segunda-feira, novembro 12, 2007

Viva o rei!*



* Há que deixar bem claro que, embore tenha muita admiração pelo rei de Espanha, nunca nenhum membro deste blog será favorável aquilo que hoje se chama "união ibérica" e que nós chama-mos "aquilo que os epanhóis andaram oitocentos anos a tentar fazer mas que nunca conseguiram, porque nós lhes demos uma sova sempre que tentaram"

sábado, novembro 10, 2007

Mensagem do Papa no fim da visita ad Limina

Senhor Cardeal Patriarca,
Amados Bispos portugueses!

Sinto grande alegria em receber-vos hoje na Casa de Pedro, pela força de Deus sólido pilar daquela ponte que sois chamados a ser e a estabelecer entre a humanidade e o seu destino supremo, a Santíssima Trindade. Oito anos depois da vossa última Visita ad Limina, encontrais modificado o rosto de Pedro mas não o coração nem os braços que vos acolhem e confirmam na força de Deus que nos sustenta e irmana em Cristo Senhor: «Graça e paz vos sejam dadas em abundância» (1 Ped 1, 2). Com estas palavras de boas-vindas, a todos saúdo, agradecendo ao presidente da Conferência Episcopal, Dom Jorge Ortiga, o esboço feito da vida e situação das vossas dioceses e os devotados sentimentos que me exprimiu em nome de todos e que retribuo com vivo afecto e a certeza das minhas orações por vós e quantos estão confiados à vossa solicitude pastoral.

Amados Bispos de Portugal, cruzastes a Porta Santa do Jubileu do ano 2000 à cabeça da peregrinação dos vossos diocesanos, convidando-os a entrar e permanecer em Cristo como a Casa dos seus desejos mais profundos e verdadeiros, ou seja, a Casa de Deus, e a medir até onde já se fizeram realidade tais desejos, isto é, até onde a vida e o ser de cada um encarna o Verbo de Deus, à semelhança de São Paulo que dizia: «Já não sou eu que vivo, é Cristo que vive em mim» (Gal 2, 20). Indicador concreto dessa encarnação: o transbordar para os outros da vida de Cristo que irrompe em mim. É que «eu não posso ter Cristo só para mim; posso pertencer-Lhe apenas unido a todos aqueles que se tornaram ou hão-de tornar Seus. (…) Tornamo-nos “um só corpo”, fundidos todos numa única existência» (Carta enc. Deus caritas est, 14).

Este «corpo» de Cristo que abraça a humanidade de todos os tempos e lugares é a Igreja. Prefiguração desta viu-a Santo Ambrósio naquela «terra santa» indicada por Deus a Moisés: «Tira as tuas sandálias dos pés, porque o lugar em que estás é uma terra santa» (Ex 3, 5); e lá, mais tarde, foi-lhe ordenado: «Tu, porém, permanece aqui comigo» (Dt 6, 31) – ordem esta, que o Santo Bispo de Milão actualiza para os fiéis nestes termos: «Tu permaneces comigo [com Deus], se permaneces na Igreja. (…) Permanece, pois, na Igreja; permanece onde te apareci; aí Eu estou contigo. Onde está a Igreja, aí encontras o ponto de apoio mais firme para a tua mente; onde te apareci na sarça ardente, aí está o alicerce da tua alma. De facto, Eu te apareci na Igreja, como outrora na sarça ardente. Tu és a sarça, Eu o fogo; fogo na sarça, sou Eu na tua carne. Por isso, Eu sou fogo: para te iluminar, para destruir os teus espinhos, os teus pecados, e te manifestar a minha benevolência» (Epistulæ extra collectionem: Ep. 14, 41-42). Estas palavras bem traduzem a vivência e o apelo deixado por Deus aos peregrinos do Grande Jubileu.

Neste momento, quero convosco dar graças a Cristo Senhor pela grande misericórdia que usou para com a sua Igreja peregrina em Portugal nos dias do Ano Santo e nos anos sucessivos permeados do mesmo espírito jubilar, que vos fez olhar, sem medo, limitações e falhas que vos deixaram à míngua de pão e tomar o caminho de regresso à Casa do Pai, onde há pão em abundância. De facto, sente-se perdurar o mesmo clima do Jubileu em numerosas iniciativas por vós tomadas nos anos imediatos: o recenseamento geral da prática dominical, o retomar a caminhada sinodal feita ou a fazer, a convocação em mais do que uma diocese da statio eucarística ou da missão geral segundo modalidades novas e antigas, a realização nacional do encontro de movimentos e novas comunidades eclesiais e do congresso da família, a vontade de servir o homem consignada pela Igreja e o Estado numa nova Concordata, a aclamação da santidade exemplar na pessoa de novos Beatos… Neste longo peregrinar, a confissão mais frequente nos lábios dos cristãos foi a falta de participação na vida comunitária, propondo-se encontrar novas formas de integração na comunidade. A palavra de ordem era, e é, construir caminhos de comunhão. É preciso mudar o estilo de organização da comunidade eclesial portuguesa e a mentalidade dos seus membros para se ter uma Igreja ao ritmo do Concílio Vaticano II, na qual esteja bem estabelecida a função do clero e do laicado, tendo em conta que todos somos um, desde quando fomos baptizados e integrados na família dos filhos de Deus, e todos somos corresponsáveis pelo crescimento da Igreja.

