segunda-feira, abril 23, 2007

Debaixo dos carácois



Um dia a areia branca
Seus pés irão tocar
E vai molhar seus cabelos
A água azul do mar

Janelas e portas vão se abrir
Pra ver você chegar
E ao se sentir em casa
Sorrindo vai chorar

Debaixo dos caracóis dos seus cabelos
Uma história pra contar
De um mundo tão distante
Debaixo dos caracóis dos seus cabelos
Um soluço e a vontade
De ficar mais um instante

As luzes e o colorido
Que você vê agora
Nas ruas por onde anda
Na casa onde mora

Você olha tudo e nada
Lhe faz ficar contente
Você só deseja agora
Voltar pra sua gente

Debaixo dos caracóis dos seus cabelos
Uma história pra contar
De um mundo tão distante
Debaixo dos caracóis dos seus cabelos
Um soluço e a vontade
De ficar mais um instante

Você anda pela tarde
E o seu olhar tristonho
Deixa sangrar no peito
Uma saudade, um sonho

Um dia vou ver você
Chegando num sorriso
Pisando a areia branca
Que é seu paraíso

Debaixo dos caracóis dos seus cabelos
Uma história pra contar
De um mundo tão distante
Debaixo dos caracóis dos seus cabelos
Um soluço e a vontade
De ficar mais um instante


Roberto Carlos

Todos nós desejamos um lugar onde sejamos amados, uma "casa" no verdadeiro sentido da palavra. Um lugar onde realmente pertencemos.

(A qualidade do video não é a melhor, mas foi a única versão que conseguir arranjar.)

Começamos este blog com um único objectivo: falar aos nosso amigos das coisas que nos interessam. Isso inclui músicas, livros, filmes, noticias sobre a Igreja, curiosidades sobre o Papa. Tentamos ser, como dizia don Giussani, como "crianças inteligentes, com os olhos escancarados". Por isso muitas vezes limitamo-nos a fazer copy paste de noticias que nos impressionaram, ou a postar músicas de que gostamos ou simplesmente a colocar uma fotografia que de alguma modo nos supreende ou comove.
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Não temos a pretensão de sermos um blog de referência neste mundo pretensioso que é a blogesfera. Nem sequer temos a pretensão de dizermos coisas novas ou extraordinárias que hão de revulocionar a intelectualidade católica que frequenta a net. Limitamo-nos a falar do que gostamos, não fazemos serviço público.
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Claro que isto não nos desobriga de fazermos bem as coisas. Por isso tentamos ter cuidado com a forma como fazemos as coisas e agradecemos todas as criticas que nos ajudam realemente a crescermos no nosso juízo e no nosso testemunho.
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Esta nossa maneira de escrevermos pode resultar num blog considerado "modernista", ou "beato" ou simplesmente "chato". Mas estas são classificações que não nos interessam. A nós só nos interessa testemunhar aquilo que vivemos.

Canto Moço

Somos filhos da madrugada
Pelas praias do mar nos vamos
À procura de quem nos traga
Verde oliva de flor no ramo
Navegamos de vaga em vaga
Nao soubemos de dor nem magoa
Pelas praias do mar nos vamos
À procura da manha clara
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La do cimo duma montanha
Acendemos uma fogueira
Para nao se apagar a chama
Que da vida na noite inteira
Mensageira pomba chamada
Companheira da madrugada
Quando a noite vier que venha
La do cimo duma montanha
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Onde o vento cortou amarras
Largaremos pela noite fora
Onde ha sempre uma boa estrela
Noite e dia ao romper da aurora
Vira a proa minha galera
Que a vitória ja nao espera
Fresca brisa, moira encantada
Vira a proa da minha barca
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Zeca Afonso
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Esta música sempre me impressionou. Esta procura pela manhã clara, este desejo de encontar algo que dê um significado à vida, que nos impele apesar dos perigos e das dores são expressão de uma humanidade grande. De alguém, que acima de ideologias ou de políticas, leva a sério o seu drama humano. Por isso vale a pena ler e ouvir com atenção esta música.

quinta-feira, abril 19, 2007

2 anos...



Annuntio vobis gaudium magnum;habemus Papam:
Eminentissimum ac Reverendissimum Dominum,
Dominum Josephum
Sanctae Romanae Ecclesiae Cardinalem Ratzinger
qui sibi nomen imposuit Benedictum XVI

GRAZIE DON GIUSS!

Frei Tito Arimathil

ROMA, quarta-feira, 18 de abril de 2007 (ZENIT.org).- Um sentido funeral, com 72 celebrantes, despediu o humilde irmão carmelita Tito Arimathil, porteiro da Faculdade Pontifícia «Teresianum» de Roma e conhecido e apreciado por gerações de estudantes que passaram pelo Colégio Internacional e por esse centro universitário dos Carmelitas. O acolhedor e veterano porteiro Tito Arimathil, faleceu vítima de um infarto na manhã de 5 de abril. Morreu sem nenhum anúncio anterior de tal desenlace. Na manhã da Quinta-Feira Santa, preparou os alimentos para os pobres que toda quinta-feira chegam à portaria. Ao término deste serviço dirigiu-se, como de costume, à capela. Após alguns momentos de oração, sentiu-se mal e se recostou no banco, mas imediatamente entrou em coma. Transportado com caráter de urgência ao hospital, os médicos não puderam senão certificar o ocorrido. O funeral aconteceu em 11 de abril, presidido, em ausência do padre geral, pelo vigário da Ordem, o Pe. Zdenko Krizic, e acompanhado por 72 concelebrantes, além de toda a Comunidade do «Teresianum», da Casa Generalícia, e numerosas amizades do finado, assim como representantes de diversas congregações religiosas. O Pe. Virgilio Pasquetto, reitor do «Teresianum», pronunciou uma emocionante homilia, destacando em seu panegírico a figura egregiamente humilde e altamente serviçal do irmão Tito. Ao final, o vigário tomou a palavra para glosar o mistério pascal na pessoa do irmão Tito e agradecer a presença de seus familiares. Um padre do «Marianum» que o havia conhecido durante mais de 30 anos, em nome de todos os presentes não carmelitas desejou que permaneça em todos os assistentes a serena recordação do servo fiel, humilde, serviçal, sempre disponível e sorridente em sua tarefa. Com o canto do «Rosa Carmeli», a comitiva fúnebre do irmão Tito se encaminhou ao túmulo dos Carmelitas Descalços no cemitério do Verão de Roma. O «serviçal e sempre atento irmão» era membro da Província de Manjummel (Índia). Havia nascido em 8 de junho de 1931 em Vayalar, região de Kerala. Sua primeira profissão foi feita em 19 de março de 1959. Em 26 de setembro do ano 1964, chegou ao «Teresianum», onde viveu até a morte. Seu primeiro ofício em Roma foi o de ajudante do bibliotecário. Logo passou à portaria e ao serviço litúrgico da capela. «Todos recordamos o irmão Tito -- afirma o serviço informativo dos Carmelitas --, porque não só foi porteiro, mas um porteiro único: sempre serviçal para toda informação, com a máxima amabilidade. Assim viveu e trabalhou em atitude de serviço por quase 43 anos ininterruptos em Roma».
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“O fim não é viver, mas sim morrer, e não armar a cruz mas sim subir à cruz e dar o que se tem com alegria”
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Anunciação a Maria, Paul Claudel

quarta-feira, abril 18, 2007

Anedotas e futebol nas conversas com Bento XVI

O Secretário de Estado do Vaticano, o Cardeal Tarcisio Bertone, revelou numa entrevista à RAI que inicia as suas reuniões com Bento XVI contando uma piada e que às vezes também fala sobre futebol.
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O Cardeal Bertone explicou que antes de começar a falar de temas "muito mais sérios e mais graves da Igreja e do mundo" começa com a última anedota, para iniciar a reunião com uma gargalhada. Noutros casos, comenta com o Papa o Campeonato Italiano de Futebol.
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D. Tarcisio Bertone conhece o Papa há muitos anos, já que os dois trabalharam juntos na Congregação para a Doutrina da Fé. Deste contacto pessoal destaca que Bento XVI "é espontâneo", e que a primeira impressão quando alguém o conhece é "a sua grandeza e simplicidade".
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"Quem teve a oportunidade de falar com ele durante um momento, nas audiências, destaca o seu olhar penetrante, a sua capacidade de ouvir, de dizer sempre a palavra certa, ou seja, um amigo para sempre", explicou.
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Reconhecendo que nem sempre é esta imagem difundida, a respeito de Bento XVI, o Secretário de Estado do Vaticano admitiu que "há um problema de comunicação" e pediu um esforço à imprensa para "comunicar aquela que é a autêntica personalidade do Papa e da vida e experiência da Igreja".
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segunda-feira, abril 16, 2007

Parabéns ao Papa

Hoje o Papa faz 80 anos. Quem quiser enviar uma mensagem para dar os parabéns ao Papa pode fazê-lo aqui.

sábado, abril 14, 2007

Cristo ressuscitou!

Cristo ressuscitou. Esta evidência é nos ditada, não pela história, mas pelo nosso Coração que o reconhece no encontro com os santos e na Sua Presença na Eucarístia. A História confima esta evidência, mas a certeza na ressurreição é anterior ao nosso conhecimento histórico.

Por isso não nos perturbamos com pseudo-documentário ou com romances históricos que negam o facto central da nossa existência. Porque para negar a ressurreição teriamos que nos negar a nós próprios.

Os ataques à Verdade hão de continuar. O documentário que fez furor nesta Páscoa é apenas a continuação do “Envagelho de Judas” ou do “Código de da Vinci” e tem por único fim semear a confusão no Coração dos homens. O autor deste ataque é o mesmo que há dois mil anos pagou aos soldados para dizerem que os discípulos tinham roubado o corpo de Cristo: o Demónio.

Mas o nosso Coração não se perturba, porque o Senhor ressuscitou verdadeiramente!

Cristo ressuscitou, Aleluia, Aleluia!

Aborto

A promulgação pelo Presidente da Républica da lei do aborto foi a nossa derrota final. Lavando as mãos do problema, como se não estivesse exactamente nas suas mãos salvar tantos inocentes (qualquer semelhança com outro personagem histórico cobarde é pura coicidência), o PR promulgou a lei com uma mensagem completamente inútil.
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O poder do mundo derrotou-nos. Mas nós sabemos que a vitória final é nossa. Porque no último Domingo de manhã corremos ao sepulcro e ele estava vazio...

