sábado, abril 10, 2010

Viva o Papa!




"Bem-aventurados sereis, quando vos insultarem e perseguirem e, mentindo, disserem todo o género de calúnias contra vós, por minha causa. Exultai e alegrai-vos, porque grande será a vossa recompensa no Céu; pois também assim perseguiram os profetas que vos precederam."

Mt, 5, 11-12.


SEMPER FIDELIS!

Entrevista ao Padre Gonçalo sobre a pedofilia.

Abaixo publica a entrevista que o Padre Gonçalo Portocarrero de Almada deu ao Expresso e que não foi publicada. É impressionante o nível de agressividade do jornalista.

Esta entrevista é essencial. É preciso ler e enviar e dar a ler a todos os nossos amigos.

1. Qual a sua opinião sobre o fenómeno da pedofilia na Igreja Católica?
Pe. Gonçalo Portocarrero de Almada: Como é evidente, não posso deixar de lamentar todos os crimes de abusos de menores. Não só lamento sinceramente todos os casos de pedofilia como espero que as entidades civis e eclesiais competentes tomem as medidas adequadas para a total erradicação deste fenómeno na sociedade e na Igreja.
Não ignoro, contudo, que a esmagadora maioria destes casos ocorre no seio das famílias, sobretudo das mais disfuncionais, e das instituições do Estado, como o triste caso Casa Pia demonstrou, e não nas instituições da Igreja que, embora também vulneráveis, são, por regra, exemplares no seu desinteressado e muitas vezes heróico serviço aos mais necessitados.
2. Como explica o facto deste fenómeno ter assolado a Igreja Católica?


Pe. GPA: Há um manifesto exagero na afirmação de que este fenómeno tem «assolado a Igreja». Temo que o sensacionalismo criado à volta destes casos e o modo como a Igreja Católica tem sido a eles associada por certa imprensa não seja de todo inocente.
3. Quer exemplificar?


Pe. GPA: Com certeza. Segundo Massimo Introvigne, que cita um estudo de 2004 do John Jay College of Criminal Justice, foram 958 os padres acusados de pedofilia nos Estados Unidos, num período de 42 anos, tendo resultado a condenação de 54, aproximadamente um por ano. Se se tiver em conta que nesse mesmo lapso de tempo foram condenados pelo crime de pedofilia 6.000 professores de ginástica e treinadores desportivos, é necessário concluir que o principal alvo desta campanha mediática não é a pedofilia, que é apenas um pretexto, mas a Igreja e, mais especificamente, o Papa e o sacerdócio católico.
Com efeito, é significativo que, citando Jerkins, a maior parte dos casos de abusos de menores protagonizados nos Estados Unidos por clérigos tenham sido perpetrados por pastores protestantes e não por padres católicos e, no entanto, contrariando a mais elementar justiça e objectividade, são apenas estes últimos, em termos mediáticos, os bodes expiatórios...
4. Entende então que se trata de uma perseguição contra a Igreja Católica?


Pe. GPA: Certamente. Qualquer pessoa de bem, mesmo não sendo católica, vê com preocupação esta crescente onda de intolerância laicista, porque sabe que, hostilizada a Igreja Católica ou neutralizada a sua acção social, quem fica a perder é a família, porque nem o Estado nem nenhuma outra instituição é capaz de assegurar o serviço que a Igreja Católica presta às famílias portuguesas, sobretudo às mais carenciadas.
5. A Igreja portuguesa está a investigar com a necessária diligência as suspeitas sobre padres pedófilos?


Pe. GPA: Muito embora a hierarquia eclesiástica não possa, nem deva, ignorar as suspeitas de padres pedófilos, não só não é sua principal missão investigar estes casos como também não conta com estruturas adequadas para uma tal missão.
Mais do que a lógica da suspeita e da delação, tão ao gosto dos novos fariseus, a Igreja há dois mil anos que se rege pela lógica da confiança e do perdão, seguindo o exemplo do seu Mestre que, embora provocando a indignação dos hipócritas, desculpou a adúltera, como também perdoou a tripla traição de Pedro. Mais do que poder ou tribunal, a Igreja é comunhão e família e, por isso, alegra-se e sofre com todas as glórias e misérias dos seus filhos.
A Igreja, que é santa na sua origem e nos seus fins, é pecadora nos seus membros militantes que, contudo, não enjeita, se neles reconhece um autêntico propósito de conversão.
6. Quer com isso dizer que a Igreja condescende com a pedofilia do seu clero?


Pe. GPA: De modo nenhum, pois a Igreja não condescende nunca com a prevaricação de quantos, investidos na especialíssima responsabilidade do ministério sacerdotal, desonram essa sua condição.
Possivelmente, a condenação mais severa de todo o Evangelho é a que Cristo dirige precisamente aos pedófilos e a quantos são motivo de escândalo para os mais novos. Esse ensinamento evangélico, como todos os outros, não é letra morta na doutrina, nem na praxe eclesial.
7. Pode dar alguns exemplos de documentos da Igreja sobre esta questão?


Pe. GPA: Sem a pretensão de ser exaustivo, permita-me que, a este propósito, recorde alguns dos mais recentes documentos da Santa Sé sobre este particular:
- a instrução Crimen sollicitacionis, de 1922 e que, em 1962, o Beato João XXIII reafirmou e na qual se esclarece a obrigação moral de denunciar estes casos;
- o Código de Direito Canónico, que reafirma a excomunhão automática, ou seja, a imediata expulsão da Igreja, do confessor que alicia o penitente, qualquer que seja a sua idade ou género, para um acto de natureza sexual;
- o Catecismo da Igreja Católica, que renova a condenação da pedofilia;
- e o documento De delictis gravioribus, de 2001, que regulamenta o Motu Proprio Sacramentum Sanctitatis tutela, do Papa João Paulo II que, para evitar qualquer local encobrimento destes delitos, atribui a necessária competência à Congregação para a Doutrina da Fé, então presidida pelo actual Papa.
8. Não obstante esta condenação formal da pedofilia, não é verdade que tem faltado vontade política de aplicar as correspondentes sanções?