Esta eclesiologia da comunhão na senda do Concílio, à qual a Igreja portuguesa se sente particularmente interpelada na sequência do Grande Jubileu, é, meus amados Irmãos, a rota certa a seguir, sem perder de vista eventuais escolhos tais como o horizontalismo na sua fonte, a democratização na atribuição dos ministérios sacramentais, a equiparação entre a Ordem conferida e serviços emergentes, a discussão sobre qual dos membros da comunidade seja o primeiro (inútil discutir, pois o Senhor Jesus já decidiu que é o último). Com isto não quero dizer que não se deva discutir acerca do recto ordenamento na Igreja e sobre a atribuição das responsabilidades; sempre haverá desequilíbrios, que exigem correcção. Mas tais questões não nos podem distrair da verdadeira missão da Igreja: esta não deve falar primariamente de si mesma, mas de Deus.

Os elementos essenciais do conceito cristão de «comunhão» encontram-se neste texto da primeira Carta de São João: «O que vimos e ouvimos, isso vos anunciamos, para que também vós tenhais comunhão connosco. Quanto à nossa comunhão, ela é com o Pai e com seu Filho Jesus Cristo» (1, 3). Sobressai aqui o ponto de partida da comunhão: está na união de Deus com o homem, que é Cristo em pessoa; o encontro com Cristo cria a comunhão com Ele mesmo e, n’Ele, com o Pai no Espírito Santo. Vemos assim – como escrevi na primeira Encíclica – que, «ao início do ser cristão, não há uma decisão ética ou uma grande ideia, mas o encontro com um acontecimento, com uma Pessoa [Jesus Cristo] que dá à vida um novo horizonte e, desta forma, o rumo decisivo» (Deus caritas est, 1); a evangelização da pessoa e das comunidades humanas depende, absolutamente, da existência ou não deste encontro com Jesus Cristo.

Sabemos que o primeiro encontro pode revestir-se duma pluralidade de formas, como o demonstram inúmeras vidas de Santos (a apresentação destas faz parte da evangelização, que deve ser acompanhada por modelos de pensamento e de conduta), mas a iniciação cristã da pessoa passa, normalmente, pela Igreja: a presente economia divina da salvação requer a Igreja. À vista da maré crescente de cristãos não praticantes nas vossas dioceses, talvez valha a pena verificardes «a eficácia dos percursos de iniciação actuais, para que o cristão seja ajudado, pela acção educativa das nossas comunidades, a maturar cada vez mais até chegar a assumir na sua vida uma orientação autenticamente eucarística, de tal modo que seja capaz de dar razão da própria esperança de maneira adequada ao nosso tempo» (Exort. ap. pós-sinodal Sacramentum caritatis, 18).

Amados Bispos de Portugal, há quatro semanas encontrastes-vos no Santuário de Fátima com o Cardeal Secretário de Estado que lá enviei como meu Legado Especial no encerramento das celebrações pelos 90 anos das Aparições de Nossa Senhora. Apraz-me pensar em Fátima como escola de fé com a Virgem Maria por Mestra; lá ergueu Ela a sua cátedra para ensinar aos pequenos Videntes e depois às multidões as verdades eternas e a arte de orar, crer e amar. Na atitude humilde de alunos que necessitam de aprender a lição, confiem-se diariamente, a Mestra tão insigne e Mãe do Cristo total, todos e cada um de vós e os sacerdotes vossos directos colaboradores na condução do rebanho, os consagrados e consagradas que antecipam o Céu na terra e os fiéis leigos que moldam a terra à imagem do Céu. Sobre todos implorando, pelo valimento de Nossa Senhora de Fátima, a luz e a força do Espírito, concedo-lhes a minha Bênção Apostólica.


SEMPER FIDELIS!

