terça-feira, junho 19, 2007

Homofobia!?

O ridiculo tem limites! O Parlamento Europeu aprovou uma resolução sobre a homofobia.

Primeiro começa por explicar que a homofobia é o "receio irracional e uma aversão relativamente à homossexualidade e as pessoas do grupo LGBT". Se por pessoas do grupo LGBT falamos daquela que gostam de exibir a sua homosexualidade, que querem provar ao mundo que são homosexuais, então confesso que sou homofobico. E, ao contrário do que o PE, a homofobia, tal como a vendem, não é comparável a xenofobia ou ao racismo. A xenofobia e o racismo são formas de discriminação por uma simples diferença de nacionalidade ou raça, a homofobia (sem bem que chamar-lhe fobia é patético) é uma simples aversão a inversão dos valores morais de uma sociedade.

Depois fala de incitamento ao ódio por líderes religiosos. Esta parte é uma referência clara as declarações que o presidente da Conferência Episcopal Italiana fez sobre as uniões de facto gays, onde se limitou a relembra a doutrina da Igreja. Pelos visto dizer que a homosexualidade é pecado é uma forma de incitamento ao ódio (todos sabemos que a Igreja incita a que se espanque os pecadores...).

Já no ponto E (como depois se verá no ponto 2 das recomendações) a coisa começa a aquecer. A referência é clara e inequívoca: é uma recomendação para que se reconheça aos casais de homosexuais o mesmo direito que aos casais heterosexuais: casamentos, adopção, fertilização in-vitro (em caso de lésbicas).

O ponto 11 das recomendações quer que os parceiros homosexuais gozem dos mesmo direitos de propriedade e sucessão que os casais.

Por fim, a cereja no topo do bolo, temos esta pérola: "Convida os Estados-Membros envolvidos a reconhecerem finalmente que os homossexuais foram alvo e vítimas do regime nazi". Mas é preciso um reconhecimento formal? Então já agora devia convidar a reconhecer o reconhecimento formal dos católicos, dos ciganos, dos deficientes e dos eslavos as mãos dos nazis. E já que vamos por esse caminho reconhecer que houve perseguições à Igreja nos países da União que estiveram do lado de lá da cortina de ferro.

Esta resolução é mais uma prova de que a Europa está a perder a sua identidade cristã. Mas no dia em que a Europa se tornar completamente laica veremos então o islão a entrar pelo nosso continente a dentro. Para se lhe opor restarão velhos pares homosexuais que o PE tanto protegeu...

Roma


Conta a lenda que, em 753 a.C. foi criada junto ao Tibre uma pequena cidade, de seu nome Roma. Segundo a mesma lenda, foi fundada pelos irmão Rómulo e Rémulo, que foram alimentados por uma loba.

A pequena cidade estado foi crescendo e, a pouco e pouco, foi derrotando todos os outros povos da penísula italiana, até se tornar senhora de toda a Itália. Pelo caminho ficaram os etruscos, os marsos, os samitas, os picentinos, entre outros.

Em 264 a.C., acedendo ao pedido de ajuda do rei de Siracusa, Roma começou a primeira Guerra Púnica, contra o general Cartiginês Amilcar Barca. Saiu desta guerra com as suas primeiras provincias: Sicilia, Corsega e Sardenha.

Em 218 a.C. Anibal Barca, filho de Amílcar desencadeia a segunda Guerra Púnica. Atravessa os Alpes durante o Inverno, impõe três derrotas aos Romanos, mas demonstra-se incapaz de tomar Roma. Entretanto Público Cornélio Cipião, o Africano, toma Cartago de assalto, obrigando Anibal a retirar para África. Ao fim de 16 anos em Itália, Aníbal é derrotado nas planícies de Zagma e Roma ganha mais duas provincias: Hipânia e Africa.

Entre 218 e 67 a.C. Roma conquista a Ilíria, a Grécia, a Macedónia, a Gália Narbosense (norte de Itália e sul de França) e herda o Pérgamo, Frígia e a Bítinia.

Em 67 a.C. dá-se um acontecimento que se virá a revelar essencial para a história: Pompeu Magno consegue o comando para "limpar" o Mediterrânio dos piratas. Cumpre esta missão em 6 meses. Depois, apoiando-se na sua vitória contra os piratas, consegue o comando da guerra contra o rei Mitriade e conquista a Síria, o Ponto, a Arménia e a Judeia.

Em 58 a.C. Júlio César começa a conquista da Gália.

Em 31 a.C., após a derrota de Marco António e Cleóptra em Actium, o Egipto passa a pertence ao Egipto e o Mediterrânio passa a ser definitivamente o Mare Nostrum.

Todos estes factos serão essenciais para a expansão do Cristianismo. Foram as estradas construidas pelos romanos, a paz e a segurança garantida pelas legiões e o dominio de Roma sobre o Mediterânio que permitiu que os díscipulos pudessem envegilizar toda a Europa. Deus usa a obra humana para os seus desígnios: o Império que o homem construiu foi a base para a Igreja do Senhor.

