quarta-feira, fevereiro 13, 2008

Tolkien

“Folha ramo, água e pedra: têm tonalidade e beleza de todas essas coisas no crepúsculo de Lórien, que tanto amamos, pois pomos o pensamento de tudo quanto amamos em tudo quanto fazemos”

O Senhor dos Anéis, a Irmandade do Anel


“Por isso, quis que os corações dos Homens procurassem para além do mundo e não econtrassem nele nenhum repouso”

Silmarillion



“Mas creio que nada poderia justificar o casamento com base numa paixoneta de rapaz; e, provavelmente, nada mais teria fortalecido a vontade a ponto de conferir perpetuidade a tal romance (apesar de se tratrar de um caso genuíno de verdadeiro amor).”

Cartas


Chesterton

“Você diz desdenhosamente que quando se deixa Sloane Square se tem que chegar a Victória. Digo-lhe que se poderiam fazer mil coisas diferentes, e ao chegar tenho a sensação de ter escapado por pouco. Quando oiço o revisor gritar Victória dou à palavra o seu sentido”.

O Homem que era Quinta-Feira



“No entanto, você neste momento vê a árvore porque o candeeiro a ilumina. Admirar-me-ia muito se conseguisse ver o candeeiro à luz da árvore”

A Inocência do Padre Brown

“O louco não é o homem que perdeu a razão, mas o homem que perdeu tudo menos a razão”

Ortodoxia


“Uma vara pode adaptar-se a um orifício, ou uma pedra a um buraco, por mero acaso. Mas uma chave e uma fechadura são coisas complexas e se a chave se ajusta à fechadura é porque a chave é a própria”

Ortodoxia

T.S. Eliot

Há quase dois anos fizemos um grande exposição na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa sobre os Gigantes Modernos da Literatura Inglesa. Relembro agora algumas das melhores partes.


“Então pareceu que os homens deviam caminhar da luz para a luz, na luz do Verbo, Através da Paixão e do Sacrifício salvos, apesar do seu ser negativo;
Bestiais como sempre, carnais, centrados em si como sempre, egoístas e obtusos como sempre tinham sido,
Contudo sempre em luta, sempre a reafirmarem, sempre a retomarem a sua marcha no caminho iluminado pela luz;
Parando frequentemente, perdendo tempo, desviando-se, atrasando-se, voltando, mas jamais seguindo outro caminho."

Choruses from “The Rock”



“Eles tentam constantemente fugir
Da escuridão para fora e para dentro
Sonhando com sistemas tão perfeitos que ninguém precise de ser bom.
Mas o homem que é encobrirá
O homem que quer ser. “

Choruses from “The Rock”


“Não nos podemos dar ao luxo de ignorar as crenças filosóficas e teológicas de Dante [...] por outro lado, não somos obrigados a acreditar nelas.”

Ensaios

Já passou um ano...

Passou esta segunda-feira um ano sobre o referendo do aborto. Sobre ele se poderá fazer muitos balanços, com números e estátisticas; com facto e opiniões; com políticas e campanhas. A mim isso não me interessa.

A única coisa que me interessa realmente neste assunto é que, de há um ano para cá, milhares de crianças foram mortas por vontade de quem os devia proteger e pelas mãos de quem os devia salvar. Tudo isto com a aprovação do Estado.

De há um ano para cá, milhares de mulheres, que viram as maternidades e as urgências encerradas, tiverem como única "apoio" à criança que traziam dentro de si uma sala de operações esterilizada.

Isto não é uma questão de política, de religião, de ideologia: é uma realidade bruta e grotesca, onde a vida tem pouco valor. Vale a pena lembrar as palavras de Jesus as mulheres de Jerusalém: "Não chorais por mim, mas por vós mesmas, porque se tratam assim o lenho verde o que farão ao lenho seco?"

"Mais importante que sobreviver é viver como Homens"

A frase que dá título ao post é tirada, de memória confesso, do filme "1984" inspirado no livro de George Orwell. Vi-o no dia de Carnaval e esta frase ficou-me gravada na cabeça. Sobretudo no dia seguinte, dia de jejum e abstinência.

Porque de facto o que nós fazemos hoje em dia é sobreviver: aguentamos as chatices da vida empanturrando-nos depois em momentos de desonctracção. A vida é aborrecida, mas depois vamos beber um copo com os amigos, ou ver um filme com a namorada, ou jogar um jogo no computador.

Mas aquilo que é verdadeiramente humano não é obedecer cegamente ao instinto. O que nos caracteriza como Homens é a capacidade de ajuizar as coisas e o desejo insaciável de Beleza, de Amor, de Justiça.

Por isso é que, ao contrário do que o mundo ensina, é mais humanos fazer sacrificios do que viver para o prazer. O jejum da Quarta-Feira de Cinzas, assim como a penitência, a esmola e os sacrificios da Quaresma, são uma ajuda para nos despojarmo-nos da nossa dependência das coisas e dependemos mais daquele que realmente é resposta a nossa humanidade: Cristo, tudo em todos.

«Cristo fez-Se pobre por vós» (cf. 2 Cor 8, 9)

Já começou a Quaresma. Este é o tempo que nos é dado para, através da penitência, da oração e da confissão nos preparamos devidamente para a morte e ressurreição de Cristo.

Uma das propostas da Igreja que melhor nos ajuda a viver este tempo é a Via-Sacra. Convido-vos a todos a participar na Via-Sacra pelas ruas da Baixa e do Chiado, que se realiza de há uns anos para cá. É todas as Sextas-Feiras da Quaresma, partindo as 21h30 da Igreja da Madalena e acabando na Igreja do Sacramento.

Outra dos "instrumentos" essenciais para a Quaresma é ler a mensagem do Papa, disponível aqui.

sábado, fevereiro 02, 2008

Regicidio


Passaram ontem cem anos sobre o regicídio. Foi no dia 1 de Fevereiro de 1908 que o Rei Dom Carlos desembarcou no Terreiro do Paço com a sua família, regressada de Vila Viçosa. Contrariando a prudência (apenas três dias tinham passado sobre a última tentativa de revolução) decidiu seguir numa carruagem aberta. Decidiu seguir junto do seu povo, daqueles a quem servia. Esta coragem contrasta com a cobardia daqueles que, através de dois fantoches despostos a sacrificarem-se, decidiram vilmente que o rei devia morrer.

Foi na esquina do Terreiro do Paço com a Rua do Arsenal que o Rei e o príncipe herdeiro foram abatidos a tiro. Dois atiradores (consta que haveriam mais) abateram o rei, como se fosse um toiro no matadoiro. Mataram-no sem aviso, sem hipótese de defesa, mataram-no com toda a cobardia típica dos terroristas.

Mas não chegava a morte do suserano, mataram também o príncipe Luís Filipe, que tão galhardamente defendera seu pai. Alia jazia o passado, o presente e o futuro da monarquia. O que sobrava era uma criança assustada, ferida no ombro, que num instante tinha perdido o pai e o irmão.

O regícido não foi o começo do fim da monarquia, esse já tinha começado 80 anos com a vitória do usurpador brasileiro, mas seguramente acelarou o seu fim. Assim, através do sangue de dois inocentes, se construiu uma républica ainda mais sangrenta. Da morte do rei nasceram 16 anos de ditadura, de mortes, de perseguição religiosa, enfim, de ética républicana.

O dia 1 de Fevereiro não devia ser celebrado apenas pelos monárquicos. Os verdadeiros republicanos deviam celebra-lo como o dia da sua vergonha, o dia em que a sua causa ficou para sempre manchada com sangue do rei e de seu filho.

quinta-feira, janeiro 31, 2008

Canção de Embalar - Zeca Afonso



Dorme meu menino a estrela d'alva
Já a procurei e não a vi
Se ela não vier de madrugada
Outra que eu souber será p'ra ti

Outra que eu souber na noite escura
Sobre o teu sorriso de encantar
Ouvirás cantando nas alturas
Trovas e cantigas de embalar

Trovas e cantigas muito belas
Afina a garganta meu cantor
Quando a luz se apaga nas janelas
Perde a estrela d'alva o seu fulgor

Perde a estrela d'alva pequenina
Se outra não vier para a render
Dorme qu'inda a noite é uma menina
Deixa-a vir também adormecer


Como diria o pai de uma amiga minha, o tipo era um "ganda" comunista, mas era mais muito mais bom cantor do que era comunista...

Novo Bispo em Lisboa

"Bento XVI nomeou Bispo Auxiliar do Patriarcado de Lisboa D. Joaquim Augusto da Silva Mendes, de 59 anos, até agora Director da Escola Salesiana de Manique."
Agência Ecclesia


Rezemos pelo nosso novo pastor a Deus Nosso Senhor, para que Ele lhe conceda forças na sua nova missão e seja para todos nós testemunho real da presença de Cristo.

Semper Fidelis!

O Rei morreu, viva os assasinos!

Diz o DN de hoje que o Ministro da Defesa proibiu a participação das Forças Armadas nas celebrações do centenário do regícidio. Justifica o ministro esta decisão pelo facto de as celebrações revestirem um cariz político particular.

Este é mais um acto de cobardia do governo e de demonstração de falta de maturidae politica do Estado Republicano. Parece que, para se ser republicano, não se pode condenar o regicidio ou o 5 de Outubro.

Mas a verdade é que o regícidio foi um acto de terrorismo político, levado a cabo por organizações secretas (Carbonária e Maçonaria) contra o legítimo Chefe de Estado de Portugal e a sua família. Foi uma acto de cobardia e de vergonha: homem armados, aramados e preparados por organizações terroristas, abateram o Rei Dom Carlos e o seu filho mais velho, equanto eles seguiam com a restante familia numa carruagem descoberta.

A incapacidade do Estado Republicano em condenar esta acontecimento, é a prova de que, mesmo passado cem anos, ainda não conseguem separar diferenças ideológicas dos meios usados para afirmar a républica.

Um assasínio raramente é legitimo. O assasínio de um chefe de estado só é compreensível se ele for um tirano sanguinário que oprime e persegue o povo. Não era o caso. Por isso, mesmo numa républica, o assasinio de um rei legítimo deve ser condenado pelo Estado.

Quem tácitamente aprova actos de terrorismo, especialmente actos de terrorismo apadrinhados por organizações que ainda hoje existem, está a habilitar-se a que lhe aconteça o mesmo...

quarta-feira, janeiro 23, 2008

Haja saúde!

Li agora num blog que ontem, no Prós e Contras, a professora Fátima Bonifácio terá dito qualquer coisa como "não vale a deixar de comer tripas para viver mais uns dias". Esta frase lembrou-me uma conversa que tive hoje, enquanto passeava por Belém.

Está a criar-se entre nós um mito da "vida saudável", de como para se ser feliz é necessários comer saudavelmente, não fumar e beber chá verde ou qualquer tisana oriental sucedânea. Os ginásios estão cada vez mais cheios e pululam por aí os restaurantes de comida saudável, com saladas cada vez mais exóticas e produtos cada vez mais carregados de coisas que nós nunca ouvimos falar, mas que são essenciais para a nossa saúde. O corpo passou a ser uma obsessão!

