sexta-feira, maio 25, 2007

Lenda Negra II - Descobrimentos: Bons Selvagens e Maldita Civilização


"Os padres foram os mais ferozes devastadores da sua cultura, e dos próprios indígenas, cuja evangelização era forçada para os que resistiram à varíola, à fome e à escravatura."

Esta foi a frase com que me deparei há pouco ao passear-me pela blogosfera (hábito pouco saudável e bastante deprimente na sua generalidade).
Além disso, vendo noticias sobre a ida do papa ao Brazil, deparei-me com uma que diz que o papa ignorou o processo sangrento que marcou o inicio da evangelização na américa latina.
E eu, que por acaso estava já com ideias de falar sobre a Idade Média, vi-me forçado a mudar de assunto e tratar do papel das missões católicas portuguesas e espanholas durante a gloriosa época de ouro que foram os descobrimentos.

Ao contrário do que (mais uma vez...) é aceite pela maioria, os bons selvagens pobrezinhos e simpáticos que foram dizimados por nós não eram bons, nem pobrezinhos nem simpáticos. Nem foram dizimados por nós...

Não sei se viram o Apocalypto de Mel Gibson, que aconselho a todos. Aí têm uma pequena ideia da bondade dos civilizados maias, que faziam estas matanças todas cada vez que havia uma epidemia, ou fome, ou outra qualquer chatice... E isso eram os Maias que eram simpáticos. Já os aztecas faziam as mesmas coisas sem ser necessária nenhuma crise, e ainda pior. Um estudioso norte-americano, citado por Messori, conta o seguinte sobre os rituais aztecas: "Quatro sacerdotes prendiam a vitima e lançavam-na para a pedra dos sacrificios. O Grande Sacerdote cravava então a faca debaixo do peito esquerdo e abria a caixa toraxica e depois enfiava lá as mãos até conseguir arrancar o coração ainda palpitante para depositá-lo numa taça e oferecê-lo aos deuses. Depois, os corpos eram lançados pelas escadas da pirâmide. Aí aguardavam outros sacerdotes que faziam incissões nesses corpos para retirar a pele numa só peça. O corpo, já sem pele, era levado por guerreiros para casa, onde os partiam aos bocadinhos e os ofereciam aos amigos, em festas. Uma vez curtidas, as peles eram usadas como vestes pelos sacerdotes" Estes sacrificios não podiam ser interrompidos e só eram usados os jovens de ambos os sexos, de entre os prisioneiros das tribos vizinhas dominadas pelos aztecas. As mulheres que já não fossem virgens eram decapitadas e aos homens eram-lhes arrancados os olhos ainda vivos, antes de os cravarem com setas.

São estes os bons selvagens que gente como Jane Fonda e o que escreveu a frase inicial querem fazer passar por queridos e oprimidos.

Agora alguns números: desde a descoberta da Flórida pelos espanhóis em 1509 e a passagem do estreito Magalhães em 1559, só foram para as Indias Ocidentais 500 espanhóis por ano. foi este punhado de espanhóis que dizimou a civilização Maia, Azteca e Inca! Pelos vistos aprenderam muito com a batalha de Aljubarrota...
Mais, os canhões e arcabuzes não funcionavam em condições devido à extrema humidade, e os cavalos não serviam de muito na selva, porque era impossivel fazer as cargas de cavalaria que eram o seu único trunfo em batalha.
Houve de facto dois factores que contribuiram para a dizimação autóctone das américas: uma foi o surto de virus e bactérias que invadiram os nichos ecológicos dos indígenas e para os quais estes não tinham defesas. Este facto em si foi quase tão mortal como a peste negra europeia. Mas ao mesmo tempo uma míriade de virus americanos provocaram iguais hecatombes nos conquistadores. Simplesmente não podemos culpar nem espanhóis nem portugueses nem indios por factos biológicos impossiveis de controlar na época...

Um segundo factor de peso, de facto o mais importante, foram os aliados que os quinhentos espanhóis anuais receberam. E quem eram estes aliados? Os selvagens realmente simples e oprimidos, mas pelos incas e companhia que os matavam aos milhões. Estes selvagens naturalmente viram com alegria a chegada de novas forças, e conseguiram libertar-se.

Quanto há questão da escravatura é falso no caso dos indios. Hei-de dedicar um post à escravatura em África, que apesar de ter sido um erro, não deixa de ter mal-entendidos. Mas os índios quase nunca foram sujeitos a essa ignomia por duas razões: uma delas é porque eram muito fracos para trabalharem. Mas a principal razão foi que os indios tiveram defensores acérrimos nos padres jesuitas que lá iam evangelizar. No filme A Missão esse facto está muito bem representado. Os missionários não forçavam Cristo a ninguém. Iam às tribos indias, conviviam com eles, ajudavam-nos e como é natural falavam-lhes de Cristo.
E impediam os senhores das terras de o usar como escravos. E muitos foram mortos por isso.

quinta-feira, maio 24, 2007

Contratação galáctica!

Aproveitando a abertura do mercado de tranferências o "Samurais de Cristo", após longas e demorada negociações (um mail e dois sms), conseguiu assegurar os serviços da Kate.
Com esta nova aquisição dos Samurais, prevê-se uma época 2007/2008 brilhante!

Independentes da Política ou Política dos Independentes?

Em primeiro lugar, cumpre agradecer ao ZMD o convite para escrever nos Samurais, facto que muito me honra.

Começo a minha modesta intervenção por apresentar um tema que me tem ocupado o pensamento: a presença de independentes na política.

O DN noticia hoje o contrabalanço que as candidaturas Carmona e Roseta causaram no eleitorado: apresenta-se uma sondagem em que a soma das intenções de voto em C e R (como boa jurista passarei a designar assim Carmona e Roseta) é superior à percentagem atribuída a António Costa (AC) - que a nossa estimada Comunicação Social insiste em apresentar como indubitável vencedor das intercalares...

De facto, começa a notar-se uma certa tendência anti-partidária na sociedade civil: enquanto os partidos se fecham nas suas ideologias (ou as tentam renovar...!), os eleitores procuram um espaço cívico de intervenção, onde possam afirmar valores e princípios, sem estarem sujeitos à máquina partidária ou ao círculo interventivo da política (ou politiquice).

R cortou laços com o PS e C assume uma das posições mais corajosas vistas num cenário eleitoral em Portugal nos últimos tempos. E o eleitorado gosta.

É decisivo este novo espaço de intervenção política e social: cada vez menos as pessoas se revêem nas estruturas partidárias actuais e cada vez mais sentem a urgência da democracia participativa (por oposição à representativa).

C poderá ter um resultado surpreendentemente positivo: o facto de ser arguido não define nada acerca da sua pessoa e o princípio da presunção de inocência tem sido esquecido. Se formos aos factos, C fez um muito bom trabalho na CML e R agrada por aquilo que representa para a política nacional - o desprendimento das hierarquias e ideologias.
É junto dos independentes que muitos encontram o futuro da democracia. A mina partidária cria situações de subserviência e dependência que não agradam a defesa dos ideais.
Eu cá acredito nos independentes.

O Papa e Fátima




Esta noticia já vem um pouco atrasada, mas não quis deixar de a publicar: "Recorre hoje o nonagésimo aniversário das Aparições de Nossa Senhora em Fátima. Com o seu veemente apelo à conversão e à penitência é, sem dúvida, a mais profética das aparições modernas. Vamos pedir à Mãe da Igreja, Ela que conhece os sofrimentos e as esperanças da humanidade, que proteja nossos lares e nossas comunidades. Saúdo especialmente as mães que hoje comemoram o seu Dia. Deus as abençoe com os seus queridos." Bento XVI, 13 de Maio de 2007


Semper Fidelis!

Sem vergonha!

A Maçonaria perdeu de vez a vergonha, como se pode ver aqui. Como é que possivel que uma associação responsável por revoluções, assasinios, perseguições religiosas, deposições de reis, queira agora ter assento na ONU?

A Maçonaria é responsavel pela revolução liberal portuguesa e espanhola lançado-se depois numa perseguição à Igreja, é responsável pelas perseguições aos cristão no méxico, é responsável pela deposição do rei Afonso XIII de Espanha por este se recusar a aliar a eles contra a Igreja. Para além disso conta nas suas hostes com pessoas poderosas que de maneira pouco clara intervem na educação, na politica e na comunicação social.

A Maçonaria não é uma associação de tipos simpáticos, que querem ajudar o mundo. Não sequer são uma seita New Wage como os romances históricos recentes os querem vender. São uma corja de malfeitores, que tem como objectivo acabar com a Igreja.

Como uma onda no mar - Lulu Santos

Nada do que foi será
De novo do jeito que já foi um dia
Tudo passa, tudo sempre passará
A vida vem em ondas como o mar
Num indo e vindo infinito
Tudo que se vê não é
Igual ao que a gente viu há um segundo
Tudo muda o tempo todo no mundo
Não adianta fugir
Nem mentir pra si mesmo
Agora
Há tanta vida lá fora, aqui dentro
Sempre como uma onda no mar
Como uma onda no mar
Como uma onda no mar
Nada do que foi será
De novo do jeito que já foi um dia
Tudo passa, tudo sempre passará
A vida vem em ondas como o mar
Num indo e vindo infinito
Tudo que se vê não é
Igual ao que a gente viu há um segundo
Tudo muda o tempo todo no mundo
Não adianta fugir
Nem mentir pra si mesmo
Agora
Há tanta vida lá fora, aqui dentro
Sempre como uma onda no mar
Como uma onda no mar
Como uma onda no mar
Como uma onda no mar
Como uma onda no mar
Como uma onda no mar

"What will you do whitout freedom?"

Fernando Charruas é um professor do Porto, destacado para a DREN, que teve a infeliz ideia de dizer uma piada sobre a licenciatura do Primeiro-Ministro. A sua superior hierárquica suspendeu-o.

Convém esclarecer, porque a verdade é uma coisa muito bonita, que o Governo não têm nada a ver com este imbróglio. Para o Governo intervir é necessário respeitar os trâmites do Direito Administrativo, que eu desconheço por completo, pois existe uma hierarquia a respeitar.

Contudo o caso não deixa de ser escandoloso. O caso de José Socrates e da Universidade Independente foi alvo de graças de todas a parte, incluido de membros do próprio governo.

A suspensão deste professor é um afronta a liberdade de expressão e sobretudo, já que a história chegou a directora da DREN por terceiros, um incentivo a um ambiente de desconfiança e de "queixinhas" dentro da Administração Pública.

Para se manifestar contra esta situação existe um petição on-line que pode ser assinada aqui.