Pe. GPA: À hierarquia da Igreja não tem faltado a firmeza necessária para punir os eclesiásticos que incorreram em actos desta natureza. Foi o que aconteceu a um cardeal arcebispo de uma capital centro-europeia, que foi recluído num convento e proibido de qualquer acto público. Foi também o caso do fundador de uma prestigiada instituição religiosa, que foi também suspenso do ministério pastoral, demitido das suas funções de governo na estrutura eclesial por ele fundada, que foi sujeita a inspecção canónica, e obrigado a residir em regime de quase-detenção numa casa religiosa.
9. E se se vier a verificar algum caso no clero português?


Pe. GPA: Como se sabe, graças a Deus não há memória de nenhum sacerdote português, diocesano ou religioso, que tenha sido alguma vez condenado por um crime desta natureza. Se porventura se desse também entre nós algum caso, não tenho dúvidas de que o nosso episcopado, de acordo com as normas a que está obrigado, saberia agir com justiça e caridade.
10. Concorda com as críticas veladas de vários sectores da sociedade que acusam a Igreja de pouco fazer para garantir a total transparência destes processos? A maioria dos casos suspeitos é, regra geral, arquivado pelo Ministério Público. Segundo algumas fontes policiais, «as vítimas retraem-se mais tarde, devido ao ascendente dos alegados agressores».


Pe. GPA: Dada a minha sensibilidade cristã e formação jurídica, causa-me algum desconforto o uso e abuso de expressões tão vagas e perigosas como «críticas veladas», «casos suspeitos», «alegados agressores», porque tendem a criar uma suspeição generalizada. Há um princípio geral de inocência que não pode ser contrariado: um político, um professor, um padre ou um desempregado que seja burlão não faz da sua mesma condição todos os políticos, professores, padres ou desempregados. Se um violador que é engenheiro, como o recentemente detido, não infama todos os engenheiros, nem suscita uma caça aos engenheiros violadores, porque razão um padre pedófilo, se o houver, provoca esta tão desmedida reacção nos meios de comunicação social?!
11. Pode-se dizer que a associação entre pedofilia e sacerdócio católico não é arbitrária, na medida em que é entre os padres que tendem a verificar-se delitos desta natureza?


Pe. GPA: Não, porque uma tal pressuposição carece de fundamento, como as estatísticas mais recentes provam. Por exemplo, na Alemanha, segundo Andrea Tornielli foram notificados, desde 1995, 210.000 casos de delitos contra menores, mas apenas 94 desses casos diziam respeito a eclesiásticos, ou seja, um para cada dois mil envolvia algum sacerdote ou religioso católico. O inquérito Ryan, sobre a situação na Irlanda, é também esclarecedor porque, num universo de 1090 crimes cometidos contra menores em instituições educativas, os religiosos católicos acusados de abusos sexuais foram 23.
12. Talvez alguém entenda que, muito embora haja também pedófilos que não são padres, o crime para que mais tendem os sacerdotes católicos é o abuso de menores.


Pe. GPA: Também não é verdade porque, de acordo com Mons. Scicluna, perito da Congregação para a Doutrina da Fé, que é o organismo da Santa Sé que superintende estes casos, entre os anos 2001 e 2010, houve notícia de 300 casos de pedofilia num total de 400.000 padres. Além disso, os abusos de menores são apenas 10% de todas as acções criminais praticadas por sacerdotes católicos.
13. Mas do ponto de vista da psiquiatria, tudo leva a crer que o celibato sacerdotal é, em boa parte, responsável pelos abusos de menores realizados pelo clero católico…


Pe. GPA: Pelo contrário. Manfred Lutz, um psiquiatra especialista na matéria, afirmou que o celibato sacerdotal não só não incita à prática destes crimes como até favorece uma atitude de respeito e de ajuda aos menores. Esta conclusão científica prova-se também pelo facto de, entre os clérigos condenados por este crime, haver mais pastores protestantes, casados, do que sacerdotes católicos, celibatários, e ainda porque a grande maioria dos pedófilos são casados o que, obviamente, não pode ser usado contra o casamento.
14. Consta na opinião pública que a maioria dos casos suspeitos de padres pedófilos, não é objecto de investigação, nem de posterior procedimento criminal…


Pe. GPA: Se assim é, de facto, não é certamente por culpa da Igreja, que nada tem a ver com as investigações policiais, nem muito menos com as diligências judiciais.
Embora se tenda a crer que a Igreja e o seu clero gozam de um tratamento de excelência na sociedade portuguesa, a verdade é que não deve haver instituição pública nem classe profissional mais maltratada nos media do que a Igreja Católica e os seus sacerdotes.
15. Porque o diz?


Pe. GPA: Permita-me que lhe dê um exemplo. Há uns meses atrás, um pacato pároco português foi detido com enorme aparato por quatro ou cinco polícias trajados a rigor, como se o pobre padre de aldeia fosse um perigoso terrorista, quando na realidade era apenas um mero caçador que tinha por licenciar algumas armas. À notícia, transmitida nos noticiários televisivos, foi dado um aparato que, de não ser dramático, teria sido ridículo, até porque aquele pacífico sexagenário não representava nenhum perigo público. Não foi com certeza por acaso que se forjou toda aquela fantástica encenação, como também não foi por acaso que se convidaram as televisões…
Mas factos ocorridos há dezenas de anos numa instituição pública, como a Casa Pia, e de que foram vítimas dezenas de adolescentes, ainda não conhecem uma decisão judicial… Será isto justiça?!
16. Mas não acha que o incumprimento de uma obrigação por um padre é um escândalo?


