quarta-feira, agosto 13, 2008

Tropa de Elite





Fui ontem à noite ver o filme "Tropa de Elite". É um retrato brutal da realidade das favelas do Rio. Por um lado temos bairros que são quase cidades, dominadas pelos traficantes de droga. Por outro lado, um sistema corrupto, onde polícias vendem armas aos traficantes e vendem protecção.

No meio de tudo isto, existe o Batalhão de Operações Especiais da Polícia Militar, o BOPE. Uma força de elite, constituida por incorruptíveis, mas que mata e tortura indescriminadamente para conseguir abater os traficantes.

O que mais me impressionou no filme é sua crueza. O realizador não tentar dar uma lição de moral ou fazer uma análise sociológica (emora me pareça que se perca uma pouco na crítica aos esudantes universitários que criticam a polícia e ajudam nas favelas, ao mesmo tempo que fuma e snifam droga, ajundando assim a sustentar o tráfico), mas limita-se a fazer um retrato da situação.

Uma situação para a qual aparentemente não há solução. Por um lado o sistema está podre e portanto não é possível combater o crime pelos meios normais. Por outro, os meuiso eficazes contra os trafincantes tranformam o polícias em assasínos e torturadores.

A violência gera violência.

Aquilo que falta no filme, porque é aquilo que falta na realidade, é misericórdia. Percebemos, na critica as ONG's que o realizador faz, que uma tentativa de resolução do problema através de erradicação da pobreza não chega. Não são os pobres que sustetam os traficantes, são os ricos que compram a droga.

O que é preciso é alguém que redima todo o mal que ali se passa. Como diz Chieffo:

Lo dicevo tutto il giorno:
questo mondo non è giusto!
E pensavo anche di notte:
questa vita non dà gusto!
E dicevo: è colpa vostra,
o borghesi maledetti,
tutta colpa dei padroni
e noi altri, poveretti!
E noi altri a lavorare
sempre lì nell’officina,
senza tempo per pensare,
dalla sera alla mattina.

Forza compagni,
rovesciamo tutto
e costruiamo
un mondo meno brutto!

Per un mondo meno brutto
quanti giorni e quanti mesi,
per cacciare alla malora
le carogne dei borghesi!
Ma i compagni furon forti
e si presero il potere;
i miei amici furon morti
e li vidi io cadere.

Ora tu dimmi
come può sperare un uomo
che ha in mano tutto
ma non ha il perdono?

Come può sperare un uomo
quando il sangue è già versato,
quando l’odio in tutto il mondo
nuovamente ha trionfato?
C’è bisogno di qualcuno
che ci liberi dal male,
perché il mondo tutto intero
è rimasto tale e quale.

Dizia todo o dia: este mundo não é justo! E até pensava de noite: esta vida não dá gosto! E dizia: é culpa vossa, ó burgueses malditos, toda a culpa é dos patrões e nós, coitados! E nós a trabalharmos sempre ali na fábrica sem tempo para pensar, desde a noite até de manhã. Força companheiros, derrubemos tudo e construamos um mundo menos feio! Para um mundo menos feio quantos dias e quantos meses, para mandar passear os cobardes dos burgueses! Mas os companheiros foram fortes e tomaram o poder; os meus amigos foram mortos e eu vi-os cair. Diz-me tu então como pode esperar um homem que tem tudo na mão mas não tem o perdão? Como pode esperar um homem quando o sangue foi já derramado, quando o ódio em todo o mundo novamente triunfou? É preciso alguém que nos livre do mal porque o mundo inteiro ficou tal e qual.

Estórias da história!

Cheguei há dois dias das minhas férias no norte. Depois das férias do CLu no Gerês, fui até a Covas, uma terra perdida no Minho, perto de Vila Nova de Cerveira, passar uns dias com os meus avós paternos.

Foram bons dias: comer bem, ler, dormir e sobretudo ouvir estórias. Nos cinco dias que passei com os meus avós nunca nos demoramos menos de três horas à mesa (ao jantar regra geral eram quatro).

Fiquei a saber como os meus avós se conheceram, estórias de namoros antigos, manias da família. Mas mais importante foi a história que aprendi ou que relembrei.

Durante estes dias fiquei a saber como o meu bisavô, Zé Maria Duque, foi preso três vezes na 1ª Republica, sem nenhuma razão que não fosse ser católico e monárquico. Ouvi descrever a esconça cela onde estava preso, com mais vinte pessoa, onde a noção de saneamento era um buraco no chão, para onde tinham que atirar as montanhas de percevejos que invadiam a cela.

Descobri como num dia ele foi metido numa camioneta com mais uns quantos presos, que foram sumariamente executados, escapando-se ele e mais uma ou dois, que conseguiram fugir. Ouvi contar como ele foi brutalmente espancado pela polícia, com espadas e cacetes, até não conseguir desentrelaçar as mão que tinha juntado para proteger a cabeça.

Também neste dias fiquei a saber como três militares armados de G-3 bateram a casa dos meus avós as 5h30 para levar para interrogatório dois miúdos de 15 e 16 anos, cujo o único delito foi arrancar cartazes do PC após o 25 de Abril.

Impressionou-me ouvir como dois homens sebosos revistaram uma casa à procura de um miúdo de 18 anos que tinha o azar de pertencer a um partido de direita.

Fiquei orgulhos ao ouvir narrar como o povo cristão defendeu o Patriarca.

Ao pensar nisto percebi a razão pela qual este regime tenta acabar com a família. Porque enquanto houver família será impossível branquear a história. Enquanto estas estórias, que no fundo são pedaços da história, forem contadas de geração em geração, será impossível massificar todo o povo.

Por isso escrevo estas linhas, para que todos os que as lerem não se esqueçam de que essas duas grandes datas deste regime (o 5 de Outubro e o 25 Abril) são símbolo de repressão e perseguição política!

quarta-feira, julho 16, 2008

D. António dos Reis Rodrigues

Discurso de D. António dos Reis Rodrigues na apresentação dos seus livros sobre Doutrina Social da Igreja
Universidade Católica
080714

Começo por manifestar a minha profunda gratidão ao Senhor Reitor desta Universidade Católica pela extrema gentileza com que acaba de se referir àquilo que, na sua opinião, eu sou e por outro lado valho pelas coisas que escrevi, algumas das quais são agora reeditadas pela primeira vez, graças às edições Principia e muito particularmente ao Senhor Dr. Henrique Mota. A Vossa Excelência, Senhor Reitor, manifesto a minha gratidão, que não é só de agora, mas tem sido confirmada com as inumeráveis gentilezas que lhe devo, como esta de hoje, que muito me comove. E ao Dr. Henrique Mota agradeço também a sua iniciativa, que nasceu de uma velha amizade que não tem preço. Ao Senhor Reitor e ao Dr. Henrique Mota a minha gratidão.
E permitam que acrescente mais duas palavras.

Um dia, quando Jesus iniciou a sua pregação, encontravam-se a ouvi-lo dois discípulos que O haviam seguido. E o Senhor voltou-Se e, notando que eles O não largavam, perguntou-lhes: “Que pretendeis?” E eles responderam: “Mestre, onde é que moras?” Jesus respondeu-lhes. “Vinde e vereis”. Os discípulos seguiram-nO e viram aonde onde Aquele com quem falavam residia. Ficaram com ele nessa tarde e, desde então, para o futuro.

André era um dos que O seguiram. Encontrou primeiro o seu irmão Simão e disse-lhe: “Encontrámos o Messias”. Levou-o até Jesus, o qual, fixando nele o seu olhar, declarou: “Tu és Simão, o filho de João. Hás-de chamar-te Cefas”, que significa Pedro. Este Simão, este Cefas, veio a ser o primeiro Papa.

Estavam assim encontrados os dois primeiros discípulos. Outros, pouco a pouco, vieram, até constituírem os doze Apóstolos, chamando-se uns aos outros, com este simples convite, que era para qualquer um deles uma aventura: “Vinde e vereis”. E com estas palavras nasceu a Igreja.

Foi este chamamento que, à distância de tantos anos, eu também, surpreendentemente, ouvi: “Vem e verás!” Larguei o que tinha e, sem nada, apresentei-me no Seminário e, depois, servi onde o meu Prelado, os senhores Cardeal Cerejeira e depois o Cardeal António Ribeiro, que lembro todos os dias, tinham necessidade da minha presença. Anos depois, com estranheza minha, fui Bispo, onde continuei a servir a Igreja. E hoje, com noventa anos, continuo a servir a Igreja, como penso que sempre a servi, com as graças que Jesus me tem dado ao longo de uma vida inteira, deixando de lado os meus pecados e a triste consequência da miséria que nasce deles.

Foge-me o tempo e muito apreciaria, agora que já não sirvo para o ministério, publicar mais algumas páginas, a somar às que já foram tornadas públicas. O que não fiz na minha vida activa seria compensado com o trabalho que eu ainda poderia ter. Mas todos os dias me vem faltando a saúde e penso, a cada momento, que me aproximo da morte. “A terra produz por si, primeiro o caule, depois a espiga e, finalmente, o trigo perfeito na espiga. E, quando o fruto amadurece, logo ele lhe mete a foice, porque chegou o tempo da ceifa” (Mc. 4, 28-29).

Que posso mais dizer? O meu espírito abre-se de novo ao futuro, mas o futuro a Deus pertence. Talvez Deus tenha para mim algumas páginas ainda por escrever, apesar do peso dos anos que vou tendo.

Muito obrigado!
(via Povo)

Il seme

02 Il Seme.wma


Il Signore ha messo un seme
nella terra del mio giardino.
Il Signore ha messo un seme
nel profondo del mio mattino.

Io appena me ne sono accorto
sono sceso dal mio balcone
e volevo guardarci dentro,
e volevo vedere il seme.

Ma il Signore ha messo il seme
nella terra del mio giardino.
Il Signore ha messo il seme
all’inizio del mio cammino.

Io vorrei che fiorisse il seme,
io vorrei che nascesse il fiore,
ma il tempo del germoglio
lo conosce il mio Signore.

Il Signore ha messo un seme
nella terra del mio giardino.
Il Signore ha messo un seme
nel profondo del mio mattino.

O Senhor colocou uma semente na terra do meu jardim. O Senhor colocou uma semente no fundo da minha manhã. Eu, logo que me dei conta, desci da minha varanda e queria vê-la por dentro, e queria ver a semente. Mas o Senhor colocou a semente na terra do meu jardim. O Senhor colocou a semente no início do meu caminho. Eu queria que a semente desse flor, eu queria que a flor nascesse, mas o tempo da germinação conhece-o o meu Senhor. O Senhor colocou uma semente na terra do meu jardim. O Senhor colocou uma semente no fundo da minha manhã.

segunda-feira, julho 14, 2008

Do it, but do it well

Hoje foi publicada uma notícia no DN que nos conta que vão passar a distribuir preservativos e pílulas, sem qualquer consulta (desde que a pessoa tenha ido ao médico no ano anterior) e inclusivamente, entregar estes meio anti-concepcionais por terceiros.

