segunda-feira, agosto 25, 2008

Ou protagonista ou ninguém

Afonso de Albuquerque

Quando esta escrevo a Vossa Alteza
Estou com um soluço que é sinal de morte.
Morro à vista de Goa, a fortaleza
Que deixo à índia a defender-lhe a sorte.

Morro de mal com todos que servi,
Porque eu servi o rei e o povo todo.
Morro quase sem mancha, que não vi
Alma sem mancha à tona deste lodo.

De Oeste a Leste a índia fica vossa;
De Oeste a Leste o vento da traição
Sopra com força para que não possa
O rei de Portugal tê-la na mão.

Em Deus e em mim o império tem raízes
Que nem um furacão pode arrancar...
Em Deus e em mim, que temos cicatrizes
Da mesma lança que nos fez lutar.

Em mais alguém, Senhor, em mais ninguém
O meu sonho cresceu e avassalou
A semente daninha que de além
A tua mão, Senhor, lhe semeou.

Por isso a índia há de acabar em fumo
Nesses doiros paços de Lisboa;
Por isso a pátria há de perder o rumo
Das muralhas de Goa.

Por isso o Nilo há de correr no Egito
E Meca há de guardar o muçulmano
Corpo dum moiro que gerou meu grito
De cristão lusitano.

Por isso melhor é que chegue a hora
E outra vida comece neste fim...
Do que fiz não cuido agora:
A índia inteira falará por mim.

Miguel Torga


O Infante

Deus quer, o homem sonha, a obra nasce
Deus quis que a terra fosse toda uma,
Que o mar unisse, já não separasse.
Sagrou-te, e foste desvendando a espuma,

E a orla branca foi de ilha em continente,
Clareou, correndo, até ao fim do mundo,
E viu-se a terra inteira, de repente,
Surgir, redonda, do azul profundo.

Quem te sagrou criou-te português.
Do mar e nós em ti nos deu sinal.
Cumpriu-se o mar, e o Império se desfez.
Senhor, falta cumprir-se Portugal!

Fernando Pessoa

quarta-feira, agosto 20, 2008

Veto político.

O Presidente da Republica devolveu à AR a alteração à Lei do Divórcio sem a promulgar. Agora das três uma: 1 a AR aprova o documento com maioria absoluta dos deputados em efectividade de funções e o PR é têm que o promulgar; 2 a AR modifica o diploma, alterando os ponto pelo PR e o devolve ao PR que o pode promulgar ou não; 3 a AR deixa cair a lei.

Parece que o presidente Cavaco Silva acordou agora e percebeu qual o seu papel na organização do poder público. É dever do PR velar pelo Estado de Direito. Um regime que permite maiorias absolutas só funciona se o PR desenrolar as suas funções, se não transforma-se numa ditadura, como temos visto desde 2004.

Esperemos agora que o PS, procurando manter uma boa relação institucional com o PR, respeite o veto do Chefe de Estado e que esta lei, que visa atacar e destruir a família (porque, como explica o Professor Antunes Varela, não há família sem casamento) seja enterrada.

sexta-feira, agosto 15, 2008

Jogos Olímpicos

Como já aqui disse antes, os Jogos Olímpicos na China irritam-me. É espantoso ver os líderes do chamado mundo livre bajular a nova super-potência económica.

Mais do que isso, irrita-me esta falsa questão do Tibete, como se o grande problema na China fosse o Tibete. Embora o dalai-lama seja a coqueluche religiosa do mundo Ocidental, a verdade é que com a invasão chinesa os tibetanos só trocaram de déspota. Porque o dalai-lama era mais do que um simples líder religioso, era senhor absoluto do Tibete.

Para mim o problema da China é que é, ao contrário do que os jornais deixam transparecer, uma ditadura repressiva. Enquanto se mostram muito abertos ao capitalismo para os estrangeiro os lideres chineses continuam a escravizar e reprimir grande parte do povo.

Na China não há liberdade. Milhões de pessoas trabalham como escravos a troco de escassos dólares, que lhes são retirado para pagar os alojamentos guardados por homens armados.

Todos os anos desaparecem na China bispos, padres e leigos.

Até a Internet, o mais democrático veículo de informação é controlada na China.

E contudo, todo o mundo aplaude e sorri perante a magnitude dos JO.