Democracia?

A ditadura é a anulação do Eu pelo poder. Desde os tempos do "pão e circo" romano até ao estalinismo, a grande preocupação dos ditadores foi substituir o Eu por um simbolo: o Imperador, o Rei absoluto, a Convenção, o Estado, o Partido... Tudo nomes que os ditadores inventaram para anular o Eu.

Mas no nosso tempo inventou-se uma nova ditadura. Nesta ditadura o Eu foi substituido pela maioria e convive saudavelmente com a Democracia. A Democracia, para o ser realmente, tem que respeitar os direitos fundamentais de cada um: o direito à vida, à liberdade religiosa, à liberdade de educção. Este são direito inatos ao Homem, nem a maioria os pode retirar.

Neste ultimo ano a Assembleia da Républica aprovou por duas vezes lei que violam claramente o direito à vida: primeiro a lei da PMA e agora a lei do aborto. Em ambos os casos foi a maioria que decidiu, por isso foi respeitado o processo democrático.

Nestes últimos dois anos o governo tentou impor aulas de educação sexual obrigatórias, indiferentemente de os pais quererem ou não que os filhos de 8 anos conheçam o aparelho reprodutor ou que aos 11 anos achem que existem familias homosexuais. O governo negou assim aos pais o direito de educarem os seus filhos como acham melhor, guardando para si esse direito. Mas respeitando o processo democrático.

Também neste últimos dois anos o governo mandou retirar os crucifixos de todas as escolas públicas, negando assim à comunidade o direito de conservar a sua cultura de matriz cristã. Tambem esta decisão foi tomada respeitando o processo democrático.

A Democracia, se não for acompanhado pelo respeito dos direitos de cada homem, pode tornar-se apenas numa outra forma de Ditadura.

quarta-feira, maio 23, 2007

Alberto João

O homem pode ser um aldrabão, pode ser malcriado, pode ser demagogo, mas como diz coisas como esta eu não consigo deixar de gostar dele!

terça-feira, maio 22, 2007

"Que vale ao homem ganhar o mundo se se perder a si mesmo?"




Fui ontem ver o "Homem Aranha 3". A coisa boa dos filme de super-hérois é que a coisa costuma ser simples: há os bons e há os maus. Os maus quase ganham aos bons, mas no fim graças à sua bondade e a uma rapariga gira, os bons acabam por ganhar.

Para meu grande espanto este filme é diferente. O grande vilão do filme não é um qualquer super-vilão (embora tambem haja) mas o próprio herói. A luta entre o bem e o mal não é feita no meio da rua, com uma cidade inteira a ser destruida pelo caminho, mas é travado no coração do próprio Peter Parker.

Neste filme aparece uma entidade alienigena que desenvolve ao máximo os poderes do seu hospedeiro, de modo especial a sua raiva. Peter começa por ficar deslumbrado com os seus novos poderes, até que os usa para matar o assasino do tio. Ai começa completamente a descontrolar-se: tem tudo o quer, mas vai-se tornado cada vez mais escravo do fato.

Isto dura até ao momento em que acaba por magoar Mary Jane. Aí ganha consciência de que, embora estivesse mais famoso, mais poderos e mais rico do que nunca, se tinha perdido a si mesmo. É nesse momento que, ajudado pela Tia Mae, Peter acaba por se arrepender e, com muito sofrimento (porque é sempre mais fácil começar a pecar, do que parar) se livra do fato.

Todo o ponto do filme é que o Homem não é definido pela sua circunstância. O Homem pode sempre escolher o bem. Ou como diz Peter Parker: "Whatever comes our way, whatever battle we have raging inside us, we always have a choice. My friend Harry taught me that. He chose to be the best of himself. It’s the choices that make us who we are, and we can always choose to do what’s right. "

Viver a religião em termos religiosos - João César das Neves (DN - 21/05)

A religião é um dos temas mais influentes e fascinantes da actualidade. O facto em si não é surpreendente, pois afinal a religião é um dos temas mais influentes e fascinantes de sempre. Só se torna notável porque a Europa faz há séculos muitos esforços para negar o lugar da fé. O que prejudica mais a Europa que a fé.

O Iluminismo foi o único movimento cultural mundial que tentou fundar uma seita ateia e anti-religiosa. O fiasco é hoje evidente mas a sua sanha e fanatismo, da guilhotina ao gulag, estiveram entre os piores da História. E deixaram sequelas. Muitos leitores, mesmo crentes, continuam a ficar incomodados com um artigo destes neste local. Todos os temas são aceitáveis numa coluna destas, mas religião fica mal.

Aliás, uma das provas da crescente influência da religião está no facto de o ateísmo também viver um surto de expansão. Surge uma nova geração de obras violentamente anti-religiosas, desde The God Delusion do cientista britânico Richard Dawkins (Bantam Books, Setembro 2006) até ao recentíssimo God Is Not Great: How Religion Poisons Everything, de Christopher Hitchens (Twelve, Maio de 2007). Mais pacatamente por cá, onde acaba de sair a tradução de The End of Faith: Religion, Terror, and the Future of Reason, de Sam Harris (W.W. Norton, 2004; Tinta da China, 2007), João Carlos Espada, referindo outros sintomas do mesmo fenómeno, criou furor e foi insultado por citar Raymond Aron: "O ateísmo é o ópio dos intelectuais" (Expresso, 21 de Abril).

Tudo isto só confirma o interesse crescente por temas religiosos. Visitar uma livraria é ver a profusão de volumes sobre o tema, dos disparatados aos eruditos (normalmente os mais disparatados). Em particular, após dois mil anos, Jesus é um best-seller. Já lhe arranjaram uma filha (O Código da Vinci, Doubleday 2003) e fizeram cúmplice de Judas (National Geographic Society, Abril 2006). Agora até descobriram um túmulo com os seus ossos por ressuscitar (Discovery Channel, Março 2007).

O mais notável nestas investigações sobre o "Jesus histórico" é a falta de lógica. Ninguém parece notar que, se Cristo não é Deus, então não passa de um carpinteiro meio maluco cujos ossos ou descendentes não interessam. Jesus só importa se for o filho de Deus. E nesse caso, o que merece atenção é, não os pormenores, mas a Sua presença e palavra, que mudam radicalmente a minha vida.

No meio da confusão, um livro marca a época: Jesus de Nazaré (Esfera dos Livros, Maio 2007), do Papa Bento XVI. Um dos maiores teólogos da actualidade, Joseph Ratzinger incorpora todos os avanços de conhecimento da ciência e investigação sobre a pessoa de Jesus. Mas sobretudo, com a sua habitual clareza e frontalidade, coloca a questão decisiva: "Aqui surge a grande pergunta que acompanha todo este livro: mas que coisa nos trouxe verdadeiramente Jesus, se não trouxe a paz do mundo, o bem-estar para todos, um mundo melhor? Que coisa trouxe? A resposta é muito simples: Deus. Trouxe Deus. (...) Ele trouxe Deus: agora nós conhecemos o Seu rosto, agora podemos invocá-lo. Agora conhecemos o caminho que, como homens, devemos seguir neste mundo. Jesus trouxe Deus e com Ele a verdade sobre o nosso destino e proveniência; a fé, a esperança e o amor. Só a nossa dureza de coração nos faz achar que isso seja pouco" (p. 67 da edição italiana). Esta é a única razão por que vale a pena aproximarmo-nos de Jesus Cristo.

O centro do livro surpreende até a teologia contemporânea, porque o Papa olha a religião em termos religiosos, um desafio nos tempos que correm. Nesta época de dinamismo e prosperidade, até os crentes consideram a fé como um instrumento útil e vantajoso. Mas "interpretar o Cristianismo como uma receita para o progresso e reconhecer o bem-estar comum como a verdadeira finalidade de todas as religiões e, por isso, também da cristã, é nova forma da tentação" (p. 66).

A razão da religião é esta: Deus vale só por Si. "Amo-te, não porque me podes dar o paraíso ou o inferno, mas simplesmente porque és quem és - meu rei e meu Deus" (p. 195).

segunda-feira, maio 21, 2007

Do casamento

Anda por aí um cartaz da JS que têm causado um pouco de animação. No dito cujo aparecem duas meninas a dar um beijinhos (com um ar um pouco lascívo admita-se) e a dizer "Somos iguais a ti". E eu até concordo com a frase. Tirando as diferenças de género, é verdade que somos iguais (e não me estou a referir ao facto de também elas gostarem de mulheres).

Do ponto vista humano eu sou igual a todos os Homens, temos todos o mesmo desejo de beleza, de justiça e de felicidade.

Também do ponto de vista religioso, não sou diferente dos homosexuais. A Igreja sempre distinguiu o pecado dos pecadores. A homosexualidade é um pecado e um pecado grave. Contudo os homosexuais, tal como todos os Homens, porque todos pecamos, podem sempre arrepender-se dos seus pecados. Se a misericórdia de Cristo chega para a minha culpa que é bem grande, também há de chegar para todos os outros.
Do ponto vista jurídico é indiferente o género sexual da pessoa com que alguém se deita (recuso-se a chamar-lhe orientação sexual, pois a seguir teria que falar da orientação alimentar para não discriminar os vegetarianos e da orientação cultural para não discrimar os modernistas).

Mas o cartaz têm um objectivo claro: não só uma tentativa de se mostrarem despreconceituosos (os meninos socialistas só tem preconceitos contra crianças com menos de 10 semanas) como é mais uma farpa na já longa luta da JS pelo casamento entre pessoas do mesmo sexo e com isso não posso concordar.
O casamento não é uma invenção do Direito. O casamento não existe porque a Lei assim o diz. Antes de haver qualquer lei escrita já os homens e as mulheres se juntavam para terem família. É uma necessidade básica de qualquer espécie. A Lei limita-se a regular o casamento, não o pode re-inventar. Era como se a Lei viesse dizer que a água era H3O...

Podemos discutir se as uniões homosexuais merecem ou não protecção jurídica (eu acho que não) mas o casamento é entre pessoas de sexos diferentes e nenhuma lei pode mudar isso.