Imposturas anticristãs - Professor César das Neves - DN, 18/06/07

O combate contra o cristianismo é um dos mais vastos, sistemáticos e duradouros de sempre. Desde a crucificação segue múltiplos propósitos, formas, atitudes e um só objectivo. Hoje a campanha adquiriu tons específicos, especial agressividade e profundo embuste. Acaba de sair o livro de uma das maiores autoridades no tema, o sacerdote francês Joseph-Marie Verlinde: Imposturas Anticristãs. Dos Evangelhos Gnósticos ao Código da Vinci (Editorial Verbo, 2007). Cientista nuclear, foi expoente do esoterismo antes de, convertido, se tornar campeão da fé em pregação, livros e no site www.final-age.net.

O recente "anticristianismo (...) surge da controvérsia entre as duas correntes: de um lado o racionalismo das Luzes, que reinvindica a autonomia absoluta da razão; do outro o 'sentimentalismo' do romantismo que, rejeitando completamente o Deus transcendente, procura o divino nos bastidores dos mundos ocultos, percebidos 'intuitivamente'. Estas duas correntes, longe de se antagonizarem, vão desenvolver-se em simultâneo" (p. 75-76). No fim do século XIX juntaram-se nas relações do positivismo de Comte com o espiritismo, de Kardec. Agora florescem na New Age.

Por cá, a república, cujo centenário se aproxima, decretou uma sistemática perseguição religiosa na linha do ateísmo oitocentista. Hoje a hostilidade é surda e subtil, mas não menos activa. Olhando a cultura oficial, ninguém diria que vivemos num país cristão. Os autores católicos são menorizados por o serem. A expressão religiosa é possível, mas deve ser privada, e as manifestações da civilização cristã são silenciadas ou distorcidas. Entretanto, visões ateias, exóticas ou anticristãs são subsidiadas, divulgadas, celebradas. A cultura oficial é hedonista, relativista, libertária.

Desde que a Europa abandonou a Igreja, já falharam os sonhos totalitários nazi e marxista, o ateísmo puro não convenceu e o cientifismo triunfante azedou. Vivemos a apoteose da ideologia ocultista, panteísta e esotérica. Verlinde mostra com clareza a sua origem e contornos. "O renascer contemporâneo do pensamento gnóstico desenvolveu-se no Ocidente como consequência 'espontânea' do movimento da secularização, o qual, agora à distância, se percebe que apenas visava a religião 'dominante', a saber, o cristianismo" (p.18). Após séculos a atacar a Igreja, caiu-se no delírio.

O autor lembra que Mircea Eliade avisara: "A grande maioria dos 'sem religião' está atulhada numa miscelânea mágico-religiosa, mas degradada até ao ridículo, e por isso dificilmente reconhecível" (p. 179). A cultura actual explicitou-a num chorrilho de disparates que envergonharia os nossos antepassados iluministas, deístas e positivistas. Uma incrível série de generalizações boçais, paralelos abusivos e truques linguísticos dizem "demonstrar cientificamente" o que a ciência e a História negam peremptoriamente. Daí a popularidade da literatura e movimentos gnósticos, esotéricos e mágicos, o sucesso de Dan Brown, Harry Potter e seus clones, que o autor desmascara com rigor.

Naturalmente, num tempo obcecado com o erotismo, a magia sexualis está no centro. Também isso é um embuste, pois o antigo gnosticismo era misógino, machista e diabolizava o sexo, mas hoje usam-se essas teorias como pretexto para "novas formas de prazer sob a capa de 'demanda mística' " (p. 191).

Entretanto, a Igreja é vista "como organismo tentacular e parasitário" (p. 264), em linguagem paralela à dos nazis contra os judeus. Se as instituições hoje favorecem o sincretismo, porquê perseguir a fé cristã? Trata-se de uma forma de calar a consciência. Quem se afunda no deboche e sofre as suas dramáticas consequências sente a necessidade de descarregar os remorsos. Mas há uma razão mais profunda: "Por detrás da recusa em acolher a interpretação do crente da pessoa de Jesus Cristo (...) esconde-se a recusa de depender de Outro para aceder à verdade última e à vida eterna" (p. 32). Estas seitas repetem a suprema tentação soberba da serpente do Éden: "Sereis como deuses" (Gn 3, 5).

segunda-feira, junho 18, 2007

Rezar.

A oração é uma questão de simples humanidade. "Reza quem é mais realista, que considera mais seriemante a sua experiênca humana" ensina-nos don Giussani. Toda a quesao da oração se resume nisto: acreditamos ou não que somos plenamente dependentes de Deus? É que se acreditamos realmente nisto, então pedir e esperar que o nosso pedido se realisse, é uma mera questão de racionalidade.

Mas eu tenho muitas vezes a tendência de complicar, ou de ser céptico. Embora reze, rezo achando que o que peço é de tal maneira impossível que Deus não o realizará. Faça-o mais por descargo de consciência do que por fé.

Mas hoje, perante a simpicidade de uma amiga minha que propunha rezar a Saõ Ricardo de Pampuria pelo pai de uma amiga nossa, ganhei consciência daquilo que realmente é a oração: o simples pedido homem Aquele que Tudo Pode.

E história está cheia de testemunhos dos milagres que Deus realiza, simplesmente porque alguém teve a humildade de Lhe pedir.

Por isso peço a todos que rezem pelo pai da minha amiga Madalena e pelo meu amigo Júnior.

São Ricardo Pampuria,
Rogai por nós

sábado, junho 16, 2007

Dejectos de Consciência

As últimas notícias sobre a regulamentação da lei do aborto deixaram alguns intelectuais de cara à banda: então se o povo português quer aborto como aspirina na farmácia, como é que os médicos - esses malandros! - podem querer ser (imagine-se!) objectores de consciência?!