Canzone degli occhi e del cuore

Anche se un giorno, amico mio,
dimenticassi le parole,
dimenticassi il posto e l’ora
o se era notte o c’era il sole,
non potrò mai dimenticare
cosa dicevano i tuoi occhi.

E così volando, volando
anche un piccolo cuore se ne andava
attraversando il cielo verso il Grande Cuore.
Un cuore piccolo e meschino
come un paese inospitale
volava dritto in alto verso il suo destino…
E non riuscirono a fermarlo
neanche i bilanci della vita
quegli inventari fatti sempre senza amore.

Così parlavo in fretta io
per non lasciare indietro niente
per non lasciare indietro il male
e i meccanismi della mente.
E mi dicevano i tuoi occhi
che ero già stato perdonato…

Adesso torna da chi sai
da chi divide con te tutto
abbraccia forte i figli tuoi
e non nascondere il tuo volto,
perché dagli occhi si capisce
quando la vita ricomincia.

Mesmo se um dia, meu amigo, eu esquecesse as palavras, esquecesse o lugar e a hora ou se era noite ou estava sol, nunca poderia esquecer o que diziam os teus olhos. E assim, voando, voando, também um pequeno coração ia atravessando o céu na direcção do Grande Coração. Um coração pequeno e mesquinho como uma aldeia inóspita voava a direito na direcção do seu destino… E não conseguiram detê-lo nem sequer as contas da vida, esses inventários feitos sempre sem amor. Assim falava eu apressadamente para não deixar nada para trás, para não deixar para trás o mal e os mecanismos da mente; e os teus olhos diziam-me que já tinha sido perdoado… Agora volta para quem sabes, para quem divide tudo contigo; abraça com força os teus filhos e não escondas o teu rosto, porque pelos olhos se percebe quando a vida recomeça.
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Há no mundo pessoas, ou momentos de pessoas, que com a simplicidade das crianças se espantam e apontam sempre para o essencial, nunca se detendo perante os cálculos dos grandes e dos inteligentes e que por isso se vão tornado realmente autoridade. A minha amiga Sofia, que faz hoje anos, é uma dessas pessoas.

terça-feira, abril 10, 2007

Exortação de Bento XVI na recitação do Regina Caeli, em Castel Gandolfo

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Cheios da “alegria espiritual pelas celebrações da Páscoa”, Bento XVI lembrou o entusiasmo das mulheres que se dirigiram ao sepulcro e o viram vazio. “Cristo ressuscitou. É a este grande mistério que a liturgia dedica não apenas um dia, mas 50 dias, que corresponde a todo o tempo pascal, que se conclui com o Pentecostes”, explicou o Papa.
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“O Domingo de Páscoa é um dia absolutamente especial, que se estende por toda esta semana até ao próximo Domingo. Neste clima de alegria pascal, a liturgia de hoje conduz-nos ao sepulcro, onde Maria Madalena e Maria, segundo São Mateus, visitaram o túmulo de Jesus. Narra o Evangelista que Ele veio ao encontro das mulheres e lhes disse: «Não tenhais medo, ide anunciar aos meus irmãos»”.
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“Também a nós, hoje, tal como a estas mulheres que permaneceram junto de Jesus durante a sua Paixão, a ressurreição nos pede que não se tenhamos medo em ser mensageiros do anúncio. Não há que ter medo de encontrar Jesus ressuscitado”.

Esta é a mensagem que os cristãos são chamados a difundir a todos os cantos do mundo, apontou o Papa. “A fé cristã não nasce do acolhimento de uma doutrina, mas antes do encontro com uma Pessoa, com Cristo morto e ressuscitado. Na nossa existência quotidiana são tantas as ocasiões para comunicar aos outros a nossa fé de um modo simples e convicto. E é urgente que homens e mulheres da nossa época conheçam e se encontrem com Cristo, e graças também ao nosso exemplo, se deixem conquistar por Ele”.
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Depois da oração Regina Caeli, que substitui o Angelus durante o tempo pascal, o Papa saudou os peregrinos presentes em várias línguas. Aos portugueses dirigiu palavras de saudação “com votos de todo o bem, e que Deus lhes conceda, como fruto da Páscoa de Cristo, a abundância dos dons do Espírito Santo”, finalizou.
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Bento XVI regressa ao Vaticano no próximo sábado.
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Semper Fidelis

segunda-feira, abril 09, 2007

Regina Caeli

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V. Rainha do Céu, Alegrai-Vos, Aleluia!
R. Porque Aquele que merecestes trazer em Vosso seio, Aleluia!
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V. Ressuscitou, como disse, Aleluia!
R. Rogai por nós a Deus, Aleluia!
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V. Alegrai-Vos e exultai, ó Virgem Maria, Aleluia!
R. Porque o Senhor ressuscitou verdadeiramente, Aleluia!
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Oremos: Ó Deus, que enchestes o mundo de alegria pela ressureição do Vosso Filho, nosso Senhor Jesus Cristo, fazei que, pela intercessão da Virgem Maria, sua Mãe, alcancemos as alegrias da vida eterna. Por Cristo Senhor nosso. Amen.
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Vinde Espírito Santo,
Vinde por Maria!

domingo, abril 08, 2007

Bom ladrão

Depois de dois dias de intenso trabalho, desde a celebração da Paixão até a Vigília Pascal, as únicas palavras que me sobram sobre o assunto são: "Jesus, lembra-Te de mim quando vieres com a tua realeza"

sexta-feira, abril 06, 2007

Páscoa


A ressurreição desvenda aquele que é o artigo decisivo da nossa fé: "E fez-se homem." Daqui sabemos que é para sempre verdade que Ele é homem. E sê-lo-á para sempre. Através Dele, a humanidade foi introduzida na própria natureza de Deus - é este o fruto da sua morte. Nós estamos, nós somos em Deus. Deus é o inteiramente outro e ao, memso tempo, o não-outro. Se dissermos Pai juntamente com Jesus dizê-mo-lo no próprio Deus. É esta a esperança do homem, a alegria cristâ, o Evangelho: ainda hoje ele é homem. Nele, Deus tornou-se verdadeiramente o não-outro. O homem, ser absurdo, deixou de ser absurdo. O homem, o ser desconsolado, já não está desconsolado: rejubilemos. Ele ama-nos, e Deus ama-nos a tal ponto que o seu amor se fez carne e permanece carne. Esta alegria deveria ser o mais forte de todos os impulsos, a força mais impetuosa capaz de nos impelir a comunicar a notícia aos outros homens, a fim de que também eles rejubilem com a luz que nos foi desvendada e que, no meio da noite do mundo, nos anuncia o dia.

Joseph Ratzinger, O caminho Pascal

Escrevo já hoje o post para Domingo pois não vou estar cá.

Santa Páscoa a todos

Sexta-Feira Santa



Salvador Dali, Cristo de S. João da Cruz


No cimo da cruz de Jesus – nas duas línguas do mundo de então, o grego e o latim, e na língua do povo eleito, o hebraico – está escrito quem é: o Rei dos Judeus, o Filho prometido a David. Pilatos, o juiz injusto, tornou-se profeta sem querer. Perante a opinião pública mundial é proclamada a realeza de Jesus. O próprio Jesus não tinha aceite o título de Messias, enquanto poderia induzir a uma ideia errada, humana, de poder e de salvação. Mas, agora, o título pode estar escrito ali publicamente sobre o Crucificado. Ele, assim, é verdadeiramente o rei do mundo. Agora foi verdadeiramente «elevado». Na sua descida, Ele subiu. Agora cumpriu radicalmente o mandamento do amor, cumpriu a oferta de Si próprio, e precisamente deste modo Ele é agora a manifestação do verdadeiro Deus, daquele Deus que é amor. Agora sabemos quem é Deus. Agora sabemos como é a verdadeira realeza. Jesus reza o Salmo 22, que começa por estas palavras: «Meu Deus, meu Deus, porque Me abandonaste?» (
Sal 22/21, 2). Assume em Si mesmo todo o Israel, a humanidade inteira, que sofre o drama da escuridão de Deus, e faz com que Deus Se manifeste precisamente onde parece estar definitivamente derrotado e ausente. A cruz de Cristo é um acontecimento cósmico. O mundo fica na escuridão, quando o Filho de Deus sofre a morte. A terra treme. E junto da cruz tem início a Igreja dos pagãos. O centurião romano reconhece, compreende que Jesus é o Filho de Deus. Da cruz, Ele triunfa sem cessar.

Meditação do Cardeal Ratzinger para a Via Sacra no Coliseu, na Sexta-Feira Santa de 2005

quinta-feira, abril 05, 2007

Fora de Estrutura

Esta a ver o blog "Fora de Estrutura" quando encontrei este belissimo post escrito por Manuel Arriaga e Cunha, pai do meu amigo Miguel, sobre o encontro de dia 30 com Julian Carrón. Por isso, em vez de escrever um juízo menor sobre o mesmo, copio na integra o post e recomendo a visita ao blog.
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Tive a oportunidade de assistir na passada 6ª feira a uma conferência do Pe Julián Carrón, responsável internacional do movimento Comunhão e Libertação. Não tendo a pretensão de conseguir reproduzir fielmente aqui a totalidade dessa conferência, penso conseguir focar o centro da mensagem que nos transmitiu.
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Com serena simplicidade e objectividade, este homem de grande sabedoria aponta-nos o verdadeiro caminho para fazermos face à actual situação em que se encontra o homem europeu, em especial a juventude, que vive um sentimento de extrema confusão, fruto do relativismo e do nihilismo que se transformaram num hino à modernidade, quando a total falta de referências e objectivos leva à completa desertificação do ser humano.
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No entanto, diz-nos o Pe Carrón, no meio deste inferno podemos reconhecer e dar espaço ao que não é inferno. No meio desse inferno podemos ainda apaixonarmo-nos! Podemos viver um acontecimento imprevisto que nos fascina. Porque o nosso coração, inconformado na sua sede de plenitude, tenta resistir como um baluarte contra toda essa confusão e esse vazio que o assolam, e procura urgentemente uma certeza.
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O Pe Carrón propõe-nos esse acontecimento fascinante: o verdadeiro encontro com Jesus Cristo. Nada neste mundo pode impedir esse encontro com algo que nos fascina, com Cristo. Não por uma razão intelectual, não por uma questão de ética, mas apenas porque instala no nosso coração o desejo de "voltarmos no dia seguinte".
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É este o ponto de partida para a fé cristã. O encontro do eu, do meu coração, com um homem: Jesus. Somos levados a conhecer a natureza do amor através dum acontecimento de amor, dum encontro com um olhar, um rosto, uma pessoa, que nos fazem ver Cristo. No trabalho, na praia, nos transportes, num almoço, num casamento, seremos testemunho de Cristo porque fomos tocados por Ele, através dum olhar, duma palavra, dum gesto.
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Esta é uma fé que não é primária mas conseguida duma forma racional, vivida e experimentada conscientemente, e reconhecida como verdadeira. É uma fé que exalta a liberdade e a razão. Só um homem realmente consciente, não um ingénuo, pode aderir a Cristo! Temos apenas de lhe proporcionar esse encontro na sua procura da Verdade.
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Perante a complexidade do mundo moderno, tudo isto parece tão pouco! Mas é tanto! Porque nenhuma confusão o pode destruir...