The Scientist - Coldplay



Come up to meet ya, tell you I'm sorry
You don't know how lovely you are
I had to find you, tell you I need ya
And tell you I set you apart
Tell me your secrets, and nurse me your questions
Oh let's go back to the start
Running in circles, coming in tails
Heads on a science apart

Nobody said it was easy
It's such a shame for us to part
Nobody said it was easy
No one ever said it would be this hard
Oh take me back to the start

I was just guessing at numbers and figures
Pulling the puzzles apart.
Questions of science, science and progress
Don't speak as loud as my heart.
Tell me you love me, and come back and haunt me,
Oh, when I rush to the start
Running in circles, chasing tails
coming back as we are.

Nobody said it was easy
It's such a shame for us to part
Nobody said it was easy.
No one ever said it would be so hard
I'm going back to the start.

quinta-feira, novembro 08, 2007

Revolução de Outubro

Hoje vi na televisão o Secretário-Geral do Partido Comunista a festejar a Revolução de Outubro. Segundo Jerónimo de Sousa os operários "tocaram o céu".

Eu até percebo que uma pessoa seja Comunista. Está um pouco desactualizada, deixa-se levar pela imagem romatizada de Che, esquece o Estaline, pensa nos médicos Cubanos e canta o Grândola e pronto, é comunista. Claro que isto não é própriamente um comunista, mas já dá direito a ser militante do PC.

O que eu não percebo é que alguém olhe para a Revolução de Outubro e para todas as barbaridade que lhe sucederam e ainda a festeje. Não percebo como é que se pode apoiar as perseguições políticas e religisas, os roubos, as deportações, as chacinas que se seguiram à tomada do poder pelos bolcheviques. Não percebo como se pode admirar Lenine e Estaline.

Festejar a Revolução de Outubro é um atentado à memória dos milhões (e é mesmo milhões que eu quis dizer, não é um exagero) de mortos pelo regime que essa revolução instalou e que só viria a cair 80 anos mais tarde. Festejar a Revolução de Outubro é festejar o assasínio bárbaro da família imperial, é festejar a perseguição cerrada aos cristãos, é festejar a ocupação do leste da europa, é festejar os prisioneiros políticos, é festejar a miséria de um povo que gerou a miséria de muitos outros.

Para se ser do PC só é preciso ser-se ideológico. Para se ser verdadeiramente comunista é preciso ser-se cruel.

"O último anel"

Está agora nas livrarias um livro chamado "O último anel" escrito por um senhor que tenciona contar a Guerra do Anel do ponto de vista orc, onde explica como esta raça são uns pobres coitados. Não li e não gostei.

À primeira vista pode parecer que é apenas um livro estúpido (e é, sem dúvida) e que não merece grandes comentários. Na verdade o que não faltam são gigg's que não compreendem que a Terra Média é um mundo imaginário e que se perdem em divagações profundas sobre o tamanho da barba do Gandalf. Contudo este livro parece-me uma perigosa deturpação da obra de Tolkien.

Os orcs são, na história de Tolkien, elfos que foram torturados por Melkor, que se transformaram em seres maus, sem qualquer liberdade. Os orcs são criaturas sem qualquer liberdade, são extensão da vontade de Melkor, que representa o demónio.

Em toda a mitologia que Tolkien escreveu há uma grande diferença entre os homens e todas as outras raças. Os homens são os únicos com um real livre arbitrío, todos os outros estão condenados, pela sua natureza, a serem bons ou maus. Mesmo os elfos, que podem fazer coisas más, são impedidos pela sua natureza de serem aliados de Melkor.

Pegar na deturpação que o demónio faz da natureza e dar-lhe um ar de pobres injustiçados é uma mentalidade new age, que através daquilo a que nós chamamos o anti-herói, tenta mostrar o mal como relativamente mal, ou seja, apenas é mal do ponto de vista da cultura dominante. Isto acontece não apenas no universo de tolkiano, mas em toda a cultura moderna, onde os bruxos e os ogres são heróis e os guerreiros e as princesas são vilões.

Fazer uma história da guerra do anel do ponto de vista orc é destruir a obra de Tolkien. É mais uma vez dizer que o mal afinal não existe, que é tudo uma questão de ponto de vista. Mas para J.R.R. Tolkien existe o mal, o demónio existe e os seus servos são maus. Graças a Deus, a ditadura do relativismo não chegou à Terra Média...

quarta-feira, novembro 07, 2007

O Bom Pastor

“Com fraterna amizade saúdo os Bispos de Portugal aqui presentes em Visita ad Limina Apostolorum, com o seu povo no coração para a vida e para a morte. Compartilho a tristeza que vos vai na alma pelo desastre rodoviário de anteontem, com numerosas vítimas e dezenas de feridos; o braço forte do Pai celeste a todos guarde e console”.

