quinta-feira, junho 26, 2008

26 de Junho




Hoje é dia de São Josemaria Escrivá, fundador do Opus Dei.

Rezemos a este grande santo, que tão importante foi para a Igreja de Espanha e para o mundo, entregando-lhe sobretudo o Marcos e a Kate que hoje fazem anos.

Rogais por nós bem aventurado Josemaria,
Para que sejamos dignos das promessas de Cristo!

Regresso

Após algum tempo de inactividade, mesmo sabendo que a pausa em Agosto será de algum modo inevitável, retomamos agora este blog.

Peço desculpa pela falta.

Obrigado aos que regressarem!

quinta-feira, junho 19, 2008

Ratzinger e o Euro

Regularmente, cada quatro anos, o campeonato do mundo de futebol afirma-se como um acontecimento que reúne à sua volta centenas de milhões de pessoas. Dificilmente um outro fenómeno mundial consegue alcançar uma tão vasta influência. Isso mostra que este fenómeno toca algo constitutivo do ser humano, e leva-nos a perguntar pela razão da força que este desporto tem.

O pessimista dirá que acontece o mesmo que na antiga Roma. Os slogans das massas eram: panem et circenses, pão e circo. Pão e jogo seriam os valores duma sociedade decadente, que não conhece fins superiores. Mesmo que aceitemos esta informação, não seria de maneira nenhuma o suficiente.

Mais uma vez teria que se perguntar: Onde reside a fascinação deste jogo, que se apresenta com a mesma importância que o pão? Podíamos responder olhando novamente para Roma, dizendo que o grito pelo pão e pelo jogo mais não é que a expressão do desejo duma vida paradisíaca, uma vida de fartura sem esforço e da realização da liberdade. Na realidade, é o que se insinua com o jogo: uma actividade totalmente livre, sem o limite dos fins e da necessidade, e que, no entanto, mobiliza e satisfaz todas as energias do ser humano.

Nesta perspectiva, o jogo seria uma tentativa de regresso ao paraíso, a fuga da seriedade escravizante do dia-a-dia com a sua disciplina, para a seriedade livre, sem imposições, que, justamente por isso, se toma mais bela.

Nesse sentido, o jogo ultrapassa, em certo modo, a vida do dia-a-dia; mas tem também, sobretudo na criança, ainda um outro carácter. É exercício para a vida. Simboliza a própria vida e é dela uma antecipação descontraída.

Parece-me que a fascinação do futebol consiste, essencialmente, em que reúne em si estes dois aspectos de forma convincente. Primeiro, obriga o homem a dominar-se, de tal forma que, através do treino, ganha o domínio sobre si mesmo. Com o domínio supera-se e, superando-se, toma-se mais livre. Mas também lhe ensina a disciplina do conjunto: como jogo de equipa, obriga-o a subordinar o próprio ao todo. Une-os num objectivo comum. O sucesso ou o insucesso de um está ligado ao sucesso e ao insucesso do todo.

Fonte: "Esplendor da Glória de Deus", Cardeal Ratzinguer, Ed. Franciscana, 2007, pág. 187

quarta-feira, abril 09, 2008

A Igreja clandestina.

Neste dias estalou a polémica sobre os Jogos Olímpicos de Pequim. A questão tem sido o Tibete, que continua a ser ocupado barbaramente pela China.

Embora o Tibete seja mais um motivo de repúdio em relação à China está longe de ser o único, ou mesmo, o mais importante. Os media decidiram , assim como os lideres mundiais que se atreveram a falar sobre este assunto, preferem falar apenas sobre o Tibete, o Dalai Lama e os pobres budistas. Mas ninguém se atreveu ainda a denunciar a sistemática violação dos direitos humanos que existe no pais de Mao.

Os lideres políticos preferem esquecer que o milagre económico chinês, perante o qual se vergam, tem como base trabalho escravo. Milhões trabalham na China em regime de quase de escravatura, guardados por homens armados, em fábrica onde trabalham horas sem fim a troco de pouco mais de cem dólares por mês. Por cima disto, parte substancial desse salário serve para pagar o alojamento e a comida. O milagre económico chinês resume-se a vender produtos baratos para o estrangeiro, fruto de mão de obra quase gratuita.

