domingo, setembro 14, 2008

Vida de cão.

Cada vez que aparece em qualquer jornal uma noticia sobre uma corrida de toiros é garantido que de seguida haverá uma chorrilho de vozes indignadas. Então se for num jornal on-line, com direito a comentários, é uma festa. Todos dizem que deviam era trocar o toiro com quem o lida e que os aficionados deviam ser presos ou até mesmo torturados e mortos no fim, para aprenderem a não tocar nos pobres animais.

Ser-se contra os toiros faz parte do civismo moderno. Esse mesmo civismo que baniu o fumo dos cafés e que se escandaliza diante dos sacrifícios em Fátima.

Hoje em dia uma pessoa para ser civilizada tem que, por um lado, ser a favor do aborto (são só células), a favor da eutanásia (por uma morte digna), a favor da liberalização das drogas leves (um charro ajuda a fugir dos problemas), a favor do sexo sem restrições (experimenta a tua sexualidade), a favor do casamento das pessoas do mesmo sexo (as pessoas têm o direito a ser felizes).

Por outro lado têm que ser contra a caça, contra os toiros de morte , contra as corridas de toiros em geral, contra os casacos de pele, contra o abate de espécies em vias de extinção que ameaçam a subsistência das populações (como por exemplo os javalis que arrasam campos cultivados), etc.
O homem hoje é suposto ser apenas um par dos animais. A minha geração, que já não acredita em Deus a não ser o criado a sua imagem e semelhança, já não vê o homem como senhor da criação, mas como uma espécie que se desenvolveu mais em certos aspectos. Por isso indigna-se com a morte de um toiro do mesmo modo efusivos como se manifesta pela possibilidade de matar uma criança na barriga da mãe.

Ou seja, no nosso mundo, o homem foi reduzido a um mero animal enquanto o animal foi elevado ao estatuto de humano. Por este andar, daqui a uns anos compensará ter uma vida e cão...

sábado, setembro 13, 2008

Wall-e




Fui ver o novo filme da Pixar, "Wall-e", há já uns bons quinze dias. Na altura não escrevi nada aqui sobre ele por achar que não era um filme "digno" de uma crítica neste blog. Contudo, com o passar do tempo, dei por mim a disser a toda a gente para o ir ver e pensei "ou é de facto bom e portanto ajuízas, ou não é assim tão bom e não chateias mais as pessoas para o irem ver".

Como acho que o filme é realmente bom (não é propriamente o filme da minha vida, nem sequer um filme essencial, mas vale bem os cinco euros) decidi escrever sobre ele.

A primeira coisa que me ocorre é que num tempo em que os filmes, especialmente os de crianças, são cada vez mais feitos para entreter, sempre com muitos efeitos, diálogos e cenas de acção, alguém que arrisca fazer um filme de desenho animados em que pelo menos meia hora não têm diálogo é porque tem realmente alguma coisa para dizer.

O filme conta a historia do último robot da terra, que se limita a limpar as toneladas de lixo que cobrem o nosso planeta. A Terra está completamente desabitada e restam apenas restos de mega lojas, mega bombas de gasolina e mega bancos. Ou seja, o consumo desenfreado levou a que os humanos tivesse que fugir para o espaço.

Dito assim, parece que o filme vai ser todo sobre a ecologia e a maldade dos homens. Mas não, mais do que uma crítica à poluição, o filme é uma crítica à fuga da realidade. Os humanos que aparecem, vivem rodeados de computadores, telefones, anúncios, sem nunca olhar para os outros, sem nunca terem contacto com os outros. Vivem a consumir desenfreadamene, sem pensa ou olhar para nada. Têm todos os luxos possíveis sem saír da sua cadeira (literalmente). Homens que não olham para nada, por isso não se espantam com nada. Homens que vivem para serem entretidos. Acaba por ser um pouco um "Admirável Mundo Novo" versão para crianças.

No meio deste mundo surreal, montado numa nave do espaço, aparece o pequeno robot, que conseguiu sair da terra, atrás do seu amor, Eva. Wall-e (e aqui está a magia do filme, conseguir que um robot que não fala seja completamente expressivo) é o oposto daqueles humanos. Ele deixa-se espantar por tudo. Ele deixa-se encantar pelo "Hello Dolly" ou diverte-se a brincar com um isqueiro. É literalmente uma criança de olhos escancarados.

Mas quando aparece na terra Eva, ele apaixona-se e deixa tudo para ir atrás do seu amor. Esta sua capacidade de deixar todos os seus tesouros, a sua casa, o mundo que conhece e lançar-se sem medo para encontrar aquilo que mais deseja, há de revolucionar a história.

