terça-feira, julho 08, 2008

Mistério do Pórtico da Segunda Virtude (Charles Péguy)

«Porque há lugares, meu Deus, que têm de ser mantidos. / E é preciso que tudo isto continue. / Quando já não for como agora. / Mas melhor. / É preciso que a vida do campo continue. / E a vinha e o trigo e a ceifa e a vindima. [...] É preciso que a cristandade continue. / A Igreja militante. / E para isso é preciso que haja cristãos. / Sempre.»

Oferecimento (Charles Péguy)

Se necessitas de virgens, Senhor,
se necessitas de valentes sob o teu estandarte
aí estão Clara, Teresa, Domingos, Francisco, Inácio…,
aí estão Lourenço, Cecília…

Mas se, por acaso, alguma vez precisares de um preguiçoso
e de um medíocre, de um ou outro ignorante, de um orgulhoso,
de um cobarde, de um ingrato e de um impuro,
de um homem cujo coração esteve fechado e cujo rosto foi duro…,
aqui estou eu.

Quando te faltarem os outros, a mim sempre me terás.

sexta-feira, julho 04, 2008

Temos Santo!




O Papa Bento XVI promulgou ontem dois decretos que reconhecem o milagre e as virtudes heróicas do Santo Condestável.

Assim sendo está concluido o processo de canonização do Beato Nuno de Santa Maria, faltando apenas que a Congregação para a Causa dos Santos determine quando será a cerimónia (que, segundo o que tem sido hábito no pontifica do Papa Bento XVI, deverá ser celebrada em Portugal pelo prefeito desta congregação, o Cardeal Dom José Saraiva Martins).

Agradecemos ao Senhor por ter enviado este milagre, tornando assim este grande portugês em exemplo para todo o povo cristão.

Rogai por nós bem aventurado Nuno,
para que sejamos dignos das promessas de Cristo.

quinta-feira, julho 03, 2008

Casamento e afins...

A entrevista de Manuela Ferreira Leite relançou, pela milionésima vez, a questão do casamento entre pessoas do mesmo sexo. Aliás, ao dizer que se podia chamar outra coisa, mas não casamento, a líder do PSD lançou duas questões diferentes:

- o casamento entre pessoas do mesmo sexo

- um reconhecimento jurídico da união entre pessoas do mesmo sexo, equiparada ao casamento.

São duas questões diferentes, que merecem respostas diferentes.

No primeiro caso, a questão é clara como a água. O casamento é um instituto milenar, que todos os direitos reconheçam e valorizam, em maior ou menor grau. Desde sempre que o poder politico viu a necessidade de proteger a união estável do homem e da mulher, que permitia a criação de uma nova família, base da sociedade humana.

Por isso é da natureza do matrimónio ser entre pessoas de sexo diferente. Falar de casamento entre pessoas do mesmo sexo é o mesmo que falar do direito do ladrão à legítima defesa.

A questão de uma forma de união entre pessoas do mesmo sexo com direitos iguais aos do casamento é diferente. Aqui trata-se de perceber se existe uma relação que o Estado deve tutelar e proteger.

Ora, sendo que de uma união homossexual não nasce família, então o Estado não tem nada que se imiscuir nos seus assuntos privados, como se eles se amam ao não.

Ao Estado não interessa se um homem e uma mulher que se querem casar estão apaixonados, mas simplesmente se legalmente o podem fazer e se o querem fazer. Os afectos não tem protecção jurídica.

Por isso, tratemos de maneira igual o que é igual e de maneira desigual o que é desigual, porque sem este corolário do Direito nunca atingiremos a Igualdade.

quarta-feira, julho 02, 2008

Agora é a vez dos polacos

O presidente polaco afirmou hoje que não irá rectificar o Tratado de Lisboa.

Já não é o primeiro polaco a salvar a Europa nos últimos anos...

segunda-feira, junho 30, 2008

Irlanda!

Confesso que nunca fui à Irlanda. Nem nunca sequer conheci um irlandês (quando muito, descendentes de irlandeses) mas é me dificil não amar a Irlanda.

É dificil não amar aquele que é um dos último países cristãos da Europa. É dificil não amar um povo que resistiu e lutou durante 800 anos pela sua liberdade. É sobretudo dificil não nos comover-mos diante de um povo que canta como cantam os irlandeses.

É facil imaginar a verdejante Irlanda ao ouvir o canto dos irlandeses, que fala sobretudo da sua terra e da sua luta pela liberdade.

Deixo aqui mais um canto irlandês.