Quinta-feira Santa

Duccio, A Última Ceia, Museo dell'Opera del Duomo, Siena


Jesus insere a sua novidade radical no âmbito da antiga ceia sacrificial hebraica. Uma tal ceia, nós, cristãos, já não temos necessidade de a repetir. Como justamente dizem os Padres, figura transit in veritatem: aquilo que anunciava as realidades futuras cedeu agora o lugar à própria Verdade. O antigo rito consumou-se e ficou definitivamente superado mediante o dom de amor do Filho de Deus encarnado. O alimento da verdade, Cristo imolado por nós, pôs termo às figuras (dat figuris terminum). Com a sua ordem « Fazei isto em memória de Mim » (Lc 22, 19; 1 Cor 11, 25), pede-nos para corresponder ao seu dom e representá-Lo sacramentalmente; com tais palavras, o Senhor manifesta, por assim dizer, a esperança de que a Igreja, nascida do seu sacrifício, acolha este dom desenvolvendo, sob a guia do Espírito Santo, a forma litúrgica do sacramento. De facto, o memorial do seu dom perfeito não consiste na simples repetição da Última Ceia, mas propriamente na Eucaristia, ou seja, na novidade radical do culto cristão. Assim Jesus deixou-nos a missão de entrar na sua « hora »: « A Eucaristia arrasta-nos no acto oblativo de Jesus. Não é só de modo estático que recebemos o Logos encarnado, mas ficamos envolvidos na dinâmica da sua doação ». Ele « arrasta-nos para dentro de Si ». A conversão substancial do pão e do vinho no seu corpo e no seu sangue insere dentro da criação o princípio duma mudança radical, como uma espécie de « fissão nuclear » (para utilizar uma imagem hoje bem conhecida de todos nós), verificada no mais íntimo do ser; uma mudança destinada a suscitar um processo de transformação da realidade, cujo termo último é a transfiguração do mundo inteiro, até chegar àquela condição em que Deus seja tudo em todos (1 Cor 15, 28).

Exortação Apostólica Sacramentum Caritatis de Sua Santidade Bento XVI

Soneto da Fidelidade - Vinicius de Morais

De tudo, meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.
Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento.
E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama
Eu possa me dizer do amor ( que tive ) :
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.

Tríduo Pascal

Começa hoje o Tríduo Pascal. Haverá sem dúvida quem tenha coisas inteligentes para dizer sobre o assunto, eu limito-me a repetir o que a Igreja nos ensina e que o meu amigo Nuno me relembrou com tanta simplicidade no último Domingo: "Morreu por nós para destruir a nossa morte. Ressuscitou por nós para nos devolver a nossa vida".

O Pórtico do Mistério da Segunda Virtude

"Mas a Esperança, disse Deus
Isso sim admira-me,
admira até a Mim mesmo.

Que estes pobres filhos vejam como hoje caminham as coisas,
e creiam que amanhã tudo irá melhor,
isto sim que é assombroso e é, com muito,a maior maravilha da nossa graça.

E eu mesmo me assombro com isso.
Que será necessário que seja minha graça
(e qual a força dessa minha graça)
para que esta pequena Esperança,vacilante ante o sopro do pecado,
trêmula ante os ventos,agonizante ante o menor sopro,
siga estando viva,
impossível de apagar?

Esta pequena Esperança que parece coisa de nada,
esta pequena filha Esperança.
Imortal.
Pelo caminho escarpado, arenoso e estreito,
arrastada e braços dados
com suas duas irmãs maiores,
segue a pequena Esperança
como uma criança sem forças para caminhar.
Mas na realidade é ela
quem faz andar às outras duas,
e que as arrastae que faz andar o mundo inteiro,
e a que arrasta.

Porque, em verdade, não se trabalha senão pelos filhos,
E os dois maiores não avançam
Se não graças à pequena."
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(Charles Péguy, Le Porche du Mystère de la Deuxième Vertu)

Gente Perdida - Mafalda Veiga

Eu fui devagarinho
Com medo de falhar
Não fosse esse o caminho certo
Para te encontrar
Fui descobrindo devagar
Cada sorriso teu
Fui aprendendo a procurar
Por entre sonhos meus
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Eu fui assim chegando
Sem entender porquê
Já foram tantas vezes tantas
Assim como esta vez
Mas é mais fundo o teu olhar
Mais do que eu sei dizer
É um abrigo pra voltar
Ou um mar para me perder
.
Lá fora o vento
Nem sempre sabe a liberdade
A gente finge
Mas sabe o que não é verdade
Foge ao vazio
Enquanto brinda, dança e salta
Eu trago-te comigo
E sinto tanto, tanto a tua falta
.
Eu fui entrando pouco a pouco
Abri a porta e vi
Que havia lume aceso
E um lugar pra mim
Quase me assusta descobrir
Que foi este sabor
Que a vida inteira procurei
Entre a paixão e a dor
.
Lá fora o vento
Nem sempre sabe a liberdade
Gente perdida
Balança entre o sonho e a verdade
Foge ao vazio
Enquanto brinda, dança e salta
Eu trago-te comigo
E sinto tanto, tanto a tua falta
.
Lá fora o vento
Nem sempre sabe a liberdade
Gente perdida
Balança entre o sonho e a verdade
Foge ao vazio
Enquanto brinda, dança e salta
Eu trago-te comigo
E guardo este abraço só para ti
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Isto é a descrição do quer dizer "o centro da nossa afectividade". O movimento é o lugar onde eu descobri este sabor que a vida inteira procurei. Fora dele realmente posso fingir, mas fico realmente a "baloiçar entre o sonho e a verdade".

quarta-feira, abril 04, 2007

"Toda a nossa Glória"


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"Toda a nossa Glória está na cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo"..
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Dia 2 fez dois anos que morreu o grande Papa João Paulo II. Abraçou de forma única a cruz que o Senhor lhe concedeu. Nisso consistiu a sua glória.
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Semper fidelis

Páscoa 2007


O Espirito Santo suscitou na Igreja, através de D. Giussani, um movimento, o vosso, para testemunhar a beleza de ser cristão numa época em que se difundia a opinião de que o cristianismo era uma coisa custosa e pesada de se viver. Giussani empenhou-se então em reavivar nos jovens o amor a Cristo, "Caminho, Verdade e Vida", repetindo que só ele é o caminho para a realização dos desejos mais profundos do coração do homem, e que Cristo não nos salva apesar da nossa humanidade, mas através dela.

Bento XVI

(Audiência aos participantes da peregrinação promovida pela Fraternidade de Comunhão e Libertação.
Roma, Praça de São Pedro, 24 de Março de 2007)

segunda-feira, abril 02, 2007

A Missão que o Santo Padre nos confiou.

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Queridos irmãos e irmãs, o falecido João Paulo II, em outra circunstância para vós muito significativa, vos confiou esta mensagem: «Ide por todo o mundo e levai a verdade, a beleza e a paz que se encontram em Cristo Redentor». Monsenhor Giussani fez daquelas palavras o programa de todo o movimento, e para Comunhão e Libertação foi o início de uma estação missionária que vos levou a oitenta países. Hoje vos convido a seguir por este caminho, com uma fé profunda, personalizada e firmemente arraigada no Corpo vivo de Cristo, a Igreja, que torna Jesus contemporâneo entre nós.

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Bento XVI
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Rogai por nós, Santa Mãe de Deus;
Para que sejamos dignos das Promessas de Cristo.
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sábado, março 31, 2007

"Incansável abertura, fidelissima unidade"

Peço desculpa pelo atraso a escrever sobre Roma, mas só agora é que consegui arranjar maneira de vir a internet.

A ida a Roma foi um momento extraórdinário. Ir ao encontro com o Papa foi testemunhar a unidade e a fidelidade de um povo. Mas não foi só um testemunho de unidade com Carrón ou de fidelidade ao carisma de don Giussani, foi própriamente uma prova da nossa unidade com a Igreja e da nossa fidelidade ao nosso amátissimo Pai, o Papa Bento XVI.

Esta unidade ficou clara na unidade do canto. Quando o Papa entrou na praça cem mil pessoas cantaram unidas “Um amigo grande, grande”. Embora o cântico seja dirigido a Nosso Senhor, naquele momento cantavamo-lo também ao Santo Padre, agradecendo a amizade com que sempre nos tem tratado. Mas depois da primeira música cantamos mais. Todo o tempo que o Papa demorou a dar a volta a praça foi marcado pelo canto. E nunca para mim vez tanto sentido cantar “Que sejamos um só coisa” como naquela praça, rodeado pelos meus amigos do movimento, diante do Papa.

Nas palavras que o Papa nos dirigiu percebemos um carinho e uma amizade por nós. No relançar do desafio que o grande Papa João Paulo II nos tinha lançado em 1984 e que o Papa Bento XVI repetiu, de “ ide por todo o mundo a levar a verdade, a beleza e a paz que se encontram em Cristo Redentor” o Santo Padre confirmou uma vez mais o nosso carisma como caminho de Salvação.