Sobre isto há duas coisas urgente para se dizer:

Primeiro, num tempo em que se fala cada vez mais das gravidezes na adolescência e das família monoparentais, os nossos doutos governantes continuam a gastar rios de dinheiro em campanhas e planos para que todos tenham acesso à pílula e ao preservativo (assim como ao aborto).

Ao mesmo tempo esses mesmo governantes, assim como os opinion-makers cá do burgo, felicitam-se pelo fim do que eles chamam "tabu" à volta do sexo. O fim desse tabu consiste em incentivar todas as crianças com idade para o fazer a ter relações sexuais.

Estando no outro dia na faculdade à conversa com uns amigos percebi que dizer a alguém que era "virgem" era um insulto. Assim como nos contam que nos tempos dos nossos pais o sexo era segredo, parece que hoje a virgindade também o é.

Todas as campanhas de prevenção da gravidez e das DST's partem do principio que os jovens (e os adolescentes) são sexualmente activos. É isso que é normal nos nossos das. Assim não se surpreendam que aumentem as gravidezes na adolescência, as famílias monoparentais, os abortos e as DST's.

O segundo ponto é da distribuição de métodos anti-concepcionais sem consulta médica ou por terceiros. Isto é, antes de mais, dizer que os pais não tem uma palavra a dizer sobre a vida intima do seu filho. Nenhum pai tem que saber o que seu filho faz ou não.

É preciso que o pai saia quantas vezes o filho falta às aulas, se o filho vai numa viagem de estudo ou não, mas não lhe diz respeito se o filho anda por aí a fazer filhos ou não.

Segundo ponto, é o perigo que é distribuir pílulas a mulheres (pelos visto, inclusivamente menores) sem explicar as contra-indicações. Se saber se a mulher é ao não saúdavel. Sem sabe se há alguma problema em ela tomar a pílula. É simplesmente irresponsável.

Enquanto a resposta aos problemas sexuais for incentivar ao sexo despejando por cima preservativos e pílulas, ele não vai melhorar, só vai piorar.

quinta-feira, julho 10, 2008

Nelson


O Almirante Lorde Nelson.
Abbott - National Portrait Gallery

Nelson

João César das Neves
Destak 10.07.2008


Portugal está em crise. Porquê? Como saímos disto? Uma frase clássica ajuda a encontrar a resposta. No dia 21 de Outubro de 1805 o vice-almirante Horatio Nelson, poucos minutos antes da histórica batalha naval de Trafalgar, enviou um sinal a toda a frota britânica: «A Inglaterra espera que cada homem cumpra o seu dever.»A razão por que estamos nestas dificuldades é que nem todos cumprem o seu dever. A crise nasce daquelas situações em que o Governo não governa, os trabalhadores não trabalham, os patrões não investem, os professores não ensinam, os médicos não curam, os polícias não protegem, os cidadãos não votam, os contribuintes não pagam. Os povos, como as pessoas, têm épocas de dedicação e entrega e outras de egoísmo e mesquinhez. Nos períodos de guerra e dificuldades, a sociedade inteira vive extremos de sacrifício para defender a integridade nacional. Mas em momentos de decadência, a comunidade cai na modorra e na esclerose corporativa, onde o bem comum se perde em reivindicações de grupos. Após 1974, Portugal viveu duas décadas de intenso compromisso comunitário. Primeiro para construir a democracia, depois para vencer o desafio europeu, a generalidade dos cidadãos suportou sacrifícios e fez esforços para melhorar o estado geral. Depois, como seria de esperar, sobreveio a atitude interesseira, invejosa, fragmentária e abandon ou-se o saudável clima de esforço comum. Hoje, em vez de se ouvir que beneficiando o todo cada um ganha, afirma-se que favorecer-se a si próprio dá vantagens à comunidade. Esta inversão faz toda a diferença.

quarta-feira, julho 09, 2008

Cristo, Sumo-Sacerdote

Vi hoje a notícia de que a Igreja Anglicana decidiu permitir às mulheres receber a ordenação episcopal, depois de ter admitido, em 1992, as mulheres ao sacerdócio.

O Vaticano já veio lamentar esta decisão, que vêm abrir ainda mais a ferida entre a Igreja Católica e a Igreja Anglicana.

Obviamente não se fizera esperar as criticas à posição da Igreja, com acusações de descrimização e de machismo. De facto o mundo moderno tem alguma dificuldade em perceber as posições da Igreja. Mas também, diga-se, não demonstra grande interesse em perceber. Limita-se a criticar, sem perguntar ou estudar os assuntos.

Mas voltando à questão da ordenação das mulheres. Esta é uma questão relativamente recente. Ao contrário do celibato, só se começou a falar em mulheres "sacerdotes" no século XX. Por isso ainda não existe uma doutrina clara sobre um assunto. Existem várias razões para o sacerdócio ser exclusivamente masculino, mas nenhuma delas foi aprofundada.

Existem duas razões mais fortes. A primeira é de que Cristo escolheu para receber o sacramento da Ordem, durante a última ceia, doze homens. Apesar da muitas mulheres que o seguiram, apesar de sua Santa Mãe (co-redentora da humanidade), Jesus ceou apenas com os doze.

Muitos dirão, sem saber do que falam, que naquela altura a sociedade era profundamente machista e portanto era impensável que Jesus ordenasse mulheres. Mas na maior parte das religiões já existiam sacerdotisas e, nalguns cultos como o de Vesta, eram exclusivos das mulheres.

Por outro lado não seria seguramente um preconceito que impediria Aquele que se sentou à mesa com pecadores e prostitutas e que chamou para junto de si, como seus apóstolos, publicanos e pescadores de fazer aquilo que bem entendesse.

Outra razão, ainda mais forte, é total identificação do sacerdote com Cristo na Eucaristia. Na consagração o padre não age em seu nome, mas "age na pessoa de Cristo Cabeça e em nome da Igreja" (Compêndio do Catecismo da Igreja Católica, 278). E Cristo é totalmente Deus e totalmente Homem.

Estas são duas das razões pelas quais o sacerdócio é exclusivamente masculino. A Igreja reconhece a igual dignidade dos sexos, mas também reconhece as suas diferenças e a especifidades de cada um. A igualdade não é tratar todos da mesma maneira, mas cada um conforme a sua natureza.

SEMPER FIDELIS!

Cardeal Saraiva Martins

«O Cardeal José Saraiva Martins, de 76 anos, deixou de ser o prefeito da Congregação para as Causas dos Santos, por ter atingido o limite de idade estabelecido pelo Direito Canónico (75 anos). A notícia é publicada esta Quarta-feira pela sala de imprensa da Santa Sé.

Bento XVI aceitou a renúncia do Cardeal português, o único na Cúria Romana, e nomeou para o seu cargo o Arcebispo italiano Angelo Amato, até agora secretário da Congregação para a Doutrina da Fé e um dos mais próximos colaboradores do actual Papa nos últimos anos.


Em declarações à Agência ECCLESIA, D. José Saraiva Martins mostra-se “profundamente grato” pelo trabalho que desempenhou na Congregação para as Causas dos Santos (CCS) ao longo da última década, que considera “um dom de Deus”.


“Foram anos muito belos, que me permitiram conhecer melhor a Igreja, o coração da Igreja, que é a santidade”, refere, assegurando: “Sinto-me feliz, muito feliz, pelo que fiz durante estes dez anos”.


Entre os muitos processos que passaram pelas suas mãos, o Cardeal português destaca a “oportunidade de contribuir para a elevação às honras dos altares” de muitos “membros ilustríssimos da Igreja”, destacando as beatificações dos Papas Pio IX e João XXIII, do Padre Pio, de Madre Teresa de Calcutá e dos Pastorinhos de Fátima, Francisco e Jacinta.


“São figuras extraordinárias que me ensinaram muito e eu sinto-me muito honrado, muito feliz por ter contribuído de maneira directa para que estas figuras de Santos fossem realmente postos como modelo de santidade para todos os filhos da Igreja”, afirma.


Na hora da partida, D. José Saraiva Martins diz que “a minha felicidade aumenta ainda mais quando penso que foi na minha prefeitura que foi retomada a causa do Beato Nuno Álvares Pereira, que praticamente está pronta para a Canonização”.


“Foi um modo muito bonito de acabar a minha prefeitura na Congregação”, assinala.


O Cardeal português era prefeito da Congregação para a Causa dos Santos desde 30 de Maio de 1998, tendo imprimido um grande dinamismo no trabalho deste dicastério da Cúria Romana. Foi um dos homens de confiança de João Paulo II, o Papa que mais fiéis beatificou e canonizou na história da Igreja Católica.


“João Paulo II dizia-me que a Congregação para as Causas dos Santos era a mais importante da Igreja, porque trata daquilo que é mais importante mesmo, mesmo na Igreja de Cristo, porque, dizia ele, se a Igreja não fosse santa não teria razão de existir”, lembra D. José Saraiva Martins, para quem “a santidade é sempre contagiosa”.


“Estes dez anos ensinaram-me o que é realmente a Igreja e o que devemos tender na Igreja, à santidade, tender à plenitude da humanidade”, complementa.


O Cardeal Saraiva Martins lembra que “deveria ter ido para a reforma já há quase dois anos (completou 75 anos em Janeiro de 2007, ndr), mas o Santo Padre pediu-me para ficar ainda mais tempo e ao Papa obedece-se sempre”, justifica.


Apesar da sua renúncia ao cargo de prefeito da CCS, D. José Saraiva Martins permanecerá em Roma, pois desempenha ainda cargos na Cúria Romana como membro das Congregações para os Bispos e para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, bem como do Conselho Pontifício para a Pastoral da Saúde, o Conselho Especial para a Europa da Secretaria Geral do Sínodo dos Bispos e a Comissão Pontifícia para o Estado da Cidade do Vaticano.


“Vou trabalhar com o mesmo entusiasmo”, assegura, perspectivando que, afinal, “o trabalho não vai diminuir, pelo contrário, até vai aumentar”, frisando que irá continuar “em plena actividade”.


Em relação às causas de beatificação e canonização que não acompanha até ao fim – nas quais se destacam as de João Paulo II e da Irmã Lúcia, Vidente de Fátima – o Cardeal português diz esse que é um facto “normal”, destacando que as causas estão muito bem encaminhadas e continuarão o seu curso, “sem dúvida”, com o novo prefeito, o Arcebispo Angelo Amato.