1. O resultado do referendo tem uma leitura política clara: mais de 50% dos eleitores não votou, portanto não há vontade expressa de uma maioria na mudança da lei. ~

Podemos depois interpretar, extrapolar, imaginar os sentimentos profundos dos abstencionistas, podemos.

Mas nunca deixarão de ser interpretações, extrapolações ou imaginações. O facto é que houve um referendo para mudar a lei e quem não foi votar não expressou vontade de mudar a lei ("Quem não votar, vota não!" - LOUÇÃ dixit);

2. Os apoiantes das causas fracturantes como o aborto dividem-se tendencialmente em SIM's e NÃO's, como uma grande diferença.
Os SIM's aparecem todos - olha a modernidade! -, todos os que existem vão às manifs, telefonam para o Opinião Pública e inundam a blogosfera.

Os NÃO's são sempre menos. Sempre. Depois da campanha do Referendo percebi este ponto sociológico da nossa sociedade... Os NÃO's não querem saber de campanhas, políticas e referendos.

Quando tange com a vida concreta, zangam-se. Quando é preciso "sujar as mãos" na política, assobiam para o lado.
Porque tenho mais que fazer, porque aqueles que já fazem é que são bons ou tão simplesmente porque não há nada a fazer, eles ganham sempre! Contra os meus falo, mas...

3. O ponto anterior explica muito bem a questão dos objectores de consciência. Eu arriscaria uma aposta em como esses mesmos 80% de objectores de consciência ficaram em casa no dia 11. Ou mesmo - pasme-se! - que votaram SIM. Porque coitadinhas das mulheres, elas é que sabem (mas EU nunca faria!); ai e a prisão? Não pode ser crime... (mas EU nunca faria!)...

O argumento central da vitória do SIM foi o da falsa liberdade (eu acho mal e nunca faria, mas cada um sabe de si), a falsa liberdade promovida a princípio de direito penal...

E o resultado é a pasmaceira (do verbo pasmar...) dos nossos SIM's...

VOGLIO VIVERE COSÌ

Imaginar como deveria ser aniquila a experiência.

Depois do silêncio, retomo sucintamente: imaginar como deveria ser, deambular sobre o cenário ideal que teima em chegar, reduz e elimina a possibilidade de viver intensamente a minha vida.

A MINHA vida, a minha dor, a minha alegria, as minhas vitórias, as minhas derrotas.

A aventura da vida é esta: levar a sério, cumprir o ímpeto de humanidade que resta do coração de um homem que se implica verdadeiramente com a dramaticidade do real.

sexta-feira, junho 15, 2007

Façamos um saneamento...

A invevitável Fernanda Câncio propõe que se organize os quadro dos Serviços de Obstetricia do Sistema Nacional de Saúde de maneira a garantir que acha médicos para fazer abortos. Tudo isto porque no Hospital do Divino Espiríto Santo nos açores todos os ginecoligistas e obstetras se declraram objectores de consciência.

Como isto, segundo a jornalista de "causas" (ao contrários daquelas que a Fernanda Câncio põe ao Espirito Santo, estas aspas são merecidas), é uma ofensa a um direito fundamental, vá de arranjar médicos abortófilos para os Açores.

Primeiro, o aborto não é um direito fundamental. Nem sequer é um direito. É uma prática permitida pela Lei. A pergunta que ganhou no referendo dizia respeito a, como aliás a Fernanda Câncio e os seus camaradas tanto insistiram, a despenalização do aborto.

Para além disso, a sugestão de que é preciso uma solução para resovel o "problema" dos objectores de consciência tem um cheiro a saneamento à Verão quente de 75. Quem é contra o povo vai fora.

Resta-me uma pergunta: quando começam os despedimentos dos médicos que se recusem a fazer abortos?

"E amando-os, amou-os até ao fim"

CITY BEACH, Austrália, quarta-feira, 13 de junho de 2007 (ZENIT.org).- Esta é uma carta enviada a Zenit por um companheiro do Pe. Ragheed Ganni, assassinado junto a três subdiáconos em Mosul, Iraque, em 2 de junho.


* * *

"Estudei em Roma quando era seminarista da Arquidiocese de Perth, Austrália, no Colégio Pontifício Irlandês, e assisti à Universidade Pontifícia de Santo Tomás de Aquino de 1997 a 2001. Agora sou pároco da Paróquia do Espírito Santo em City Beach, Austrália Ocidental.

O Pe. Ragheed Ganni foi o primeiro seminarista que conheci no colégio, e ele teve a gentileza de mostrar-me meu quarto.

Ainda que não nos podíamos comunicar a princípio através da fala, porque eu não sabia falar aramaico e o Pe. Ragheed ainda não falava inglês, através de nossos anos no seminário chegamos a ser bons amigos.

O Pe. Ragheed tinha um caráter amigável e uma acolhida calorosa. Era de profunda oração e tinha um grande senso do sagrado, com uma profunda espiritualidade e união com Deus. Era diligente nos estudos e muito respeitado na faculdade e por seus companheiros do colégio. Estava sempre disposto a dar uma mão para quem precisava ou a dedicar tempo a estar com as pessoas para conversar amigavelmente.