A única diferença entre a China e a Coreia do Norte é o dinheiro. De resto são igualmente encarnados...

quinta-feira, agosto 14, 2008

Aljubarrota

Hoje é dia da batalha de Aljubarrota. Nunca é de mais lembrar esta batalha. Graças à coragem e ao génio de poucos (sobretudo do Santo Condestável) conseguimos a independência.

Rezemos ao Beato Nuno de Santa Maria para que, graças a cobardia e estupidez de poucos, não a percamos.

Rogai por nós Bem Aventurado Nuno de Santa Maria
Para que sejamos dignos das promessas de Cristo!

A Flor do Maracujá - Catulo da Paixão Cearense

Encontrando-me com um sertanejo
Perto de um pé de maracujá
Eu lhe perguntei:
Diga-me caro sertanejo
Porque razão nasce roxa
A flor do maracujá?

Ah, pois então eu lhi conto
A estória que ouvi contá
A razão pro que nasci roxa
A flor do maracujá

Maracujá já foi branco
Eu posso inté lhe ajurá
Mais branco qui caridadi
Mais brando do que o luá

Quando a flor brotava nele
Lá pros cunfim do sertão
Maracujá parecia
Um ninho de argodão

Mais um dia, há muito tempo
Num meis que inté num mi alembro
Si foi maio, si foi junho
Si foi janero ou dezembro

Nosso sinhô Jesus Cristo
Foi condenado a morrer
Numa cruis crucificado
Longe daqui como o quê

Pregaro cristo a martelo
E ao vê tamanha crueza
A natureza inteirinha
Pois-se a chorá di tristeza

Chorava us campu
As foia, as ribera
Sabiá também chorava
Nos gaio a laranjera

E havia junto da cruis
Um pé de maracujá
Carregadinho de flor
Aos pé de nosso sinhô

I o sangue de Jesus Cristo
Sangui pisado de dô
Nus pé du maracujá
Tingia todas as flor

Eis aqui seu moço
A estoria que eu vi contá
A razão proque nasce roxa
A flor do maracujá.

quarta-feira, agosto 13, 2008

The Story - Brandi Carlile



All of these lines across my face
Tell you the story of who I am
So many stories of where I've been
And how I got to where I am
But these stories don't mean anything
When you've got no one to tell them to
It's true...I was made for you

I climbed across the mountain tops
Swam all across the ocean blue
I crossed all the lines and I broke all the rules
But baby I broke them all for you
Because even when I was flat broke
You made me feel like a million bucks
Yeah you do and I was made for you

You see the smile that's on my mouth
Is hiding the words that don't come out
And all of my friends who think that I'm blessed
They don't know my head is a mess
No, they don't know who I really am
And they don't know what I've been through like you do
And I was made for you...

All of these lines across my face
Tell you the story of who I am
So many stories of where I've been
And how I got to where I am
But these stories don't mean anything
When you've got no one to tell them to
It's true...I was made for you


É perfeitamente possível reduzir esta música a um mero sentimentalismo. Mas a mim parece-me mais funda do que isso. De facto toda a nossa circunstância seria apenas um conjunto de acontecimentos, toda a nossa vida seria um mero encadeamento de histórias, se não houvesse alguém que lhe desse um significado. Sem encontrar Cristo, então a nossa vida seria nada.

Só Ele desvela e exlica toda a nossa vida. Mas Ele não se encontra no éter, não é uma "força", é um homem concreto, que chega até nós através de pessoas concretas, em momentos concretos.

Tropa de Elite





Fui ontem à noite ver o filme "Tropa de Elite". É um retrato brutal da realidade das favelas do Rio. Por um lado temos bairros que são quase cidades, dominadas pelos traficantes de droga. Por outro lado, um sistema corrupto, onde polícias vendem armas aos traficantes e vendem protecção.

No meio de tudo isto, existe o Batalhão de Operações Especiais da Polícia Militar, o BOPE. Uma força de elite, constituida por incorruptíveis, mas que mata e tortura indescriminadamente para conseguir abater os traficantes.

