sábado, março 31, 2007

"Incansável abertura, fidelissima unidade"

Peço desculpa pelo atraso a escrever sobre Roma, mas só agora é que consegui arranjar maneira de vir a internet.

A ida a Roma foi um momento extraórdinário. Ir ao encontro com o Papa foi testemunhar a unidade e a fidelidade de um povo. Mas não foi só um testemunho de unidade com Carrón ou de fidelidade ao carisma de don Giussani, foi própriamente uma prova da nossa unidade com a Igreja e da nossa fidelidade ao nosso amátissimo Pai, o Papa Bento XVI.

Esta unidade ficou clara na unidade do canto. Quando o Papa entrou na praça cem mil pessoas cantaram unidas “Um amigo grande, grande”. Embora o cântico seja dirigido a Nosso Senhor, naquele momento cantavamo-lo também ao Santo Padre, agradecendo a amizade com que sempre nos tem tratado. Mas depois da primeira música cantamos mais. Todo o tempo que o Papa demorou a dar a volta a praça foi marcado pelo canto. E nunca para mim vez tanto sentido cantar “Que sejamos um só coisa” como naquela praça, rodeado pelos meus amigos do movimento, diante do Papa.

Nas palavras que o Papa nos dirigiu percebemos um carinho e uma amizade por nós. No relançar do desafio que o grande Papa João Paulo II nos tinha lançado em 1984 e que o Papa Bento XVI repetiu, de “ ide por todo o mundo a levar a verdade, a beleza e a paz que se encontram em Cristo Redentor” o Santo Padre confirmou uma vez mais o nosso carisma como caminho de Salvação.

É verdade que nem tudo correu bem na peregrinação. Houve coisas mal organizadas, discussões, irritações, mas como dizia don Carrón, citando don Giussani: “À medida que vamos amudurecendo vamos nos tornando espetáculo para nós próprios e, Deus o queira, também para os outros. Espectáculo, isto é, de limite e de traição e, portanto, de humilhação. Mas ao mesmo tempo de segurança inexaurivel na força da graça que nos é dada e renovada cada manhã”.

A mim só me resta agradecer a Deus a graça de pertencer a este povo.

Semper fidelis,

Grazie don Giuss

quinta-feira, março 29, 2007

O Discurso de Sua Santidade, o Papa Bento XVI.

As palavras do Papa, por ocasião da Audiência com o Movimento Comunhão e Libertação, a 24 de Março de 2007 na praça de São Pedro.

Semper Fidelis

terça-feira, março 27, 2007

Saudação do Padre Julián Carrón ao Papa Bento XVI.

Audiência com Sua Santidade Bento XVI por ocasião do XXV aniversário do reconhecimento pontifício da Fraternidade de Comunhão e Libertação. Sábado 24 de Março de 2007. Roma, Praça de São Pedro. Saudação ao Santo Padre, Bento XVI, do Padre Julián Carrón, presidente da Fraternidade de Comunhão e Libertação.

segunda-feira, março 19, 2007

O que nos move?

O que têm acontecido no CDS é vergonhoso, mas não me espanta. Quem está na política por um cálculo de poder, buscando nada mais do que suposta glória do partido (que no fundo é a sua própria glória), acaba por perder-se a si próprio quanto os seus cálculos ruiem.
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O que nos pode impedir a nós de nos perdermos a nós próprio nas guerras políticas (sim, porque o referendo do aborto foi só o principio)? A certeza de toda a nossa Glória está na Cruz de Cristo. Por isso partimos sempre vencedores, mesmo quando perdemos a luta, porque "o nosso coração não se perdeu e os nossos passos não deixaram o Teu caminho".

domingo, março 18, 2007

Filho Pródigo



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Não faz muito o meu género comentar Evangelhos. Contudo não posso deixar passar em branco o Evangelho do Filho Pródigo.


Não o posso fazer porque durante muito tempo achei que sabia a melhor maneira de fazer as coisas. Mas quando dei por mim a guardar porcos, acordei e decidi voltar a casa.
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O Pai não me deixou acabar a frase. Cobriu-me com o Seu manto, pôs o Seu anel no meu dedo, matou o cordeiro gordo e fez uma festa.

