram nas missas mas no caminho do Sua Santidade: no Porto a estrada estava cheia de pessoas desde a Serra do Pilar aos Aliados.

O sucesso da visita apostólica do Santo Padre não se mede pelos número, contudo é reconfortante saber que mais ou menos um décimo do nosso país foi ver o Papa (sem contar com aqueles que, impedidos pela distância, viram o Papa na televisão).

Os media, que se acham muito importantes, atribuem estes números a uma mudança do Papa. É mentira, porque Lisboa já estava cheia antes da suposta "mudança" acontecer. O que este milhão de pessoas prova é que, mesmo com todas as fragilidades e incoerências, os portugueses se sentem tocados pela visita do Vigário de Cristo. Qualquer que seja a opinião dos portugueses sobre S.S. Bento XVI o nosso povo ainda guarda o suficiente resquício de cristianismo para sair à rua e aclamar o Papa.

Apesar de tudo, apesar das campanhas nos media, a promessa da Senhora de Fátima permanece. O dogma da fé prevalece em Portugal.


SEMPER FIDELIS!

sábado, abril 10, 2010

Viva o Papa!




"Bem-aventurados sereis, quando vos insultarem e perseguirem e, mentindo, disserem todo o género de calúnias contra vós, por minha causa. Exultai e alegrai-vos, porque grande será a vossa recompensa no Céu; pois também assim perseguiram os profetas que vos precederam."

Mt, 5, 11-12.


SEMPER FIDELIS!

Entrevista ao Padre Gonçalo sobre a pedofilia.

Abaixo publica a entrevista que o Padre Gonçalo Portocarrero de Almada deu ao Expresso e que não foi publicada. É impressionante o nível de agressividade do jornalista.

Esta entrevista é essencial. É preciso ler e enviar e dar a ler a todos os nossos amigos.

1. Qual a sua opinião sobre o fenómeno da pedofilia na Igreja Católica?
Pe. Gonçalo Portocarrero de Almada: Como é evidente, não posso deixar de lamentar todos os crimes de abusos de menores. Não só lamento sinceramente todos os casos de pedofilia como espero que as entidades civis e eclesiais competentes tomem as medidas adequadas para a total erradicação deste fenómeno na sociedade e na Igreja.
Não ignoro, contudo, que a esmagadora maioria destes casos ocorre no seio das famílias, sobretudo das mais disfuncionais, e das instituições do Estado, como o triste caso Casa Pia demonstrou, e não nas instituições da Igreja que, embora também vulneráveis, são, por regra, exemplares no seu desinteressado e muitas vezes heróico serviço aos mais necessitados.
2. Como explica o facto deste fenómeno ter assolado a Igreja Católica?


Pe. GPA: Há um manifesto exagero na afirmação de que este fenómeno tem «assolado a Igreja». Temo que o sensacionalismo criado à volta destes casos e o modo como a Igreja Católica tem sido a eles associada por certa imprensa não seja de todo inocente.
3. Quer exemplificar?


Pe. GPA: Com certeza. Segundo Massimo Introvigne, que cita um estudo de 2004 do John Jay College of Criminal Justice, foram 958 os padres acusados de pedofilia nos Estados Unidos, num período de 42 anos, tendo resultado a condenação de 54, aproximadamente um por ano. Se se tiver em conta que nesse mesmo lapso de tempo foram condenados pelo crime de pedofilia 6.000 professores de ginástica e treinadores desportivos, é necessário concluir que o principal alvo desta campanha mediática não é a pedofilia, que é apenas um pretexto, mas a Igreja e, mais especificamente, o Papa e o sacerdócio católico.
Com efeito, é significativo que, citando Jerkins, a maior parte dos casos de abusos de menores protagonizados nos Estados Unidos por clérigos tenham sido perpetrados por pastores protestantes e não por padres católicos e, no entanto, contrariando a mais elementar justiça e objectividade, são apenas estes últimos, em termos mediáticos, os bodes expiatórios...
4. Entende então que se trata de uma perseguição contra a Igreja Católica?