Ora eu, obeso, fumador e amante da boa mesa, confesso que não me revejo neste mitos. Parece-me importante que se cuide da saúda, como é evidente, mas tal como a professora Fátima Bonifácio prefiro uma boa feijoada a adiar mais umas horas o encontro com o Senhor.

Temos o dever de cuidar da nossa saúde, mas não de viver para ela. A morte não é nossa inimiga, por isso não vejo necessidade de adiá-la o mais possível, privando-me assim de uma vida agradável.

Numa sociedade sem Deus, é preciso acreditar que somos donos do nosso destino. Ter a aparência de um semi-deus grego parece equivaler ao ideal de realização moderna: sexo, fama e dinheiro. O que é preciso é "saúde", ouvimos nós todos os dias.

Pois eu não quero viver para sempre, nem sequer tenho o arrojo de me considerar dono da minha vida. Por isso tento preservar a saúde que Deus me concedeu, mas prefiro gastar parte dela à semelhança do meu Senhor, em jantaradas com os meu amigos, sinal da Sua presença na minha vida, a preservá-la sozinho no ginásio agarrado ao meu i-pod!

domingo, janeiro 20, 2008

I am a rock - Simon & Garfunkel



A winters day
In a deep and dark december;
I am alone,
Gazing from my window to the streets below
On a freshly fallen silent shroud of snow.
I am a rock,
I am an island.
Ive built walls,
A fortress deep and mighty,
That none may penetrate.
I have no need of friendship; friendship causes pain.
Its laughter and its loving I disdain.
I am a rock,
I am an island.

Dont talk of love,
But Ive heard the words before;
Its sleeping in my memory.
I wont disturb the slumber of feelings that have died.
If I never loved I never would have cried.
I am a rock,
I am an island.

I have my books
And my poetry to protect me;
I am shielded in my armor,
Hiding in my room, safe within my womb.
I touch no one and no one touches me.
I am a rock,
I am an island.

And a rock feels no pain;
And an island never cries.


Só se magoa, que se empenha com a vida. Quem passa a vida como mero espectador, não se magoa, são sofre. Contudo, também não vive!

sexta-feira, janeiro 18, 2008

Semper Fidelis!

STUDENTI CIELLINI: «IMBAVAGLIATI» - Ma gli studenti dei collettivi che nei giorni scorsi hanno protestato contro l'intervento del Papa non sono i soli a manifestare. I giovani che fanno capo al gruppo di destra Azione universitaria si sono riuniti a piazza della Minerva inneggiando cori contro rettore e ministro dell'Istruzione e elevando striscioni con le scritte «Mussi buffone giù dal seggiolone», «Mussi vergogna, vergogna. Guerini dimissioni, dimissioni», «Il Papa se ne va i baroni restano». Gli studenti di Comunione e Liberazione si sono presentati imbavagliati durante la cerimonia di inaugurazione dell'Anno Accademico. «Il senso della nostra protesta è chiaro, ci hanno imbavagliato e non ci hanno permesso di parlare» ha detto uno degli studenti ciellini. «La rinuncia del Papa è un attacco alla laicità dello Stato, perchè uno Stato laico deve garantire la sicurezza e il diritto di parola ad un rappresentante di uno Stato estero - ha continuato Matteo Fanelli - la protesta è stata costruita su una menzogna, su una frase ad effetto su Galileo che non è vera. Non solo gruppi cattolici ma molti studenti normali sono indignati per questo fatto che è di una gravità inaudita».

Ainda sobre La Sapienza.

Ainda sobre a não-visita do Papa à Universidade La Sapienza vale a pena ler:

- O discurso que o Papa ia fazer, disponível na Radio Vaticano.

- O juizo dos universitários de Comunhão e Libertação da Universidade de La Sapienze, disponível no site internacional de Comunhão e Libertação, que anteontem acolheram o Papa na audiência geral com gritos de "Liberdade, liberdade".

- Esta notícia e esta do Zenit.

- O artigo de José Manuel Fernandes sobre o assunto disponível nos Incontinentes Verbais.

quinta-feira, janeiro 17, 2008

Comunicado de Imprensa de Comunhão e Libertação

Foi possível aos Papas falarem em todos os lugares do mundo (Cuba, Nicarágua, Turquia, etc.). O único lugar lugar onde o Papa não pode fala é La Sapienza, a Universidade fundada, no fim de contas, por um Papa.
Isto trouxe ao de cima dois factos extremamente graves:

1)A incapacidade do Governo Italiano de garantir o direito de expressão em território Italiano de Chefe de Estado estrangeiro, Bispo de Roma, e guia espiritual de um bilião de pessoas. Por outro lado, pequenos grupos encontram apoio inclusivamente institucional para impedir a vasta maioria espera e deseja.

2)A ruína cultural da universidade italiana que torna possível para um ateneu como La Sapienza transformar-se num esgoto ideológico.

Como cidadãos e como Católicos estamos indignados com o que aconteceu e muito tristes por Bento XVI, ao qual nos sentimos ainda mais unidos, sabendo-o defensor – em virtude da sua fé – da razão e da liberdade.

Gabinete de Imprensa de Comunhão e Libertação, 15 de Janeiro de 2008

La sapienza?

Sobre os incidentes que impediram o Papa de visitar a Universidade La Sapienza foram já escritas coisas muitos boas e importantes, que iremos tentar publicar. Contudo houve uma coisa que a mim me tocou especialmente nesta "vergonha" para todos os universitários: é que uma quantidade de universitários, de gente que estuda, que investiga, que lê se tenha deixado levar por uma citação descontextualizada.

Somos cada vez a geração do "Toda a gente sabe" e do que "Está mais que cientificamente provado". Uma geração cujo o conhecimento começa no Google e acaba nos blog's. Nenhum daqueles que se manifestou contra a ida de Sua Santidade a uma universidade fundada por um seu predecessor se deu ao trabalho de ir ler o discurso citado, limitou-se a aceitar como dada definitivo um panfleto distribuído na Universidade.

E assim a Universidade se vai tornando num lugar de alienação e não de conhecimento. Este é resultado de décadas de ensino laico, baseado em ideologias, mais ocupado em provar pontos de vista do que em descobrir a Verdade.

A Universidade deixou de ser o local onde os mestres ensinam os alunos e passou um viveiro técnicos opinativos, que nunca leram nada mais do que as páginas estritamente necessárias para passar o ano!

Dia da Família Cristã

No passado dia 30 de Dezembro, na Plaza Colón, em Madrid, centenas de milhares de pessoas (um milhão e meio de pessoas segundo os organizadores) participaram no encontro "Por la familia cristiana" presidido pelo cardeal de Madrid, Rouco Varela e que contou com uma mensagem especial de Bento XVI no decorrer do Angelus ao meio dia a partir da praça de S. Pedro.

A estranheza da enorme adesão é comentada neste artigo pelo padre Julián Carrón, presidente da Fraternidade de Comunhão e Libertação, publicado no jornal El Mundo de sábado passado.





«O estranho facto de uma celebração pela família

Julián Carrón

Estamos perante um facto estranho. Indiscutível. A convocatória para a celebração deste domingo na Plaza Colón de Madrid suscitou um movimento de adesão em muitíssimas pessoas que quiseram reunir-se gozosas para expressar publicamente o bem que significa para eles a família. Não deveríamos menosprezar esta resposta.

Desde há décadas que continuamente recebemos mensagens que vão na direcção oposta: muitas séries de televisão, filmes e muita literatura convidam ao contrário. Ante esse impressionante emprego de meios, o normal seria que a família tivesse deixado de interessar. Porém, há algo que temos que reconhecer quase surpreendidos: essa impressionante maquinaria não mostrou ser mais potente que a experiência elementar que cada um de nós viveu na sua família, a experiência de um bem. Um bem de que estamos agradecidos e que queremos transmitir a nossos filhos e partilhar.

De onde nasceu este bem do qual estamos tão agradecidos? Da experiência cristão. Nem sempre foi assim, como testemunha a reacção dos discípulos a primeira vez que ouviram Jesus falar do matrimónio. " E aproximaram-se d'Ele alguns fariseus para o porem à prova, dizendo: "É lícito a um homem divorciar-se de sua mulher por qualquer motivo?". E, respondendo, Ele disse: "Não lestes que, no princípio, aquele que os criou os fez homem e mulher?". E acrescentou: "Por esta razão o homem deixará seu pai e sua mãe e se unirá a sua mulher e os dois serão uma só carne. Por conseguinte, já não são dois, mas uma só carne. Portanto, o que Deus uniu nenhum homem pode separar". Os discípulos disseram: " Se é assim a relação do homem com a mulher, não convém casar-se (Mt 19, 3-6,10).

Não temos, pois, que nos surpreender.

O mesmo que a tantos de nossos contemporâneos e muitas vezes mesmo a nós próprios, aos discípulos também lhes parecia impossível. Só a graça de Jesus Cristo tornou possível viver a natureza original da relação entre homem e mulher.

É importante olhar para esta origem para poder responder aos desafios que temos que enfrentar. Os católicos não são diferentes dos outros; muitos de nós temos problemas na vida familiar.

Constatamos com dor como entre nós há numerosos amigos que não perseveram perante as numerosas dificuldades externas e internas que atravessam. Mesmo entre nós não nos basta saber a verdadeira doutrina sobre o matrimónio para poder resistir a todas as tentações da vida. Recorda-nos o Papa: "As boas estruturas ajudas, mas por si sós não bastam. O homem nunca pode ser redimido somente a partir do exterior (Spe Salvi, 25).

Necessitamos fazer nosso o que recebemos para poder vivê-lo na nova situação que se nos depara, como nos convida Goethe: "O que herdaste dos teus antepassados/deves reconquistá-lo de novo/para verdadeiramente o possuir".

Para reconquistar de novo a experiência da família necessitamos aprender que "a questão da justa relação entre o homem e a mulher funde as suas raízes na essência mais profunda do ser humano e só pode encontrar a sua resposta a partir desta", como disse Bento XVI. Com efeito, a pessoa amada revela-nos o "mistério eterno do nosso ser".

Nada nos desperta tanto e nos faz tão conscientes do desejo de felicidade que nos constitui como o ser querido. A sua presença é um bem tão grande que nos faz cair na conta da profundidade e verdadeira dimensão deste desejo: um desejo infinito. As palavras de Cesare Pavese sobre o prazer podem aplicar-se à relação amorosa: "O que um homem busca no prazer é um infinito, e ninguém jamais renunciaria à esperança de conseguir esta infinitude". Um eu e um tu limitados suscitam-se reciprocamente um desejo infinito e descobrem-se lançados pelo seu amor a um destino infinito. Nesta experiência desvela-se a ambos a sua vocação.

Por isso os poetas viram na formosura da mulher um "raio divino", quer dizer, um sinal que remete mais além, para outra coisa maior, divina, incomensurável em realação à sua natureza limitada. A sua beleza grita ante nós: "Não sou eu. Eu sou só um sinal. Olha! Olha! Quem te recordo?". Com estas palavras o génio de C. S. Lewis sintetizou a dinâmica do sinal da qual a relação entre o homem e a mulher constitui um exemplo comovedor. Se não compreende tla dinâmica, o homem sucumbe ao erro de deter-se na realidade que suscitou o desejo. Então a relação acaba por tornar-se insuportável.