Pe. GPA: É verdade que é exigível aos prestadores de serviços públicos uma especial responsabilidade: é razoável que o incumprimento de uma obrigação fiscal por parte um governante seja notícia, mas já o não seja se o prevaricador for um anónimo cidadão. Mas o escândalo não pode ser utilizado como arma de arremesso ideológica, sob pena de que aconteça aos padres católicos de agora o que aconteceu aos judeus alemães, durante o regime nazi.
17. Surpreendem-no estes casos de padres pedófilos?


Pe. GPA: Nenhum pecado é surpresa para nenhum padre e todos os padres sabemos que somos capazes de todos os erros e de todos os horrores. Não é por acaso que, na Semana Santa, a Igreja recorda o tristíssimo caso de Judas Iscariotes, que muito significativamente os evangelistas não silenciaram, quando poderiam tê-lo feito, a bem do prestígio da sua condição sacerdotal e do bom nome da Igreja. Graças a Deus conheço muitos padres, quer seculares como eu, quer religiosos, e confesso-lhe que não conheço nenhum que não mereça a minha admiração.
18. Tem ouvido, mesmo que rumores, de casos de pedofilia por parte de alguns padres? Ou é uma completa surpresa para si a existência deste tipo de casos, que acabam por manchar o nome da instituição secular?


Pe. GPA: Tenho uma enorme devoção por todos os meus irmãos sacerdotes, na certeza de que até no menos bom há, pelo menos, a grandeza do dom e da missão a que foi chamado. Também não ignoro que nenhum de nós, por mais qualidades que possa ter, é indigno dessa graça, pelo que nunca me surpreenderá encontrar nos outros alguma da miséria que diariamente descubro em mim. Mas, mesmo que essa constatação possa de algum modo perturbar-me, confesso-lhe que mais do que a traição de Judas, me admira a santidade e o martírio dos outros onze apóstolos. Talvez por isso, não tenho tempo para ouvir esses rumores de que fala, ou tempo para olhar para essas manchas a que alude e que não ignoro, porque prefiro contemplar a eterna beleza da Igreja, que procuro amar com todo o meu coração.
19. Já denunciou algum caso às autoridades eclesiásticas?


Pe. GPA: Denunciar é um termo que não faz parte do meu dicionário e, como padre, a minha missão não é acusar o culpado, mas perdoar o arrependido.
20. Já teve alguma suspeita de abusos por parte de algum colega seu?


Pe. GPA: Como não é meu hábito falar das vidas alheias, permita-me que, em vez de falar dos meus colegas, lhe diga o que eu desejaria que me acontecesse se caísse numa dessas situações, até porque é isso mesmo que desejo aos meus irmãos sacerdotes.
Se tivesse um dia a desgraça de incorrer nalgum comportamento menos próprio da minha condição sacerdotal, agradeceria que os meus irmãos na fé, padres ou não, tivessem a coragem de me fazerem a correcção fraterna, tal como Nosso Senhor determinou. Se o meu desvario persistisse, não obstante essa caridosa advertência, aceitaria de muito bom grado que o meu bispo utilizasse todos os meios ao seu dispor, sem excluir os civis e penais, para a minha emenda, na certeza de que essa expiação, embora dolorosa, contribuiria decerto para o bem das almas e para a minha salvação.


Via Povo.

"Em verdade te digo, não cantará o galo sem que me tenhas negado três vezes"



O mundo voltou a acordar para os escândalos da pedofilia dentro da Igreja. Com a habitual (e na maior parte das vezes propositada) falta de clareza dos media tem-se falado muito em abusos de menores em instituições da Igreja. Nestas duas palavras, "abusos" e "Igreja", cabe tudo: desde o puxão de orelhas que um professor de um colégio católico deu a um aluno até a abusos sexuais por parte de padres. Esta falta de clareza tem como objectivo descredibilizar a Igreja e o Santo Padre.

Neste assunto há que ser claros e sérios. De facto muitos dos factos que vem a lume não passam de violência física praticada em instituições católicas há 30 ou 20 anos atrás. Violência muitas vezes habitual na altura mas que choca os puritanos de serviço actuais.

Contudo existem também muitos casos de abusos sexuais. Não só de funcionários de instituições da Igreja mas também de sacerdotes. E esses, mesmo que fossem apenas um, são graves. São graves em si mesmo. Mas são ainda mais graves e mais chocantes porque praticados por um pastor da Igreja de Cristo.

Mas nós não nos devemos deter diante do pecado. A Igreja é constituída por homens, por isso constituída por pecadores. A ferida contraída por Adão vive no nosso coração por isso acabamos por pecar. Mas não nos devemos escandalizar. O próprio Deus não se escandalizou com o nosso pecado. Antes enviou o Seu próprio filho à terra para que morresse por cada um de nós.

Logo ao princípio Cristo sabia que haveria de ser traído. Foi traído por Judas. E depois por Pedro e pelos apóstolos. Dos doze que o seguiam só João não fugiu. A traição desses onze na paixão não O impediu de subir à Cruz. A nossa traição quotidiana não o impediu de morrer por nós.

Por isso não nos escandalizemos. Rezemos antes para que os nossos pastores sejam santos e fiéis à Igreja de Cristo. Rezemos para que Cristo Ressuscitado erga do pecado os pastores que caíram em tentação. Rezemos para que aqueles que foram marcados pelos pecados dos sacerdotes aceitam a misericórdia do Deus feito Homem, morto e ressuscitado para salvação do mundo.