Se a JS conseguir aprovar o casamento para pessoas do mesmo sexo, então terá simplesmente acabado com o casamento!

quarta-feira, maio 16, 2007

Fátima no Coração da História

Tive a graça de visitar, no dia 12 de Maio a exposição "Fátima no Coração da História" e fiquei verdadeiramente comovido pela Beleza, Verdade e Actualidade nela expressas e transmitidas. Não podia deixar de escrever sobre ela.
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A exposição é composta por três partes:
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1. A primeira parte, demonstra como as aparições na Cova da Iiria foram determinantes na História do século XX. Um dos séculos de maior perseguição à Igreja de sempre. Os regimes totalitários (da esquerda à direita) "causaram" quase tantos mártires quantos os nascidos no conjunto dos séculos precedentes. O papa João Paulo II, sofre o atentado a 13 de Maio de 1982. Apercebe-se, já no hospital, que uma mão materna tinha desviado a bala que, em circunstâncias normais, o teria morto. Passado um ano o Papa peregrina a Fátima para agradecer a protecção recebida e oferecer a bala que o atingira a Nossa Senhora. Seguem-se as renovações da consagração do Mundo ao Imaculado Coração de Maria, por insistência da irmã Lúcia. Em 1989 dá-se a inesperda queda do muro de Berlim e da União Soviética, pondo termo á Guerra Fria. A promessa fora cumprida. "O Meu Imaculado Coração triunfará!"
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2. A segunda parte, centra-se na História e Mensagem de Fátima. As aparições datam de 1917. Em Portugal era tempo de enorme perseguição à Igreja (Primeira República). No mesmo ano, dá-se a revolução comunista, na longínqua Rússia.
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Nossa Senhora aparece em Fátima a três crianças e exorta-as à Oração, à Penitencia e à Conversão. Pede em especial, para fazerem penitencia e rezarem todos os dias o terço: em desagrvo das ofensas cometidas ao Sagrado Coração de Jesus e ao Imaculado Coração de Maria; pela pessoa do Santo Padre e pelas suas intenções; pela conversão dos pobres pecadores; pela conversão da Russia (que os pastorinhos pensavam ser uma senhora que pecava muito!).
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A mensagem continua ainda hoje actual. A mensagem direge-se a cada um de nós. A 13 de Maio de 2000, João Paulo II torna a peregrinar a Fátima. Entrega a Nossa Senhora o seu anel episcopal com a inscrição "Totus Tuus", beatifica a Jacinta e o Francisco e revela a terceira parte do segredo de Fatima (que se refere ao atentado sofrido em 1982). O Papa não deixa terminar o grande Jubileu do ano 2000, sem antes consagrar o novo mlénio a Nossa Senhora.
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3. Finalmente a terceira parte, conta a História do Milagre de Alverca. A História da construção da Igreja dos Pastorinhos. A primeira Igreja dedicada aos Beatos Francisco e Jacinta Marto. Mas para perceber bem a dimensão deste Milagre, nada como lá ir pessoalmente.
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Até ao dia 31 de Maio pode ser visitada a exposição, "Fátima no Coração da História" , na Igreja dos Pastorinhos em Alverca.
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Totus Tuus Maria

One



Is it getting better
Or do you feel the same?
Will it make it easier on you now
You got someone to blame?
You say
One love, one life
When it's one need
In the night
One love
We get to share it
It leaves you, darling
If you don't care for it

Did I disappoint you
Or leave a bad taste in your mouth?
You act like you never had love
And you want me to go without
Well, it's too late
Tonight
To drag your past out
Into the light
We're one
But we're not the same
We get to carry each other
Carry each other
One

Have you come here for forgiveness?
Have you come to raise the dead?
Have you come to play Jesus
To the lepers in your head?
Did I ask too much
More than a lot?
You gave me nothing now
It's all I got
We're one
But we're not the same
We will
We hurt each other
Then we do it again
You say

Love is a temple
Love, a higher law
Love is a temple
Love, the higher law
You ask me to enter
And then you make me crawl
And I can't be holding on
To what you got
When all you got is hurt

One love
One blood
One life you got
To do what you should
One life
With each other
Sisters, brothers

One life
But we're not the same
We get to carry each other
Carry each other
One ... one
Uh, uh, uh, oh
Make, make it, make it
Ahh, ahh, oh
Ahh, ahh
And one
Ahh, ahh ... oh

(Música dos U2 interpertada por Mike Mills e Michael dos REM e Adam Clayton e Larry Mulle dos U2)

terça-feira, maio 15, 2007

Non c’è nessuno

Non c’è nessuno che ama la luna come le stelle del ciel!
Non c’è nessuno che ama la riva come le onde del mar!

Anch’io ti amo, lo sai: vorrei sempre restare con te...
E invece devo partir: ma l’amore non deve finir.

Quanto ti amo, lo sai: vorrei sempre restare con te...
Anche se tu partirai, resteremo insieme perché

quando tramonta lontano la luna. resta l’attesa del ciel:
quando scompare lontano la riva, resta l’attesa del mar!

Não há ninguém que ame a lua como as estrelas do céu! Não há ninguém que ame o rio como as ondas do mar! Até eu te amo, sabes: gostaria de ficar sempre contigo... E no entanto devo partir: mas o amor não deve acabar. Quanto te amo, sabes: gostaria de ficar sempre contigo... Mesmo se tu partires, ficaremos juntos porque quando a lua se põe permanece a espera do céu; quando o rio desaparece ao longe, permanece a espera do mar!

O grande Péguy dizia "Para se esperar minha filha é preciso ser-se muito feliz, é preciso ter-se recebido, alcançado, uma grande graça". A esperança cristã não nasce de uma ilusão, de um sonho, mas de um encontro. Essa música é reflexo disso.

Os filhos de Witiza

Há uns quantos séculos, nesta Penísula à beira-mar plantada, havia um rei chamado Witiza. Quando este morreu sucedeu-lhe Roderico que não era seu filho, pois a monarquia visigoda era electiva e não hereditária.

Quem não achou graça nenhuma a eleição de Roderico foram os filhos de Witiza. Então estalou a guerra civil. Como a guerra não lhes estava a correr muito bem, os filhos de Witiza decidiram pedira ajuda aos mouros, que não se fizeram rogados e entraram pela Penísula a dentro só parando nas Astúrias. Os mouros permaneceram por cá 700 anos, dos filhos de Witiza ficou uma vaga recordação...

Esta história, que é maçadoramente contada em "Eurico o Presbítero" é um bom exemplo para a Europa moderna. A esquerda moderna parece-se aliar cada vez mais ao islão para combater a herança cristã ocidental. Cada vez mais os herdeiros da revolução francesa se juntam aos terroristas islâmicos para culpar o Ocidente Cristão do terrorismo. A Turquia, um país onde no príncipio do Século XX existia um comunidade cristã que representava 25% da população, dos quais sobraram menos de 5% depois do exterminio dos arménios, é olhado como o parceiro ideal europeu, para demonstrar que UE não é um "clube cristão". E assim, de pequeno passo em pequeno passo a Europa vai-se descristianizando, ao mesmo tempo que envelhece.

Quando a Europa estiver finalmente descristianizada, quando o Papa se tiver mudado para as Filipinas ou para o Brazil, quando Portugal se erguer como o novo reino das Astúrias, onde a promessa da Senhora de Fátima prevalece sobre os cálculos do mundo, então não será o fim da Igreja, pois a Igreja tem promessas de vida eterna. Mas será seguramente o fim da Europa. Dos herdeiros da revolução francesa sobrará o que sobrou dos filhos de Witiza: uma vaga recordação...

segunda-feira, maio 07, 2007

"Oh Senhora, Vós Sois a segurança da nossa esperança"


Fátima é um local central na minha fé. Foi lá que realmente percebi que Nossa Senhora é nossa mãe. Percebi que a maternidade de Maria não é um mero sentimentalismo das pias catequistas da paróquia, é um facto. Tal é o amor da Virgem por nós que desceu dos Céus a terra par vir ajudar aqueles que mataram o Seu filho querido. Aquele que Ela tinha gerado e criado e que viu pregado numa cruz pelos pecados de todo o mundo. Pelo meu pecado. No entanto desceu à Cova da Iria, por um pobre pecado como eu. Para que eu acreditasse e me convertesse. Para me consolar nos apertos e para me sustentar a cruz nas dificuldades maiores.

Por isso é que eu gosto de ir a Fátima. Para correr para o colo da minha Mãe e pedir que me "sustente a Cruz e o caminho e me mantenha sempre nesta estrada".

Totus Tuus!

domingo, maio 06, 2007

As Quatro Padroeiras

A primeira padroeira
Da minha raça altaneira
Foi Senhora da Vitória.
Rainha de Cavaleiros
Mãe doce de marinheiros
Dos nossos tempos de glória.

Em Alcácer negro dia
A Senhora da Agonia
Foi amparo em nosso mal.
Viúva de um Rei menino
Chorou connosco o destino
De ser escravo em Portugal.

Mas eis chegado Dezembro
Um belo dia que lembro
Ao povo do meu País.
Senhora da Conceição
Do teu manso coração
Nasceu uma flor-de-lis.

Hoje entre restos de flores
Reina a Senhora das Dores
Com sete espadas no peito.
Dos seus olhos, sete rios
Correm sobre os restos frios
Do meu Portugal desfeito.

Diogo Pacheco de Amorim

sábado, maio 05, 2007

Fernando Pessoa: O Amor

O amor, quando se revela,
Não se sabe revelar.
Sabe bem olhar p'ra ela,
Mas não lhe sabe falar.

Quem quer dizer o que sente
Não sabe o que há de dizer.
Fala: parece que mente
Cala: parece esquecer

Ah, mas se ela adivinhasse,
Se pudesse ouvir o olhar,
E se um olhar lhe bastasse
Pr'a saber que a estão a amar!

Mas quem sente muito, cala;
Quem quer dizer quanto sente
Fica sem alma nem fala,
Fica só, inteiramente!

Mas se isto puder contar-lhe
O que não lhe ouso contar,
Já não terei que falar-lhe
Porque lhe estou a falar...

Dedico este poeminha à Teresinha, obviamente.
Perdoem-me aqueles que acharem este poema romantico-enjoativo, sobretudo porque não tenho razão nenhuma para o postar a não ser gostar muito dela e ainda não lhe ter dedicado coisa alguma neste blogue

Lenda Negra I - O caso Galileu - Conclusões



No post anterior publiquei apenas a história do julgamento de Galileu. Este post agora tem como objectivo revelar algumas das desmistificações que surgem dos factos.

A teoria heliocêntrica

Comos vimos, a Igreja não se opunha de forma alguma a esta teoria, nem aliás a nenhum dos avanços da ciência. A teoria não era nova, copérnico formula-a em 1543 (noventa anos antes do julgamento de Galileu) no livro As revoluções dos mundos celestes dedicada ao Papa Paulo III, e com um imprimatur dado por um cardeal dominicano. Daí até Galileu a Igreja conheceu onze Papas, que não só não perseguiram a tese como sempre a tiveram em consideração. Aliás a atitude da Igreja é a verdadeira atitude ciêntifica, que trata as teses como aquilo que são, hipoteses à espera ou da confirmação dos factos ou do surgimento de uma tese melhor. Este é o espirito verdadeiramente cientifico, e foi esse o espirito que Galileu não teve. A proibição da obra e do seu ensino por parte da Igreja tem base ciêntifica, é como a recusa nos nossos dias da publicação de um artigo inexacto e sem provas por parte de uma qualquer revista científica.