O que mais me impressionou no filme é sua crueza. O realizador não tentar dar uma lição de moral ou fazer uma análise sociológica (emora me pareça que se perca uma pouco na crítica aos esudantes universitários que criticam a polícia e ajudam nas favelas, ao mesmo tempo que fuma e snifam droga, ajundando assim a sustentar o tráfico), mas limita-se a fazer um retrato da situação.

Uma situação para a qual aparentemente não há solução. Por um lado o sistema está podre e portanto não é possível combater o crime pelos meios normais. Por outro, os meuiso eficazes contra os trafincantes tranformam o polícias em assasínos e torturadores.

A violência gera violência.

Aquilo que falta no filme, porque é aquilo que falta na realidade, é misericórdia. Percebemos, na critica as ONG's que o realizador faz, que uma tentativa de resolução do problema através de erradicação da pobreza não chega. Não são os pobres que sustetam os traficantes, são os ricos que compram a droga.

O que é preciso é alguém que redima todo o mal que ali se passa. Como diz Chieffo:

Lo dicevo tutto il giorno:
questo mondo non è giusto!
E pensavo anche di notte:
questa vita non dà gusto!
E dicevo: è colpa vostra,
o borghesi maledetti,
tutta colpa dei padroni
e noi altri, poveretti!
E noi altri a lavorare
sempre lì nell’officina,
senza tempo per pensare,
dalla sera alla mattina.

Forza compagni,
rovesciamo tutto
e costruiamo
un mondo meno brutto!

Per un mondo meno brutto
quanti giorni e quanti mesi,
per cacciare alla malora
le carogne dei borghesi!
Ma i compagni furon forti
e si presero il potere;
i miei amici furon morti
e li vidi io cadere.

Ora tu dimmi
come può sperare un uomo
che ha in mano tutto
ma non ha il perdono?

Come può sperare un uomo
quando il sangue è già versato,
quando l’odio in tutto il mondo
nuovamente ha trionfato?
C’è bisogno di qualcuno
che ci liberi dal male,
perché il mondo tutto intero
è rimasto tale e quale.

Dizia todo o dia: este mundo não é justo! E até pensava de noite: esta vida não dá gosto! E dizia: é culpa vossa, ó burgueses malditos, toda a culpa é dos patrões e nós, coitados! E nós a trabalharmos sempre ali na fábrica sem tempo para pensar, desde a noite até de manhã. Força companheiros, derrubemos tudo e construamos um mundo menos feio! Para um mundo menos feio quantos dias e quantos meses, para mandar passear os cobardes dos burgueses! Mas os companheiros foram fortes e tomaram o poder; os meus amigos foram mortos e eu vi-os cair. Diz-me tu então como pode esperar um homem que tem tudo na mão mas não tem o perdão? Como pode esperar um homem quando o sangue foi já derramado, quando o ódio em todo o mundo novamente triunfou? É preciso alguém que nos livre do mal porque o mundo inteiro ficou tal e qual.

Estórias da história!

Cheguei há dois dias das minhas férias no norte. Depois das férias do CLu no Gerês, fui até a Covas, uma terra perdida no Minho, perto de Vila Nova de Cerveira, passar uns dias com os meus avós paternos.

Foram bons dias: comer bem, ler, dormir e sobretudo ouvir estórias. Nos cinco dias que passei com os meus avós nunca nos demoramos menos de três horas à mesa (ao jantar regra geral eram quatro).

Fiquei a saber como os meus avós se conheceram, estórias de namoros antigos, manias da família. Mas mais importante foi a história que aprendi ou que relembrei.

Durante estes dias fiquei a saber como o meu bisavô, Zé Maria Duque, foi preso três vezes na 1ª Republica, sem nenhuma razão que não fosse ser católico e monárquico. Ouvi descrever a esconça cela onde estava preso, com mais vinte pessoa, onde a noção de saneamento era um buraco no chão, para onde tinham que atirar as montanhas de percevejos que invadiam a cela.

Descobri como num dia ele foi metido numa camioneta com mais uns quantos presos, que foram sumariamente executados, escapando-se ele e mais uma ou dois, que conseguiram fugir. Ouvi contar como ele foi brutalmente espancado pela polícia, com espadas e cacetes, até não conseguir desentrelaçar as mão que tinha juntado para proteger a cabeça.