A justiça dos homens deverá actuar. Rezemos para que todos os homens aceitam a de Cristo.

The Blind Side





Domingo de Páscoa fui ao cinema ver o filme "Blind Side". A história do filme é um pouco básica: uma "soccer mum" adopta um miúdo preto enorme que joga futebol americano mas que não consegue aprender nada. A história em si prometia ser mais um dramalhão americano.

Acabei por gostar muito do filme. A maior qualidade para mim é a "secura" do filme. Quase não há momentos dramáticos. O realizador limita-se quase a contar uma história. A família acolhe o miúdo, dá-lhe roupa, a irmã ajuda-o a estudar, o irmão ajuda-o no futebol americano. A mãe e o pai vão tentando educa-los.

Não há ali nenhuma revolução social, nenhum projecto para salvar o mundo, nenhuma teoria sociológica. Apenas uma mulher confrontada com os problemas de um miúdo que acaba por adoptar.

A coisa parece simples, mas não é. O lema dos nossos dias é se alguém te pede um peixe ensina-o a pescar. O filme não funciona assim. Ele tem fome, ela dá-lhe comida; ele não tem cama, ela dá-lhe casa; ele não tem roupa, ela compra-lhe; ele não tem família, ela acaba por lhe dar a dela. Sem teorias ou complicações. Partindo sempre da necessidade daquele miúdo diante dela.

Este filme, que se estreou em Portugal por alturas da Páscoa dá testemunho da caridade cristã tão pouco em voga: amar o próximo como ele precisa de ser amado, não como nós achamos que ele deve ser.

sábado, janeiro 30, 2010

Breve regresso.

Devido a vários problemas informáticos tenho andado arredado destas lides. Aproveitando um momento em computador emprestado não posso deixar de comentar dois assuntos.

Primeiro, o casamento entre pessoas do mesmo sexo. Antes de mais, a coisa que mais choca é a recusa sem qualquer explicação da iniciativa popular de referendo. Mais de 90.000 assinaturas. Assinaturas suficientes para formar 12 partidos, 12 candidaturas à presidência da republica, cerca de 2,5% do eleitorado real do país. Tudo isto em menos de um mês.

Muito ao jeito da 1ª Republica haveremos de progredir com ou sem povo.

A segunda questão dentro do mesmo assunto é como existe uma separação cada vez maior entre a ideologia e a realidade. O casamento, enquanto instituto legal criado para proteger a família que dele emerge, é pela sua natureza entre homem e mulher. Querer que seja entre dois homens ou duas mulheres é contra-natural. É uma questão meramente ideológico que viola as próprias leis da natureza.

Com a lei aprovada a 8 de Janeiro o Estada passou a regular afectos e amores. Como se o casamento fosse uma mera questão pessoal, sem consequências sociais. Simplesmente absurdo.

Segunda assunto, a promoção descarada da 1ª Republica. Por tudo e por nada se tem falada da ética/moral republicana. Eu pergunto-me sempre de que ética falamos? A da perseguição à igreja? A da formiga branca a prender e matar pessoas pela rua? A ética do camião fantasma? Da ética de Afonso Costa que para garantir a sua vida politica sujou a mão com o sangue de 7.000 homens mortos na Flandres numa guerra que não lhes dizia respeito?

A ética republicana não existe. Este ano celebramos os 100 anos de um regime ditatorial, sanguinário e corrupto.

segunda-feira, novembro 09, 2009

Nos vinte anos da queda do Muro - II.




Faz hoje vinte anos que caiu o Muro de Berlim. Para a minha geração isto quer dizer muito pouco. Mas para a geração acima a queda do Muro é o símbolo da ruína do "Império do Mal".

Para a minha geração, que aprendemos a cartilha história do Marxismo, a União Soviética e o Comunismo são apenas mais um império e mais uma ideologia. Com algumas coisas más, mas também com coisas boas. Os livros de história do ministério preferem falar da resistência contra o nazismo de Estaline em vez das centenas de milhões de mortos que os vários regimes comunistas produziram.

A queda da U.R.S.S. têm vários protagonistas. Mas existem quatro que sobressaem, quanto mais não seja porque à luz dos critérios humanos nunca teriam sido protagonistas de nada.

Primeiro, um electricista dos estaleiros de Gdanks. Lech Walesa fundou o primeiro sindicato não estatal do bloco soviético. Resistindo as ameaças, as perseguições e a violência, seguido filialmente os conselho do grande papa João Paulo II, conseguiu derrubar com o Solidariedade a regime comunista.

Depois uma mulher. A primeira a ser primeiro-ministro de Inglaterra. Pró-América e anti-comunista, numa altura em que a Europa se encontrava dominada por uma dormência pacifista por uma elite cultural marxista. Margaret Tatcher acabou por ocupar o 10 de Downing Street por 12 anos, mais do qualquer outro inquilino.

Depois um velho republicano que chegou a presidente dos Estados Unidos quando, depois do escândalo de Nixom, todos davam o Partido Republicano como acabado. Acabando com tibieza da administração Carter, Ronald Reagan não teve medo de chamar à U.R.S.S. o "Império do Mal" e de combater por todos os meios o comunismo. Num mundo que o odiava (o Partido Comunista Português abandonou a sala quando Reagan falou no nosso parlamento) nunca recuou diante do perigo comunista.

E por fim, talvez aquele que mais fez pelo fim do comunismo soviético, o Servo de Deus João Paulo II. Um papa conservador, numa Igreja cada vez mais progressista e permeável ao marxismo. Um papa do leste, vindo de um país ocupado pelos russos. Com o seu carisma, a sua capacidade política, mas sobretudo com o testemunho da sua santidade foi essencial para o fim da U.R.S.S..

