terça-feira, fevereiro 20, 2007

Beatos Francisco e Jacinta


Hoje, dia 20 de Fevereiro a Igreja celebra a festa litúrgica dos Beatos Francisco e Jacinta Marto.


Cantemos alegres a uma só voz

Francisco e Jacinta Rogai por nós

João César da Neves - A enorme derrota da Igreja

Agora que assentou a poeira à volta do referendo é possível ver com clareza: foi uma enorme derrota para a Igreja. É algo exagerado identificar o "não" com a Igreja católica, mas não muito. Ela foi a única grande entidade que se empenhou a fundo na luta desse lado e perdeu largamente.

Pode falar-se na parcialidade da imprensa e no poder do Governo, na manipulação da pergunta e nos enganos dos opositores, na subida dos votos do "não" e na elevação do debate. Pode dizer-se que foi uma derrota galharda e honrosa, mas indiscutivelmente uma enorme derrota da Igreja, da sua moral, cultura e forma de ver o mundo.

A Igreja está habituada a perder. Aliás a vitória de há oito anos é que foi uma extraordinária excepção numa longa sequência de importantes baixas. São tantas as derrotas históricas que surpreende até como a Igreja consegue sobreviver e manter tanta influência. Mas não é apenas desse modo que a derrota é normal. Trata-se de um elemento básico e inato. O cristianismo é a religião da cruz e dos mártires. O seu Deus foi flagelado, coroado de espinhos, pendurado num madeiro até morrer. A fé cristã é o reino dos pobres e dos humildes.

No dia do referendo em todas as missas do mundo foi lido: "Bem-aventurados vós, os que agora chorais, porque haveis de rir. Bem- -aventurados sereis, quando os homens vos odiarem, quando vos expulsarem, vos insultarem e rejeitarem o vosso nome como infame, por causa do Filho do Homem. Alegrai-vos e exultai nesse dia, pois a vossa recompensa será grande no Céu. (...) Ai de vós, os que agora rides, porque gemereis e chorareis! Ai de vós, quando todos disserem bem de vós! Era precisamente assim que os pais deles tratavam os falsos profetas" (Lc 6, 21-26). Os cristãos não vivem da derrota. Mas também não vivem para a vitória. Vivem da ressurreição, que só acontece depois da morte. Três dias depois.

O pior é que, quando a Igreja perde, quase ninguém ganha. A Igreja está preparada para perder, mas Portugal perde mais quando ela perde. Muitos dos que votaram "sim" no referendo viverão o suficiente para virem a lamentar a sua escolha. Quando os números do aborto dispararem, quando se sofrerem as consequências psicológicas, familiares, médicas, sociológicas, económicas do aborto livre, nessa altura perceberão a futilidade dos argumentos que os convenceram no dia 11. O facilitismo e superficialidade com que pretenderam "arrumar a questão" virá a cair sobre os próprios. Certamente haverá menos crianças abandonadas, menos deficientes, menos criminosos. Só mais cadáveres pequeninos.

O aborto a pedido e pago pelo Sistema Nacional de Saúde assolará sobretudo as classes mais pobres, onde a tentação será mais forte. Paradoxalmente, como noutros países, isso minará a base eleitoral dos partidos de Esquerda. Haverá menos crianças a correr nos bairros de lata; menos crianças a correr nos infantários. Haverá menos crianças em todo o lado. Haverá menos portugueses. O que aumentará é o número de gravidezes indesejadas. Iremos ver bem quão elástico é o conceito de "indesejado".

Outra característica das derrotas da Igreja é que depois ela continua sempre a lutar. Estas previsões catastróficas são ainda evitáveis. Certos da ressurreição e com os olhos fixos no Céu, os cristãos esperam contra toda a esperança. É só por isso que "sangue de mártires é semente de cristãos". Qualquer que seja a idade dos mártires.