SEMPER FIDELIS!

Petição no centenário do Regicidio

Ver e assinar sff:

"Ex.º Senhor Presidente da Assembleia da República
Excelência:

A 1 de Fevereiro de 1908, pelas 17:20 horas, no Terreiro do Paço junto à esquina com a Rua do Arsenal, foram assassinados o Rei Dom Carlos I e o Príncipe Real Dom Luís Filipe.
Este acontecimento trágico, geralmente reconhecido como um dos mais marcantes da História de Portugal, merece bem ser evocado com a imparcialidade e a clarividência que a distância de um século já permitem.
Sem menosprezo das legítimas opiniões pessoais de cada um dos Portugueses acerca do regime actualmente vigente, consideramos importante e oportuno assinalar o centenário do Regicídio.
Na verdade, trata-se de condenar um acto de terrorismo contra um Chefe de Estado legitimamente empossado e contra o seu sucessor constitucionalmente consagrado, acto planeado e perpetrado sem manifestação de vontade ou participação da esmagadora maioria de um Povo de índole pacífica e tolerante.
Assim, ao abrigo do artigo 52º da Constituição da República Portuguesa e nos termos da Lei n.º43/90, de 10 de Agosto, vêm os signatários solicitar a V.ª Ex.ª o seguinte:
1- que o dia 1 de Fevereiro de 2008, centenário do Regicídio, seja decretado dia de Luto Nacional;
2- que às 17:20 horas desse dia seja cumprido um minuto de silêncio, em homenagem a um dos maiores Chefes de Estado de Portugal e ao seu sucessor constitucionalmente consagrado."

"Oh morte, onde está a tua vitória?"

Hoje li um artigo no Destak que dizia, comentado o acidente na A23 que matou quinze pessoas, que a única coisa que dá sentido à morte é viver bem. A ideia é bonita, mas é falsa. Uma pessoa viver bem não dá sentido à morte, aliás, viver bem pode dar uma ideia de que a morte é uma injustiça.

A única coisa que dá sentido a morte, especialmente a uma morte trágica como aquela dos que morreram num autocarro quando voltavam de Fátima, é a morte e ressurreição de Nosso Senhor.

Se Cristo não tivesse morrido e ressuscitado a morte seria a última palavra sobre a vida. Um homem que toda a vida viveu bem estaria destinado a ser apenas pó. Viveria na memória dos seus descendentes mais uma ou duas gerações e depois seria para sempre esquecido, condenado quanto muito a ser nota de rodapé de um livro.

Mas a morte e ressurreição de Cristo permite-nos dizer com São Paulo "Oh morte onde está a tua vitória?". A última palavra sobre a vida já não é a morte, mas a infinita misericórida de Deus, que nos deus o seu único filho, para que nós vivessemos para sempre, não apenas da finita memória dos homens, mas na infinita Glória de Deus.

A única coisa que ilumina o desastre da A23 é a certeza de que aqueles que morreram foram chamados pelo Pai e cumprem agora o seu destino.

terça-feira, novembro 06, 2007

Nun'Alvares - Mensagem, Fernando Pessoa


Que aureola te cerca?
É a espada que, volteando,
Faz que o ar alto perca
Seu azul negro e brando.

Mas que espada é que, erguida,
Faz esse halo no céu?
É Excalibur, a ungida,
Que o Rei Arthur te deu.

Sperança consummada,
S. Portugal em ser,
Ergue a luz da tua espada
Para a estrada se ver!


Hoje é dia do Beato Nuno de Santa Maria, o Santo Condetável, aquele que é o maior português de todos os tempos e a quem devemos a nacionalidade e o testemunho de fé inabalável, diante de todas as circunstâncias.

Rogai por nós bem aventurado Nuno de Santa Maria,
Para que sejamos dignos das poromessas de Cristo

Por um mundo mais livre e mais justo - Professor César das Neves - DN 05/11/07

O ano de 2019 foi o momento de todas as vitórias para as organizações de defesa da liberdade, saúde e direitos humanos. Logo em Janeiro foi finalmente aprovada a directiva comunitária exigindo a eliminação de todos os brinquedos alusivos a armas. Este documento veio na sequência da campanha internacional contra perigos na infância que, começada em 2012, já impusera o capacete permanente nos bebés.