D. José Saraiva Martins considera ainda que o Arcebispo italiano, de 70 anos, irá seguir uma linha de “continuidade” no trabalho à frente da Congregação para as Causas dos Santos.»


Comoveu-me ler as declarações do Cardeal Saraiva Martins. A sua fidelidade ao Papa e à Santa Igreja dão testemunho de uma entrega simples, mas aos mesmo tempo total, a Cristo. Que o seu exemplo esteja sempre diante de nós, para recordarmos sempre a vocação a que fomos chamados pelo baptismo, a santidade.

SEMPER FIDELIS!

terça-feira, julho 08, 2008

Mistério do Pórtico da Segunda Virtude (Charles Péguy)

«Porque há lugares, meu Deus, que têm de ser mantidos. / E é preciso que tudo isto continue. / Quando já não for como agora. / Mas melhor. / É preciso que a vida do campo continue. / E a vinha e o trigo e a ceifa e a vindima. [...] É preciso que a cristandade continue. / A Igreja militante. / E para isso é preciso que haja cristãos. / Sempre.»

Oferecimento (Charles Péguy)

Se necessitas de virgens, Senhor,
se necessitas de valentes sob o teu estandarte
aí estão Clara, Teresa, Domingos, Francisco, Inácio…,
aí estão Lourenço, Cecília…

Mas se, por acaso, alguma vez precisares de um preguiçoso
e de um medíocre, de um ou outro ignorante, de um orgulhoso,
de um cobarde, de um ingrato e de um impuro,
de um homem cujo coração esteve fechado e cujo rosto foi duro…,
aqui estou eu.

Quando te faltarem os outros, a mim sempre me terás.

sexta-feira, julho 04, 2008

Temos Santo!




O Papa Bento XVI promulgou ontem dois decretos que reconhecem o milagre e as virtudes heróicas do Santo Condestável.

Assim sendo está concluido o processo de canonização do Beato Nuno de Santa Maria, faltando apenas que a Congregação para a Causa dos Santos determine quando será a cerimónia (que, segundo o que tem sido hábito no pontifica do Papa Bento XVI, deverá ser celebrada em Portugal pelo prefeito desta congregação, o Cardeal Dom José Saraiva Martins).

Agradecemos ao Senhor por ter enviado este milagre, tornando assim este grande portugês em exemplo para todo o povo cristão.

Rogai por nós bem aventurado Nuno,
para que sejamos dignos das promessas de Cristo.

quinta-feira, julho 03, 2008

Casamento e afins...

A entrevista de Manuela Ferreira Leite relançou, pela milionésima vez, a questão do casamento entre pessoas do mesmo sexo. Aliás, ao dizer que se podia chamar outra coisa, mas não casamento, a líder do PSD lançou duas questões diferentes:

- o casamento entre pessoas do mesmo sexo

- um reconhecimento jurídico da união entre pessoas do mesmo sexo, equiparada ao casamento.

São duas questões diferentes, que merecem respostas diferentes.

No primeiro caso, a questão é clara como a água. O casamento é um instituto milenar, que todos os direitos reconheçam e valorizam, em maior ou menor grau. Desde sempre que o poder politico viu a necessidade de proteger a união estável do homem e da mulher, que permitia a criação de uma nova família, base da sociedade humana.

Por isso é da natureza do matrimónio ser entre pessoas de sexo diferente. Falar de casamento entre pessoas do mesmo sexo é o mesmo que falar do direito do ladrão à legítima defesa.

A questão de uma forma de união entre pessoas do mesmo sexo com direitos iguais aos do casamento é diferente. Aqui trata-se de perceber se existe uma relação que o Estado deve tutelar e proteger.

Ora, sendo que de uma união homossexual não nasce família, então o Estado não tem nada que se imiscuir nos seus assuntos privados, como se eles se amam ao não.

Ao Estado não interessa se um homem e uma mulher que se querem casar estão apaixonados, mas simplesmente se legalmente o podem fazer e se o querem fazer. Os afectos não tem protecção jurídica.

Por isso, tratemos de maneira igual o que é igual e de maneira desigual o que é desigual, porque sem este corolário do Direito nunca atingiremos a Igualdade.

quarta-feira, julho 02, 2008

Agora é a vez dos polacos

O presidente polaco afirmou hoje que não irá rectificar o Tratado de Lisboa.

Já não é o primeiro polaco a salvar a Europa nos últimos anos...

segunda-feira, junho 30, 2008

Irlanda!

Confesso que nunca fui à Irlanda. Nem nunca sequer conheci um irlandês (quando muito, descendentes de irlandeses) mas é me dificil não amar a Irlanda.

É dificil não amar aquele que é um dos último países cristãos da Europa. É dificil não amar um povo que resistiu e lutou durante 800 anos pela sua liberdade. É sobretudo dificil não nos comover-mos diante de um povo que canta como cantam os irlandeses.

É facil imaginar a verdejante Irlanda ao ouvir o canto dos irlandeses, que fala sobretudo da sua terra e da sua luta pela liberdade.

Deixo aqui mais um canto irlandês.



Only our rivers run free

When apples still grow in November,
when blossoms still grow from each tree,
when leaves are still green in December,
it’s then that our land will be free.
I wander the hills and the valleys,
and still through my sorrow I see
a land that has never know freedom,
and only her rivers run free.

I drink to the death of her manhood,
those men who’d rather have died
than to live in the cold chains of bondage
to bring back their rights were denied.
Oh where are you now that we need you?
What burns where the flame used to be?
Are you gone like the snow of last winter?
And will only our rivers run free?

How sweet is life, but we’re crying.
How mellow the wine, but we’re dry.
How fragrant the rose, but it’s dying.
How gentle the wind, but it sighs.
What good is in youth when it’s ageing?
What joy is in eyes that can’t see?
When there’s sorrow in sunshine and flowers,
and still only our rivers run free.

domingo, junho 29, 2008

"Tu es Petrus"







«Tu és Pedro, e sobre esta Pedra edificarei a Minha Igreja, e as forças do Inferno não levarão a melhor contra ela. Dar-te-ei as chaves do Reino dos Céus: tudo o que ligares na Terra ficará ligado nos Céus, e tudo o que desligares na Terra ficará desligado nos Céus».


Hoje é dia de São Pedro, ou seja, é o dia do Papa. Pois a frase "Tu és Pedro" atravessa a história e é hoje dita a Sua Santidade o Papa Bento XVI.

Pois de facto ele é Pedro, pedra sobre qual está erguida a Igreja de Cristo. Hoje faz cada vez mais sentido a frase das escrituras "A pedra que os construtores rejeitaram tornou-se pedra angular".

Que Deus Nosso Pai guarde e proteja o Santo Padre e lhe dê forças para guiar o povo Cristão ao seu destino.

SEMPER FIDELIS!

Verdade sobre a Inquisição








No meio de umas pesquisas no Google, desencantei este vídeos do YouTube.

Vale muito a pena vê-los até ao fim, pois reproduzem um juízo claro sobre a Inquisição em Portugal, afastando-nos da versão marxista que nos é transmitida na Escola.

sábado, junho 28, 2008

O VEÍCULO DA VERDADE

Hoje postamos o manifesto que o 24 XPTO (ver: http://www.24xpto.net) proporá amanhã à comunicação social, numa das suas viagens missionárias.

No rebuliço da vida quotidiana de cada um de nós, o encontro com Cristo decidiu todos os âmbitos da nossa existência: «Não sou eu quem vive, mas é Cristo que vive em Mim». Nestas jornadas, à imitação de São Paulo, o que nos move é o embate com uma realidade humana que explica toda a realidade à luz de um novo critério de Bem, de Justiça e de Verdade: Jesus.

Assim, reconhecemos que os meios de comunicação social são fundamentais para a sociedade actual: a realidade torna-se “vizinha” de todos e o mundo está ao virar da esquina.
Como critério do nosso olhar sobre a realidade, partimos de três premissas:

Realismo
Olhar para o objecto do vosso trabalho com amor e dedicação, respeitando o critério do Bem e do Mal, que está inscrito no coração de todos os homens.

Razoabilidade
Entendemos que o respeito pela humanidade e pela existência de todos os homens merece uma atenção, uma tensão para evitar todos os tipos de violência, moral ou psicológica, para que a realidade seja veiculada através da beleza que atrai os homens.

Moralidade
Tudo o que nos atrai na realidade, tem um fim, concreto e exacto. É o respeito pelo destino das coisas e, sobretudo, das pessoas que constitui a nossa última premissa: amar mais a verdade do que a ideia que poderemos ter sobre ela. É um desafio. Mas é um desafio que traz um gosto novo à relação com a realidade.

Para terminar, propomos uma pequena reflexão sobre alguns dos pontos que defendemos no ordenamento social.

Libertas ecclesiae – uma sociedade que respeita a liberdade de um fenómeno tão sui generis como a Igreja é por si mesmo tolerante com qualquer outra agregação humana autêntica. O reconhecimento do papel público da fé e do contributo que esta pode dar ao caminho dos homens é, portanto, garantia da liberdade para todos, não só para os cristãos.

O bem comum - Uma política que se concebe como serviço ao povo tem em consideração a defesa das experiências em que o desejo do homem e a sua responsabilidade – através da construção de obras sociais e económicas, segundo o princípio da subsidiariedade – podem crescer em função do bem comum.
Interessa promover uma política e um ordenamento do Estado que favoreçam a “liberdade” e o “bem”, e que possam sustentar assim a esperança do futuro, defendendo a vida, a família, a liberdade de educar e de realizar obras que encarnem o desejo do homem.