Assim, a luta pela vida continuará, hoje como ontem. Se os defensores do aborto persistiram após 1998, ninguém negará agora o mesmo direito ao outro lado. A luta continuará até na frente jurídica. O embuste da pergunta e da campanha fez com que a única coisa realmente referendada fosse a despenalização. Alguns acham-se com legitimidade para aprovar uma lei de banalização do aborto, mas isso é claramente lateral ao referendo. Há ainda muitas instâncias capazes de defender o princípio constitucional de que "a vida humana é inviolável" (art. 24.º n.º 1).

Se essas leis vierem a passar, o drama do aborto cairá sobre o sector de saúde, acrescentando mais problemas aos que já tem. A luta pela vida passará então pelo apoio à dignidade ética da função médica.

Sobretudo a vida só se defende na vida. Na vida concreta de cada mãe abandonada, de cada criança indesejada. As dezenas de instituições específicas e os milhões de cristãos anónimos continuarão a trabalhar. Mesmo derrotada, a Igreja mostra sempre o caminho para a verdade e a vida.

Livro e filme do mês

A partir de hoje contamos com o aviso do livro e do filme do mês na coluna ao lado.

Papa fala sobre a vida!

Discurso do Papa Bento XVI aos participantes do Congresso sobre Direito Natural da Pontifícia Universidade Latranense

Segunda-Feira, 12 de Fevereiro de 2007

Venerados Irmãos
no Episcopado e no Sacerdócio
Estimados Professores
Ilustres Senhoras e Senhores

É com particular prazer que vos recebo no início dos trabalhos congressuais, que nos próximos dias vos verão comprometidos no debate sobre um tema de importância relevante para o actual momento histórico, o da lei moral natural. Agradeço a D. Rino Fisichella, Magnífico Reitor da Pontifícia Universidade Lateranense, os sentimentos expressos no discurso com que desejou introduzir este encontro.

Não há dúvida de que nós estamos a viver um momento de desenvolvimento extraordinário na capacidade humana de decifrar as regras e as estruturas da matéria e no consequente domínio do homem sobre a natureza. Todos nós vemos as grandes vantagens deste progresso, e vemos cada vez mais também as ameaças de uma destruição da natureza pela força da nossa acção. Existe outro perigo menos visível, mas não menos preocupante: o método que nos permite conhecer cada vez mais profundamente as estruturas racionais da matéria torna-nos cada vez menos capazes de ver a fonte desta racionalidade, a Razão criadora. A capacidade de ver as leis do ser material torna-nos incapazes de ver a mensagem ética contida no ser, mensagem que a tradição denomina lex naturalis, lei moral natural. Trata-se de uma palavra que hoje para muitos é incompreensível, por causa de um conceito de natureza já não metafísico, mas somente empírico. O facto de que a natureza, o próprio ser, já não é transparente para uma mensagem moral, gera um sentido de desorientação que torna precárias e incertas as opções na vida de todos os dias. Naturalmente, a confusão atinge de modo particular as gerações mais jovens, que neste contexto devem encontrar as opções fundamentais para a sua vida.

É precisamente à luz destas verificações que se manifesta em toda a sua urgência a necessidade de reflectir sobre o tema da lei natural e de reencontrar a sua verdade, comum a todos os homens. Tal lei, à qual se refere também o Apóstolo Paulo (cf. Rm 2, 14-15), está inscrita no coração do homem e, por conseguinte, também hoje não é simplesmente inacessível. Esta lei tem como seu princípio primordial e generalíssimo o de "fazer o bem e evitar o mal". Trata-se de uma verdade cuja evidência se impõe imediatamente a cada um. Dela brotam os outros princípios mais particulares, que regulam o juízo ético sobre os direitos e os deveres de cada um. Trata-se do princípio do respeito pela vida humana, desde a sua concepção até ao seu termo natural, pois este bem da vida não é uma propriedade do homem, mas um dom gratuito de Deus. Trata-se também do dever de buscar a verdade, pressuposto necessário de toda o verdadeiro amadurecimento da pessoa.