Era um companheiro extremamente inteligente. Aprendeu seis idiomas e tinha previsto regressar ao Colégio Irlandês no próximo ano para começar sua tese doutoral.

Cada ano, o Pe. Ragheed dedicava o verão na Irlanda para trabalhar em Lough Derg, que é um lugar de peregrinação no norte da Irlanda, o que lhe permitia enviar dinheiro para casa para comprar os medicamentos de que precisavam. Sem aparecer, fez muito pelos iraquianos. Sempre colocava os outros em primeiro lugar.

Lembro-me de um verão em que o Pe. Ragheed ficou comigo no Seminário de St. Malcay, em Belfast. Era por volta do dia 12 de julho, que é a época das manifestações no Norte da Irlanda.

Essa noite havia distúrbios às portas do seminário e podíamos ouvir os tiros e os gritos da polícia e as sirenes das ambulâncias. Foi uma longa noite e o Pe. Ragheed me falou sobre os sofrimentos e a perseguição dos cristãos que viviam no Iraque.

Quando começou a guerra no Iraque, o Pe. Ragheed estava desolado, pois já levava sete anos longe de sua família e nesse momento toda a comunicação com sua pátria estava interrompida. Passaram meses antes que pudesse saber se sua família estava a salvo. Foi um tempo muito difícil para ele, mas em meio a tudo, encontrava consolo na oração.

O Pe. Ragheed me visitou em Perth em 2003, durante o verão; foi maravilhoso o tempo que passamos juntos na paróquia. Falamos sobre seu regresso ao Iraque e o que isso poderia significar.

O Pe. Ragheed era muito leal a seu bispo e às pessoas de sua diocese. Era consciente dos perigos que implicava voltar ao Iraque, onde os cristãos se converteram em alvo dos extremistas muçulmanos. Sabendo que arriscava sua própria vida, aceitou com muito valor o desafio de administrar os sacramentos a seu povo.

O Pe. Ragheed era como um irmão para mim, e meu coração está triste porque o mundo é um lugar mais solitário sem ele.

Recordo os dias em que passávamos o Natal no colégio, quando todos os demais estudantes voltavam para casa por motivo das férias. Tínhamos Roma para nós sozinhos, agora é toda sua.

Descansa em paz, meu amigo, porque foste um servo bom e fiel; teu martírio sobrevive e, estou certo disso, animará outros jovens a unir-se às filas de Cristo para continuar a tarefa da salvação.

Agora começa teu sacerdócio eterno, com toda a corte celestial ao teu redor.

Estou seguro de que o martírio do Pe. Ragheed e de seus companheiros produzirá muito fruto de liberdade religiosa, unidade e paz para o povo do Iraque.

Minhas orações estão com a família do Pe. Ragheed e as famílias de seus companheiros; Basman Yousef Daoud, Ghasan Bidawid e Wadid Hanna.

Oxalá que a paz chegue ao Iraque.

Pax Christi,
Padre Don Kettle"

"O Bom Pastor é aquele que dá a vida pelas suas ovelhas"

"«O discurso do Papa acendeu o fogo na cidade. Um sacerdote ortodoxo sírio foi decapitado; minha paróquia foi atacada cinco vezes. Recebi ameaças antes do seqüestro desse sacerdote, mas tive cuidado em meus deslocamentos. Adiei minhas férias duas vezes porque não podia deixar a cidade nessa situação.»

«Tinha de ir para Europa em 18 de setembro, mas adiei para 4 de outubro. Depois tive de adiar para 1º de novembro. O Ramadã foi um desastre para nós em Mosul. Centenas de famílias cristãs deixaram a cidade, inclusive minha família e meus tios: cerca de 30 pessoas abandonaram todas suas propriedades e partiram, devido às ameaças.»

«Não é fácil, mas a Graça do Senhor dá sustento e força. Enfrentamos a morte a cada dia.»"

Via
Zenit.

Este texto é parte de um e-mail que o Padre Ragheed, sacerdote iraquiano assasinado no Iraque, enviou a um amigo em Roma.

Nele podemos ver a situação desesperada em que se encontram os cristãos no Iraque. Mas acima de tudo podemos ver a "esperança inexaurivel na Graça que nos é dada e renovada cada manhã"

quarta-feira, junho 13, 2007

Káká!

Roma, 5 jun (EFE).- O meia-atacante brasileiro Kaká, do Milan, confessou à revista "Vanity Fair" que foi difícil se manter virgem até o casamento.

"Minha mulher e eu escolhemos chegar virgens ao casamento. A Bíblia ensina que o verdadeiro amor se alcança apenas com o casamento, com a troca de sangue, o que a mulher perde com a virgindade. Para nós, a primeira noite foi belíssima", comentou.


A revista sairá às bancas na quarta-feira, mas hoje foram divulgados alguns trechos da entrevista.


Kaká confessa depois que foi difícil esperar a noite de núpcias.


"Claro que pesou, sou um jovem normal. Não foi fácil chegar ao casamento sem nunca ter estado com uma mulher. Com Caroline, nos beijávamos e o desejo existia. Mas sempre soubemos parar. Se hoje nossa vida é tão bela, acho que é porque soubemos esperar".


O jogador também revela como conheceu sua mulher. "Foi em uma festa em São Paulo. Meu pai e sua mãe (Rosangela Lyra, diretora da Christian Dior no Brasil) se conheciam e nos apresentaram. Trocamos o número de telefone, depois fui buscá-la para seu aniversário".