Only our rivers run free

When apples still grow in November,
when blossoms still grow from each tree,
when leaves are still green in December,
it’s then that our land will be free.
I wander the hills and the valleys,
and still through my sorrow I see
a land that has never know freedom,
and only her rivers run free.

I drink to the death of her manhood,
those men who’d rather have died
than to live in the cold chains of bondage
to bring back their rights were denied.
Oh where are you now that we need you?
What burns where the flame used to be?
Are you gone like the snow of last winter?
And will only our rivers run free?

How sweet is life, but we’re crying.
How mellow the wine, but we’re dry.
How fragrant the rose, but it’s dying.
How gentle the wind, but it sighs.
What good is in youth when it’s ageing?
What joy is in eyes that can’t see?
When there’s sorrow in sunshine and flowers,
and still only our rivers run free.

domingo, junho 29, 2008

"Tu es Petrus"







«Tu és Pedro, e sobre esta Pedra edificarei a Minha Igreja, e as forças do Inferno não levarão a melhor contra ela. Dar-te-ei as chaves do Reino dos Céus: tudo o que ligares na Terra ficará ligado nos Céus, e tudo o que desligares na Terra ficará desligado nos Céus».


Hoje é dia de São Pedro, ou seja, é o dia do Papa. Pois a frase "Tu és Pedro" atravessa a história e é hoje dita a Sua Santidade o Papa Bento XVI.

Pois de facto ele é Pedro, pedra sobre qual está erguida a Igreja de Cristo. Hoje faz cada vez mais sentido a frase das escrituras "A pedra que os construtores rejeitaram tornou-se pedra angular".

Que Deus Nosso Pai guarde e proteja o Santo Padre e lhe dê forças para guiar o povo Cristão ao seu destino.

SEMPER FIDELIS!

Verdade sobre a Inquisição








No meio de umas pesquisas no Google, desencantei este vídeos do YouTube.

Vale muito a pena vê-los até ao fim, pois reproduzem um juízo claro sobre a Inquisição em Portugal, afastando-nos da versão marxista que nos é transmitida na Escola.

sábado, junho 28, 2008

O VEÍCULO DA VERDADE

Hoje postamos o manifesto que o 24 XPTO (ver: http://www.24xpto.net) proporá amanhã à comunicação social, numa das suas viagens missionárias.

No rebuliço da vida quotidiana de cada um de nós, o encontro com Cristo decidiu todos os âmbitos da nossa existência: «Não sou eu quem vive, mas é Cristo que vive em Mim». Nestas jornadas, à imitação de São Paulo, o que nos move é o embate com uma realidade humana que explica toda a realidade à luz de um novo critério de Bem, de Justiça e de Verdade: Jesus.

Assim, reconhecemos que os meios de comunicação social são fundamentais para a sociedade actual: a realidade torna-se “vizinha” de todos e o mundo está ao virar da esquina.
Como critério do nosso olhar sobre a realidade, partimos de três premissas:

Realismo
Olhar para o objecto do vosso trabalho com amor e dedicação, respeitando o critério do Bem e do Mal, que está inscrito no coração de todos os homens.

Razoabilidade
Entendemos que o respeito pela humanidade e pela existência de todos os homens merece uma atenção, uma tensão para evitar todos os tipos de violência, moral ou psicológica, para que a realidade seja veiculada através da beleza que atrai os homens.

Moralidade
Tudo o que nos atrai na realidade, tem um fim, concreto e exacto. É o respeito pelo destino das coisas e, sobretudo, das pessoas que constitui a nossa última premissa: amar mais a verdade do que a ideia que poderemos ter sobre ela. É um desafio. Mas é um desafio que traz um gosto novo à relação com a realidade.

Para terminar, propomos uma pequena reflexão sobre alguns dos pontos que defendemos no ordenamento social.

Libertas ecclesiae – uma sociedade que respeita a liberdade de um fenómeno tão sui generis como a Igreja é por si mesmo tolerante com qualquer outra agregação humana autêntica. O reconhecimento do papel público da fé e do contributo que esta pode dar ao caminho dos homens é, portanto, garantia da liberdade para todos, não só para os cristãos.

O bem comum - Uma política que se concebe como serviço ao povo tem em consideração a defesa das experiências em que o desejo do homem e a sua responsabilidade – através da construção de obras sociais e económicas, segundo o princípio da subsidiariedade – podem crescer em função do bem comum.
Interessa promover uma política e um ordenamento do Estado que favoreçam a “liberdade” e o “bem”, e que possam sustentar assim a esperança do futuro, defendendo a vida, a família, a liberdade de educar e de realizar obras que encarnem o desejo do homem.