Como dizia Rilke, "este é o paradoxo do amor entre o homem e a mulher: dois infinitos encontram-se com dois limites. Dois infinitamente necessitados de ser amados, encontram-se com duas frágeis e limitadas capacidades de amar. E é só no horizonte de um amor maior que não se devoram em pretensão, nem se resignam, antes caminham juntos até uma plenitude da qual o outro é sinal".

Nesta situação pode-se compreender a proposta inaudita de Jesus para que a mais bela experiência da vida, enamorar-se, não decaia até se converter numa pretensão sufocante. "Quem ama a seu pai e sua mãe mais do que a mim, não é digno de mim; o que ama o seu filho ou a sua filha mais do que a mim, não é digno de mim. Aquele que tentar salvar a sua vida, perdê-la-á; aquele que a perder por minha causa, reencontrá-la-á" (Mt 10, 34-37, 39-40). Com estas palavras Jesus desvela o alcance da esperança que a sua pessoa constitui para quem o deixa entrar na sua vida. Não se trata de uma ingerência nas relações mais íntimas, mas da maior promessa que o homem alguma vez pôde receber: sem amar a Cristo – a Beleza feita carne – mais do que à pessoa amada essa relação murchará. Ele é a verdade dessa relação, a plenitude a que os dois mutuamente se remetem na qual a sua relação se cumpre. Só permitindo-Lhe entrar nela é possível que a mais bela relação da vida não decaia e, com o tempo, morra. Nós sabemos bem que todo o ímpeo com que nos enamoramos não basta para impedir que o amor se oxide com o tempo. Tal é a audácia da sua pretensão.

Aparece então em toda a sua importância a tarefa da comunidade cristã: favorecer uma experiência de cristianismo para a plenitude da vida de cada um. Só no âmbito desta relação maior é possível não ser devorado, porque cada um encontra nela o seu cumprimento humano, surpreendendo em si uma capacidade de abraçar o outro na sua diferença, de gratuidade sem limites, de perdão sempre novo. Sem comunidades cristãs capazes de acompanhar e sustentar os esposos na sua aventura será difícil, se não impossível que a culminem com êxito. Eles, por sua vez, não se podem eximir do trabalho de uma educação da qual são os protagonistas principais, pensando que pertencer à comunidade eclesial os livra das dificuldades. Deste modo desvela-se plenamente a vocação matrimonial: caminhar juntos até ao único que pode responder à sede de felicidade que o outro desperta constantemente em mim, até Cristo.

Assim se evitará ir, como a Samaritana, de marido em marido (Jo 4, 18), sem conseguir apagar a sua sede. A consciência da sua incapacidade para resolver por si mesma aquele drama, nem sequer mudando cinco vezes de marido, fê-la perceber a Jesus como um bem tão desejável que não pode evitar gritar: "Senhor, dá-me dessa água, para que não mais tenha sede (Jo 4,15).

Sem a experiência de plenitude humana que faz possível Cristo, o ideal cristão do matrimónio reduz-se a algo impossível de realizar. A indissolubilidade do matrimónio e a eternidade do amor aparecem como quimeras inalcançáveis. Estas, na realidade, são os frutos de uma intensidade da experiência de Cristo, tão gratuitos que aparecem aos mesmos esposos como uma surpresa, como o testemunho de que "para Deus nada é impossível". Só uma experiência assim pode mostrar a racionalidade da fé cristã, como uma realidade totalmente correspondente ao desejo e à exigência do homem, também no matrimónio e na família.

Uma relação vivida assim constitui a melhor proposta educativa para os filhos. Através da beleza da relação de seus pais são introduzidos, quase por osmose, no significado da existência. Na estabilidade dessa relação a sua razão e a sua liberdade são constantemente solicitadas a não perder semelhante beleza. É a mesma beleza, resplandecente no testemunho dos esposos cristãos, que os homens e mulheres do nosso tempo necessitam de encontrar»


via Povo

2008 mais puro!

Desde o primeiro dia deste ano que se instalou em Portugal uma guerra total ao tabaco. Ao olhar para a nova lei que entrou em vigor dia 1 pergunta-se como foi possível sobreviver até agora com a total permissão do Estado para os fumadores espalharem por esse país fora os malefícios do tabaco...

Finalmente o Estado decidiu acabar com a impunidade das tabaqueiras, que tinham o desplante de, inclusivamente, fazer publicidade aos seus produtos. Graças a Deus que agora a lei proíbe qualquer publicidade ao tabaco, assim como revistas sobre o tema (a não ser que sejam para profissionais do ramo). Já para não falar desse perigo para a saúde pública que eram os cigarros de chocolate (também proibidos por esta lei).

Agora já se pode finalmente entrar em cafés livres de cães, bactérias e fumadores! Mas mesmo aqui o Estado fraquejou, porque em vez de dar aos fumadores o destino das bactérias, denegriu os cães ao obrigá-los a ficar ao lado dos fumadores na rua!

Mas sobretudo, agora já podemos entrar nos apertados Centros Comerciais, Aeroportos ou gares ferróviarias e respirar o ar puro, em vez do fumo dos cigarros. Para além disso os velhinhos nos lares, agarrados às cadeiras de rodas, já não podem fumar, aumentado assim exponencialmente a sua esperança de vida!

Mas os verdadeiros beneficiados com esta lei são os presos. É que antes desta lei, não lhes bastava estarem confinados à cela ainda tinham que aturar com o cheiro a tabaco. A partir do primeiro dia de 2008, já podem ficar sossegados, nas suas grandes celas arejadas e livres de mau cheiros (a não ser que um companheiro de cela por acaso tenha decidido preparar lá a sua "dose").

Resumindo, 2008 é um ano cheio de esperança: finalmente os fumadores, esses infames, foram postos no seu lugar, que é a rua e os bons cidadão vão poder respirar agora o ar puro dos Centros Comerciais, das estações rodoviárias e de todas as tascas deste país!

COMO A IGREJA CRIOU A EUROPA


João César das Neves
professor universitário
naohaalmocosgratis@fcee.ucp.pt

Como os debates da Constituição Europeia e Tratado de Lisboa mostram, a Europa vive uma grave crise de identidade. A origem profunda está num antigo mito que o volume A Vitória da Razão (Random House, 2006; Tribuna da História, 2007) do grande sociológico da religião Rodney Stark se esforça por destroçar. O subtítulo indica-o claramente: "Como o Cristianismo gerou a liberdade, os direitos do homem, o capitalismo e o milagre económico no Ocidente."
Esta ideia não surpreende. Dado que a Europa criou os valores da sociedade moderna e é uma zona cristã, seria muito estranho não existir uma relação estreita entre esta origem e aqueles efeitos. Apesar disso é preciso afirmá--lo, porque segundo a tese comum, a Igreja manteve o continente na obscuridade e miséria durante séculos até que a emancipação, com o Humanismo e Iluminismo, permitiu a ciência, liberdade e prosperidade actuais. Esta visão, divulgada por discursos, livros de escola e tratados de História, é simplesmente falsa.
Pelo contrário, a Igreja Católica, vencendo o paganismo obscurantista e civilizando os bárbaros, foi uma poderosa força dinâmica, estabelecendo os valores de tolerância, caridade e progresso que criaram a sociedade contemporânea. A Idade Média, conhecida como "Idade das Trevas", foi uma das épocas de maior de-senvolvimento e criatividade técnica, artística e institucional da História.
Os filósofos humanistas e iluministas posteriores repetiram, em boa medida, ideias medievais. Esta tese está longe de ser original (ver, por exemplo R. Pernoud, 1979, Pour en Finir avec le Moyen Age, Ed. du Seuil; S. Jaki, 2000, The Savior of Science, William B Eerdmans Pub. Co; T. Woods, 2005, How the Catholic Church Built Western Civilization, Regnery Pub.), mas continua oculta debaixo do persistente mito.As razões desse engano são muito curiosas. Como explica Stark, todas as ditaduras exploram o povo para criar obras grandiosas à magnificência dos tiranos. Foi assim Roma e os reinos orientais. Destroçado o despotismo com a queda do império, a Cristandade gerou um surto de criatividade prática, pois as populações não temiam a pilhagem dos ditadores. Assim as realizações da Idade Média resultaram em melhorias da vida das aldeias, não em monumentos que os renascentistas poderiam admirar. Por isso esses intelectuais posteriores, nos seus gabinetes, desprezaram uma época sem mausoléus, enquanto louvavam as tiranias de que só conheciam a arquitectura e erudição.
Os avanços conseguidos na chamada Idade das Trevas são impressionantes, todos dirigidos a melhorar a vida concreta (op. cit. c. II): ferraduras, arado, óculos, aquacultura, afolhamento trienal, chaminé, relógio, carrinho de mão, etc. A notação musical, arquitectura gótica, tintas a óleo, soneto, universidade, além das bases da ciência, a separação Igreja-Estado e a liberdade dos escravos (c. III) são também criações medievais. Em todos estes avanços, e muitos outros, têm papel decisivo mosteiros, conventos e escolas da catedral, bem como a confiança da teologia cristã no progresso, contrária à de outras culturas.
Mais influente, nos séculos XI e XII em Itália nasceu o capitalismo (c. IV), sistema que suporta o desenvolvimento, e que tantos ainda julgam ter origem oitocentista e protestante. A prosperidade mercantil e bancária então conseguida gerou verdadeiras multinacionais que promoviam a manufactura e comércio na Europa saída do feudalismo. Depois a peste negra, a guerra e os déspotas iluminados, retornando à pilhagem clássica, destruíram esse florescimento e levaram os filósofos tardios a pensar ter descoberto o que os antepassados praticavam.
Nessa reconstrução perderam-se alguns elementos centrais da versão católica inicial. Por exemplo, no século XII, "cada vez que faziam ou reviam um orçamento era criado, com algum capital da empresa, um fundo para os pobres. Estes fundos aparecem registados em nome 'do nosso bom Senhor Deus' (...) quando uma empresa era liquidada, os pobres eram sempre incluídos entre os credores" (p.167).
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in Diário de Notícias, 14.01.2007
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Obrigado pela clareza do juizo, Senhor Professor.

sábado, janeiro 05, 2008

"Lions for Lambs"




Passei boa parte da noite de hoje a comentar com os meus amigos o filme "Lions for Lambs". Eu tenho um grande problema em relações aos filmes, problema esse bastante habitual, que é a tentação de cair numa divisão entre "bons" e "maus".

Esta tentação não é de todo injustificada. Há de facto filmes que são realmente bons (como por exemplo "Ordret" ou "Apocalypto") e filmes que são maus (como a série American Pie ou "O lado bom da fúria"). Mas existem tambem um grande número de filmes que não encaixam nestas duas classes. Filmes que têm boas estórias, mas maus fins ("Clube dos Poetas Mortos"); filmes que tem más estórias mas momentos de Verdade e de Beleza ("O Libertino") ou mesmo filmes grandes, que levam a sério o drama humano, mas que se mostram incapazes de irem até ao fundo das questões ("Moulin Rouge").

Este filme é um desse filmes: tem momentos que demonstram uma grande humanidade, mas ao mesmo a estória contada de maneira ideológica.