É verdade que nem tudo correu bem na peregrinação. Houve coisas mal organizadas, discussões, irritações, mas como dizia don Carrón, citando don Giussani: “À medida que vamos amudurecendo vamos nos tornando espetáculo para nós próprios e, Deus o queira, também para os outros. Espectáculo, isto é, de limite e de traição e, portanto, de humilhação. Mas ao mesmo tempo de segurança inexaurivel na força da graça que nos é dada e renovada cada manhã”.

A mim só me resta agradecer a Deus a graça de pertencer a este povo.

Semper fidelis,

Grazie don Giuss

quinta-feira, março 29, 2007

O Discurso de Sua Santidade, o Papa Bento XVI.

As palavras do Papa, por ocasião da Audiência com o Movimento Comunhão e Libertação, a 24 de Março de 2007 na praça de São Pedro.

Semper Fidelis

terça-feira, março 27, 2007

Saudação do Padre Julián Carrón ao Papa Bento XVI.

Audiência com Sua Santidade Bento XVI por ocasião do XXV aniversário do reconhecimento pontifício da Fraternidade de Comunhão e Libertação. Sábado 24 de Março de 2007. Roma, Praça de São Pedro. Saudação ao Santo Padre, Bento XVI, do Padre Julián Carrón, presidente da Fraternidade de Comunhão e Libertação.

segunda-feira, março 19, 2007

O que nos move?

O que têm acontecido no CDS é vergonhoso, mas não me espanta. Quem está na política por um cálculo de poder, buscando nada mais do que suposta glória do partido (que no fundo é a sua própria glória), acaba por perder-se a si próprio quanto os seus cálculos ruiem.
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O que nos pode impedir a nós de nos perdermos a nós próprio nas guerras políticas (sim, porque o referendo do aborto foi só o principio)? A certeza de toda a nossa Glória está na Cruz de Cristo. Por isso partimos sempre vencedores, mesmo quando perdemos a luta, porque "o nosso coração não se perdeu e os nossos passos não deixaram o Teu caminho".

domingo, março 18, 2007

Filho Pródigo



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Não faz muito o meu género comentar Evangelhos. Contudo não posso deixar passar em branco o Evangelho do Filho Pródigo.


Não o posso fazer porque durante muito tempo achei que sabia a melhor maneira de fazer as coisas. Mas quando dei por mim a guardar porcos, acordei e decidi voltar a casa.
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O Pai não me deixou acabar a frase. Cobriu-me com o Seu manto, pôs o Seu anel no meu dedo, matou o cordeiro gordo e fez uma festa.

De cada vez que oiço a parábola do filho Pródigo não consigo esquecer que foi pela misericórdia de Deus e não pelas minha forças que fui salvo. A única coisa que fiz foi ajoelhar-me aos Seus pé e aceitar a Sua misericórdia.

sexta-feira, março 16, 2007

Sacrametum Caritas - Integral

Ja está disponivel no site da Santa Sé a Exortação Apostólica Sacrametum Caritas, na qual o Santo Padre aprofunda o valos da Eucarístia.
Embora os media tenham preferido bater na tecla do celibato e dos divorciados que se voltaram a casar, esta não é de todo o tema desta Exortação.
Recomenda-se vivamente a leitura.
Semper Fidelis!

"A man for all seasons"

Amanhã as 21h30 o Centro Cultural Universitário Charles Péguy promove o seu primeiro encontro de cinema. Veremos o filme "Um homem para a eternidade" na Igreja da Encarnação com uma breve apresentação do meu colega de blog Bernardo Castro.

Este filme conta a história de São Tomás Moro que é um belissimo testemunho do que é santidade como vocação universal dos baptizados.

Estão todos convidados.

terça-feira, março 13, 2007

Missa de despedida de Dom Manuel Clemente

"A santidade nãe é ser lapidado pelos turcos nem beijar um leproso na boca.
Mas seguir o madamento de Deus, quer seja ficar onde estamos ou subir mais alto"

Anunciação a Maria, Paul Claudel

Amanhã as 19h30 será celebrada a missa de despedida de Dom Manuel Clemente.

Agradecemos a sua paternidade e o seu testemunho de santidade.

Grazie Dom Manuel!

segunda-feira, março 12, 2007

João Paulo II

A fase diocesana da beatificação de João Paulo II ficará concluída a 02 de Abril, no mesmo dia em que se celebra o segundo aniversário da sua morte, afirmou o vigário do Papa para a diocese de Roma, cardeal Camillo Ruini. Esta fase consiste na recolha de documentos relativos à vida e obra do Papa João Paulo II cujo pontificado durou mais de 25 anos. O dossier será posteriormente transmitido à Congregação para a Causa dos Santos, cujo responsável é o cardeal português D. José Saraiva Martins, sendo depois submetido à ratificação do Papa Bento XVI. O processo de beatificação foi iniciado oficialmente a 28 de junho de 2005. Zenit

domingo, março 11, 2007

"A família é um bem jurídico a proteger"

A família hoje: é o mesmo que a família há 100 anos?
Martínez: Desde o ponto de vista da ordem e da lei natural, sim. Como expressara João Paulo II na Carta das Famílias no Ano da Família, em 1994, «mediante a comunhão de pessoas, que se realiza no matrimônio, o homem e a mulher dão origem à família». A liberdade humana, que é limitada e contingente, foi responsável por apagar esse traço divino, e reconfigurar, mediante as ideologias imanentistas, uma nova reengenharia social, onde pessoa e família se constroem segundo novos modelos teóricos e paradigmas culturais. Entre a diversidade de países e continentes, é talvez na Europa onde se forjou esta desintegração da lei natural de modo mais recente. Ainda que a América do Norte tenha sido pioneira na revolução sexual na hora de fustigar o matrimônio e a família, contudo já na Europa existiam precedentes. Agora mesmo, é a legislação européia que desprotege a família de maneira mais preocupante, particularmente com legislações positivas como o chamado «casamento homossexual» que desvaloriza o matrimônio como bem jurídico a proteger, portanto, relativiza a substância da família como célula natural da ordem social, introduzindo categorias equívocas, como a «diversidade de famílias», a «teoria do gênero» ou a «orientação do desejo» como novos direitos humanos.
Quais são as diferenças entre uma política de família e políticas sociais de orientação familiar?
Martínez: A política de família responde à realidade da instituição natural e jurídica do matrimônio e ao âmbito próprio em que se gera e educa um ser humano. Se levarmos em conta que a política tem como fim próprio da ordem social o bem comum, este não deve contrapor-se ao bem pessoal das pessoas. A pessoa humana recebe uma gestação não somente em um útero biológico, mas transcende, em seus inícios do desenvolvimento evolutivo, a mera realidade orgânica para aperfeiçoar-se em um útero social, como o habitat primeiro da família e o lar. Sendo o homem um corpo animado pela alma espiritual, que o identifica como membro de uma espécie, sua própria natureza racional o leva à inter-relação com o outro, nas figuras primeiras de um pai e uma mãe, dos quais não só depende existencialmente, mas dos que recebe a configuração psicobiológica e espiritual próprias de sua natureza. Esta realidade natural funda a sociedade, e exige da política de um estado sua proteção jurídica e promoção social, já que responde à dimensão específica do homem enquanto membro de uma comunidade. As políticas sociais de orientação familiar deveriam apontar nesta «perspectiva de família» o exercício prudente dos governantes. Ocorre muitas vezes, no entanto, que, desarraigadas de uma reta antropologia, tornam-se mera ideologia e artifícios de poder sujeito a um positivismo construtivista, onde alienam seus serviços à realidade do homem como tal.
A família é só uma instituição dedicada à procriação?
Martínez: A família é o âmbito que acolhe a vida humana em sua gestação e desenvolvimento perfeito, para que o homem alcance sua plenitude como criatura com uma dimensão transcendente, por ser de natureza não só corporal, mas também espiritual, em íntima unidade. Não só se gera vida, mas se humaniza tal existência na inter-relação dos membros que formam uma família. É preciso recordar que a marca da família como instituição natural surge de seu próprio fundamento prévio no matrimônio indissolúvel, o qual reflete a comunhão dos cônjuges e a abertura à vida, que não é unicamente procriação, mas também educação dos filhos e humanização da sociedade. Por isso, a família é um bem jurídico a proteger, já que é o âmbito próprio no qual se desenvolve a humanidade.Entrevista à directora do congresso europeu da família em Roma.

terça-feira, março 06, 2007

Sacramentum Caritatis

Intitula-se “Sacramentum Caritatis" a primeira exortação apostólica de Bento XVI. O documento foi redigido a partir do debate que se desenvolveu aqui no Vaticano em Outubro de 2005 durante o Sínodo dos Bispos sobre a Eucaristia. Na próxima terça feira dia 13 de Março o documento será apresentado aos profissionais da informação durante uma conferencia de imprensa presidida na Sala de Imprensa da Santa Sé pelo Cardeal Ângelo Scola, que foi o relator geral daquele Sínodo. Rádio Vaticana

Semper Fidelis

segunda-feira, março 05, 2007

Túmulo de Jesus, "entre arqueologia inventada, publicidade e vendas."

JERUSALÉM, terça-feira, 27 de fevereiro de 2007. Zenit

A anunciada descoberta do túmulo de Jesus é um fenômeno «entre arqueologia inventada, publicidade e vendas», explica o Studium Franciscanum Biblicum de Jerusalém. A Faculdade de Ciências Bíblicas e Arqueológicas ofereceu este comentário depois de que James Cameron, o diretor do filme «Titanic», apresentou o documentário “The Lost Tomb of Jesus” (O túmulo perdido de Jesus), realizado em colaboração com Simcha Jacobovici. O centro de pesquisa, após informar em um comunicado o parecer de todos os arqueólogos israelenses que se pronunciaram contra este suposto achado, conclui: «Esperamos com ansiedade saber quando acontecerá a venda das ‘preciosíssimas’ relíquias em que casa de leilão».

Credo Santa Ecclesia

sexta-feira, março 02, 2007

Dura Lex, Sed Lex

Pelos vistos os tribunais ainda aplicam as leis...
ARTIGO 1577º
(Noção de casamento)
Casamento é o contrato celebrado entre duas pessoas de sexo diferente que pretendem constituir família mediante uma plena comunhão de vida, nos termos das disposições deste Código.
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Código Civil

Rossa Sera

Rossa sera, Belo Horizonte,
i miei occhi mai t’han guardato,
ma il mio cuore t’ho regalato
per gli amici che ci han lasciato.