Não sendo um filme extraordinário, Wall-e é um filme bonito, num tempo onde os filmes já não são suposto serem bonitos. Só por isso, vale a pena ver.

terça-feira, setembro 09, 2008

Bem-aventurados

Desde dia 23 de Agosto, dia em que foi assassinado um líder hindu, que os cristãos de Orissa têm sido alvo de grande violência.

Foram precisos 16 dias, 20 mortos, 50000 deslocados, 4000 casas destruídas, religiosas violadas e agredidas para o Público de hoje dedicar meia página a este assunto (menos do que o espaço dedicado a Britney Spears). Nem o facto do Papa ter falado do assunto a 27 de Agosto mereceu reparo deste jornal.

Mas podia não ser uma coisa dramática, se fosse só o Público. O problema é que este jornal foi o único meio de comunicação social português não católico a referir assunto.

Este facto merece dois reparos, que se calhar valiam dois post's.

O primeiro é que de facto a comunicação social em geral branqueia a perseguição de que os cristãos têm sido vítimas em todo o mundo. Durante todos os Jogos Olímpicos não houve uma única referência (quando tanto se falou do Tibete) aos bispos, padres, seminaristas e leigos católicos presos ou mortos pelo Estado chinês. Nenhum jornal ou telejornal falou ainda das perseguições aos cristãos no Iraque, no Vietname e no mundo islâmico em geral.

Os mesmo jornais que todos os dias trazem novas histórias de blasfémias, com sapos em cruzes e terços em imagens pornográficas, os mesmos jornais que têm como colunistas sacerdotes que só sabem escrever contra o Papa e o ensinamentos da Igreja, esses mesmo jornais são incapazes de denunciar 20 mortes e 50 000 mil deslocados em 15 dias.

Segunda questão. Hoje, ao contrário do que os jornais possam transmitir, os cristãos ainda são perseguidos. Na China, na Birmânia, na Arábia Saudita, na Nigéria, no Vietname, no Iraque há cristãos preso e mortos por causa da sua fé. Na terra Santa, entalados entre muçulmanos e judeus, sem nenhum lobby que os proteja, os cristãs vivem uma situação cada vez mais desesperada.

Contudo, a estas perseguições a Igreja responde com fé. Mesmo apesar do perigo, nesses sítios onde os cristão vivem ameaçados, a Igreja não desaparece. Mais uma vez, como de há dois mil anos para cá, a cruz é caminho para a vida.

Rezemos por isso por todos os cristãos que são perseguidos por esse mundo fora. Para que Deus lhes conceda a paz, mas sobretudo, para que Deus lhes conceda a força da fé.

sexta-feira, setembro 05, 2008

Mudança?

Está na moda ter opiniões sobre as eleições dos E.U.A..

Existem, regra geral, duas opiniões: os obamamaniacos, que adoram e veneram o primeiro negro a ter hipóteses de ser presidente da América. A classe bem pensante europeia está rendido a este novo Kennedy.

Por outro lado, há aqueles que acham Barack Obama oco, um orador extraordinário, mas que não têm nada a propor e por isso estão por Maccain.

Agora apareceu uma novidade neste assunto: Sarah Palin, governadora do Alasca, conservadora, pró-vida.

Logo os nosso media e opinion makers se entretiveram a desfazer a candidata republicana â vice-presidência. Desde de seu conservadorismo, até à sua inexperiência, todos os media portugueses garantem dogmaticamente que Maccain escolheu mal.

Esquecem-se este media que foram os cristãos conservadores pró-vida, assim como os americanos patrióticos que acreditam no direito do cidadão de andar armado, que deram por duas vezes a vitória a George W. Bush.

Esquecem-se ainda que todas as críticas sobre a inexperiência da candidata a vice-presidente se viram contra Obama: Sarah Palin foi mayor e é há dois anos governadora do Alasca. Obama nunca ocupou um cargo executivo.

Para além disso, depois do discurso que ela fez na convenção republicana, tornou-se evidente que têm carisma e oratória.

Para acabar. Obama prometeu mudança e escolheu para seu vice um eminência parda de Washington. Maccnain não prometeu nada disso, mas foi buscar uma mulher, jovem, que limpou a corrupção dentro do seu partido no Alasca, para sua número dois.