"Ela estava fazendo 15 anos, eu tinha 19. Mas, no Brasil, eu já era famoso e, em 2002, na volta da Copa, começamos a namorar. Aos 20 anos já pensava no casamento, sempre pensei", ressaltou.


"Mas tivemos que esperar três anos: um no Brasil e dois estando distantes um do outro, pois vim jogar no Milan e ela era jovem demais para me acompanhar. Mas esse período foi importante, pois colocou à prova nosso amor", acrescentou.


Kaká, um religioso convicto, confessa que tenta "evitar as tentações". "Existem sempre, mas tento evitá-las. Desde que vim para a Itália nunca fui a uma boate, salvo às festas do Milan, e sempre com minha mulher".


"Entre nós, quando ela ainda estava no Brasil, havia um pacto: podíamos sair com os amigos, mas à meia-noite voltávamos para casa e nos ligávamos. Caroline e eu fizemos muitos sacrifícios", comentou.


Num meio mais propenso ao disparate do que as coisas sérias como é o do futebol e num mundo onde a sexualidade é banalizada, não deixa de impressionar o testemunho daquele que é, provavelmente, o melhor jogador do mundo.

Do namoro

Pelos visto dia 12 de Junho é dia dos namorados no Brasil. O Bispo de Macapá fez uma belissima intervenção sobre o namoro, que vale muito a pena ler.

Das eleições.

Dia 15 de Julho teremos eleições intercalares para a Câmara Municipal de Lisboa. Regra geral as eleições autárquicas são uma coisa simples: na provincia a malta gosta do senhor presidente que fez a rotunda e o parque infatil e elege-o, acha que o presidente devia ter feito mais pelo clube da terra elege o adversário. No Sul elege-se ou o candidato do PS ou o do PC. No Centro e Norte o do PS ou PSD. Nas zonas mais cristãs do Norte o CDS lá arranca um ou outra Câmara. Já nas grandes autarquias (Lisboa, Sintra e Porto) o voto, regral geral, é contra ou a favor do governo.
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Claro que isto nem sempre é assim. Também depende muito dos candidatos, da conjuntura política e dos escândalos locais. Mas, muito grosso modo, as coisas passam-se neste termos. É raro as eleições autárquicas serem muito complexas. O seu resultado pode ter efeitos políticos grandes, como quando caiu o governo de Guterres, mas não costumam ser resultados complexos ou subtis. Contudo nas eleições em Lisboa ao votar seremos confrontados com problemas políticos complexos e subtis. Isto deve-se a três motivos:
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- às medidas impopulares de um governo com tiques despóticos, com pouco respeito pelo Estado de Direito (veja-se o caso da PMA, do aborto ou, numa escala menos grave, As mentiras do Primeiro Ministro no caso da Independente), sem respeito pela separação de poderes (veja-se a passagem de Rui Pereira de professor universitário para juiz e de juiz para ministro em poucos meses) e que aparentemente exerce pressões sobre a comunicação social,
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- ao aparecimento de candidatos independentes, que demonstram uma clara descretibilização dos partidos, já evidenciada pelo segundo lugar de Manuel Alegre nas presidenciais,
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- a crise de direcção do PSD, onde Marques Mendes não se consegue afirmar como lider da oposição.
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Por estes motivos estas eleições poderão, e provavelmente irão, influenciar a vida política portuguesa dos próximos anos. Por um lado, se António Costa não ganhar será a quarta derrota consecutiva de Sócrates em eleições: autárquicas (menos câmaras do que o PSD e perdeu nas três maiores munícipios, incluindo Lisboa), presidenciais e eleições regionais. Só assim se justifica que o PS faça a avançar o número 2 do Governo para a Câmara.
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Por outro lado, António Costa é o mais provável sucessor de Sócrates na liderança do PS. Por isso joga aqui uma jogada arriscada. Se perder, passará algum tempo no deserto, pelo menos até a próxima renovação governamental, sendo que perderá o comboio da sucessão a Sócrates. Por outro lado, se ganhar a Câmara, António Costa arranja maneira de continuar a ter visibilidade, mas podendo afastar-se de Sócrates, já a pensar numa possivel sucessão e candidura a Primeiro Ministro em 2013.
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No caso do PSD, esta eleições vieram acentuar a falta de capacidade de liderança de Marques Mendes. Dos vários barões que dominam o Partido Social Democrata, nenhum deles arriscou avançar. As duas pessoas que mais hipóteses teriam de ganhar a Câmara dentro do partido demonstraram claramente que nãos estão dispostas a apoiar o lider. Por um lado Manuela Ferreira Leite demonstra pouca vontade de se imiscuir na vida partidária e não está disposta a submeter-se a uma campanha eleitoral e as consequências de uma enventual vitória nas urnas. Por outro lado, Paula Teixeira da Cruz, actual presidente da Assembleia Municipal, demonstra que percebeu claramente que os ventos não sopram para os lados de Marques Mendes e não está disposta a arriscar um final prematura da sua carreira política por uma lider transitório do partido. Também Fernado Seara, um candidato com menos peso político mas com alguma popularidade preferiu manter-se fora desta luta. Por isso sobrou Fernado Negrão, um bom homem, um homem competente, mas um peso político do ponto de vista político. A esmagadora maioria dos lisboetas não suspeita quem seja este homem e a sua carreira pública (como director da PJ, como Presidente do Instituto da Droga e da Toxicodependência e como ministro da Segurança Social) é escassa.
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Dificilmente Fernando Negrão conseguirá melhor que o terceiro lugar, se conseguir o terceiro. Ainda mais dificilmente conseguirá um resultado melhor do que o homem a quem Maruqes Mendes retirou a confiança política, Carmona Rodrigues. Nesse caso dificilmente Marques Mendes conseguirá segurar o poder dentro do PSD.
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Estas eleições têm ainda uma novidade: duas candidaturas independentes, ambas com possibilidades de fazerm bons resultados. Primeiro temos a candidatura de Carmona Rodrigues, que me parece ser o único inimigo sério de António Costa nesta eleições. A vitória deste neste nas eleições seria uma bofetada quer ao Governo, quer a Marques Mendes. Se Carmona Rodrigues ganhar quer dizer que o povo não está minimanente interessado nas opiniões de Marques Mendes e que claramente não está interessado em antigos membros deste Governo.
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Carmona Rodrigues têm a qualidade de não ser um político. Nesta eleições esse factor será uma grande vantagem. O povo cada vez mais desconfia dos políticos. Carmona Rodrigues pouco liga a política. Desde que chegou a Camâra nunca se imiscuiu num problema do partido, tendo-se contedado em ser Presidente da Camâra de Lisboa e não putativo candidado à liderança do PSD. Para além disso apresenta uma imagem descontraída e um discurso simples.
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Já a candidatura de Helena Roseta parece-me mais fraca. Para começar os motivos que a levam a sair do partido e a candidatar-se como independente não são tão claro como no caso de Carmona. Para além disso, embora tenha sem dúvida bastante visibilidade, não goza da popularidade de Carmona Rodrigues. Para além disso conta com uma longa carreira política, que lhe poderá trazer algumas desconfianças.
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Mesmo assim, a sua canditadura apresenta-se como saída para os socialista descontentes com Sócrates e com ditadura que Sócrates impôs no partido, transformando-o num espectáculo de um homem só. Dificilmente um bom resultado de Helena Roseta levará a queda de Sócrates, mas será um sinal de aviso de que o partido não está tão tranquilo como aparenta.
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Por fim temos as candidaturas de Telmo Correia, de Ruben de Carvalho e de José Sá Fernandes. Telmo Correia é um portista declarado e se tiver um resultado inferior ou de Maria José Nogueira Pinto, acontecimento muito provável, será protagonista do primeiro grande revés da segunda liderança de Paulo Portas, mas dificilmente terá consequências de maior.
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Ruben de Carvalho deverá manter o mesmo resultado. Depois de algum tempo a perder votos para o Bloco o PC finalmente estabilizou e voltou a ter um eleitorado muito estanque.
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Já Sá Fernandes parece-me que dificilmente será re-eleito. Para começar, o papel de grande irmão, sempre atento aos bons costumes da Camâra começa a causar-lhe sérias antipatias. Para além disso o factor da sua suposta independência, que pesou nas últimas eleições, será-lhe roubado por Helena Roseta, que se apresenta como real candidata independente da esquerda e que, sabiamente, recusou uma coligação com Sá Fernandes nestas eleições.
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Estas eleições seguramente não farão cair o governo, mas podem influenciar de modo muito profundo os próximos passos dos dois maiores partidos portugueses.