Também neste dias fiquei a saber como três militares armados de G-3 bateram a casa dos meus avós as 5h30 para levar para interrogatório dois miúdos de 15 e 16 anos, cujo o único delito foi arrancar cartazes do PC após o 25 de Abril.

Impressionou-me ouvir como dois homens sebosos revistaram uma casa à procura de um miúdo de 18 anos que tinha o azar de pertencer a um partido de direita.

Fiquei orgulhos ao ouvir narrar como o povo cristão defendeu o Patriarca.

Ao pensar nisto percebi a razão pela qual este regime tenta acabar com a família. Porque enquanto houver família será impossível branquear a história. Enquanto estas estórias, que no fundo são pedaços da história, forem contadas de geração em geração, será impossível massificar todo o povo.

Por isso escrevo estas linhas, para que todos os que as lerem não se esqueçam de que essas duas grandes datas deste regime (o 5 de Outubro e o 25 Abril) são símbolo de repressão e perseguição política!

quarta-feira, julho 16, 2008

D. António dos Reis Rodrigues

Discurso de D. António dos Reis Rodrigues na apresentação dos seus livros sobre Doutrina Social da Igreja
Universidade Católica
080714

Começo por manifestar a minha profunda gratidão ao Senhor Reitor desta Universidade Católica pela extrema gentileza com que acaba de se referir àquilo que, na sua opinião, eu sou e por outro lado valho pelas coisas que escrevi, algumas das quais são agora reeditadas pela primeira vez, graças às edições Principia e muito particularmente ao Senhor Dr. Henrique Mota. A Vossa Excelência, Senhor Reitor, manifesto a minha gratidão, que não é só de agora, mas tem sido confirmada com as inumeráveis gentilezas que lhe devo, como esta de hoje, que muito me comove. E ao Dr. Henrique Mota agradeço também a sua iniciativa, que nasceu de uma velha amizade que não tem preço. Ao Senhor Reitor e ao Dr. Henrique Mota a minha gratidão.
E permitam que acrescente mais duas palavras.

Um dia, quando Jesus iniciou a sua pregação, encontravam-se a ouvi-lo dois discípulos que O haviam seguido. E o Senhor voltou-Se e, notando que eles O não largavam, perguntou-lhes: “Que pretendeis?” E eles responderam: “Mestre, onde é que moras?” Jesus respondeu-lhes. “Vinde e vereis”. Os discípulos seguiram-nO e viram aonde onde Aquele com quem falavam residia. Ficaram com ele nessa tarde e, desde então, para o futuro.

André era um dos que O seguiram. Encontrou primeiro o seu irmão Simão e disse-lhe: “Encontrámos o Messias”. Levou-o até Jesus, o qual, fixando nele o seu olhar, declarou: “Tu és Simão, o filho de João. Hás-de chamar-te Cefas”, que significa Pedro. Este Simão, este Cefas, veio a ser o primeiro Papa.

Estavam assim encontrados os dois primeiros discípulos. Outros, pouco a pouco, vieram, até constituírem os doze Apóstolos, chamando-se uns aos outros, com este simples convite, que era para qualquer um deles uma aventura: “Vinde e vereis”. E com estas palavras nasceu a Igreja.

Foi este chamamento que, à distância de tantos anos, eu também, surpreendentemente, ouvi: “Vem e verás!” Larguei o que tinha e, sem nada, apresentei-me no Seminário e, depois, servi onde o meu Prelado, os senhores Cardeal Cerejeira e depois o Cardeal António Ribeiro, que lembro todos os dias, tinham necessidade da minha presença. Anos depois, com estranheza minha, fui Bispo, onde continuei a servir a Igreja. E hoje, com noventa anos, continuo a servir a Igreja, como penso que sempre a servi, com as graças que Jesus me tem dado ao longo de uma vida inteira, deixando de lado os meus pecados e a triste consequência da miséria que nasce deles.

Foge-me o tempo e muito apreciaria, agora que já não sirvo para o ministério, publicar mais algumas páginas, a somar às que já foram tornadas públicas. O que não fiz na minha vida activa seria compensado com o trabalho que eu ainda poderia ter. Mas todos os dias me vem faltando a saúde e penso, a cada momento, que me aproximo da morte. “A terra produz por si, primeiro o caule, depois a espiga e, finalmente, o trigo perfeito na espiga. E, quando o fruto amadurece, logo ele lhe mete a foice, porque chegou o tempo da ceifa” (Mc. 4, 28-29).