De cada vez que oiço a parábola do filho Pródigo não consigo esquecer que foi pela misericórdia de Deus e não pelas minha forças que fui salvo. A única coisa que fiz foi ajoelhar-me aos Seus pé e aceitar a Sua misericórdia.

sexta-feira, março 16, 2007

Sacrametum Caritas - Integral

Ja está disponivel no site da Santa Sé a Exortação Apostólica Sacrametum Caritas, na qual o Santo Padre aprofunda o valos da Eucarístia.
Embora os media tenham preferido bater na tecla do celibato e dos divorciados que se voltaram a casar, esta não é de todo o tema desta Exortação.
Recomenda-se vivamente a leitura.
Semper Fidelis!

"A man for all seasons"

Amanhã as 21h30 o Centro Cultural Universitário Charles Péguy promove o seu primeiro encontro de cinema. Veremos o filme "Um homem para a eternidade" na Igreja da Encarnação com uma breve apresentação do meu colega de blog Bernardo Castro.

Este filme conta a história de São Tomás Moro que é um belissimo testemunho do que é santidade como vocação universal dos baptizados.

Estão todos convidados.

terça-feira, março 13, 2007

Missa de despedida de Dom Manuel Clemente

"A santidade nãe é ser lapidado pelos turcos nem beijar um leproso na boca.
Mas seguir o madamento de Deus, quer seja ficar onde estamos ou subir mais alto"

Anunciação a Maria, Paul Claudel

Amanhã as 19h30 será celebrada a missa de despedida de Dom Manuel Clemente.

Agradecemos a sua paternidade e o seu testemunho de santidade.

Grazie Dom Manuel!

segunda-feira, março 12, 2007

João Paulo II

A fase diocesana da beatificação de João Paulo II ficará concluída a 02 de Abril, no mesmo dia em que se celebra o segundo aniversário da sua morte, afirmou o vigário do Papa para a diocese de Roma, cardeal Camillo Ruini. Esta fase consiste na recolha de documentos relativos à vida e obra do Papa João Paulo II cujo pontificado durou mais de 25 anos. O dossier será posteriormente transmitido à Congregação para a Causa dos Santos, cujo responsável é o cardeal português D. José Saraiva Martins, sendo depois submetido à ratificação do Papa Bento XVI. O processo de beatificação foi iniciado oficialmente a 28 de junho de 2005. Zenit

domingo, março 11, 2007

"A família é um bem jurídico a proteger"

A família hoje: é o mesmo que a família há 100 anos?
Martínez: Desde o ponto de vista da ordem e da lei natural, sim. Como expressara João Paulo II na Carta das Famílias no Ano da Família, em 1994, «mediante a comunhão de pessoas, que se realiza no matrimônio, o homem e a mulher dão origem à família». A liberdade humana, que é limitada e contingente, foi responsável por apagar esse traço divino, e reconfigurar, mediante as ideologias imanentistas, uma nova reengenharia social, onde pessoa e família se constroem segundo novos modelos teóricos e paradigmas culturais. Entre a diversidade de países e continentes, é talvez na Europa onde se forjou esta desintegração da lei natural de modo mais recente. Ainda que a América do Norte tenha sido pioneira na revolução sexual na hora de fustigar o matrimônio e a família, contudo já na Europa existiam precedentes. Agora mesmo, é a legislação européia que desprotege a família de maneira mais preocupante, particularmente com legislações positivas como o chamado «casamento homossexual» que desvaloriza o matrimônio como bem jurídico a proteger, portanto, relativiza a substância da família como célula natural da ordem social, introduzindo categorias equívocas, como a «diversidade de famílias», a «teoria do gênero» ou a «orientação do desejo» como novos direitos humanos.
Quais são as diferenças entre uma política de família e políticas sociais de orientação familiar?
Martínez: A política de família responde à realidade da instituição natural e jurídica do matrimônio e ao âmbito próprio em que se gera e educa um ser humano. Se levarmos em conta que a política tem como fim próprio da ordem social o bem comum, este não deve contrapor-se ao bem pessoal das pessoas. A pessoa humana recebe uma gestação não somente em um útero biológico, mas transcende, em seus inícios do desenvolvimento evolutivo, a mera realidade orgânica para aperfeiçoar-se em um útero social, como o habitat primeiro da família e o lar. Sendo o homem um corpo animado pela alma espiritual, que o identifica como membro de uma espécie, sua própria natureza racional o leva à inter-relação com o outro, nas figuras primeiras de um pai e uma mãe, dos quais não só depende existencialmente, mas dos que recebe a configuração psicobiológica e espiritual próprias de sua natureza. Esta realidade natural funda a sociedade, e exige da política de um estado sua proteção jurídica e promoção social, já que responde à dimensão específica do homem enquanto membro de uma comunidade. As políticas sociais de orientação familiar deveriam apontar nesta «perspectiva de família» o exercício prudente dos governantes. Ocorre muitas vezes, no entanto, que, desarraigadas de uma reta antropologia, tornam-se mera ideologia e artifícios de poder sujeito a um positivismo construtivista, onde alienam seus serviços à realidade do homem como tal.
A família é só uma instituição dedicada à procriação?
Martínez: A família é o âmbito que acolhe a vida humana em sua gestação e desenvolvimento perfeito, para que o homem alcance sua plenitude como criatura com uma dimensão transcendente, por ser de natureza não só corporal, mas também espiritual, em íntima unidade. Não só se gera vida, mas se humaniza tal existência na inter-relação dos membros que formam uma família. É preciso recordar que a marca da família como instituição natural surge de seu próprio fundamento prévio no matrimônio indissolúvel, o qual reflete a comunhão dos cônjuges e a abertura à vida, que não é unicamente procriação, mas também educação dos filhos e humanização da sociedade. Por isso, a família é um bem jurídico a proteger, já que é o âmbito próprio no qual se desenvolve a humanidade.Entrevista à directora do congresso europeu da família em Roma.