Vejo-me por isso a discordar dos media portugueses: Maccain não deu um tiro no pé. Maccain deu apenas mais um passo seguro para a vitória.

segunda-feira, setembro 01, 2008

Não abstrair por completo da realidade - JCN in DN, 01/09/08

O Presidente da República devolveu à Assembleia sem promulgação o Decreto n.º 232/X, que aprova o Regime Jurídico do Divórcio. Os argumentos invocados são semelhantes aos que múltiplos juristas, sociólogos e especialistas em temas familiares têm vindo a apresentar nos últimos meses. Mas o Presidente acrescentou uma consideração interessante: "Importa, todavia, não abstrair por completo da consideração da realidade da vida matrimonial no Portugal contemporâneo" (Mensagem do Presidente à Assembleia da República n.º 3).


O problema desta lei é de facto que, embebida em princípios ideológicos e generalizações retóricas, abstrai "por completo" da consideração da realidade contemporânea. A Assembleia proclama ideais, invoca mandamentos, ralha com a sociedade. Só esquece a situação concreta. Como acontece por cá em tantos temas, raramente tão decisivos, temos leis elegantes mas irrealistas.

A finalidade das leis é proteger os fracos. Mas, ao eliminar a possibilidade do divórcio culposo, a Assembleia deixa as vítimas à mercê dos violadores. O Presidente dá-se ao trabalho de explicar em detalhe aos deputados: "Por exemplo, numa situação de violência doméstica, em que o marido agride a mulher ao longo dos anos - uma realidade que não é rara em Portugal -, é possível aquele obter o divórcio independentemente da vontade da vítima de maus tratos. Mais ainda, (...) o marido, apesar de ter praticado reiteradamente actos de violência conjugal, pode exigir do outro o pagamento de montantes financeiros" (n.º 6). "Noutro plano, são retiradas à parte mais frágil ou alvo da violação dos deveres conjugais algumas possibilidades que actualmente detém para salvaguardar o seu "poder negocial", designadamente a alegação da culpa do outro cônjuge ou a recusa no divórcio por mútuo consentimento" (n.º 7). Dificilmente se pode ser mais claro.

A finalidade das leis é defender a liberdade. Porém, o novo regime impõe-se à livre escolha dos esposos: "A circunstância de, mesmo contra a vontade manifestada por ambos os nubentes no momento do casamento, se impor agora na partilha um regime diverso daquele que foi escolhido (a saber, o da comunhão geral de bens), consubstancia, por assim dizer, uma 'revogação retroactiva' de uma opção livre" (n.º 12). As críticas são bastante mais e bastante graves, incluindo a "visão 'contabilística' do matrimónio" subjacente à lei (n.º 10) ou o "aumento dos focos de conflito que o legislador proporcionou" (n.º 11). A mensagem merece ser lida em pormenor.

Perante argumentos tão evidentes, o aspecto mais interessante da discussão é tentar compreender como se pode criar um tal monstro legislativo. Como caem os eminentes deputados da Nação em tais dislates? As reacções ao veto presidencial dão uma pista para o mistério, quando o classificaram de "conservador" e "retrógrado".

Os maiores desastres do século XX foram gerados por pessoas e grupos autonomeados progressistas e donos do futuro. Quando alguém, iluminado pelas forças da modernidade, despreza a realidade que o rodeia como obsoleta e tacanha, impõe sem contemplações as suas opiniões. Então surge o horror. Não é preciso ir longe para encontrar exemplos devastadores deste erro.

Há cem anos, a 3 de Novembro de 1910, Afonso Costa, recém-nomeado ministro da Justiça da jovem República Portuguesa, apresentou a primeira Lei do Divórcio, completada por outras a 25 de Dezembro (que não era Natal, mas "Festa da Família Portuguesa" por decreto da presidência do Governo Provisório de 12 de Outubro). Na altura governava uma pequena elite urbana que se sentia dona do futuro e impunha as suas teorias à massa ignara. O resultado dessa governação foi a maior catástrofe social e económica do Portugal moderno.

Hoje, um grupo de deputados, muitos herdeiros da mesma doutrina, aprova nova Lei do Divórcio, numa Assembleia dominada por um moralismo erótico e laxista, tão sufocante como o oposto. "Importa, todavia, não abstrair por completo da consideração da realidade da vida matrimonial no Portugal contemporâneo.

sábado, agosto 30, 2008

Innanzitutto Uomini

Mary Did You Know? - Mark Lowry



Mary, did you know
That your baby boy will one day walk on water?
Did you know
That your baby boy will save our sons and daughters?
Did you know
That your baby boy has come to make you new?
This child that youve delivered
Will soon deliver you

Mary, did you know
That your baby boy will give sight to a blind man?
Did you know
That your baby boy will calm a storm with his hand?
Did you know
That your baby boy has walked where angels trod?
And when you kiss your little boy
Youve kissed the face of god

Mary, did you know?
The blind will see
The deaf will hear
And the dead will live again
The lame will leap
The dumb will speak
The praises of the lamb

Mary, did you know
That your baby boy is lord of all creation?
Did you know
That your baby boy will one day rules the nations?
Did you know
That your baby boy is heavens perfect lamb?
This sleeping child youre holding
Is the great I am

segunda-feira, agosto 25, 2008

Ou protagonista ou ninguém

Afonso de Albuquerque

Quando esta escrevo a Vossa Alteza
Estou com um soluço que é sinal de morte.
Morro à vista de Goa, a fortaleza
Que deixo à índia a defender-lhe a sorte.