Perseguição à Ciência

Esta lenda de que a Igreja sempre foi "obscurantista" e contrária aos avanços cientificos perde aqui o seu maior trunfo, que passa de repente para o lado católico. Na altura do julgamento, Galileu estudava mais coisas além do movimento terrestre, e foi sempre apoiado e ajudado nos seus estudos por muitos cardeais e clérigos cientistas, aos quais dedicou muitas das suas obras.

Se sempre se falou da perseguição catóica, sempre se calou a feita pelos protestantes, e aí sim a perseguição foi dura. Logo na obra de Copérnico o perfácio é escrito por um protestante, que afirma, ele sim, que é preciso cuidado pois a teoria parecia ir contra a letra da Bíblia, coisa intoleravel para um protestante. Kepler por sua vez, protestante, defensor da teoria copernicana, foi expulso d o colégio onde ensinava pelos seus colegas protestantes que o consideravam blasfemo. Teve de abandonar a Alemanha. O mais interessante é que foi convidado para ensinar na Universidade de Bolonha, em território pontificio, ele que não só era protestante como defendia uma teoria que, segundo se diz hoje, era perseguida pela Igreja. Foi dos protestantes que surgiram as mais acérrimas criticas a todos estes cientistas e quando soube da condenação de Galileu, Lutero afirmou que se fosse com ele, Galileu tinha sido queimado.

A Igreja sempre apoiou e colaborou com todas as ciências. As Universidades são produto tipico da Cristandade. Os jesuitas, nessa época de Galileu, eram uma das grandes elites cientificas (não admira portanto que tenham sido encarregues do ensino nas escolas) Foi nessa época que o Observatório Vaticano consolidou a fama de ser um dos institutos cientificos mais prestigiados e rigorosos do mundo. Tanto que em 1870 os italianos anticlericais e maçons invadem Roma e começam a expulsar as ordens religiosas, abrem uma excepção a este instituto católico, permitindo-lhe continuar em funções.

Tudo isto porque a Igreja não tem medo da Ciência, sabe-a sua aliada, pois nada se há-de descobrir de Verdadeiro que vá contra contra aquilo que a Igreja já sabe há séculos.

Lenda Negra I - O caso Galileu


Começo esta série de artigos que prometi sobre as lendas negras falando sobre Galileu, porque ainda hoje é para muitos o sinónimo da pseudo-incompatibilidade entre a fé e a ciência e exemplo da feroz preseguição da Igreja a todos os "livres pensadores"

A lenda é conhecida por todos: Galileu era um grande cientista que defendeu a tese do heliocentrismo e foi por isso perseguido pelas garras da ignóbil Inquisição e sobre tortura foi obrigado num julgamento a abdicar das suas teses, contrárias à Bíblia. E no fim do julgamento solta a sua célebre frase histórica, mais célebre que histórica: Eppur si muove! Em algumas versões da lenda essa frase é exclamada pelo mártir da ciência enquanto é queimado vivo na praça pública.

A verdadeira história de Galileu é que já não tão conhecida...

Em primeiro lugar a tão famosa frase sabe-se hoje que é uma invenção de um jornalista que escreveu em Londres em 1757 uma história, muito bonita mas nada jornalística, sobre o modo como Galileu foi condenado e morto na fogueira.

Mas agora entremos no cerne da questão, o julgamento de Galileu: o que estava em causa não era uma suposta novidade herética que ia contra a letra da Bíblia. De facto, a teoria heliocêntrica não era uma novidade para os cientistas jesuitas da época, e muitos deles eram defensores desta teoria de Copérnico. Mas nessa época a teoria heliocêntrica e geocêntrica eram apenas isso, teorias, ambas com o mesmo peso. Só em 1748 surge a primeira prova indiscutivel da rotação da Terra, rotação que aliás só com a invenção do pêndulo de Foucault no séc. XIX é que foi possivel "ver".

Mas Galileu tinha um feitio dificil. Segundo testemunhos da época, era vaidoso e orgulhoso. E por essa razão afirmava na sua obra que a teoria heliocêntrica era um dado adquirido não uma hipótese. A aprovação que ele conseguiu para a publicação do livro foi dada na condição de ele acrescentar na sua obra que não passava de uma hipótese, coisa que ele não fez, publicando o manuscrito inalterado e continuando a ensinar que era um facto algo que na altura não poderia ser comprovado. Foi por essa razão que ele foi julgado.

Durante o julgamento, que durou quatro dias, Galilei só apresentou um único argumento a favor da sua tese: Dizia que as marés eram consequência do movimento da terra. Os seus "acusadores" disseram-lhe que isso era falso, que as marés (como hoje sabemos) eram provocadas pela atracção da lua, desmontando o único argumento que ele tinha. Então Galileu passou o resto do julgamento a insultar os cardeais que o julgavam. Tanto que no dia 22 de Junho de 1633, depois de ouvir a sentença, agradeceu aos dez cardeais (três dos quais tinham votado a favor da sua abolvição) por lhe ter sido atribuida uma pena tão leve, pois o próprio tinha consciência de ter feito de tudo para indispôr o tribunal.

Quanto à pena aplicada, não houve nem prisão, nem torturas, nem fogueiras. Aliás nem sequer sofreu o encarceramento normal de quem estava à espera de ser julgado. Quando foi chamado a Roma para o processo ficou instalado, a despesas da Santa Sé, numa grande vivenda com vista para os jardins do Vaticano e com um criado pessoal. Depois da sentença, o "condenado" instalou-se na maravilhosa Villa Médici, de onde passou ainda para o palácio do arcebispo de Siena antes de se recolher à sua villa am Arceti, onde passou a viver em prisão domiciliária. Nunca lhe proibiram de continuar os estudos, e foi nesses anos que publicou a sua obra mestra, nem lhe foram vedadas as visitas. De facto os grandes intelectuais da época iam regularmente visitá-lo para discussões científicas. Rapidamente a própria prisão foi levantada. A única pena que continuou foi a de rezar todos os dias od salmos penitênciais, mas mais uma vez esta pena foi levantada, Galileu continuou apenas porque era um homem devoto. Morreu em 1642 com indulgência plenária e benção papal.

Esta é a verdadeira história do verdadeiro Galileu.

Lendas Negras


Acabei de ler há pouco tempo este belíssimo livro do grande jornalista Vittorio Messori, numa tradução espanhola, onde ele faz uma compilação de vários artigos que escreveu para diversos jornais italianos, sobre as diversas lendas que foram criadas com o simples intuito de caluniar a Igreja Católica. Estas mentiras infelizmente são tidas hoje em dia pela maioria das pessoas, incluindo muitos católicos, como a mais pura das verdades, sobretudo porque é esta versão da história, adulterada quando não completamente inventada, que se apresenta hoje em todos os manuais escolares.
Trata por exemplo, dos descobrimentos, da inquisição ou do famoso "caso" Galileu, entre muitos outros.

É um facto que houve alguns erros ao longo da história bimilenar da Igreja, pois ela também é feita pelos homens, que erram. No entanto um estudo sério mostra que nestes 2000 anos de história a Graça superou em muito o pecado, e temos o dever como católicos de nos orgulhar desta nossa história, e não seguirmos a infeliz moda entre muitos católicos de achar que a nossa Igreja é a responsável por tudo o que houve de mal no passado e, envergonhados, ficar calados cada vez que o passado é discutido, por simples fala de conhecimento. Um estudo sério da nossa história é um dos deveres de cristão, por amor à Verdade.

Recomendo por isso a leitura deste livro a toda a gente, mesmo não existindo uma tradução portuguesa, infelizmente. No entanto é facilmente encomendável na fnac, e não é de dificil leitura, mesmo para quem como eu nunca aprendeu espanhol.

No entanto, assim que tenha tempo, vou publicando aqui pequenos resumos do muito que aprendi com este livro.

sexta-feira, maio 04, 2007

Non nobis




Já chegou ao fim o mês para o qual recomendámos a leitura do Henrique V, no entanto ainda não falámos uma vez sobre este livro. É uma grave falha que vou tentar colmatar agora, e pela qual peço desde já desculpa.


O mais marcante desta peça é sem dúvida a sua personagem central, o rei Henrique V de Inglaterra. Até porque é o único factor interessante da peça. Não que a peça seja má, passo a explicar:
Nesta obra, Shakespeare centra o seu olhar na grandiosa figura que foi o rei Henrique, e por isso propositadamente não acrescentou nada à peça que desviasse dele a nossa atenção. Acção tem pouca, resume-se a uma pequena introdução dos motivos que levam Henrique a invadir a França, mostra duas batalhas nas quais os Franceses são espancados e acaba com uma cena romântica na qual Henrique V conquista a sua prima depois de ter conquistado tudo o resto. Além disso temos um coro cuja única função é tornar a peça concisa, dando um resumo de tudo o que se passa entre cada acto.
Também as personagens são construidas sem muita profundidade psicológica, pois elas só interessam na medida em que se relacionam com o Rei.
Mas é isto que torna a peça tão grandiosa e tão bem construida, pois assim Shakespeare pode mostrar quem foi Henrique V.
E quem foi ele?


Henrique V em jovem era um devasso, que passava a vida nas tabernas com Jonh Falstaff (uma das mais divertidas personagem da peça Henrique IV) e seus amigos. O inicio do primeiro acto encontra Henrique V já após ter herdado a coroa de seu pai, e desde logo se revela muito mais maturo e ponderado que alguma vez se poderia supor.


Neste primeiro acto vemos já a sabedoria do Rei quando ele instiga os bispos a dizerem se a sua pertenção à coroa de França é justa. Pois a ele não lhe preocupam riquezas e títulos mas sim o seu povo, por isso nunca iria iniciar uma guerra sem ter a certeza da justiça e da Verdade da sua pretenção. É nesse sentido que ele afirma que "não haverá Rei de Inglaterra sem o ser de França", não como uma afirmação arrogante de tirano, mas com a consciência de que se é o herdeiro da coroa de França, é ele o responsável pelo destino e bem estar dos seus subditos, franceses ou ingleses.
É este o pensamento central de Henrique V ao longo de toda a obra: ser Rei não é um privilégio especial que lhe dê regalias e direitos. É o designio que Deus lhe destinou e sobre o qual tem que prestar contas: em primeiro lugar a Deus mas também ao seu povo.