Rosse labbra della tua amata
o fratello perché hai lasciato?
Lunghe ciglia della tua amata,
bianche lacrime che han bagnato.

“Rosse labbra della mia amata
in Brasile con me ho portato,
di quel rosso ne ho colorato
bianche labbra di non amato.”

Rossi abeti di Lombardia,
rossi frutti delle vallate,
terra nostra dimenticata:
anche questa hai abbandonata.

“Rossi abeti di Lombardia,
rossi frutti delle vallate
in Brasile con me ho portato,
terra rossa ne ho seminato.”

Rossa valle di quel mattino:
Gesù Cristo ci ha giudicato.
O fratello, ti ho ritrovato,
terra rossa t’ha impolverato.

Rossa sera, Belo Horizonte,
i miei occhi mai t’han guardato,
ma il mio cuore t’ho regalato
per gli amici che ci han lasciato.


Rubra noite, Belo Horizonte, os meus olhos nunca te viram, mas o meu coração te ofereci pelos amigos que nos deixaram. Rubros lábios da tua amada, ó irmão, porque os deixaste? Longas pestanas da tua amada, brancas lágrimas as banharam. “Rubros lábios da minha amada, para o Brasil comigo os levei, daquele rubro os tingi, brancos lábios de não amado”. Rubros abetos da Lombardia, rubros frutos dos valados, nossa terra esquecida: também ela abandonada. “Rubros abetos da Lombardia, rubros frutos dos valados para o Brasil comigo os levei, na terra rubra os semeei.” Rubros vales daquela manhã: Jesus Cristo julgou-nos. Ó irmão, voltei a encontrar-te, empoeirou-te a terra rubra. Rubra noite, Belo Horizonte, os meus olhos nunca te viram, mas o meu coração te ofereci pelos amigos que nos deixaram.

"Para quê atormentar-nos se é tão fácil obedecer?"

Qual a razoabilidade de seguir um Homem que se acabou de deixar pregar numa Cruz, quando bastava ter mentido para Se safar?
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O escândalo da cruz deve ter sido insuportável para os Apóstolos, própriamente incompreensivel. Ele que multiplicava a comida, que curava os doentes e ressuscitava os mortos, flagelado? Crucificado? Morto?
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Contudo João permanceu, tal como Maria e as outras mulheres junto à Cruz. Permaneceu, não porque compreendesse, mas porque Ele se tinha tornado o sentido da Sua vida. Aquele Homem era a resposta ao desejo do seu coração. Aquele Homem era o filho de Deus, o messias que os profetas anunciavam. O próprio Pedro o tinha dito.
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João de pé junto à Cruz deve ser para nós exemplo. Exemplo do que é seguir: é aderir totalmente aqueles que Deus nos dá para seguirmos, mesmo que as vezes não compreedamos totalmente.
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Nem sempre é fácil compreender o Papa, ou don Giussani ou o Padre João. Contudo, não os seguir parece-me a coisa mais irrazoável. Pois Cristo encontrei-O neste homens. A minha existência encontra resposta nestes homens (não pela sua grandeza, mas porque apontam sempre para Cristo). Não os seguir é negar-me a mim mesmo.

quinta-feira, fevereiro 22, 2007

Uma Grande Paternidade

Faz hoje dois anos que morreu o Mons. Luigi Giussani, fundador do movimento Comunhão e Libertação e grande amigo meu.

Pode parecer esquisito dizer de Don Giussani que era um grande amigo quando a verdade é que nunca tive a graça de estar com ele. Mas a proposta que ele fazia, a experiência do movimento que Giussani propunha a todos, que me propôs a mim, correspondeu-me de tal forma que não pude deixar de pensar dele como um amigo. Aliás, mais que um amigo, um pai.

E não digo isto de forma sentimentalista. Não era nem é uma proposta teórica. Apesar de não a ter apreendido directamente da fonte, através dos meus amigos do movimento pude verificar de forma sensivel aquela proposta que não sendo nova, é a mais original que se pode encontrar, porque a mais Verdadeira: Cristo!

Agradeço portanto esta companhia, o meu GPS, e sobretudo agradeço esta experiência a Don Giussani.

Grazie Don Giuss

Contratações de luxo!

Desde que o Pinto da Costa contratou o Mourinho que o Porto não fazia uma contratação tão boa

quarta-feira, fevereiro 21, 2007

Bento XVI - As mulheres na História da Igreja.

Queridos irmãos e irmãs:

Chegamos hoje ao final de nosso percurso entre as testemunhas do cristianismo nascente, mencionados nos escritos do Novo Testamento. E aproveitamos a última etapa deste primeiro percurso para centralizar nossa atenção nas muitas figuras femininas que desempenharam um efetivo e precioso papel na difusão do Evangelho.

Seu testemunho não pode ser esquecido, segundo o que o próprio Jesus disse sobre a mulher que lhe ungiu a cabeça pouco antes da Paixão: «Eu vos asseguro: onde quer que se proclame esta Boa Nova no mundo inteiro, se falará também do que esta fez para memória sua» (Mateus 26, 13; Marcos 14, 9). O Senhor quer que estes testemunhos do Evangelho, estas figuras que deram sua contribuição para que crescera a fé n’Ele, sejam conhecidas e sua memória permaneça viva na Igreja.

Historicamente podemos distinguir o papel das mulheres no cristianismo primitivo, durante a vida terrena de Jesus e durante as vicissitudes da primeira geração cristã. Certamente, como sabemos, Jesus escolheu entre seus discípulos doze homens como pais do novo Israel, «para que estivessem com ele, e para enviá-los a pregar» (Marcos 3, 14-15). Este facto é evidente, mas, além dos doze, colunas da Igreja, pais do novo Povo de Deus, foram também escolhidas muitas mulheres no número dos discípulos.

Só posso mencionar brevemente aquelas que se encontraram no caminho do próprio Jesus, começando pela profetiza Ana (cf. Lucas 2, 36, 38) até chegar à samaritana (cf. João 4, 1-39), a mulher siro-fenícia (cf. Marcos 7, 24-30), a hemorroísa (cf. Mateus 9, 20-22) e a pecadora perdoada (cf. Lucas 7, 36-50). Tampouco mencionarei as protagonistas de algumas de suas eficazes parábolas, por exemplo, a mulher que faz o pão (Mateus 13, 33), a mulher que perde a dracma (Lucas 15, 8-10), a viúva inoportuna ante o juiz (Lucas 18, 1-8).

Para nosso argumento, são mais significativas as mulheres que desempenharam um papel activo no âmbito da missão de Jesus. Em primeiro lugar, o pensamento se dirige naturalmente à Virgem Maria, que com sua fé e sua obra materna colaborou de maneira única em nossa Redenção, até o ponto de que Isabel pôde chamá-la de «bendita entre as mulheres» (Lucas 1, 42), acrescentando: «feliz aquela que creu» (Lucas 1, 45). Convertida em discípula do Filho, Maria manifestou em Caná a confiança total n’Ele (cf. João 2, 5) e o seguiu até os pés da Cruz, onde recebeu d’Ele uma missão maternal para todos seus discípulos de todos os tempos, representados por João (cf. João 19, 25-27).

Há também várias mulheres, que de diferentes maneiras gravitaram em torno da figura de Jesus com funções de responsabilidade. São exemplos eloquentes as mulheres que seguiam Jesus para servi-lo com seus bens. Lucas oferece-nos alguns nomes: Maria de Magdala, Joana, Susana, e «muitas outras» (cf. Lucas 8, 2-3).

Depois, os Evangelhos dizem-nos que as mulheres, ao contrário dos Doze, não abandonaram Jesus na hora da Paixão (cf. Mateus 27, 56. 61; Marcos 15, 40). Entre elas, destaca-se em particular a Madalena, que não só esteve presente na Paixão, mas se converteu também na primeira testemunha e anunciadora do Ressuscitado (cf. João 20.1 11-18). Precisamente a Maria de Magdala, que São Tomás dedica o singular qualificativo de «apóstola dos apóstolos» («apostolorum apostola»), dedicando-lhe um belo comentário: «Assim como uma mulher havia anunciado ao primeiro homem palavras de morte, assim também uma mulher foi a primeira a anunciar aos apóstolos palavras de vida».

Também no âmbito da Igreja primitiva, a presença feminina não é secundária, muito pelo contrário. É o caso das quatro filhas do «diácono» Felipe, cujo nome não é mencionado, residentes em Cesaréia, dotadas, todas elas, como diz São Lucas, do «dom da profecia», ou seja, da faculdade de falar publicamente sob a acção do Espírito Santo (cf. Atos 21, 9). A brevidade da notícia não permite tirar deduções mais precisas.

Devemos a São Paulo uma documentação mais ampla sobre a dignidade e o papel eclesial da mulher. Começa pelo princípio fundamental, segundo o qual, para os batizados, «já não há judeu nem grego; nem escravo nem livre; nem homem nem mulher», «já que todos vós sois um em Cristo Jesus» (Gálatas 3, 28), ou seja, unidos todos na mesma dignidade de fundo, ainda que cada um com funções específicas (cf. I Coríntios 12, 27-30). O apóstolo admite como algo normal que na comunidade cristã a mulher possa «profetizar» (1 Coríntios 11, 5), ou seja, pronunciar-se abertamente sob a influência do Espírito Santo, sob a condição de que seja para a edificação da comunidade e de uma maneira digna. Portanto, é preciso realizar a famosa exortação: «as mulheres estejam caladas nas assembléias» (1 Coríntios 14, 34). O problema, sumamente discutido, sobre a relação entre a primeira fase - as mulheres podem profetizar na assembléia - , e a outra - não podem falar -, ou seja, a relação entre estas duas indicações que aparentemente são contraditórias, nós deixaremos para os exegetas. Não é algo que seja necessário discutir aqui.