terça-feira, março 06, 2007

Sacramentum Caritatis

Intitula-se “Sacramentum Caritatis" a primeira exortação apostólica de Bento XVI. O documento foi redigido a partir do debate que se desenvolveu aqui no Vaticano em Outubro de 2005 durante o Sínodo dos Bispos sobre a Eucaristia. Na próxima terça feira dia 13 de Março o documento será apresentado aos profissionais da informação durante uma conferencia de imprensa presidida na Sala de Imprensa da Santa Sé pelo Cardeal Ângelo Scola, que foi o relator geral daquele Sínodo. Rádio Vaticana

Semper Fidelis

segunda-feira, março 05, 2007

Túmulo de Jesus, "entre arqueologia inventada, publicidade e vendas."

JERUSALÉM, terça-feira, 27 de fevereiro de 2007. Zenit

A anunciada descoberta do túmulo de Jesus é um fenômeno «entre arqueologia inventada, publicidade e vendas», explica o Studium Franciscanum Biblicum de Jerusalém. A Faculdade de Ciências Bíblicas e Arqueológicas ofereceu este comentário depois de que James Cameron, o diretor do filme «Titanic», apresentou o documentário “The Lost Tomb of Jesus” (O túmulo perdido de Jesus), realizado em colaboração com Simcha Jacobovici. O centro de pesquisa, após informar em um comunicado o parecer de todos os arqueólogos israelenses que se pronunciaram contra este suposto achado, conclui: «Esperamos com ansiedade saber quando acontecerá a venda das ‘preciosíssimas’ relíquias em que casa de leilão».

Credo Santa Ecclesia

sexta-feira, março 02, 2007

Dura Lex, Sed Lex

Pelos vistos os tribunais ainda aplicam as leis...
ARTIGO 1577º
(Noção de casamento)
Casamento é o contrato celebrado entre duas pessoas de sexo diferente que pretendem constituir família mediante uma plena comunhão de vida, nos termos das disposições deste Código.
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Código Civil

Rossa Sera

Rossa sera, Belo Horizonte,
i miei occhi mai t’han guardato,
ma il mio cuore t’ho regalato
per gli amici che ci han lasciato.

Rosse labbra della tua amata
o fratello perché hai lasciato?
Lunghe ciglia della tua amata,
bianche lacrime che han bagnato.

“Rosse labbra della mia amata
in Brasile con me ho portato,
di quel rosso ne ho colorato
bianche labbra di non amato.”

Rossi abeti di Lombardia,
rossi frutti delle vallate,
terra nostra dimenticata:
anche questa hai abbandonata.

“Rossi abeti di Lombardia,
rossi frutti delle vallate
in Brasile con me ho portato,
terra rossa ne ho seminato.”

Rossa valle di quel mattino:
Gesù Cristo ci ha giudicato.
O fratello, ti ho ritrovato,
terra rossa t’ha impolverato.

Rossa sera, Belo Horizonte,
i miei occhi mai t’han guardato,
ma il mio cuore t’ho regalato
per gli amici che ci han lasciato.


