sábado, junho 30, 2007

Pedro e Paulo



Ontem a Igreja celebrou a solenidade de São Pedro e São Paulo. Não deixa de ser impressionante que Deus, no seu misterioso designio, tenha concedido a graça do martírio a Pedro e Paulo no mesmo dia.

Hoje, tal como sempre suponho, o facto de celebrarmos estes dois santos no mesmo dia faz todo o sentido. Por um lado São Pedro representa os apóstolos, os díscipulos que tinham visto Jesus na Sua vida pública. Aqueles que eram institucionalmente a Igreja.

Por outro lado Paulo é um outsider. Tinha ajudado no martírio de Estevão e tinha seguido para Damasco para lá prender os cristãos. Mas a meio caminho encontrou Cristo e converteu-se. Então começou a pregar cheio de força, escapando dos esquemas que até então era os habituais na Igreja. Mas fê-lo sempre em unidade com os apóstolos.

Pedro e Paulo são representantes da realidade de sempre da Igreja: ao lado da hierárquia o Espírito Santo foi fazendo surgir na Igreja carismas que a reanimam. Mas a dimensão institucional e carismática da Igreja nao são realidades opostas, pois como referiu o Papa quando nos falou em Roma: "na Igreja, não há contraste ou contraposição entre a dimensão institucional e a dimensão carismática, das quais os Movimentos são uma expressão significativa, porque ambas são co-essenciais para a constituição divina do Povo de Deus. Na Igreja também as instituições essenciais são carismáticas e por outro lado os carismas devem de uma forma ou de outra institucionalizar-se para ter coerência e continuidade. Assim as duas dimensões, originadas pelo Espírito Santo para o mesmo Corpo de Cristo, concorrem juntas para tornar presente o mistério e a obra salvífica de Cristo no mundo."

Por isso, ao festejar a festa dos Apóstolos Pedro e Paulo, festejamos esta unidade da Igreja, entre a dimensão institucional e carismática, que a tornam presença de Cristo na terra.

Rogai por nós bem aventurados Pedro e Paulo,
Para que sejamos dignos das promessas de Cristo.

sexta-feira, junho 29, 2007

Férias: o tempo da liberdade

Tomei a liberdade de traduzir o texto de Giussani que o ZMD propôs para as férias, para que seja mais útil para todos.
Catas


Não é uma questão de dever fazer, mas de dever ser. As férias são o tempo da liberdade: não como libertação do estudo, mas porque obriga ao cansaço e à responsabilidade da liberdade e da sinceridade. É o tempo em que vem à tona o que tu queres verdadeiramente.

Está presente em mim qualquer coisa real, como o mar e as montanhas. Eu sou sempre eu.

O tempo das férias é um tempo de personalidade. Salvar a permanência de um critério (momento de fidelidade e de continuidade).
Depois de algum tempo a novidade também acaba e começa o aborrecimento. A novidade é a verdadeira procura do nosso destino. Tomar atenção aos outros.
Adaptar-se a um ambiente não quer dizer comprometer-se com ele:
Males:

- considerar o repouso como um esquecimento do que aconteceu antes:
- ausência de um programa
- aceitar ceder numa parte para me tornar mais simpático para os que me circundam
- medo de estar sozinhos, que esconde muitas vezes o medo da responsabilidade do tempo

Fixar pontos no dia (saber ao que é de se vai) de coisas sérias, de oração.

Saber retomar sempre. Escrever. Raggio* de Verão. Dispor-se a viver com bondade.

Discrição com o ambiente.

Evitar certas experiências.

Apontamentos de um Raggio*, 9 de Junho 1962

* nt: raggio mantém-se no original italiano, querendo dizer raio, indica os encontros que D. Giussani fazia com os seus estudantes sobre vários temas

quinta-feira, junho 28, 2007

Ave Maria - Schubert




Ave Maria, gratia plena,
Dominus tecum,
benedicta tu in mulieribus
et benedictus fructus ventris tui, Jesus.
Sancta Maria, mater Dei,
ora pro nobis peccatoribus
nunc et in hora mortis nostrae. Amen.