Mas o mais espantoso é que esta consciência aguda que Henrique V tem da sua posição não o paralize, ainda para mais porque não foi educado para esse cargo nas tavernas em que se divertia com Falstaff. Mesmo sabendo do risco da sua empresa não hesita em partir para a guerra. Isto porque tem a consciência de que tudo o que acontece faz parte do designio de Deus. E isto dá-lhe a força e coragem de arriscar, mesmo em tarefas que pareçam humanamente impossiveis, como na batalha de Azincourt: "Assim como estamos não procuramos batalha, e assim como estamos não fugiremos dela."
E se isto é verdade para não temer as derrotas, é também verdade o suficiente para não se vangloriar das vitórias. Daí o Non nobis cantado pelos Ingleses após Azincourt.


Aprendamos com Henrique V a deixar tudo nas mãos de Deus, não para fugirmos da vida mas não a temer e enfrentar com galhardia e coragem tudo o que apareça.


Non nobis Domine, sed nomini tuo dai gloria

quarta-feira, maio 02, 2007

Ética??

A Comissão para o Centenário da Républica, presidida pelo Professor Vital Moreira, quer reafirmar, para usar uma expressão tão cara a esses senhores, a "ética republicana".


Eu tenho só uma pergunta, qual ética? Aquela que matou o Rei Dom Carlos e o seu filho, o principe Luis Filipe? Aquela que perseguiu a Igreja, chegando a matar padres, a encerrar Igrejas e a dar ordem para desterrar o Arcebispo de Braga? A ética que permitiu à maçonaria tomar conta do país durante 15 anos? A ética de uma ditadura encapotada de democracia?


É por ser esta a ética republicana que não me espantam que estes senhores sejam os mesmos que defendem o aborto, o casamento dos homosexuais e que habitualmente usam avental...

Ironia

Assusta-me muito, mas por uma vez (garanto que é a única) estou de acordo com alguém do Bloco de Esquerda...

terça-feira, maio 01, 2007

Ameaças ao presidente da CEI

O presidente da Conferência Episcopal Italiana, Dom Bagnasco, foi ameaçado de morte depois de ter instado a Igreja a manifestar-se claramente contra a lei que permite as uniões de facto homosexuais. Este é o juízo de Comunhão e Libertação sobre essas ameaças.

"«Se il mondo vi odia, sappiate che prima di voi ha odiato me» (Gv 15,18). Di fronte al clima di ostilità contro la Chiesa che ha fomentato scritte ingiuriose e minacce contro il presidente della Cei, tutto il movimento di Comunione e Liberazione si sente vicino a monsignor Bagnasco e prega per lui. La sua difesa della verità dell’uomo immagine di Dio è un giudizio con cui tutti dovrebbero paragonarsi con lealtà. Per questo gli diciamo grazie per il coraggio della sua testimonianza. "

segunda-feira, abril 30, 2007

"O mendicante é o verdadeiro protagonista da história"

Podem ver aqui o vídeo da audiência que o Papa Bento XVI concedeu ao movimento Comunhão e Libertação no dia 24 de Março.

sexta-feira, abril 27, 2007

Perseguições

A perseguição à Igreja na China continua. Quanto mais tempo o mundo irá fingir que a China é um país democrático? É impressionante como quando se é um colosso económico pode-se fazer o que quiser... Até organizar Jogos Olímpicos!

Manifestação Pacífica

Desde dia 25 que oiço pessoas na televisão a dizer que a policia reagiu exageradamente à manifestação pacífica de extrema-esquerda que seguiu aos habituias festejos da revolução na Avenida da Liberdade.


Ontem, equanto acabava de fumar um cigarro à porta da Igreja da Encarnação ao olhar para as paredes pintadas na Igreja do Loreto comecei a perceber o conceito de "manifestação pacífica" da esquerda...

quarta-feira, abril 25, 2007

Juízo do C.L.U. italiano sobre o massacre da Universidade de Virginia.

“Uma tragédia sem sentido”

O que aconteceu no campus de Virgínia Tech, em Blacksburg nos EUA, não pode deixar de nos atingir. Não sabemos se Cho Seung Hui era psicopata. Sabemos sim que estava zangado, desiludido com a vida.

Mas como é possível que um rapaz de vinte e três anos – tal como nós cheios de expectativas – entenda a realidade tão negativamente, ao ponto de pegar numa pistola e matar trinta e dois colegas?

É inegável que entre nós estudantes existe um mal-estar, uma insatisfação: tentamos perseguir os nossos desejos mais verdadeiros (um sentido do viver, um amor gratuito, amizade, justiça…), mas aquilo que queremos é sempre desproporcionado em relação ao que podemos fazer ou imaginar.

Diante disto, muitas vezes escolhe-se ignorar e começa-se a resignar a qualquer coisa que é menos do que aquilo que desejamos realmente: o sucesso, a melhor faculdade, uma certa imagem de si mesmo, aquilo que a sociedade de hoje nos indica como o máximo.

Quando se descobre a inadequação destes falsos ideiais, vem a desilusão e o vazio. Disparar contra quem está ao pé de ti, contra os teus colegas, é como afirmar que este mal-estar tem a última palavra sobre a nossa vida, como se fosse um obstáculo impossível de superar.

Nós mesmos, ainda que experimentando todos os dias este drama, não queremos renunciar à sede de satisfação que nos constitui, não queremos pôr de lado o grito do nosso coração.

Encontrámos alguém que partilha este drama connosco e que oferece uma hipótese de resposta à pergunta que nos inunda; uma resposta capaz de abraçar toda a existência, sem deixar nada de fora. Há pessoas na universidade que estudam, riem, choram, amam como nós, mas certos de um sentido, de uma Presença que une a vida. São sinal de uma esperança para todos, início de uma resposta também à “tragédia sem sentido” – como a definiu Bento XVI – de Blacksburg.

Universitários de Comunhão e Libertação
Milão, 19.04.2007


(Agradeço à Catas por ter traduzido este juízo tão prontamente)

Dia de São Marcos



"Era primo de Barnabé. Acompanhou o apóstolo Paulo na sua primeira viagem, e depois também o acompanhou a Roma. Foi discípulo de Pedro, de cuja pregação se fez intérprete no Evangelho que escreveu. É-lhe atribuída a fundação da Igreja de Alexandria."

Fonte: Agência Ecclesia


(Mesmo esrevendo pouco a gente não se esquece do nosso amigo Marcos)

terça-feira, abril 24, 2007

SOLDADO DA PAZ - Cidade Negra

NÃO HÁ PERIGO
QUE VÁ NOS PARAR
SE O BOM DE VIVER É ESTAR VIVO
TER AMOR, TER ABRIGO
TER SONHOS, TER MOTIVOS PRA CANTAR...
ARMAS NO CHÃO
FLORES NAS MÃOS
MAS SE O BOM DE VIVER É ESTAR VIVO
TER IRMÃOS, TER AMIGOS
VIVENDO EM PAZ, PRONTOS PRA LUTAR...
O SOLDADO DA PAZ NÃO PODE SER DERROTADO
AINDA QUE A GUERRA PAREÇA PERDIDA
POIS QUANTO MAIS SE SACRIFICA A VIDA
MAIS A VIDA E O TEMPO SÃO OS SEUS ALIADOS

O SOLDADO DA PAZ NÃO PODE SER DERROTADO
AINDA QUE A GUERRA PAREÇA PERDIDA
POIS QUANTO MAIS SE SACRIFICA A VIDA
MAIS A VIDA E O TEMPO SÃO OS SEUS ALIADOS
NÃO HÁ PERIGO
QUE VÁ NOS PARAR
SE O BOM DE VIVER É ESTAR VIVO
TER AMOR, TER ABRIGO
TER SONHOS, TER MOTIVOS PARA CANTAR
...


Eu não tenho medo da vida, não por causa de uma coragem grande minha, mas porque Cristo na Cruz mostra que quem não tiver medo de dar a sua vida, ganha-a. Por isso também não temos medo do tempo, pois é no tempo que Cristo se revela, é no tempo (para citar o Pe. João) que a gente ganha!

P.S.: Dedicado especialmente ao Alex e a Matilde que sempre me dizeram que esta música era belissima.

segunda-feira, abril 23, 2007

Negócios!

E não é que afinal no dia 11 de Fevereiro se liberalizou mesmo o NEGÓCIO do aborto... Esta é só a primeira de muitas consequências do referendo!

À Primeira Vista



Quando não tinha nada eu quis
Quando tudo era ausência esperei
Quando tive frio tremi
Quando tive coragem liguei

Quando chegou carta abri
Quando ouvi Prince dancei
Quando o olho brilhou, entendi
Quando criei asas, voei

Quando me chamou eu vim
Quando dei por mim tava aqui
Quando lhe achei, me perdi
Quando vi você, me apaixonei

Quando não tinha nada eu quis
Quando tudo era ausência esperei
Quando tive frio tremi
Quando tive coragem liguei

Quando chegou carta abri
Quando ouvi Salif Keita dancei
Quando o olho brilhou, entendi
Quando criei asas, voei

Quando me chamou eu vim
Quando dei por mim tava aqui
Quando lhe achei, me perdi
Quando vi você, me apaixonei


Daniela Mercury

Dizia don Julian Carrón em Lisboa no dia 30 de Março: "Nenhum poder do mundo pode probir o coração de se apaixonar".

A única coisa que nós precisámos de fazer é ser fieis aquilo que nos acontece: esperar quando é preciso esperar, dançar quando é suposto dançar e vir quando somos chamados.

Debaixo dos carácois



Um dia a areia branca
Seus pés irão tocar
E vai molhar seus cabelos
A água azul do mar

Janelas e portas vão se abrir
Pra ver você chegar
E ao se sentir em casa
Sorrindo vai chorar

Debaixo dos caracóis dos seus cabelos
Uma história pra contar
De um mundo tão distante
Debaixo dos caracóis dos seus cabelos
Um soluço e a vontade
De ficar mais um instante

As luzes e o colorido
Que você vê agora
Nas ruas por onde anda
Na casa onde mora

Você olha tudo e nada
Lhe faz ficar contente
Você só deseja agora
Voltar pra sua gente

Debaixo dos caracóis dos seus cabelos
Uma história pra contar
De um mundo tão distante
Debaixo dos caracóis dos seus cabelos
Um soluço e a vontade
De ficar mais um instante

Você anda pela tarde
E o seu olhar tristonho
Deixa sangrar no peito
Uma saudade, um sonho

Um dia vou ver você
Chegando num sorriso
Pisando a areia branca
Que é seu paraíso

Debaixo dos caracóis dos seus cabelos
Uma história pra contar
De um mundo tão distante
Debaixo dos caracóis dos seus cabelos
Um soluço e a vontade
De ficar mais um instante


Roberto Carlos

Todos nós desejamos um lugar onde sejamos amados, uma "casa" no verdadeiro sentido da palavra. Um lugar onde realmente pertencemos.