De bom temos o professor Stephen Malley (Roberto Redford) que desafia os seus alunos a olhar o ideal, a não se ficarem pela mediania, a levar até ao fim as suas convicções. Esta é sem dúvida a grande personagem do filme, pois é a imagem do verdadeiro educador: aquele que nos introduz à realidade total, que nos diz "olha está ali o ideal, corre para ele".

Ainda do lado das personagens interessantes temos Ernest Rodriguez (Michael Peña) e Arian Finch (Derek Luke), dois antigos alunos de Redford que, depois de fazerem um trabalho para a aula de Malley, percebem que para salvar o mundo é preciso que cada um se empenhe na circunstância em que se encontra. Por isso voluntariam-se para servir no Afeganistão.

Por outro lado, ao mesmo tempo que o Professor Stephen Malley desafia Todd Hayes (Adrew Garfield), um outro aluno seu, a seguir o empenho dos seus dois ex-pupilos, em vez de se limitar a fazer o suficiente para passar, de maneira a mudar o sistema, o congressista republicano Jesper Irving (Tom Cruise) concede uma entrevista a jornalista Janine Roth (Meryl Streep).

E esta é a parte do filme que eu não gosto. Toda a trama do filme é feita para atacar a politica americana no Afeganistão e no Iraque, ao mesmo tempo que mostra os republicanos como um bando de nacionalista bacocos, que quer mandar os soldados para a morte enquanto ficam na segurança dos seus escritórios, apenas para salvarem a situação politica. Mesmo o professor Malley (que percebemos que é claramente deomocrata) serve de contraponto ao congressista que é, segundo a jornalista Janine Roth, o futuro do partido republicano. O próprio título do filme demonstra esta ideia.

Não querendo desvalorizar a personagem belissima de Redford, não me parece que o professor Malley seja suficiente para salvar o filme da sua ideologia. É um filme bom, engraçado, mas não é um grande filme, porque é feito como um ataque claro aos republicanos. Por isso aquilo que há de grande no filme é amesquinhado num ataque moralista à administração Bush.

É um filme pelo qual vale pena gastar 5€, mas que não merece ser visto mais do que uma vez.

sexta-feira, janeiro 04, 2008

Discurso de Sarkozy

Posto finalmente o discurso de Sarkozy em São João de Latrão. É grande, mas vale muito a pena ser lido.

Senhores Cardeais,
Senhoras e Senhores,
E, se me permitem, Caros Amigos,

Permitam-me dirigir as minhas primeiras palavras ao Cardeal Ruini, para Lhe agradecer muito calorosamente a cerimónia que acaba de presidir. Fiquei muito sensibilizado com as preces que ofereceu pela França e pela felicidade do seu povo. Quero agradecer-lhe igualmente pelo acolhimento que me reservou nesta Catedral de Roma, no seio da sua assembleia.

Ficar-lhe-ei igualmente agradecido, Eminência, por transmitir a Sua Santidade o Papa Bento XVI os meus sinceros agradecimentos pela abertura de seu palácio pontifical, o que nos permite a reunião desta noite. A audiência que o Santo Padre me concedeu de manhã foi para mim um momento de emoção e de grande interesse. Reitero ao Santo Padre o apreço que tenho pelo seu projecto de visita à França no segundo semestre do ano de 2008. Na qualidade de presidente de todos os franceses, contabilizo as esperanças que essa perspectiva suscita nos meus concidadãos católicos e em numerosas dioceses. Sejam quais forem as etapas de sua estada, Bento XVI será bem-vindo em França.

***

Dirigindo-me esta noite a São João de Latrão, ao aceitar o título de cónego de honra desta basílica, que foi conferido pela primeira vez a Henrique IV e que se transmitiu desde então a quase todos os chefes de Estado franceses, assumo plenamente o passado da França e esse vínculo tão particular que uniu durante tanto tempo nossa nação à Igreja.

Foi por meio do baptismo de Clóvis que a França se tornou a filha mais velha da Igreja. Os factos são estes. Ao fazer de Clóvis o primeiro soberano cristão, esse evento teve importantes consequências para o destino de França e da cristianização da Europa. Em seguida, por múltiplas vezes ao longo da sua história, os soberanos franceses tiveram a oportunidade de manifestar a profundidade da sua ligação à Igreja e aos sucessores de Pedro. Um exemplo disso foi a conquista por Pepino o Breve dos primeiros Estados Pontifícios, ou a criação junto ao Papa da nossa mais antiga representação diplomática.

Além desses factos históricos, é sobretudo por a fé cristã estar profundamente penetrada na sociedade francesa, na sua cultura, nas suas paisagens, na sua maneira de viver, na sua arquitectura e na sua literatura que França mantém com a Sé Apostólica uma relação tão particular. As raízes de França são essencialmente cristãs. E França forneceu à irradiação do cristianismo uma contribuição excepcional. Contribuição espiritual, contribuição moral, com a profusão de santos e santas de alcance universal: São Bernardo de Clairvaux, São Luís, São Vicente de Paulo, Santa Bernadette de Lourdes, Santa Teresa de Lisieux, São João-Maria Vianney, Frederico Ozanam, Charles de Foucauld, etc. Contribuição literária e contribuição artística: de Couperin a Péguy, de Claudel a Bernanos, Vierne, Poulenc, Duruflé, Mauriac ou Messiaen. Contribuição intelectual, tão cara a Bento XVI, Blaise Pascal, Bossuet, Maritain, Emmanuel Mounier, Henri de Lubac, Yves Congar, René Girard, etc. Permitam-me mencionar igualmente a contribuição determinante da França para a arqueologia bíblica e eclesiástica, aqui em Roma, mas também na Terra Santa, bem como à exegese bíblica, em particular com a Escola Bíblica e a arqueologia francesa de Jerusalém.

Quero evocar entre os Senhores, esta noite, a figura do Cardeal Jean-Marie Lustiger, que nos deixou no último Verão. Quero dizer que a sua irradiação e a sua influência também atravessaram amplamente as fronteiras da França. Fiz questão de participar das cerimónias do seu funeral, pois nenhum francês, afirmo, ficou indiferente ao testemunho de sua vida, à força dos seus escritos e, permitam-me dizer, ao mistério de sua conversão. Para mim e para todos os católicos, o seu desaparecimento representou uma grande dor. Em pé ao lado do seu caixão, vi desfilarem os seus irmãos de episcopado e os numerosos padres de sua diocese e fiquei muito comovido com a emoção que via no rosto de cada um.

* * *

Essa profundidade da inscrição do cristianismo na nossa história e na nossa cultura manifesta-se aqui em Roma com a presença jamais interrompida de franceses no seio da Cúria e nas mais eminentes responsabilidades. Quero saudar esta noite o Cardeal Etchegaray, o Cardeal Poupard, o Cardeal Tauran, Monsenhor Mamberti, cuja acção, não hesito em dizê-lo, honra a França. As raízes cristãs da França são tão visíveis nos seus símbolos, quanto nos estabelecimentos religiosos, na missa anual de Santa Lúcia e na da capela Santa Petronilla. Além disso, há a tradição que faz do Presidente da República o cónego de honra de São João de Latrão. São João de Latrão não é, sem dúvida, pouca coisa. Trata-se da catedral do Papa, da “Cabeça e Mãe de todas as igrejas de Roma e do mundo”, uma Igreja cara ao coração dos romanos. França estar ligada à Igreja Católica através desse título simbólico é o traço dessa história comum, onde o cristianismo teve um grande peso para a França e a França teve um grande peso para o cristianismo. Portanto, foi muito natural que, assim como o general de Gaulle, como Valéry Giscard d’Estaing, como Jacques Chirac, eu viesse inscrever-me com felicidade nessa tradição.

* * *

Tanto quanto o baptismo de Clóvis, a laicidade também é um facto incontornável no nosso país. Conheço os sofrimentos que a sua implementação provocou em França junto dos católicos, junto dos padres, nas congregações, antes e depois de 1905. Sei que a interpretação da lei de 1905 como um texto de liberdade, tolerância, neutralidade é, em parte – devemos reconhecê-lo, Max Gallo – uma reconstrução retrospectiva do passado. Foi sobretudo com o seu sacrifício nas trincheiras da Grande Guerra, com a partilha dos seus sofrimentos, que os padres e religiosos da França desarmaram o anticlericalismo; e foi a sua inteligência comum que permitiu a França e à Santa Sé superar as suas querelas e restabelecer as suas relações.

Portanto, já ninguém contesta que o regime francês de laicidade seja uma liberdade: a liberdade de acreditar ou de não acreditar, a liberdade de praticar uma religião e a liberdade de mudar de religião, a liberdade de não mais ser confrontado na sua consciência com práticas ostentatórias, a liberdade para os pais de transmitir aos seus filhos uma educação em conformidade com suas convicções, a liberdade de não ser discriminado pela administração pública em função de sua crença. A França mudou muito. Os cidadãos franceses possuem convicções mais diversificadas do que antigamente. Desde então, a laicidade é afirmada como uma necessidade e, eu ousaria mesmo dizer, uma oportunidade. Ela tornou-se uma condição para a paz civil. E foi por isso que o povo francês foi tão clamoroso em defender a liberdade escolar quanto para desejar a proibição dos símbolos ostentatórios na escola.

Assim, a laicidade não poderia ser a negação do passado. A laicidade não tem o poder de cortar França das suas raízes cristãs. Ela tentou fazê-lo. E não deveria tê-lo feito. Assim como Bento XVI, eu acho que uma nação que ignore a herança ética, espiritual e religiosa da sua história comete um crime contra sua cultura, contra esse misto de história, património, arte e tradições populares que impregna tão profundamente nossa maneira de viver e pensar. Arrancar a raiz é perder o significado, é enfraquecer o cimento da identidade nacional, é tornar ainda mais ásperas as relações sociais, que tanta necessidade têm de símbolos de memória.
É por essa razão que devemos manter juntas as duas pontas da cadeia: assumir as raízes cristãs da França e até mesmo valorizá-las, defendendo ao mesmo tempo a laicidade, que finalmente chegou à maturidade. Este é o sentido da iniciativa que eu quis tomar esta noite em São João de Latrão.

* * *

Chegou agora o momento de, com um mesmo espírito, as religiões, em particular a religião católica, que é nossa religião maioritária, e todas as forças vivas da nação olharem juntos para os desafios do futuro e não apenas para as feridas do passado.

Sou da mesma opinião que o Papa quando considera, na sua última Encíclica, que a esperança é uma das questões mais importantes de nosso tempo. Desde o século das Luzes, a Europa experimentou muitas ideologias. Ela depositou sucessivamente as suas esperanças na emancipação dos indivíduos, na democracia, no progresso técnico, na melhoria das condições económicas e sociais, na moral laica. Ela foi gravemente pervertida no comunismo e no nazismo. Nenhuma dessas diferentes perspectivas – que, evidentemente, não coloco ao mesmo nível –, foi capaz de corresponder à necessidade profunda dos homens e das mulheres de encontrar um sentido para a existência.