Morro de mal com todos que servi,
Porque eu servi o rei e o povo todo.
Morro quase sem mancha, que não vi
Alma sem mancha à tona deste lodo.

De Oeste a Leste a índia fica vossa;
De Oeste a Leste o vento da traição
Sopra com força para que não possa
O rei de Portugal tê-la na mão.

Em Deus e em mim o império tem raízes
Que nem um furacão pode arrancar...
Em Deus e em mim, que temos cicatrizes
Da mesma lança que nos fez lutar.

Em mais alguém, Senhor, em mais ninguém
O meu sonho cresceu e avassalou
A semente daninha que de além
A tua mão, Senhor, lhe semeou.

Por isso a índia há de acabar em fumo
Nesses doiros paços de Lisboa;
Por isso a pátria há de perder o rumo
Das muralhas de Goa.

Por isso o Nilo há de correr no Egito
E Meca há de guardar o muçulmano
Corpo dum moiro que gerou meu grito
De cristão lusitano.

Por isso melhor é que chegue a hora
E outra vida comece neste fim...
Do que fiz não cuido agora:
A índia inteira falará por mim.

Miguel Torga


O Infante

Deus quer, o homem sonha, a obra nasce
Deus quis que a terra fosse toda uma,
Que o mar unisse, já não separasse.
Sagrou-te, e foste desvendando a espuma,

E a orla branca foi de ilha em continente,
Clareou, correndo, até ao fim do mundo,
E viu-se a terra inteira, de repente,
Surgir, redonda, do azul profundo.

Quem te sagrou criou-te português.
Do mar e nós em ti nos deu sinal.
Cumpriu-se o mar, e o Império se desfez.
Senhor, falta cumprir-se Portugal!

Fernando Pessoa

quarta-feira, agosto 20, 2008

Veto político.

O Presidente da Republica devolveu à AR a alteração à Lei do Divórcio sem a promulgar. Agora das três uma: 1 a AR aprova o documento com maioria absoluta dos deputados em efectividade de funções e o PR é têm que o promulgar; 2 a AR modifica o diploma, alterando os ponto pelo PR e o devolve ao PR que o pode promulgar ou não; 3 a AR deixa cair a lei.

Parece que o presidente Cavaco Silva acordou agora e percebeu qual o seu papel na organização do poder público. É dever do PR velar pelo Estado de Direito. Um regime que permite maiorias absolutas só funciona se o PR desenrolar as suas funções, se não transforma-se numa ditadura, como temos visto desde 2004.

Esperemos agora que o PS, procurando manter uma boa relação institucional com o PR, respeite o veto do Chefe de Estado e que esta lei, que visa atacar e destruir a família (porque, como explica o Professor Antunes Varela, não há família sem casamento) seja enterrada.

sexta-feira, agosto 15, 2008

Jogos Olímpicos

Como já aqui disse antes, os Jogos Olímpicos na China irritam-me. É espantoso ver os líderes do chamado mundo livre bajular a nova super-potência económica.

Mais do que isso, irrita-me esta falsa questão do Tibete, como se o grande problema na China fosse o Tibete. Embora o dalai-lama seja a coqueluche religiosa do mundo Ocidental, a verdade é que com a invasão chinesa os tibetanos só trocaram de déspota. Porque o dalai-lama era mais do que um simples líder religioso, era senhor absoluto do Tibete.

Para mim o problema da China é que é, ao contrário do que os jornais deixam transparecer, uma ditadura repressiva. Enquanto se mostram muito abertos ao capitalismo para os estrangeiro os lideres chineses continuam a escravizar e reprimir grande parte do povo.

Na China não há liberdade. Milhões de pessoas trabalham como escravos a troco de escassos dólares, que lhes são retirado para pagar os alojamentos guardados por homens armados.

Todos os anos desaparecem na China bispos, padres e leigos.

Até a Internet, o mais democrático veículo de informação é controlada na China.

E contudo, todo o mundo aplaude e sorri perante a magnitude dos JO.