Rubra noite, Belo Horizonte, os meus olhos nunca te viram, mas o meu coração te ofereci pelos amigos que nos deixaram. Rubros lábios da tua amada, ó irmão, porque os deixaste? Longas pestanas da tua amada, brancas lágrimas as banharam. “Rubros lábios da minha amada, para o Brasil comigo os levei, daquele rubro os tingi, brancos lábios de não amado”. Rubros abetos da Lombardia, rubros frutos dos valados, nossa terra esquecida: também ela abandonada. “Rubros abetos da Lombardia, rubros frutos dos valados para o Brasil comigo os levei, na terra rubra os semeei.” Rubros vales daquela manhã: Jesus Cristo julgou-nos. Ó irmão, voltei a encontrar-te, empoeirou-te a terra rubra. Rubra noite, Belo Horizonte, os meus olhos nunca te viram, mas o meu coração te ofereci pelos amigos que nos deixaram.

"Para quê atormentar-nos se é tão fácil obedecer?"

Qual a razoabilidade de seguir um Homem que se acabou de deixar pregar numa Cruz, quando bastava ter mentido para Se safar?
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O escândalo da cruz deve ter sido insuportável para os Apóstolos, própriamente incompreensivel. Ele que multiplicava a comida, que curava os doentes e ressuscitava os mortos, flagelado? Crucificado? Morto?
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Contudo João permanceu, tal como Maria e as outras mulheres junto à Cruz. Permaneceu, não porque compreendesse, mas porque Ele se tinha tornado o sentido da Sua vida. Aquele Homem era a resposta ao desejo do seu coração. Aquele Homem era o filho de Deus, o messias que os profetas anunciavam. O próprio Pedro o tinha dito.
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João de pé junto à Cruz deve ser para nós exemplo. Exemplo do que é seguir: é aderir totalmente aqueles que Deus nos dá para seguirmos, mesmo que as vezes não compreedamos totalmente.
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Nem sempre é fácil compreender o Papa, ou don Giussani ou o Padre João. Contudo, não os seguir parece-me a coisa mais irrazoável. Pois Cristo encontrei-O neste homens. A minha existência encontra resposta nestes homens (não pela sua grandeza, mas porque apontam sempre para Cristo). Não os seguir é negar-me a mim mesmo.

quinta-feira, fevereiro 22, 2007

Uma Grande Paternidade

Faz hoje dois anos que morreu o Mons. Luigi Giussani, fundador do movimento Comunhão e Libertação e grande amigo meu.

Pode parecer esquisito dizer de Don Giussani que era um grande amigo quando a verdade é que nunca tive a graça de estar com ele. Mas a proposta que ele fazia, a experiência do movimento que Giussani propunha a todos, que me propôs a mim, correspondeu-me de tal forma que não pude deixar de pensar dele como um amigo. Aliás, mais que um amigo, um pai.

E não digo isto de forma sentimentalista. Não era nem é uma proposta teórica. Apesar de não a ter apreendido directamente da fonte, através dos meus amigos do movimento pude verificar de forma sensivel aquela proposta que não sendo nova, é a mais original que se pode encontrar, porque a mais Verdadeira: Cristo!

Agradeço portanto esta companhia, o meu GPS, e sobretudo agradeço esta experiência a Don Giussani.

Grazie Don Giuss

Contratações de luxo!

Desde que o Pinto da Costa contratou o Mourinho que o Porto não fazia uma contratação tão boa

quarta-feira, fevereiro 21, 2007

Bento XVI - As mulheres na História da Igreja.

Queridos irmãos e irmãs:

Chegamos hoje ao final de nosso percurso entre as testemunhas do cristianismo nascente, mencionados nos escritos do Novo Testamento. E aproveitamos a última etapa deste primeiro percurso para centralizar nossa atenção nas muitas figuras femininas que desempenharam um efetivo e precioso papel na difusão do Evangelho.

Seu testemunho não pode ser esquecido, segundo o que o próprio Jesus disse sobre a mulher que lhe ungiu a cabeça pouco antes da Paixão: «Eu vos asseguro: onde quer que se proclame esta Boa Nova no mundo inteiro, se falará também do que esta fez para memória sua» (Mateus 26, 13; Marcos 14, 9). O Senhor quer que estes testemunhos do Evangelho, estas figuras que deram sua contribuição para que crescera a fé n’Ele, sejam conhecidas e sua memória permaneça viva na Igreja.