Esta directiva de defesa da família impõe, como as anteriores, castigos pesados aos pais que permitirem às crianças ter armas a brincar. Castigos que podem ir até à retirada dos filhos. "Negligência é violência" é a célebre frase de Vladimir Sarkazeth, czar da Rússia que detém a presidência rotativa da União Continental: "A União vai dedicar toda a sua atenção à violência familiar, um flagelo que vamos erradicar por todas as formas, até nas brincadeiras", assegurou.

Muito significativo foi que, duas semanas depois, se tenha dado finalmente a consagração do sadomasoquismo como orientação sexual reconhecida pela ONU. Isto logo no ano após o Prémio Nobel ser atribuído a dois investigadores da Califórnia que identificaram a homossexualidade como a forma mais igualitária de matrimónio. Congratulando-se com a eliminação do terrível tabu contra o sadomasoquismo, o director da poderosa FreeSex, a maior ONGD do mundo, afirmou: "A sociedade parece ter vencido velhos preconceitos contra a violência. A violência é simplesmente a forma suprema do amor."

No final da conferência de imprensa este dirigente lembrou a velha luta pela justiça sexual: "É urgente a verdadeira igualdade para todas as orientações. O sadomasoquista corre grandes riscos de saúde na sua expressão violenta da afectividade. Encontra-se por isso desfavorecido e necessita de apoio adicional." Assim continuará a promoção das chamadas "salas de chuto", onde os sadomasoquistas se podem dedicar às suas práticas em adequadas condições sanitárias.

Talvez o facto mais marcante do ano de 2019 tenha sido o avanço na luta contra o flagelo da obesidade. Desde que o tabagismo foi classificado como crime contra a Humanidade e equiparado a genocídio, houve grande discussão sobre que prática lhe sucederia como "principal causa evitável de morte". A tentativa de incluir o aborto e a eutanásia foi recusada porque eles já figuram entre os direitos humanos fundamentais. Deste modo foi decidido que seria a obesidade a ocupar essa posição, o que lhe concedeu grande exposição mediática.

Por enquanto ainda se mantém controversa e, por isso, facultativa a exigência de todos os obesos usarem um cartaz ao pescoço dizendo "comer mata" ou "banha é crime". Mas a decisão tomada há cinco anos de proibir a venda de alimentos com alto teor de gordura a menores de 18 anos, sujeitando-a a licença especial acima dessa idade, começa a dar frutos. De facto, pela primeira vez desde que foi calculado, o "índice de engordamento global" reduziu a sua taxa de aceleração.

Um campo onde os esforços ainda têm longo caminho a percorrer é a luta contra a pobreza. Isto apesar dos êxitos assinaláveis, como o fecho de centenas de instituições de solidariedade social por falta de condições. É incrível como, em pleno século XXI, ainda há lares e creches sem toalhetes de papel, música ambiente e acesso à Internet e TV Cabo. Paradoxalmente, este êxito da inspecção foi acompanhado por um aumento súbito dos sem-abrigo nessas cidades. "Isto apenas fortalece o nosso empenhamento neste magno objectivo planetário", afirmou a secretária-geral da ONU, Camila Nguyoon, no final da maior iniciativa humanitária do ano.

Essa foi a principal realização de 2019: o cordão humano que uniu Paris e Berlim, como prova da determinação dos povos europeus na construção de um mundo mais livre e mais justo. Foi marcante que esse movimento tenha mobilizado um número de pessoas 3% superior ao da magna manifestação pela erradicação da tradição islâmico-judeu-cristã que, com o mesmo lema - "Por um mundo mais livre e mais justo" - se realizou na semana anterior em Roma.

quarta-feira, outubro 31, 2007

Dia das bruxas.

O Dia das Bruxas é uma tradição que não tem qualquer tradição entre nós. Como todas as festas pagãs modernas, tenta-se encontrar uma raíz histórica para esta moda numa qualquer celebração pagã.

Contudo, começa-se a generalizar em Portugal este fenómeno, de modo a que se esqueça a grande festa de amanhã que é o Dia de Todos os Santos.

Amanhã a Igreja celebra todos aqueles que, tendo já partindo deste mundo, se encontram já na companhia de Deus e que e a Igreja desconhece. Depois de amanhã celebraremos a festa dos Fiéis Defuntos, ou seja, todos aqueles que o Senhor chamou a Si e que esperam ainda entrar na Glória Eterna.

Convém sempre lembra-nos disto, para não nos deixarmos levar por mais uma festa comercial pagã, que tem por fim apagar a herança cristã portuguesa.

terça-feira, outubro 30, 2007

Mártires de Espanha

A Igreja celebrou este Domingo a elevação aos altares de 498 beatos que foram mortos pelos Republicanos durante a perseguição à Igreja em Espanha na década de 30.