(A qualidade do video não é a melhor, mas foi a única versão que conseguir arranjar.)

Começamos este blog com um único objectivo: falar aos nosso amigos das coisas que nos interessam. Isso inclui músicas, livros, filmes, noticias sobre a Igreja, curiosidades sobre o Papa. Tentamos ser, como dizia don Giussani, como "crianças inteligentes, com os olhos escancarados". Por isso muitas vezes limitamo-nos a fazer copy paste de noticias que nos impressionaram, ou a postar músicas de que gostamos ou simplesmente a colocar uma fotografia que de alguma modo nos supreende ou comove.
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Não temos a pretensão de sermos um blog de referência neste mundo pretensioso que é a blogesfera. Nem sequer temos a pretensão de dizermos coisas novas ou extraordinárias que hão de revulocionar a intelectualidade católica que frequenta a net. Limitamo-nos a falar do que gostamos, não fazemos serviço público.
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Claro que isto não nos desobriga de fazermos bem as coisas. Por isso tentamos ter cuidado com a forma como fazemos as coisas e agradecemos todas as criticas que nos ajudam realemente a crescermos no nosso juízo e no nosso testemunho.
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Esta nossa maneira de escrevermos pode resultar num blog considerado "modernista", ou "beato" ou simplesmente "chato". Mas estas são classificações que não nos interessam. A nós só nos interessa testemunhar aquilo que vivemos.

Canto Moço

Somos filhos da madrugada
Pelas praias do mar nos vamos
À procura de quem nos traga
Verde oliva de flor no ramo
Navegamos de vaga em vaga
Nao soubemos de dor nem magoa
Pelas praias do mar nos vamos
À procura da manha clara
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La do cimo duma montanha
Acendemos uma fogueira
Para nao se apagar a chama
Que da vida na noite inteira
Mensageira pomba chamada
Companheira da madrugada
Quando a noite vier que venha
La do cimo duma montanha
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Onde o vento cortou amarras
Largaremos pela noite fora
Onde ha sempre uma boa estrela
Noite e dia ao romper da aurora
Vira a proa minha galera
Que a vitória ja nao espera
Fresca brisa, moira encantada
Vira a proa da minha barca
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Zeca Afonso
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Esta música sempre me impressionou. Esta procura pela manhã clara, este desejo de encontar algo que dê um significado à vida, que nos impele apesar dos perigos e das dores são expressão de uma humanidade grande. De alguém, que acima de ideologias ou de políticas, leva a sério o seu drama humano. Por isso vale a pena ler e ouvir com atenção esta música.

quinta-feira, abril 19, 2007

2 anos...



Annuntio vobis gaudium magnum;habemus Papam:
Eminentissimum ac Reverendissimum Dominum,
Dominum Josephum
Sanctae Romanae Ecclesiae Cardinalem Ratzinger
qui sibi nomen imposuit Benedictum XVI

GRAZIE DON GIUSS!

Frei Tito Arimathil

ROMA, quarta-feira, 18 de abril de 2007 (ZENIT.org).- Um sentido funeral, com 72 celebrantes, despediu o humilde irmão carmelita Tito Arimathil, porteiro da Faculdade Pontifícia «Teresianum» de Roma e conhecido e apreciado por gerações de estudantes que passaram pelo Colégio Internacional e por esse centro universitário dos Carmelitas. O acolhedor e veterano porteiro Tito Arimathil, faleceu vítima de um infarto na manhã de 5 de abril. Morreu sem nenhum anúncio anterior de tal desenlace. Na manhã da Quinta-Feira Santa, preparou os alimentos para os pobres que toda quinta-feira chegam à portaria. Ao término deste serviço dirigiu-se, como de costume, à capela. Após alguns momentos de oração, sentiu-se mal e se recostou no banco, mas imediatamente entrou em coma. Transportado com caráter de urgência ao hospital, os médicos não puderam senão certificar o ocorrido. O funeral aconteceu em 11 de abril, presidido, em ausência do padre geral, pelo vigário da Ordem, o Pe. Zdenko Krizic, e acompanhado por 72 concelebrantes, além de toda a Comunidade do «Teresianum», da Casa Generalícia, e numerosas amizades do finado, assim como representantes de diversas congregações religiosas. O Pe. Virgilio Pasquetto, reitor do «Teresianum», pronunciou uma emocionante homilia, destacando em seu panegírico a figura egregiamente humilde e altamente serviçal do irmão Tito. Ao final, o vigário tomou a palavra para glosar o mistério pascal na pessoa do irmão Tito e agradecer a presença de seus familiares. Um padre do «Marianum» que o havia conhecido durante mais de 30 anos, em nome de todos os presentes não carmelitas desejou que permaneça em todos os assistentes a serena recordação do servo fiel, humilde, serviçal, sempre disponível e sorridente em sua tarefa. Com o canto do «Rosa Carmeli», a comitiva fúnebre do irmão Tito se encaminhou ao túmulo dos Carmelitas Descalços no cemitério do Verão de Roma. O «serviçal e sempre atento irmão» era membro da Província de Manjummel (Índia). Havia nascido em 8 de junho de 1931 em Vayalar, região de Kerala. Sua primeira profissão foi feita em 19 de março de 1959. Em 26 de setembro do ano 1964, chegou ao «Teresianum», onde viveu até a morte. Seu primeiro ofício em Roma foi o de ajudante do bibliotecário. Logo passou à portaria e ao serviço litúrgico da capela. «Todos recordamos o irmão Tito -- afirma o serviço informativo dos Carmelitas --, porque não só foi porteiro, mas um porteiro único: sempre serviçal para toda informação, com a máxima amabilidade. Assim viveu e trabalhou em atitude de serviço por quase 43 anos ininterruptos em Roma».
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“O fim não é viver, mas sim morrer, e não armar a cruz mas sim subir à cruz e dar o que se tem com alegria”
:
Anunciação a Maria, Paul Claudel

quarta-feira, abril 18, 2007

Anedotas e futebol nas conversas com Bento XVI

O Secretário de Estado do Vaticano, o Cardeal Tarcisio Bertone, revelou numa entrevista à RAI que inicia as suas reuniões com Bento XVI contando uma piada e que às vezes também fala sobre futebol.
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O Cardeal Bertone explicou que antes de começar a falar de temas "muito mais sérios e mais graves da Igreja e do mundo" começa com a última anedota, para iniciar a reunião com uma gargalhada. Noutros casos, comenta com o Papa o Campeonato Italiano de Futebol.
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D. Tarcisio Bertone conhece o Papa há muitos anos, já que os dois trabalharam juntos na Congregação para a Doutrina da Fé. Deste contacto pessoal destaca que Bento XVI "é espontâneo", e que a primeira impressão quando alguém o conhece é "a sua grandeza e simplicidade".
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"Quem teve a oportunidade de falar com ele durante um momento, nas audiências, destaca o seu olhar penetrante, a sua capacidade de ouvir, de dizer sempre a palavra certa, ou seja, um amigo para sempre", explicou.
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Reconhecendo que nem sempre é esta imagem difundida, a respeito de Bento XVI, o Secretário de Estado do Vaticano admitiu que "há um problema de comunicação" e pediu um esforço à imprensa para "comunicar aquela que é a autêntica personalidade do Papa e da vida e experiência da Igreja".
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segunda-feira, abril 16, 2007

Parabéns ao Papa

Hoje o Papa faz 80 anos. Quem quiser enviar uma mensagem para dar os parabéns ao Papa pode fazê-lo aqui.

sábado, abril 14, 2007

Cristo ressuscitou!

Cristo ressuscitou. Esta evidência é nos ditada, não pela história, mas pelo nosso Coração que o reconhece no encontro com os santos e na Sua Presença na Eucarístia. A História confima esta evidência, mas a certeza na ressurreição é anterior ao nosso conhecimento histórico.

Por isso não nos perturbamos com pseudo-documentário ou com romances históricos que negam o facto central da nossa existência. Porque para negar a ressurreição teriamos que nos negar a nós próprios.

Os ataques à Verdade hão de continuar. O documentário que fez furor nesta Páscoa é apenas a continuação do “Envagelho de Judas” ou do “Código de da Vinci” e tem por único fim semear a confusão no Coração dos homens. O autor deste ataque é o mesmo que há dois mil anos pagou aos soldados para dizerem que os discípulos tinham roubado o corpo de Cristo: o Demónio.

Mas o nosso Coração não se perturba, porque o Senhor ressuscitou verdadeiramente!

Cristo ressuscitou, Aleluia, Aleluia!

Aborto

A promulgação pelo Presidente da Républica da lei do aborto foi a nossa derrota final. Lavando as mãos do problema, como se não estivesse exactamente nas suas mãos salvar tantos inocentes (qualquer semelhança com outro personagem histórico cobarde é pura coicidência), o PR promulgou a lei com uma mensagem completamente inútil.
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O poder do mundo derrotou-nos. Mas nós sabemos que a vitória final é nossa. Porque no último Domingo de manhã corremos ao sepulcro e ele estava vazio...

Canzone degli occhi e del cuore

Anche se un giorno, amico mio,
dimenticassi le parole,
dimenticassi il posto e l’ora
o se era notte o c’era il sole,
non potrò mai dimenticare
cosa dicevano i tuoi occhi.

E così volando, volando
anche un piccolo cuore se ne andava
attraversando il cielo verso il Grande Cuore.
Un cuore piccolo e meschino
come un paese inospitale
volava dritto in alto verso il suo destino…
E non riuscirono a fermarlo
neanche i bilanci della vita
quegli inventari fatti sempre senza amore.

Così parlavo in fretta io
per non lasciare indietro niente
per non lasciare indietro il male
e i meccanismi della mente.
E mi dicevano i tuoi occhi
che ero già stato perdonato…

Adesso torna da chi sai
da chi divide con te tutto
abbraccia forte i figli tuoi
e non nascondere il tuo volto,
perché dagli occhi si capisce
quando la vita ricomincia.