As Férias segundo Bento XVI (Joseph Ratzinger)

Ontém, entre amigos, falávamos do tempo das férias que para uns já começou e para outros está prestes a começar: das dificuldades próprias deste tempo que é o "tempo da Liberdade por excelência", do grande desafio de o bem aproveitar e de alguns critérios para o fazer.
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Encontrei este texto do Santo Padre (via PorCausadEle) que é certamente de grande ajuda para todos nós.
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Poder descansar (*)
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Os discípulos colocaram a Jesus o problema do stress e do descanso. Os discípulos regressavam da primeira missão, muito entusiasmados com a experiência e com os resultados obtidos. Não paravam de falar sobre os êxitos conseguidos. Com efeito, o movimento era tanto que nem tinham tempo para comer, com muitas pessoas à sua volta. Talvez esperassem ouvir algum elogio por tanto zelo apostólico. Mas Jesus, em vez disso, convida-os a um lugar deserto, para estarem a sós e descansarem um pouco. Creio que nos faz bem observar neste acontecimento a humanidade de Jesus. A sua acção não dizia só palavras de grandeza sublime, nem se afadigava ininterruptamente por atender todos os que vinham ao seu encontro. Consigo imaginar o seu rosto ao pronunciar estas palavras. Enquanto os apóstolos se esforçavam cheios de coragem e importância que até se esqueciam de comer, Jesus tira-os das nuvens. Venham descansar!
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Sente-se um humor silencioso, uma ironia amigável, com que Jesus os traz para terra firme. Justamente nesta humanidade de Jesus torna-se visível a divindade, torna-se perceptível como Deus é. A agitação de qualquer espécie, mesmo a agitação religiosa não condiz com a visão do homem do Novo Testamento. Sempre que pensamos que somos insubstituíveis; sempre que pensamos que o mundo e a Igreja dependem do nosso fazer, sobrestimamo-nos. Ser capaz de parar é um acto de autêntica humildade e de honradez criativa; reconhecer os nossos limites; dar espaço para respirar e para descansar como é próprio da criatura humana.
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Não desejo tecer louvores à preguiça, mas contribuir para a revisão do catálogo de virtudes, tal como se desenvolveu no mundo ocidental, onde trabalhar parece ser a única atitude digna. Olhar, contemplar, o recolhimento, o silêncio parecem inadmissíveis, ou pelo menos precisam de uma explicação. Assim se atrofiam algumas faculdades essenciais do ser humano.
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O nosso frenesim à volta dos tempos livres, mostra que é assim. Muitas vezes isso significa apenas uma mudança de palco. Muitos não se sentiriam bem se não se envolvessem de novo num ambiente massificado e agitado, do qual, supostamente, desejavam fugir. Seria bom para nós, que continuamente vivemos num mundo artificial fabricado por nós, deixar tudo isso e procurarmos o contacto com a natureza em estado puro.
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Desejaria mencionar um pequeno acontecimento que João Paulo II contou durante o retiro que pregou para Paulo VI, quando ainda era Cardeal. Falou duma conversa que teve com um cientista, um extraordinário investigador e um excelente homem, que lhe dizia: "Do ponto de vista da ciência, sou um ateu...". Mas o mesmo homem escrevia-lhe depois: "Cada vez que me encontro com a majestade da natureza, com as montanhas, sinto que Ele existe".
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Voltamos a afirmar que no mundo artificial fabricado por nós, Deus não aparece. Por isso, temos necessidade de sair da nossa agitação e procurar o ar da criação, para O podermos contactar e nos encontrarmos a nós mesmos.
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(*) Card. J. Ratzinger "Esplendor da Glória de Deus" Editorial Franciscana, 2007, pág. 161.

sexta-feira, junho 27, 2008

"Zé e a Ana na nova lei do divórcio" Isilda Pegado, Público, 26/06/08

Na lei actual, o património divide-se em partes iguais. Com a nova lei, a Ana tem direito a 1/6 do património e o Zé a 5/6O Zé e Ana estão casados há 15 anos e têm dois filhos, ele é engenheiro e ela secretária.

Ele, sabe-se lá porquê, ultimamente chega a casa bebe uns uísques e... bate na Ana. À terceira vez, a Ana apresentou queixa na GNR, para "ver se ele tem respeito a alguém". A Ana gosta do Zé e não se quer divorciar, apenas pediu ajuda para "esta fase má" do casamento.

Hoje, com a lei actual, a Ana não tem medo de apresentar queixa porque o casamento não é posto em causa por esse facto. Amanhã, com a nova lei do divórcio, o Zé com cópia da queixa apresentada na GNR pode divorciar--se (art. 1.781.º, al. d), nova versão). O Zé usa a sua própria violência para pôr fim ao casamento.Acontece que a Ana ganha mil euros por mês, mas o marido aufere 5000 euros por mês. Sempre foi assim. Ele ganhava cinco vezes mais do que ela. É certo que ela orientava a casa, mas ele também ajudava nas tarefas domésticas (como qualquer casal moderno...).

Hoje, com a lei vigente, o património que construíram (a casa onde vivem, o carro e os 80.000 euros de "pé-de--meia") é para dividir em partes iguais. A Ana fica com a casa e ele com o carro e o dinheiro. Amanhã, com a nova lei do divórcio, na partilha (art. 1.676.º, n.º 2, nova versão) a Ana tem direito a 1/6 do património e o Zé a 5/6. Contas feitas, a Ana para ficar com a casa terá de pedir ao Banco ?82.000 que dará de tornas ao Zé. Isto é, a Ana terá direito a 37.500 euros e o João a 187.500 (na divisão do património conjugal). Acontece ainda que, nos últimos três anos, o tio do Zé - o tio Arlindo - viveu com eles porque estava velho e não tinha filhos. Prevendo o seu fim fez um testamento ao Zé e à Ana deixando-lhes a casa na Nazaré e três pedaços de pinhal. O Zé e a Ana trataram de tudo e até registaram em seu nome as propriedades. Hoje, com o divórcio, o Zé e a Ana continuam a ser donos em partes iguais das propriedades. Amanhã, com a nova lei do divórcio, a Ana, que não quis divorciar-se, que foi vítima de violência do marido, tendo este obtido o divórcio, perde os bens que herdara do tio Arlindo (art. 1.791.º, nova versão) revertendo os mesmos, na totalidade, para o Zé.

Quando a Ana procurou alguém que lhe explicou o que se iria passar, disse em voz baixa (não vá alguém ouvir): "Afinal, a violência doméstica compensa. Ainda dizem eles para apresentar queixa. Estou cada vez mais sozinha".

quinta-feira, junho 26, 2008

Na ressaca do referendo na Irlanda



Irish soldier laddie.

'Twas a morning in July, I was walking to Tipperary
When I heard a battle cry from the mountains over head
As I looked up in the sky I saw an Irish soldier laddie
He looked at me right fearlessly and said:

Will ye stand in the band like a true Irish man
And go and fight the forces of the crown?
Will ye march with O'Neill to an Irish battle field?
For tonight we go to free old Wexford town!

Said I to that soldier boy,
"Won't you take me to your captain
T'would be my pride and joy for to march with you today
My young brother fell in Cork and my son at Innes Carthay!"
Unto the noble captain I did say:

I will stand in the band like a true Irish man
And go and fight the forces of the crown?
I will march with O'Neill to an Irish battle field?
For tonight we go to free old Wexford town!

As we marched back from the field in the shadow of the evening
With our banners flying low to the memory of our dead
We returned unto our homes but without my soldier laddie
Yet I never will forget those words he said:

Will ye stand in the band like a true Irish man
And go and fight the forces of the crown?
Will ye march with O'Neill to an Irish battle field?
For tonight we go to free old Wexford town!

A Europa contra os cidadãos!




Tendo feito terça-feira uma frequência de Direito da União Europeia, arrisco-me a dar um palpite sobre o Tratado Reformador, mais conhecido como Tratado de Lisboa ou então como o ponto alto da carreira do nosso Primeiro.

Perante a possibilidade de novo chumbo deste tratado nas urnas, como já acontecera com o "projecto do tratado de uma Constituição para a Europa", os governos da U.E. decidiram aprovar este tratado nos respectivos parlamentos. Muitos dos governos que o fizeram (ou ainda vão fizeram) fizeram-no quebrando promessas eleitorais (como por exemplo o nosso).
Só a Irlanda, onde a constituição foi um real garante do Estado de Direito, foi a referendo. Resultado, os irlandeses dizeram "Não" ao Tratado de Lisboa, como já haviam feito os franceses e os holandeses ao seu irmão mais velho.

O grande problema da U.E. é que a Europa dos cidadãos não se pode construir contra os mesmos. Quanto mais os governantes insistirem na integração europeia sem a legitimação do povo, mais o povo se há de afastar do ideal europeu.

Os actuais lideres das comunidades esqueceram-se da lição do seu fundador. "A Europa não será construída de um só golpe", dizia Schumann na sua célebre declaração de 9 de Maio de 1950. A integração é progressiva e paulatina, não se pode queimar etapas, ensinam todos aqueles que se dedicam ao Direito da U.E..

Se o povo não percebe a importância do Tratado Reformador, então que se explique ao povo. Se o povo não liga a U.E., então a União que pense onde está a falhar.

Obrigar os povos da Europa a caminhar para o federalismo, insistido na ideia da sua inevitabilidade, só contribuirá para um enfraquecimento cada vez maior da já pouca legitimidade dos órgãos da U.E.

90 anos de um grande Bispo.

O Bispo D. António Rodrigues completou 90 anos(24/06). Para assinalar a data, D. José Policarpo presidiu a uma missa co-celebrada por vários Bispos e dezenas de padres do Patriarcado de Lisboa.


O Papa enviou uma mensagem especial através do Secretário de Estado do Vaticano, Cardeal Tarcísio Bertone, na qual felicitou D. António Rodrigues pelos frutuosos anos de vida que Deus lhe concedeu e por nele ter esculpido os traços do bom pastor.

Na sua intervenção, no fim da missa, D. António Rodrigues agradeceu a Deus pelas oportunidades que teve ao longo da sua vida.

“Depois de formado em Direito fui aceite como padre – saudosos tempos que nunca me esquece. Já lá vão mais de 60 anos. Não posso dizer se não que recordo a promessa que fiz no dia em que fui ordenado como presbítero e depois como Bispo. Tudo isso passa hoje pelo meu espírito, acolhido em Deus e na Igreja minha Mãe, porque sou tão somente um servo inútil”, disse.

À saída, D. José Policarpo comentou a influência que D. António Rodrigues teve na vida dos católicos portugueses.

“O senhor D. António marcou uma geração. É hoje muito apreciado, mesmo por gente que já não é muito frequentadora da Igreja, mas que foram muito marcados pela sua inteligência e pela sua intervenção de trabalho. Se durante um tempo ele era muito admirado e temido hoje é muito estimado”, refere o Cardeal Patriarca.

D. António dos Reis Rodrigues foi referência em Portugal para várias gerações de católicos: antigo Bispo de Madarsuma foi auxiliar de dois Ordinários Castrenses, os Cardeais Patriarcas D. Manuel Cerejeira e D. António Ribeiro. Foi depois Bispo Auxiliar de três patriarcas. Foi ainda Secretário e Vice-Presidente da Conferência Episcopal.

Uma vida e missão aqui retratadas pelo padre Mário Rui, pároco da Igreja de São Nicolau, em Lisboa.

“O senhor D. António Reis Rodrigues é uma pessoa dotada de grande inteligência, com um pensamento coerente, um pensamento ricamente estruturado em que impressiona a vastidão do seu saber e a amplitude da sua cultura. O senhor D. António, como homem como padre, como Bispo, sempre manifestou uma firmeza de carácter e uma coragem lúcida tantas vezes postas à prova no exercício de funções. Sendo brilhante foi, ao mesmo tempo, discreto”, refere.