Esta quatro personagens, heróis improváveis da história moderna, apagados dos livros de história, são a prova de que, apesar de todos os planos do homem Cristo é Senhor da História. Pois se a nós nos parece que era evidente a queda do regime soviético, há 30 anos não o era.

Nos vinte anos da queda do Muro.



Discurso de Ronal Reagan na Porta de Bradenburgo, 12 de Junho de 1987.




When I met Pope John Paul II a year ago in Alaska, I thanked him for his life and his apostolate. And I dared to suggest to him the example of men like himself and in the prayers of simple people everywhere, simple people like the children of Fatima, there resides more power than in all the great armies and statesmen of the world.

Discurso de Ronal Reagan na Assembleia da Républica no dia 5 de Maio 1985. Discurso completo aqui.

quinta-feira, novembro 05, 2009

A Igreja Católica: Construtora da Civilização







Par os mais preguiçosos há um documentario feito pelo autor do livro que falei no post anterior chamado "The Catholic Church, Builder of Civilization". São ao todo 13 episódios. Encontrei no YouTube os três primeiro com legendas em brasileiro (embora existam mais episódios disponíveis ainda não tive tempo para pesquisar convenientemente).




Estou a acabar de ler o livro "O Que a Civilização Ocidental deve à Igreja Católica" editado pela Alêtheia (18€). Neste livro Thomas E. Woods Jr. aponta vários facto como prova de que a civilização ocidental é filha da Igreja Católica.

O livro não é muito extenso e o autor raramente se embrenha em teorias. Vai apontado factos, recorrendo ao máximo a citações da época ou de historiadores, para demonstrar a importância da Igreja na construção da civilização europeia.

Dividido em capítulos específicos (que vão desde os mosteiros à economia) Thomas E. Woods Jr. demonstra como foi a fé num só Deus, Criador de todas as coisas, que permitiu explorar a razão. Foram os monges católicos os primeiros a perceber que o universo estava organizado segundo regras imutáveis pois nada a ser Deus existia por si mesmo.

Isto permitiu compreender que o mundo podia ser explicado pela razão. Foi deste uso da razão que nasceram coisas a geologia, a astronomia, os primeiros passos da economia ou o direito internacional.

Destruindo o preconceito de que a Igreja é inimiga da Ciência o livro conta a história de dezenas de padres que foram também cientistas que permitiram o nascimento de diversos ramos da ciência como a geologia (Padre Nicolau Steno) ou dar os primeiros passos em ramos da medicina como a oftalmologia (Pedro Hispano mais tarde Papa João XXI).

Vale muito a pena ler este livro. Porque mesmo tendo a certeza que a fé nunca foi contra a ciência ou contra a razão é sempre bom saber os factos.

A Viela - letra de Guilherme Pereira da Rosa. Música, Fado Cravo, Alfredo Marceneiro



Fui de viela em viela
Numa delas dei com ela
E quedei-me enfeitiçado
Sob a luz dum candeeiro
Estava ali o Fado inteiro
Pois toda ela era fado

Arvorei um ar gingão
Um certo ar fadistão
Que qualquer homem assume
Pois confesso que aguardei,
Quando por ela passei,
O convite do costume

Em vez disso, no entanto,
No seu rosto só vi pranto
Só vi desgosto e descrença
Fui-me embora amargurado
Era fado, mas o fado
Não é sempre o que se pensa

Ainda recordo agora
A visão que ao ir-me embora
Guardei da mulher perdida
A pena que me desgarra
Só me lembra uma guitarra
A chorar penas da vida.



A beleza do fado é que não deixa de fora nada da humanidade. Tudo parece suscitar um espanto, uma pergunta, uma curiosidade. Desde de um namorico no Mercado da Ribeira até a uma prostituta numa rua.

quarta-feira, novembro 04, 2009

Crucifixos nas escolas.

O Estado é e deve ser laico. Ou seja, o Estado não deve impor nem promover nenhuma religião.

O Estado deve assegurar ensino gratuito para as crianças. Isto poder fazer-se através de uma rede de escolas publicas, subsidiando escolas privadas para que recebem crianças gratuitamente ou criando escolas públicas cujo a administração esteja confiada à comunidade escolar.

Os pais devem ter liberdade para escolher como querem educar os filhos. A liberdade de educação só pode existir se os pais poderem de algum modo ou escolher livremente (sem terem que pensar no dinheiro) a escola onde colocam os filhos ou então poderem participar activamente na administração da escola dos filhos.

Serve isto para dizer que, mesmo respeitando o Estado Laico, se os pais querem ou não se importam que os filhos tenham uma cruz na sala de aula então o Estado não tem nada que mandar retira-la. Não cabe ao Estado decidir se os meninos são educados na fé, mas sim aos pais.

Se, entre uma maioria de pais que quer ou é indiferente à cruz na sala, houver algum que se sinta incomodado então o Estado deve assegurar que esse pai pode enviar o filho para outra escola onde não existam crucifixos nas paredes.

Digo isto porque ontem o Tribunal dos Direitos do Homem deu razão a um pai que protestou contra uma cruz que estava na sala de aula do filho. O que TDH não percebe é que o Estado tem que ser laico, as pessoas não.

quarta-feira, outubro 28, 2009

Lendo os outros.