Que posso mais dizer? O meu espírito abre-se de novo ao futuro, mas o futuro a Deus pertence. Talvez Deus tenha para mim algumas páginas ainda por escrever, apesar do peso dos anos que vou tendo.

Muito obrigado!
(via Povo)

Il seme

02 Il Seme.wma


Il Signore ha messo un seme
nella terra del mio giardino.
Il Signore ha messo un seme
nel profondo del mio mattino.

Io appena me ne sono accorto
sono sceso dal mio balcone
e volevo guardarci dentro,
e volevo vedere il seme.

Ma il Signore ha messo il seme
nella terra del mio giardino.
Il Signore ha messo il seme
all’inizio del mio cammino.

Io vorrei che fiorisse il seme,
io vorrei che nascesse il fiore,
ma il tempo del germoglio
lo conosce il mio Signore.

Il Signore ha messo un seme
nella terra del mio giardino.
Il Signore ha messo un seme
nel profondo del mio mattino.

O Senhor colocou uma semente na terra do meu jardim. O Senhor colocou uma semente no fundo da minha manhã. Eu, logo que me dei conta, desci da minha varanda e queria vê-la por dentro, e queria ver a semente. Mas o Senhor colocou a semente na terra do meu jardim. O Senhor colocou a semente no início do meu caminho. Eu queria que a semente desse flor, eu queria que a flor nascesse, mas o tempo da germinação conhece-o o meu Senhor. O Senhor colocou uma semente na terra do meu jardim. O Senhor colocou uma semente no fundo da minha manhã.

segunda-feira, julho 14, 2008

Do it, but do it well

Hoje foi publicada uma notícia no DN que nos conta que vão passar a distribuir preservativos e pílulas, sem qualquer consulta (desde que a pessoa tenha ido ao médico no ano anterior) e inclusivamente, entregar estes meio anti-concepcionais por terceiros.

Sobre isto há duas coisas urgente para se dizer:

Primeiro, num tempo em que se fala cada vez mais das gravidezes na adolescência e das família monoparentais, os nossos doutos governantes continuam a gastar rios de dinheiro em campanhas e planos para que todos tenham acesso à pílula e ao preservativo (assim como ao aborto).

Ao mesmo tempo esses mesmo governantes, assim como os opinion-makers cá do burgo, felicitam-se pelo fim do que eles chamam "tabu" à volta do sexo. O fim desse tabu consiste em incentivar todas as crianças com idade para o fazer a ter relações sexuais.

Estando no outro dia na faculdade à conversa com uns amigos percebi que dizer a alguém que era "virgem" era um insulto. Assim como nos contam que nos tempos dos nossos pais o sexo era segredo, parece que hoje a virgindade também o é.

Todas as campanhas de prevenção da gravidez e das DST's partem do principio que os jovens (e os adolescentes) são sexualmente activos. É isso que é normal nos nossos das. Assim não se surpreendam que aumentem as gravidezes na adolescência, as famílias monoparentais, os abortos e as DST's.

O segundo ponto é da distribuição de métodos anti-concepcionais sem consulta médica ou por terceiros. Isto é, antes de mais, dizer que os pais não tem uma palavra a dizer sobre a vida intima do seu filho. Nenhum pai tem que saber o que seu filho faz ou não.

É preciso que o pai saia quantas vezes o filho falta às aulas, se o filho vai numa viagem de estudo ou não, mas não lhe diz respeito se o filho anda por aí a fazer filhos ou não.

Segundo ponto, é o perigo que é distribuir pílulas a mulheres (pelos visto, inclusivamente menores) sem explicar as contra-indicações. Se saber se a mulher é ao não saúdavel. Sem sabe se há alguma problema em ela tomar a pílula. É simplesmente irresponsável.