As Férias segundo Bento XVI (Joseph Ratzinger)

Ontém, entre amigos, falávamos do tempo das férias que para uns já começou e para outros está prestes a começar: das dificuldades próprias deste tempo que é o "tempo da Liberdade por excelência", do grande desafio de o bem aproveitar e de alguns critérios para o fazer.
.
Encontrei este texto do Santo Padre (via PorCausadEle) que é certamente de grande ajuda para todos nós.
.
-------------------------------------------------------------------------------------------------
.
Poder descansar (*)
.
Os discípulos colocaram a Jesus o problema do stress e do descanso. Os discípulos regressavam da primeira missão, muito entusiasmados com a experiência e com os resultados obtidos. Não paravam de falar sobre os êxitos conseguidos. Com efeito, o movimento era tanto que nem tinham tempo para comer, com muitas pessoas à sua volta. Talvez esperassem ouvir algum elogio por tanto zelo apostólico. Mas Jesus, em vez disso, convida-os a um lugar deserto, para estarem a sós e descansarem um pouco. Creio que nos faz bem observar neste acontecimento a humanidade de Jesus. A sua acção não dizia só palavras de grandeza sublime, nem se afadigava ininterruptamente por atender todos os que vinham ao seu encontro. Consigo imaginar o seu rosto ao pronunciar estas palavras. Enquanto os apóstolos se esforçavam cheios de coragem e importância que até se esqueciam de comer, Jesus tira-os das nuvens. Venham descansar!
.
Sente-se um humor silencioso, uma ironia amigável, com que Jesus os traz para terra firme. Justamente nesta humanidade de Jesus torna-se visível a divindade, torna-se perceptível como Deus é. A agitação de qualquer espécie, mesmo a agitação religiosa não condiz com a visão do homem do Novo Testamento. Sempre que pensamos que somos insubstituíveis; sempre que pensamos que o mundo e a Igreja dependem do nosso fazer, sobrestimamo-nos. Ser capaz de parar é um acto de autêntica humildade e de honradez criativa; reconhecer os nossos limites; dar espaço para respirar e para descansar como é próprio da criatura humana.
.
Não desejo tecer louvores à preguiça, mas contribuir para a revisão do catálogo de virtudes, tal como se desenvolveu no mundo ocidental, onde trabalhar parece ser a única atitude digna. Olhar, contemplar, o recolhimento, o silêncio parecem inadmissíveis, ou pelo menos precisam de uma explicação. Assim se atrofiam algumas faculdades essenciais do ser humano.
.
O nosso frenesim à volta dos tempos livres, mostra que é assim. Muitas vezes isso significa apenas uma mudança de palco. Muitos não se sentiriam bem se não se envolvessem de novo num ambiente massificado e agitado, do qual, supostamente, desejavam fugir. Seria bom para nós, que continuamente vivemos num mundo artificial fabricado por nós, deixar tudo isso e procurarmos o contacto com a natureza em estado puro.
.
Desejaria mencionar um pequeno acontecimento que João Paulo II contou durante o retiro que pregou para Paulo VI, quando ainda era Cardeal. Falou duma conversa que teve com um cientista, um extraordinário investigador e um excelente homem, que lhe dizia: "Do ponto de vista da ciência, sou um ateu...". Mas o mesmo homem escrevia-lhe depois: "Cada vez que me encontro com a majestade da natureza, com as montanhas, sinto que Ele existe".
.
Voltamos a afirmar que no mundo artificial fabricado por nós, Deus não aparece. Por isso, temos necessidade de sair da nossa agitação e procurar o ar da criação, para O podermos contactar e nos encontrarmos a nós mesmos.
.
(*) Card. J. Ratzinger "Esplendor da Glória de Deus" Editorial Franciscana, 2007, pág. 161.

sexta-feira, junho 27, 2008

"Zé e a Ana na nova lei do divórcio" Isilda Pegado, Público, 26/06/08

Na lei actual, o património divide-se em partes iguais. Com a nova lei, a Ana tem direito a 1/6 do património e o Zé a 5/6O Zé e Ana estão casados há 15 anos e têm dois filhos, ele é engenheiro e ela secretária.

Ele, sabe-se lá porquê, ultimamente chega a casa bebe uns uísques e... bate na Ana. À terceira vez, a Ana apresentou queixa na GNR, para "ver se ele tem respeito a alguém". A Ana gosta do Zé e não se quer divorciar, apenas pediu ajuda para "esta fase má" do casamento.