Mas os atropelos aos direitos humanos no país da revolução cultural (onde Mao, coqueluche de uma certa esquerda cultural europeia, matou mais milhões que Hitler) não se resumem aos problemas laborais. Hoje na China não existe liberdade religiosa. Existem quatro igrejas do Estados, uma das quais a Associação Católica Patriótica. Fora disto estão proibidas todas as outras confissões. Todos os anos são presos, torturados e mortos católicos na China. Mas a comunidade internacional fecha aos olhos, com medo de ofender o novo colosso económico.

Resta como consolação aos católicos chineses, assim como a todo o o povo chinês, as palavras que o Santo Padre lhes dirigiu na Páscoa.

Maçonaria ao ataque.

A Conferência Episcopal Portuguesa decidiu voltar a eleger Dom Jaime Ortiga, Arcebispo de Braga, para seu presidente. Quando tomou posse, o senhor arcebispo pediu aos católicos empenho na vida pública e acusou o governo de afastar os católicos do Estado.

Como resposta a estas declaração choveram coros de protestos dos habituais bem pensantes laicistas que dominam o panorama cultural português. A frase que mais transtorno causou foi "o Estado não pode ser militantemente ateu". Os bastiões da ética republicana bradaram aos céus, exclamando que a Igreja queria era interferir no Estado.

Por outro lado, hoje, representantes de várias lojas maçónicas receberam o presidente da Comissão Europeia, para lhe pedir satisfações por uma declarações que terá prestado na Roménia, num encontro ecuménico, onde salientou a importância das religiões na construção europeia.

Sobre isto, ninguém falou. Não deixa de ser preocupante que os intelectuais do regime ataquem quem luta publicamente, mas se calem perante jogos de poder secretos. A Igreja é uma alvo a abater, apesar de fazer luta dentro do sistema democrático, enquanto a maçonaria é poupada e secretamente vai puxando cordelinhos nos bastidores da vida politica.

Para que não hajam dúvidas: decorre neste momento uma perseguição cultural à Igreja. A Igreja é cada vez mais atacada, denegrida, reduzida à privacidade de cada um. Cabe a cada um de nós sermos testemunhos públicos de Cristo, na circunstância que nos for confiada!

terça-feira, abril 01, 2008

"Cl, o desafio da missão", Entrevista do Padre Carrón no jornal Avvenire a 20/03/2008

Publicamos a entrevista ao padre Julian Carrón, presidente da Fraternidade de CL, realizada por um jornal espanhol.

Há um ano atrás, no dia 24 de Março, a praça de São Pedro encheu-se de celinos, provenientes de todo o mundo, para a audiência com Bento XVI, por ocasião dos 25 anos do reconhecimento pontifício da Fraternidade de Comunhão e Libertação, da qual o senhor foi confirmado presidente nos últimos dias. Padre Carrón, o que lhe ficou daquela audiência?


Roma foi a confirmação apostólica do valor do carisma dado a Don Giussani pela vida da Igreja. Bento XVI sublinhou a origem pessoal do carisma e confirmou a permanência do mesmo na experiência do movimento.
E relançou-nos na tarefa missionária, que já nos tinha sido confiada por João Paulo II. Nos dias de hoje, este desafio missionário é ainda mais decisivo, por exemplo, como o que aconteceu no Brasil nestas últimas semanas. Durante um encontro em São Paulo, com 50 mil membros do Movimento dos Sem Terra, a Cleuza Zerbini, percursora deste movimento, bem como o seu marido Marcos, disse: «Carrón, há uns anos também tinha um movimento, o Nova Terra. Quando conheceu Don Giussani confiou-lhe este movimento, porque não havia mais nada para procurar; tudo o que devia encontrar, tinha encontrado. A história repete-se mais uma vez. Hoje não existem duas estradas: existe apenas uma. Hoje, o Nova Terra e os Sem Terra unem-se ao movimento de Comunhão e Libertação». Imagine a minha comoção, tal como a que acenei quando o Don Giussani me chamou de Espanha para o acompanhar a guiar o movimento. Como então, senti-me tão pequeno, tão insignificante, que em São Paulo tive a mesma sensação. Mas este facto novo que o Mistério nos coloca diante não me amedronta, porque Aquele que começou entre nós esta obra boa, leva-la-à a bom termo.

Como acolheu o mandato renovado para guiar o movimento nos próximos anos? O que representa para si?