Avé Maria, cheia de graça, o Senhor é convosco, bendita sois vós entre as mulheres e bendito é o fruto do vosso ventre, Jesus. Santa Maria, mãe de Deus, rogai por nós, pecadores, agora e na hora da nossa morte. Ámen.

Ave Verum - Mozart



Ave Vérum Córpus nátum de Mária Vírgine.
Vere pássum, immolátum in crúce pro hómine;
cújus látus perforátum flúxit áqua et sánguine.
Esto nóbis praegustátum mórtis in exámine.
O Jésu dúlcis! O Jésu píe! O Jésu fíli Maríae!

Avé, verdadeiro corpo, da Virgem Maria nascido, que pelo homem padeceu e foi imolado na cruz. De seu lado trespassado manou água e sangue. Oxalá nós o bebamos na hora da nossa morte. Ó doce Jesus! Ó piedoso Jesus! Ó Jesus, Filho de Maria!

Foi Deus - Amália Rodrigues



Não sei, não sabe ninguém
Por que canto o Fado
Neste tom magoado
De dor e de pranto
E neste tormento
Todo o sofrimento
Eu sinto que a alma
Cá dentro se acalma
Nos versos que canto

Foi Deus
Que deu luz aos olhos
Perfumou as rosas
Deu oiro ao sol
E prata ao luar
Foi Deus que me pôs no peito
Um rosário de penas
Que vou desfiando
E choro a cantar
E pôs as estrelas no céu
E fez o espaço sem fim
Deu o luto às andorinhas
Ai, e deu-me esta voz a mim

Se canto
Não sei o que canto
Misto de ventura
Saudade ternura
E talvez amor
Mas sei que cantando
Sinto o mesmo quando
Se tem um desgosto
E o pranto no rosto
Nos deixa melhor

Foi Deus
Que deu voz ao vento
Luz ao firmamento
E deu o azul às ondas do mar
Foi Deus
Que me pôs no peito
Um rosário de penas
Que vou desfiando
E choro a cantar
Fez poeta o rouxinol
Pôs no campo o alecrim
Deu as flores à primavera
Ai, e deu-me esta voz a mim.

Alberto Janes

quarta-feira, junho 27, 2007

Il tempo della libertà




Este é um texto de don Giussani que o site do movimento propõe sobre as férias:

Non è un dover fare, ma un dover essere. La vacanza è il tempo della libertà, non come liberazione dallo studio, ma perché obbliga alla fatica e alla responsabilità della libertà e della sincerità. È il tempo in cui viene a galla quello che vuoi veramente.

C'è in me la presenza di qualche cosa di reale come il mare e le montagne. Io sono sempre io.

Il tempo della vacanza è quello della personalità. Salvare la permanenza di un criterio (momento di fedeltà e di continuità).
Dopo un po' di tempo anche la novità cessa e provoca la noia. La novità è la vera ricerca del nostro destino. Fare attenzione agli altri.
Adattarsi a un ambiente non vuol dire compromettersi con esso.
Mali:

- considerare il riposo come un dimenticare quello che è accaduto prima
- assenza di un programma
- accettare di recitare una parte che mi renda più simpatico a quelli che mi circondano
- paura di rimanere soli, che nasconde spesso la paura della responsabilità del tempo

Fissare dei punti nella giornata (sapere ciò a cui si va incontro) di cose serie, di preghiera.

Saper riprendere sempre. Scrivere. Raggio estivo. Disporsi a vivere con bontà.

Discrezione con l'ambiente.

Evitare certe esperienze.

Appunti da un Raggio, 9 giugno 1962

"Vós sois o sal da terra..."

Vai ser erigida no México uma estátua de João Paulo II. Isto não seria espantoso, se não fosse mandada construir pelas autoridades civis.
No principio do século passado foi movida aos cristão uma perseguição cerrada no México. Muitos foram os que morreram mártires. Da primeira vez que o Papa João Paulo II foi ao México o presidente do México teve que pagar uma multa, porque o Papa ia de batina.