Enquanto a resposta aos problemas sexuais for incentivar ao sexo despejando por cima preservativos e pílulas, ele não vai melhorar, só vai piorar.

quinta-feira, julho 10, 2008

Nelson


O Almirante Lorde Nelson.
Abbott - National Portrait Gallery

Nelson

João César das Neves
Destak 10.07.2008


Portugal está em crise. Porquê? Como saímos disto? Uma frase clássica ajuda a encontrar a resposta. No dia 21 de Outubro de 1805 o vice-almirante Horatio Nelson, poucos minutos antes da histórica batalha naval de Trafalgar, enviou um sinal a toda a frota britânica: «A Inglaterra espera que cada homem cumpra o seu dever.»A razão por que estamos nestas dificuldades é que nem todos cumprem o seu dever. A crise nasce daquelas situações em que o Governo não governa, os trabalhadores não trabalham, os patrões não investem, os professores não ensinam, os médicos não curam, os polícias não protegem, os cidadãos não votam, os contribuintes não pagam. Os povos, como as pessoas, têm épocas de dedicação e entrega e outras de egoísmo e mesquinhez. Nos períodos de guerra e dificuldades, a sociedade inteira vive extremos de sacrifício para defender a integridade nacional. Mas em momentos de decadência, a comunidade cai na modorra e na esclerose corporativa, onde o bem comum se perde em reivindicações de grupos. Após 1974, Portugal viveu duas décadas de intenso compromisso comunitário. Primeiro para construir a democracia, depois para vencer o desafio europeu, a generalidade dos cidadãos suportou sacrifícios e fez esforços para melhorar o estado geral. Depois, como seria de esperar, sobreveio a atitude interesseira, invejosa, fragmentária e abandon ou-se o saudável clima de esforço comum. Hoje, em vez de se ouvir que beneficiando o todo cada um ganha, afirma-se que favorecer-se a si próprio dá vantagens à comunidade. Esta inversão faz toda a diferença.

quarta-feira, julho 09, 2008

Cristo, Sumo-Sacerdote

Vi hoje a notícia de que a Igreja Anglicana decidiu permitir às mulheres receber a ordenação episcopal, depois de ter admitido, em 1992, as mulheres ao sacerdócio.

O Vaticano já veio lamentar esta decisão, que vêm abrir ainda mais a ferida entre a Igreja Católica e a Igreja Anglicana.

Obviamente não se fizera esperar as criticas à posição da Igreja, com acusações de descrimização e de machismo. De facto o mundo moderno tem alguma dificuldade em perceber as posições da Igreja. Mas também, diga-se, não demonstra grande interesse em perceber. Limita-se a criticar, sem perguntar ou estudar os assuntos.

Mas voltando à questão da ordenação das mulheres. Esta é uma questão relativamente recente. Ao contrário do celibato, só se começou a falar em mulheres "sacerdotes" no século XX. Por isso ainda não existe uma doutrina clara sobre um assunto. Existem várias razões para o sacerdócio ser exclusivamente masculino, mas nenhuma delas foi aprofundada.

Existem duas razões mais fortes. A primeira é de que Cristo escolheu para receber o sacramento da Ordem, durante a última ceia, doze homens. Apesar da muitas mulheres que o seguiram, apesar de sua Santa Mãe (co-redentora da humanidade), Jesus ceou apenas com os doze.

Muitos dirão, sem saber do que falam, que naquela altura a sociedade era profundamente machista e portanto era impensável que Jesus ordenasse mulheres. Mas na maior parte das religiões já existiam sacerdotisas e, nalguns cultos como o de Vesta, eram exclusivos das mulheres.

Por outro lado não seria seguramente um preconceito que impediria Aquele que se sentou à mesa com pecadores e prostitutas e que chamou para junto de si, como seus apóstolos, publicanos e pescadores de fazer aquilo que bem entendesse.

Outra razão, ainda mais forte, é total identificação do sacerdote com Cristo na Eucaristia. Na consagração o padre não age em seu nome, mas "age na pessoa de Cristo Cabeça e em nome da Igreja" (Compêndio do Catecismo da Igreja Católica, 278). E Cristo é totalmente Deus e totalmente Homem.

Estas são duas das razões pelas quais o sacerdócio é exclusivamente masculino. A Igreja reconhece a igual dignidade dos sexos, mas também reconhece as suas diferenças e a especifidades de cada um. A igualdade não é tratar todos da mesma maneira, mas cada um conforme a sua natureza.

SEMPER FIDELIS!