Esta beatificação não é um ajuste de contas com uma história muitas vezes mal contada, reescrita pelas canetas de Hemingway e Orwell que branquearam as atrocidades republicanas, mas apenas o apontar para aqueles que deram a sua vida por amor a Cristo.

Como relembra o Bispo de Salamanca, os mártires não estavam em guerra com ninguém. Recusaram foi simplesmente a negar Cristo. Por isto morreram.

Pedimo aos gloriosos mártires de Espanha que, numa altura em que a sua terra mais uma vez é invadida por uma onda laica e anti-religios, que se espalha também por toda a Europa, que rezem por nós junto de Deus.

Fraternidade de São Carlos Borromeu




No sábado, 27 de Outubro, foi a ordenação episcopal de don Paolo Pezzi, nomeado pelo Santo Padre, arcebispo de Moscovo.

Don Paolo Pezzi é um sacerdote da Fraternidade Sacerdotal dos Missionários de São Carlos Borromeu. Esta fraternidade nasceu do convite que o grande Papa João Paulo II dirigiu a Comunhão e Libertação, na celebração dos 30 anos do movimento em 1984: "Ide por todo o mundo a levar a verdade, a beleza e a paz que se encontram em Cristo Redentor". Um ano depois, don Massimo Camisasca fundou a Fraternidade de São Carlos Borromeu.

A nós toca-nos especialmente esta ordenação, pois a nossa pertença ao movimento tem sido sempre acompanhados pelos padres da São Carlos que estão em Portugal: o Pe. Zé Maria, o Pe. Luis Miguel, o Pe. Silvano e agora também o Pe. Rafael.

A minha pertença ao movimento, e portanto a minha pertença a Cristo, fez-se também através destes homens, que fiéis ao desafio do Santo Padre dão testemunho de Cristo, da Sibéria aos Estados Unidos, de Roma até nós.

Rogai Por nós bem aventurados Carlos,
Para que sejamos dignos das promessas de Cristo

terça-feira, outubro 23, 2007

"Estamos aqui, Santo Padre"




"Santidade,

Uma alegria imensa é o sentimento que invade cada um de nós, muito felizes por poder vir ao Seu encontro e partilhar com Vossa Santidade este momento. Permita-me que lhe agradeça de todo o coração em nome dos meus amigos por este dom inestimável.

Conservamos ainda muito viva na memória a última vez que nos encontrámos com Vossa Santidade por ocasião do funeral de don Giussani. Nunca poderemos esquecer a sua comovente disponibilidade para vir celebrá-lo e as palavras cheias de afeição e de profunda compreensão dele. Quantas vezes, desde então, nos surpreendemos a falar de don Giussani com as palavras que Vossa Santidade nos dirigiu nesse dia para descrever a sua personalidade: um homem ferido pela beleza, que não guiava para si, mas para Cristo, e assim ganhava os corações!

É dele, do seu testemunho incansável, que nós aprendemos aquilo que Vossa Santidade não se cansa de repetir a todos desde que ascendeu ao Trono Pontifício, a beleza do cristianismo. Nós estamos fascinados pela beleza de Cristo, que se tornou persuasiva pela intensidade contagiosa de don Giussani, a ponto de cada um de nós poder dizer com Jacopone da Todi: «Cristo atrai-me todo a si, tão belo é». Nós descobrimos esta beleza do cristianismo sem descurar nada do que é autenticamente humano. Pelo contrário, para nós, viver a fé em Cristo coincide com a exaltação do humano. Todo o esforço educativo de don Giussani foi mostrar a correspondência de Cristo com todas as exigências humanas autênticas. Ele estava convicto de que só uma proposta dirigida à razão e à liberdade, e verificada na experiência, seria capaz de interessar ao homem, por ser a única capaz de lhe fazer perceber a sua verdade, ou seja, a sua conveniência humana. Mostrou-nos, assim, como é possível viver a fé como homens, no pleno uso da razão, da liberdade e da afeição. Nós queremos seguir os seus passos.

Diante de tanta graça é impossível não sentir um calafrio por toda a nossa desproporção. Por isso voltámos muitas vezes, particularmente nestes dias de encontro com Vossa Santidade, às palavras que don Giussani nos dirigiu em 1984 pelo trigésimo aniversário do nascimento do movimento:

«À medida que amadurecemos somos para nós próprios espectáculo e, Deus o queira, também para os outros. Espectáculo, quer dizer, de limite e de traição e, por isso de humilhação, e ao mesmo tempo de segurança inesgotável na graça que nos é concedida e renovada cada manhã. Daqui provém aquela galhardia ingénua que nos caracteriza, pela qual cada dia da nossa vida é concebido como uma oferta a Deus, para que a Igreja exista dentro dos nossos corpos e das nossas almas, através da materialidade da nossa existência».