Mas do sangue dos mártires brotou um povo cristão e hoje o México é um país profudamente cristão. Mais uma vez, tal como na cruz, a morte trouxe a vida.

terça-feira, junho 26, 2007

São Josemaria Escrivá




Hoje é o dia de São Josemaria Escrivá, fundador da Opus Dei.

Num mundo onde cada vez mais os cristão se escondem, fazendo da sua algo de privado, o seu desafio ao testemunho quotidiano da fé é cada vez mais actual.

Alvo de cada vez mais ataques, a Opus Dei continua hoje o trabalho de apostolado do seu fundador e é sem dúvida um sinal de testemunho da adesão a Cristo no mundo: na política, na economia, na educação, na acção social...

Numa altura em que cada vez é mais necessário testemunhos de santidade, invocamos São Josemaria, para que nos ajude a ser sempre "sal da terra e luz do mundo".

São Josemaria
Rogai por nós.

Parabéns no dia de São Josemaria.

Hoje estão de Parabéns, pelo seu aniversário natalício, a Catas e o Marcos. Os dois juntos fazem 50% daqueles que escrevem neste blog. Pelo que os restantes 50% (o Zé Maria e eu) não querem deixar de passar a data sem um agradecimento aos dois pela sua amizade e pelas suas brilhantes intervenções neste espaço.

Hoje celebra-se a festa de São Josemaria Escrivá, fundador da Opus Dei e grande Santo do século XX. Por esse motivo também o nosso amigo, e administrador do blog, Zé Maria está de Parabéns.

Não nos esqueçamos, ao menos hoje, de lhes dar os parabéns e de rezar por eles.

São Josemaria,
Rogai por nós.

segunda-feira, junho 25, 2007

São Tomás Moro



A Igreja celebrou no dia 22 a festa de São Tomás Moro, padroeiro dos estadistas.

São Tomás foi um homem profudamente culto, cujo o pensamento marcou o Renascimento. Para além disso foi Juiz e Chanceler, no tempo de Henrique VIII.

Quando o rei decidiu, para poder-se divorciar-se de Catarina de Aragão e casar-se com Ana Bolena, declarar-se como Chefe da Igreja de Inglaterra, São Tomás demitiu-se do cargo. Mais tarde foi morto por se recusar a fazer um juramento onde reconhecia a desdência do Rei com Ana Bolena como legítima.

Tendo-se sempre mantido fiel ao Papa, São Tomás morreu para não negar a Verdade. Como ele disse: "morro fiel subdito do Rei, mas primeiro Deus"

Rogai por nós bem-aventurado Tomás
Para que sejamos dignos das promessas de Cristo

"A man's got to do what a man 's got to do!"


Coward of the country

Everyone considered him the coward of the county
He'd never stood one single time to prove the county wrong
His mama named him Tommy, but folks just called him yellow
Something always told me they were reading Tommy wrong

He was only ten years old when his daddy died in prison
I looked after Tommy, 'cause he was my brother's son
I still recall the final words my brother said to Tommy
Son my life is over, but yours has just begun

Promise me, son, not to do the things I've done
Walk away from trouble if you can
It won't mean you're weak if you turn the other cheek
I hope you're old enough to understand
Son, you don't have to fight to be a man

There's someone for everyone, and Tommy's love was Becky
In her arms he didn't have to prove he was a man
One day while he was working, the Gatlin boys came calling
They took turns at Becky, n'there was three of them

Tommy opened up the door, and saw his Becky crying
The torn dress, the shattered look was more than he could stand
He reached above the fireplace, and took down his daddy's picture
As his tears fell on his daddy's face, he heard these words again

Promise me, son, not to do the things I've done
Walk away from trouble if you can
Now it won't mean you're weak if you turn the other cheek
I hope you're old enough to understand
Son, you don't have to fight to be a man

The Gatlin boys just laughed at him when he walked into the bar room
One of them got up and met him half way cross the floor
When Tommy turned around they said,
Hey look! old yeller's leaving

But you could've heard a pin drop when Tommy stopped and locked the door
Twenty years of crawling were bottled up inside him
He wasn't holding nothing back, he let 'em have it all
When Tommy left the bar room, not a Gatlin boy was standing
He said, This one's for Becky, as he watched the last one fall
(n’ I heard him say)