Vincent - Don Mclean



Starry
starry night
paint your palette blue and grey

look out on a summer's day
with eyes that know the
darkness in my soul.
Shadows on the hills
sketch the trees and the daffodils

catch the breeze and the winter chills

in colors on the snowy linen land.
And now I understand what you tried to say to me

how you suffered for your sanity
how you tried to set them free.
They would not listen
they did not know how

perhaps they'll listen now.

Starry
starry night
flaming flo'rs that brightly blaze

swirling clouds in violet haze reflect in
Vincent's eyes of China blue.
Colors changing hue
morning fields of amber grain

weathered faces lined in pain
are soothed beneath the artist's
loving hand.
And now I understand what you tried to say to me

how you suffered for your sanity
how you tried to set them free.
perhaps they'll listen now.

For they could not love you
but still your love was true

and when no hope was left in sight on that starry
starry night.
You took your life
as lovers often do;
But I could have told you
Vincent
this world was never
meant for one
as beautiful as you.

Starry
starry night
portraits hung in empty halls

frameless heads on nameless walls
with eyes
that watch the world and can't forget.
Like the stranger that you've met

the ragged men in ragged clothes

the silver thorn of bloddy rose
lie crushed and broken
on the virgin snow.
And now I think I know what you tried to say to me

how you suffered for your sanity

how you tried to set them free.
They would not listen
they're not
list'ning still
perhaps they never will.

segunda-feira, junho 11, 2007

"É preciso que o quotidiano se torne heróico, para que o heróico se torne quotidiano" - Samwise the Brave




Samwise Gamgee é a minha personagem preferida de "O Senhor dos Anéis". O Sam é um hobbit típico. Gosta de comer, beber, fumar canchibo, fazer jardinagem. É pouco dado a aventuras ou a grande viagens, desconfia naturalmente dos estrangeiro e acha que não existe outra terra como O Shire.