Historicamente podemos distinguir o papel das mulheres no cristianismo primitivo, durante a vida terrena de Jesus e durante as vicissitudes da primeira geração cristã. Certamente, como sabemos, Jesus escolheu entre seus discípulos doze homens como pais do novo Israel, «para que estivessem com ele, e para enviá-los a pregar» (Marcos 3, 14-15). Este facto é evidente, mas, além dos doze, colunas da Igreja, pais do novo Povo de Deus, foram também escolhidas muitas mulheres no número dos discípulos.

Só posso mencionar brevemente aquelas que se encontraram no caminho do próprio Jesus, começando pela profetiza Ana (cf. Lucas 2, 36, 38) até chegar à samaritana (cf. João 4, 1-39), a mulher siro-fenícia (cf. Marcos 7, 24-30), a hemorroísa (cf. Mateus 9, 20-22) e a pecadora perdoada (cf. Lucas 7, 36-50). Tampouco mencionarei as protagonistas de algumas de suas eficazes parábolas, por exemplo, a mulher que faz o pão (Mateus 13, 33), a mulher que perde a dracma (Lucas 15, 8-10), a viúva inoportuna ante o juiz (Lucas 18, 1-8).

Para nosso argumento, são mais significativas as mulheres que desempenharam um papel activo no âmbito da missão de Jesus. Em primeiro lugar, o pensamento se dirige naturalmente à Virgem Maria, que com sua fé e sua obra materna colaborou de maneira única em nossa Redenção, até o ponto de que Isabel pôde chamá-la de «bendita entre as mulheres» (Lucas 1, 42), acrescentando: «feliz aquela que creu» (Lucas 1, 45). Convertida em discípula do Filho, Maria manifestou em Caná a confiança total n’Ele (cf. João 2, 5) e o seguiu até os pés da Cruz, onde recebeu d’Ele uma missão maternal para todos seus discípulos de todos os tempos, representados por João (cf. João 19, 25-27).

Há também várias mulheres, que de diferentes maneiras gravitaram em torno da figura de Jesus com funções de responsabilidade. São exemplos eloquentes as mulheres que seguiam Jesus para servi-lo com seus bens. Lucas oferece-nos alguns nomes: Maria de Magdala, Joana, Susana, e «muitas outras» (cf. Lucas 8, 2-3).

Depois, os Evangelhos dizem-nos que as mulheres, ao contrário dos Doze, não abandonaram Jesus na hora da Paixão (cf. Mateus 27, 56. 61; Marcos 15, 40). Entre elas, destaca-se em particular a Madalena, que não só esteve presente na Paixão, mas se converteu também na primeira testemunha e anunciadora do Ressuscitado (cf. João 20.1 11-18). Precisamente a Maria de Magdala, que São Tomás dedica o singular qualificativo de «apóstola dos apóstolos» («apostolorum apostola»), dedicando-lhe um belo comentário: «Assim como uma mulher havia anunciado ao primeiro homem palavras de morte, assim também uma mulher foi a primeira a anunciar aos apóstolos palavras de vida».

Também no âmbito da Igreja primitiva, a presença feminina não é secundária, muito pelo contrário. É o caso das quatro filhas do «diácono» Felipe, cujo nome não é mencionado, residentes em Cesaréia, dotadas, todas elas, como diz São Lucas, do «dom da profecia», ou seja, da faculdade de falar publicamente sob a acção do Espírito Santo (cf. Atos 21, 9). A brevidade da notícia não permite tirar deduções mais precisas.

Devemos a São Paulo uma documentação mais ampla sobre a dignidade e o papel eclesial da mulher. Começa pelo princípio fundamental, segundo o qual, para os batizados, «já não há judeu nem grego; nem escravo nem livre; nem homem nem mulher», «já que todos vós sois um em Cristo Jesus» (Gálatas 3, 28), ou seja, unidos todos na mesma dignidade de fundo, ainda que cada um com funções específicas (cf. I Coríntios 12, 27-30). O apóstolo admite como algo normal que na comunidade cristã a mulher possa «profetizar» (1 Coríntios 11, 5), ou seja, pronunciar-se abertamente sob a influência do Espírito Santo, sob a condição de que seja para a edificação da comunidade e de uma maneira digna. Portanto, é preciso realizar a famosa exortação: «as mulheres estejam caladas nas assembléias» (1 Coríntios 14, 34). O problema, sumamente discutido, sobre a relação entre a primeira fase - as mulheres podem profetizar na assembléia - , e a outra - não podem falar -, ou seja, a relação entre estas duas indicações que aparentemente são contraditórias, nós deixaremos para os exegetas. Não é algo que seja necessário discutir aqui.