Pe. GPA: Certamente. Qualquer pessoa de bem, mesmo não sendo católica, vê com preocupação esta crescente onda de intolerância laicista, porque sabe que, hostilizada a Igreja Católica ou neutralizada a sua acção social, quem fica a perder é a família, porque nem o Estado nem nenhuma outra instituição é capaz de assegurar o serviço que a Igreja Católica presta às famílias portuguesas, sobretudo às mais carenciadas.
5. A Igreja portuguesa está a investigar com a necessária diligência as suspeitas sobre padres pedófilos?


Pe. GPA: Muito embora a hierarquia eclesiástica não possa, nem deva, ignorar as suspeitas de padres pedófilos, não só não é sua principal missão investigar estes casos como também não conta com estruturas adequadas para uma tal missão.
Mais do que a lógica da suspeita e da delação, tão ao gosto dos novos fariseus, a Igreja há dois mil anos que se rege pela lógica da confiança e do perdão, seguindo o exemplo do seu Mestre que, embora provocando a indignação dos hipócritas, desculpou a adúltera, como também perdoou a tripla traição de Pedro. Mais do que poder ou tribunal, a Igreja é comunhão e família e, por isso, alegra-se e sofre com todas as glórias e misérias dos seus filhos.
A Igreja, que é santa na sua origem e nos seus fins, é pecadora nos seus membros militantes que, contudo, não enjeita, se neles reconhece um autêntico propósito de conversão.
6. Quer com isso dizer que a Igreja condescende com a pedofilia do seu clero?


Pe. GPA: De modo nenhum, pois a Igreja não condescende nunca com a prevaricação de quantos, investidos na especialíssima responsabilidade do ministério sacerdotal, desonram essa sua condição.
Possivelmente, a condenação mais severa de todo o Evangelho é a que Cristo dirige precisamente aos pedófilos e a quantos são motivo de escândalo para os mais novos. Esse ensinamento evangélico, como todos os outros, não é letra morta na doutrina, nem na praxe eclesial.
7. Pode dar alguns exemplos de documentos da Igreja sobre esta questão?


Pe. GPA: Sem a pretensão de ser exaustivo, permita-me que, a este propósito, recorde alguns dos mais recentes documentos da Santa Sé sobre este particular:
- a instrução Crimen sollicitacionis, de 1922 e que, em 1962, o Beato João XXIII reafirmou e na qual se esclarece a obrigação moral de denunciar estes casos;
- o Código de Direito Canónico, que reafirma a excomunhão automática, ou seja, a imediata expulsão da Igreja, do confessor que alicia o penitente, qualquer que seja a sua idade ou género, para um acto de natureza sexual;
- o Catecismo da Igreja Católica, que renova a condenação da pedofilia;
- e o documento De delictis gravioribus, de 2001, que regulamenta o Motu Proprio Sacramentum Sanctitatis tutela, do Papa João Paulo II que, para evitar qualquer local encobrimento destes delitos, atribui a necessária competência à Congregação para a Doutrina da Fé, então presidida pelo actual Papa.
8. Não obstante esta condenação formal da pedofilia, não é verdade que tem faltado vontade política de aplicar as correspondentes sanções?


Pe. GPA: À hierarquia da Igreja não tem faltado a firmeza necessária para punir os eclesiásticos que incorreram em actos desta natureza. Foi o que aconteceu a um cardeal arcebispo de uma capital centro-europeia, que foi recluído num convento e proibido de qualquer acto público. Foi também o caso do fundador de uma prestigiada instituição religiosa, que foi também suspenso do ministério pastoral, demitido das suas funções de governo na estrutura eclesial por ele fundada, que foi sujeita a inspecção canónica, e obrigado a residir em regime de quase-detenção numa casa religiosa.
9. E se se vier a verificar algum caso no clero português?