Dificilmente seria a personagem para uma história de acção, com grande batalhar e viagens infindáveis, por terras estranhas, pejadas de seres maléficos. No fundo Sam é a personagem ideal de um romance rural, pois ele próprio é apenas o humilde jardineiro do Senhor Frodo Baggins. E é um criado à antiga, cegamente fiel ao seu patrão. É exactamente por esta fidelidade que ele atravessa toda a Terra Média , até ao coração da Terra Negra, para destruir o Um anel.

Durante toda a estória podemos esperar ver fazer grandes feitos, mas ele não faz nenhum. Limita-se a seguir Frodo para onde quer que ele vá e assegurar-se que nenhum mal lhe acontece. Cozinha para Frodo, vai buscar àgua para Frodo, carrega Frodo as costas. Mas é nesta fidelidade que se encontra toda a grandeza deste pequeno hobbit, que o torna o maior héroi de "O Senhor dos Anéis". Toda a sua vida é dada, ele vive para Frodo, para o ajudar a levar a sua tarefa até ao fim. Sem ele Frodo nunca teria chegado à Montanha da Condenção, nunca o anel teria sido destruido, nunca a Terra Média teria sido salva.
A única herócidade de Sam é a sua fidelidade a Frodo. Mas esta fidelidade, que quando estavam n'O Shire se traduzia em arranjar-lhe o jardim e que em Mordor o levará a enfrentar orcs e em carregar Frodo as costas, que transportará Frodo até à destruição do anel.

Editorial do DN - 09/10/07

"A lei do aborto e entraves que não eram esperados

Quando 80% dos médicos de grandes hospitais de Lisboa e do Porto se declaram objectores de consciência contra o aborto legal - revelando uma estranha e clara dessintonia entre a classe médica e a sociedade como um todo -, o Governo tem de tomar algumas atitudes, se se quiser pôr em prática a vontade expressa nas urnas.

Deve estabelecer com rigor quais os serviços públicos de saúde em condições de realizar o que as utentes do SNS requererem, verificar as incapacidades e encontrar alternativas. E tem também de fiscalizar as objecções apresentadas, para que não desaguem em negócio privado.

Depois de ter pedido ao povo que se pronunciasse, é obrigação do Estado impedir que uma qualquer classe profissional capture e desvirtue na prática o alcance da sua vontade. Esta surpreendente reacção dos médicos tem como primeira consequência fazer com que os hospitais tenham decidido aceitar apenas mulheres nas suas áreas de residência - o que põe em risco o direito à reserva e ao anonimato, sobretudo nas terras pequenas.

É preciso ter em conta que o que se diz já sobre este assunto se baseia em dados parciais de grandes hospitais centrais do SNS."



Nem o Estado, nem a maioria, são donos da consciência de ninguém. Por isso o Estado não pode obrigar nenhum médico a fazer um aborto. Ainda menos pode mover uma perseguição a um médico que se recusa a fazer algo que é contra um juramento que fez.

Sobrepor o poder do Estado aos direitos individuais é o apanágio dos sistemas totalitários. Numa verdadeira Democracia, todos os homens têm o direito a sua consciência.

quinta-feira, junho 07, 2007

Solenidade do Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo




Hoje celebramos a Solenidade do Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo. Para mim muitas vezes a Eucaristía torna-se uma coisa banal. Muitas vezes já não me espanta nem comove que Cristo se dê ao trabalho de transformar um bocado de pão e umas gotas de vinho no Seu Corpo e no Seu Sangue.

Esta solenidade, com a sua procissão pelas ruas da Baixa, ajuda-me a relembrar a grandeza da Eucarístia: Cristo, centro do cosmos e da história, todos os dias se torna tão presente e real como na Cruz, para que nós possamos comungar a Sua Carne e o Seu Sangue. E isto não pode deixar de me espantar e comover!

Conquistador - Da Vinci



Era um mundo novo
Um sonho de poetas
Ir até ao fim
Cantar novas vitórias

E erguer, orgulhosos, bandeiras
Viver aventuras guerreiras
Foram mil epopeias
Vidas tão cheias
Foram oceanos de amor

Já fui ao Brasil
Praia e Bissau
Angola, Moçambique
Goa e Macau
Ai, fui até Timor
Já fui um conquistador

Era todo um povo
Guiado pelos céus
Espalhou-se pelo mundo
Seguindo os seus heróis

E levaram a luz da cultura
Semearam laços de ternura

Foram mil epopeias
Vidas tão cheias
Foram oceanos de amor

Já fui ao Brasil
Praia e Bissau


Se descontarmos o facto de a malta se vestir e dançar de um modo um pouco rídiculo nos anos 80, a música é muito boa na mesma!

Um lenda «negra» - Cardeal Bertone

A figura de Eugenio Pacelli, Papa Pio XII, se encontra já há décadas no centro de agudas polêmicas. O pontífice romano que guiou a Igreja nos terríveis anos da segunda guerra mundial e depois na guerra fria é vítima de um lenda negra que acabou por afirmar-se até o ponto de que é difícil inclusive de esboçar, ainda que os documentos e testemunhos tenham provado sua total inconsistência.