I promised you, Dad, not to do the things you've done
I walk away from trouble when I can
Now please don't think I'm weak, I didn't turn the other cheek
And papa, I should hope you understand
Sometimes you gotta fight when you're a man
Everyone considered him the coward of the county

Kenny Rodgers



Via Hay Monas...

domingo, junho 24, 2007

São João Baptista


Quando São João Baptista nasceu, há coisa de 2013 anos (mais erro, menos erro do calendário), seu pai, que estava mudo desde que lhe aparecera o anjo, disse:

"Bendito o Senhor Deus de Israel, que visitou e redimiu o seu povo, e nos deu um Salvador poderoso, da casa de David, seu servo; conforme prometeu pela boca dos seus santos, os profetas dos tempos antigos; para nos libertar dos nossos inimigos e das mãos daqueles que nos odeiam; para usar de misericórdia a favor dos nossos pais, recordando a Sua Sagrada Aliança e o juramento que fizera a Abrão, nosso pai, que nos havia de conceder esta graça, de O servirmos um dia sem temor, livres das mão dos nossos inimigos; em santidade e justiça na Sua Presença, todos os dias da nossa vida.

E tu, menino, serás chamado profeta do Altíssimo, porque irás à sua frente a preparar os seus caminhos; para dar a conhecer ao seu povo a salvação, pela remissão dos seus pecados; graças ao coração misericordioso do nosso Deus, que das alturas nos vista como sol nascente para iluminar os que jazem nas trevas e na sombra da morte, e dirigir os nossos passos no caminho da paz."
Lc; 1, 69:79

Parada dos alegres!

Ao passar pelo hoje pelo Príncipe Real vi umas quantas pessoas aglomeradas à volta de umas bandeiras coloridas. Deduzi (quer pelas bandeiras, quer pelo artigo que tinha lido no dia antes no Metro) que se tratava da Gay Parade deste ano.

Confesso que estava a espera de uma coisa maior e mais alegre. Mas talvez porque a malta ande pouco gay ou porque o malta gay se sinta pouco orgulhosa, não passavam dos quinhentos e um pouco surumbáticos.

Uma coisa que eu nunca percebi é porque é que se organiza uma "parada" para não se ser discriminada e depois se chama do "orgulho". Lembra um pouco as marchas facistas e nazis pelas pureza da raça e pelo orgulho nacional.

Por outro lado, se alguém se lembrasse de organizar uma "parada do orgulho macho", tinhamos logo a I.L.G.A, a Green Peace, a Amnistia Internacional e a Fernanda Câncio a gritar "aqui del- Presidente (que isto é tudo malta républica e laica) que tão aqui uns fascistas homófobicos". Mas como a marcha é dos pobrezinhos-dos-gays-que-não-podem-ser-descriminados veremos vários artigos nos próximos dias a explicar como Portugal é um país fechado poque a parada dos alegres (tradução literal) foi um fiasco.

Esta questão faz-me lembrar uma frase que ouvi do meu avô, embora não me lembre de quem era: "quando era pequenino era um coisa que se escondia, agora é moda, não quero cá estar quando for obrigatório ser maricas..."



P.S.: Depois de escrever um post vi a noticia no DN sobre a parada. Para além do abuso escandoloso dos noivos que se casaram na Encarnação, cujo o prior tem uma opinião bastante forte sobre este assunto, "esquecem-se" de referir que eram apenas quinhento participantes. Viva o jornalismo de referência.

A morte vende-se barata...

O jornal SOL é uma mina de informações. Para além do assunto que já referi no post abaixo, fiquei também a saber que na Maternidade Alfredo da Costa já se fazem abortos há dois meses. Para começar sugeria uma mudança de nome: o lugar que é o primeiro a praticar o aborto livrem em Portugal não se pode chamar Maternidade. Quanto muito Infaticidario... (resta a consolação de saber que 90% dos médicos da M.A.C. são objectores de consciência).

Fiquei também a saber, por esse mesmo artigo, que cada aborto custa 830€ e 1070€ ao Estado, ainda por cima, livres de Taxa Moderadora, que Deus livre o PS de pôr entraves ao direito ao aborto...