Pe. GPA: Como se sabe, graças a Deus não há memória de nenhum sacerdote português, diocesano ou religioso, que tenha sido alguma vez condenado por um crime desta natureza. Se porventura se desse também entre nós algum caso, não tenho dúvidas de que o nosso episcopado, de acordo com as normas a que está obrigado, saberia agir com justiça e caridade.
10. Concorda com as críticas veladas de vários sectores da sociedade que acusam a Igreja de pouco fazer para garantir a total transparência destes processos? A maioria dos casos suspeitos é, regra geral, arquivado pelo Ministério Público. Segundo algumas fontes policiais, «as vítimas retraem-se mais tarde, devido ao ascendente dos alegados agressores».


Pe. GPA: Dada a minha sensibilidade cristã e formação jurídica, causa-me algum desconforto o uso e abuso de expressões tão vagas e perigosas como «críticas veladas», «casos suspeitos», «alegados agressores», porque tendem a criar uma suspeição generalizada. Há um princípio geral de inocência que não pode ser contrariado: um político, um professor, um padre ou um desempregado que seja burlão não faz da sua mesma condição todos os políticos, professores, padres ou desempregados. Se um violador que é engenheiro, como o recentemente detido, não infama todos os engenheiros, nem suscita uma caça aos engenheiros violadores, porque razão um padre pedófilo, se o houver, provoca esta tão desmedida reacção nos meios de comunicação social?!
11. Pode-se dizer que a associação entre pedofilia e sacerdócio católico não é arbitrária, na medida em que é entre os padres que tendem a verificar-se delitos desta natureza?


Pe. GPA: Não, porque uma tal pressuposição carece de fundamento, como as estatísticas mais recentes provam. Por exemplo, na Alemanha, segundo Andrea Tornielli foram notificados, desde 1995, 210.000 casos de delitos contra menores, mas apenas 94 desses casos diziam respeito a eclesiásticos, ou seja, um para cada dois mil envolvia algum sacerdote ou religioso católico. O inquérito Ryan, sobre a situação na Irlanda, é também esclarecedor porque, num universo de 1090 crimes cometidos contra menores em instituições educativas, os religiosos católicos acusados de abusos sexuais foram 23.
12. Talvez alguém entenda que, muito embora haja também pedófilos que não são padres, o crime para que mais tendem os sacerdotes católicos é o abuso de menores.


Pe. GPA: Também não é verdade porque, de acordo com Mons. Scicluna, perito da Congregação para a Doutrina da Fé, que é o organismo da Santa Sé que superintende estes casos, entre os anos 2001 e 2010, houve notícia de 300 casos de pedofilia num total de 400.000 padres. Além disso, os abusos de menores são apenas 10% de todas as acções criminais praticadas por sacerdotes católicos.
13. Mas do ponto de vista da psiquiatria, tudo leva a crer que o celibato sacerdotal é, em boa parte, responsável pelos abusos de menores realizados pelo clero católico…


Pe. GPA: Pelo contrário. Manfred Lutz, um psiquiatra especialista na matéria, afirmou que o celibato sacerdotal não só não incita à prática destes crimes como até favorece uma atitude de respeito e de ajuda aos menores. Esta conclusão científica prova-se também pelo facto de, entre os clérigos condenados por este crime, haver mais pastores protestantes, casados, do que sacerdotes católicos, celibatários, e ainda porque a grande maioria dos pedófilos são casados o que, obviamente, não pode ser usado contra o casamento.
14. Consta na opinião pública que a maioria dos casos suspeitos de padres pedófilos, não é objecto de investigação, nem de posterior procedimento criminal…


Pe. GPA: Se assim é, de facto, não é certamente por culpa da Igreja, que nada tem a ver com as investigações policiais, nem muito menos com as diligências judiciais.
Embora se tenda a crer que a Igreja e o seu clero gozam de um tratamento de excelência na sociedade portuguesa, a verdade é que não deve haver instituição pública nem classe profissional mais maltratada nos media do que a Igreja Católica e os seus sacerdotes.
15. Porque o diz?