Hoje, com a lei actual, a Ana não tem medo de apresentar queixa porque o casamento não é posto em causa por esse facto. Amanhã, com a nova lei do divórcio, o Zé com cópia da queixa apresentada na GNR pode divorciar--se (art. 1.781.º, al. d), nova versão). O Zé usa a sua própria violência para pôr fim ao casamento.Acontece que a Ana ganha mil euros por mês, mas o marido aufere 5000 euros por mês. Sempre foi assim. Ele ganhava cinco vezes mais do que ela. É certo que ela orientava a casa, mas ele também ajudava nas tarefas domésticas (como qualquer casal moderno...).

Hoje, com a lei vigente, o património que construíram (a casa onde vivem, o carro e os 80.000 euros de "pé-de--meia") é para dividir em partes iguais. A Ana fica com a casa e ele com o carro e o dinheiro. Amanhã, com a nova lei do divórcio, na partilha (art. 1.676.º, n.º 2, nova versão) a Ana tem direito a 1/6 do património e o Zé a 5/6. Contas feitas, a Ana para ficar com a casa terá de pedir ao Banco ?82.000 que dará de tornas ao Zé. Isto é, a Ana terá direito a 37.500 euros e o João a 187.500 (na divisão do património conjugal). Acontece ainda que, nos últimos três anos, o tio do Zé - o tio Arlindo - viveu com eles porque estava velho e não tinha filhos. Prevendo o seu fim fez um testamento ao Zé e à Ana deixando-lhes a casa na Nazaré e três pedaços de pinhal. O Zé e a Ana trataram de tudo e até registaram em seu nome as propriedades. Hoje, com o divórcio, o Zé e a Ana continuam a ser donos em partes iguais das propriedades. Amanhã, com a nova lei do divórcio, a Ana, que não quis divorciar-se, que foi vítima de violência do marido, tendo este obtido o divórcio, perde os bens que herdara do tio Arlindo (art. 1.791.º, nova versão) revertendo os mesmos, na totalidade, para o Zé.

Quando a Ana procurou alguém que lhe explicou o que se iria passar, disse em voz baixa (não vá alguém ouvir): "Afinal, a violência doméstica compensa. Ainda dizem eles para apresentar queixa. Estou cada vez mais sozinha".

quinta-feira, junho 26, 2008

Na ressaca do referendo na Irlanda



Irish soldier laddie.

'Twas a morning in July, I was walking to Tipperary
When I heard a battle cry from the mountains over head
As I looked up in the sky I saw an Irish soldier laddie
He looked at me right fearlessly and said:

Will ye stand in the band like a true Irish man
And go and fight the forces of the crown?
Will ye march with O'Neill to an Irish battle field?
For tonight we go to free old Wexford town!

Said I to that soldier boy,
"Won't you take me to your captain
T'would be my pride and joy for to march with you today
My young brother fell in Cork and my son at Innes Carthay!"
Unto the noble captain I did say:

I will stand in the band like a true Irish man
And go and fight the forces of the crown?
I will march with O'Neill to an Irish battle field?
For tonight we go to free old Wexford town!

As we marched back from the field in the shadow of the evening
With our banners flying low to the memory of our dead
We returned unto our homes but without my soldier laddie
Yet I never will forget those words he said:

Will ye stand in the band like a true Irish man
And go and fight the forces of the crown?
Will ye march with O'Neill to an Irish battle field?
For tonight we go to free old Wexford town!

A Europa contra os cidadãos!




Tendo feito terça-feira uma frequência de Direito da União Europeia, arrisco-me a dar um palpite sobre o Tratado Reformador, mais conhecido como Tratado de Lisboa ou então como o ponto alto da carreira do nosso Primeiro.

Perante a possibilidade de novo chumbo deste tratado nas urnas, como já acontecera com o "projecto do tratado de uma Constituição para a Europa", os governos da U.E. decidiram aprovar este tratado nos respectivos parlamentos. Muitos dos governos que o fizeram (ou ainda vão fizeram) fizeram-no quebrando promessas eleitorais (como por exemplo o nosso).
Só a Irlanda, onde a constituição foi um real garante do Estado de Direito, foi a referendo. Resultado, os irlandeses dizeram "Não" ao Tratado de Lisboa, como já haviam feito os franceses e os holandeses ao seu irmão mais velho.

O grande problema da U.E. é que a Europa dos cidadãos não se pode construir contra os mesmos. Quanto mais os governantes insistirem na integração europeia sem a legitimação do povo, mais o povo se há de afastar do ideal europeu.