A única diferença entre a China e a Coreia do Norte é o dinheiro. De resto são igualmente encarnados...

quinta-feira, agosto 14, 2008

Aljubarrota

Hoje é dia da batalha de Aljubarrota. Nunca é de mais lembrar esta batalha. Graças à coragem e ao génio de poucos (sobretudo do Santo Condestável) conseguimos a independência.

Rezemos ao Beato Nuno de Santa Maria para que, graças a cobardia e estupidez de poucos, não a percamos.

Rogai por nós Bem Aventurado Nuno de Santa Maria
Para que sejamos dignos das promessas de Cristo!

A Flor do Maracujá - Catulo da Paixão Cearense

Encontrando-me com um sertanejo
Perto de um pé de maracujá
Eu lhe perguntei:
Diga-me caro sertanejo
Porque razão nasce roxa
A flor do maracujá?

Ah, pois então eu lhi conto
A estória que ouvi contá
A razão pro que nasci roxa
A flor do maracujá

Maracujá já foi branco
Eu posso inté lhe ajurá
Mais branco qui caridadi
Mais brando do que o luá

Quando a flor brotava nele
Lá pros cunfim do sertão
Maracujá parecia
Um ninho de argodão

Mais um dia, há muito tempo
Num meis que inté num mi alembro
Si foi maio, si foi junho
Si foi janero ou dezembro

Nosso sinhô Jesus Cristo
Foi condenado a morrer
Numa cruis crucificado
Longe daqui como o quê

Pregaro cristo a martelo
E ao vê tamanha crueza
A natureza inteirinha
Pois-se a chorá di tristeza

Chorava us campu
As foia, as ribera
Sabiá também chorava
Nos gaio a laranjera

E havia junto da cruis
Um pé de maracujá
Carregadinho de flor
Aos pé de nosso sinhô

I o sangue de Jesus Cristo
Sangui pisado de dô
Nus pé du maracujá
Tingia todas as flor

Eis aqui seu moço
A estoria que eu vi contá
A razão proque nasce roxa
A flor do maracujá.

quarta-feira, agosto 13, 2008

The Story - Brandi Carlile



All of these lines across my face
Tell you the story of who I am
So many stories of where I've been
And how I got to where I am
But these stories don't mean anything
When you've got no one to tell them to
It's true...I was made for you

I climbed across the mountain tops
Swam all across the ocean blue
I crossed all the lines and I broke all the rules
But baby I broke them all for you
Because even when I was flat broke
You made me feel like a million bucks
Yeah you do and I was made for you

You see the smile that's on my mouth
Is hiding the words that don't come out
And all of my friends who think that I'm blessed
They don't know my head is a mess
No, they don't know who I really am
And they don't know what I've been through like you do
And I was made for you...

All of these lines across my face
Tell you the story of who I am
So many stories of where I've been
And how I got to where I am
But these stories don't mean anything
When you've got no one to tell them to
It's true...I was made for you


É perfeitamente possível reduzir esta música a um mero sentimentalismo. Mas a mim parece-me mais funda do que isso. De facto toda a nossa circunstância seria apenas um conjunto de acontecimentos, toda a nossa vida seria um mero encadeamento de histórias, se não houvesse alguém que lhe desse um significado. Sem encontrar Cristo, então a nossa vida seria nada.

Só Ele desvela e exlica toda a nossa vida. Mas Ele não se encontra no éter, não é uma "força", é um homem concreto, que chega até nós através de pessoas concretas, em momentos concretos.

Tropa de Elite





Fui ontem à noite ver o filme "Tropa de Elite". É um retrato brutal da realidade das favelas do Rio. Por um lado temos bairros que são quase cidades, dominadas pelos traficantes de droga. Por outro lado, um sistema corrupto, onde polícias vendem armas aos traficantes e vendem protecção.

No meio de tudo isto, existe o Batalhão de Operações Especiais da Polícia Militar, o BOPE. Uma força de elite, constituida por incorruptíveis, mas que mata e tortura indescriminadamente para conseguir abater os traficantes.

O que mais me impressionou no filme é sua crueza. O realizador não tentar dar uma lição de moral ou fazer uma análise sociológica (emora me pareça que se perca uma pouco na crítica aos esudantes universitários que criticam a polícia e ajudam nas favelas, ao mesmo tempo que fuma e snifam droga, ajundando assim a sustentar o tráfico), mas limita-se a fazer um retrato da situação.

Uma situação para a qual aparentemente não há solução. Por um lado o sistema está podre e portanto não é possível combater o crime pelos meios normais. Por outro, os meuiso eficazes contra os trafincantes tranformam o polícias em assasínos e torturadores.