Pe. GPA: Permita-me que lhe dê um exemplo. Há uns meses atrás, um pacato pároco português foi detido com enorme aparato por quatro ou cinco polícias trajados a rigor, como se o pobre padre de aldeia fosse um perigoso terrorista, quando na realidade era apenas um mero caçador que tinha por licenciar algumas armas. À notícia, transmitida nos noticiários televisivos, foi dado um aparato que, de não ser dramático, teria sido ridículo, até porque aquele pacífico sexagenário não representava nenhum perigo público. Não foi com certeza por acaso que se forjou toda aquela fantástica encenação, como também não foi por acaso que se convidaram as televisões…
Mas factos ocorridos há dezenas de anos numa instituição pública, como a Casa Pia, e de que foram vítimas dezenas de adolescentes, ainda não conhecem uma decisão judicial… Será isto justiça?!
16. Mas não acha que o incumprimento de uma obrigação por um padre é um escândalo?


Pe. GPA: É verdade que é exigível aos prestadores de serviços públicos uma especial responsabilidade: é razoável que o incumprimento de uma obrigação fiscal por parte um governante seja notícia, mas já o não seja se o prevaricador for um anónimo cidadão. Mas o escândalo não pode ser utilizado como arma de arremesso ideológica, sob pena de que aconteça aos padres católicos de agora o que aconteceu aos judeus alemães, durante o regime nazi.
17. Surpreendem-no estes casos de padres pedófilos?


Pe. GPA: Nenhum pecado é surpresa para nenhum padre e todos os padres sabemos que somos capazes de todos os erros e de todos os horrores. Não é por acaso que, na Semana Santa, a Igreja recorda o tristíssimo caso de Judas Iscariotes, que muito significativamente os evangelistas não silenciaram, quando poderiam tê-lo feito, a bem do prestígio da sua condição sacerdotal e do bom nome da Igreja. Graças a Deus conheço muitos padres, quer seculares como eu, quer religiosos, e confesso-lhe que não conheço nenhum que não mereça a minha admiração.
18. Tem ouvido, mesmo que rumores, de casos de pedofilia por parte de alguns padres? Ou é uma completa surpresa para si a existência deste tipo de casos, que acabam por manchar o nome da instituição secular?


Pe. GPA: Tenho uma enorme devoção por todos os meus irmãos sacerdotes, na certeza de que até no menos bom há, pelo menos, a grandeza do dom e da missão a que foi chamado. Também não ignoro que nenhum de nós, por mais qualidades que possa ter, é indigno dessa graça, pelo que nunca me surpreenderá encontrar nos outros alguma da miséria que diariamente descubro em mim. Mas, mesmo que essa constatação possa de algum modo perturbar-me, confesso-lhe que mais do que a traição de Judas, me admira a santidade e o martírio dos outros onze apóstolos. Talvez por isso, não tenho tempo para ouvir esses rumores de que fala, ou tempo para olhar para essas manchas a que alude e que não ignoro, porque prefiro contemplar a eterna beleza da Igreja, que procuro amar com todo o meu coração.
19. Já denunciou algum caso às autoridades eclesiásticas?


Pe. GPA: Denunciar é um termo que não faz parte do meu dicionário e, como padre, a minha missão não é acusar o culpado, mas perdoar o arrependido.
20. Já teve alguma suspeita de abusos por parte de algum colega seu?


Pe. GPA: Como não é meu hábito falar das vidas alheias, permita-me que, em vez de falar dos meus colegas, lhe diga o que eu desejaria que me acontecesse se caísse numa dessas situações, até porque é isso mesmo que desejo aos meus irmãos sacerdotes.
Se tivesse um dia a desgraça de incorrer nalgum comportamento menos próprio da minha condição sacerdotal, agradeceria que os meus irmãos na fé, padres ou não, tivessem a coragem de me fazerem a correcção fraterna, tal como Nosso Senhor determinou. Se o meu desvario persistisse, não obstante essa caridosa advertência, aceitaria de muito bom grado que o meu bispo utilizasse todos os meios ao seu dispor, sem excluir os civis e penais, para a minha emenda, na certeza de que essa expiação, embora dolorosa, contribuiria decerto para o bem das almas e para a minha salvação.