O Público, sobre o novo livro de Saramago, publicou um longo artigo de um judeu agnóstico mas especialista em religiões comparadas. Sobre o artigo vale a pena ler este post do Cachimbo de Magritte:

"Tive um grande professor na Universidade. Chama-se João César das Neves. Não é só um grande professor de economia. É um grande professor. Ponto. Mesmo antes de ser meu professor, já eu o importunava, anos a fio, quase semanalmente com perguntas, umas mais comezinhas, do género de lhe pedir para comentar pela seiscentésima vez os 2,4% de inflação ou de aumento do consumo privado, outras menos. Era jornalista, e a profissão obrigava. E ele respondia sempre, com paciência. Aprendi imenso com ele. Além da inteligência e do saber, a ironia e a generosidade são os seus grandes dons.

Um dia, para explicar a não tão comezinha questão da relação entre o ponto de vista e o objecto visado, disse assim: «Até é possível analisar o fenómeno do beijo, ou um poema, do ponto de vista económico. O problema é que, desse ponto de vista, nada de essencial se aprende sobre o assunto.»

Assim com o ponto de vista estético sobre a Bíblia. Vem isto ainda a propósito da «brutalidade» de Richar Zimler. Aqui em baixo. "

O Anjo da Guarda do Papa



Morreu Camillo Cibin, conhecido como o Anjo da Guarda do Papa. Durante sessenta anos trabalhou na segurança do Vaticano. Durante mais de vinte anos acompanhou o Papa João Paulo II em todas as suas viagens. Foi ele que saltou para a multidão e apanhou Ali Agca depois de ele disparar sobre o Papa. Foi ele que deteve o padre Krohn em Fátima, quanto este avançou com uma faca para atacar Sua Santidade.

Nunca tinha ouvido falar de Camillo Cibin até hoje. Comoveu-me ler a sua história. A história de alguém que dedicou toda a sua vida defender o Papa. Que Deus o acolha junto dos Santos Pastores que ele guardou e defendeu.

sexta-feira, outubro 23, 2009

"O Estado e a Igreja em Portugal no início do séc. XX - A Lei da Separação de 1911", Padre João Seabra.

Estou neste momento a ler o livro “O Estado e a Igreja em Portugal no início do séc. XX - A Lei da Separação de 1911”, versão simplificada da tese de doutoramento que o Padre João Seabra apresentou na Faculdade de Direito da Universidade Pontifícia Urbaniana. O livro é editado pela Princípia e pode ser encontrado em qualquer livraria (custa 21,90€).

Nas páginas deste livro é bastante fácil reconhecer o estilo do Padre João Seabra. Por um lado todo o rigor cientifico e académico que uma tese requere, sem nunca se afastar ou manipular os factos a seu favor. Mas ao mesmo tempo, aplica todo o seu espírito critico, a sua capacidade de ironia, de sarcasmo e a sua velocidade de pensamento para desfazer o mito da confessionalidade da monarquia liberal e da laicidade republicana. Impressionante ver como o Padre João vai completando um puzzle com os factos dispersos. Não é que o autor tenha de repente descoberto um facto novo, que nenhum outro historiador conhecesse. Simplesmente encaixou-os. A capacidade de tornar algo de complicado numa exposição simples é apanágio dos grande mestres.

O primeiro capitulo é sobre a situação da Igreja durante a monarquia liberal. Este período tem sido alvo de muita propaganda, desde dos alvores do movimento republicano, para fazer crer que a Igreja teria sido beneficiada pelo Estado e que tinha sido a república a acabar com esta situação.

Contudo, desde 1833 até à república, a Igreja foi perseguida e submetida ao poder do Estado. Os bispos foram sendo imposto ao Papa pelo Rei, apoiado pelas cortes (estas nomeações eram sobretudo políticas), os párocos passaram a ser nomeados por concurso público e os padres passaram a ser funcionários públicos, estando por isso sobre a alçada do Estado. A somar a isto tudo está a expulsão da ordens religiosas, com o respectivo roubo de todos os seus bens.

Ora, embora o catolicismo fosse religião de Estado, os liberais moveram durante 80 anos uma guerra à Igreja. Já no último governo monárquico, Teixeira de Sousa tentou expulsar mais uma vez os jesuítas. O regalismo cartista tinha reduzido a Igreja Portuguesa a uma repartição estatal: padres que eram caciques eleitorais, bispos nomeados por amizades políticos e todo um clero cada vez mais mal preparado e em desunião com o Santo Padre.

Os capítulos seguintes tratam de enquadrar historicamente a Lei da Separação no contexto do 5 de Outubro e de explicar como esta lei foi utilizada para perseguir e oprimir a Igreja.

O que Padre João demonstra na sua tese é que, embora a lei de 20 de Abril de 1911 seja formalmente (para ser mais exacto, nominalmente, pois mesmo na forma a lei é discriminatoria) uma lei de separação do Estado da Igreja, materialmente limitou-se a submeter em quase todos os aspectos a Igreja ao Estado.

Na perseguição à Igreja durante a República existe uma primeira fase, mais desorganizada e menos sistemática, caracterizada por uma acção de rua (logo a 5 de Outubro dois padres foram mortos e nesse mesmo mês o bispo de Beja teve que fugir do país para não o ser) e por medidas legislativas avulsas.

A 8 de Outubro de 1910, Afonso Costa expulsa de Portugal todos os jesuítas portugueses e estrangeiros, expulsa também os religiosos estrangeiros de outras ordens e dissolve as todas as ordens religiosas. Obviamente, confisca os poucos bens que as ordens tinham conseguido readquirir após a expulsão por Dom Pedro IV.

Até à Lei da Separação Afonso Costa vai tomando várias medidas, das mais gerais (como a o Código do Registo Civil que legisla a necessidade do registo civil para a celebração dos sacramentos) até às mais concretas (a destituição do Bispo de Beja, para qual inventará leis).