Aceitei a decisão com o mesmo espírito com que aceitei a decisão de Don Giussani, procurando obedecer à modalidade com que o Mistério me chama a responder. Hoje estou muito mais consciente da desproporção total diante da tarefa que me é confiada. E o que eu quero viver está bem descrito no trecho de Solov’ev que o Don Giussani nos propôs como manifesto permanente do nosso movimento: «O que nos é mais querido no cristianismo é o próprio Cristo, Ele próprio, e tudo o que Dele deriva, porque nós sabemos que n’Ele habita corporalmente toda a plenitude da divindade». Desejo não querer nada mais na vida para além disto.

Isto tudo que acabou de dizer, o que é que significa para o futuro de CL?

Os factos imponentes que aconteceram neste último ano trouxeram mais uma vez à baila a nossa responsabilidade, segundo o mandato do dia 24 de Março de 2007: viver uma fé profunda e personalizada, que nos permita estar na realidade, como nos disse Bento XVI, com uma «espontaneidade e uma liberdade que permitam novas e proféticas realizações apostólicas e missionárias», para colaborar juntamente com os pastores em «tornar presente o mistério e a obra salvífica de Cristo no mundo».
Uma fé madura exprime-se em obras nas quais o desejo do homem incarna e assim oferece um contributo à vida social. A fé católica não é só uma questão privada ou limitada a algum âmbito particular, mas tem igualmente uma função pública, visto que é um factor que torna melhor a vida quotidiana, mais humana e mais positiva, e coloca nas condições óptimas para enfrentar os problemas e as dificuldades, nas relações entre as pessoas, na educação, no trabalho, até mesmo no empenho cívico e político vivido como caridade.

O que representa, na sua opinião, para os cristãos, o contexto cultural e político de Espanha e de Itália, feitas as distinções devidas?

Há uma intervenção de Don Giussani em 1972, que me parece de grande actualidade. Ajuizando um momento igualmente dramático da nossa história – a crise de 68, da qual alguns dos fenómenos actuais são certamente a última consequência – disse: «Deus não permite que nada aconteça que não seja para um amadurecimento. Mais, é exactamente da capacidade que cada um de nós e cada realidade eclesial tem (família, comunidade, paróquia, Igreja em geral) de valorizar o que aparece como objecção como estrada de amadurecimento, demonstrando-se assim a verdade da fé». Mas é sobretudo a frase seguinte que me interessa sublinhar: «Este é o sintoma da verdade, da autenticidade pelo menos da nossa fé: se em primeiro plano colocamos verdadeiramente a fé ou outro tipo de preocupação, se esperamos verdadeiramente tudo do facto de Cristo, ou se do facto de Cristo esperamos apenas o que decidimos esperar, fazendo dele em última análise motivo e sustento para os nossos projectos e para os nossos programas». Por isto, a situação problemática que os nossos países estão a atravessar é uma circunstância que o Senhor permite para a nossa educação, para verificar o que cada um de nós ama mas também para desmascarar a ambiguidade que pode existir em todas as iniciativas humanas, por sua natureza, limitadas.

No que diz respeito à presença pública dos cristãos, o que é que este seu juízo implica?

Na situação actual, na qual – como vimos – não basta uma reactividade às provocações dos outros, somos incentivados a descobrir a originalidade do cristianismo. É preciso uma presença original, não reactiva. «Uma presença é original quando decorre da consciência da própria identidade e da afeição que se tem por ela, e nisso encontra a sua consistência» (Don Giussani). Como cristãos, não fomos escolhidos para provar as nossas capacidades dialécticas ou estratégicas, mas sim para testemunhar a novidade que a fé introduziu no mundo e que nos «conquistou» em primeiro lugar. O desafio que temos diante é o de sempre: educar adultos na fé, segundo um método que torne razoável a adesão a Cristo. Como disse padre Giussani ao Sínodo em 1987, «o que falta não é sequer a repetição verbal ou cultural do anúncio. O homem de hoje espera, talvez inconscientemente, a experiência do encontro com pessoas através das quais o encontro com Cristo é realidade de tal modo presente que a sua vida é mudada. Só um impacto humano pode interpelar o homem de hoje». Portanto, o encontro com alguma coisa que corresponda às exigências do coração, que interpele a razão no torpedo em que esta caiu e constitua uma resposta que nenhum moralismo pode sequer sonhar.