Na quarta-feira passada, já nos havíamos encontrado com Prisca ou Priscila, esposa de Áquila, que em dois casos é mencionada surpreendentemente antes do marido (cf. Atos 18, 18; Romanos 16, 3): ambos são qualificados explicitamente por Paulo como seus «sun-ergoús», «colaboradores» (Romanos 16, 3). Há outras observações que não deve se discutir. É necessário constatar, por exemplo, que a breve Carta a Filêmon é dirigida por Paulo também a uma mulher de nome «Ápia» (cf. Filêmon 2). Traduções latinas e sírias do texto grego acrescentam ao nome «Ápia» o qualificativo de «Sóror crissima» (ibidem), e deve-se dizer que na comunidade devia ocupar um papel de importância; em todo caso, é a única mulher mencionada por Paulo entre os destinatários de uma carta sua. Em outras passagens, o apóstolo menciona a uma certa «Febe», à que chama «diákonos» da Igreja Cêncris, a pequena cidade porto ao leste de Corinto (cf. Romanos 16, 1-2). Ainda que o título, naquele tempo, ainda não tinha um valor ministerial específico de caráter hierárquico, expressa um autêntico exercício de responsabilidade por parte desta mulher a favor dessa comunidade cristã. Paulo pede que seja recebida cordialmente e assistida «em qualquer coisa que precise de vós», e depois acrescenta: «pois ela foi protetora de muitos, inclusive de mim mesmo».

No mesmo contexto epistolar, o apóstolo, de forma delicada, recorda outros nomes de mulheres: uma certa Maria, e depois Trifena, Trifosa, e Pérside, «amada», assim como a Júlia, das quais escreve abertamente que «se fatigaram por vós» ou «se fatigaram no Senhor» (Romanos 16, 6. 12a. 12b. 15), sublinhando deste modo seu intenso compromisso eclesial. Na Igreja de Filipos se distinguiam, também, duas mulheres de nome Evódia e Síntique (Filipenses 4, 2): o chamado que Paulo faz à concórdia mútua dá a entender que as duas mulheres desempenhavam uma função importante dentro dessa comunidade.

Em síntese, a história do cristianismo teria tido um desenvolvimento muito diferente se não se tivesse dado a contribuição generosa de muitas mulheres. Por este motivo, como escreveu meu venerado e querido predecessor João Paulo II, na carta apostólica «Mulieris dignitatem», «a Igreja dá graças por todas as mulheres e por cada uma. A Igreja expressa seu agradecimento por todas as manifestações do ‘génio’ feminino aparecidas ao longo da história, no meio dos povos e das nações; dá graças por todos os carismas que o Espírito Santo outorga às mulheres na história do Povo de Deus, por todas as vitórias que deve à sua fé, esperança e caridade; manifesta sua gratidão por todos os frutos da santidade feminina» (n. 31).

Como se vê, o elogio se refere às mulheres no transcurso da história da Igreja e é expresso em nome de toda a comunidade eclesial. Nós também nos unimos a este apreço, dando graças ao Senhor porque Ele conduz a sua Igreja, de geração em geração, servindo-se indistintamente de homens e mulheres, que sabem tornar sua fé e seu batismo fecundos para o bem de todo o Corpo eclesial, para maior glória de Deus.


Semper Fidelis

terça-feira, fevereiro 20, 2007

Homeward Bound

Im sittin in the railway station
Got a ticket for my destination
On a tour of one night stands
My suitcase and guitar in hand
And every stop is neatly planned
For a poet and a one man band

Homeward bound
I wish I was
Homeward bound
Home, where my thoughts escaping
Home, where my musics playing
Home, where my love lies waiting
Silently for me

Everydays an endless stream
Of cigarettes and magazines
And each town looks the same to me
The movies and the factories
And every strangers face I see
Reminds me that I long to be

Homeward boundI wish I was
Homeward bound
Home, where my thoughts escaping
Home, where my musics playing
Home, where my love lies waiting
Silently for me

Tonight Ill sing my songs again
Ill play the game and pretend
But all my words come back to me
In shades of mediocrity
Like emptyness in harmony
I need someone to comfort me

Homeward boundI wish I was
Homeward bound
Home, where my thoughts escaping
Home, where my musics playing
Home, where my love lies waiting
Silently for me
Silently for me
Silently for me


Depois de ter passado um belissimo fim-de-semana fora, não há nada como voltar a casa...

Beatos Francisco e Jacinta


Hoje, dia 20 de Fevereiro a Igreja celebra a festa litúrgica dos Beatos Francisco e Jacinta Marto.


Cantemos alegres a uma só voz

Francisco e Jacinta Rogai por nós

João César da Neves - A enorme derrota da Igreja

Agora que assentou a poeira à volta do referendo é possível ver com clareza: foi uma enorme derrota para a Igreja. É algo exagerado identificar o "não" com a Igreja católica, mas não muito. Ela foi a única grande entidade que se empenhou a fundo na luta desse lado e perdeu largamente.

Pode falar-se na parcialidade da imprensa e no poder do Governo, na manipulação da pergunta e nos enganos dos opositores, na subida dos votos do "não" e na elevação do debate. Pode dizer-se que foi uma derrota galharda e honrosa, mas indiscutivelmente uma enorme derrota da Igreja, da sua moral, cultura e forma de ver o mundo.

A Igreja está habituada a perder. Aliás a vitória de há oito anos é que foi uma extraordinária excepção numa longa sequência de importantes baixas. São tantas as derrotas históricas que surpreende até como a Igreja consegue sobreviver e manter tanta influência. Mas não é apenas desse modo que a derrota é normal. Trata-se de um elemento básico e inato. O cristianismo é a religião da cruz e dos mártires. O seu Deus foi flagelado, coroado de espinhos, pendurado num madeiro até morrer. A fé cristã é o reino dos pobres e dos humildes.

No dia do referendo em todas as missas do mundo foi lido: "Bem-aventurados vós, os que agora chorais, porque haveis de rir. Bem- -aventurados sereis, quando os homens vos odiarem, quando vos expulsarem, vos insultarem e rejeitarem o vosso nome como infame, por causa do Filho do Homem. Alegrai-vos e exultai nesse dia, pois a vossa recompensa será grande no Céu. (...) Ai de vós, os que agora rides, porque gemereis e chorareis! Ai de vós, quando todos disserem bem de vós! Era precisamente assim que os pais deles tratavam os falsos profetas" (Lc 6, 21-26). Os cristãos não vivem da derrota. Mas também não vivem para a vitória. Vivem da ressurreição, que só acontece depois da morte. Três dias depois.

O pior é que, quando a Igreja perde, quase ninguém ganha. A Igreja está preparada para perder, mas Portugal perde mais quando ela perde. Muitos dos que votaram "sim" no referendo viverão o suficiente para virem a lamentar a sua escolha. Quando os números do aborto dispararem, quando se sofrerem as consequências psicológicas, familiares, médicas, sociológicas, económicas do aborto livre, nessa altura perceberão a futilidade dos argumentos que os convenceram no dia 11. O facilitismo e superficialidade com que pretenderam "arrumar a questão" virá a cair sobre os próprios. Certamente haverá menos crianças abandonadas, menos deficientes, menos criminosos. Só mais cadáveres pequeninos.

O aborto a pedido e pago pelo Sistema Nacional de Saúde assolará sobretudo as classes mais pobres, onde a tentação será mais forte. Paradoxalmente, como noutros países, isso minará a base eleitoral dos partidos de Esquerda. Haverá menos crianças a correr nos bairros de lata; menos crianças a correr nos infantários. Haverá menos crianças em todo o lado. Haverá menos portugueses. O que aumentará é o número de gravidezes indesejadas. Iremos ver bem quão elástico é o conceito de "indesejado".

Outra característica das derrotas da Igreja é que depois ela continua sempre a lutar. Estas previsões catastróficas são ainda evitáveis. Certos da ressurreição e com os olhos fixos no Céu, os cristãos esperam contra toda a esperança. É só por isso que "sangue de mártires é semente de cristãos". Qualquer que seja a idade dos mártires.

Assim, a luta pela vida continuará, hoje como ontem. Se os defensores do aborto persistiram após 1998, ninguém negará agora o mesmo direito ao outro lado. A luta continuará até na frente jurídica. O embuste da pergunta e da campanha fez com que a única coisa realmente referendada fosse a despenalização. Alguns acham-se com legitimidade para aprovar uma lei de banalização do aborto, mas isso é claramente lateral ao referendo. Há ainda muitas instâncias capazes de defender o princípio constitucional de que "a vida humana é inviolável" (art. 24.º n.º 1).

Se essas leis vierem a passar, o drama do aborto cairá sobre o sector de saúde, acrescentando mais problemas aos que já tem. A luta pela vida passará então pelo apoio à dignidade ética da função médica.

Sobretudo a vida só se defende na vida. Na vida concreta de cada mãe abandonada, de cada criança indesejada. As dezenas de instituições específicas e os milhões de cristãos anónimos continuarão a trabalhar. Mesmo derrotada, a Igreja mostra sempre o caminho para a verdade e a vida.

Livro e filme do mês

A partir de hoje contamos com o aviso do livro e do filme do mês na coluna ao lado.

Papa fala sobre a vida!

Discurso do Papa Bento XVI aos participantes do Congresso sobre Direito Natural da Pontifícia Universidade Latranense

Segunda-Feira, 12 de Fevereiro de 2007

Venerados Irmãos
no Episcopado e no Sacerdócio
Estimados Professores
Ilustres Senhoras e Senhores

É com particular prazer que vos recebo no início dos trabalhos congressuais, que nos próximos dias vos verão comprometidos no debate sobre um tema de importância relevante para o actual momento histórico, o da lei moral natural. Agradeço a D. Rino Fisichella, Magnífico Reitor da Pontifícia Universidade Lateranense, os sentimentos expressos no discurso com que desejou introduzir este encontro.

Não há dúvida de que nós estamos a viver um momento de desenvolvimento extraordinário na capacidade humana de decifrar as regras e as estruturas da matéria e no consequente domínio do homem sobre a natureza. Todos nós vemos as grandes vantagens deste progresso, e vemos cada vez mais também as ameaças de uma destruição da natureza pela força da nossa acção. Existe outro perigo menos visível, mas não menos preocupante: o método que nos permite conhecer cada vez mais profundamente as estruturas racionais da matéria torna-nos cada vez menos capazes de ver a fonte desta racionalidade, a Razão criadora. A capacidade de ver as leis do ser material torna-nos incapazes de ver a mensagem ética contida no ser, mensagem que a tradição denomina lex naturalis, lei moral natural. Trata-se de uma palavra que hoje para muitos é incompreensível, por causa de um conceito de natureza já não metafísico, mas somente empírico. O facto de que a natureza, o próprio ser, já não é transparente para uma mensagem moral, gera um sentido de desorientação que torna precárias e incertas as opções na vida de todos os dias. Naturalmente, a confusão atinge de modo particular as gerações mais jovens, que neste contexto devem encontrar as opções fundamentais para a sua vida.