Mas a obra-prima é a Lei da Separação. Aí, de modo sistemático, Afonso Costa vai submeter todos os aspectos da vida da Igreja, desde a caridade ao culto, ao Estado.

Para não me alongar ainda mais falarei só dos dois pontos principais: as cultuais e as pensões eclesiásticas. Pontos esses que originarão de facto a separa da Igreja do Estado.

Não há um momento na república em que formalmente os bens da Igreja passem para o Estado. Para a Lei da Separação esses bens são do Estado, como se sempre tivessem sido. Todas as Igrejas, catedrais, colégios, seminários, hospitais, paços episcopais, residências paroquiais, alfaias litúrgicas. Nem os quintais dos pobres priores de aldeia escapam.

Contudo, o Estado cede para utilização os templos e as alfaias na igrejas onde se constituam cultuais. Ou seja, congregações, nas quais os ministros de culto não podem fazer parte dos órgãos, que administram o culto. Serão por isso as cultuais que ficarão responsáveis pelo culto, independentemente dos priores e dos bispos.

Por outro lado, depois de acabar com todas as formas de sustento do clero a lei dispõem que podem receber uma pensão do Estado os bispos e os párocos dos templos que onde se constituam cultuais. Para além disso os padres que celebrem o culto nas suas paróquias podem usar, a titulo gratuito, a residência paroquial, na medida das suas necessidades.

Ou seja, por um lado submete a si a administração das Igrejas. Por outro só permite aos padres que se submeterem a autoridade do Estado e não a do Papa e dos bispos, obter meios de sustento. Ainda para mais, uma pensão paga pelo Estado à cultual para depois a cultual pagar ao padre. Ou seja, o total vexame e submissão dos padres, tratados como funcionários de uma qualquer repartição estatal.

Os bispos recusam estas condições e instam os padres a recusa-las também. Ou seja, abdicam todos os bens, submetem-se a todos os vexames para defender a Libertas Ecclesiae. Recusam-se a trocar a comunhão com o Papa pela salvação dos bens. O resultado disto será que a Igreja perderá todo o seu património.

Contudo, e aqui chegamos ao ponto central da tese do Padre João, ao recusar qualquer controle do Estado sobre a Igreja, ao recusar qualquer dependência do Estado, os bispos e os padres na prática separam totalmente a Igreja do Estado.

Este livro é de facto muito importante. Primeiro para combater o mito que se instalou de que a Igreja teria sido benefeciada pela monarquia e que portanto mesmo os excessos da república que se reconhecem têm um pouco de justiça, como se fosse uma luta contra um opressor. Este é um mito no qual acreditam muitos católicos.

Depois é importante porque quem não recorda os erros do passado está condenado a repeti-los. É preciso perceber que muitos dos ataques que hoje vemos à Igreja, supostamente novo e frutos da liberdade actual, têm de facto 100, 170 e às vezes 260 anos.

Por fim, nos tempos que avizinham é sempre importante olhar para o testemunho daqueles que vieram antes de nós, que por amor a Cristo, ao Papa e a Libertas Ecclesiae, passaram por vexames, perseguições, prisões e viveram na pobreza.

É de facto uma graça que o Padre João tenha publicado a sua tese. Fazem falta padre que não tenham medo de afirmar a glória da história da Igreja em Portugal: uma história com falhas e pecados, mas sobretudo uma história de missão, santidade e coragem da qual nós, pela Graça de Deus e pela paternidade de sacerdotes como este autor, somos herdeiros.

P.S.: Já agora, fale a pena ouvir as declarações do Padre João na R.R., aqui.

O Filho Pródigo




Foi ontem anunciado que o Santo Padre vai publicar uma Constituição Apostólica que irá facilitar a entra na Igreja aos anglicano que o queiram.

Nas últimas décadas a Igreja Anglicana têm-se divido cada vez mais. Não tendo grandes diferença doutrinais com a Santa Madre Igreja, até à pouco tempo a grande diferença entre a Igreja de Inglaterra e a Igreja Católica era a comunhão com o Papa.

Contudo a admissão de mulheres ao sacerdócio e ao episcopado, assim como posteriormente a admissão de clérigos homossexuais começou a provocar cisões entres os que se mantinham fiéis a doutrina cristã e aqueles que se deixaram levar pelas novas tendências.

O resultado foi que cada vez mais padres e bispos anglicanos se converteram. Para facilitar a conversão, o Santo Padre na sua paternidade, decidiu publicar esta Constituição Apostólica que permitirá a muitos anglicanos regressar a casa.

SEMPER FIDELIS!

Arcebispo Português nomeado secretário do Colégio dos Cadeais.

O Santo Padre Bento XVI nomeou D. Manuel Monteiro de Castro secretário do Colégio dos Cardeais.

O Senhor Arcebispo, que tem exercido a sua missão pastoral ao serviço da diplomacia da Santa Sé, foi durante nove anos Núncio Apostólico em Madrid. Há um mês foi chamado por Sua Santidade a Roma para servir como secretário da Congregação dos Bispos que decidiu agora nomea-lo secretário do Colégio dos Cardeais.

Rezemos por D. Manuel Monteiro de Castro para que o Senhor o ajude nesta nova missão.

SEMPER FIDELIS!

Que Deus lhe conceda a Salvação.

Saramago bem tentou, mas não conseguiu. O nosso Nobel queria uma polémica sobre o seu livro e bem se esforçou, dizendo disparate atrás de disparate a ver se irritava alguém. Os media, sempre pronto a satisfazer os nosso intelectuais, bem que se esforçou, pressionando padres e bispos a comentar os dislates de José Saramago. A resposta foi sempre a mesma: num tom afectuoso, de caridade para com um velho ateu, os padres e bispos limitaram-se a explicar que Saramago não conhecia bem a Bíblia.