Os actuais lideres das comunidades esqueceram-se da lição do seu fundador. "A Europa não será construída de um só golpe", dizia Schumann na sua célebre declaração de 9 de Maio de 1950. A integração é progressiva e paulatina, não se pode queimar etapas, ensinam todos aqueles que se dedicam ao Direito da U.E..

Se o povo não percebe a importância do Tratado Reformador, então que se explique ao povo. Se o povo não liga a U.E., então a União que pense onde está a falhar.

Obrigar os povos da Europa a caminhar para o federalismo, insistido na ideia da sua inevitabilidade, só contribuirá para um enfraquecimento cada vez maior da já pouca legitimidade dos órgãos da U.E.

90 anos de um grande Bispo.

O Bispo D. António Rodrigues completou 90 anos(24/06). Para assinalar a data, D. José Policarpo presidiu a uma missa co-celebrada por vários Bispos e dezenas de padres do Patriarcado de Lisboa.


O Papa enviou uma mensagem especial através do Secretário de Estado do Vaticano, Cardeal Tarcísio Bertone, na qual felicitou D. António Rodrigues pelos frutuosos anos de vida que Deus lhe concedeu e por nele ter esculpido os traços do bom pastor.

Na sua intervenção, no fim da missa, D. António Rodrigues agradeceu a Deus pelas oportunidades que teve ao longo da sua vida.

“Depois de formado em Direito fui aceite como padre – saudosos tempos que nunca me esquece. Já lá vão mais de 60 anos. Não posso dizer se não que recordo a promessa que fiz no dia em que fui ordenado como presbítero e depois como Bispo. Tudo isso passa hoje pelo meu espírito, acolhido em Deus e na Igreja minha Mãe, porque sou tão somente um servo inútil”, disse.

À saída, D. José Policarpo comentou a influência que D. António Rodrigues teve na vida dos católicos portugueses.

“O senhor D. António marcou uma geração. É hoje muito apreciado, mesmo por gente que já não é muito frequentadora da Igreja, mas que foram muito marcados pela sua inteligência e pela sua intervenção de trabalho. Se durante um tempo ele era muito admirado e temido hoje é muito estimado”, refere o Cardeal Patriarca.

D. António dos Reis Rodrigues foi referência em Portugal para várias gerações de católicos: antigo Bispo de Madarsuma foi auxiliar de dois Ordinários Castrenses, os Cardeais Patriarcas D. Manuel Cerejeira e D. António Ribeiro. Foi depois Bispo Auxiliar de três patriarcas. Foi ainda Secretário e Vice-Presidente da Conferência Episcopal.

Uma vida e missão aqui retratadas pelo padre Mário Rui, pároco da Igreja de São Nicolau, em Lisboa.

“O senhor D. António Reis Rodrigues é uma pessoa dotada de grande inteligência, com um pensamento coerente, um pensamento ricamente estruturado em que impressiona a vastidão do seu saber e a amplitude da sua cultura. O senhor D. António, como homem como padre, como Bispo, sempre manifestou uma firmeza de carácter e uma coragem lúcida tantas vezes postas à prova no exercício de funções. Sendo brilhante foi, ao mesmo tempo, discreto”, refere.

No dia 14 de Julho, na Universidade Católica, vão ser lançados cinco livros de D. António Reis Rodrigues sobre a Doutrina Social da igreja, dois dos quais inéditos. A apresentação vai estar a cargo do Reitor Braga da Cruz."

Não posso dizer que me lembre da acção pastoral do Senhor Dom António. Contudo, foi amigo do meu avô e da minha familia e guardo dele a ideia de um grande pastor.

Confiando no testemunho daqueles que com ele privarem, rezo ao Senhor para que nos envie tão grande pastores com o Senhor Dom António.

26 de Junho




Hoje é dia de São Josemaria Escrivá, fundador do Opus Dei.

Rezemos a este grande santo, que tão importante foi para a Igreja de Espanha e para o mundo, entregando-lhe sobretudo o Marcos e a Kate que hoje fazem anos.

Rogais por nós bem aventurado Josemaria,
Para que sejamos dignos das promessas de Cristo!

Regresso

Após algum tempo de inactividade, mesmo sabendo que a pausa em Agosto será de algum modo inevitável, retomamos agora este blog.

Peço desculpa pela falta.

Obrigado aos que regressarem!

quinta-feira, junho 19, 2008

Ratzinger e o Euro

Regularmente, cada quatro anos, o campeonato do mundo de futebol afirma-se como um acontecimento que reúne à sua volta centenas de milhões de pessoas. Dificilmente um outro fenómeno mundial consegue alcançar uma tão vasta influência. Isso mostra que este fenómeno toca algo constitutivo do ser humano, e leva-nos a perguntar pela razão da força que este desporto tem.