Outra exigência fundamental do sujeito é a liberdade. Todavia, tendo em consideração o facto de que a liberdade humana é sempre uma liberdade compartilhada com os outros, é claro que a harmonia das liberdades só pode ser encontrada naquilo que é comum a todos: a verdade do ser humano, a mensagem fundamental do próprio ser, precisamente a lex naturalis. E como deixar de mencionar, por um lado, a exigência da justiça, que se manifesta em dar unicuique suum e, por outro, a expectativa da solidariedade, que alimenta em cada um, especialmente se estiver em dificuldade, a esperança de uma ajuda por parte daquele que teve uma sorte melhor? Nestes valores expressam-se normas inderrogáveis e inadiáveis, que não dependem da vontade do legislador e nem sequer do consenso que os Estados lhes podem conferir. Com efeito, trata-se de normas que precedem qualquer lei humana: como tais, não admitem intervenções em derrogação por parte de ninguém.

A lei natural é a nascente de onde brotam, juntamente com os direitos fundamentais, também imperativos éticos que é necessário respeitar. Na actual ética e filosofia do Direito são amplamente difundidos os postulados do positivismo jurídico. A consequência é que a legislação se torna com frequência somente um compromisso entre diversos interesses: procura-se transformar em direitos, interesses particulares ou desejos que contrastam com os deveres derivantes da responsabilidade social. Nesta situação, é oportuno recordar que cada ordenamento jurídico, tanto a nível interno como internacional, haure em última análise a sua legitimidade da radicação na lei natural, na mensagem ética inscrita no próprio ser humano. Em definitivo, a lei natural é o único baluarte válido contra o arbítrio do poder ou os enganos da manipulação ideológica. O conhecimento desta lei inscrita no coração do homem aumenta com o progredir da consciência moral. Portanto, a primeira preocupação para todos, e particularmente para quem tem responsabilidades públicas, deveria consistir em promover o amadurecimento da consciência moral. Este é o progresso fundamental, sem o qual todos os outros progressos terminam por ser não autênticos. A lei inscrita na nossa natureza é a verdadeira garantia oferecida a cada um, para poder viver livres e ser respeitado na própria dignidade.

O que dissemos até agora tem implicações muito concretas, se se faz referência à família, ou seja, àquela "íntima comunidade conjugal de vida e de amor... fundada e dotada de leis próprias pelo Criador" (Constituição pastoral Gaudium et spes, 48). A este propósito, o Concílio Vaticano II reiterou oportunamente que a instituição do matrimónio recebe a sua "estabilidade do ordenamento divino" e, por isso, "este vínculo sagrado, por causa do bem tanto dos esposos e da prole, como da sociedade, está fora do arbítrio humano" (Ibidem). Portanto, nenhuma lei feita pelos homens pode subverter a norma escrita pelo Criador, sem que a sociedade seja dramaticamente ferida naquilo que constitui o seu próprio fundamento basilar. Esquecê-lo significaria debilitar a família, penalizar os filhos e também tornar precário o futuro da sociedade.

Enfim, sinto o dever de afirmar mais uma vez que nem tudo o que é cientificamente realizável é também lícito sob o ponto de vista ético. Quando reduz o ser humano a um objecto de ensaio, a técnica termina por abandonar o sujeito frágil ao arbítrio do mais forte. Confiar cegamente na técnica como a única garantia de progresso, sem oferecer ao mesmo tempo um código ético que mergulhe as suas raízes na mesma realidade que é estudada e desenvolvida, equivaleria a causar violência à natureza humana, com consequências devastadoras para todos.

A contribuição dos homens de ciência é de importância primária. Juntamente com o progresso das nossas capacidades de domínio sobre a natureza, os cientistas devem contribuir também para nos ajudar a compreender profundamente a nossa responsabilidade pelo homem e pela natureza que lhe é confiada. Tendo isto como base, é possível desenvolver um diálogo fecundo entre crentes e não-crentes; entre filósofos, juristas e homens de ciência, que podem oferecer também ao legislador um material precioso para a vida pessoal e social. Por isso, faço votos a fim de que estes dias de estudo possam impelir não apenas a uma maior sensibilidade dos estudiosos em relação à lei natural, mas levem também a criar as condições para que, no que diz respeito a esta temática, se chegue a ter uma consciência cada vez mais plena do valor inalienável que a lex naturalis possui, para um progresso real e coerente da vida pessoal e da ordem social.