Na mesma semana que ficamos a saber que o Ministro Correia de Campos considerada que existe muitas pessoas isentas de taxas moderadoras, porque põem em risco a sustentabilidade da Sistema Nacional de Saúde, ficamos também a saber que o senhor ministro está disposto a gastar entre 166 e 240 contos para que uma mulher possa livremente matar um filho...

A.R.L.

Hoje vi uma notícia no jornal SOL sobre a Associação Républica e Laicidade. Nesta reportagem os senhores da A.R.L. apereciam como campeões da liberdade e do Estado de Direito. Bradam contra as cruzes nas Câmara Municipais e nas Escolas Pública e promovem abaixos assinados contras as capelanias dos hospitais. Tudo porque para contestar a "posição priveligiada" que a Igreja Católica tem na sociedade portuguesa.

O que estes senhores queriam mesmo a séria, era uma lei da separacão, ao bom velho estilo da 1ª Républica (já vi um dos dirigentes desta associação dizer que a Igreja não foi perseguida na 1ª Républica) com a Igreja confinada a esfera privada e devidamente controlada pelo Estadõ.

O que estes senhores não percebem é que a história de Portugal confunde-se com história da Igreja. Sem Igreja não existia Portugal. Toda a nossa cultura é essencialmente cristã. Negar à Igreja uma presença na sociedade, ou mesmo querer que a presença da Igreja na sociedade seja igual a das outras confissões religiosas, é apagar mil anos de história.

Para além disso, não se pode esquecer o papel essencial que a caridade da Igreja desempenha hoje em Portugal. A esmagadora maioria das instituições e dos voluntários que apoiam as pessoas em risco são católicos (basta consultar o artigo que Álvaro Barreto publicou há duas semanas no jornal Público).

Por isso a Igreja não têm uma posição privilegiada em Portugal. Têm é uma presença real, de mil anos, que se traduz na nossa cultura e no serviço ao próximo que a Igreja presta.

Feira Erótica.

Em economia há uma paradoxo, de resto bastante aplicável ao resto da vida, chamado paradoxo do valor. Segundo esse pardoxo, um bem terá mais valor quando mais raro for.

Nos últimos dias tem aparecido em todos os jornais e telejornais peças sobre uma Feira Erótica que se realizou em Lisboa. Hoje a SIC dedicou alguns minutos do telejornal a explicar os detalhes da feira. A conclusão que habitualmente se tira desta coisas é de que o sexo hoje em dia é mais valorizado do quando a virgindade e a pureza eram consideradas virtudes. Contudo isso é claramente mentira. Hojem em dia o sexo é algo tão banal que não tem valor nenhum. É uma mera satisfação de um instinto, tal como comer ou ir a casa de banho.

Quando qualquer jovem católico afirma que prefere esperar pelo casamento, ouve habitualmente como resposta um "Tu não sabes é o que é bom". Mas é ao contrário, exactamente por sabermo o que é bom preferimos esperar, para que seja realmente uma coisa grande e importante e não mais um acto de rotina, como lavar os dentes ou tomar o pequeno almoço. Nós queremos que o sexo seja uma experiência fantástica, sinal de amor e de união e não uma mera satisfação hormonal.

Nós recusamo-nos a ser animais que agimos sem controle, só procurando uma satisfação imediata. Recusamo-nos a tratar o corpo como mero objecto (o nosso e o dos outros). Por isso os católicos tentam viver em virgindade e pureza, não por desprezo pelo corpo e pelo sexo, mas exactamente pela importância que o corpo e o sexo têm na nossa vida.

sábado, junho 23, 2007

Carta do Nicola

O Nicola é uma amigo nosso italiano a quem foi diagnosticado uma leucemia há dez dias. Deixo aqui a carta que ele escreveu ao CLU de Portugal:

"Queridos amigos portugueses,

Quero escrever-vos só algumas linhas, que são a síntese daquilo que estou a viver nestes dias. Sinto-me contente e sereno como uma criança, surpreende-me a atenção com a qual olho até ao fundo o que existe, «Tudo nele consiste», quem mo está a dar, e portanto ao reconhecimento da presença de Cristo aqui no hospital.