No dia 14 de Julho, na Universidade Católica, vão ser lançados cinco livros de D. António Reis Rodrigues sobre a Doutrina Social da igreja, dois dos quais inéditos. A apresentação vai estar a cargo do Reitor Braga da Cruz."

Não posso dizer que me lembre da acção pastoral do Senhor Dom António. Contudo, foi amigo do meu avô e da minha familia e guardo dele a ideia de um grande pastor.

Confiando no testemunho daqueles que com ele privarem, rezo ao Senhor para que nos envie tão grande pastores com o Senhor Dom António.

26 de Junho




Hoje é dia de São Josemaria Escrivá, fundador do Opus Dei.

Rezemos a este grande santo, que tão importante foi para a Igreja de Espanha e para o mundo, entregando-lhe sobretudo o Marcos e a Kate que hoje fazem anos.

Rogais por nós bem aventurado Josemaria,
Para que sejamos dignos das promessas de Cristo!

Regresso

Após algum tempo de inactividade, mesmo sabendo que a pausa em Agosto será de algum modo inevitável, retomamos agora este blog.

Peço desculpa pela falta.

Obrigado aos que regressarem!

quinta-feira, junho 19, 2008

Ratzinger e o Euro

Regularmente, cada quatro anos, o campeonato do mundo de futebol afirma-se como um acontecimento que reúne à sua volta centenas de milhões de pessoas. Dificilmente um outro fenómeno mundial consegue alcançar uma tão vasta influência. Isso mostra que este fenómeno toca algo constitutivo do ser humano, e leva-nos a perguntar pela razão da força que este desporto tem.

O pessimista dirá que acontece o mesmo que na antiga Roma. Os slogans das massas eram: panem et circenses, pão e circo. Pão e jogo seriam os valores duma sociedade decadente, que não conhece fins superiores. Mesmo que aceitemos esta informação, não seria de maneira nenhuma o suficiente.

Mais uma vez teria que se perguntar: Onde reside a fascinação deste jogo, que se apresenta com a mesma importância que o pão? Podíamos responder olhando novamente para Roma, dizendo que o grito pelo pão e pelo jogo mais não é que a expressão do desejo duma vida paradisíaca, uma vida de fartura sem esforço e da realização da liberdade. Na realidade, é o que se insinua com o jogo: uma actividade totalmente livre, sem o limite dos fins e da necessidade, e que, no entanto, mobiliza e satisfaz todas as energias do ser humano.

Nesta perspectiva, o jogo seria uma tentativa de regresso ao paraíso, a fuga da seriedade escravizante do dia-a-dia com a sua disciplina, para a seriedade livre, sem imposições, que, justamente por isso, se toma mais bela.

Nesse sentido, o jogo ultrapassa, em certo modo, a vida do dia-a-dia; mas tem também, sobretudo na criança, ainda um outro carácter. É exercício para a vida. Simboliza a própria vida e é dela uma antecipação descontraída.

Parece-me que a fascinação do futebol consiste, essencialmente, em que reúne em si estes dois aspectos de forma convincente. Primeiro, obriga o homem a dominar-se, de tal forma que, através do treino, ganha o domínio sobre si mesmo. Com o domínio supera-se e, superando-se, toma-se mais livre. Mas também lhe ensina a disciplina do conjunto: como jogo de equipa, obriga-o a subordinar o próprio ao todo. Une-os num objectivo comum. O sucesso ou o insucesso de um está ligado ao sucesso e ao insucesso do todo.

Fonte: "Esplendor da Glória de Deus", Cardeal Ratzinguer, Ed. Franciscana, 2007, pág. 187

quarta-feira, abril 09, 2008

A Igreja clandestina.

Neste dias estalou a polémica sobre os Jogos Olímpicos de Pequim. A questão tem sido o Tibete, que continua a ser ocupado barbaramente pela China.

Embora o Tibete seja mais um motivo de repúdio em relação à China está longe de ser o único, ou mesmo, o mais importante. Os media decidiram , assim como os lideres mundiais que se atreveram a falar sobre este assunto, preferem falar apenas sobre o Tibete, o Dalai Lama e os pobres budistas. Mas ninguém se atreveu ainda a denunciar a sistemática violação dos direitos humanos que existe no pais de Mao.

Os lideres políticos preferem esquecer que o milagre económico chinês, perante o qual se vergam, tem como base trabalho escravo. Milhões trabalham na China em regime de quase de escravatura, guardados por homens armados, em fábrica onde trabalham horas sem fim a troco de pouco mais de cem dólares por mês. Por cima disto, parte substancial desse salário serve para pagar o alojamento e a comida. O milagre económico chinês resume-se a vender produtos baratos para o estrangeiro, fruto de mão de obra quase gratuita.

Mas os atropelos aos direitos humanos no país da revolução cultural (onde Mao, coqueluche de uma certa esquerda cultural europeia, matou mais milhões que Hitler) não se resumem aos problemas laborais. Hoje na China não existe liberdade religiosa. Existem quatro igrejas do Estados, uma das quais a Associação Católica Patriótica. Fora disto estão proibidas todas as outras confissões. Todos os anos são presos, torturados e mortos católicos na China. Mas a comunidade internacional fecha aos olhos, com medo de ofender o novo colosso económico.

Resta como consolação aos católicos chineses, assim como a todo o o povo chinês, as palavras que o Santo Padre lhes dirigiu na Páscoa.

Maçonaria ao ataque.

A Conferência Episcopal Portuguesa decidiu voltar a eleger Dom Jaime Ortiga, Arcebispo de Braga, para seu presidente. Quando tomou posse, o senhor arcebispo pediu aos católicos empenho na vida pública e acusou o governo de afastar os católicos do Estado.

Como resposta a estas declaração choveram coros de protestos dos habituais bem pensantes laicistas que dominam o panorama cultural português. A frase que mais transtorno causou foi "o Estado não pode ser militantemente ateu". Os bastiões da ética republicana bradaram aos céus, exclamando que a Igreja queria era interferir no Estado.

Por outro lado, hoje, representantes de várias lojas maçónicas receberam o presidente da Comissão Europeia, para lhe pedir satisfações por uma declarações que terá prestado na Roménia, num encontro ecuménico, onde salientou a importância das religiões na construção europeia.

Sobre isto, ninguém falou. Não deixa de ser preocupante que os intelectuais do regime ataquem quem luta publicamente, mas se calem perante jogos de poder secretos. A Igreja é uma alvo a abater, apesar de fazer luta dentro do sistema democrático, enquanto a maçonaria é poupada e secretamente vai puxando cordelinhos nos bastidores da vida politica.

Para que não hajam dúvidas: decorre neste momento uma perseguição cultural à Igreja. A Igreja é cada vez mais atacada, denegrida, reduzida à privacidade de cada um. Cabe a cada um de nós sermos testemunhos públicos de Cristo, na circunstância que nos for confiada!

terça-feira, abril 01, 2008

"Cl, o desafio da missão", Entrevista do Padre Carrón no jornal Avvenire a 20/03/2008

Publicamos a entrevista ao padre Julian Carrón, presidente da Fraternidade de CL, realizada por um jornal espanhol.

Há um ano atrás, no dia 24 de Março, a praça de São Pedro encheu-se de celinos, provenientes de todo o mundo, para a audiência com Bento XVI, por ocasião dos 25 anos do reconhecimento pontifício da Fraternidade de Comunhão e Libertação, da qual o senhor foi confirmado presidente nos últimos dias. Padre Carrón, o que lhe ficou daquela audiência?


Roma foi a confirmação apostólica do valor do carisma dado a Don Giussani pela vida da Igreja. Bento XVI sublinhou a origem pessoal do carisma e confirmou a permanência do mesmo na experiência do movimento.
E relançou-nos na tarefa missionária, que já nos tinha sido confiada por João Paulo II. Nos dias de hoje, este desafio missionário é ainda mais decisivo, por exemplo, como o que aconteceu no Brasil nestas últimas semanas. Durante um encontro em São Paulo, com 50 mil membros do Movimento dos Sem Terra, a Cleuza Zerbini, percursora deste movimento, bem como o seu marido Marcos, disse: «Carrón, há uns anos também tinha um movimento, o Nova Terra. Quando conheceu Don Giussani confiou-lhe este movimento, porque não havia mais nada para procurar; tudo o que devia encontrar, tinha encontrado. A história repete-se mais uma vez. Hoje não existem duas estradas: existe apenas uma. Hoje, o Nova Terra e os Sem Terra unem-se ao movimento de Comunhão e Libertação». Imagine a minha comoção, tal como a que acenei quando o Don Giussani me chamou de Espanha para o acompanhar a guiar o movimento. Como então, senti-me tão pequeno, tão insignificante, que em São Paulo tive a mesma sensação. Mas este facto novo que o Mistério nos coloca diante não me amedronta, porque Aquele que começou entre nós esta obra boa, leva-la-à a bom termo.

Como acolheu o mandato renovado para guiar o movimento nos próximos anos? O que representa para si?

Aceitei a decisão com o mesmo espírito com que aceitei a decisão de Don Giussani, procurando obedecer à modalidade com que o Mistério me chama a responder. Hoje estou muito mais consciente da desproporção total diante da tarefa que me é confiada. E o que eu quero viver está bem descrito no trecho de Solov’ev que o Don Giussani nos propôs como manifesto permanente do nosso movimento: «O que nos é mais querido no cristianismo é o próprio Cristo, Ele próprio, e tudo o que Dele deriva, porque nós sabemos que n’Ele habita corporalmente toda a plenitude da divindade». Desejo não querer nada mais na vida para além disto.

Isto tudo que acabou de dizer, o que é que significa para o futuro de CL?

Os factos imponentes que aconteceram neste último ano trouxeram mais uma vez à baila a nossa responsabilidade, segundo o mandato do dia 24 de Março de 2007: viver uma fé profunda e personalizada, que nos permita estar na realidade, como nos disse Bento XVI, com uma «espontaneidade e uma liberdade que permitam novas e proféticas realizações apostólicas e missionárias», para colaborar juntamente com os pastores em «tornar presente o mistério e a obra salvífica de Cristo no mundo».
Uma fé madura exprime-se em obras nas quais o desejo do homem incarna e assim oferece um contributo à vida social. A fé católica não é só uma questão privada ou limitada a algum âmbito particular, mas tem igualmente uma função pública, visto que é um factor que torna melhor a vida quotidiana, mais humana e mais positiva, e coloca nas condições óptimas para enfrentar os problemas e as dificuldades, nas relações entre as pessoas, na educação, no trabalho, até mesmo no empenho cívico e político vivido como caridade.