Cardeal Saraiva Martins

«O Cardeal José Saraiva Martins, de 76 anos, deixou de ser o prefeito da Congregação para as Causas dos Santos, por ter atingido o limite de idade estabelecido pelo Direito Canónico (75 anos). A notícia é publicada esta Quarta-feira pela sala de imprensa da Santa Sé.

Bento XVI aceitou a renúncia do Cardeal português, o único na Cúria Romana, e nomeou para o seu cargo o Arcebispo italiano Angelo Amato, até agora secretário da Congregação para a Doutrina da Fé e um dos mais próximos colaboradores do actual Papa nos últimos anos.


Em declarações à Agência ECCLESIA, D. José Saraiva Martins mostra-se “profundamente grato” pelo trabalho que desempenhou na Congregação para as Causas dos Santos (CCS) ao longo da última década, que considera “um dom de Deus”.


“Foram anos muito belos, que me permitiram conhecer melhor a Igreja, o coração da Igreja, que é a santidade”, refere, assegurando: “Sinto-me feliz, muito feliz, pelo que fiz durante estes dez anos”.


Entre os muitos processos que passaram pelas suas mãos, o Cardeal português destaca a “oportunidade de contribuir para a elevação às honras dos altares” de muitos “membros ilustríssimos da Igreja”, destacando as beatificações dos Papas Pio IX e João XXIII, do Padre Pio, de Madre Teresa de Calcutá e dos Pastorinhos de Fátima, Francisco e Jacinta.


“São figuras extraordinárias que me ensinaram muito e eu sinto-me muito honrado, muito feliz por ter contribuído de maneira directa para que estas figuras de Santos fossem realmente postos como modelo de santidade para todos os filhos da Igreja”, afirma.


Na hora da partida, D. José Saraiva Martins diz que “a minha felicidade aumenta ainda mais quando penso que foi na minha prefeitura que foi retomada a causa do Beato Nuno Álvares Pereira, que praticamente está pronta para a Canonização”.


“Foi um modo muito bonito de acabar a minha prefeitura na Congregação”, assinala.


O Cardeal português era prefeito da Congregação para a Causa dos Santos desde 30 de Maio de 1998, tendo imprimido um grande dinamismo no trabalho deste dicastério da Cúria Romana. Foi um dos homens de confiança de João Paulo II, o Papa que mais fiéis beatificou e canonizou na história da Igreja Católica.


“João Paulo II dizia-me que a Congregação para as Causas dos Santos era a mais importante da Igreja, porque trata daquilo que é mais importante mesmo, mesmo na Igreja de Cristo, porque, dizia ele, se a Igreja não fosse santa não teria razão de existir”, lembra D. José Saraiva Martins, para quem “a santidade é sempre contagiosa”.


“Estes dez anos ensinaram-me o que é realmente a Igreja e o que devemos tender na Igreja, à santidade, tender à plenitude da humanidade”, complementa.


O Cardeal Saraiva Martins lembra que “deveria ter ido para a reforma já há quase dois anos (completou 75 anos em Janeiro de 2007, ndr), mas o Santo Padre pediu-me para ficar ainda mais tempo e ao Papa obedece-se sempre”, justifica.


Apesar da sua renúncia ao cargo de prefeito da CCS, D. José Saraiva Martins permanecerá em Roma, pois desempenha ainda cargos na Cúria Romana como membro das Congregações para os Bispos e para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, bem como do Conselho Pontifício para a Pastoral da Saúde, o Conselho Especial para a Europa da Secretaria Geral do Sínodo dos Bispos e a Comissão Pontifícia para o Estado da Cidade do Vaticano.


“Vou trabalhar com o mesmo entusiasmo”, assegura, perspectivando que, afinal, “o trabalho não vai diminuir, pelo contrário, até vai aumentar”, frisando que irá continuar “em plena actividade”.


Em relação às causas de beatificação e canonização que não acompanha até ao fim – nas quais se destacam as de João Paulo II e da Irmã Lúcia, Vidente de Fátima – o Cardeal português diz esse que é um facto “normal”, destacando que as causas estão muito bem encaminhadas e continuarão o seu curso, “sem dúvida”, com o novo prefeito, o Arcebispo Angelo Amato.


D. José Saraiva Martins considera ainda que o Arcebispo italiano, de 70 anos, irá seguir uma linha de “continuidade” no trabalho à frente da Congregação para as Causas dos Santos.»