O pessimista dirá que acontece o mesmo que na antiga Roma. Os slogans das massas eram: panem et circenses, pão e circo. Pão e jogo seriam os valores duma sociedade decadente, que não conhece fins superiores. Mesmo que aceitemos esta informação, não seria de maneira nenhuma o suficiente.

Mais uma vez teria que se perguntar: Onde reside a fascinação deste jogo, que se apresenta com a mesma importância que o pão? Podíamos responder olhando novamente para Roma, dizendo que o grito pelo pão e pelo jogo mais não é que a expressão do desejo duma vida paradisíaca, uma vida de fartura sem esforço e da realização da liberdade. Na realidade, é o que se insinua com o jogo: uma actividade totalmente livre, sem o limite dos fins e da necessidade, e que, no entanto, mobiliza e satisfaz todas as energias do ser humano.

Nesta perspectiva, o jogo seria uma tentativa de regresso ao paraíso, a fuga da seriedade escravizante do dia-a-dia com a sua disciplina, para a seriedade livre, sem imposições, que, justamente por isso, se toma mais bela.

Nesse sentido, o jogo ultrapassa, em certo modo, a vida do dia-a-dia; mas tem também, sobretudo na criança, ainda um outro carácter. É exercício para a vida. Simboliza a própria vida e é dela uma antecipação descontraída.

Parece-me que a fascinação do futebol consiste, essencialmente, em que reúne em si estes dois aspectos de forma convincente. Primeiro, obriga o homem a dominar-se, de tal forma que, através do treino, ganha o domínio sobre si mesmo. Com o domínio supera-se e, superando-se, toma-se mais livre. Mas também lhe ensina a disciplina do conjunto: como jogo de equipa, obriga-o a subordinar o próprio ao todo. Une-os num objectivo comum. O sucesso ou o insucesso de um está ligado ao sucesso e ao insucesso do todo.

Fonte: "Esplendor da Glória de Deus", Cardeal Ratzinguer, Ed. Franciscana, 2007, pág. 187

quarta-feira, abril 09, 2008

A Igreja clandestina.

Neste dias estalou a polémica sobre os Jogos Olímpicos de Pequim. A questão tem sido o Tibete, que continua a ser ocupado barbaramente pela China.

Embora o Tibete seja mais um motivo de repúdio em relação à China está longe de ser o único, ou mesmo, o mais importante. Os media decidiram , assim como os lideres mundiais que se atreveram a falar sobre este assunto, preferem falar apenas sobre o Tibete, o Dalai Lama e os pobres budistas. Mas ninguém se atreveu ainda a denunciar a sistemática violação dos direitos humanos que existe no pais de Mao.

Os lideres políticos preferem esquecer que o milagre económico chinês, perante o qual se vergam, tem como base trabalho escravo. Milhões trabalham na China em regime de quase de escravatura, guardados por homens armados, em fábrica onde trabalham horas sem fim a troco de pouco mais de cem dólares por mês. Por cima disto, parte substancial desse salário serve para pagar o alojamento e a comida. O milagre económico chinês resume-se a vender produtos baratos para o estrangeiro, fruto de mão de obra quase gratuita.

Mas os atropelos aos direitos humanos no país da revolução cultural (onde Mao, coqueluche de uma certa esquerda cultural europeia, matou mais milhões que Hitler) não se resumem aos problemas laborais. Hoje na China não existe liberdade religiosa. Existem quatro igrejas do Estados, uma das quais a Associação Católica Patriótica. Fora disto estão proibidas todas as outras confissões. Todos os anos são presos, torturados e mortos católicos na China. Mas a comunidade internacional fecha aos olhos, com medo de ofender o novo colosso económico.

Resta como consolação aos católicos chineses, assim como a todo o o povo chinês, as palavras que o Santo Padre lhes dirigiu na Páscoa.

Maçonaria ao ataque.

A Conferência Episcopal Portuguesa decidiu voltar a eleger Dom Jaime Ortiga, Arcebispo de Braga, para seu presidente. Quando tomou posse, o senhor arcebispo pediu aos católicos empenho na vida pública e acusou o governo de afastar os católicos do Estado.

Como resposta a estas declaração choveram coros de protestos dos habituais bem pensantes laicistas que dominam o panorama cultural português. A frase que mais transtorno causou foi "o Estado não pode ser militantemente ateu". Os bastiões da ética republicana bradaram aos céus, exclamando que a Igreja queria era interferir no Estado.