O que representa, na sua opinião, para os cristãos, o contexto cultural e político de Espanha e de Itália, feitas as distinções devidas?

Há uma intervenção de Don Giussani em 1972, que me parece de grande actualidade. Ajuizando um momento igualmente dramático da nossa história – a crise de 68, da qual alguns dos fenómenos actuais são certamente a última consequência – disse: «Deus não permite que nada aconteça que não seja para um amadurecimento. Mais, é exactamente da capacidade que cada um de nós e cada realidade eclesial tem (família, comunidade, paróquia, Igreja em geral) de valorizar o que aparece como objecção como estrada de amadurecimento, demonstrando-se assim a verdade da fé». Mas é sobretudo a frase seguinte que me interessa sublinhar: «Este é o sintoma da verdade, da autenticidade pelo menos da nossa fé: se em primeiro plano colocamos verdadeiramente a fé ou outro tipo de preocupação, se esperamos verdadeiramente tudo do facto de Cristo, ou se do facto de Cristo esperamos apenas o que decidimos esperar, fazendo dele em última análise motivo e sustento para os nossos projectos e para os nossos programas». Por isto, a situação problemática que os nossos países estão a atravessar é uma circunstância que o Senhor permite para a nossa educação, para verificar o que cada um de nós ama mas também para desmascarar a ambiguidade que pode existir em todas as iniciativas humanas, por sua natureza, limitadas.

No que diz respeito à presença pública dos cristãos, o que é que este seu juízo implica?

Na situação actual, na qual – como vimos – não basta uma reactividade às provocações dos outros, somos incentivados a descobrir a originalidade do cristianismo. É preciso uma presença original, não reactiva. «Uma presença é original quando decorre da consciência da própria identidade e da afeição que se tem por ela, e nisso encontra a sua consistência» (Don Giussani). Como cristãos, não fomos escolhidos para provar as nossas capacidades dialécticas ou estratégicas, mas sim para testemunhar a novidade que a fé introduziu no mundo e que nos «conquistou» em primeiro lugar. O desafio que temos diante é o de sempre: educar adultos na fé, segundo um método que torne razoável a adesão a Cristo. Como disse padre Giussani ao Sínodo em 1987, «o que falta não é sequer a repetição verbal ou cultural do anúncio. O homem de hoje espera, talvez inconscientemente, a experiência do encontro com pessoas através das quais o encontro com Cristo é realidade de tal modo presente que a sua vida é mudada. Só um impacto humano pode interpelar o homem de hoje». Portanto, o encontro com alguma coisa que corresponda às exigências do coração, que interpele a razão no torpedo em que esta caiu e constitua uma resposta que nenhum moralismo pode sequer sonhar.

Sinteticamente, o que pode o carisma de CL oferecer de original?

O que recebemos da grande tradição da Igreja e que a genialidade humana e cristã de Don Giussani tornou experiência presente, atraente na actualidade: na fé, a solidão e o cepticismo são derrubados e a vida torna-se uma certeza imensa, exactamente porque Outro actua na história; em qualquer circunstância e dentro de qualquer prova, é possível viver assim. É este o contributo que consideramos poder dar à vida da nossa gente: mostrar a pertinência da fé para as exigências da vida – exigências de verdade, de beleza, de justiça, de felicidade – e portanto, a utilidade da fé para a vida dos homens do nosso tempo. Esta fé é esperança para a vida de todos.

Isto basta para enfrentar o golpe de um mundo que se afastou progressivamente da Igreja e da fé, e que se quer construir a prescindir, quando não explicitamente contra, o cristianismo?

Respondo-lhe com palavras que Don Giussani pronunciou depois da derrota dos católicos italianos do referendo ao aborto em 1981: «Exacto, este é um momento no qual seria preferível sermos apenas doze em todo o mundo. Quer dizer, é mesmo um momento onde se volta ao início, porque nunca tinha sido assim demonstrado que a mentalidade já não é cristã. O cristianismo como presença estável, consistente, e logo capaz de tradere, de tradição, de comunicação, de criar tradição, já não existe: tem que renascer. Tem que renascer como solicitação à problemática quotidiana, quer dizer, à vida quotidiana». Existe alguma coisa mais original e mais entusiasmante que isto?

tradução não oficial de Catarina Almeida

sexta-feira, fevereiro 22, 2008

"Estou certo que se formos simples no seguir, sentiremos don Giussani mais pai que nunca"




Há três anos atrás, neste dia, o Senhor chamou a si don Luigi Giussani.

Foi este homem que me fez e faz levar até ao fim este grito de infinito de que o meu coração é feito. Foi e é com este que eu compreendi que Cristo é a única resposta ao meu coração.

Poderia demorar horas a falar de toda a grandeza da vida e obra de don Giussani. E seria justo que o fizesse. Mas existem outros mais habilitados do que eu para fazê-lo. Qualque texto que produzisse para contar a vida deste homem ficaria sempre aquém da graça que foi para milhares de pessoas o dom da sua vida. Por isso não o faço.

Eu, a única coisa que sei dizer sobre este homem é que foi através dele que descobri Cristo, por isso foi com ele que me descobri Homem.

Grazie don Giuss!

P.S.: Hoje será será celebrada missa por don Luis Giussani, por Sua Excelência Reverendissima, o Senhor Dom Carços Azevedo, as 19h00, na Igreja Paroquial de Nossa Senhora da Encarnação.

9 de Março

Dia 9 de Março são as eleições legislativas em Espanha. Já se passaram quatro anos desde que os espanhóis, á custa de uma mentira de Aznar, elegeram para primeiro-ministro José Luiz Rodriguez Zapatero.

Foram quatro anos negros para Espanha. Primeiro foi a legalização do casamento entre pessoas do mesmo sexo, assim como a adopção pelos mesmos.

Depois as negociações e as tréguas com a ETA, que se assemelharam muito a uma cedência do governo a um grupo que já matou centena de espanhóis. A fantochada das negociações só acabou com o derramamento de mais sangue pelos terroristas bascos.

Temos ainda a criação de uma disciplina obrigatória de Educação para a Cidadania, que retira a liberdade aos pais de educarem os seus filhos como querem, mas concede aos Estado o poder de decidir qual a educação moral e cívica que as crianças devem receber.

Para finalizar, falando apenas dos actos dos quais temos eco cá em Portugal, a lei da memória, que mais se devia chamar lei do esquecimento, que apagou todos os sinais do franquismo em Espanha. Não quero aqui defender o franquismo, que deve feito seguramente coisas terríveis. Contudo exaltar a memória dos republicanos que perseguiram e abateram milhares de pessoas, especialmente cristãos, que instalaram em Espanha um ditadura de horror e perseguição, para a seguir apagar a memória do homem que pôs cobro a essa situação, parece-me de um revisionismo histórico absurdo.

Para além disso os quatro anos de governo socialista em Espanha caracterizaram-se por um ambiente de confronto com a Igreja e com a cultura cristã, da qual Espanha é uma grande herdeira.

Por tudo isto os bispos espanhóis decidiram intervir de maneira decidida nestas eleições. Muitos dirão que os bispos fizeram mal, que este não é o papel da Igreja. Contudo Cristo não pediu ao Pai para no tirar deste mundo, mas antes mandou-nos para o mundo: "tal como Tu me mandas-te ao mundo, assim Eu os mando ao mundo" (cfr. Jo, 17,18).

A Igreja não vive à parte do mundo, mas no mundo. Embora não caiba aos bispos fazer politica, cabe-lhes a condução do povo cristão. Por isso não podiam passar ao lado de um governo que quer extirpar a cultura cristã de Espanha, de um governo que ataca a família, a liberdade de educação e memória histórica.

Esperemos que o povo cristão siga os seus pastores e que toda a Igreja siga o exemplo destes bispos, que não têm medo de testemunhar a presença da Igreja no mundo e na sociedade, como luz que ilumina as trevas.

Uma morte digna.

Foi aprovado no parlamento luxemburguês a despenalização da eutanásia.

Este é um tema chamado "fracturante". Segundo os senhores que defendem a eutanásia deve-se dar aos doentes a oportunidade de morrer de forma digna. Causa estranheza a este senhores, tão condoídos com a dor, alheia a ideia do sofrimento. Parece-lhes que o sofrimento diminuiu, de alguma maneira, a dignidade de uma pessoa.

Já a mim, causa-me estranheza a estranheza destes senhores em relação ao sofrimento. Não consigo perceber porque é que é digno morrer com uma dose cavalar de morfina mas já não o é morrer ao fim de longos anos de uma doença dolorosa.

A minha vida não fui eu que a fiz. O meu destino não sou eu, nem fui eu que o decidi. Percebo que existe um claro desígnio de amor que atravessa a história da humanidade e história de cada Homem, ainda que de maneira misteriosa. Por isso reclamar a vida como sendo propriedade minha, inclusivamente para a destruir, é uma brutal violação da própria humanidade. É contra a nossa natureza, é contra o Eu.

Por isso não há dignidade na eutanásia, por isso não há dignidade no aborto, não há dignidade em matar pela dignidade dessa pessoa. A morte digna é aquela que é aceite com alegria na hora em que o Senhor pensou chamar-nos a Si.

Into the wild

Fui hoje ver com os meu companheiros de blog (excepto a Kate, que dando alas a um ímpeto capitalista súbito, se entreteve a criar sociedades comerciais) o filme "Into the wild".

O filme conta a história de um rapaz (por sinal, sensivelmente da minha idade) que após licenciar-se decide partir para parte incerta. As razões porque parte ao principio parecem um pouco ideológicas e moralistas: não quer viver a mesma mentira que os pais, um casal americano de classe média alta e por isso parte para vaguear pela América, apenas apetrechado com os seus livros.

Este jovem, de seu nome Christopher, pareceu-me, ao principio, vagamente irritante. Pareceu um ideológico moralista, que julga os pais e a sociedade com base em livros que leu e por isso foge das pessoas a vai para a natureza. Pareceu-me, ao principio, um pouco new age demais para mim.

Mas o desenrolar do filme leva-nos numa direcção totalmente diferente. Primeiro, porque percebemos que o problema de Chris com os pais não parte de um preconceito revolucionário, mas da relação concreta deles.

Depois descobrimos nele um obsessão pela verdade. Diz ele há um certo ponto: "Rather than love, than money, than faith, than fame, than fairness... give me truth". Este seu desejo de verdade irá fazê-lo mudar perante a realidade. O filme, mais do que da sua experiência de solidão no natureza selvagem, fala sobre os seus encontros ao longo do caminho.