Contudo, não contente com resultado, o escritor explicou hoje que o seu livro causou muitos anti-corpos e reacções adversas na Igreja por parte de pessoas que não o leram. Confesso que a única pessoa que eu ouvi comentar com ar mais irritado, comparado o Nobel aos Gato Fedorento, foi o padre Carreira das Neves que estava a ler o livro. José Saramago começa a parecer-se com aquelas crianças pequenas que chateiam os mais velhos para desatar a chorar quando eles pedem para parar.

No fim desta falsa polémica, criada para vender livro, fiquei com pena. Pena de um homem velho, com a morte à espreita, que orgulhosamente prefere a sua razão à salvação. Que o Senhor o ilumine e lhe conceda a Graça do arrependimento antes de passar ao outro mundo.

quinta-feira, outubro 15, 2009

Roubados, perseguido e oprimidos. No fim paguem a conta.

Li hoje no Público que um qualquer instituto do Estado, alertado por um grupo de cidadãos cheios de consciência cívica, mandou parar as obras para substituir um grade lateral da Sé que estava em riscos de ruir.

Sendo a Sé propriedade do Estado, para além de Património da Cultura, não se pode lá fazer obras sem autorização estatal. Ou seja, não tendo ficado satisfeitos por roubar a Sé o Estado português prefere ainda deixa-la cair do que tomar ou deixar alguém conta dela. Isto aliás é um acontecimento recorrente em todas as Igrejas que são propriedade do Estado. Veja-se a fachada dos Jerónimos ou o tecto de Santo António de Campolide.

Perante isto, ainda existem grupos de cidadãos que zelam pelo direito do Estado ao património espoliado à Igreja. Fomos roubados, perseguidos, oprimidos e no fim ainda vamos ter que pagar a conta dos restauros. Mas Deus nos livre de impedir um tecto de cair sem autorização do estado!

segunda-feira, outubro 12, 2009

"Caminha o Homem quando sabe bem para onde ir"

"Porém, aquilo que mais me toca e tocará, que mais me afecta e afectará, é o empenho dos excelentes e a miséria dos medíocres"

Lembrei-me desta frase, posta na boca de César no livro "O Primeiro Homem de Roma: as Mulheres de César" por causa da eleições de ontem em Lisboa.

Antes de mais, antes de qualquer conclusão ou explicação, é preciso dizer que perdemos porque tivemos menos votos. Eu sei que este pensamento assim parece apenas uma observação básica e tonta. Mas é preciso não nos esquecermos que acima de qualquer teoria ou ideia ergue-se a realidade. Nas eleições autárquicas ganha quem tem mais um voto. Indiferentemente de quem é melhor Homem, de quem trabalhou mais, de quem é mais competente ou mais honesto, no fim ganha quem o povo escolhe.

Dito isto, existe um facto muito relevante que ditou a derrota de Pedro Santana Lopes ontem à noite. A deslocação maciça de votos do Bloco e do P.C. (a diferença entre os votos para a Assembleia Municipal e os votos para a Câmara deste dois partidos foi de 11.000) para a "açorda" de António Costa foi fatal para a coligação "Lisboa com Sentido". Se a estes votos somarmos todos os monárquicos patetas que se recusaram a votar numa coligação onde estivesse o PPM, os moralistas que fazem gala em não votar PSL em nome de valores morais elevados e alguma dispersão do voto católico pelo MEP (quase dois mil votos), a derrota de ontem parece fácil de explicar.

Contudo, não é verdade que a derrota de ontem seja só por causa destes factos. Tendo estado um mês empenhado na campanha, juntamente com alguns dos meus amigos, percebi que havia muita gente dentro do CDS e do PSD que variavam entre uma indiferença em relação ao resultado e uma clara má-fé para com PSL.

Contra toda uma máquina partidária, fundos infindos e uma comunicação social amigável Santana só dispunha de algumas pessoas do PSD e de um punhado de pessoas de Comunhão e Libertação. Muitas vezes nas campanhas de rua os universtiários do CL foram mais do que os jovens dos partidos.

Durante o último mês vi o empenho pessoal que poucas dezenas de pessoas puseram ao serviço de um projecto e de um homem em que acreditavam. Pessoas que se desdobravam em mil para fazer tudo: telefonemas, panfletagem, organização, arruadas. Com cinco ou seis pessoas assegurou-se uma exposição permanentemente aberta durante dez dias em Belém. Com a disponibilidade de alguns universitários, que entre aulas deram o seu tempo para esta campanha, assegurou-se um autocarro que vez campanha todo o dia durante 21 dias.

Mas perante este entusiasmo de quem luta pelo que acredita esbarramos no pequeno calculo politico-partidário, na mesquinhez de quem está mais interessado no partido do que na cidade, na sofreguidão de quem já se imagina a ser assessor de uma nova direcção do PSD, para a qual dava muito jeito uma derrota em Lisboa.

Perante isto, ou uma pessoa têm claro a razão por que faz as coisas ou desespera face à derrota e à pequenez. De que valeram estes dias de trabalho intenso se no fim fomos derrotados? Serviram para aquilo de que toda a nossa vida deve ser sinal: da presença de Cristo!

Nós, os de Comunhão e Libertação que participaram na campanha, demos testemunho de uma outra forma de fazer política fruto de uma outra forma de viver: certos daquilo que encontramos, desejosos de o anunciar, movidos por uma paixão pelo humano nascida do encontro com Cristo.

Por isso mesmo na tristeza da derrota, na dor da injustiça de ver eleito alguém que nada fez e nada fará por Lisboa, permanecemos certos de que tudo é e será para a nossa felicidade.