Conscientes do nosso nada, pedimos todos os dias que saibamos dizer “sim” à graça que nos é concedida, para que a possamos testemunhar sem pretensões, mas também sem medo, a todos os homens nossos irmãos. Estamos certos de que, neste momento de confusão que o mundo está a viver, o coração do homem, embora ferido, permanece capaz de reconhecer a verdade e a beleza, se a encontrar no caminho da vida. Nós desejamos viver a novidade que nos coube em todas as situações e ambientes em que se desenvolve a nossa existência, confiando poder dar testemunho, na nossa pequenez, de toda a beleza que invadiu a nossa vida, de modo que possa ser encontrada.

Esperamos, assim, que se cumpra em nós aquilo que desde sempre foi o método de Deus para se tornar companheiro de caminho para todo o homem, conceder a graça a alguém, para que através dele possa chegar a todos. Assim como foi concedida a don Giussani para que chegasse até nós, também a nós foi concedida para que chegue a outros. É isto que pode tornar possível esse encontro no qual te origem a fé cristã, como Vossa Santidade nos recordou na Sua encíclica Deus caritas est: «No início do ser cristão não está uma decisão ética ou uma grande ideia, nas sim o encontro com um acontecimento, com uma Pessoa, que dá à vida um novo horizonte e, com isso, o rumo decisivo» (n.1).

Por isso, durante estes anos, procurámos levar a sério o convite missionário do Servo de Deus João Paulo II por ocasião do trigésimo aniversário do movimento: «Ide por todo o mundo a levar a verdade, a beleza e a paz, que se encontram em Cristo Redentor» (29 de Setembro de 1984). A difusão do carisma e o crescimento das comunidades do movimento em todo o mundo mostram a misericórdia de Deus, que quis dar fruto ao nosso compromisso. Viajando pelo mundo vi que um cristianismo assim vivido, nos seus elementos essenciais, pode receber muito acolhimento no coração do homem, independentemente de qualquer cultura ou religião.

O nosso desejo é aquele que sempre moveu o coração de don Giussani: que em tudo e por tudo a força persuasiva do movimento seja «instrumento da missão do único Povo de Deus» (Testemunho de don Luigi Giussani durante o encontro do Santo Padre João Paulo II com os movimentos eclesiais e as novas comunidades. Praça de São Pedro, Roma, 30 de Maio de 1998, n. 2); que o fascínio do carisma encontrado seja para o bem da Santa Igreja, dispersa por todo o mundo e presente em cada Igreja particular.

Por isso pedimos este encontro consigo, Santidade. Como Vossa Santidade bem sabe, a história do nosso movimento foi sempre marcada por esta estrita relação com a Sede Apostólica. Desde o início don Giussani procurou viver a graça recebida em plena comunhão com o sucessor de Pedro, único capaz de garantir a autenticidade de toda a tentativa, de Paulo VI a João Paulo II. Nós somos testemunhas da gratidão imensa de don Giussani quando João Paulo II reconheceu a Fraternidade de Comunhão e Libertação. E temos ainda nos olhos como diante de todos exprimiu toda a sua devoção ajoelhando-se aos pés do Papa em 30 de Maio de 1998.

É com a mesma devoção que vimos, hoje, ter com Sua Santidade, no XXV aniversário do reconhecimento pontifício da Fraternidade e a dois anos da morte de don Giussani, bem cientes do valor do sucessor de Pedro para a nossa fé. Sem o seu testemunho, assegurado pelo poder do Espírito, o cristianismo decairia numa das muitas variantes ideológicas que dominam o mundo.

Estamos aqui, Santo Padre, totalmente solícitos a acolher as indicações, e as eventuais correcções, para o caminho que temos por diante, convictos de que, seguindo-o, tornaremos útil para toda a Igreja e para o mundo o dom do carisma que nos fascinou. Como tesouro guardaremos as suas palavras e, tenho a certeza de que estou a falar em nome de cada um dos meus amigos, comprometer-nos-emos em vivê-las com todas as nossas capacidades, certos da companhia apaixonada de don Giussani na nossa vida."