Sinteticamente, o que pode o carisma de CL oferecer de original?

O que recebemos da grande tradição da Igreja e que a genialidade humana e cristã de Don Giussani tornou experiência presente, atraente na actualidade: na fé, a solidão e o cepticismo são derrubados e a vida torna-se uma certeza imensa, exactamente porque Outro actua na história; em qualquer circunstância e dentro de qualquer prova, é possível viver assim. É este o contributo que consideramos poder dar à vida da nossa gente: mostrar a pertinência da fé para as exigências da vida – exigências de verdade, de beleza, de justiça, de felicidade – e portanto, a utilidade da fé para a vida dos homens do nosso tempo. Esta fé é esperança para a vida de todos.

Isto basta para enfrentar o golpe de um mundo que se afastou progressivamente da Igreja e da fé, e que se quer construir a prescindir, quando não explicitamente contra, o cristianismo?

Respondo-lhe com palavras que Don Giussani pronunciou depois da derrota dos católicos italianos do referendo ao aborto em 1981: «Exacto, este é um momento no qual seria preferível sermos apenas doze em todo o mundo. Quer dizer, é mesmo um momento onde se volta ao início, porque nunca tinha sido assim demonstrado que a mentalidade já não é cristã. O cristianismo como presença estável, consistente, e logo capaz de tradere, de tradição, de comunicação, de criar tradição, já não existe: tem que renascer. Tem que renascer como solicitação à problemática quotidiana, quer dizer, à vida quotidiana». Existe alguma coisa mais original e mais entusiasmante que isto?

tradução não oficial de Catarina Almeida

sexta-feira, fevereiro 22, 2008

"Estou certo que se formos simples no seguir, sentiremos don Giussani mais pai que nunca"




Há três anos atrás, neste dia, o Senhor chamou a si don Luigi Giussani.

Foi este homem que me fez e faz levar até ao fim este grito de infinito de que o meu coração é feito. Foi e é com este que eu compreendi que Cristo é a única resposta ao meu coração.

Poderia demorar horas a falar de toda a grandeza da vida e obra de don Giussani. E seria justo que o fizesse. Mas existem outros mais habilitados do que eu para fazê-lo. Qualque texto que produzisse para contar a vida deste homem ficaria sempre aquém da graça que foi para milhares de pessoas o dom da sua vida. Por isso não o faço.

Eu, a única coisa que sei dizer sobre este homem é que foi através dele que descobri Cristo, por isso foi com ele que me descobri Homem.

Grazie don Giuss!

P.S.: Hoje será será celebrada missa por don Luis Giussani, por Sua Excelência Reverendissima, o Senhor Dom Carços Azevedo, as 19h00, na Igreja Paroquial de Nossa Senhora da Encarnação.

9 de Março

Dia 9 de Março são as eleições legislativas em Espanha. Já se passaram quatro anos desde que os espanhóis, á custa de uma mentira de Aznar, elegeram para primeiro-ministro José Luiz Rodriguez Zapatero.

Foram quatro anos negros para Espanha. Primeiro foi a legalização do casamento entre pessoas do mesmo sexo, assim como a adopção pelos mesmos.

Depois as negociações e as tréguas com a ETA, que se assemelharam muito a uma cedência do governo a um grupo que já matou centena de espanhóis. A fantochada das negociações só acabou com o derramamento de mais sangue pelos terroristas bascos.

Temos ainda a criação de uma disciplina obrigatória de Educação para a Cidadania, que retira a liberdade aos pais de educarem os seus filhos como querem, mas concede aos Estado o poder de decidir qual a educação moral e cívica que as crianças devem receber.

Para finalizar, falando apenas dos actos dos quais temos eco cá em Portugal, a lei da memória, que mais se devia chamar lei do esquecimento, que apagou todos os sinais do franquismo em Espanha. Não quero aqui defender o franquismo, que deve feito seguramente coisas terríveis. Contudo exaltar a memória dos republicanos que perseguiram e abateram milhares de pessoas, especialmente cristãos, que instalaram em Espanha um ditadura de horror e perseguição, para a seguir apagar a memória do homem que pôs cobro a essa situação, parece-me de um revisionismo histórico absurdo.

Para além disso os quatro anos de governo socialista em Espanha caracterizaram-se por um ambiente de confronto com a Igreja e com a cultura cristã, da qual Espanha é uma grande herdeira.