Com estes bons votos, asseguro a minha lembrança na oração por vós e pelo vosso compromisso académico de investigação e de reflexão, enquanto concedo a todos vós a minha afectuosa Bênção Apostólica.

Semper Fidelis

segunda-feira, fevereiro 19, 2007

Ainda o Aborto

"Certamente haverá menos crianças abandonadas, menos deficientes, menos criminosos. Só mais cadáveres pequeninos." - César das Neves, DN 19/02/07

sexta-feira, fevereiro 16, 2007

Nuno Álvares Pereira

Que auréola te cerca?
É a espada que, volteando,
Faz que o ar alto perca
Seu azul negro e brando.

Mas que espada é que, erguida,
Faz esse halo no céu?
É Excalibur, a ungida,
Que o Rei Artur te deu.

Sperança consumada,
S. Portugal em ser,
Ergue a luz da tua espada
Para a estrada se ver!

Fernado Pessoa, Mensagem

Nota da Conferência Episcopal Portuguesa sobre o referendo.

O NOVO CONTEXTO DA LUTA PELA VIDA
.
Nota Pastoral
Reunida em Assembleia extraordinária, após o habitual retiro, a Conferência Episcopal Portuguesa, na sequência do referendo de 11 de Fevereiro, decidiu propor algumas reflexões pastorais aos cristãos e à sociedade em geral.
.
1. Apesar de a maioria dos eleitores não se ter pronunciado, o resultado favorável ao “Sim” é sinal de uma acentuada mutação cultural no povo português, que temos de enfrentar com realismo, pois indicia o contexto em que a Igreja é chamada a exercer a sua missão. Manifestou-se uma cultura que não está impregnada de valores éticos fundamentais, que deveriam inspirar o sentido das leis, como é o do carácter inviolável da vida humana, aliás consagrado na nossa Constituição. Esta mutação cultural tem várias causas, nomeadamente: a mediatização globalizada das maneiras de pensar e das correntes de opinião; as lacunas na formação da inteligência, que o sistema educativo não prepara para se interrogar sobre o sentido da vida e as questões primordiais do ser humano; o individualismo no uso da liberdade e na busca da verdade, que influencia o conceito e o exercício da consciência pessoal; a relativização dos valores e princípios que afectam a vida das pessoas e da sociedade.
Reconhecemos, também, que esta realidade social, em muitas das suas manifestações, tem posto a descoberto, em vários aspectos, alguma fragilidade do processo evangelizador, mormente em relação aos jovens. A nossa missão pastoral, por todos os meios ao nosso alcance, tem de visar este fenómeno da mutação cultural, pois só assim ajudaremos a que os grandes valores éticos continuem presentes na compreensão e no exercício da liberdade.
.
2. Congratulamo-nos com a vasta e qualificada mobilização, verificada nas últimas semanas, em volta da defesa do carácter inviolável da vida humana e da dignidade da maternidade. É um sinal positivo de esperança. É importante que permaneça activa, que encontre a estrutura organizativa necessária, para continuar a participar neste debate de civilização.
O debate do referendo esteve centrado na justeza de um projecto de lei que, ao procurar despenalizar, acaba por legalizar o aborto. A partir de agora o nosso combate pela vida humana tem de visar, com mais intensidade e novos meios, os objectivos de sempre: ajudar as pessoas, esclarecer as consciências, criar condições para evitar o recurso ao aborto, legal ou clandestino. Esta luta deveria empenhar, progressivamente, toda a sociedade portuguesa: Estado, Igrejas, movimentos e grupos e restante sociedade civil. E os caminhos para se chegar a resultados positivos são, a nosso ver: a alteração de mentalidades, a formação da consciência, a ajuda concreta às mães em dificuldade.
.
3. A mudança de mentalidade interpela a nossa missão evangelizadora, de modo particular a evangelização dos jovens, das famílias e dos novos dinamismos sociais. Toda a missão da Igreja tem de ser, cada vez mais, pensada para um novo contexto da sociedade. São necessárias criatividade e ousadia, na fidelidade à missão da Igreja e às verdades evangélicas que a norteiam.
Faz parte dessa missão evangelizadora o esclarecimento das consciências. A Igreja respeita a consciência, o mais digno santuário da liberdade. Não a ameaça, nem atemoriza, mas quer ajudar a esclarecê-la com a verdade, pois só assim poderá exprimir a sua dignidade.