Semper Fidelis!

segunda-feira, outubro 22, 2007

"O verdadeiro protagonista da história é o mendicante"

O Tigre e a Neve



"Não existem coisas mais poéticas que outras.
A poesia não está cá fora, está cá dentro, cá dentro.
Não te perguntes o que é a poesia
Vê-te ao espelho.
A poesia és tu!
Vistam bem a poesia, vistam bem as palavras, escolham-nas bem!
Às vezes são precisos oito meses para encontrar a palavra, escolham!
A beleza nasceu quando as pessoas começaram a escolher.
Apaixonem-se!! Se não se apaixonarem tudo ficará morto!
Apaixonem-se e tudo ganha vida, tudo começa a mexer!
Delapidem a alegria, rejubilem!!
Estejam tristes e taciturnos com exuberância, atirem à cara dos outros
a vossa felicidade!
Para transmitir felicidade é preciso ser feliz.
Para transmitir a dor é preciso ser feliz.
Sejam felizes!!
Devem amargar, sentir-se mal, sofrer.
Não receiem o sofrimento, toda a gente sofre.
Basta uma coisa para escrever poesia: TUDO!
Não queiram ser modernos, não há coisa mais antiquada que essa.
Se uma frase não vos ocorrer numa posição… deitem-se no chão,
é deitado que se vê o céu!! Os poetas não olham, vêem!
Isto é a beleza!"

Aborto clandestino

Segundo este artigo ainda há em Portugal casos de aborto clandestino. A Fernanda Câncio explica que é da falta de informação e que os defensores da vida tem culpa, porque promoveram uma ideia de liberalização total.

Não sei qual é a causa, mas lembro-me de ver a FC e amigos a explicarem que o aborto clandestino acabaria com esta lei...

quinta-feira, outubro 18, 2007

Liberdade de Educação

Esta semana o governo sueco decidiu intervir directamente nas escola privadas religiosas. Embore, diz-nos o artigo com ar de quem é uma grande sorte, continue a permitir aulas de religião e que se reze antes do começo das aulas, o governo sueco decidiu que os professores não poderima ensinar o criacionismo nem a teoria do "designio inteligente" nas aulas.

Esta noticia surge pouco tempo depois de outra, que nos dava conta de que o Conselhor Europeu tinha aprovado um resolução a rejeita a possibilidade de se ensinar o criacionismo nas escolas.

Eu sou da opinião que não deve ensinar uma teoria religiosa como cientifica. O mais longe que a ciência pode chegar é a uma teoria que aponta várias coicidências extraórdinárias. Que esta coicidências são nada mais do que Desginio de Nosso Senhor, já não cabe a ciência explicar, mas sim à Fé.

Mas este não é o problema. O drama é que um Estado imponha às escolas privadas como devem ensinar. Os pais, que já tem dificuldade em porem os filhos em escolas privadas por causa dos preços, devem poder escolher como querem educar os filhos. É para isso que os põem nessas escolas. Não pode ser o Estado a decidir por eles.

Já basta a escola pública, onde os programas são verdadeiros programas doutrinários do regime, que ensina que Estaline foi um "paladino da luta anti-nazi" e que nos obriga a ler Saramago. Não é preciso que também as escolas privadas estejam sujeitas à vontade doutrinária do Estado.

Os pais têm que ter liberdade para ensinar os seus filhos. Nós temos que ter a liberdade para aprendermos!

Deontologia? Mas o que é isso?

Conta-nos o DN de hoje que o Ministro da Saúde quer obrigar a Ordem dos Médicos a mudar o seu Código Deontológico, pois este diz "O médico deve guardar respeito pela vida humana desde o seu início" e "constitui falta deontológica grave a prática de aborto".

Argumenta o MS, através do conselho consultivo da Procuradoria Geral da Républica, que o estas disposições do Código Deontológico da OM viola a harmonia do sistema jurídico, devendo por isso ser alterado, de modo a declarar que não é deontológicamente errado um médico por fim a uma vida dentro da barriga da mãe.

Suponho que o MS vá conseguir levar a sua avante, tem o poder e a justiça do seu lado. Mas o Direito não se esgota nas leis, muito menos ainda a ética profissional.

O Direito, citando o Professor Eduardo Vera Cruz, é o método para alcançar a justiça. Não é um mero conjunto de leis feitas por quem está no poder. Por isso, por muitas leis que se aprovem, o aborto continuará a ser uma violação gravissima da justiça.

Já a ética, segundo São Tomás de Aquino, é agir de acordo com a razão, que nos permite captar intuitivamente a ordem moral. Por iss não se esgota num código de uma ordem profissional. O MS poderá alterar as vezes que quiser o Código da OM, mas fazer um médico praticar um aborto será sempre uma afronta gravissima a deontologia médica.

O que me assusta é que um governo, porque se encontra baseado numa maioria, pense que pode dominar a consciência de toda uma ordem profissional.