Por tudo isto os bispos espanhóis decidiram intervir de maneira decidida nestas eleições. Muitos dirão que os bispos fizeram mal, que este não é o papel da Igreja. Contudo Cristo não pediu ao Pai para no tirar deste mundo, mas antes mandou-nos para o mundo: "tal como Tu me mandas-te ao mundo, assim Eu os mando ao mundo" (cfr. Jo, 17,18).

A Igreja não vive à parte do mundo, mas no mundo. Embora não caiba aos bispos fazer politica, cabe-lhes a condução do povo cristão. Por isso não podiam passar ao lado de um governo que quer extirpar a cultura cristã de Espanha, de um governo que ataca a família, a liberdade de educação e memória histórica.

Esperemos que o povo cristão siga os seus pastores e que toda a Igreja siga o exemplo destes bispos, que não têm medo de testemunhar a presença da Igreja no mundo e na sociedade, como luz que ilumina as trevas.

Uma morte digna.

Foi aprovado no parlamento luxemburguês a despenalização da eutanásia.

Este é um tema chamado "fracturante". Segundo os senhores que defendem a eutanásia deve-se dar aos doentes a oportunidade de morrer de forma digna. Causa estranheza a este senhores, tão condoídos com a dor, alheia a ideia do sofrimento. Parece-lhes que o sofrimento diminuiu, de alguma maneira, a dignidade de uma pessoa.

Já a mim, causa-me estranheza a estranheza destes senhores em relação ao sofrimento. Não consigo perceber porque é que é digno morrer com uma dose cavalar de morfina mas já não o é morrer ao fim de longos anos de uma doença dolorosa.

A minha vida não fui eu que a fiz. O meu destino não sou eu, nem fui eu que o decidi. Percebo que existe um claro desígnio de amor que atravessa a história da humanidade e história de cada Homem, ainda que de maneira misteriosa. Por isso reclamar a vida como sendo propriedade minha, inclusivamente para a destruir, é uma brutal violação da própria humanidade. É contra a nossa natureza, é contra o Eu.

Por isso não há dignidade na eutanásia, por isso não há dignidade no aborto, não há dignidade em matar pela dignidade dessa pessoa. A morte digna é aquela que é aceite com alegria na hora em que o Senhor pensou chamar-nos a Si.

Into the wild

Fui hoje ver com os meu companheiros de blog (excepto a Kate, que dando alas a um ímpeto capitalista súbito, se entreteve a criar sociedades comerciais) o filme "Into the wild".

O filme conta a história de um rapaz (por sinal, sensivelmente da minha idade) que após licenciar-se decide partir para parte incerta. As razões porque parte ao principio parecem um pouco ideológicas e moralistas: não quer viver a mesma mentira que os pais, um casal americano de classe média alta e por isso parte para vaguear pela América, apenas apetrechado com os seus livros.

Este jovem, de seu nome Christopher, pareceu-me, ao principio, vagamente irritante. Pareceu um ideológico moralista, que julga os pais e a sociedade com base em livros que leu e por isso foge das pessoas a vai para a natureza. Pareceu-me, ao principio, um pouco new age demais para mim.

Mas o desenrolar do filme leva-nos numa direcção totalmente diferente. Primeiro, porque percebemos que o problema de Chris com os pais não parte de um preconceito revolucionário, mas da relação concreta deles.

Depois descobrimos nele um obsessão pela verdade. Diz ele há um certo ponto: "Rather than love, than money, than faith, than fame, than fairness... give me truth". Este seu desejo de verdade irá fazê-lo mudar perante a realidade. O filme, mais do que da sua experiência de solidão no natureza selvagem, fala sobre os seus encontros ao longo do caminho.

Todo o filme mostra-nos como ele de facto compara o que lê com o que vive e compara tudo isto com o seu desejo de verdade, com a sua exigência de verdade. Isso irá fazer mudar a sua visão das coisas. Para mim esta é a maior grandeza deste filme: percebe-se claramente que é o objecto que dita o método. Ele, perante a realidade, muda.

De tal maneira que, contrariando a sua grande ideia sobre a felicidade, ele acabará por compreender a importância do outro. Mas não por causa de uma teoria ou de um livro, mas por causa de uma experiência ajuizada.