A violência gera violência.

Aquilo que falta no filme, porque é aquilo que falta na realidade, é misericórdia. Percebemos, na critica as ONG's que o realizador faz, que uma tentativa de resolução do problema através de erradicação da pobreza não chega. Não são os pobres que sustetam os traficantes, são os ricos que compram a droga.

O que é preciso é alguém que redima todo o mal que ali se passa. Como diz Chieffo:

Lo dicevo tutto il giorno:
questo mondo non è giusto!
E pensavo anche di notte:
questa vita non dà gusto!
E dicevo: è colpa vostra,
o borghesi maledetti,
tutta colpa dei padroni
e noi altri, poveretti!
E noi altri a lavorare
sempre lì nell’officina,
senza tempo per pensare,
dalla sera alla mattina.

Forza compagni,
rovesciamo tutto
e costruiamo
un mondo meno brutto!

Per un mondo meno brutto
quanti giorni e quanti mesi,
per cacciare alla malora
le carogne dei borghesi!
Ma i compagni furon forti
e si presero il potere;
i miei amici furon morti
e li vidi io cadere.

Ora tu dimmi
come può sperare un uomo
che ha in mano tutto
ma non ha il perdono?

Come può sperare un uomo
quando il sangue è già versato,
quando l’odio in tutto il mondo
nuovamente ha trionfato?
C’è bisogno di qualcuno
che ci liberi dal male,
perché il mondo tutto intero
è rimasto tale e quale.

Dizia todo o dia: este mundo não é justo! E até pensava de noite: esta vida não dá gosto! E dizia: é culpa vossa, ó burgueses malditos, toda a culpa é dos patrões e nós, coitados! E nós a trabalharmos sempre ali na fábrica sem tempo para pensar, desde a noite até de manhã. Força companheiros, derrubemos tudo e construamos um mundo menos feio! Para um mundo menos feio quantos dias e quantos meses, para mandar passear os cobardes dos burgueses! Mas os companheiros foram fortes e tomaram o poder; os meus amigos foram mortos e eu vi-os cair. Diz-me tu então como pode esperar um homem que tem tudo na mão mas não tem o perdão? Como pode esperar um homem quando o sangue foi já derramado, quando o ódio em todo o mundo novamente triunfou? É preciso alguém que nos livre do mal porque o mundo inteiro ficou tal e qual.

Estórias da história!

Cheguei há dois dias das minhas férias no norte. Depois das férias do CLu no Gerês, fui até a Covas, uma terra perdida no Minho, perto de Vila Nova de Cerveira, passar uns dias com os meus avós paternos.

Foram bons dias: comer bem, ler, dormir e sobretudo ouvir estórias. Nos cinco dias que passei com os meus avós nunca nos demoramos menos de três horas à mesa (ao jantar regra geral eram quatro).

Fiquei a saber como os meus avós se conheceram, estórias de namoros antigos, manias da família. Mas mais importante foi a história que aprendi ou que relembrei.

Durante estes dias fiquei a saber como o meu bisavô, Zé Maria Duque, foi preso três vezes na 1ª Republica, sem nenhuma razão que não fosse ser católico e monárquico. Ouvi descrever a esconça cela onde estava preso, com mais vinte pessoa, onde a noção de saneamento era um buraco no chão, para onde tinham que atirar as montanhas de percevejos que invadiam a cela.

Descobri como num dia ele foi metido numa camioneta com mais uns quantos presos, que foram sumariamente executados, escapando-se ele e mais uma ou dois, que conseguiram fugir. Ouvi contar como ele foi brutalmente espancado pela polícia, com espadas e cacetes, até não conseguir desentrelaçar as mão que tinha juntado para proteger a cabeça.

Também neste dias fiquei a saber como três militares armados de G-3 bateram a casa dos meus avós as 5h30 para levar para interrogatório dois miúdos de 15 e 16 anos, cujo o único delito foi arrancar cartazes do PC após o 25 de Abril.

Impressionou-me ouvir como dois homens sebosos revistaram uma casa à procura de um miúdo de 18 anos que tinha o azar de pertencer a um partido de direita.

Fiquei orgulhos ao ouvir narrar como o povo cristão defendeu o Patriarca.

Ao pensar nisto percebi a razão pela qual este regime tenta acabar com a família. Porque enquanto houver família será impossível branquear a história. Enquanto estas estórias, que no fundo são pedaços da história, forem contadas de geração em geração, será impossível massificar todo o povo.