Esta verdade iluminadora das consciências provém de um sadio exercício da razão, no quadro da cultura; é-nos revelada por Deus, que vem ao encontro do ser humano; é património de uma comunidade, cuja tradição viva é fonte de verdade, enquadrando a dimensão individual da liberdade e da busca da verdade. Para os católicos, a verdade revelada, transmitida pela Igreja no quadro de uma tradição viva, é elemento fundamental no esclarecimento das consciências.
Aos católicos que, no aceso deste debate, se afastaram da verdade revelada e da doutrina da Igreja, convidamo-los a examinarem, no silêncio e tranquilidade do seu íntimo, as exigências de fidelidade à Igreja a que pertencem e às verdades fundamentais da sua doutrina.
Aos fiéis católicos lembramos, neste momento, que o facto de o aborto passar a ser legal, não o torna moralmente legítimo. Todo o aborto continua a ser um pecado grave, por não cumprimento do mandamento do Senhor, “não matarás”.
Apelamos aos médicos e profissionais de saúde para não hesitarem em recorrer ao estatuto de “objectores de consciência” que a Lei lhes garante.
Às mulheres grávidas que se sintam tentadas a recorrer ao aborto, aos pais dos seus filhos, pedimos que não se precipitem. A decisão de abortar é, na maior parte dos casos, tomada em grande solidão e sofrimento. Um filho que, no início, aparece como um problema, revela-se, tantas vezes, como a solução das suas vidas. Tantas mulheres que abortaram sentem, mais tarde, que se pudessem voltar atrás teriam evitado o acto errado. Abram-se com alguém, reflictam, em diálogo, na gravidade da sua decisão.
.
4. Mas há uma resposta urgente a dar ao drama do aborto: criar ou reforçar estruturas de apoio eficaz e amigo às mulheres a braços com uma maternidade não desejada e que consideram impossível levar até ao seu termo. Estudos recentes mostram que a maior parte das mulheres nessas circunstâncias, se fossem ajudadas não recorreriam ao aborto. É um dever de todos nós, de toda a sociedade, criar essas estruturas de apoio.
Uma das novidades da campanha do referendo foi o facto de muitos defensores do “Sim” – a começar pelo Governo da Nação, que se quis comprometer numa questão que não é de natureza estritamente política – afirmarem ser contra o aborto, quererem acabar com o aborto clandestino e diminuir o número de abortos. Registamos esse objectivo, mas pensamos que o único caminho eficaz e verdadeiramente humano é avançarmos significativamente na formação da juventude e no apoio à maternidade e à família. Não poderemos esquecer que, no quadro social actual, a maternidade se tornou mais difícil. No actual contexto das nossas sociedades ocidentais só se chegará a uma política equilibrada de natalidade com um apoio eficaz à maternidade, com particular atenção à maternidade em circunstâncias difíceis e, por vezes, dramáticas.
No que à Igreja diz respeito, continuaremos a incluir esta acção de acolhimento e ajuda às mães entre as nossas prioridades. Mas para que esta acção seja eficaz, precisa-se da convergência de todos, Estado e sociedade civil. Demo-nos as mãos para acabar com o aborto e tornar a lei, que agora se vai fazer, numa lei inútil.
.
5. A busca de uma solução, a médio e a longo prazo, tem de passar, também, por uma política de educação que forme para a liberdade, na responsabilidade, concretizada numa correcta educação da sexualidade. Esta constitui um dos dinamismos mais ricos e complexos do ser humano, onde se exprimem a dimensão relacional e a vocação para o amor e para a comunhão. Uma vivência desregrada da sexualidade é uma das principais causas das disfunções sociais e da infelicidade das pessoas. A sã educação da sexualidade há-de abrir para a gestão responsável da própria fecundidade, através de um planeamento familiar sadio, que respeite e integre as opções morais de cada um. Quando a geração de um filho não for fruto de irreflexão, mas de um acto responsável, estará resolvido, em grande parte, o problema do aborto.
.
6. A luta pela vida, pela dignificação de toda a vida humana, é uma das mais nobres tarefas civilizacionais. Não será o novo contexto legal que nos enfraquecerá no prosseguimento desta luta. A Igreja continuará fiel à sua missão de anúncio do Evangelho da vida em plenitude e de denúncia dos atentados contra a vida.
.
Fátima, 16 de Fevereiro de 2007
.
Semper Fidelis