Haveria muitas outras coisas para dizer sobre o filme, mas só as direi quando ele sair de cena. Termino só dizendo uma coisa sobre o fim deste filme: é um fim de esperança. Digo de esperança e não feliz. Não se trata de um fim de contos de fada, mas de um fim que aponta uma resposta e não uma amargura.

terça-feira, fevereiro 19, 2008

Society (Into the Wild)

Eddie Vedder



Oh it's a mystery to me.
We have a greed, with which we have agreed...
and you think you have to want more than you need...
until you have it all, you won't be free.

Society, you're a crazy breed.
I hope you're not lonely, without me.

When you want more than you have, you think you need...
and when you think more then you want, your thoughts begin to bleed.
I think I need to find a bigger place...
cause when you have more than you think, you need more space.

Society, you're a crazy breed.
I hope you're not lonely, without me.
Society, crazy indeed...
I hope you're not lonely, without me.

There's those thinkin' more or less, less is more,
but if less is more, how you keepin' score?
It means for every point you make, your level drops.
Kinda like you're startin' from the top...
and you can't do that.

Society, you're a crazy breed.
I hope you're not lonely, without me.
Society, crazy indeed...
I hope you're not lonely, without me.
Society, have mercy on me.
I hope you're not angry, if I disagree.
Society, crazy indeed.
I hope you're not lonely...
without me.

Ainda a notícia do Público

Esta notícia do Público não pode deixar ninguém indiferente.
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O que mais impressiona nesta notícia, é o facto de perante o drama de uma mãe que abortou e afirma ter querido ter o seu filho, o Estado (ou indirectamente através dos seus agentes) justifique o drama com a falta de esclarecimento da mulher e prescreva como solução o simples investimento na informação.
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Não digo que a informação não seja importante, mas que o problema é bem mais profundo. Como se esta mãe ficasse com o seu problema humano resolvido se a sua gravidez e as formas legais de a "interromper" tivessem sido identificadas "a tempo e horas".
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O grito desta mulher é outro: "Eu queria ter o bebé e só fiz isto porque não tinha apoio de ninguém." É esse grito que não pode ser calado.
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Torna-se, desta forma, evidente (até para os mais cegos) que a Lei do Aborto não veio resolver problema algum. Ou proventura será esta mulher mais criminosa do que as mulheres que abortam, por sua própria vontade (supostamente livre e esclarecida), em estabelecimento legalmente autorizado, nas primeiras 10 semanas de gravidez?
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Ajudem os pais e os seus filhos (desde o primeiro momento) e revoguem a lei que mais não faz do que justificar a falta de apoio às pessoas concretas, nas suas dificuldades concretas e tentar anestesiar as consciências.

quinta-feira, fevereiro 14, 2008

Carta de don Carron

Caros amigos,

No domingo, dia 20 de Janeiro muitos de nós dirigiram-se de modo espontâneo, como uma coisa que vem do íntimo do coração, à Praça de São Pedro num sinal de comunhão com o Bispo de Roma, que pelos acontecimentos que são conhecidos renunciou a participar na inauguração do ano académico na universidade La Sapienza, onde tinha sido convidado. Não há dúvida que este vosso gesto foi o fruto da educação do Movimento em responder às provocações da realidade.

A prontidão na resposta é uma coisa de que devemos agradecer Deus, porque é
sinal da incidência que temsobre nós “aquela forma de ensinamento à qual fomos entregues” (J. Ratzinger). De facto não há outra explicação para esta mobilização espontânea, se não a consciência do valor que a figura do Papa tem para a nossa vida. Nele o Senhor ressuscitado comunica a Sua vitória no tempo e no espaço da história humana. Sem o testemunho de autoridade do Sucessor de Pedro nós estaríamos perdidos como tantos nossos contemporâneos: a audiência de 24 de Março do ano passado foi uma demonstração imponente e assinalará a nossa história para sempre. Por isso o seguimento do Papa coincide com o impacto da Sua presença. E exige de nós o empenho da razão e da liberdade.

Nós podemos verificar isto comamão quando foi tornado público o não chegado discurso de Bento XVI à universidade. Nele resplende aquela “tarefa demanter desperta esta sensibilidade pela verdade”. É o seu testemunho inabalável que constitui para nós a esperança de não sucumbir ao perigo do mundo ocidental, por ele denunciado, de se render “diante da questão da verdade”, porque nós sabemos bem que “se a razão se torna surda à grande mensagem que lhe vemda fé cristã e da sua sabedoria, seca como uma árvore que não alcança mais as águas que lhe dão vida”. E deste modo a razão “perde a coragem para a verdade” e resigna-se.