Mesmo se um dia, meu amigo, eu esquecesse as palavras, esquecesse o lugar e a hora ou se era noite ou estava sol, nunca poderia esquecer o que diziam os teus olhos. E assim, voando, voando, também um pequeno coração ia atravessando o céu na direcção do Grande Coração. Um coração pequeno e mesquinho como uma aldeia inóspita voava a direito na direcção do seu destino… E não conseguiram detê-lo nem sequer as contas da vida, esses inventários feitos sempre sem amor. Assim falava eu apressadamente para não deixar nada para trás, para não deixar para trás o mal e os mecanismos da mente; e os teus olhos diziam-me que já tinha sido perdoado… Agora volta para quem sabes, para quem divide tudo contigo; abraça com força os teus filhos e não escondas o teu rosto, porque pelos olhos se percebe quando a vida recomeça.
.
Há no mundo pessoas, ou momentos de pessoas, que com a simplicidade das crianças se espantam e apontam sempre para o essencial, nunca se detendo perante os cálculos dos grandes e dos inteligentes e que por isso se vão tornado realmente autoridade. A minha amiga Sofia, que faz hoje anos, é uma dessas pessoas.

terça-feira, abril 10, 2007

Exortação de Bento XVI na recitação do Regina Caeli, em Castel Gandolfo

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Cheios da “alegria espiritual pelas celebrações da Páscoa”, Bento XVI lembrou o entusiasmo das mulheres que se dirigiram ao sepulcro e o viram vazio. “Cristo ressuscitou. É a este grande mistério que a liturgia dedica não apenas um dia, mas 50 dias, que corresponde a todo o tempo pascal, que se conclui com o Pentecostes”, explicou o Papa.
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“O Domingo de Páscoa é um dia absolutamente especial, que se estende por toda esta semana até ao próximo Domingo. Neste clima de alegria pascal, a liturgia de hoje conduz-nos ao sepulcro, onde Maria Madalena e Maria, segundo São Mateus, visitaram o túmulo de Jesus. Narra o Evangelista que Ele veio ao encontro das mulheres e lhes disse: «Não tenhais medo, ide anunciar aos meus irmãos»”.
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“Também a nós, hoje, tal como a estas mulheres que permaneceram junto de Jesus durante a sua Paixão, a ressurreição nos pede que não se tenhamos medo em ser mensageiros do anúncio. Não há que ter medo de encontrar Jesus ressuscitado”.

Esta é a mensagem que os cristãos são chamados a difundir a todos os cantos do mundo, apontou o Papa. “A fé cristã não nasce do acolhimento de uma doutrina, mas antes do encontro com uma Pessoa, com Cristo morto e ressuscitado. Na nossa existência quotidiana são tantas as ocasiões para comunicar aos outros a nossa fé de um modo simples e convicto. E é urgente que homens e mulheres da nossa época conheçam e se encontrem com Cristo, e graças também ao nosso exemplo, se deixem conquistar por Ele”.
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Depois da oração Regina Caeli, que substitui o Angelus durante o tempo pascal, o Papa saudou os peregrinos presentes em várias línguas. Aos portugueses dirigiu palavras de saudação “com votos de todo o bem, e que Deus lhes conceda, como fruto da Páscoa de Cristo, a abundância dos dons do Espírito Santo”, finalizou.
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Bento XVI regressa ao Vaticano no próximo sábado.
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Semper Fidelis

segunda-feira, abril 09, 2007

Regina Caeli

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V. Rainha do Céu, Alegrai-Vos, Aleluia!
R. Porque Aquele que merecestes trazer em Vosso seio, Aleluia!
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V. Ressuscitou, como disse, Aleluia!
R. Rogai por nós a Deus, Aleluia!
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V. Alegrai-Vos e exultai, ó Virgem Maria, Aleluia!
R. Porque o Senhor ressuscitou verdadeiramente, Aleluia!
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Oremos: Ó Deus, que enchestes o mundo de alegria pela ressureição do Vosso Filho, nosso Senhor Jesus Cristo, fazei que, pela intercessão da Virgem Maria, sua Mãe, alcancemos as alegrias da vida eterna. Por Cristo Senhor nosso. Amen.
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Vinde Espírito Santo,
Vinde por Maria!

domingo, abril 08, 2007

Bom ladrão

Depois de dois dias de intenso trabalho, desde a celebração da Paixão até a Vigília Pascal, as únicas palavras que me sobram sobre o assunto são: "Jesus, lembra-Te de mim quando vieres com a tua realeza"

sexta-feira, abril 06, 2007

Páscoa


A ressurreição desvenda aquele que é o artigo decisivo da nossa fé: "E fez-se homem." Daqui sabemos que é para sempre verdade que Ele é homem. E sê-lo-á para sempre. Através Dele, a humanidade foi introduzida na própria natureza de Deus - é este o fruto da sua morte. Nós estamos, nós somos em Deus. Deus é o inteiramente outro e ao, memso tempo, o não-outro. Se dissermos Pai juntamente com Jesus dizê-mo-lo no próprio Deus. É esta a esperança do homem, a alegria cristâ, o Evangelho: ainda hoje ele é homem. Nele, Deus tornou-se verdadeiramente o não-outro. O homem, ser absurdo, deixou de ser absurdo. O homem, o ser desconsolado, já não está desconsolado: rejubilemos. Ele ama-nos, e Deus ama-nos a tal ponto que o seu amor se fez carne e permanece carne. Esta alegria deveria ser o mais forte de todos os impulsos, a força mais impetuosa capaz de nos impelir a comunicar a notícia aos outros homens, a fim de que também eles rejubilem com a luz que nos foi desvendada e que, no meio da noite do mundo, nos anuncia o dia.

Joseph Ratzinger, O caminho Pascal

Escrevo já hoje o post para Domingo pois não vou estar cá.

Santa Páscoa a todos

Sexta-Feira Santa



Salvador Dali, Cristo de S. João da Cruz


No cimo da cruz de Jesus – nas duas línguas do mundo de então, o grego e o latim, e na língua do povo eleito, o hebraico – está escrito quem é: o Rei dos Judeus, o Filho prometido a David. Pilatos, o juiz injusto, tornou-se profeta sem querer. Perante a opinião pública mundial é proclamada a realeza de Jesus. O próprio Jesus não tinha aceite o título de Messias, enquanto poderia induzir a uma ideia errada, humana, de poder e de salvação. Mas, agora, o título pode estar escrito ali publicamente sobre o Crucificado. Ele, assim, é verdadeiramente o rei do mundo. Agora foi verdadeiramente «elevado». Na sua descida, Ele subiu. Agora cumpriu radicalmente o mandamento do amor, cumpriu a oferta de Si próprio, e precisamente deste modo Ele é agora a manifestação do verdadeiro Deus, daquele Deus que é amor. Agora sabemos quem é Deus. Agora sabemos como é a verdadeira realeza. Jesus reza o Salmo 22, que começa por estas palavras: «Meu Deus, meu Deus, porque Me abandonaste?» (
Sal 22/21, 2). Assume em Si mesmo todo o Israel, a humanidade inteira, que sofre o drama da escuridão de Deus, e faz com que Deus Se manifeste precisamente onde parece estar definitivamente derrotado e ausente. A cruz de Cristo é um acontecimento cósmico. O mundo fica na escuridão, quando o Filho de Deus sofre a morte. A terra treme. E junto da cruz tem início a Igreja dos pagãos. O centurião romano reconhece, compreende que Jesus é o Filho de Deus. Da cruz, Ele triunfa sem cessar.

Meditação do Cardeal Ratzinger para a Via Sacra no Coliseu, na Sexta-Feira Santa de 2005

quinta-feira, abril 05, 2007

Fora de Estrutura

Esta a ver o blog "Fora de Estrutura" quando encontrei este belissimo post escrito por Manuel Arriaga e Cunha, pai do meu amigo Miguel, sobre o encontro de dia 30 com Julian Carrón. Por isso, em vez de escrever um juízo menor sobre o mesmo, copio na integra o post e recomendo a visita ao blog.
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Tive a oportunidade de assistir na passada 6ª feira a uma conferência do Pe Julián Carrón, responsável internacional do movimento Comunhão e Libertação. Não tendo a pretensão de conseguir reproduzir fielmente aqui a totalidade dessa conferência, penso conseguir focar o centro da mensagem que nos transmitiu.
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Com serena simplicidade e objectividade, este homem de grande sabedoria aponta-nos o verdadeiro caminho para fazermos face à actual situação em que se encontra o homem europeu, em especial a juventude, que vive um sentimento de extrema confusão, fruto do relativismo e do nihilismo que se transformaram num hino à modernidade, quando a total falta de referências e objectivos leva à completa desertificação do ser humano.
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No entanto, diz-nos o Pe Carrón, no meio deste inferno podemos reconhecer e dar espaço ao que não é inferno. No meio desse inferno podemos ainda apaixonarmo-nos! Podemos viver um acontecimento imprevisto que nos fascina. Porque o nosso coração, inconformado na sua sede de plenitude, tenta resistir como um baluarte contra toda essa confusão e esse vazio que o assolam, e procura urgentemente uma certeza.
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O Pe Carrón propõe-nos esse acontecimento fascinante: o verdadeiro encontro com Jesus Cristo. Nada neste mundo pode impedir esse encontro com algo que nos fascina, com Cristo. Não por uma razão intelectual, não por uma questão de ética, mas apenas porque instala no nosso coração o desejo de "voltarmos no dia seguinte".
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É este o ponto de partida para a fé cristã. O encontro do eu, do meu coração, com um homem: Jesus. Somos levados a conhecer a natureza do amor através dum acontecimento de amor, dum encontro com um olhar, um rosto, uma pessoa, que nos fazem ver Cristo. No trabalho, na praia, nos transportes, num almoço, num casamento, seremos testemunho de Cristo porque fomos tocados por Ele, através dum olhar, duma palavra, dum gesto.
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Esta é uma fé que não é primária mas conseguida duma forma racional, vivida e experimentada conscientemente, e reconhecida como verdadeira. É uma fé que exalta a liberdade e a razão. Só um homem realmente consciente, não um ingénuo, pode aderir a Cristo! Temos apenas de lhe proporcionar esse encontro na sua procura da Verdade.
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Perante a complexidade do mundo moderno, tudo isto parece tão pouco! Mas é tanto! Porque nenhuma confusão o pode destruir...