Aí dos vencidos!

O filme "Braveheart" começa com Robert Bruce a dizer qualquer coisa como "os ingleses dirão que eu minto, mas a história é feita por aqueles que enforcam os heróis".
.
Quem estudou história no secundário poderá confirmar que os "bons" são sempre aqueles que ganham. Os "bons" que nós aprendemos na escola são: o Marquês de Pombal, os liberais, a primeira républica, os capitães de Abril. Já os maus são os jesuítas, os miguelistas, el-Rei Dom Carlos, Salazar, Marcello Caetano... Enfim, aqueles que foram derrotados.
.
Longe de mim querer dizer que todos os miguelistas eram bons ou que Salazar era um herói. Contudo não posso deixar de dizer que:
.
. o Marquês de Pombal destruiu a rede de colégios maioritariamente gratuitos dos jesuítas, substituindo-os pela escola dos nobres e por escolas profissionais, negando o ensino aos mais desfavorecidos;
.
. os liberais perseguiram a Igreja, roubaram os seus bens e instalaram um regime onde governavam os "amigos" do regime. Podemos perceber isso ser lermos Almeida Garret, ele próprio liberal;
.
. a primeira républica foi o caos e uma ditadura. Durante e primeira républica a Igreja foi perseguida: os padres deixaram de poder usar batina, as Igrejas passaram a ser controladas pelo Estado e as manifestações públicas de fé eram proibidas;
.
. após o 25 de Abril tivemos as nacionalizações, os saneamentos, prisões políticas e as nossas colónias foram própriamente vendidas.
.
Ao contrário dos que o programa de história do Ministério da Educação possa transparecer, os heróis portugueses desde o Marquês de Pombal até hoje, foram quase sempre os derrotados...

Afinal...

Durante meses dizeram que o que estava em causa neste referendo era apenas uma pequenissima alteração ao Código Penal, que era apenas uma desepenalização. Afinal a questão é outra. Fernanda Câncio dixit: "E mais: ia jurar que estamos todos - e todas, sobretudo -muito fartos que nos digam o que é bem e o que é mal. Foi sobre isso o referendo, sabiam?"
.
Já percebemos que afinal o referendo era um afirmação política. Afinal era mesmo um cultura egoísta e de morte, contra uma cultura de vida.
.
Ganhou a morte, perdemos nós.

quarta-feira, fevereiro 14, 2007

Rádio Vaticana

Acrescentei hoje o link da Radio Váticana. Mais um site para se saber notícias sobre a Igreja.

Obrigado

Agradeço hoje, mais uma vez, a todos aqueles que estiveram empenhados na campanha, em defesa da Vida, no último referendo.

Todos foram prova de que o Sr. D. António dos Reis Rodrigues não se engana ao afirmar "Acredito sinceramente que uma nova geração de Portugueses está aí, rompendo para o futuro, trazendo consigo a segura esperança de um país redescoberto."

Como diz Ortega y Gasset, "Os homens não convivem por estarem juntos, mas para fazerem juntos alguma coisa."

A todos vocês, Obrigado!