É claro que fundar uma família, contribuir para a pesquisa científica, ensinar, lutar pelas suas ideias, em particular se estas forem a respeito da dignidade humana, dirigir um país, tudo isso pode dar sentido a uma vida. São essas pequenas e grandes esperanças que, “no dia a dia, nos mantêm no caminho”, retomando os próprios termos da Encíclica do Santo Padre. Porém, não respondem às perguntas fundamentais do ser humano a respeito do sentido da vida e do mistério após a morte. Essas questões são as mesmas em todas as civilizações e épocas e essas questões essenciais em nada perderam de sua pertinência, eu diria até que bem pelo contrário. As facilidades materiais cada vez maiores nos países desenvolvidos, o frenesim de consumo, o acumular de bens, salientam cada vez mais a profunda aspiração dos homens e das mulheres a uma dimensão que os ultrapassa, pois, menos do que nunca, elas os satisfazem.

“Quando as esperanças se realizam”, prossegue Bento XVI, “vê-se claramente que, na realidade, nem tudo se realiza. Torna-se evidente que o homem precisa de uma esperança que vá mais além. Torna-se evidente que só algo de infinito lhe pode bastar, algo que seja sempre o que nunca poderá alcançar. Se não pudermos esperar mais do que o que for acessível, ou mais do que se possa esperar das autoridades políticas e económicas, a nossa vida reduz-se a ficar privada de esperança”. Ou ainda, como escreveu Heráclito, “Se não esperarmos o inesperado, não o reconheceremos”.

Tenho a profunda convicção – o que falei especialmente nesse livro de entrevistas que publiquei sobre a República, as religiões e a esperança –, de que a fronteira entre a fé e a descrença não está e nunca estará entre os que acreditam e os que não acreditam, porque, na verdade, ela atravessa cada um de nós. Mesmo aquele que afirma não acreditar não pode garantir, ao mesmo tempo, que não se questione a respeito do essencial. O facto espiritual é uma tendência natural em todos os homens de procurar uma transcendência. O facto religioso é a resposta dos religiosos a essa aspiração fundamental que existe desde que o homem tem consciência de seu destino.

Ora, durante muito tempo a República laica subestimou a importância da aspiração espiritual. Mesmo depois do restabelecimento das relações diplomáticas entre a França e a Santa Sé, ela mostrou-se mais desconfiada do que benevolente para com os cultos. Cada vez que deu um passo em direcção às religiões, seja tratando-se do reconhecimento das associações diocesanas, da questão escolar, ou das congregações, deu a impressão de que agia porque não podia proceder de outro modo. Foi só em 2002 que a República laica aceitou o princípio de um diálogo institucional regular com a Igreja Católica. Permitam-me lembrar igualmente as críticas virulentas e injustas de que fui objecto no momento da criação do Conselho Francês do Culto Muçulmano. Ainda hoje, a República mantém as congregações sob uma forma de tutela, recusando-se a reconhecer um carácter cultual à acção caritativa, recusando-se a reconhecer o valor dos diplomas expedidos pelos estabelecimentos de ensino superior católicos, não dando o menor valor aos diplomas de teologia, achando que ela não deve se interessar pela formação dos ministros do culto.

Acho essa situação prejudicial ao nosso país. É claro que os que não crêem devem ser protegidos de toda e qualquer intolerância e proselitismo. Mas, um homem que crê é um homem que tem esperança. E o interesse da República é que haja muitos homens e mulheres que tenham esperança. A falta de afeição progressiva nas paróquias rurais, o deserto espiritual nos subúrbios, o desaparecimento da benevolência, a penúria de padres não tornaram os franceses mais felizes. Isto é uma evidência.

Além disso, quero dizer também que, se existe incontestavelmente uma moral humana independente da moral religiosa, a República tem o interesse em que exista também uma reflexão moral inspirada em convicções religiosas. Em primeiro lugar, porque a moral laica corre sempre o risco de se esgotar quando não estiver apoiada numa esperança que satisfaça a aspiração ao infinito. Em seguida e sobretudo, porque uma moral desprovida de ligações com a transcendência está mais exposta às contingências históricas e finalmente à facilidade. Como escreveu Joseph Ratzinger, na sua obra sobre a Europa, “o princípio corrente agora é que a capacidade do homem seja a medida da sua acção. O que se sabe fazer, pode-se igualmente fazer”. A longo prazo, o perigo é que o critério da ética já não seja o de se tentar fazer o que se sabe, mas de fazer o que se pode fazer. Mas esta é uma grande questão.

Na República laica, o homem político que sou não tem que decidir em função de considerações religiosas. Mas é importante que a sua reflexão e a sua consciência sejam esclarecidas especialmente por opiniões que façam referência a normas e convicções livres das contingências imediatas. Todas as inteligências, todas as espiritualidades existentes no nosso país devem participar disso. Seremos mais sábios se conjugarmos a riqueza de nossas diferentes tradições. É por isso que desejo o advento de uma laicidade positiva, ou seja, uma laicidade que, preservando a liberdade de pensamento, a de crer ou não crer, não veja as religiões como um perigo mas, pelo contrário, como um trunfo. Não se trata de modificar os grandes equilíbrios da lei de 1905. Os franceses não desejam isso e as religiões não o pedem. Trata-se, ao contrário, de procurar o diálogo com as grandes religiões de França e ter por princípio facilitar a vida quotidiana das grandes correntes espirituais, ao invés de procurar complicá-las.

* * *

Senhores Cardeais, Senhoras e Senhores,
No final do meu discurso e a alguns dias dessa festa de Natal que é sempre um momento em que nos voltamos para o que há de mais querido na nossa vida, eu gostaria de me dirigir àqueles dentre os Senhores que estão implicados nas congregações, junto da Cúria, no sacerdócio ou no episcopado, ou que seguem actualmente uma formação de seminarista. Eu gostaria de lhes dizer simplesmente os sentimentos que me inspiram as suas escolhas de vida.

Tenho ideia do que representa uma vida inteira dedicada a servir a Deus e aos outros. Sei que o vosso quotidiano é ou será algumas vezes atravessado pelo desencorajamento, pela solidão, pela dúvida. Sei também que a qualidade da vossa formação, o apoio das vossas comunidades, a fidelidade aos sacramentos, a leitura da Bíblia e a prece lhes permitem superar as provações.

Saibam que temos pelo menos uma coisa em comum: a vocação. Não se pode ser padre pela metade, mas em todas as dimensões da vida. Creiam que não se é também presidente da República pela metade. Compreendo que se tenham sentido atraídos por uma força incontrolável vinda do interior, porque eu mesmo nunca me sentei para me perguntar se faria o que fiz, eu fi-lo. Compreendo os sacrifícios por que passam para responder a sua vocação, porque eu mesmo sei os que fiz para realizar a minha.
O que quero dizer esta noite, na qualidade de presidente da República, é a importância que atribuo ao que os Senhores fazem e, permitam-me dizer, ao que os Senhores são. A vossa contribuição para a acção caritativa, para a defesa dos direitos humanos e para a dignidade humana, para o diálogo inter-religioso, para a formação das inteligências e dos corações, para a reflexão ética e filosófica, é fundamental. Ela está enraizada na profundeza da sociedade francesa, numa diversidade muitas vezes insuspeita, assim como ela se espalha pelo mundo. Quero saudar especialmente as nossas congregações, os Padres do Espírito Santo, os Padres Brancos e as Irmãs Brancas, os filhos e filhas da caridade, os franciscanos missionários, os jesuítas, os dominicanos, a Comunidade de Santo Egídio, que possui um ramo em França, todas essas comunidades que, no mundo inteiro, sustentam, cuidam, fomentam, acompanham, consolam o próximo na aflição moral e material. Ao dar, em França e no mundo, o testemunho de uma vida dedicada aos outros e preenchida pela experiência de Deus, os Senhores criam esperança e fazem crescer sentimentos nobres. Isto é uma sorte para nosso país, e o presidente que sou considera-o com muita atenção. Na transmissão dos valores e na aprendizagem da diferença entre o bem e o mal, o professor jamais poderá substituir o padre ou o pastor, embora seja importante que se aproxime dele, porque sempre lhe faltará a radicalidade do sacrifício de sua vida e o carisma de um empenho levado pela esperança.

Quero evocar a memória dos monges de Tibhérine e do Monsenhor Pierre Claverie, cujo sacrifício um dia dará frutos de paz, estou convencido disso. A Europa voltou demais as costas para o Mediterrâneo, enquanto uma parte de suas raízes nela se encontram mergulhadas e uma parte dos países que estão nas margens desse mar se situam no cruzamento de um grande número de desafios do mundo contemporâneo. Eu quis que França tomasse a iniciativa de criação de uma União Mediterrânea. A situação geográfica, assim como o passado e a cultura francesas exacerbam muitas vezes as paixões, onde o choque entre civilizações pode permanecer no estado de fantasma ou oscilar para a realidade mais trágica. Devemos conjugar os nossos esforços para alcançar uma coexistência pacífica, que respeite todos sem renegar nossas convicções profundas, numa zona de paz e prosperidade. Essa perspectiva vai ao encontro, ao que me parece, do interesse da Santa Sé.

Mas o que desejo ainda mais dizer é que, neste mundo paradoxal, obcecado pelo conforto material ao mesmo tempo em que se procura cada vez mais sentido e identidade, França precisa de católicos convictos, que não temam afirmar o que são e em que acreditam. A campanha eleitoral de 2007 mostrou que os franceses tinham vontade de política, por pouco que lhes fossem propostas ideias, projectos, ambições. A minha convicção é a de que eles também esperam por espiritualidade, valores e esperança.

Henri de Lubac, esse grande amigo de Bento XVI, escreveu “A Vida Atrai, Assim como a Alegria”. É por isso que França precisa de católicos felizes que dêem mostras de sua esperança.

França resplandece, desde sempre, pelo mundo pelas suas generosidade e inteligência. É por isso que tem necessidade de católicos plenamente cristãos e de cristãos plenamente actuantes. A França precisa acreditar novamente que não tem que se submeter ao futuro, porque tem que construí-lo. É por isso que precisa do testemunho daqueles que, levados por uma esperança que vá para além deles, se façam novamente todos os dias à estrada para construir um mundo mais justo e mais generoso.
Ofereci esta manhã ao Santo Padre duas edições originais de Bernanos. Quero concluir com ele: “O futuro é algo que se supera. Não nos submetemos a ele, nós o fazemos. O optimismo é uma falsa esperança para uso dos covardes. A esperança é uma virtude, uma determinação heróica da alma. A mais elevada forma de esperança é o desespero superado”. Como compreendo o apreço do Papa por esse grande escritor que é Bernanos.

Em todo lugar onde os Senhores agirem, nos subúrbios, nas instituições, junto aos jovens, no diálogo entre religiões, nas universidades, eu vos apoiarei. França precisa da vossa generosidade, da vossa coragem, da vossa esperança.
Muito obrigado.

quarta-feira, janeiro 02, 2008

Nova Escola

Segundo esta noticia do Correio da Manhã, as escolas vão deixar de poder ter nomes de santos. Embora o decreto-lei não contenha nenhuma especificação sobre este assunto, mas o jornal afirma que o ministério da educação terá dado indicações para que não exista referência à religião nos nomes das escolas.