Ajudam-me imenso as laudes de manhã: cada dia marco a frase que me surpreende quando recito no meu quarto, é um instrumento que penso que nunca compreendi até ao fundo como nestes dias: tenho mesmo a necessidade de captar pelo menos uma mensagem, e são verdadeiramente um sustentamento no dia que, em si próprio, como circunstancias, é apagado e não há «factos excepcionais» que te relançam e te fazem retomar, é só surpreender-se na vida quotidiana dum hospital. E este era o ponto no qual estava ainda a resistir: surpreender-me no quotidiano era um desafio aberto, e Jesus, como verdadeiro amigo, relançou-me.

Aqui, mas não só aqui, em toda a parte, há duas grandes possibilidades: deixar-se levar pela rotina quotidiana e deixar que o dia se escape, ou então abrir os olhos e deixar-se surpreender: «Nada é impossível a Deus» na realidade. Na realidade! No quotidiano, porque ai está a urgência maior.

Estou a pedir isto, que Jesus se revele, que se faça reconhecer. Sei que isto é um dom, mas sei também que se deve mendigar, esperando, como diz a escola de comunidade, uma nova palavra e um novo gesto que são a expressão do modo como o homem vê, sente, afronta e se empenha com a realidade.

Ao ler «Um café em companhia» nestes dias, surpreendeu-me uma frase de don Gius que diz assim: «nós temos uma tarefa na vida que é ser cada um testemunhas de Cristo usando os utensílios da própria profissão. Até se for doentes de cama», e eu acrescento estar na Católica de Milão. Não muda nada!

Agora estou sozinho no meu quarto, desde hoje estou isolado no meu quarto, e será assim pelo menos durante 10 dias, pode só entrar com máscara e bata e por poucas horas por dia a minha mãe ou os meus irmãos. De vez em quando passa alguma enfermeira, mas é lindíssimo, estou a ouvir música lindíssima (também aquela portuguesa que me fez ouvir o Pe. Luis Miguel, os Madredeus) e estou a escrever o que a vida está a dar-me e eu não posso tirar-me para trás porque temos uma tarefa no mundo.

Que graça! Que lindo abrir os olhos de manhã e ter na mente Cristo, isto é um dom, ter na mente o meu pai. «A nossa vida não está feita para nos tornar alguém, mas de Alguém», como me dizia o Pe. Virgílio, um meu amigo padre missionário no Brasil que já morreu.

Agradeço-vos as vossas orações e lembro-vos sempre, consciente de que não estou sozinho a levar esta cruz, estamos juntos, da maneira mais simples e mais bela que existe, e portanto testemunhando Aquele que tomou a nossa vida e no-la faz gostar, «Cristo me atrai, tão belo».
Até breve. Um abraço a todos e obrigado por estar ao meu lado."


Agradeço a Deus a graça que é ter um testemunho assim na minha vida.

quinta-feira, junho 21, 2007

Festa brava


Ontem ao fazer zapping, passei por um debate na SIC Mulher sobre toiradas. De um lado estava um rapaz da A.N.I.M.A.L., com um ar bastante moderno e uma liguagem bastante polida. Doutro, um rapaz chamado Diogo Palha, com um ar de forcado (que realmente era) e que falava de um modo menos bruto do que eu esperava.

A certo ponto, o rapaz da A.N.I.M.A.L., de seu nome Miguel, começou a explicar como os animais eram discriminados só por serem de outra espécie. Explicou que as corridas de toiros era uma espécie de descriminação. Dizia ele que, assim como há o racismo que descrimina pela raça e a xenofobia que descrimina pelo povo, tambem os toiros eram descriminados por serem de outra espécie. Seria cómico, se não fosse realmente perigosa e insultuosa a comparação. Só faltou comparar a Monumental de Madrid a Aushwitz para o quadro ficar completo.