Comoveu-me ler as declarações do Cardeal Saraiva Martins. A sua fidelidade ao Papa e à Santa Igreja dão testemunho de uma entrega simples, mas aos mesmo tempo total, a Cristo. Que o seu exemplo esteja sempre diante de nós, para recordarmos sempre a vocação a que fomos chamados pelo baptismo, a santidade.

SEMPER FIDELIS!

terça-feira, julho 08, 2008

Mistério do Pórtico da Segunda Virtude (Charles Péguy)

«Porque há lugares, meu Deus, que têm de ser mantidos. / E é preciso que tudo isto continue. / Quando já não for como agora. / Mas melhor. / É preciso que a vida do campo continue. / E a vinha e o trigo e a ceifa e a vindima. [...] É preciso que a cristandade continue. / A Igreja militante. / E para isso é preciso que haja cristãos. / Sempre.»

Oferecimento (Charles Péguy)

Se necessitas de virgens, Senhor,
se necessitas de valentes sob o teu estandarte
aí estão Clara, Teresa, Domingos, Francisco, Inácio…,
aí estão Lourenço, Cecília…

Mas se, por acaso, alguma vez precisares de um preguiçoso
e de um medíocre, de um ou outro ignorante, de um orgulhoso,
de um cobarde, de um ingrato e de um impuro,
de um homem cujo coração esteve fechado e cujo rosto foi duro…,
aqui estou eu.

Quando te faltarem os outros, a mim sempre me terás.

sexta-feira, julho 04, 2008

Temos Santo!




O Papa Bento XVI promulgou ontem dois decretos que reconhecem o milagre e as virtudes heróicas do Santo Condestável.

Assim sendo está concluido o processo de canonização do Beato Nuno de Santa Maria, faltando apenas que a Congregação para a Causa dos Santos determine quando será a cerimónia (que, segundo o que tem sido hábito no pontifica do Papa Bento XVI, deverá ser celebrada em Portugal pelo prefeito desta congregação, o Cardeal Dom José Saraiva Martins).

Agradecemos ao Senhor por ter enviado este milagre, tornando assim este grande portugês em exemplo para todo o povo cristão.

Rogai por nós bem aventurado Nuno,
para que sejamos dignos das promessas de Cristo.

quinta-feira, julho 03, 2008

Casamento e afins...

A entrevista de Manuela Ferreira Leite relançou, pela milionésima vez, a questão do casamento entre pessoas do mesmo sexo. Aliás, ao dizer que se podia chamar outra coisa, mas não casamento, a líder do PSD lançou duas questões diferentes:

- o casamento entre pessoas do mesmo sexo

- um reconhecimento jurídico da união entre pessoas do mesmo sexo, equiparada ao casamento.

São duas questões diferentes, que merecem respostas diferentes.

No primeiro caso, a questão é clara como a água. O casamento é um instituto milenar, que todos os direitos reconheçam e valorizam, em maior ou menor grau. Desde sempre que o poder politico viu a necessidade de proteger a união estável do homem e da mulher, que permitia a criação de uma nova família, base da sociedade humana.

Por isso é da natureza do matrimónio ser entre pessoas de sexo diferente. Falar de casamento entre pessoas do mesmo sexo é o mesmo que falar do direito do ladrão à legítima defesa.

A questão de uma forma de união entre pessoas do mesmo sexo com direitos iguais aos do casamento é diferente. Aqui trata-se de perceber se existe uma relação que o Estado deve tutelar e proteger.

Ora, sendo que de uma união homossexual não nasce família, então o Estado não tem nada que se imiscuir nos seus assuntos privados, como se eles se amam ao não.

Ao Estado não interessa se um homem e uma mulher que se querem casar estão apaixonados, mas simplesmente se legalmente o podem fazer e se o querem fazer. Os afectos não tem protecção jurídica.

Por isso, tratemos de maneira igual o que é igual e de maneira desigual o que é desigual, porque sem este corolário do Direito nunca atingiremos a Igualdade.

quarta-feira, julho 02, 2008

Agora é a vez dos polacos

O presidente polaco afirmou hoje que não irá rectificar o Tratado de Lisboa.

Já não é o primeiro polaco a salvar a Europa nos últimos anos...