Mais uma vez o governo socialista se atira à Igreja. De mansinho, discretamente, subtilmente, na esperança que ninguém repare. Depois de atacar as rádios e os jornais católicos, depois de cortar subsídios as escolas católicas (que mais uma vez aparecem entre as melhores do país), este governo tenta mais uma vez apagar a presença cristão na nossa sociedade.

Prefere o governo que as escolas tenham nomes dos heróis do regime, que nada fizeram a não ser contribuir para a medicriocidade do país. Não descansára o governo enquanto uma só escola pública de Portugal conservar a memória de 800 anos de história de um povo cristão. Esta é a versão moderna do "enforcar o último rei nas tripas do último padre".

"A única alegria da vida é começar. Viver é belo porque viver é começar sempre. A cada instante!" Pavese

O ano de 2007 foi um grande ano! Foi o ano em que o Papa nos chamou a Roma e renovou o desafio do Servo de Deus João Paulo II de espalhar por todo o mundo a alegria, a beleza e a paz que se encontram em Cristo Jesus. Foi o ano em que don Júlian Carron veio até nós relembrar-nos que nenhum poder do mundo pode impedir o Coração do homem de se apaixonar.

Foi tambem um ano em que vimos crescer e amadurecer a comunidade portuguesa dos Universitários de Comunhão e Libertação. As férias fora um grande momento de conversão e comoção que nos impeliu a todos para um recomeço de um novo ano, onde foram crescendo o número daqueles que se juntaram a nós para seguir o carisma de Giussani.

Mas o cristão não vive no passado, pois esse já passou, nem vive a espera do futuro que poderá não vir, mas sim no presente, que é a circunstância que Deus nos concede para sermos felizes. Por isso este novo ano que começa é uma nova oportunidade de crescermos nesta companhia a que fomos confiados.

Grazie don Giuss!

segunda-feira, dezembro 24, 2007

Natal




Há dois mil anos, numa terriola de um território limitrofe do Império Romano, num curral aquecido apenas pelos animais, Deus fez-se homem. E fê-Lo por uma única razão: para vir ao nosso encontro, para vir ao meu encontro.

O amor de Deus por nós é tal que ele não nos pede nada. Antes do nosso esforço, antes da nossa coerência, antes de tudo, Ele vêm ao nosso encontro. Tudo o resto nasce daí.

O menino de Belém, Deus feito homem, é a resposta ao desejo do meu coração. Para o encontrar não preciso de fazer nada, ele vem ao meu encontro, a iniciativa é d'Ele, não minha. A mim só me resta perguntar como João e André: "rabi, onde moras?", ou seja, Senhor onde te posso encontrar?

Por isso o Natal não é a festa da familia, ou da paz, ou do amor. O Natal não é um sentimento meu, modelado por mim, feita à minha medida, mas um facto concreto que me ultrapassa completamente: "Hoje em Belém de Judá nasceu para nós um Salvador, que é o Messias Senhor". A familia, a paz, o amor são frutos de Deus, que é verdadeiramente Pai, verdadeiramente Paz, verdadeiramente Amor.

Por isso é possível que cada um viva o Natal, porque não depende de nós. Não tem nada a ver com coerência pessoal, com virtudes heroicas ou com oraçães constantes. O Natal é para todos e cada um de nós porque Deus veio à terra para salvar todos e cada um de nós.

Um Santo Natal!

Milagre de Natal



No mesmo dia em que o Presidente francês ataca o laicismo francês o ex-primeiro ministro inglês Tony Blair assume publicamente a sua conversão.

Se Deus se fez homem realemente nada mais é impossivel!

sábado, dezembro 22, 2007

Manifesto de Natal 2007

Sarko

"A laicidade não deveria ser a negação do passado. Não tem o poder de tirar a França de suas raízes cristãs. Tentou fazê-lo. Não deveria."

Ontem o presidente Nicholas Sarkozy fez um grande discurso em São João de Latrão sobre a laicidade.

É essencial para a Europa que os seus lideres não se esqueçam das verdadeiras raízes deste continente. A Europa, enquanto continente político que é, foi inventada pelo cristianismo.

Toda a história e cultura da Europa está marcada pela presença da Igreja e dos seus homens. Até à contra-reforma o povo europeu confundia-se com o povo cristão, não havia distinção.

É um bom sinal que o presidente do país que é considerado o baluarte do laicismo anti-clerical, relembrar o tempo em que a França era o maior país da cristandade.

(mais informações em www.zenit.org. Para ouvir o discrurso complete clique aqui)

quinta-feira, dezembro 13, 2007

Chapada de luva branca.

Está hoja na moda pensar-se que o ecumenismo se baseia na negação das verdades religiosas, ou pelos, no seu escondimentos. Isto acontece mesmo em alguns meios cristão, não apenas na socidade agnóstica bem pensante.

Como resposta a este ecumenismo hipócrita, chega a notícia de que várias associações religiosas não cristãs inglesas se uniram contra a desvalorização do Natal pelo Estado de modo a não ofender as outra religiões.
Este é o verdadeiro ecumenismo, daqueles que realmente buscam a Verdade e não apenas um compromisso de não agressão.

Maçonaria - Revista Cruzada. Fevereiro 2006

O que é a Maçonaria? Qual a sua implementação em Portugal?

Resposta: 1. Em 1717 o pastor protestante inglês James Anderson fundou em Londres uma sociedade que, para melhor conservar o seu carácter secreto adoptou o nome e os sinais da corporação medieval dos pedreiros livres. Por isso chamou-se Maçonaria ou Franco-Maçonaria e os seus membros mações. Até há pouco, a Maçonaria era só para o sexo masculino. Actualmente incluem também mulheres.

Os locais de reunião chamam-se lojas. O esquadro, o compasso, o nível, o triângulo, o avental e os três pontinhos são sinais convencionais.

Desde o princípio, a Maçonaria dividiu-se em duas tendências:
Maçonaria regular ou inglesa, em que predominou o carácter de neutralidade religiosa.
Maçonaria irregular ou rito escocês, que se propagou sobretudo nas nações latinas (França, Itália, Espanha, Portugal), que é anticlerical.

A Maçonaria, que está estendida por todo o mundo, domina ou tem grande influência nos meios de comunicação social: imprensa, cinema, rádio e televisão e nas agências noticiosas. Empenha-se em influir no ensino, desde a escola primária até à Universidade.

Dentro da Maçonaria há 33 graus. Até ao 16 não são grandes as exigências. Daí para cima, sobretudo nos graus de Mestre e Grão-Mestre, os compromissos são cada vez maiores, até negar ou desprezar de maneira explícita Cristo e a Igreja.em 1919, contou o rei Afonso XIII ao Padre Mateo:

«Neste mesmo salão tive que receber uma delegação da maçonaria internacional, cerca de doze homens. Falaram comigo durante uma hora e fizeram-me as seguintes propostas:
a) que me inscrevesse na Maçonaria;
b) que decretasse que a Espanha não era um estado católico, mas laico;
c) que legalizasse o divórcio;
d) que suprimisse o ensino religioso nas escolas.
Se eu aceitasse estas condições, prometeram-me que poderia conservar o trono… não duvidei um instante e respondi:
- Nunca farei tal coisa! Sou crente! Sou católico!
Eles insistiram. Ao despedir-se, disse-me um daqueles homens:
- Que pena! Acaba Vossa Majestade de assinar o seu fim, como Rei de Espanha, e aceitar o seu desterro.
- Prefiro morrer desterrado – respondi – do que conservar o trono à custa de uma traição».
A maçonaria cumpriu a sua promessa: caluniou e atacou o rei até conseguir, onze anos mais tarde, a proclamação da República. A 15 de Abril de 1930 partia Afonso XIII para o desterro, como o tinham ameaçado.

E, Abril de 1919, o imperador Carlos da Áustria, exilado na Suíça, foi três vezes abordado pela Maçonaria que lhe prometeu a restituição do reino com a condição de aceitar os compromissos que ela lhe impunha. Retorquiu com dignidade o imperador: «Como príncipe católico, não tenho sequer resposta a dar».
Prevendo as consequências desta corajosa atitude, disse:
«Daqui para diante tudo me vai correr mal». Realmente, desde então, a sua vida foi um rosário de desgraças até à morte a 1 de Abril de 1922, na ilha da Madeira, onde o seu corpo se conserva incorrupto. Foi beatificado por João Paulo II a 3 de Outubro de 2004.

À maçonaria se atribui o bárbaro assassinato em 6 de Agosto de 1875 do cristianíssimo Presidente da República do Equador, Gabriel Garcia Moreno.


2. A Maçonaria em Portugal.

Com as tropas francesas e inglesas no tempo das invasões, depressa a Maçonaria se propagou por Portugal. Mas já em 1733, a Maçonaria se tinha introduzido em Portugal com duas lojas em Lisboa.

A começar pelo rei D. Pedro IV, eram mações quase todos os políticos liberais tais como os duques de Saldanha e de Loulé e os Condes de Tomar, Antas, Peniche, Lumiares e Parati, Gomes Freire de Andrade, Rodrigues Sampaio, Anselmo Brancamp, José Luciano de Castro, Elias Garcia, Sebastião Magalhães Lima, Silva Passos, Lobo de Ávila, António Enes, Cândido Reis;
Cientistas como Egas Moniz e Gago Coutinho;
Artistas como Rafael Bordalo Pinheiro.

A Maçonaria encarregou-se de exaltar estes seus filiados dedicando-lhes ruas e homenagens.
Referindo-se ao século passado, escreve Fortunato de Almeida:
«O desenvolvimento da Maçonaria em Portugal em todo o seu decurso do século XIX foi enorme, a ponto de estender a sua influência às mais modestas terras de Província. Encontrando-se quase sempre representadas no governo, quando não inteiramente senhores dele, os mações alcançaram todos os favores, imediatamente ou mediatamente, desde as leis opressivas da Igreja até à impunidade para os seus crimes e desordens».

Mações eram os dois criminosos Buiça e Costa, que a 1 de Fevereiro de 1908 mataram o rei D. Carlos e o príncipe D. Luís Filipe. A 14-12-1919 foi a vez do Presidente Sidónio Pais, cuja morte tinha sido decretada no grande Oriente maçónico de Paris.

Escreve o mação Machado Santos, o chamado fundador da República: «É a Maçonaria a grande mãe das revoluções. A obra da Revolução Portuguesa, também à Maçonaria se deve única e exclusivamente» (“A Revolução Portuguesa”, pág. 24).

Desde 1910 até 1926, a política portuguesa esteve nas mãos da Maçonaria, com Bernardino Machado, António José de Almeida, Afonso Costa, Brito Camacho, José de Castro, Magalhães de Lima, Norton de Matos, Egas Moniz.

A perseguição e a luta contra Fátima foram obra desta seita.

Em 1926 havia em Portugal 3153 mações, isto é, um por cada 2000 habitantes, agrupados em 115 lojas e triângulos.

A 21 de Maio de 1935, no governo de Salazar, a Maçonaria foi proibida pela Assembleia Nacional, apesar dos esforços em contrário de Norton de Matos.

A Maçonaria passou então a trabalhar na clandestinidade e o seu magnífico palácio tornou-se a sede do Comando da Legião Portuguesa.