Este grande testemunho do Santo Padre constitui para cada um de nós um apelo excepcional para usar a razão assim. Ele ofereceu-nos esse testemunho contemporaneamente como início da Escola de comunidade sobre o livro de don GiussaniÉ possível viver assim?, cujas primeiras páginas tratam da fé como “método de conhecimento”. Nós somos os primeiros a sentir a necessidade de uma educação que nos consinta conhecer a realidade até ao fundo, a dar conta da urgência de começar um caminho de conhecimento que nos torne familiar o Mistério. Passados três anos da sua morte, pedimos a don Giussani que continue a fazer-nos companhia na estrada que nos traçou.

É seguindo a proposta que nos é feita na Escola de comunidade que poderá tornarse sempre mais nosso aquele olhar totalmente escancarado ao real que admiramos no Papa. Somente percorrendo este caminho podemos verdadeiramente conhecer, através do testemunho, a realidade de que fala a fé cristã.

Esta paixão pela razoabilidade da fé é-nos tão familiar porque don Giussani nunca nos defraudou, encorajando-nos a caminhar para à verdade de modo tal que a nossa adesão de fé seja digna da nossa natureza de homens.

Unidos mais que nunca nesta aventura
don Julián Carron

Isso diz muito sobre o P.S....

"PS diz que lei do aborto é das que mais honra o partido"

"Não podemos negar aquilo que vimos e ouvimos"

Libertados adolescentes iraquianos que se negaram a converter-se ao Islã


BAGDÁ, terça-feira, 12 de fevereiro de 2008 (ZENIT.org).- Três dos 40 adolescentes seqüestrados no Iraque arriscaram sua vida na semana passada para não apostatar de sua fé cristã, revela um bispo do país.

Dom Louis Sako, bispo de Kirkuk, explica: «Na semana passada, em uma estrada que leva a Bagdá, terroristas seqüestraram 40 alunos de uma escola. Entre eles havia três cristãos a quem impuseram que se convertessem ao islã. Os três jovens se opuseram com energia, dizendo que estavam dispostos a morrer por sua fé».

Segundo explicou o prelado ao SIR, serviço de informação religiosa na Itália, «o que aconteceu aos três jovens cristãos significa que, apesar das muitas dificuldades, nossos fiéis não perdem a fé e a esperança, e mais, reforçam-nas».

O prelado explica que em sua diocese durante esta Quaresma os «irmãos muçulmanos estão vindo para nos visitar», ainda que reconhece que a reconciliação e a convivência «exigem tempo e devem ser aprendidas».


via ZENIT.org

Santo do Dia




Hoje, ao contrário do que possa pensar quem passe por uma montra ou abra um jornal, é dia dos irmãos São Cirilio e São Metódio, padroeiros dos eslavos e da Europa.

Foram responsáveis pela tradução do Evangelho para eslavo e durante os anos 855 e 867 pregaram a Boa Nova aos povos eslavos.

Foram canonizados em 1880 e 1980 foram declarados pelo Papa João Paulo II padroeiros da Europa.

Rogai por nós bem aventurados Cirilo e Metódio,
para que sejamos dignos das promessas de Cristo.

Noticia do Público

Estudante usou dez comprimidos para abortar feto de 20 semanas
14.02.2008 - 09h15 :, Ana Cristina Pereira e Sandra Ferreira

Engoliu cinco comprimidos e introduziu outros tantos na vagina. "Sabe o que me vai acontecer?", pergunta, num tom assustado, a aluna da Escola Profissional da Torredeita, em Viseu. O país inteiro sabe que interrompeu uma gravidez de 20 semanas com Cytotec, um fármaco indicado para úlceras gástricas e duodenais. Enquanto se contorcia de dor, ali, na residência estudantil, alguém ligou à GNR.

A rapariga, de 19 anos, está deitada numa cama do Hospital de São Teotónio. A mãe dela está deitada numa cama de um outro hospital, em Cabo Verde. A mãe caiu de cama ao receber a notícia pela boca de um primo que estuda na mesma escola em que a filha cursa contabilidade. Não havia maneira de lhe esconder aquilo, o director do estabelecimento de ensino até convocou uma conferência de imprensa.