Por outro lado, hoje, representantes de várias lojas maçónicas receberam o presidente da Comissão Europeia, para lhe pedir satisfações por uma declarações que terá prestado na Roménia, num encontro ecuménico, onde salientou a importância das religiões na construção europeia.

Sobre isto, ninguém falou. Não deixa de ser preocupante que os intelectuais do regime ataquem quem luta publicamente, mas se calem perante jogos de poder secretos. A Igreja é uma alvo a abater, apesar de fazer luta dentro do sistema democrático, enquanto a maçonaria é poupada e secretamente vai puxando cordelinhos nos bastidores da vida politica.

Para que não hajam dúvidas: decorre neste momento uma perseguição cultural à Igreja. A Igreja é cada vez mais atacada, denegrida, reduzida à privacidade de cada um. Cabe a cada um de nós sermos testemunhos públicos de Cristo, na circunstância que nos for confiada!

terça-feira, abril 01, 2008

"Cl, o desafio da missão", Entrevista do Padre Carrón no jornal Avvenire a 20/03/2008

Publicamos a entrevista ao padre Julian Carrón, presidente da Fraternidade de CL, realizada por um jornal espanhol.

Há um ano atrás, no dia 24 de Março, a praça de São Pedro encheu-se de celinos, provenientes de todo o mundo, para a audiência com Bento XVI, por ocasião dos 25 anos do reconhecimento pontifício da Fraternidade de Comunhão e Libertação, da qual o senhor foi confirmado presidente nos últimos dias. Padre Carrón, o que lhe ficou daquela audiência?


Roma foi a confirmação apostólica do valor do carisma dado a Don Giussani pela vida da Igreja. Bento XVI sublinhou a origem pessoal do carisma e confirmou a permanência do mesmo na experiência do movimento.
E relançou-nos na tarefa missionária, que já nos tinha sido confiada por João Paulo II. Nos dias de hoje, este desafio missionário é ainda mais decisivo, por exemplo, como o que aconteceu no Brasil nestas últimas semanas. Durante um encontro em São Paulo, com 50 mil membros do Movimento dos Sem Terra, a Cleuza Zerbini, percursora deste movimento, bem como o seu marido Marcos, disse: «Carrón, há uns anos também tinha um movimento, o Nova Terra. Quando conheceu Don Giussani confiou-lhe este movimento, porque não havia mais nada para procurar; tudo o que devia encontrar, tinha encontrado. A história repete-se mais uma vez. Hoje não existem duas estradas: existe apenas uma. Hoje, o Nova Terra e os Sem Terra unem-se ao movimento de Comunhão e Libertação». Imagine a minha comoção, tal como a que acenei quando o Don Giussani me chamou de Espanha para o acompanhar a guiar o movimento. Como então, senti-me tão pequeno, tão insignificante, que em São Paulo tive a mesma sensação. Mas este facto novo que o Mistério nos coloca diante não me amedronta, porque Aquele que começou entre nós esta obra boa, leva-la-à a bom termo.

Como acolheu o mandato renovado para guiar o movimento nos próximos anos? O que representa para si?

Aceitei a decisão com o mesmo espírito com que aceitei a decisão de Don Giussani, procurando obedecer à modalidade com que o Mistério me chama a responder. Hoje estou muito mais consciente da desproporção total diante da tarefa que me é confiada. E o que eu quero viver está bem descrito no trecho de Solov’ev que o Don Giussani nos propôs como manifesto permanente do nosso movimento: «O que nos é mais querido no cristianismo é o próprio Cristo, Ele próprio, e tudo o que Dele deriva, porque nós sabemos que n’Ele habita corporalmente toda a plenitude da divindade». Desejo não querer nada mais na vida para além disto.

Isto tudo que acabou de dizer, o que é que significa para o futuro de CL?

Os factos imponentes que aconteceram neste último ano trouxeram mais uma vez à baila a nossa responsabilidade, segundo o mandato do dia 24 de Março de 2007: viver uma fé profunda e personalizada, que nos permita estar na realidade, como nos disse Bento XVI, com uma «espontaneidade e uma liberdade que permitam novas e proféticas realizações apostólicas e missionárias», para colaborar juntamente com os pastores em «tornar presente o mistério e a obra salvífica de Cristo no mundo».
Uma fé madura exprime-se em obras nas quais o desejo do homem incarna e assim oferece um contributo à vida social. A fé católica não é só uma questão privada ou limitada a algum âmbito particular, mas tem igualmente uma função pública, visto que é um factor que torna melhor a vida quotidiana, mais humana e mais positiva, e coloca nas condições óptimas para enfrentar os problemas e as dificuldades, nas relações entre as pessoas, na educação, no trabalho, até mesmo no empenho cívico e político vivido como caridade.