Por isso escrevo estas linhas, para que todos os que as lerem não se esqueçam de que essas duas grandes datas deste regime (o 5 de Outubro e o 25 Abril) são símbolo de repressão e perseguição política!

quarta-feira, julho 16, 2008

D. António dos Reis Rodrigues

Discurso de D. António dos Reis Rodrigues na apresentação dos seus livros sobre Doutrina Social da Igreja
Universidade Católica
080714

Começo por manifestar a minha profunda gratidão ao Senhor Reitor desta Universidade Católica pela extrema gentileza com que acaba de se referir àquilo que, na sua opinião, eu sou e por outro lado valho pelas coisas que escrevi, algumas das quais são agora reeditadas pela primeira vez, graças às edições Principia e muito particularmente ao Senhor Dr. Henrique Mota. A Vossa Excelência, Senhor Reitor, manifesto a minha gratidão, que não é só de agora, mas tem sido confirmada com as inumeráveis gentilezas que lhe devo, como esta de hoje, que muito me comove. E ao Dr. Henrique Mota agradeço também a sua iniciativa, que nasceu de uma velha amizade que não tem preço. Ao Senhor Reitor e ao Dr. Henrique Mota a minha gratidão.
E permitam que acrescente mais duas palavras.

Um dia, quando Jesus iniciou a sua pregação, encontravam-se a ouvi-lo dois discípulos que O haviam seguido. E o Senhor voltou-Se e, notando que eles O não largavam, perguntou-lhes: “Que pretendeis?” E eles responderam: “Mestre, onde é que moras?” Jesus respondeu-lhes. “Vinde e vereis”. Os discípulos seguiram-nO e viram aonde onde Aquele com quem falavam residia. Ficaram com ele nessa tarde e, desde então, para o futuro.

André era um dos que O seguiram. Encontrou primeiro o seu irmão Simão e disse-lhe: “Encontrámos o Messias”. Levou-o até Jesus, o qual, fixando nele o seu olhar, declarou: “Tu és Simão, o filho de João. Hás-de chamar-te Cefas”, que significa Pedro. Este Simão, este Cefas, veio a ser o primeiro Papa.

Estavam assim encontrados os dois primeiros discípulos. Outros, pouco a pouco, vieram, até constituírem os doze Apóstolos, chamando-se uns aos outros, com este simples convite, que era para qualquer um deles uma aventura: “Vinde e vereis”. E com estas palavras nasceu a Igreja.

Foi este chamamento que, à distância de tantos anos, eu também, surpreendentemente, ouvi: “Vem e verás!” Larguei o que tinha e, sem nada, apresentei-me no Seminário e, depois, servi onde o meu Prelado, os senhores Cardeal Cerejeira e depois o Cardeal António Ribeiro, que lembro todos os dias, tinham necessidade da minha presença. Anos depois, com estranheza minha, fui Bispo, onde continuei a servir a Igreja. E hoje, com noventa anos, continuo a servir a Igreja, como penso que sempre a servi, com as graças que Jesus me tem dado ao longo de uma vida inteira, deixando de lado os meus pecados e a triste consequência da miséria que nasce deles.

Foge-me o tempo e muito apreciaria, agora que já não sirvo para o ministério, publicar mais algumas páginas, a somar às que já foram tornadas públicas. O que não fiz na minha vida activa seria compensado com o trabalho que eu ainda poderia ter. Mas todos os dias me vem faltando a saúde e penso, a cada momento, que me aproximo da morte. “A terra produz por si, primeiro o caule, depois a espiga e, finalmente, o trigo perfeito na espiga. E, quando o fruto amadurece, logo ele lhe mete a foice, porque chegou o tempo da ceifa” (Mc. 4, 28-29).

Que posso mais dizer? O meu espírito abre-se de novo ao futuro, mas o futuro a Deus pertence. Talvez Deus tenha para mim algumas páginas ainda por escrever, apesar do peso dos anos que vou tendo.

Muito obrigado!
(via Povo)

Il seme

02 Il Seme.wma


Il Signore ha messo un seme
nella terra del mio giardino.
Il Signore ha messo un seme
nel profondo del mio mattino.

Io appena me ne sono accorto
sono sceso dal mio balcone
e volevo guardarci dentro,
e volevo vedere il seme.

Ma il Signore ha messo il seme
nella terra del mio giardino.
Il Signore ha messo il seme
all’inizio del mio cammino.

Io vorrei che fiorisse il seme,
io vorrei che nascesse il fiore,
ma il tempo del germoglio
lo conosce il mio Signore.

Il Signore ha messo un seme
nella terra del mio giardino.
Il Signore ha messo un seme
nel profondo del mio mattino.