Quinta-feira Santa

Duccio, A Última Ceia, Museo dell'Opera del Duomo, Siena


Jesus insere a sua novidade radical no âmbito da antiga ceia sacrificial hebraica. Uma tal ceia, nós, cristãos, já não temos necessidade de a repetir. Como justamente dizem os Padres, figura transit in veritatem: aquilo que anunciava as realidades futuras cedeu agora o lugar à própria Verdade. O antigo rito consumou-se e ficou definitivamente superado mediante o dom de amor do Filho de Deus encarnado. O alimento da verdade, Cristo imolado por nós, pôs termo às figuras (dat figuris terminum). Com a sua ordem « Fazei isto em memória de Mim » (Lc 22, 19; 1 Cor 11, 25), pede-nos para corresponder ao seu dom e representá-Lo sacramentalmente; com tais palavras, o Senhor manifesta, por assim dizer, a esperança de que a Igreja, nascida do seu sacrifício, acolha este dom desenvolvendo, sob a guia do Espírito Santo, a forma litúrgica do sacramento. De facto, o memorial do seu dom perfeito não consiste na simples repetição da Última Ceia, mas propriamente na Eucaristia, ou seja, na novidade radical do culto cristão. Assim Jesus deixou-nos a missão de entrar na sua « hora »: « A Eucaristia arrasta-nos no acto oblativo de Jesus. Não é só de modo estático que recebemos o Logos encarnado, mas ficamos envolvidos na dinâmica da sua doação ». Ele « arrasta-nos para dentro de Si ». A conversão substancial do pão e do vinho no seu corpo e no seu sangue insere dentro da criação o princípio duma mudança radical, como uma espécie de « fissão nuclear » (para utilizar uma imagem hoje bem conhecida de todos nós), verificada no mais íntimo do ser; uma mudança destinada a suscitar um processo de transformação da realidade, cujo termo último é a transfiguração do mundo inteiro, até chegar àquela condição em que Deus seja tudo em todos (1 Cor 15, 28).

Exortação Apostólica Sacramentum Caritatis de Sua Santidade Bento XVI

Soneto da Fidelidade - Vinicius de Morais

De tudo, meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.
Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento.
E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama
Eu possa me dizer do amor ( que tive ) :
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.

Tríduo Pascal

Começa hoje o Tríduo Pascal. Haverá sem dúvida quem tenha coisas inteligentes para dizer sobre o assunto, eu limito-me a repetir o que a Igreja nos ensina e que o meu amigo Nuno me relembrou com tanta simplicidade no último Domingo: "Morreu por nós para destruir a nossa morte. Ressuscitou por nós para nos devolver a nossa vida".

O Pórtico do Mistério da Segunda Virtude

"Mas a Esperança, disse Deus
Isso sim admira-me,
admira até a Mim mesmo.

Que estes pobres filhos vejam como hoje caminham as coisas,
e creiam que amanhã tudo irá melhor,
isto sim que é assombroso e é, com muito,a maior maravilha da nossa graça.

E eu mesmo me assombro com isso.
Que será necessário que seja minha graça
(e qual a força dessa minha graça)
para que esta pequena Esperança,vacilante ante o sopro do pecado,
trêmula ante os ventos,agonizante ante o menor sopro,
siga estando viva,
impossível de apagar?

Esta pequena Esperança que parece coisa de nada,
esta pequena filha Esperança.
Imortal.
Pelo caminho escarpado, arenoso e estreito,
arrastada e braços dados
com suas duas irmãs maiores,
segue a pequena Esperança
como uma criança sem forças para caminhar.
Mas na realidade é ela
quem faz andar às outras duas,
e que as arrastae que faz andar o mundo inteiro,
e a que arrasta.

Porque, em verdade, não se trabalha senão pelos filhos,
E os dois maiores não avançam
Se não graças à pequena."
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(Charles Péguy, Le Porche du Mystère de la Deuxième Vertu)

Gente Perdida - Mafalda Veiga

Eu fui devagarinho
Com medo de falhar
Não fosse esse o caminho certo
Para te encontrar
Fui descobrindo devagar
Cada sorriso teu
Fui aprendendo a procurar
Por entre sonhos meus
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Eu fui assim chegando
Sem entender porquê
Já foram tantas vezes tantas
Assim como esta vez
Mas é mais fundo o teu olhar
Mais do que eu sei dizer
É um abrigo pra voltar
Ou um mar para me perder
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Lá fora o vento
Nem sempre sabe a liberdade
A gente finge
Mas sabe o que não é verdade
Foge ao vazio
Enquanto brinda, dança e salta
Eu trago-te comigo
E sinto tanto, tanto a tua falta
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Eu fui entrando pouco a pouco
Abri a porta e vi
Que havia lume aceso
E um lugar pra mim
Quase me assusta descobrir
Que foi este sabor
Que a vida inteira procurei
Entre a paixão e a dor
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Lá fora o vento
Nem sempre sabe a liberdade
Gente perdida
Balança entre o sonho e a verdade
Foge ao vazio
Enquanto brinda, dança e salta
Eu trago-te comigo
E sinto tanto, tanto a tua falta
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Lá fora o vento
Nem sempre sabe a liberdade
Gente perdida
Balança entre o sonho e a verdade
Foge ao vazio
Enquanto brinda, dança e salta
Eu trago-te comigo
E guardo este abraço só para ti
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Isto é a descrição do quer dizer "o centro da nossa afectividade". O movimento é o lugar onde eu descobri este sabor que a vida inteira procurei. Fora dele realmente posso fingir, mas fico realmente a "baloiçar entre o sonho e a verdade".

quarta-feira, abril 04, 2007

"Toda a nossa Glória"


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"Toda a nossa Glória está na cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo"..
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Dia 2 fez dois anos que morreu o grande Papa João Paulo II. Abraçou de forma única a cruz que o Senhor lhe concedeu. Nisso consistiu a sua glória.
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Semper fidelis

Páscoa 2007


O Espirito Santo suscitou na Igreja, através de D. Giussani, um movimento, o vosso, para testemunhar a beleza de ser cristão numa época em que se difundia a opinião de que o cristianismo era uma coisa custosa e pesada de se viver. Giussani empenhou-se então em reavivar nos jovens o amor a Cristo, "Caminho, Verdade e Vida", repetindo que só ele é o caminho para a realização dos desejos mais profundos do coração do homem, e que Cristo não nos salva apesar da nossa humanidade, mas através dela.

Bento XVI

(Audiência aos participantes da peregrinação promovida pela Fraternidade de Comunhão e Libertação.
Roma, Praça de São Pedro, 24 de Março de 2007)

segunda-feira, abril 02, 2007

A Missão que o Santo Padre nos confiou.

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Queridos irmãos e irmãs, o falecido João Paulo II, em outra circunstância para vós muito significativa, vos confiou esta mensagem: «Ide por todo o mundo e levai a verdade, a beleza e a paz que se encontram em Cristo Redentor». Monsenhor Giussani fez daquelas palavras o programa de todo o movimento, e para Comunhão e Libertação foi o início de uma estação missionária que vos levou a oitenta países. Hoje vos convido a seguir por este caminho, com uma fé profunda, personalizada e firmemente arraigada no Corpo vivo de Cristo, a Igreja, que torna Jesus contemporâneo entre nós.

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Bento XVI
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Rogai por nós, Santa Mãe de Deus;
Para que sejamos dignos das Promessas de Cristo.
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sábado, março 31, 2007

"Incansável abertura, fidelissima unidade"

Peço desculpa pelo atraso a escrever sobre Roma, mas só agora é que consegui arranjar maneira de vir a internet.

A ida a Roma foi um momento extraórdinário. Ir ao encontro com o Papa foi testemunhar a unidade e a fidelidade de um povo. Mas não foi só um testemunho de unidade com Carrón ou de fidelidade ao carisma de don Giussani, foi própriamente uma prova da nossa unidade com a Igreja e da nossa fidelidade ao nosso amátissimo Pai, o Papa Bento XVI.

Esta unidade ficou clara na unidade do canto. Quando o Papa entrou na praça cem mil pessoas cantaram unidas “Um amigo grande, grande”. Embora o cântico seja dirigido a Nosso Senhor, naquele momento cantavamo-lo também ao Santo Padre, agradecendo a amizade com que sempre nos tem tratado. Mas depois da primeira música cantamos mais. Todo o tempo que o Papa demorou a dar a volta a praça foi marcado pelo canto. E nunca para mim vez tanto sentido cantar “Que sejamos um só coisa” como naquela praça, rodeado pelos meus amigos do movimento, diante do Papa.

Nas palavras que o Papa nos dirigiu percebemos um carinho e uma amizade por nós. No relançar do desafio que o grande Papa João Paulo II nos tinha lançado em 1984 e que o Papa Bento XVI repetiu, de “ ide por todo o mundo a levar a verdade, a beleza e a paz que se encontram em Cristo Redentor” o Santo Padre confirmou uma vez mais o nosso carisma como caminho de Salvação.

É verdade que nem tudo correu bem na peregrinação. Houve coisas mal organizadas, discussões, irritações, mas como dizia don Carrón, citando don Giussani: “À medida que vamos amudurecendo vamos nos tornando espetáculo para nós próprios e, Deus o queira, também para os outros. Espectáculo, isto é, de limite e de traição e, portanto, de humilhação. Mas ao mesmo tempo de segurança inexaurivel na força da graça que nos é dada e renovada cada manhã”.

A mim só me resta agradecer a Deus a graça de pertencer a este povo.

Semper fidelis,

Grazie don Giuss

quinta-feira, março 29, 2007

O Discurso de Sua Santidade, o Papa Bento XVI.

As palavras do Papa, por ocasião da Audiência com o Movimento Comunhão e Libertação, a 24 de Março de 2007 na praça de São Pedro.

Semper Fidelis

terça-feira, março 27, 2007

Saudação do Padre Julián Carrón ao Papa Bento XVI.

Audiência com Sua Santidade Bento XVI por ocasião do XXV aniversário do reconhecimento pontifício da Fraternidade de Comunhão e Libertação. Sábado 24 de Março de 2007. Roma, Praça de São Pedro. Saudação ao Santo Padre, Bento XVI, do Padre Julián Carrón, presidente da Fraternidade de Comunhão e Libertação.

segunda-feira, março 19, 2007

O que nos move?

O que têm acontecido no CDS é vergonhoso, mas não me espanta. Quem está na política por um cálculo de poder, buscando nada mais do que suposta glória do partido (que no fundo é a sua própria glória), acaba por perder-se a si próprio quanto os seus cálculos ruiem.
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O que nos pode impedir a nós de nos perdermos a nós próprio nas guerras políticas (sim, porque o referendo do aborto foi só o principio)? A certeza de toda a nossa Glória está na Cruz de Cristo. Por isso partimos sempre vencedores, mesmo quando perdemos a luta, porque "o nosso coração não se perdeu e os nossos passos não deixaram o Teu caminho".