O que representa, na sua opinião, para os cristãos, o contexto cultural e político de Espanha e de Itália, feitas as distinções devidas?

Há uma intervenção de Don Giussani em 1972, que me parece de grande actualidade. Ajuizando um momento igualmente dramático da nossa história – a crise de 68, da qual alguns dos fenómenos actuais são certamente a última consequência – disse: «Deus não permite que nada aconteça que não seja para um amadurecimento. Mais, é exactamente da capacidade que cada um de nós e cada realidade eclesial tem (família, comunidade, paróquia, Igreja em geral) de valorizar o que aparece como objecção como estrada de amadurecimento, demonstrando-se assim a verdade da fé». Mas é sobretudo a frase seguinte que me interessa sublinhar: «Este é o sintoma da verdade, da autenticidade pelo menos da nossa fé: se em primeiro plano colocamos verdadeiramente a fé ou outro tipo de preocupação, se esperamos verdadeiramente tudo do facto de Cristo, ou se do facto de Cristo esperamos apenas o que decidimos esperar, fazendo dele em última análise motivo e sustento para os nossos projectos e para os nossos programas». Por isto, a situação problemática que os nossos países estão a atravessar é uma circunstância que o Senhor permite para a nossa educação, para verificar o que cada um de nós ama mas também para desmascarar a ambiguidade que pode existir em todas as iniciativas humanas, por sua natureza, limitadas.

No que diz respeito à presença pública dos cristãos, o que é que este seu juízo implica?

Na situação actual, na qual – como vimos – não basta uma reactividade às provocações dos outros, somos incentivados a descobrir a originalidade do cristianismo. É preciso uma presença original, não reactiva. «Uma presença é original quando decorre da consciência da própria identidade e da afeição que se tem por ela, e nisso encontra a sua consistência» (Don Giussani). Como cristãos, não fomos escolhidos para provar as nossas capacidades dialécticas ou estratégicas, mas sim para testemunhar a novidade que a fé introduziu no mundo e que nos «conquistou» em primeiro lugar. O desafio que temos diante é o de sempre: educar adultos na fé, segundo um método que torne razoável a adesão a Cristo. Como disse padre Giussani ao Sínodo em 1987, «o que falta não é sequer a repetição verbal ou cultural do anúncio. O homem de hoje espera, talvez inconscientemente, a experiência do encontro com pessoas através das quais o encontro com Cristo é realidade de tal modo presente que a sua vida é mudada. Só um impacto humano pode interpelar o homem de hoje». Portanto, o encontro com alguma coisa que corresponda às exigências do coração, que interpele a razão no torpedo em que esta caiu e constitua uma resposta que nenhum moralismo pode sequer sonhar.

Sinteticamente, o que pode o carisma de CL oferecer de original?

O que recebemos da grande tradição da Igreja e que a genialidade humana e cristã de Don Giussani tornou experiência presente, atraente na actualidade: na fé, a solidão e o cepticismo são derrubados e a vida torna-se uma certeza imensa, exactamente porque Outro actua na história; em qualquer circunstância e dentro de qualquer prova, é possível viver assim. É este o contributo que consideramos poder dar à vida da nossa gente: mostrar a pertinência da fé para as exigências da vida – exigências de verdade, de beleza, de justiça, de felicidade – e portanto, a utilidade da fé para a vida dos homens do nosso tempo. Esta fé é esperança para a vida de todos.

Isto basta para enfrentar o golpe de um mundo que se afastou progressivamente da Igreja e da fé, e que se quer construir a prescindir, quando não explicitamente contra, o cristianismo?

Respondo-lhe com palavras que Don Giussani pronunciou depois da derrota dos católicos italianos do referendo ao aborto em 1981: «Exacto, este é um momento no qual seria preferível sermos apenas doze em todo o mundo. Quer dizer, é mesmo um momento onde se volta ao início, porque nunca tinha sido assim demonstrado que a mentalidade já não é cristã. O cristianismo como presença estável, consistente, e logo capaz de tradere, de tradição, de comunicação, de criar tradição, já não existe: tem que renascer. Tem que renascer como solicitação à problemática quotidiana, quer dizer, à vida quotidiana». Existe alguma coisa mais original e mais entusiasmante que isto?

tradução não oficial de Catarina Almeida