É precisamente à luz destas verificações que se manifesta em toda a sua urgência a necessidade de reflectir sobre o tema da lei natural e de reencontrar a sua verdade, comum a todos os homens. Tal lei, à qual se refere também o Apóstolo Paulo (cf. Rm 2, 14-15), está inscrita no coração do homem e, por conseguinte, também hoje não é simplesmente inacessível. Esta lei tem como seu princípio primordial e generalíssimo o de "fazer o bem e evitar o mal". Trata-se de uma verdade cuja evidência se impõe imediatamente a cada um. Dela brotam os outros princípios mais particulares, que regulam o juízo ético sobre os direitos e os deveres de cada um. Trata-se do princípio do respeito pela vida humana, desde a sua concepção até ao seu termo natural, pois este bem da vida não é uma propriedade do homem, mas um dom gratuito de Deus. Trata-se também do dever de buscar a verdade, pressuposto necessário de toda o verdadeiro amadurecimento da pessoa.

Outra exigência fundamental do sujeito é a liberdade. Todavia, tendo em consideração o facto de que a liberdade humana é sempre uma liberdade compartilhada com os outros, é claro que a harmonia das liberdades só pode ser encontrada naquilo que é comum a todos: a verdade do ser humano, a mensagem fundamental do próprio ser, precisamente a lex naturalis. E como deixar de mencionar, por um lado, a exigência da justiça, que se manifesta em dar unicuique suum e, por outro, a expectativa da solidariedade, que alimenta em cada um, especialmente se estiver em dificuldade, a esperança de uma ajuda por parte daquele que teve uma sorte melhor? Nestes valores expressam-se normas inderrogáveis e inadiáveis, que não dependem da vontade do legislador e nem sequer do consenso que os Estados lhes podem conferir. Com efeito, trata-se de normas que precedem qualquer lei humana: como tais, não admitem intervenções em derrogação por parte de ninguém.

A lei natural é a nascente de onde brotam, juntamente com os direitos fundamentais, também imperativos éticos que é necessário respeitar. Na actual ética e filosofia do Direito são amplamente difundidos os postulados do positivismo jurídico. A consequência é que a legislação se torna com frequência somente um compromisso entre diversos interesses: procura-se transformar em direitos, interesses particulares ou desejos que contrastam com os deveres derivantes da responsabilidade social. Nesta situação, é oportuno recordar que cada ordenamento jurídico, tanto a nível interno como internacional, haure em última análise a sua legitimidade da radicação na lei natural, na mensagem ética inscrita no próprio ser humano. Em definitivo, a lei natural é o único baluarte válido contra o arbítrio do poder ou os enganos da manipulação ideológica. O conhecimento desta lei inscrita no coração do homem aumenta com o progredir da consciência moral. Portanto, a primeira preocupação para todos, e particularmente para quem tem responsabilidades públicas, deveria consistir em promover o amadurecimento da consciência moral. Este é o progresso fundamental, sem o qual todos os outros progressos terminam por ser não autênticos. A lei inscrita na nossa natureza é a verdadeira garantia oferecida a cada um, para poder viver livres e ser respeitado na própria dignidade.

O que dissemos até agora tem implicações muito concretas, se se faz referência à família, ou seja, àquela "íntima comunidade conjugal de vida e de amor... fundada e dotada de leis próprias pelo Criador" (Constituição pastoral Gaudium et spes, 48). A este propósito, o Concílio Vaticano II reiterou oportunamente que a instituição do matrimónio recebe a sua "estabilidade do ordenamento divino" e, por isso, "este vínculo sagrado, por causa do bem tanto dos esposos e da prole, como da sociedade, está fora do arbítrio humano" (Ibidem). Portanto, nenhuma lei feita pelos homens pode subverter a norma escrita pelo Criador, sem que a sociedade seja dramaticamente ferida naquilo que constitui o seu próprio fundamento basilar. Esquecê-lo significaria debilitar a família, penalizar os filhos e também tornar precário o futuro da sociedade.

Enfim, sinto o dever de afirmar mais uma vez que nem tudo o que é cientificamente realizável é também lícito sob o ponto de vista ético. Quando reduz o ser humano a um objecto de ensaio, a técnica termina por abandonar o sujeito frágil ao arbítrio do mais forte. Confiar cegamente na técnica como a única garantia de progresso, sem oferecer ao mesmo tempo um código ético que mergulhe as suas raízes na mesma realidade que é estudada e desenvolvida, equivaleria a causar violência à natureza humana, com consequências devastadoras para todos.

A contribuição dos homens de ciência é de importância primária. Juntamente com o progresso das nossas capacidades de domínio sobre a natureza, os cientistas devem contribuir também para nos ajudar a compreender profundamente a nossa responsabilidade pelo homem e pela natureza que lhe é confiada. Tendo isto como base, é possível desenvolver um diálogo fecundo entre crentes e não-crentes; entre filósofos, juristas e homens de ciência, que podem oferecer também ao legislador um material precioso para a vida pessoal e social. Por isso, faço votos a fim de que estes dias de estudo possam impelir não apenas a uma maior sensibilidade dos estudiosos em relação à lei natural, mas levem também a criar as condições para que, no que diz respeito a esta temática, se chegue a ter uma consciência cada vez mais plena do valor inalienável que a lex naturalis possui, para um progresso real e coerente da vida pessoal e da ordem social.

Com estes bons votos, asseguro a minha lembrança na oração por vós e pelo vosso compromisso académico de investigação e de reflexão, enquanto concedo a todos vós a minha afectuosa Bênção Apostólica.

Semper Fidelis

segunda-feira, fevereiro 19, 2007

Ainda o Aborto

"Certamente haverá menos crianças abandonadas, menos deficientes, menos criminosos. Só mais cadáveres pequeninos." - César das Neves, DN 19/02/07

sexta-feira, fevereiro 16, 2007

Nuno Álvares Pereira

Que auréola te cerca?
É a espada que, volteando,
Faz que o ar alto perca
Seu azul negro e brando.

Mas que espada é que, erguida,
Faz esse halo no céu?
É Excalibur, a ungida,
Que o Rei Artur te deu.

Sperança consumada,
S. Portugal em ser,
Ergue a luz da tua espada
Para a estrada se ver!

Fernado Pessoa, Mensagem

Nota da Conferência Episcopal Portuguesa sobre o referendo.