Todos os funcionários públicos e os estudantes com mais de 16 anos estavam obrigados a comprometer-se a não pertencer à Maçonaria. Mas quantos mações fizeram a sério o juramento!

Logo após o 25 de Abril de 1974, o Decreto-Lei nº 594 abrogou a proibição da Maçonaria, que voltou a instalar-se no seu antigo Palácio e foi-lhe dada uma indemnização de 2500 contos, o que equivaleria agora a mais de 25 mil contos. A seita voltou a ter grande influência com boa parte dos políticos e ministros.

Para a chefia da Maçonaria havia duas listas: a primeira encabeçada por Raul Rego e Daniel Gomes de Pinho; a segunda, que foi eleita, tinha como chefes o Comandante da Marinha, Almeida Coimbra para Grão-Mestre, e o professor Oliveira Marques para Grão-Mestre adjunto.

3. A Maçonaria e a Igreja

A Maçonaria, sobretudo a de inspiração francesa, é profundamente anticlerical, laica e inimiga da Igreja e de todo o sobrenatural. Sob o pretexto de defender os interesses da humanidade e de fundar uma Sociedade igualitária e livre de preconceitos, encobre os seus intentos de atacar a Igreja e os governos cristãos.

«A Maçonaria foi sempre uma organização secreta anticatólica: foi-o desde o princípio e continua a sê-lo hoje. A única coisa que variou foram os métodos de actuação. Antigamente atacava frontalmente a Igreja Católica, crendo que tinha força suficiente para a derrubar e destruir. Convencida de que os seus ataques não produziam outro efeito senão fortalecê-la, mudou de táctica: organizou-se de maneira extraordinária com os métodos mais modernos e sofisticados. Encobriu de maneira radical a sua verdadeira face: não ataca directamente a Igreja; procura corrompê-la com a imoralidade, a mentira, o confusionismo» (Reino de Cristo, Madrid, Setembro de 1983).

Em 1877, bem informado da força da Maçonaria em Portugal, pôde dizer o Papa Pio IX à Peregrinação Portuguesa que foi a Roma: «Tendes um poderoso e terrível inimigo – é a impetuosa Maçonaria que quer destruir em vós os vestígios do Catolicismo». (Fortunato de Almeida, “História da Igreja em Portugal”).

A 24 de Abril de 1738, o Papa Clemente XIII promulgou contra a Maçonaria a primeira excomunhão, que os Papas Pio VII, Leão XII, Pio VIII, Gregório XVI, Pio IX e Leão XIII renovaram e corroboraram. A 20 de Abril de 1884, publicou Leão XIII a Encíclica «Humanum Genus», contra a Maçonaria. Eis uma passagem bem expressiva: «Esta seita é uma associação tão criminosa e tão funesta ao cristianismo, como à sociedade civil. Servindo-se da astúcia e da audácia, a maçonaria invadiu todas as escalar da hierarquia social e começa a imperar como soberana nos estados modernos… não teme sequer condenar à morte aqueles que tiverem divulgado os seus segredos ou resistido às ordens recebidas».

Até ao dia 27 de Novembro de 1983 ficava excomungado todo aquele que se inscrevesse na Maçonaria que combate a Igreja e a Religião (Cânone 2.335).

Pelo novo Código de Direito Canónico foi ab-rogada esta condenação mas, na véspera da sua entrada em vigor, isto é, a 26 de Novembro de 1986, com a aprovação do Santo Padre João Paulo II, publicou a Congregação para a Doutrina da Fé uma declaração na qual afirma: «Permanece, portanto, imutável o parecer negativo da Igreja a respeito das associações maçónicas, pois os seus princípios foram sempre considerados inconciliáveis com a doutrina da Igreja e, por isso, permanece proibida a inscrição nelas. Os fiéis que pertencem às associações maçónicas estão em estado de pecado grave e não podem aproximar-se da Sagrada Comunhão».

Quer dizer: os mações ou deixam a maçonaria ou não podem receber os sacramentos, especialmente a Sagrada Comunhão.


Revista “Cruzada”,
Fevereiro 2006

quarta-feira, dezembro 12, 2007

99 Anos




«Os cientistas não resistem e amanhã fazem o homem artificial. Mas a mulher é fundamental. Eu adoro a Vênus de Milo, que representa a mulher mas não tem nada o lado provocativo ou sensual, nada disso. É uma mulher no sentido profundo e verdadeiro. O que sobressai mais é o ventre, os seios são lindíssimos, são dois limões cortados ao meio mas não provocantes, nem a cara, que é muito sóbria, muito recta. É uma cara de mulher, mas também é a cara da mãe e o ventre é que gera a humanidade. A Agustina Bessa-Luís dizia uma coisa bonita: “Deus nasceu do ventre da mulher”.» by Manoel de Oliveira

Haveria coisa mais profundas e mais interessantes para dizer sobre os 99 anos do Manoel de Oliveira, mas em tempo de Advento, esta pareceu-me a melhor.

"Mártires espanhóis na raiz de grandes realidades eclesiais"

Entre muitas outras, Opus Dei, Cursos de Cristandade e Caminho NeoCatecumenal, aí presentes em todo o mundo, com dinâmica própria e forte incidência no interior da Igreja e da sociedade, a tornar presente a afirmação das primeiras perseguições: “ sangue de mártires semente de novos cristãos”.
Em 28 de Outubro foram beatificados em Roma, 498 dos cerca de dez mil mártires da guerra civil espanhola, nos anos trinta, que deram a vida por não renunciarem à fé católica e adesão à Igreja.

Entre eles há bispos, sacerdotes diocesanos e religiosos, religiosas, diáconos e sub-diáconos, seminaristas e leigos, mortos, não por acções bélicas nem intervenções politicas, mas exclusivamente por motivos religiosos.

Não eram contra nada nem contra ninguém, na maioria, economicamente tão pobres, como aqueles que por ódio os assassinavam. Num dos meses chegou à média de 60 mortos por dia, e até num talho o letreiro, “vende-se carne de cura (padre)”.
Muitos destes continuam ignorados pelos homens, não terão processo de beatificação, mas bem conhecidos por Deus, a tal santidade anónima, e porque selaram com o seu sangue a fidelidade a Jesus Cristo.

Houve uma certa preparação espiritual para o que se previa.
Enquanto intenso tiroteio se desenvolvia nas imediações do convento, “rezávamos reunidos à volta do sacrário, não por medo, mas para que o Senhor dispussesse de nós como entendesse”.

Numa reunião de preparação para a ordenação sacerdotal, o então Arcebispo de Madrid, lembrava a possibilidade de, dentro de meses, alguns serem martirizados e precisava saber se, livremente, estavam dispostos a isso, ao que todos responderam afirmativamente.

Também esta violentissima perseguição foi preparada com antecedência, com propaganda anti-religiosa e anti-católica, apresentando o clero e religiosos, como parasitas da sociedade e travão para o verdadeiro progresso, com a passividade e inoperância dos que, no mínimo, deviam garantir a liberdade e vida dos cidadãos.
Numa declaração dizia Pio XI, “a Igreja vive hoje momentos tão heróicos como os dos primeiros séculos, no México, na Rússia, e agora em Espanha em proporções muito maiores, está de novo aberto o grande livro do Martirológio”.

Ao número de assassinatos, juntava-se a crueldade com que eram realizados por pessoas incultas, de reacções primárias e apaixonadamente extremistas, a Religião tinha de ser destruida radicalmente, para que surja o “homem novo, agnóstico, ateu e feliz”.

Os mártires morriam por coerência com a fé e por defenderem o que, em sua consciência, era fundamental e inviolável. Uma única apostasia, tornaria felizes os assassinos, mas no momento da agonia, todos perdoavam aos seus verdugos.
Exemplo e impulso para o nosso catolicismo burguês, medíocre e acizentado, de hoje, e também advertência para anti-clericalismos incipientes, por parte de forças ocultas, sempre presentes em circunstâncias destas.

Big ASAE is watching you...

Desde que começou a grande purga da ASAE que este organismo me começou a irritar. Eu até percebo que se tenha que garantir um respeito pela legalidade no que toca a venda de roupa de "marca" nas feiras, até acho positivo que os restaurantes deixem de ter a liberdade total para vigarizarem e envenenarem os seus clientes, contudo tudo tem os seus limites.

Mas esta irritação por este organismo moralista, que têm como missão suprema garantir que nem mais um peixe congelado duas vezes chegue aos pratos do portugueses, começa a transformar-se em medo.

De repente a ASAE ganhou um poder tal que começa a revistar os CDS e as roupas dos condutores em operações STOP, à procura de violações dos direitos de autor. As festas populares passaram a ter que ter um chão asséptico e os donos das tascas deixaram de poder produzir ginginha em casa.

A pergunta que me surge é: qual é o limite? Até que ponto a segurança alimentar e económica pode ir contra a liberdade de cada a não ser revistado?Até que ponto pode ir contra as tradições e a cultura de um povo?

Há um limite entre o que é higiene e o que é mera paranóia. Uma bifana grelhada sobre carvão numa lata de gasóleo cortada ao meio não será a coisa mais saudável do mundo, mas não é uma ofensa à segurança alimentar.

A ASAE tem vindo lentamente a tranformar-se num Big Brother, que olha constantemente sobre os hábitos económicos a alimentares dos portugueses. Já ultrapassou a fase de ser ridiculo, começou a ser perigoso...

Site dos Universitários

Está a disponível na coluna dos links o novíssimo site do CLU. Estão lá disponíveis informações sobre todos os gesto dos Universitários de Comunhão e Libertação, assim como fotografias, filmes e juízos do CLU.

Aproveito para agradecer ao Bernardo Eça pelo magnífico trabalho.

domingo, dezembro 09, 2007

"Avé, Cheia de Graça





"Na Solenidade da Imaculada Conceição de Maria, celebramos o mistério da salvação, tocamos na verdade profunda do desígnio amoroso de Deus acerca do homem, que criou à Sua Imagem e continua a recriar pela graça da salvação. Maria, a cheia de graça, é a perfeição da criatura desejada por Deus, e que é obra de Deus. Graça é dom e poder criador. À graça da criação, toldada pela desobediência do homem, segue-se a graça da redenção, que restitui à criatura a beleza desejada por Deus, tornando-a capaz de louvor e de intimidade amorosa com a Santíssima Trindade. A redenção é graça, pois significou, por parte de Deus que quer salvar o seu desígnio, uma intervenção radical: a encarnação do próprio Verbo eterno de Deus “por Quem todas as coisas tinham sido criadas” (cf. Col. 1,16). E que esse seu desígnio se mantém inalterado, porque tornado possível em Cristo, é claro para o Apóstolo Paulo: “N’Ele nos escolheu, antes da criação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis, em caridade, na sua presença” (Ef. 1,4).

Graça é dom e acção de Deus, que supõe luta contra o mal e triunfo de Deus sobre o demónio, que surge com o “anti-desígnio” acerca da criação. Na Cheia de Graça, beneficiamos desta vitória de Deus sobre o demónio, vitória que, em Jesus Cristo, será possível em todas as batalhas travadas pelos homens contra o mal e contra o pecado"


Homilia do Cardeal Patriarca de Lisboa na Solenidade da Imaculada Conceição. Ver homilia completa.

quinta-feira, dezembro 06, 2007

A propósito de uma reportagem...