Sabendo-a "estável, em observações", a Polícia Judiciária não quis perder tempo. Já lá foi interrogá-la. Os inspectores insistiram numa pergunta: "Tem a certeza de quem é o pai?" Tem, sem sombra de dúvida. É o namorado, um cabo-verdiano a estudar no Algarve e a visitá-la amiúde.

"Ele nunca quis a criança." Não era só ele. A mãe também reprovava a gravidez. E "o desespero falou mais alto" dentro dela. "Eu queria ter o bebé e só fiz isto porque não tinha apoio de ninguém", tenta dizer ao mundo que já a julga e ainda não a ouviu. Agora, arrisca até três anos de prisão.



Esta noticia demonstra duas coisas:

- Primeiro, a nossa luta ainda não acabou. Ainda há quem aborte por que não tem quem a apoie. Como sempre ouvi o António Maria citar "O nosso trabalho é que nenhuma mulher possa dizer que abortou por que não teve ninguém que a apoiasse".

- Segundo, que de facto a única alternativa que o Estado dá as grávidas em dificuldades é um aborto limpinho numa sala esterilizada. Os mesmos que lutaram pelos direitos da mulher, após a vitória política, já deixaram cair o chavão e partiram para outra.

O resultado, mais duas vidas destruídas!

Irmã Lucia

O Cardeal Saraiva Martins anunciou ontem no Carmelo de Coimbra que o Papa autorizou a abertura do processo de beatificação da Irmã Lucia, dois anos antes do previsto.

Agora é necessário rezar à ultima dos pastorinhos de Fátima por um milagre, para que seja elevada aos altares em pouco tempo.

Para mais informações, ir aqui.

quarta-feira, fevereiro 13, 2008

"A man for all seasons"




Filme imprescíndivel para quem está a estudar Direito. Especialmente esta cena, que nos ajuda a ganhar consciência da importância do respeito pelas normas, que ajudam a efectivar a justiça, condição essencial para uma sociedade verdadeiramente livre.

Reposta ao Sr. Engenheiro.



Foi Deus

Não sei, não sabe ninguém
Porque canto o fado neste tom magoado de dor e de pranto
E neste tormento, todo o sofrimento
Eu sinto que alma cá dentro se acalma nos versos que canto

Foi Deus que deu voz ao vento,
Luz ao firmamento e deu o azul às ondas do mar
Foi deus que me pôs no peito
Um rosário de penas que vou desfiando e choro a cantar

Fez poeta o rouxinol, pôs no campo o alecrim
Deu as flores à primavera
Ai, e deu-me esta voz a mim

Se canto, não sei o que canto
Misto de ventura, saudade ternura e talvez amor
Mas sei que cantando, sinto mesmo quando
Se tem um desgosto e o pranto no rosto nos deixa melhor.

Foi Deus que deu luz aos olhos, deu o ouro ao sol e a prata ao luar
Foi Deus que me pôs no peito um rosário de penas que vou
Desfiando e choro a cantar





Estranha forma de vida

Foi por vontade de Deus
que eu vivo nesta ansiedade.
Que todos os ais são meus,
Que é toda a minha saudade.
Foi por vontade de Deus.

Que estranha forma de vida
tem este meu coração:
vive de forma perdida;
Quem lhe daria o condão?
Que estranha forma de vida.

Coração independente,
coração que não comando:
vive perdido entre a gente,
teimosamente sangrando,
coração independente.

Eu não te acompanho mais:
para, deixa de bater.
Se não sabes onde vais,
porque teimas em correr,
eu não te acompanho mais.


Não tenho por hábito responder com post's aos desafios dos nosso comentadores. Contudo há comentadores que me merecem muito respeito e consideração. Por isso fiz os post's anteriores, de grandes escritores que mais tarde ou mais cedo (Tolkien desde o berço, Oscar Wilde no leito da morte) se converteram ao Cristianismo e que por isso foram ostracizados (como Chesterton) ou reduzidos até ecaixarem em classes ideológicas (os grupos de maricas tomaram para si Oscar Wilde).

Já este post é de uma mulher que sempre se afirmou cristã e, sendo provavelmente dos maiores íncones da cultura portuguesa, nunca foi de esquerda, contrariando o cliché habitual do artista esquerdófilo.