O NOVO CONTEXTO DA LUTA PELA VIDA
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Nota Pastoral
Reunida em Assembleia extraordinária, após o habitual retiro, a Conferência Episcopal Portuguesa, na sequência do referendo de 11 de Fevereiro, decidiu propor algumas reflexões pastorais aos cristãos e à sociedade em geral.
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1. Apesar de a maioria dos eleitores não se ter pronunciado, o resultado favorável ao “Sim” é sinal de uma acentuada mutação cultural no povo português, que temos de enfrentar com realismo, pois indicia o contexto em que a Igreja é chamada a exercer a sua missão. Manifestou-se uma cultura que não está impregnada de valores éticos fundamentais, que deveriam inspirar o sentido das leis, como é o do carácter inviolável da vida humana, aliás consagrado na nossa Constituição. Esta mutação cultural tem várias causas, nomeadamente: a mediatização globalizada das maneiras de pensar e das correntes de opinião; as lacunas na formação da inteligência, que o sistema educativo não prepara para se interrogar sobre o sentido da vida e as questões primordiais do ser humano; o individualismo no uso da liberdade e na busca da verdade, que influencia o conceito e o exercício da consciência pessoal; a relativização dos valores e princípios que afectam a vida das pessoas e da sociedade.
Reconhecemos, também, que esta realidade social, em muitas das suas manifestações, tem posto a descoberto, em vários aspectos, alguma fragilidade do processo evangelizador, mormente em relação aos jovens. A nossa missão pastoral, por todos os meios ao nosso alcance, tem de visar este fenómeno da mutação cultural, pois só assim ajudaremos a que os grandes valores éticos continuem presentes na compreensão e no exercício da liberdade.
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2. Congratulamo-nos com a vasta e qualificada mobilização, verificada nas últimas semanas, em volta da defesa do carácter inviolável da vida humana e da dignidade da maternidade. É um sinal positivo de esperança. É importante que permaneça activa, que encontre a estrutura organizativa necessária, para continuar a participar neste debate de civilização.
O debate do referendo esteve centrado na justeza de um projecto de lei que, ao procurar despenalizar, acaba por legalizar o aborto. A partir de agora o nosso combate pela vida humana tem de visar, com mais intensidade e novos meios, os objectivos de sempre: ajudar as pessoas, esclarecer as consciências, criar condições para evitar o recurso ao aborto, legal ou clandestino. Esta luta deveria empenhar, progressivamente, toda a sociedade portuguesa: Estado, Igrejas, movimentos e grupos e restante sociedade civil. E os caminhos para se chegar a resultados positivos são, a nosso ver: a alteração de mentalidades, a formação da consciência, a ajuda concreta às mães em dificuldade.
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3. A mudança de mentalidade interpela a nossa missão evangelizadora, de modo particular a evangelização dos jovens, das famílias e dos novos dinamismos sociais. Toda a missão da Igreja tem de ser, cada vez mais, pensada para um novo contexto da sociedade. São necessárias criatividade e ousadia, na fidelidade à missão da Igreja e às verdades evangélicas que a norteiam.
Faz parte dessa missão evangelizadora o esclarecimento das consciências. A Igreja respeita a consciência, o mais digno santuário da liberdade. Não a ameaça, nem atemoriza, mas quer ajudar a esclarecê-la com a verdade, pois só assim poderá exprimir a sua dignidade.
Esta verdade iluminadora das consciências provém de um sadio exercício da razão, no quadro da cultura; é-nos revelada por Deus, que vem ao encontro do ser humano; é património de uma comunidade, cuja tradição viva é fonte de verdade, enquadrando a dimensão individual da liberdade e da busca da verdade. Para os católicos, a verdade revelada, transmitida pela Igreja no quadro de uma tradição viva, é elemento fundamental no esclarecimento das consciências.
Aos católicos que, no aceso deste debate, se afastaram da verdade revelada e da doutrina da Igreja, convidamo-los a examinarem, no silêncio e tranquilidade do seu íntimo, as exigências de fidelidade à Igreja a que pertencem e às verdades fundamentais da sua doutrina.
Aos fiéis católicos lembramos, neste momento, que o facto de o aborto passar a ser legal, não o torna moralmente legítimo. Todo o aborto continua a ser um pecado grave, por não cumprimento do mandamento do Senhor, “não matarás”.
Apelamos aos médicos e profissionais de saúde para não hesitarem em recorrer ao estatuto de “objectores de consciência” que a Lei lhes garante.
Às mulheres grávidas que se sintam tentadas a recorrer ao aborto, aos pais dos seus filhos, pedimos que não se precipitem. A decisão de abortar é, na maior parte dos casos, tomada em grande solidão e sofrimento. Um filho que, no início, aparece como um problema, revela-se, tantas vezes, como a solução das suas vidas. Tantas mulheres que abortaram sentem, mais tarde, que se pudessem voltar atrás teriam evitado o acto errado. Abram-se com alguém, reflictam, em diálogo, na gravidade da sua decisão.
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4. Mas há uma resposta urgente a dar ao drama do aborto: criar ou reforçar estruturas de apoio eficaz e amigo às mulheres a braços com uma maternidade não desejada e que consideram impossível levar até ao seu termo. Estudos recentes mostram que a maior parte das mulheres nessas circunstâncias, se fossem ajudadas não recorreriam ao aborto. É um dever de todos nós, de toda a sociedade, criar essas estruturas de apoio.
Uma das novidades da campanha do referendo foi o facto de muitos defensores do “Sim” – a começar pelo Governo da Nação, que se quis comprometer numa questão que não é de natureza estritamente política – afirmarem ser contra o aborto, quererem acabar com o aborto clandestino e diminuir o número de abortos. Registamos esse objectivo, mas pensamos que o único caminho eficaz e verdadeiramente humano é avançarmos significativamente na formação da juventude e no apoio à maternidade e à família. Não poderemos esquecer que, no quadro social actual, a maternidade se tornou mais difícil. No actual contexto das nossas sociedades ocidentais só se chegará a uma política equilibrada de natalidade com um apoio eficaz à maternidade, com particular atenção à maternidade em circunstâncias difíceis e, por vezes, dramáticas.
No que à Igreja diz respeito, continuaremos a incluir esta acção de acolhimento e ajuda às mães entre as nossas prioridades. Mas para que esta acção seja eficaz, precisa-se da convergência de todos, Estado e sociedade civil. Demo-nos as mãos para acabar com o aborto e tornar a lei, que agora se vai fazer, numa lei inútil.
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5. A busca de uma solução, a médio e a longo prazo, tem de passar, também, por uma política de educação que forme para a liberdade, na responsabilidade, concretizada numa correcta educação da sexualidade. Esta constitui um dos dinamismos mais ricos e complexos do ser humano, onde se exprimem a dimensão relacional e a vocação para o amor e para a comunhão. Uma vivência desregrada da sexualidade é uma das principais causas das disfunções sociais e da infelicidade das pessoas. A sã educação da sexualidade há-de abrir para a gestão responsável da própria fecundidade, através de um planeamento familiar sadio, que respeite e integre as opções morais de cada um. Quando a geração de um filho não for fruto de irreflexão, mas de um acto responsável, estará resolvido, em grande parte, o problema do aborto.
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6. A luta pela vida, pela dignificação de toda a vida humana, é uma das mais nobres tarefas civilizacionais. Não será o novo contexto legal que nos enfraquecerá no prosseguimento desta luta. A Igreja continuará fiel à sua missão de anúncio do Evangelho da vida em plenitude e de denúncia dos atentados contra a vida.
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Fátima, 16 de Fevereiro de 2007
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Semper Fidelis

Aí dos vencidos!

O filme "Braveheart" começa com Robert Bruce a dizer qualquer coisa como "os ingleses dirão que eu minto, mas a história é feita por aqueles que enforcam os heróis".
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Quem estudou história no secundário poderá confirmar que os "bons" são sempre aqueles que ganham. Os "bons" que nós aprendemos na escola são: o Marquês de Pombal, os liberais, a primeira républica, os capitães de Abril. Já os maus são os jesuítas, os miguelistas, el-Rei Dom Carlos, Salazar, Marcello Caetano... Enfim, aqueles que foram derrotados.
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Longe de mim querer dizer que todos os miguelistas eram bons ou que Salazar era um herói. Contudo não posso deixar de dizer que:
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. o Marquês de Pombal destruiu a rede de colégios maioritariamente gratuitos dos jesuítas, substituindo-os pela escola dos nobres e por escolas profissionais, negando o ensino aos mais desfavorecidos;
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. os liberais perseguiram a Igreja, roubaram os seus bens e instalaram um regime onde governavam os "amigos" do regime. Podemos perceber isso ser lermos Almeida Garret, ele próprio liberal;
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. a primeira républica foi o caos e uma ditadura. Durante e primeira républica a Igreja foi perseguida: os padres deixaram de poder usar batina, as Igrejas passaram a ser controladas pelo Estado e as manifestações públicas de fé eram proibidas;
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. após o 25 de Abril tivemos as nacionalizações, os saneamentos, prisões políticas e as nossas colónias foram própriamente vendidas.
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Ao contrário dos que o programa de história do Ministério da Educação possa transparecer, os heróis portugueses desde o Marquês de Pombal até hoje, foram quase sempre os derrotados...

Afinal...

Durante meses dizeram que o que estava em causa neste referendo era apenas uma pequenissima alteração ao Código Penal, que era apenas uma desepenalização. Afinal a questão é outra. Fernanda Câncio dixit: "E mais: ia jurar que estamos todos - e todas, sobretudo -muito fartos que nos digam o que é bem e o que é mal. Foi sobre isso o referendo, sabiam?"
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Já percebemos que afinal o referendo era um afirmação política. Afinal era mesmo um cultura egoísta e de morte, contra uma cultura de vida.
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Ganhou a morte, perdemos nós.

quarta-feira, fevereiro 14, 2007

Rádio Vaticana

Acrescentei hoje o link da Radio Váticana. Mais um site para se saber notícias sobre a Igreja.

Obrigado

Agradeço hoje, mais uma vez, a todos aqueles que estiveram empenhados na campanha, em defesa da Vida, no último referendo.

Todos foram prova de que o Sr. D. António dos Reis Rodrigues não se engana ao afirmar "Acredito sinceramente que uma nova geração de Portugueses está aí, rompendo para o futuro, trazendo consigo a segura esperança de um país redescoberto."

Como diz Ortega y Gasset, "Os homens não convivem por estarem juntos, mas para fazerem juntos alguma coisa."

A todos vocês, Obrigado!

«Hão-de olhar para Aquele que trespassaram» (Jo 19, 37)

Queridos irmãos e irmãs!
«Hão-de olhar para Aquele que trespassaram» (Jo 19, 37). Este é o tema bíblico que guia este ano a nossa reflexão quaresmal. A Quaresma é tempo propício para aprender a deter-se com Maria e João, o discípulo predilecto, ao lado d’Aquele que, na Cruz, cumpre pela humanidade inteira o sacrifício da sua vida (cf. Jo 19, 25). Portanto, dirijamos o nosso olhar com participação mais viva, neste tempo de penitência e de oração, para Cristo crucificado que, morrendo no Calvário, nos revelou plenamente o amor de Deus. Detive-me sobre o tema do amor na Encíclica Deus caritas est, pondo em realce as suas duas formas fundamentais: o agape e o eros.
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Mensagem do Papa Bento XVI para a Quaresma 2007 disponível aqui

"Quem não recorda os erros do passado está condenado a repeti-los"

Os concursos valem o que valem, ou seja, muito pouco. Parece-me bastante ridiculo retirar conclusões sociológicas de uma votação feita pela internet. Contudo, o facto de Salazar figurar quer nos dez maiores, quer no dez piores, portugueses de todos os tempos, não deixa de ser sintomático de um certo modo de olhar para a história. Para nós, na história, há os bons e os maus.
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Não conheço o suficiente da história do Estado Novo, para me atrever a fazer um juízo taxativo sobre Salazar. Mas do pouco que sei, posso dizer que ele teve, como todas as pessoas, coisas boas e coisas más.
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Não nos podemos limitar a dizer que Salazar, acabou com a perseguição à Igreja, estabilizou a ecónomia, evitou que entrassemos na Segunda Grande Guerra, evitou que o Comunismo que alastrou em Espanha e a conduziu a uma guerra civil se propagasse a Portugal. Também não podemos só falar da PIDE, das prisões políticas, da censura, etc...
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Salazar teve coisas boas e coisas más. De mim não merece o epiteto nem de pior, nem de maior português de todos os tempos. Mas acima de tudo, parece-me ridiculo ver pessoas sérias, académicos inclusive, praticar revisionismo histórico para fazer vale o seu ponto de vista. A história não se molda as vontades.
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"Quem não recorda os erros do passado está condenado a repeti-los"

Em consciência!

Os senhores que defenderam a possibilidade da mulher decidir em "consciência" (e deixai-me que vos diga que uma mulher que aborta em "consciência", ou seja, que conscientemente decida terminar com uma vida, deve ser presa) querem agora dificultar a possibilidade de um médico decida, em consciência, não cometer um acto através do qual quebram o juramento que fizeram quando se tornaram médicos.
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A consciência não é um bem absoluto, se eu em consciência decidir matar alguém (mesmo que só tenho 8 semanas) devo ser proibido. Contudo o aborto é sempre um acto moralmente reprovável. Por isso um médico, que jurou nunca atentar contra a vida humana, não pode ser coagido a fazer um aborto.
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Colocar obstáculos à objecção de consciência dos médico é mais um passo para a estatlização de Portugal.
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Esperemos que depois de aprovado a morte dos santos inocentes, não passemos ao martírio dos médicos...

terça-feira, fevereiro 13, 2007

"É preciso que o heróico se torne quotidiano, para que o quotidiano se torne heróico"

Edimar era um miúdo de uma favela brasileira. Pertencia a um gang e converteu-se no encontro com uma professoar de Comunhão e Libertação. Foi morto por se recusar a matar. Podem conhecer a história aqui.