«Hão-de olhar para Aquele que trespassaram» (Jo 19, 37)

Queridos irmãos e irmãs!
«Hão-de olhar para Aquele que trespassaram» (Jo 19, 37). Este é o tema bíblico que guia este ano a nossa reflexão quaresmal. A Quaresma é tempo propício para aprender a deter-se com Maria e João, o discípulo predilecto, ao lado d’Aquele que, na Cruz, cumpre pela humanidade inteira o sacrifício da sua vida (cf. Jo 19, 25). Portanto, dirijamos o nosso olhar com participação mais viva, neste tempo de penitência e de oração, para Cristo crucificado que, morrendo no Calvário, nos revelou plenamente o amor de Deus. Detive-me sobre o tema do amor na Encíclica Deus caritas est, pondo em realce as suas duas formas fundamentais: o agape e o eros.
.
Mensagem do Papa Bento XVI para a Quaresma 2007 disponível aqui

"Quem não recorda os erros do passado está condenado a repeti-los"

Os concursos valem o que valem, ou seja, muito pouco. Parece-me bastante ridiculo retirar conclusões sociológicas de uma votação feita pela internet. Contudo, o facto de Salazar figurar quer nos dez maiores, quer no dez piores, portugueses de todos os tempos, não deixa de ser sintomático de um certo modo de olhar para a história. Para nós, na história, há os bons e os maus.
.
Não conheço o suficiente da história do Estado Novo, para me atrever a fazer um juízo taxativo sobre Salazar. Mas do pouco que sei, posso dizer que ele teve, como todas as pessoas, coisas boas e coisas más.
.
Não nos podemos limitar a dizer que Salazar, acabou com a perseguição à Igreja, estabilizou a ecónomia, evitou que entrassemos na Segunda Grande Guerra, evitou que o Comunismo que alastrou em Espanha e a conduziu a uma guerra civil se propagasse a Portugal. Também não podemos só falar da PIDE, das prisões políticas, da censura, etc...
.
Salazar teve coisas boas e coisas más. De mim não merece o epiteto nem de pior, nem de maior português de todos os tempos. Mas acima de tudo, parece-me ridiculo ver pessoas sérias, académicos inclusive, praticar revisionismo histórico para fazer vale o seu ponto de vista. A história não se molda as vontades.
.
"Quem não recorda os erros do passado está condenado a repeti-los"

Em consciência!

Os senhores que defenderam a possibilidade da mulher decidir em "consciência" (e deixai-me que vos diga que uma mulher que aborta em "consciência", ou seja, que conscientemente decida terminar com uma vida, deve ser presa) querem agora dificultar a possibilidade de um médico decida, em consciência, não cometer um acto através do qual quebram o juramento que fizeram quando se tornaram médicos.
.
A consciência não é um bem absoluto, se eu em consciência decidir matar alguém (mesmo que só tenho 8 semanas) devo ser proibido. Contudo o aborto é sempre um acto moralmente reprovável. Por isso um médico, que jurou nunca atentar contra a vida humana, não pode ser coagido a fazer um aborto.
.
Colocar obstáculos à objecção de consciência dos médico é mais um passo para a estatlização de Portugal.
.
Esperemos que depois de aprovado a morte dos santos inocentes, não passemos ao martírio dos médicos...

terça-feira, fevereiro 13, 2007

"É preciso que o heróico se torne quotidiano, para que o quotidiano se torne heróico"

Edimar era um miúdo de uma favela brasileira. Pertencia a um gang e converteu-se no encontro com uma professoar de Comunhão e Libertação. Foi morto por se recusar a matar. Podem conhecer a história aqui.

O que diz Pedro?

CIDADE DO VATICANO, segunda-feira, 11 de fevereiro de 2007.