"A propósito de uma reportagem da revista 'Sábado' do dia 6 de Dezembro de 2007 " é o título do comunicado de imprensa da Opus Dei. Nada como lê-lo.

Ainda o Opus Dei

Na continuação dos último post do Bernardo li o extenso artigo que uma revista semanal dedica ao Opus Dei, todo ele escrito em tom sensacionalista, mas sem nenhum erro grave aparentemente.

O problema desta reportagem, como aliás outras do mesmo género sobre o Opus Deis e as diversas realidade da Igreja em geral, não é tanto um má vontade do jornalista, mas antes uma total incompreensão da realidade que têm diante. Percebi ao ler este artigo que a Cruz continua a ser "escândalo para os judeus e loucura para os gentios". Por isso é tão chocante para um mundo que foge ao sofrimento ver alguém que sofre por amor ao próximo. Tal como há dois mil anos os judeus e os romanos gozavam com Cristo por ele não fugir da Cruz, também hoje os novos fariseus e senhores do mundo humilham aqueles que se oferecem em expiação.

Tambem é chocante para a mentalidade moderna que alguém imponha limites aos seus instintos. Para o mundo moderno a liberdade é fazer aquilo que nos apetece. Ver alguém que percebe que a verdadeira liberdade é aderir ao designio de Deus e que por isso seguem aqueles que Nosso Senhor lhes poêm à frente em vez do seus próprio instinto é totalmente incompreensivel para o homem moderno.

Este artigo causou em mim uma sensação de mesquinhez. Apercebi-me de como os testemunhos simples daqueles numerário do Opus Dei demonstravam um amor tal a Cristo, que os levava a entregar-lhe toda a sua liberdade.

Por isso ler este artigo fez-me desejar ser mais como aquelas pessoas. Não se trata de uma questão de método, pois aquilo que me é proposto em Comunhão e Libertação, embora com uma carisma diferente da proposta de São Josémaria, é o mesmo que é proposto aquelas pessoas: "nada antepôr ao amor por Cristo, porque Cristo nada antepôs ao amor por nós"

Opus Dei




A propósito dos recentes ataques à Opus Dei, apenas confio nas informações que vierem da Igreja e do site oficial da Prelatura: http://www.opusdei.pt/. De referir que é um dos sites mais completos que já visitei, contrariando assim a ideia de secretismo que alguns (certamente menos bem intencionados) querem fazer passar.

Os "filhos espirituais" de São Josemaria que pessoalmente conheço (alguns dos quais amigos que muito estimo) destacam-se pela constante defesa da fé, empenho no trabalho quotidano e permanente serviço ao próximo.


Rogai por nós Bem Aventurado Josemaria,
Para que sejamos dignos das promessas de Cristo.

Darfur




O Darfur é uma região do Sudão onde, desde 2003, milicias islâmicas com a benção do governo do Sudão levam a cabo um genocidio contra os não-árabes.

Estimam-se que o número de mortos se situa entre os 50 000 (Organização Mundial de Sáude) e os 400 000 segundo a maior parte das ONG's. Existem pelo menos dois milhões de refugiados e a violação dos direitos do homem é um acontecimento banal para aqueles lados. A maior parte da população morre à fome e de doenças.

Não existe até ao momento um genocidio maior neste século. Contudo a esmagadora maioria dos portugueses não sabe o que é o Darfur e Portugal prepara-se para receber a cimeira UE-África onde este tema não consta na agenda.

A pergunta é: quantos mais terão que morrer para que o problema desta cimeira deixe de ser a segurança do Mugabe e passe a ser as vitimas do Darfur?
Para mais informações visitar www.pordarfur.org

O meu Natal




Começou este Domingo o tempo do Advento. Neste momento faltam 19 dias para o Natal e vão-se intensificando as campanhas publicitárias e o número de arranjos nas montras. Por outro lado, juntamente com as campanhas consumistas, vão também crescendo as criticas ao modo como o mundo moderno celebra o Natal. Esta críticas vão desde as mais moralistas (aqueles que explicam que o Natal é a festa do Amor e da Paz e que o que interessa é a familia) até às mais certas, que nos relembram que contestam o esquecimento daquilo que se celebra realmente nesta festa, o nascimento de Jesus.

Confesso que a mim não me interessam muito estas críticas. Não porque elas não sejam justas, porque o são muitas vezes, mas porque antes de mais me interessa o modo como eu vivo o Natal. O Bom Deus todos os anos me dá a mim um tempo antes da festa do nascimento do Seu Filho para eu me preparar para o Natal, para que no dia 25 eu esteja com o coração preparado para receber o nascimento daquele menino que nasceu em Belém de Judá.

Mas, mesmo com todo o tempo que Ele me dá, muitas vezes me esqueço de que "um Menino me foi dado". Muitas vezes sou devorado pela ânsia de ter tudo preparado e bem feito para o Natal, deixo-me consumir pelas críticas ao modo como os outros celebram o Natal, concentro-me nos presente que vou dar, na unidade da familía, na liturgia da missa do Galo e esqueço-me daqu'Ele menino, que nasceu numas palhinhas para que eu conhecesse a Salvação.

Por isso a mim não me interessa especialmente se o mundo é consumista ou não nesta altura do ano, se realmente os outros excluem ou não Jesus do seu Natal. A mim só me interessa que eu não exclua Jesus do meu Natal. Só me interessa fazer como os Reis Magos: abeirar-me do presépio e dizer simplesmente "vim adorar-Lo"

São Nicolau

Hoje celebra-se a festa de São Nicolau. Foi este Bispo que deu origem à história do Pai Natal, antes de a Coca-Cola e a Disney um transformarem num objecto comercial para fazer esquecer o Menino Jesus.

Rogai por nós Bem Aventurado Nicolau,
Para que sejamos dignos das promessa de Cristo.

Meravigliosa Creatura - Gianna Nanini



Molti mari e fiumi
attraversero
dentro la tua terra
mi ritroverai
turbini e tempeste
io cavalchero
volero tra il fulmini
per averti

Meravigliosa creatura sei sola al mondo
meravigliosa creatura paura di averti accanto
occhi di sole mi bruciano in mezzo al cuore
amore e vita meravigliosa

Luce dei miei occhi
brilla su di me
voglio mille lune
per accarezzarti
pendo dai tuoi sogni
veglio su di te
non svegliarti
non svegliarti
non svegliarti....ancora

Meravigliosa creatura
sei sola al mondo
meravigliosa paura d'averti accanto
occhi di sole mi tremano le parole
amore e vita meravigliosa

Meravigliosa creatura un bacio lento
meravigliosa paura d'averti accanto
all'improvviso tu scendi nel paradiso
muoio d'amore meraviglioso

Meravigliosa creatura
Meravigliosa
occhi di sole mi bruciano in mezzo al cuore
amore e vita meravigliosa

(via Hay Monas)

Minoria!?

Uma das mais famosas causa hoje em dia é a causa gay, ou como gostam de dizer, a luta pela igualdade.

Em nome de um suposta mimoria perseguida temos aturado discursos, cartazes, tempos de antena, paradas e mais uma par de botas. Sempre que alguém ameaça beliscar a imagem dos maricas, lá vêm as acusações de homofóbico, retrógado e facista (tudo é uma boa razão para a esquerda gritar facista)

No meio de tudo isto, houve uma marca de cervejas que há pouco tempo se atreveu a brincar com esta "causa" e começou uma campanha pelo Orgulho Hetero. Passado uma semana de eu ter visto o primeiro cartaz, a campanha foi retirado sendo substituida por uns cartazes a falar de "verdade" e da liberdade de ser como se quer.

Podemos dizer muitas coisas: que a campanha era fraca, que os heterosexuais não precisam de dizer que o são, que não faz sentido uma campanha destas, mas o facto permanece, não se pode fazer uma campanha apelando aos heterosexuais em Portugal!

sábado, dezembro 01, 2007

367 anos!





Cumpre-se hoje 367 anos sobre a Restauração da Independência.

Numa altura em que cada vez mais se fala da união ibérica, convém sempre recordar que os espanhóis não dão a mão sem que os netos queiram o braço.

A única coisa boa que poderia resultar de uma união ibérica seria fazer aparecer unos novos conjurados para voltar a chamar o Duque de Bragança para assumir o lugar que a canalha republicana lhe roubou.


A mulher e a religião - Vasco Pulido Valente

"Ao que dizem, presidiu o dr. Mário Soares esta semana a um curioso colóquio sobre "A mulher nas religiões". Não que o assunto em si mereça a mais remota crítica. Toda a gente tem o direito de falar do que lhe apetecer. Mas, pelo jornais, parece que tanto o dr. Mário Soares como, por assim dizer, os "coloquiantes", penetrados pelo justo e meritório princípio da igualdade de género, criticaram duramente o papel da mulher no cristianismo e no judaísmo (no islamismo, pelo menos directamente, ninguém tocou). O dr. Mário Soares, por exemplo, citando a Bíblia em seu apoio (a notícia não especifica a passagem), lamentou que a mulher fosse considerada propriedade do homem. E a sra. dra. Manuela Augusta, do PS, declarou que, ao "discriminar a mulher", "um grande número de religiões pregou em vão, agiu de má-fé" e "desrespeitou o sagrado e o divino".

É sem dúvida lamentável que a gente que escreveu o Antigo Testamento entre o século X e o século II a.C. não conhecesse e privasse com o dra. Augusta e o dr. Mário Soares, para vantagem da humanidade e da correcção política. Sobretudo, como hoje se constata, a ausência da dra. Augusta (e do PS) foi trágica. Nem Jesus se conseguiu salvar da catástrofe, embora o dr. Soares, tentando apaziguar as coisas, admitisse que o Novo Testamento "adoçou um pouco a imagem da mulher" e a dra. Vilaça, socióloga, simpaticamente observasse que, no catolicismo, o "culto mariano e a importância" da figura da mãe compensavam "de certa forma" a notória perversidade de Roma. Estas consolações não comoveram a audiência.

Em desespero de causa, o teólogo Bento Domingues, deste jornal, resolveu garantir que, na tradição da sua Igreja, "o cristianismo é uma invenção de mulheres, seduzidas por um Cristo feminista". Por abjecta ignorância (e reverência), não me atrevo a discutir com frei Bento uma tese tão inquietante. Só sei que nem esta ideia radical abalou a dra. Augusta. A dra. Augusta "não fica descansada" lá porque a mulher "é enaltecida" em "textos religiosos". De maneira nenhuma. Como presidente do Departamento das Mulheres Socialistas, uma seita temível, não descansa enquanto não corrigir em pessoa, e em assembleia geral, os "textos religiosos" que por aí andam a pregar, com insídia, a supremacia do homem.

Para terminar o colóquio numa nota alegre, o dr. Mário Soares confessou que se Deus de facto existir lhe dirá, como Mitterrand: "Afinal existes." Gostaria de prevenir o dr. Mário Soares que, se Deus de facto existir, Mitterrand tratou provavelmente com outra Entidade. "