Todo o filme mostra-nos como ele de facto compara o que lê com o que vive e compara tudo isto com o seu desejo de verdade, com a sua exigência de verdade. Isso irá fazer mudar a sua visão das coisas. Para mim esta é a maior grandeza deste filme: percebe-se claramente que é o objecto que dita o método. Ele, perante a realidade, muda.

De tal maneira que, contrariando a sua grande ideia sobre a felicidade, ele acabará por compreender a importância do outro. Mas não por causa de uma teoria ou de um livro, mas por causa de uma experiência ajuizada.

Haveria muitas outras coisas para dizer sobre o filme, mas só as direi quando ele sair de cena. Termino só dizendo uma coisa sobre o fim deste filme: é um fim de esperança. Digo de esperança e não feliz. Não se trata de um fim de contos de fada, mas de um fim que aponta uma resposta e não uma amargura.

terça-feira, fevereiro 19, 2008

Society (Into the Wild)

Eddie Vedder



Oh it's a mystery to me.
We have a greed, with which we have agreed...
and you think you have to want more than you need...
until you have it all, you won't be free.

Society, you're a crazy breed.
I hope you're not lonely, without me.

When you want more than you have, you think you need...
and when you think more then you want, your thoughts begin to bleed.
I think I need to find a bigger place...
cause when you have more than you think, you need more space.

Society, you're a crazy breed.
I hope you're not lonely, without me.
Society, crazy indeed...
I hope you're not lonely, without me.

There's those thinkin' more or less, less is more,
but if less is more, how you keepin' score?
It means for every point you make, your level drops.
Kinda like you're startin' from the top...
and you can't do that.

Society, you're a crazy breed.
I hope you're not lonely, without me.
Society, crazy indeed...
I hope you're not lonely, without me.
Society, have mercy on me.
I hope you're not angry, if I disagree.
Society, crazy indeed.
I hope you're not lonely...
without me.

Ainda a notícia do Público

Esta notícia do Público não pode deixar ninguém indiferente.
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O que mais impressiona nesta notícia, é o facto de perante o drama de uma mãe que abortou e afirma ter querido ter o seu filho, o Estado (ou indirectamente através dos seus agentes) justifique o drama com a falta de esclarecimento da mulher e prescreva como solução o simples investimento na informação.
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Não digo que a informação não seja importante, mas que o problema é bem mais profundo. Como se esta mãe ficasse com o seu problema humano resolvido se a sua gravidez e as formas legais de a "interromper" tivessem sido identificadas "a tempo e horas".
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O grito desta mulher é outro: "Eu queria ter o bebé e só fiz isto porque não tinha apoio de ninguém." É esse grito que não pode ser calado.
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Torna-se, desta forma, evidente (até para os mais cegos) que a Lei do Aborto não veio resolver problema algum. Ou proventura será esta mulher mais criminosa do que as mulheres que abortam, por sua própria vontade (supostamente livre e esclarecida), em estabelecimento legalmente autorizado, nas primeiras 10 semanas de gravidez?
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Ajudem os pais e os seus filhos (desde o primeiro momento) e revoguem a lei que mais não faz do que justificar a falta de apoio às pessoas concretas, nas suas dificuldades concretas e tentar anestesiar as consciências.

quinta-feira, fevereiro 14, 2008

Carta de don Carron

Caros amigos,

No domingo, dia 20 de Janeiro muitos de nós dirigiram-se de modo espontâneo, como uma coisa que vem do íntimo do coração, à Praça de São Pedro num sinal de comunhão com o Bispo de Roma, que pelos acontecimentos que são conhecidos renunciou a participar na inauguração do ano académico na universidade La Sapienza, onde tinha sido convidado. Não há dúvida que este vosso gesto foi o fruto da educação do Movimento em responder às provocações da realidade.

A prontidão na resposta é uma coisa de que devemos agradecer Deus, porque é
sinal da incidência que temsobre nós “aquela forma de ensinamento à qual fomos entregues” (J. Ratzinger). De facto não há outra explicação para esta mobilização espontânea, se não a consciência do valor que a figura do Papa tem para a nossa vida. Nele o Senhor ressuscitado comunica a Sua vitória no tempo e no espaço da história humana. Sem o testemunho de autoridade do Sucessor de Pedro nós estaríamos perdidos como tantos nossos contemporâneos: a audiência de 24 de Março do ano passado foi uma demonstração imponente e assinalará a nossa história para sempre. Por isso o seguimento do Papa coincide com o impacto da Sua presença. E exige de nós o empenho da razão e da liberdade.

Nós podemos verificar isto comamão quando foi tornado público o não chegado discurso de Bento XVI à universidade. Nele resplende aquela “tarefa demanter desperta esta sensibilidade pela verdade”. É o seu testemunho inabalável que constitui para nós a esperança de não sucumbir ao perigo do mundo ocidental, por ele denunciado, de se render “diante da questão da verdade”, porque nós sabemos bem que “se a razão se torna surda à grande mensagem que lhe vemda fé cristã e da sua sabedoria, seca como uma árvore que não alcança mais as águas que lhe dão vida”. E deste modo a razão “perde a coragem para a verdade” e resigna-se.

Este grande testemunho do Santo Padre constitui para cada um de nós um apelo excepcional para usar a razão assim. Ele ofereceu-nos esse testemunho contemporaneamente como início da Escola de comunidade sobre o livro de don GiussaniÉ possível viver assim?, cujas primeiras páginas tratam da fé como “método de conhecimento”. Nós somos os primeiros a sentir a necessidade de uma educação que nos consinta conhecer a realidade até ao fundo, a dar conta da urgência de começar um caminho de conhecimento que nos torne familiar o Mistério. Passados três anos da sua morte, pedimos a don Giussani que continue a fazer-nos companhia na estrada que nos traçou.

É seguindo a proposta que nos é feita na Escola de comunidade que poderá tornarse sempre mais nosso aquele olhar totalmente escancarado ao real que admiramos no Papa. Somente percorrendo este caminho podemos verdadeiramente conhecer, através do testemunho, a realidade de que fala a fé cristã.

Esta paixão pela razoabilidade da fé é-nos tão familiar porque don Giussani nunca nos defraudou, encorajando-nos a caminhar para à verdade de modo tal que a nossa adesão de fé seja digna da nossa natureza de homens.

Unidos mais que nunca nesta aventura
don Julián Carron

Isso diz muito sobre o P.S....

"PS diz que lei do aborto é das que mais honra o partido"

"Não podemos negar aquilo que vimos e ouvimos"

Libertados adolescentes iraquianos que se negaram a converter-se ao Islã


BAGDÁ, terça-feira, 12 de fevereiro de 2008 (ZENIT.org).- Três dos 40 adolescentes seqüestrados no Iraque arriscaram sua vida na semana passada para não apostatar de sua fé cristã, revela um bispo do país.

Dom Louis Sako, bispo de Kirkuk, explica: «Na semana passada, em uma estrada que leva a Bagdá, terroristas seqüestraram 40 alunos de uma escola. Entre eles havia três cristãos a quem impuseram que se convertessem ao islã. Os três jovens se opuseram com energia, dizendo que estavam dispostos a morrer por sua fé».

Segundo explicou o prelado ao SIR, serviço de informação religiosa na Itália, «o que aconteceu aos três jovens cristãos significa que, apesar das muitas dificuldades, nossos fiéis não perdem a fé e a esperança, e mais, reforçam-nas».

O prelado explica que em sua diocese durante esta Quaresma os «irmãos muçulmanos estão vindo para nos visitar», ainda que reconhece que a reconciliação e a convivência «exigem tempo e devem ser aprendidas».


via ZENIT.org

Santo do Dia




Hoje, ao contrário do que possa pensar quem passe por uma montra ou abra um jornal, é dia dos irmãos São Cirilio e São Metódio, padroeiros dos eslavos e da Europa.

Foram responsáveis pela tradução do Evangelho para eslavo e durante os anos 855 e 867 pregaram a Boa Nova aos povos eslavos.

Foram canonizados em 1880 e 1980 foram declarados pelo Papa João Paulo II padroeiros da Europa.

Rogai por nós bem aventurados Cirilo e Metódio,
para que sejamos dignos das promessas de Cristo.

Noticia do Público

Estudante usou dez comprimidos para abortar feto de 20 semanas
14.02.2008 - 09h15 :, Ana Cristina Pereira e Sandra Ferreira

Engoliu cinco comprimidos e introduziu outros tantos na vagina. "Sabe o que me vai acontecer?", pergunta, num tom assustado, a aluna da Escola Profissional da Torredeita, em Viseu. O país inteiro sabe que interrompeu uma gravidez de 20 semanas com Cytotec, um fármaco indicado para úlceras gástricas e duodenais. Enquanto se contorcia de dor, ali, na residência estudantil, alguém ligou à GNR.

A rapariga, de 19 anos, está deitada numa cama do Hospital de São Teotónio. A mãe dela está deitada numa cama de um outro hospital, em Cabo Verde. A mãe caiu de cama ao receber a notícia pela boca de um primo que estuda na mesma escola em que a filha cursa contabilidade. Não havia maneira de lhe esconder aquilo, o director do estabelecimento de ensino até convocou uma conferência de imprensa.

Sabendo-a "estável, em observações", a Polícia Judiciária não quis perder tempo. Já lá foi interrogá-la. Os inspectores insistiram numa pergunta: "Tem a certeza de quem é o pai?" Tem, sem sombra de dúvida. É o namorado, um cabo-verdiano a estudar no Algarve e a visitá-la amiúde.

"Ele nunca quis a criança." Não era só ele. A mãe também reprovava a gravidez. E "o desespero falou mais alto" dentro dela. "Eu queria ter o bebé e só fiz isto porque não tinha apoio de ninguém", tenta dizer ao mundo que já a julga e ainda não a ouviu. Agora, arrisca até três anos de prisão.



Esta noticia demonstra duas coisas:

- Primeiro, a nossa luta ainda não acabou. Ainda há quem aborte por que não tem quem a apoie. Como sempre ouvi o António Maria citar "O nosso trabalho é que nenhuma mulher possa dizer que abortou por que não teve ninguém que a apoiasse".

- Segundo, que de facto a única alternativa que o Estado dá as grávidas em dificuldades é um aborto limpinho numa sala esterilizada. Os mesmos que lutaram pelos direitos da mulher, após a vitória política, já deixaram cair o chavão e partiram para outra.

O resultado, mais duas vidas destruídas!

Irmã Lucia

O Cardeal Saraiva Martins anunciou ontem no Carmelo de Coimbra que o Papa autorizou a abertura do processo de beatificação da Irmã Lucia, dois anos antes do previsto.

Agora é necessário rezar à ultima dos pastorinhos de Fátima por um milagre, para que seja elevada aos altares em pouco tempo.