Na quarta-feira passada, já nos havíamos encontrado com Prisca ou Priscila, esposa de Áquila, que em dois casos é mencionada surpreendentemente antes do marido (cf. Atos 18, 18; Romanos 16, 3): ambos são qualificados explicitamente por Paulo como seus «sun-ergoús», «colaboradores» (Romanos 16, 3). Há outras observações que não deve se discutir. É necessário constatar, por exemplo, que a breve Carta a Filêmon é dirigida por Paulo também a uma mulher de nome «Ápia» (cf. Filêmon 2). Traduções latinas e sírias do texto grego acrescentam ao nome «Ápia» o qualificativo de «Sóror crissima» (ibidem), e deve-se dizer que na comunidade devia ocupar um papel de importância; em todo caso, é a única mulher mencionada por Paulo entre os destinatários de uma carta sua. Em outras passagens, o apóstolo menciona a uma certa «Febe», à que chama «diákonos» da Igreja Cêncris, a pequena cidade porto ao leste de Corinto (cf. Romanos 16, 1-2). Ainda que o título, naquele tempo, ainda não tinha um valor ministerial específico de caráter hierárquico, expressa um autêntico exercício de responsabilidade por parte desta mulher a favor dessa comunidade cristã. Paulo pede que seja recebida cordialmente e assistida «em qualquer coisa que precise de vós», e depois acrescenta: «pois ela foi protetora de muitos, inclusive de mim mesmo».

No mesmo contexto epistolar, o apóstolo, de forma delicada, recorda outros nomes de mulheres: uma certa Maria, e depois Trifena, Trifosa, e Pérside, «amada», assim como a Júlia, das quais escreve abertamente que «se fatigaram por vós» ou «se fatigaram no Senhor» (Romanos 16, 6. 12a. 12b. 15), sublinhando deste modo seu intenso compromisso eclesial. Na Igreja de Filipos se distinguiam, também, duas mulheres de nome Evódia e Síntique (Filipenses 4, 2): o chamado que Paulo faz à concórdia mútua dá a entender que as duas mulheres desempenhavam uma função importante dentro dessa comunidade.

Em síntese, a história do cristianismo teria tido um desenvolvimento muito diferente se não se tivesse dado a contribuição generosa de muitas mulheres. Por este motivo, como escreveu meu venerado e querido predecessor João Paulo II, na carta apostólica «Mulieris dignitatem», «a Igreja dá graças por todas as mulheres e por cada uma. A Igreja expressa seu agradecimento por todas as manifestações do ‘génio’ feminino aparecidas ao longo da história, no meio dos povos e das nações; dá graças por todos os carismas que o Espírito Santo outorga às mulheres na história do Povo de Deus, por todas as vitórias que deve à sua fé, esperança e caridade; manifesta sua gratidão por todos os frutos da santidade feminina» (n. 31).

Como se vê, o elogio se refere às mulheres no transcurso da história da Igreja e é expresso em nome de toda a comunidade eclesial. Nós também nos unimos a este apreço, dando graças ao Senhor porque Ele conduz a sua Igreja, de geração em geração, servindo-se indistintamente de homens e mulheres, que sabem tornar sua fé e seu batismo fecundos para o bem de todo o Corpo eclesial, para maior glória de Deus.


Semper Fidelis

terça-feira, fevereiro 20, 2007

Homeward Bound

Im sittin in the railway station
Got a ticket for my destination
On a tour of one night stands
My suitcase and guitar in hand
And every stop is neatly planned
For a poet and a one man band

Homeward bound
I wish I was
Homeward bound
Home, where my thoughts escaping
Home, where my musics playing
Home, where my love lies waiting
Silently for me

Everydays an endless stream
Of cigarettes and magazines
And each town looks the same to me
The movies and the factories
And every strangers face I see
Reminds me that I long to be

Homeward boundI wish I was
Homeward bound
Home, where my thoughts escaping
Home, where my musics playing
Home, where my love lies waiting
Silently for me

Tonight Ill sing my songs again
Ill play the game and pretend
But all my words come back to me
In shades of mediocrity
Like emptyness in harmony
I need someone to comfort me

Homeward boundI wish I was
Homeward bound
Home, where my thoughts escaping
Home, where my musics playing
Home, where my love lies waiting
Silently for me
Silently for me
Silently for me


Depois de ter passado um belissimo fim-de-semana fora, não há nada como voltar a casa...