Via Povo.

"Em verdade te digo, não cantará o galo sem que me tenhas negado três vezes"



O mundo voltou a acordar para os escândalos da pedofilia dentro da Igreja. Com a habitual (e na maior parte das vezes propositada) falta de clareza dos media tem-se falado muito em abusos de menores em instituições da Igreja. Nestas duas palavras, "abusos" e "Igreja", cabe tudo: desde o puxão de orelhas que um professor de um colégio católico deu a um aluno até a abusos sexuais por parte de padres. Esta falta de clareza tem como objectivo descredibilizar a Igreja e o Santo Padre.

Neste assunto há que ser claros e sérios. De facto muitos dos factos que vem a lume não passam de violência física praticada em instituições católicas há 30 ou 20 anos atrás. Violência muitas vezes habitual na altura mas que choca os puritanos de serviço actuais.

Contudo existem também muitos casos de abusos sexuais. Não só de funcionários de instituições da Igreja mas também de sacerdotes. E esses, mesmo que fossem apenas um, são graves. São graves em si mesmo. Mas são ainda mais graves e mais chocantes porque praticados por um pastor da Igreja de Cristo.

Mas nós não nos devemos deter diante do pecado. A Igreja é constituída por homens, por isso constituída por pecadores. A ferida contraída por Adão vive no nosso coração por isso acabamos por pecar. Mas não nos devemos escandalizar. O próprio Deus não se escandalizou com o nosso pecado. Antes enviou o Seu próprio filho à terra para que morresse por cada um de nós.

Logo ao princípio Cristo sabia que haveria de ser traído. Foi traído por Judas. E depois por Pedro e pelos apóstolos. Dos doze que o seguiam só João não fugiu. A traição desses onze na paixão não O impediu de subir à Cruz. A nossa traição quotidiana não o impediu de morrer por nós.

Por isso não nos escandalizemos. Rezemos antes para que os nossos pastores sejam santos e fiéis à Igreja de Cristo. Rezemos para que Cristo Ressuscitado erga do pecado os pastores que caíram em tentação. Rezemos para que aqueles que foram marcados pelos pecados dos sacerdotes aceitam a misericórdia do Deus feito Homem, morto e ressuscitado para salvação do mundo.

A justiça dos homens deverá actuar. Rezemos para que todos os homens aceitam a de Cristo.

The Blind Side





Domingo de Páscoa fui ao cinema ver o filme "Blind Side". A história do filme é um pouco básica: uma "soccer mum" adopta um miúdo preto enorme que joga futebol americano mas que não consegue aprender nada. A história em si prometia ser mais um dramalhão americano.

Acabei por gostar muito do filme. A maior qualidade para mim é a "secura" do filme. Quase não há momentos dramáticos. O realizador limita-se quase a contar uma história. A família acolhe o miúdo, dá-lhe roupa, a irmã ajuda-o a estudar, o irmão ajuda-o no futebol americano. A mãe e o pai vão tentando educa-los.

Não há ali nenhuma revolução social, nenhum projecto para salvar o mundo, nenhuma teoria sociológica. Apenas uma mulher confrontada com os problemas de um miúdo que acaba por adoptar.

A coisa parece simples, mas não é. O lema dos nossos dias é se alguém te pede um peixe ensina-o a pescar. O filme não funciona assim. Ele tem fome, ela dá-lhe comida; ele não tem cama, ela dá-lhe casa; ele não tem roupa, ela compra-lhe; ele não tem família, ela acaba por lhe dar a dela. Sem teorias ou complicações. Partindo sempre da necessidade daquele miúdo diante dela.

Este filme, que se estreou em Portugal por alturas da Páscoa dá testemunho da caridade cristã tão pouco em voga: amar o próximo como ele precisa de ser amado, não como nós achamos que ele deve ser.