Para mais informações, ir aqui.

quarta-feira, fevereiro 13, 2008

"A man for all seasons"




Filme imprescíndivel para quem está a estudar Direito. Especialmente esta cena, que nos ajuda a ganhar consciência da importância do respeito pelas normas, que ajudam a efectivar a justiça, condição essencial para uma sociedade verdadeiramente livre.

Reposta ao Sr. Engenheiro.



Foi Deus

Não sei, não sabe ninguém
Porque canto o fado neste tom magoado de dor e de pranto
E neste tormento, todo o sofrimento
Eu sinto que alma cá dentro se acalma nos versos que canto

Foi Deus que deu voz ao vento,
Luz ao firmamento e deu o azul às ondas do mar
Foi deus que me pôs no peito
Um rosário de penas que vou desfiando e choro a cantar

Fez poeta o rouxinol, pôs no campo o alecrim
Deu as flores à primavera
Ai, e deu-me esta voz a mim

Se canto, não sei o que canto
Misto de ventura, saudade ternura e talvez amor
Mas sei que cantando, sinto mesmo quando
Se tem um desgosto e o pranto no rosto nos deixa melhor.

Foi Deus que deu luz aos olhos, deu o ouro ao sol e a prata ao luar
Foi Deus que me pôs no peito um rosário de penas que vou
Desfiando e choro a cantar





Estranha forma de vida

Foi por vontade de Deus
que eu vivo nesta ansiedade.
Que todos os ais são meus,
Que é toda a minha saudade.
Foi por vontade de Deus.

Que estranha forma de vida
tem este meu coração:
vive de forma perdida;
Quem lhe daria o condão?
Que estranha forma de vida.

Coração independente,
coração que não comando:
vive perdido entre a gente,
teimosamente sangrando,
coração independente.

Eu não te acompanho mais:
para, deixa de bater.
Se não sabes onde vais,
porque teimas em correr,
eu não te acompanho mais.


Não tenho por hábito responder com post's aos desafios dos nosso comentadores. Contudo há comentadores que me merecem muito respeito e consideração. Por isso fiz os post's anteriores, de grandes escritores que mais tarde ou mais cedo (Tolkien desde o berço, Oscar Wilde no leito da morte) se converteram ao Cristianismo e que por isso foram ostracizados (como Chesterton) ou reduzidos até ecaixarem em classes ideológicas (os grupos de maricas tomaram para si Oscar Wilde).

Já este post é de uma mulher que sempre se afirmou cristã e, sendo provavelmente dos maiores íncones da cultura portuguesa, nunca foi de esquerda, contrariando o cliché habitual do artista esquerdófilo.

Oscar Wilde

“E aqui eu viro a minha cara para casa
Pois toda a minha peregrinação está feita
Ainda que, eu acho, ainda ali o sol vermelho
Indica o caminho para Roma sagrada”

“O doente não pergunta se a mão que arranja a almofada é pura, nem o moribundo se importa que os lábios que tocam a sua testa conheceram o pecado (...). E tu pensas que eu passo demasiado tempo a ir à Igreja e nos deveres da Igreja. Mas para onde mais posso eu ir? A casa de Deus é a uncia casa onde os pecadores são bem vindos”

A Woman of No Importance

Tolkien

“Folha ramo, água e pedra: têm tonalidade e beleza de todas essas coisas no crepúsculo de Lórien, que tanto amamos, pois pomos o pensamento de tudo quanto amamos em tudo quanto fazemos”

O Senhor dos Anéis, a Irmandade do Anel


“Por isso, quis que os corações dos Homens procurassem para além do mundo e não econtrassem nele nenhum repouso”

Silmarillion



“Mas creio que nada poderia justificar o casamento com base numa paixoneta de rapaz; e, provavelmente, nada mais teria fortalecido a vontade a ponto de conferir perpetuidade a tal romance (apesar de se tratrar de um caso genuíno de verdadeiro amor).”

Cartas


Chesterton

“Você diz desdenhosamente que quando se deixa Sloane Square se tem que chegar a Victória. Digo-lhe que se poderiam fazer mil coisas diferentes, e ao chegar tenho a sensação de ter escapado por pouco. Quando oiço o revisor gritar Victória dou à palavra o seu sentido”.

O Homem que era Quinta-Feira



“No entanto, você neste momento vê a árvore porque o candeeiro a ilumina. Admirar-me-ia muito se conseguisse ver o candeeiro à luz da árvore”

A Inocência do Padre Brown

“O louco não é o homem que perdeu a razão, mas o homem que perdeu tudo menos a razão”

Ortodoxia


“Uma vara pode adaptar-se a um orifício, ou uma pedra a um buraco, por mero acaso. Mas uma chave e uma fechadura são coisas complexas e se a chave se ajusta à fechadura é porque a chave é a própria”

Ortodoxia

T.S. Eliot

Há quase dois anos fizemos um grande exposição na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa sobre os Gigantes Modernos da Literatura Inglesa. Relembro agora algumas das melhores partes.


“Então pareceu que os homens deviam caminhar da luz para a luz, na luz do Verbo, Através da Paixão e do Sacrifício salvos, apesar do seu ser negativo;
Bestiais como sempre, carnais, centrados em si como sempre, egoístas e obtusos como sempre tinham sido,
Contudo sempre em luta, sempre a reafirmarem, sempre a retomarem a sua marcha no caminho iluminado pela luz;
Parando frequentemente, perdendo tempo, desviando-se, atrasando-se, voltando, mas jamais seguindo outro caminho."

Choruses from “The Rock”



“Eles tentam constantemente fugir
Da escuridão para fora e para dentro
Sonhando com sistemas tão perfeitos que ninguém precise de ser bom.
Mas o homem que é encobrirá
O homem que quer ser. “

Choruses from “The Rock”


“Não nos podemos dar ao luxo de ignorar as crenças filosóficas e teológicas de Dante [...] por outro lado, não somos obrigados a acreditar nelas.”

Ensaios

Já passou um ano...

Passou esta segunda-feira um ano sobre o referendo do aborto. Sobre ele se poderá fazer muitos balanços, com números e estátisticas; com facto e opiniões; com políticas e campanhas. A mim isso não me interessa.

A única coisa que me interessa realmente neste assunto é que, de há um ano para cá, milhares de crianças foram mortas por vontade de quem os devia proteger e pelas mãos de quem os devia salvar. Tudo isto com a aprovação do Estado.

De há um ano para cá, milhares de mulheres, que viram as maternidades e as urgências encerradas, tiverem como única "apoio" à criança que traziam dentro de si uma sala de operações esterilizada.

Isto não é uma questão de política, de religião, de ideologia: é uma realidade bruta e grotesca, onde a vida tem pouco valor. Vale a pena lembrar as palavras de Jesus as mulheres de Jerusalém: "Não chorais por mim, mas por vós mesmas, porque se tratam assim o lenho verde o que farão ao lenho seco?"

"Mais importante que sobreviver é viver como Homens"

A frase que dá título ao post é tirada, de memória confesso, do filme "1984" inspirado no livro de George Orwell. Vi-o no dia de Carnaval e esta frase ficou-me gravada na cabeça. Sobretudo no dia seguinte, dia de jejum e abstinência.

Porque de facto o que nós fazemos hoje em dia é sobreviver: aguentamos as chatices da vida empanturrando-nos depois em momentos de desonctracção. A vida é aborrecida, mas depois vamos beber um copo com os amigos, ou ver um filme com a namorada, ou jogar um jogo no computador.

Mas aquilo que é verdadeiramente humano não é obedecer cegamente ao instinto. O que nos caracteriza como Homens é a capacidade de ajuizar as coisas e o desejo insaciável de Beleza, de Amor, de Justiça.

Por isso é que, ao contrário do que o mundo ensina, é mais humanos fazer sacrificios do que viver para o prazer. O jejum da Quarta-Feira de Cinzas, assim como a penitência, a esmola e os sacrificios da Quaresma, são uma ajuda para nos despojarmo-nos da nossa dependência das coisas e dependemos mais daquele que realmente é resposta a nossa humanidade: Cristo, tudo em todos.

«Cristo fez-Se pobre por vós» (cf. 2 Cor 8, 9)

Já começou a Quaresma. Este é o tempo que nos é dado para, através da penitência, da oração e da confissão nos preparamos devidamente para a morte e ressurreição de Cristo.

Uma das propostas da Igreja que melhor nos ajuda a viver este tempo é a Via-Sacra. Convido-vos a todos a participar na Via-Sacra pelas ruas da Baixa e do Chiado, que se realiza de há uns anos para cá. É todas as Sextas-Feiras da Quaresma, partindo as 21h30 da Igreja da Madalena e acabando na Igreja do Sacramento.

Outra dos "instrumentos" essenciais para a Quaresma é ler a mensagem do Papa, disponível aqui.

sábado, fevereiro 02, 2008

Regicidio


Passaram ontem cem anos sobre o regicídio. Foi no dia 1 de Fevereiro de 1908 que o Rei Dom Carlos desembarcou no Terreiro do Paço com a sua família, regressada de Vila Viçosa. Contrariando a prudência (apenas três dias tinham passado sobre a última tentativa de revolução) decidiu seguir numa carruagem aberta. Decidiu seguir junto do seu povo, daqueles a quem servia. Esta coragem contrasta com a cobardia daqueles que, através de dois fantoches despostos a sacrificarem-se, decidiram vilmente que o rei devia morrer.

Foi na esquina do Terreiro do Paço com a Rua do Arsenal que o Rei e o príncipe herdeiro foram abatidos a tiro. Dois atiradores (consta que haveriam mais) abateram o rei, como se fosse um toiro no matadoiro. Mataram-no sem aviso, sem hipótese de defesa, mataram-no com toda a cobardia típica dos terroristas.

Mas não chegava a morte do suserano, mataram também o príncipe Luís Filipe, que tão galhardamente defendera seu pai. Alia jazia o passado, o presente e o futuro da monarquia. O que sobrava era uma criança assustada, ferida no ombro, que num instante tinha perdido o pai e o irmão.

O regícido não foi o começo do fim da monarquia, esse já tinha começado 80 anos com a vitória do usurpador brasileiro, mas seguramente acelarou o seu fim. Assim, através do sangue de dois inocentes, se construiu uma républica ainda mais sangrenta. Da morte do rei nasceram 16 anos de ditadura, de mortes, de perseguição religiosa, enfim, de ética républicana.

O dia 1 de Fevereiro não devia ser celebrado apenas pelos monárquicos. Os verdadeiros republicanos deviam celebra-lo como o dia da sua vergonha, o dia em que a sua causa ficou para sempre manchada com sangue do rei e de seu filho.