O Senhor colocou uma semente na terra do meu jardim. O Senhor colocou uma semente no fundo da minha manhã. Eu, logo que me dei conta, desci da minha varanda e queria vê-la por dentro, e queria ver a semente. Mas o Senhor colocou a semente na terra do meu jardim. O Senhor colocou a semente no início do meu caminho. Eu queria que a semente desse flor, eu queria que a flor nascesse, mas o tempo da germinação conhece-o o meu Senhor. O Senhor colocou uma semente na terra do meu jardim. O Senhor colocou uma semente no fundo da minha manhã.

segunda-feira, julho 14, 2008

Do it, but do it well

Hoje foi publicada uma notícia no DN que nos conta que vão passar a distribuir preservativos e pílulas, sem qualquer consulta (desde que a pessoa tenha ido ao médico no ano anterior) e inclusivamente, entregar estes meio anti-concepcionais por terceiros.

Sobre isto há duas coisas urgente para se dizer:

Primeiro, num tempo em que se fala cada vez mais das gravidezes na adolescência e das família monoparentais, os nossos doutos governantes continuam a gastar rios de dinheiro em campanhas e planos para que todos tenham acesso à pílula e ao preservativo (assim como ao aborto).

Ao mesmo tempo esses mesmo governantes, assim como os opinion-makers cá do burgo, felicitam-se pelo fim do que eles chamam "tabu" à volta do sexo. O fim desse tabu consiste em incentivar todas as crianças com idade para o fazer a ter relações sexuais.

Estando no outro dia na faculdade à conversa com uns amigos percebi que dizer a alguém que era "virgem" era um insulto. Assim como nos contam que nos tempos dos nossos pais o sexo era segredo, parece que hoje a virgindade também o é.

Todas as campanhas de prevenção da gravidez e das DST's partem do principio que os jovens (e os adolescentes) são sexualmente activos. É isso que é normal nos nossos das. Assim não se surpreendam que aumentem as gravidezes na adolescência, as famílias monoparentais, os abortos e as DST's.

O segundo ponto é da distribuição de métodos anti-concepcionais sem consulta médica ou por terceiros. Isto é, antes de mais, dizer que os pais não tem uma palavra a dizer sobre a vida intima do seu filho. Nenhum pai tem que saber o que seu filho faz ou não.

É preciso que o pai saia quantas vezes o filho falta às aulas, se o filho vai numa viagem de estudo ou não, mas não lhe diz respeito se o filho anda por aí a fazer filhos ou não.

Segundo ponto, é o perigo que é distribuir pílulas a mulheres (pelos visto, inclusivamente menores) sem explicar as contra-indicações. Se saber se a mulher é ao não saúdavel. Sem sabe se há alguma problema em ela tomar a pílula. É simplesmente irresponsável.

Enquanto a resposta aos problemas sexuais for incentivar ao sexo despejando por cima preservativos e pílulas, ele não vai melhorar, só vai piorar.

quinta-feira, julho 10, 2008

Nelson


O Almirante Lorde Nelson.
Abbott - National Portrait Gallery

Nelson

João César das Neves
Destak 10.07.2008


Portugal está em crise. Porquê? Como saímos disto? Uma frase clássica ajuda a encontrar a resposta. No dia 21 de Outubro de 1805 o vice-almirante Horatio Nelson, poucos minutos antes da histórica batalha naval de Trafalgar, enviou um sinal a toda a frota britânica: «A Inglaterra espera que cada homem cumpra o seu dever.»A razão por que estamos nestas dificuldades é que nem todos cumprem o seu dever. A crise nasce daquelas situações em que o Governo não governa, os trabalhadores não trabalham, os patrões não investem, os professores não ensinam, os médicos não curam, os polícias não protegem, os cidadãos não votam, os contribuintes não pagam. Os povos, como as pessoas, têm épocas de dedicação e entrega e outras de egoísmo e mesquinhez. Nos períodos de guerra e dificuldades, a sociedade inteira vive extremos de sacrifício para defender a integridade nacional. Mas em momentos de decadência, a comunidade cai na modorra e na esclerose corporativa, onde o bem comum se perde em reivindicações de grupos. Após 1974, Portugal viveu duas décadas de intenso compromisso comunitário. Primeiro para construir a democracia, depois para vencer o desafio europeu, a generalidade dos cidadãos suportou sacrifícios e fez esforços para melhorar o estado geral. Depois, como seria de esperar, sobreveio a atitude interesseira, invejosa, fragmentária e abandon ou-se o saudável clima de esforço comum. Hoje, em vez de se ouvir que beneficiando o todo cada um ganha, afirma-se que favorecer-se a si próprio dá vantagens à comunidade. Esta inversão faz toda a diferença.