Um dos desagradáveis efeitos «secundários», por chamá-los de algum modo, dessa lenda negra, que apresenta falsamente o Papa Pacelli como indulgente com o nazismo e insensível ante a sorte das vítimas da perseguição, consiste em ter feito esquecer totalmente o extraordinário magistério desse Papa, que foi o precursor do Concílio Vaticano II. Como aconteceu com as figuras de outros dois Papas com o mesmo nome -- o beato Pio IX, do qual só se fala em relação a temas ligados à políticas do Ressurgimento italiano; e São Pio X, recordado com freqüência unicamente por sua valente batalha contra o modernismo --, também se corre o risco de reduzir todo o pontificado de Pacelli à questão dos supostos «silêncios».

2.A atividade pastoral de Pio XII

Estou aqui, portanto, nesta tarde, para oferecer um breve testemunho de um homem de Igreja que, por sua santidade pessoal, resplandece como um luminoso testemunho do sacerdócio católico e do supremo pontificado. Certamente, já havia lido muitos ensaios interessantes sobre a figura e a obra do Papa Pio XII, das sumamente conhecidas «Actes et Documents du Saint Siège», às biografias de Nazareno Padellaro, da Irmã Margherita Marchione, do Pe. Pierre Blet, entre as primeiras que me vêm à mente. Isso sem falar dos «Discursos de guerra» do Papa Pacelli, se o desejam, estão disponíveis em formato eletrônico, e que me resultam totalmente interessantes também hoje por doutrina, por inspiração pastoral, por finura de linguagem literária, por força humana e civil.

Em definitivo, já sabia bastante sobre o «Pastor Angelicus et Defensor Civitatis». Contudo, deve-se dar graças ao senhor Andrea Tornielli, pois nesta volumosa e documentada biografia, recorrendo a muitos escritos inéditos, ele nos restitui a grandeza da figura de Pio XII, nos permite aprofundar em sua humanidade, nos faz redescobrir seu magistério. Ele nos recorda, por exemplo, sua encíclica sobre a liturgia, sobre a reforma dos ritos da Semana Santa, o grande trabalho preparatório que desembocaria na reforma litúrgica conciliar.

Pio XII abre o caminho à aplicação do método histórico-crítico à Sagrada Escritura, e na encíclica «Divino afflante Spiritu» estabelece as normas doutrinais para o estudo da Sagrada Escritura, sublinhando sua importância e papel para a vida cristã. Na Encíclica «Humani generis» leva em consideração, ainda que com cautela, a teoria da evolução. Pio XII imprime também um notável impulso à atividade missionária com as encíclicas «Evangelii Praecones» (1951) e «Fidei donum» (1957), da qual se celebra o qüinquagésimo ano, sublinhando o dever da Igreja de anunciar o Evangelho aos povos, como fará depois o Concílio Vaticano II. O Papa se nega a fazer coincidir o cristianismo com a cultura ocidental, assim como com um determinado sistema político.

Pio XII continua sendo, ainda hoje, o Papa que deu mais espaço às mulheres em suas canonizações e beatificações: 54,4% nas canonizações, e 62,5%%. De fato, em várias ocasiões, esse pontífice havia falado dos direitos femininos, afirmando, por exemplo, na rádio-mensagem ao Congresso CIF de Loreto de outubro de 1957, que a mulher está chamada a desempenhar «uma ação decisiva» também no campo político e jurídico.

3.Acusações injustificadas

Estes não são mais do que exemplos que mostram o que resta ainda por descobrir, e mais ainda, por redescobrir, do magistério do servo de Deus Eugenio Pacelli. Impressionaram-me, também, muitos detalhes do livro de Tornielli dos que emerge tanto a lucidez e sabedoria do futuro pontífice, nos anos que foi núncio apostólico em Munique e em Berlim, como muitos traços de sua humanidade. Graças à correspondência inédita com o irmão Francesco, podemos conhecer alguns juízos firmes sobre o nascente movimento nacionalista, assim como o grave drama interior vivido pelo pontífice durante o tempo da guerra por ocasião da atitude que era preciso adotar ante a perseguição nazista.

Pio XII falou disso em várias ocasiões em sua rádio-mensagem e, portanto, está totalmente fora de cogitação acusá-lo de «silêncios», assumindo contudo um tom prudente. Falando dos silêncios, quero citar um artigo bem documentado do professor Gian Maria Vian publicado no ano 2004, na revista «Archivum historiae pontificiae», que tem como título «O silêncio de Pio XII: às origens da lenda negra» («Il Silenzio di Pio XII: alle origini della leggenda nera»). Entre outras coisas, diz que o primeiro que questionou os «silêncios de Pio XII» foi Emmanuel Mounier, em 1939, poucas semanas depois de sua eleição como sumo pontífice e por ocasião da agressão italiana na Albânia. Sobre estas questões se desencadeará a seguir uma dura polêmica, inclusive de origem soviética e comunista que, como veremos, seria retomada por expoentes da Igreja Ortodoxa russa. Rolf Hocchuth, autor de «O Vigário», a obra teatral que contribuiu a desatar a lenda «negra» contra Pio XII, em dias passados definiu o Papa Pacelli em uma entrevista como «covarde demoníaco», enquanto há historiadores que promovem o pensamento único contra Pio XII e chegam a insultar de «extremista pacelliano» quem não pensa como eles e se atreve a manifestar um ponto de vista diferente sobre estas questões. Portanto, não é possível deixar de denunciar este estrago do senso comum e da razão perpetrado com freqüência desde as páginas dos jornais.

[Tradução realizada por Zenit]