Depois desde pequeno delírio o intérpido defensor dos animais explicou que os toreiros (para ele cavaleiros, matadores, forcados, ganadeiros, aficcionados eram uma só espécie) não percebiam nada de toiros. Chegou a dizer que eram como os donos dos escravos (juro que não estou a inventar, estou a citar bastante literalmente).

Depois lançou-se numa digressão de como era vergonhoso para o toiro que os homens se divertissem a dominá-lo. Eu pessoalmente acho que é a ordem natural das coisas: os animais racionais, através da inteligência dominam os animais irracionais que só usam a força bruta. Confesso que foi exactamente isto que me impressionou quando este ano tive o privilégio de ver torear Henrique Ponce no Campo Pequeno: o modo calmo e frio como ele dominava um animal que tinha força suficiente para o matar.

Por fim, o amante dos animais ainda explicou que os forcados eram uns cobardes, porque eram oito contra um. Para começar é preciso explicar a este rapaz que o forcado que vai a cara avança sózinho para o toiro, facto que leva a que muitas vezes estes "medricas" levem sovas de animais que tem o quintúplo do seu peso. Para além disso, muitas vezes oito homens são insuficientes para deter um toiro.

Eu, que não sendo um entendido da matéria, gosto muito de ver corridas de toiros, tenho a declarar o seguinte aos senhores da A.N.I.M.A.L.:

- os animais são inferiores aos homens e não possuem direitos;

- não quer isto contudo dizer que devam ser mal tratados: o homem, por ser um animal racional, têm o dever de tratar bem os animais;

- as corridas de toiros são uma tradição portuguesa que demonstra a coragem e a inteligência do homem contra a força bruta do toiro;

- compreendo que não se goste de corridas de toiros, pois é um espetáculo violento. Eu pessoalmente também não gosto de ver boxe. Contudo é um espectaculo de grande beleza e arte que não poderá ser extinta pelos extremismo de uns ou pela sensibilidade de outros.

Cultura de morte

Já está regulamentada a lei que permite o aborto livre até as 10 semanas. A partir de hoje o aborto é um direito em Portugal. Um mulher que, até as 10 semanas de gravidez, entrar num Hospital e dizer "Eu quero fazer um aborto" terá direito ao seu aborto dê por onde der.

Caso os médicos tenham os desplante de ser objectores de consciência (para tal têm que assinar um papel que entregarão aos seus superiores) o Hospital é obrigado a arranjar um local para a mulher abortar.

Em Portugal, tal como na Europa, a cultura da morte começa a reinar. A esquerda brada feliz porque nos estamos finalmente a livrar da herança cristã. Infelizmente tem razão.

No dia em que a esquerda poder bradar a sua vitória completa na Europa (porque a Europa ao contrário da Igreja, não tem promessas de vida eterna) então restará um continente de velhos e homosexuais. Ai veremos o que Islão têm a dizer sobre o aborto e a homosexualidade...

terça-feira, junho 19, 2007

Mi sei scoppiato dentro il cuore - Mina





Era
solamente ieri sera
io parlavo con gli amici
scherzavamo tra di noi
e tu e tu e tu
tu sei arrivato
m'hai guardato e allora
tutto e' cambiato per me
Mi sei scoppiato
dentro al cuore all'improvviso
all'improvviso non so perché
non lo so perché all'improvviso
all'improvviso
sarà perché mi hai guardato
come nessuno mi ha guardato mai
mi sento viva
all'improvviso per te
Ora
io non ho capito ancora
non so come può finire
quello che succederà
ma tu, ma tu, ma tu
tu l'hai capito
l'hai capito ho visto
eri cambiato anche tu
Mi sei scoppiato
dentro al cuore all'improvviso
all'improvviso non so perché
non lo so perché all'improvviso
all'improvviso
sarà perché mi hai guardato
come nessuno mi ha guardato mai
mi sento viva
all'improvviso per te
Mi sei scoppiato
dentro al cuore all'improvviso
all'improvviso non so perché
non lo so perché all'improvviso
all'improvviso
sarà perché mi hai guardato
come nessuno mi ha guardato mai
mi sento viva
all'improvviso per te


Dedicado a minha amiga Catas, que me "obrigou" a gostar desta música.