Sem o respeito da lei natural, a vida, a família e a sociedade se convertem em vítimas do relativismo ético, explicou Bento XVI nesta segunda-feira. Foi a mensagem que deixou ao receber em audiência cerca de 200 participantes no congresso internacional sobre o direito natural, convocado pela Pontifícia Universidade Lateranense de Roma.
.
O discurso do Papa começou constatando as evidentes contradições do momento presente, caracterizado pelo progresso tecnológico. «Vemos todos as grandes vantagens deste progresso, mas vemos cada vez mais também as ameaças de destruição do dom da natureza», constatou. «E se dá outro perigo, menos visível, mas não menos inquietante -- acrescentou: o método, que nos permite conhecer cada vez mais as estruturas racionais da matéria, nos torna cada vez mais incapazes de ver a fonte dessa racionalidade, a Razão criadora.»
.
Por este motivo, o bispo de Roma sublinhou a «urgência» de refletir sobre o tema da lei natural, como manancial de normas, que precedem qualquer lei humana e que não podem ser alteradas por ninguém.
.
O número 1954 do Catecismo da Igreja Católica afirma que «a lei natural expressa o sentido moral original que permite ao homem discernir, mediante a razão, o que são o bem e o mal, a verdade e a mentira». Neste discernimento, o Papa destacou em particular «o princípio do respeito pela vida humana, desde sua concepção até seu ocaso natural, pois este bem da vida não é propriamente do homem, mas dom gratuito de Deus».
.
Outro princípio fundamental, acrescentou, é «o dever de buscar a verdade, pressuposto necessário de toda maturidade autêntica da pessoa», acrescentou. Contra esta visão, como denunciou o Papa, atenta o «positivismo jurídico», segundo o qual, os «interesses privados» se transformam em «direitos».
.
Pelo contrário, «a lei natural é, em definitiva, o único baluarte contra o arbítrio do poder ou dos enganos da manipulação ideológica», assinalou. Para a lei natural, explicou Bento XVI, a família é «essa comunidade íntima de vida e de amor conjugal, fundada pelo Criador» e, portanto, «vínculo sagrado», que «não depende do arbítrio humano». «Portanto, nenhuma lei feita pelos homens pode alterar a norma escrita pelo Criador sem que a sociedade fique dramaticamente ferida no que constitui seu próprio fundamento.» «Esquecê-lo significaria debilitar a família, penalizar os filhos e tornar precário o futuro da sociedade», indicou.
.
Neste contexto, confessou: «sinto o dever de afirmar mais uma vez que não tudo o que é cientificamente factível é também eticamente lícito». «A tecnologia, quando reduz o ser humano a objecto de experimentação, acaba abandonando o fraco ao arbítrio do mais forte», concluiu.

in
Zenit

Velhos? Velhos são os trapos (e os católicos pelo SIM)

O Dr. Francisco Loução não se esqueceu de agradecer aos católicos que votaram "Sim". Elogiou-os, como se fossem grandes progressistas e o futuro da Igreja.
.
O que o Dr. Francisco Louçã não reparou, é que todos os "católicos" que públicamente defenderam o aborto, não são o futuro de nada, porque já não devem ter mais dez anos de vida.
.
Frei Bento Domingues, Padre Anselmo Borges, Mário de Oliveira, as senhoras do Nós Somos Igreja, só se podem juntar para abrir um lar de terceira idade, onde relebram os bons velhos tempos em que marchavam lado a lado com o Álvaro Cunhal e o Dr. Soares...

segunda-feira, fevereiro 12, 2007

Avisos

Hoje tivemos em Portugal o maior sismo dos últimos trinta anos. Como diria o Padre João: "Deus não castiga, mas dá os Seus avisos"

D. Afonso Henriques

Pai, foste cavaleiro.
Hoje a vigília é nossa.
Dános o exemplo inteiro
E a tua inteira força!

Dá, contra a hora em que, errada,
Novos infiéis vençam,
A bênção como espada,
A espada como benção!

Fernando Pessoa, Mensagem

May it Be

May it be an evening star
Shines down upon you
May it be when darkness falls
Your heart will be true
You walk a lonely road

Oh! How far you are from home
Mornie utúlië (darkness has come)
Believe and you will find your way
Mornie alantië (darkness has fallen)
A promise lives within you now

May it be the shadows call
Will fly away
May it be you journey on
To light the day
When the night is overcome
You may rise to find the sun
Mornie utúlië (darkness has come)

Believe and you will find your way
Mornie alantië (darkness has fallen)
A promise lives within you now

A promise lives within you now

Ontem desceu a escuridão, mas uma promessa vive em nós. Sejamos fiéis ao impeto do nosso coração, que nos levou a lutar corajosamente pela vida!